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História Nós e Eles - Capítulo 4


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Notas do Autor


Voltei! Espero que gostem!
Gente, a @Serpente_ me ajudou bastante! Biscoito nela!

Capítulo 4 - Disputa.


Fanfic / Fanfiction Nós e Eles - Capítulo 4 - Disputa.

Quando Sasuke e Hinata tentaram deixar todos surdos;


HINATA

Pouco mais de uma semana que os filhos da puta resolveram morar em frente a minha bela casa. Eu já não aguentava mais o som de Luiz Gonzaga que saía de lá. Ok, realmente gosto de forró, mas isso já é exagero.

— Vou acabar com a raça deles... — Rosnei irritada e Temari revirou os olhos, suspirando.

— Aquieta o cu e vem nos ajudar na pintura.

Ah sim, sábado de manhã e cá estou eu, ao lado de três surtadas e duas pessoas centradas, nosso quintal repleto de latas de tinta na cor rosa chiclete. Tenten trazia aqueles rolos de pintar, juntos de grandes pedaços de plástico, Karin e Ino vinham com as escadas.

Iriamos retocar a casa para o final de ano.

E vamos de estrago total.

Suspirei irritada, indo ao meu quarto e voltando com a roupa mais velha que eu tinha — regata cinza quase que resgando e short de academia preto que era da Temari, estilo acima de tudo —, prendi meus cabelos num rabo de cavalo alto e vamos que vamos.

Sakura pintava as janelas de branco, calmamente, assobiando feliz para não sei o quê. A Mitsashi agora subia até o telhado, a escada sendo segurada pela Uzumaki. Ino e Temari pintavam do lado direito e atrás da casa, respctivamente. E eu, bem... Eu encarava Sasuke Uchiha sorrir para mim do outro lado da rua, seus dedos finos e cheios de calos — porque ele tem calos, se você não sabe — aumentando o volume da grande caixa de som ali.

"De manhã cedo já tá pintada
Só vive suspirando, sonhando acordada
O pai leva ao dotô a filha adoentada
Não come, nem estuda
Não dorme, não quer nada"

Mordi os lábios com força, caçando nossa caixinha de som pela casa enquanto a música alta do outro lado da rua ainda tocava. Iria devolver na mesma moeda.

"Ela só quer
Só pensa em namorar
Ela só quer
Só pensa em namorar"

Assim que acho a mesma, sigo até o quintal, conectando meu celular e colocando a primeira coisa que veio em minha cabeça.

Furacão 2000.

"Se ela dança eu danço
Se ela dança eu danço
Se ela dança eu danço
Falei com o rei"

Ele me encara feio. Uma sobrancelha negra erguida e sua aura assustadora. Não murcho, só fico ainda mais firme.

Então o som se torna ainda mais alto.

"Mas o dotô nem examina
Chamando o pai do lado
Lhe diz logo em surdina
Que o mal é da idade
Que pra tal menina
Não tem um só remédio
Em toda medicina"

Aumento o meu também. Quem esse desgraçado pensa que é?!

"Se ela dança eu danço
Se ela dança eu danço
Se ela dança eu danço
Falei com o DJ

Pra fazer diferente botar chapa quente
Pra gente dançar
Quem é a menina que dança e fascina
Que alucina querendo beijar"

O ódio era visto em seu belo rostinho de filho da puta, que só soube apertar ainda mais o botão.

"Ela só quer
Só pensa em namorar
Ela só quer
Só pensa em namorar"

Sorrio debochada, afinal, a música dele estava acabando.

"Se ela dança eu danço, balancei no balanço
Nesse doce encanto que me faz cantar
Que é quando eu te vejo, desperta o desejo
Eu lembro do seu beijo e não paro de sonhar"

"Ela só quer
Só pensa em namorar
Ela só quer
Só pensa em namorar"

"Ela só pensa em beijar
Beijar, beijar, beijar
E vem comigo dançar
Dançar, dançar, dançar"

"Só quer
Só pensa em namorar"

"Vem viver esse sonho
Eu te proponho até suponho vai se apaixonar
Por essa alegria que contagia
A melodia que te faz dançar"

Nesse ponto alguns dos caras já tinham saído de sua casa, as meninas apenas nos encaravam, confusas. Estalei a língua, aumentando ainda mais o volume e o encarando desafiadora. O forró havia acabado.

