História Nosce Te Ipsum - Capítulo 3


Escrita por: e GangXta

Postado
Categorias TWICE
Personagens Chaeyoung, Dahyun, Jihyo, Jungyeon, Mina, Momo, Nayeon, Personagens Originais, Sana, Tzuyu
Tags Assassinato, Crime, Mistério, Policial, Psicopata, Twice
Visualizações 78
Palavras 10.298
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Notas X:

"Ayo Swaggers <3~ Quanto tempo, já estava com saudades! Leiam com carinho, pois foi feito com muito amor XD Nada de ameaças u.u Não confiem em ninguém muahahahaha"

Notas JM:

Hey!!

Espero que vocês estejam bem, e que nesse tempão sem nos vermos tenha dado para se recuperar do capítulo anterior XD.

Peço desculpas pela demora, as coisas estão bem corridas (para nós dois), e eu tive um pequeno grande bloqueio criativo kkk.

Enfim, depois de certas coisas que aconteceram, me sinto na obrigação de dizer, a história realmente vai ser bem pesada, então, se você for ler só pra denunciar depois, simplesmente não faça. E se você leu e achou pesado, ou não gostou, não seja infantil, apenas pare de ler, afinal, é uma história escrita por maiores de 18 com um aviso de para maiores de 18, se você está lendo e é menor de idade, antes de pensar em denunciar a fic por algo "ilegal" que supostamente está infringindo regras do site, (O que não é e não está, já que possui todos os avisos), lembre-se que você realmente está).

Aos que estão lendo a fic, gostando e nos incentivando, agradeço muito e peço desculpas, mas os avisos não são para vocês :)

Dito tudo isso, tenham uma boa leitura.

Capítulo 3 - Capítulo II


O velho ar condicionado da delegacia já estava para pifar, anos e anos de trabalho fez o seu desempenho cair para menos da metade, deixando o ambiente abafado. Há tempos o lugar não estava tão agitado como hoje, todos analisavam papéis e fotos, buscavam pistas. A cidade costumava ser calma...

Em um só gole, Myoui Akira bebeu metade de seu sétimo copo de café expresso, bebia o líquido amargo e morno no automático, seus olhos já começavam a doer, subiam, desciam, iam de um lado para o outro, analisando os documentos que estavam organizadamente ocupando todo o espaço de sua mesa. Buscava quaisquer pistas no meio daquelas informações, precisava de um norte para iniciar a investigação, diversas vezes consultando sua mente os padrões e detalhes dos casos que já vira por toda a sua carreira.

Não podia perder tempo, enquanto os outros da delegacia pareciam chocados demais para trabalharem produtivamente, os instintos de Akira diziam que esse assassinato seria só o primeiro, a violência e a brutalidade do caso só deixava claro que o assassino não era um amador e que, provavelmente, já havia feito aquilo antes, então não demoraria para saciar sua sede de sangue uma vez mais.

Usava marca texto vermelho para grifar as coisas que considerava de extrema importância, usava o laranja para

grifar o que poderia vir a ser importante, e o verde para informações que, mesmo sem grande relevância, ainda poderiam ajudar.

Fazia anotações em seu bloquinho, esse que sempre levava consigo para todos os lados, e tirava cópias de cada folha, tanto do caso atual, quanto de alguns outros casos que ocorreram na cidade, mesmo que, em sua maioria, fossem furtos, desaparecimentos ou uma invasão domiciliar feita por uma dupla de adolescentes irresponsáveis. Quando chegasse em casa, usaria as informações para montar o caso no quadro feito de vidro no seu escritório ou, como ele gostava de chamar, "Quadro de Assassinatos", onde as lãs da cor vermelha significa o que ele ainda não sabe, a laranja significa o que ele está em dúvida e o verde o que ele já sabe.

JungKook, o novato, havia se oferecido para ir até a prefeitura, buscar os registros dos moradores "novos" da cidade, entre 2013 à 2017, para Akira. O garoto podia ser novo ali, mas parecia estar mais disposto que os policiais de nariz em pé, que pediam a JungKook apenas para trazer-lhes café e rosquinhas da lanchonete da esquina.

Akira olhou para o relógio no topo da parede, ainda faltava um pouco para dar a hora de ir ao necrotério. Dai Po havia lhe garantido que o laudo do corpo sairia hoje, mas Myoui não era estúpido, uma cidade pequena e pacata não tinha os equipamentos necessários para um exame mais minucioso, teria que esperar as evidências serem enviadas para a cidade vizinha e, após a análise, enviada de volta à Gumiho. Mas, uma vez que estivesse no necrotério, ele mesmo iria analisar o corpo, assim teria uma certa noção do que os papéis iriam dizer.

Ouviu a porta da delegacia ser aberta com certa impaciência, uma moça na casa dos 20 anos entrava elegantemente, usava uma blusa de lã preta e calça jeans apertada, o barulho de seu salto ecoou pela delegacia, já que todos fizeram silêncio por um instante. Atrás de si, um homem com uma câmera vinha como um cachorro atrás do osso. Myoui franziu o cenho, se preparando para barrar a entrada deles, e estranhou por ninguém o fazer.

Os abutres... Mais conhecidos como repórteres.

Akira havia acabado de se levantar quando a porta da sala do Xerife se abriu e o mesmo saiu dalí, indo rapidamente recebê-los e encaminhá-los a sua sala, ele parecia levemente nervoso. O detetive voltou a se sentar seguindo a mulher com os olhos, essa que aparentava ser doce, lhe redirecionou um sorriso sarcástico e um olhar de desdém, em seguida entrou na sala sem esperar pelo xerife.

- Min In Ha. – Akira tomou um pequeno susto com JungKook ao seu lado, nem sequer havia visto o garoto entrando. – Filha do xerife Min. – JungKook não estava com uma expressão muito boa.

Akira balançou a cabeça positivamente dando de ombros...

- Aqui estão. - O garoto estendeu as duas mãos, entregando a papelada para Akira.

- Obrigado. – Detetive Myoui agradeceu assim que colocou as mãos nos registros.

Após lê-los, olhou mais uma vez o relógio e se levantou. Estava quase na hora de ir ao necrotério, só precisava passar em casa antes...

Detetive Myoui dirigia rapidamente pela cidade, atento a tudo, mas sem tirar os pensamentos dos registros... Aparentemente os únicos moradores novos na cidade eram ele e sua querida filha, antes disso, os últimos moradores a se mudaram para a cidade foram justamente os Yoo, em 2013.

Estacionou em frente à sua casa, pegou a papelada que estava no banco do passageiro e saiu do carro. Entrou apressadamente em casa, chegando em seu escritório pegou a caixa do caso e retirou os documentos, ele sempre guardava uma cópia de todos os casos em seu escritório. Retirou as fotografias e pedaços escritos em seu bloco, levando-os ao quadro e montando toda a situação, a localização do corpo, fotos, os locais frequentados pela garota, traçava a lã grossa vermelha por tudo.

Antes de sair do escritório, deu uma última olhada no quadro, ainda estava bem vazio, a lã vermelha ligava as poucas informações à um ponto de interrogação, que simbolizava o culpado, Akira precisaria de mais informações para determinar o perfil do assassino. E era exatamente isso que ele iria fazer, ir em busca de pistas.

Não se preocupou em trancar o escritório, Mina era proibida de entrar sem a sua permissão. Se lembrou que na ida para a escola, Mina estava estranhamente silenciosa, a garota parecia perdida em pensamentos. Chacoalhou a cabeça, agora tinha coisas mais importantes para resolver, vidas estão em riscos.