"Eu viajei no seu corpo descobri o seu gosto
Deslizei no teu rosto só pra te beijar
Me dê uma chance quem sabe esse lance
Vai virar um romance e a gente vai namorar"

O vejo, furioso, mexer em seu aparelho de telefone, abrindo um sorriso sacana após outra música se iniciar.

"Quem te vê passar assim por mim
Não sabe o que é sofrer
Ter que ver você, assim, sempre tão linda
Contemplar o sol do teu olhar, perder você no ar
Na certeza de um amor
Me achar um nada
Pois sem ter teu carinho
Eu me sinto sozinho
Eu me afogo em solidão"

Desgraçado filho da puta. Não acredito que esse Uchiha do caralho se atraveu a fazer isso. O volume da caixa estava de doer os ouvidos, mas meu orgulho falava mais forte.

"Ela só pensa em beijar
Beijar, beijar, beijar
E vem comigo dançar
Dançar, dançar, dançar"

"Oh, Anna Júlia
Oh, Anna Júlia"

"Se ela dança eu danço
Se ela dança eu danço
Se ela dança eu danço
Se ela dança eu danço"

"Nunca acreditei na ilusão de ter você pra mim
Me atormenta a previsão do nosso destino
Eu passando o dia a te esperar
Você sem me notar
Quando tudo tiver fim, você vai estar com um cara
Um alguém sem carinho
Será sempre um espinho
Dentro do meu coração"

"Se ela dança eu danço
Se ela dança eu danço
Se ela dança eu danço
Se ela dança eu danço
Falei com o DJ"

Colocamos no máximo. Aquilo agora era questão de orgulho. Sasuke não iria ganhar nem que eu ficasse completamente surda.

Pelo menos eu achei que seria assim.

Temari, de repente, se encontrava vermelha de raiva, correndo até cada um e desligando as duas caixas de som, nos encarando mortalmente.

— Vocês são retardados?! Seus mongóis! — Suspirou, enfurecida — A Dona Odete ameaçou chamar a polícia!

Apertei meus dedos na palma da minha mão, com tanta força que poderia facílmente arranhar a pele. Aquele homem me testava.

— Ok. — Me viro, pegando um rolo qualquer que estava ali e colocando na tinta, indo em passos lentos na direção da parede, bem cínica, bem sonsa.

Os rostos assustados e em silêncio me acompanharam junto dos olhos raivosos de Sasuke. E, num segundo, eu já estava do outro lado da rua, sujando o maior de tinta rosa e aproveitando para bater no mesmo com o cabo do rolo.

Sorri vitoriosa ao me afastar e ver o estrago que fiz. O ódio no rosto do Uchiha tinha se multiplicado. Se Sasuke estava na merda, eu estava em festa.

— Sua desgraçada! — Berrou, correndo até mim.

O abraço que levei fora apertado e melequento, me fazendo gritar em pura raiva.

— Puto do caralho!

— Se eu caio, você cai junto. Amorzinho. — Diz, irônico.

— Dios mío, no te haces más joven como solías... — Tenten maneava a cabeça em negação, sussurrando em espanhol e subindo novamente as escadas — Qué desperdicio de tinta, nuestra señora. Tsc tsc.

Eu o odeio. Odeio, odeio e odeio.

E me odeio.

INO

Vinte e oito anos atrás duas yags resolveram adotar um bebê e agora cá estou eu, tendo que aturar essa bagunça toda aqui. Ninguém merece, caralho.

Hinata e Sasuke haviam sumido, provavelmente cada um foi tomar banho em sua casa. E nós, a ralé, ficamos em nossos quintais, um olhando para a cara do outro, tentando entender o que de fato tinha acabado de acontecer.

— Tenten, minha querida! — Me viro para encarar a senhorinha que saía de sua casa, olhando para os dois lados da rua e vindo em nossa direção.

Dona Francisca é um amor e mora na casa ao lado dos meninos. Ela e seu papagaio amam a Ten, que sempre que pode tá lá tomando café e comendo rapadura. Eu só queria comer também, sabe...

— Tia Chica! — A cubana sorri, descendo da telha e guardando os pincéis para ir ao seu encontro — Não posso te abraçar, estou suja de tinta. — Riu.

Olhei para os caras, ignorando o que as duas conversavam e prestando atenção em suas expressões. Cabeludo um cruzava os braços, suas orbes peroladas confusas. Cabeludo dois e Loirinho não se encontravam. Platinado e Moreno pareciam levemente envergonhados.