Parou o carro em uma das vagas do estacionamento. Próximo a entrada, cumprimentou alguns enfermeiros que estavam fumando ao lado de um vaso dourado com alguns detalhes em preto, foi cumprimentado de volta, porém seguido de olhares desconfiados. Por um instante, Akira sentiu como se não fosse bem-vindo, não no hospital, mas na cidade em si, afinal, esses olhares estava sendo algo constante, até mesmo na noite anterior quando foi ao mercado, mas não culpava os outros por isso, sempre que Akira vai para alguma cidade significa que algo ruim aconteceu, logo o detetive as vezes era visto como a encarnação de algo mal ou um momento ruim...

Havia quatro ou cinco pacientes esperando para serem atendidos, alguns olhavam atentamente para a senha em suas mãos e outros para a televisão no topo da parede que estava ligada no noticiário. Parou em frente ao balcão e mostrou seu distintivo para a recepcionista, Xerife Min lhe entregou um para que pudesse ter acesso total à todos os lugares, já que o seu distintivo original não seria de grande serventia alí por conta de sua jurisdição.

Na parede atrás da recepcionista havia um quadro de avisos, entre os vários folhetos que estavam grampeados alí, um deles chamou a atenção de Myoui, estava desgastado, o que indicava que estava alí há um tempo. Era um comunicado de pessoa desaparecida, nele uma jovem sorria, Akira anotou mentalmente para depois verificar se a moça já havia sido encontrada.

O detetive quase se perdeu por entre os corredores, mas foi salvo pelas placas indicativas, que o guiaram até onde precisava ir. O tom de preto das letras formando a palavra "Necrotério" sobre a porta, era tão mórbido quanto o próprio local. Detetive Myoui se arrepiou pela diferença de temperatura do ambiente ao fechar a porta atrás de si, estava silencioso, viu as câmaras mortuárias, cheias de gavetas, imaginou a história de cada corpo que estava deitado sobre o inox frio dentro delas e como a vida se esvaiu tão rapidamente, e agora estavam como pedaços de carne em um açougue.

Foi em direção a mesa que tinha no meio com alguns papéis, provavelmente a ficha de cada um, passava uma por uma procurando pelo nome da garota, Yoo JeongYeon, franziu o cenho, ao perceber que ficha dela não estava ali.

- Detetive Myoui? – Olhou para a figura alta de jaleco que saia de uma porta no canto direito da sala.

- Dai Po-ssi. – Myoui disse sem muita emoção na voz e mesurou.

- O que está fazendo aqui? – Dai Po parecia levemente surpreso, mas tratou logo de esconder com um sorriso.

- Vim pegar a cópia da análise da Yoo, como havíamos combinado. - Akira se perguntou do porquê da micro expressão de surpresa no rosto do mais jovem, já que haviam combinado tal encontro.

- Acho que a delegacia não te informou... - Dai Po suspirou. - Eu liguei lá para avisar que, tivemos alguns problemas com a análise, então iria demorar um pouco mais, eles disseram que você havia saído mas que iriam lhe ligar e passar o recado. - O jovem riu. - Acho que não fizeram isso.

- Entendo... - Myoui pensou por alguns segundos. - Quais problemas?

- Haviam pequenos erros na análise inicial. E, como qualquer detalhe pode vir a ser crucial para a investigação, nós não podemos deixar passar nada.

- Tenho sorte por você ter isso em mente. - Akira analisou rapidamente o rapaz, Dai Po é um rapaz jovem e esbelto, em seu cabelo castanho claro usava um corte moderno, raspado nas laterais, tinha um sorriso gentil, e falava sem hesitação, o que passava confiança e mostrava que era um ótimo legista. - Pequenos erros? Se importa se eu der uma olhada?

- Na análise com erros, na análise certa e inacabada ou no corpo? - Dai Po encarou um dos papéis que estava preso na prancheta que descansava em suas mãos.

- Nos três. - Akira falou com firmeza. - Principalmente o corpo.

- Venha, vou lhe mostrar. – Dai Po parecia ansioso. - Mas preciso avisar... Não é muito agradável. - Chamou o Detetive com o braço, e logo sumiu pela porta.

Akira seguiu o jovem, porta à dentro, para uma sala onde havia uma pequena mesa no centro e, junto à uma das paredes, armários de ferro, verdes, parecidos com os que haviam nos corredores das escolas, mas com ferrugem em um ponto ou outro. Em outra parede haviam prateleiras com diversas coisas em cima, mas, em sua grande maioria, eram galões de diversos químicos diferentes para manter o estado dos corpos conservado, havia também uma pia na parede de frente para as prateleiras. E, na última parede, havia uma porta ao canto e, ao seu lado, se estendia um grande vidro que dava visão para outra sala que, ao contrário dessa, era bem iluminada. Era cercada de bancadas de inox, onde ficava os poucos equipamentos, e, no centro da sala havia uma grande mesa, também de inox, que refletia a luz da lâmpada logo à cima. Sobre ela, um corpo descansava, coberto por um fino pano branco... Era Yoo JeongYeon.

- Antes de entrar... - Dai Po abriu um dos armários. - Existem alguns procedimentos. – O rapaz pegou um jaleco, tão branco quanto deveria ser, e o entregou ao Detetive. – Tenho certeza que compreende. - Myoui assentiu e colocou o jaleco, após pegá-lo das mãos de Dai Po. - Por favor, venha lavar suas mãos. – Dai Po já estava na pia, Akira, imitando-o, pisou no pistão abaixo da pia para que a água saísse e, com a bucha que pegou na pequena prateleira acima, esfregou desde suas mãos até um pouco antes de seu cotovelo. Sacudiu as mãos para tirar o excesso de água e secou com papel descartável.

Seguiu Dai Po até a porta do canto da sala e entraram, a temperatura alí era ainda mais baixa do que na sala principal do necrotério.

- Detetive Myoui... - Dai Po se virou para o homem da lei após pegar dois pares de luvas cirúrgicas brancas de uma caixa em cima da bancada mais próxima à porta, e estendeu um par para Akira. - Não quero desmerecer minha equipe, mas eles deixaram escapar muitos pontos fundamentais. – Dai Po falava calmamente enquanto colocava seu próprio par. – Não os culpo, não totalmente, pelo menos. Aliás eles nunca foram para longe, nenhum deles nunca nem sequer saiu dessa cidade e... - Dai Po olhou para o corpo ainda coberto. - Algo assim... Esse tipo de assassinato nunca nem passou pela mente deles, nem mesmo a possibilidade de acontecer, entendo que eles não estejam preparados.

Dai Po andou até um outra bancada, Akira observava atentamente os movimentos do jovem, aproveitantdo também para dar uma olhada rápida pela sala, já havia estado em muitas outras salas de análise forense, porém admitia que essa era a mais “vazia“, se tratando de equipamentos, embora tivessem o necessário para conseguir fazer uma análise sem problemas, não havia nenhum dos equipamentos mais complexos e mais caros sobre as bancadas.

- O que descobriu? Quais são os pontos fundamentais? – Detetive Myoui perguntou enquanto se aproximava alguns passos do corpo, parando ao lado da mesa.

- Bem... - Dai Po lhe se aproximou enquanto cobria a parte inferior de seu rosto com uma máscara branca, e estendeu uma para Myoui. - Quando eu vi o corpo dela pela primeira vez. - Dai Po foi para o outro lado da mesa, ficando de frente para o Detetive. - Eu sabia que não seria algo fácil. E olha... - O rapaz segurou um pedaço do pano que cobria o corpo com cada mão e o puxou, revelando o corpo nu da garota. - Acho que nunca estive tão certo em toda a minha vida. - Dai Po enrolou o pano de qualquer jeito e o colocou em cima de uma das bancadas.

Agora que não estava mais envolto em um lençol de linho branco, o corpo frio e duro ao toque, tinha a pele com uma coloração roxa e acinzentada, lembrando uma figura transparente e fantasmagórica... Seus lábios estavam roxos, mas dessa vez não era por causa do batom caro que havia comprado para ir ao baile de outono. As marcas escuras por todo o corpo, por toda a sua pele que antes era cuidada com esmero, mas agora começava a se enrugar por conta da decomposição, indicavam concussões. Suas bochechas já haviam sido costuradas, assim como o grande corte que havia aberto sua garganta e jugular, e os outros cortes menores no restante do corpo também. Akira travou o maxilar.