Lindos nomes os que eu dei para cada um. Siga para mais atualizações.

— Enfim, gente, tô indo tomar café com a Tia Chica e o Zé, vejo vocês mais tarde. — A de coques fala, acompanhando a senhora e virando-se para mover os lábios e formar a palavra "otárias".

Desgraçada.

— Então... — Começou Sakura, as bochechas levemente rubras — Desculpem por isso.

— Nós que pedimos desculpas. — O Platinado sorri, recebendo um olhar feio dos outros dois.

— Desculpas nada, essas meninas são malucas.

Karin larga tudo o que estava fazendo, avançando para cima do perolado, mas é segurada por Temari. Merecia, mas fazer o quê?

— Te aquieta, mulher. — Sussurrou.

— Eu vou dar na cara dele! Eu vou dar!

— Faz isso! — Gritei — Esfrega a cara desse mauricinho no asfalto!

E, se o circo não pega fogo, Ino Yamanaka entrega o isqueiro nas mãos de quem tem a gasolina.

TEMARI

Agora é só o que me faltava. Karin deu para querer bater no Hinata dois. E ainda com o apoio de Ino — nada de novo sob a luz do sol, porque além de fofoqueira e piranha, a loira é barraqueira —, Sakura é a única normal naquela porra de casa, cara.

Suspiro, segurando a cabeleira ruiva e a afastando da calçada. Não tenho nem um minuto de paz na minha vida, cacete.

— É o que eu falo, né, Neji. Mulher é toda frufruzinha, não aguenta ouvir nada sem dar piti. — O tal de Kiba diz, arrancando um sorriso ladino do maior.

Mulher. Frufru. Piti.

Eu não fui uma ótima aluna minha vida inteira, fiz cinco anos de direito, fiz pós, curso, o caralho a quatro, batalhei, gastei o cu tentando provar que não tinha transado com ninguém pra conseguir meu cargo, chorei, surtei, gritei, consegui tudo que tenho sozinha e virei minha própria chefe para ouvir que mulher não aguenta ouvir nada sem dar 'piti' não! Sou obrigada, caralho? Vai se foder, porra, me erra.

Soltei a fera, que agora já não ia na direção do de olhos pérola, e sim na do bonzão ali. Karin voou nele, estapeando o mais velho e puxando seus cabelos. Ambos caíram no chão.

— Acaba com ele! — Gritei.

Ino e Sakura me encararam surpresas, mas a loira logo começou a torcida. Até a Haruno deixou de implicar.

— Come ele na porrada, ruiva!

A situação era estranha, se parar para pensar, mas como eu me sentia bem em ver machista apanhar. Aaah, coisa boa!

— Sai, maluca! — Berrava, ainda apanhando.

Hinata havia chegado, meio sem entender, mas abrindo um sorriso com a cena. Depois de informada, ela veio a torcer para o moreninho tentação sair dali no mínimo sem quinze dentes. Seu irmão ousou reclamar, mas logo foi calado por uma Yamanaka furiosa, partindo para cima do mesmo.

— Alguém tira essa louca de cima de mim!

A Hyuuga riu, sorrindo meiga.

— Não.

Não sei se ficava feliz ou entendiada por somente observar, afinal, o platinado não falava nada, só observava de canto, como Sakura fazia.

— Que merda tá acontecendo?!

Olho para a porta. O cara que parecia não dormir direito faz três anos atravessava a mesma, ao lado do voz de maconheiro, que coçava os olhos, parecendo cansado.

Hinata olhou pra mim. Eu olhei para Hinata. E, em meio a gritos masculinos, ela pula em cima do bendito no qual antes competia para ver quem me deixava surda primeiro, chutando seu estômago e subindo em cima do corpo caído no chão.

— Sua surtada do caralho! Me solta, Hyuuga maldita!

— Que problemáticas... — O abacaxi falando estalou a língua, revirando as orbes escuras.

Estranho. Respirei fundo, cerrando os olhos e atravessando a rua.

— Disse o quê? — Questiono, calma.

— Que vocês, mulheres, são problemáticas demais. — Ele repete.

Um.

Dois.

Quarenta e cinco.

Noventa e oito.

Cem por cento.

Guerra declarada.

Voei em seu pescoço, perdendo completamente o juízo. Homem me testava a paciência.



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