Foi inevitável pensar em sua filha, sempre acontecia quando a vítima era jovem como Mina, logo vinha a imagem de sua garotinha deitada sobre o metal gelado e com os olhos fechados para fingir que ela só estava dormindo, mas jamais acordaria. Isso sempre causava calafrios em Akira. Não queria nem imaginar a dor dos pais da garota...

As fotos da cena do crime estavam perturbadoras, cortar uma artéria do pescoço significa sangue por toda parte, o líquido vermelho estava por todo o corpo, sobre a terra e até mesmo nos troncos das árvores, por conta da força que sai da ferida, esguichando para todos os lados. O joelho esquerdo da garota havia sido literalmente esmagado, caso ela tivesse sobrevivido nem os melhores cirurgiões poderiam fazê-lo voltar a funcionar, estava praticamente pendurado...

Agora o corpo estava limpo, sem sangue e sem terra, estava mais apresentável, se é que poderia ser dito dessa maneira. O cheiro de formol e outros químicos junto do cheiro de decomposição era forte o suficiente para atravessar a máscara que o detetive usava, fazendo seu estômago reclamar.

No tórax da garota, um pouco acima dos seios, havia uma costura horizontal que ia quase de um ombro ao outro, no centro dessa costura ela se ligava em um outra vertical, que descia até a base de seu abdômen. A autópsia já havia sido feita, o que fez Myoui franzir as sombrancelhas, ele se lembrava de o Xerife Min ter dito que a família havia proibido de fazer autopsia devido a religião deles, segundo eles a autopsia seria um desrespeito ao corpo, e estariam ofendendo o Espírito Santo e o Criador... "Grande bobagem" era o que Akira pensava sobre isso, ainda mais em uma situação como essa, se abrir o corpo de sua filha fosse ajudar a encontrar quem fez isso com ela, ele seria o primeiro a pegar um bisturi...

- Se não me falha a memória, os pais dela proibiram a autopsia. – Myoui falou com o seu tom frio habitual, olhando fixamente para o jovem. - Por quê fizeram?

- Detetive Myoui, me diga, você acha mesmo que sem uma autopsia iríamos conseguir algo realmente importante? – Dai Po levantou o olhar, seu olhar relembra o de um felino, desconfiado e afiado, sempre de prontidão para atacar sua presa.

Akira optou pelo silêncio, queria ver aonde Dai Po pretendia chegar.

- Vamos supor que sim, conseguiríamos informações importantes sem abrir o corpo, mas deixar de fazer a autópsia poderia deixar oculta outras diversas informações importantes. Portanto eu não me importo se a autópsia vai ferir algum princípio religioso, vidas estão em jogo, nós temos uma garota cruelmente assassinada aqui e eu não vou desperdiçar uma prova sequer para pegar o maldito que fez isso. – Dai Po gesticulava nervoso. – Ele pode atacar novamente, eu tenho uma irmã e uma mãe Detetive, não vou deixar que isso se repita com a irmã, filha ou mãe de ninguém. – Dai Po suspirou, parecia que todo o peso que estava sentindo, havia finalmente sido liberado.

Akira se aproximou do jovem e lhe deu tapinhas nas costas, como se dissesse que entendia o seu ponto de vista.

- Bem, vamos voltar ao que realmente importa. – Dai Po disse se afastando para pegar a prancheta que havia deixado na bancada onde havia pego as máscaras. – O estado em que o corpo foi encontrado dificultou bastante o meu trabalho, como o corpo estava em pré-decomposição, foi bem complicado de adquirir muitas informações, mas as que consegui acredito serem importantes.

Myoui Akira cruzou os braços e se preparou para manter toda a sua atenção nas palavras que viriam da boca do rapaz a seguir.

- O relatório feito pela minha equipe informava que a garota tinha diversos cortes e concussões. - Desviou os olhos da prancheta e olhou para o corpo. - O que não precisa ser nenhum especialista para saber, já que é algo extremamente aparente. - Voltou seus olhos para a folha. - Cortes e concussões que provavelmente indica tortura, enquanto a garota estava viva, ou mutilação do cadáver. - Dai Po retirou a folha da prancheta entregando para Myoui. - Esse foi o relatório inicial feito pela minha equipe...

- Isso nem sequer parece um relatório. – Akira disse ao terminar de dar uma rápida lida, a falta de informação era a definição de trabalho mal feito. A cólera de Akira era fácil de ser reconhecida no seu tom de voz.

- Eu concordo. - Dai Po suspirou. - É vergonhoso... Mas, se não fosse por causa deles, eu não teria feito a análise e muitas coisas poderiam terem permanecido escondidas. - Akira assentiu.

- Sinta-se à vontade para começar a detalhar o seu relatório. - Akira falou firme.

- Bem, como eu disse, os cortes e concussões podem indicar tortura ou mutilação do cadáver, eu apostaria que foi tortura e que a garota estava viva enquanto o culpado a cortava. - Dai Po abaixou a prancheta e olhou para o detetive.

- Por quê diz isso? - Myoui também suspeitava que a garota estava viva enquanto era torturada, mas estava interessado no que o legista iria dizer.

- Instinto, vamos dizer assim. - Dai Po riu. - Os cortes foram fundos e causados com uma precisão quase cirúrgica, mas não foram feito por um motivo aparente, o que significa que a pessoa que os fez, só os fez por diversão, e creio que, para uma pessoa assim, ouvir a vítima sofrendo seria mais divertido do que mutilar o seu cadáver em silêncio...

- Foi exatamente o que eu pensei. - Akira suspirou olhando para o corpo. - Como dizia o meu professor de psicologia forense, "O sádico gosta de cortes sem sentidos", em pelo menos quatro de cinco casos onde o corpo da vítima foi encontrado com cortes aleatórios, os assassinos foram confirmados como sádicos que adorava ver suas vítimas implorando para que parassem. - Akira suspirou novamente. - Meus parabéns, você daria um ótimo detetive. - Myoui disse olhando para o rapaz.

- Obrigado. - Dai Po abaixou sua máscara e se encostou em uma das bancadas. - Eu projetei uma reconstrução de como tudo ocorreu, tendo como base todas as informações que consegui coletar do corpo, preste a atenção. – Dai Po olhou rapidamente para o Myoui e logo voltou seu olhar ao papel preso na prancheta.

– Podem existir algumas variáveis ou mais de uma maneira diferente que eu pude deduzir como a cena se decorreu, mas não tem como ter certeza absoluta do que ocorreu. - Akira ouvia atentamente. - Primeira hipótese, ela foi para a floresta, provavelmente o assassino já estava à espreita, aproveitou essa oportunidade para atacar. Ela tentou correr assim que percebeu a presença dele, mas ele foi mais rápido e a derrubou.... - Dai Po estava realmente concentrado em sua história, Myoui se arrepiou pelo tom de voz, era como se estivesse contando uma história de horror, o jovem parecia levemente eufórico. - Nesse momento aproveitou para usar algo pesado para impedir que a garota conseguisse correr. - Apontou para o que restara do joelho esquerdo. - Depois disso, usou uma faca, não muito grande, algo em torno de uns quinze centímetros mais o cabo, para esfaqueá-la no abdômen, o que deve ter sido muito doloroso. - Akira tinha sua mandíbula travada, estava nervoso. - Nos minutos que se passaram, a garota estava com dores insuportáveis no abdômen e no joelho, provavelmente não chegou a sentir os outros cortes menores.

- A essa altura ela já não teria desmaiado por causa da dor? - Akira cortou o mais jovem, Dai Po pareceu não ter gostado de ser interrompido, mas lançou um sorriso gentil.

- Eu fiz alguns exames toxicológicos. - Dai Po levantou uma das folhas na prancheta para que pudesse ler a de trás. - Havia vestígios de epinefrina no sangue dela, o que indica que o assassino fez o uso de uma pequena quantidade da droga para deixá-la acordada durante todo o processo.

- Ele é mais experiente do que pensei. - Myoui respirou fundo. - Pode continuar.

- Continuando. - Dai Po se aproximou do corpo. - A facada no abdômen. - Indicou a ferida recem-costurada. - Mesmo sendo uma ferida semi-fatal, se não tivesse cuidados urgentes levaria a garota à óbito, mas aparentemente não era assim que o culpado queria que ela morresse, já que, depois de um tempo, ele cortou sua garganta, fazendo com que ela se engasgasse com o próprio sangue. E sobre esses dois cortes extensos em seu lindo rosto, seguindo as outras suposições, acredito que tenham sido feitos com a vítima ainda viva... - – Dai Po suspirou enquanto olhava para o rosto da jovem.

O detetive ficou em silêncio por alguns segundos, enquanto sua mente trabalhava.

- Você disse que essa era a primeira hipótese. - Myoui quebrou o silêncio enquanto se aproximava do corpo. - Qual é a segunda?

- É praticamente a mesma coisa, mas ao invés do culpado estar a espreitando por entre as árvores antes de atacá-la, existe a possibilidade de que ela o conhecesse, podendo ter marcado de se encontrar com ele lá ou até mesmo ido juntos.

- Isso passou em minha mente...

- Faz sentido. - Dai Po encarava o detetive. - Isso poderia explicar o fato de não haver vestígios de uma grande resistência vinda garota.

- O que quer dizer? - Akira contraiu as sobrancelhas.

- Bem, aparentemente ela não se esforçou muito para impedir o que aconteceu, não havia marcas na terra indicando que ela brigou com o culpado, nem mesmo pegadas mais fortes mostrando que tentou correr.

- Algo sob as unhas? Alguma coisa que possa nos ajudar com um DNA?

- Não senhor, mas... - Dai Po hesitou. - Sobre as unhas, há algo estranho.

- Como assim?

- Aqui, veja. - Dai Po fez uma grande força, já que o corpo já estava bem rígido, para virar um pouco a mão da garota, enquanto Akira andava para o mesmo lado da mesa onde o legista estava. - Está faltando três unhas na mão direita, a do indicador, a do anelar e a do mindinho. - Dai Po soltou a mão da garota. - O senhor acha que ela o arranhou e por isso ele as arrancou?

- Talvez, mas acho que não. - Myoui pensou por alguns segundos. - Se ela tivesse o arranhado, seria difícil usar esses três dedos sem que o dedo médio estivesse junto, então o assassino teria arrancado a do médio também.

- E se for uma maneira de insultar a polícia? - Dai Po voltou o olhar para a mão. - As únicas unhas que sobraram foram a do polegar e a do médio, isso pode significar que ele está querendo que a polícia, bem, vá à merda...

- É uma possibilidade... - Myoui respirou fundo. - Há algo mais que eu deva saber? - Myoui queria uma resposta negativa, mas não ficou surpreso por ela não vir.

- Existe mais uma coisa. - Dai Po foi até uma das bancadas e pegou um pequeno saco transparente e lacrado com pequenas coisas escuras dentro. - Eu também tive aulas de psicologia forense, lá eles diziam que, praticamente sempre, esses assassinatos violentos estão diretamente ligados à impulsos sexuais. - O jovem falou com certo desânimo na voz. - Tendo isso em mente, eu precisava analisar sua... - Dai Po suspirou. - Aqui, isso foi encontrado no canal vaginal dela. - O jovem entregou o saquinho para o detetive que, após observar as coisas no interior, desviou o olhar para o legista. - São pequenos pedaços de madeira e casca de árvore, provavelmente se soltaram de um pedaço maior de um galho, usado pelo assassino para penetrá-la. O que deixou diversas feridas em todo o canal vaginal e, até mesmo, no colo do útero.

- Foi encontrado algum vestígio de sêmen? Tanto no canal vaginal quanto na cena do crime? - Myoui se esforçava para não se abalar, afinal era o seu trabalho, mas isso não significava que já estava conformado com a maldade do ser humano.

- Não senhor, seja lá quem fez isso, sabe muito bem esconder o seu rastro.

- Acha que conseguirá alguma digital? - Akira encarava o saco em sua mão, sentia seu estômago se revirar de nervoso, mais uma vez pensou em Mina, e, apertando o saco inconscientemente, imaginou quanto sofrimento que a garota com quase a mesma idade que sua filha passou...

- Espero que sim, mas não posso garantir nada, como eu disse, o assassino foi bem cauteloso, sabia muito bem o que estava fazendo, não tem ao menos uma pegada, um fio de cabelo, nada. – Dai po estava frustrado tanto quanto o Detetive.

Porém uma dúvida permanecia na mente cheia de Akira.

- Se os pais da garota são religiosos, a garota também deve ter sido influenciada. O que ela fazia à noite em uma floresta distante e deserta?

Dai Po soltou um riso anasalado.

- Detetive Myoui, você sabe, adolescentes não se importam com nada disso. - Dai Po deu as costas para Myoui enquanto tirava suas luvas e jogava em um cesto de lixo perto da porta. - Eles sempre tentam manter uma boa imagem para os pais, mas nós sabemos o que eles aprontam quando ninguém está olhando, afinal já fomos adolescentes também. - Dai Po virou bruscamente para o detetive com um sorriso gatuno no rosto, parando sob o batente da porta. - Você deve ter percebido que essa não é a cidade mais interessante para os jovens e suas "grandes" necessidades, por isso eles buscam satisfazer suas sedes de diversão e burrices de outras maneiras. - Dai Po observou Akira se livrar de suas luvas também antes de se virar e seguir em direção à sala principal do necrotério. - E isso inclui festinhas na floresta, com álcool e drogas o suficiente para fazê-los esquecer seus nomes e o que faziam alí. - Dai Po voltou a se virar para Akira, assim que chegaram ao lado da mesa ao centro da sala principal. - Detetive, talvez não tenha sido uma boa ideia o senhor ter trazido sua filha para cá. - Dai Po ainda mantinha aquele sorriso gatuno. - Ainda mais com esse assassino por aí... Se eu fosse o senhor, faria minha filha entrar em meu carro e iria para bem longe daqui.

- Obrigado pelo aviso, meu jovem. - Myoui examinou bem o legista uma última vez. - Provavelmente eu irei fazer isso, mas só depois de ter certeza que quem fez isso irá pagar caro por suas ações. - Myoui se virou e começou a andar até a saída do necrotério. - Muito obrigado, Dai Po. Estou aguardando uma cópia da análise quando terminar. E... - Myoui se virou ao abrir a porta, olhando para o rapaz. - Fique perto de seu telefone, pode ser que eu precise ligar para você em algum momento. - Akira saiu e deixou a porta se fechar sozinha atrás de si.

O detetive ficou alguns minutos sentado no banco de seu carro, tentava organizar seus pensamentos e próximos passos. Decidiu acender um cigarro, ele só fumava quando estava nervoso, pensativo ou preocupado, Mina não gostava quando ele fumava, mas dessa vez Akira não pode evitar, ele estava nesses três estados...

Ligou seu carro e saiu do estacionamento à fora, soltou a fumaça pela boca enquanto pisava no acelerador, seguindo em frente na estrada vazia.

O homem verificava o endereço pela quinta ou sexta vez, na verdade estava apenas usando isso como desculpa para terminar de se preparar psicologicamente, mesmo tendo tantos anos de experiência, a parte mais incômoda e desconfortável do trabalho era conversar com a família da vítima.

Apertou o volante e encostou a testa no mesmo, inspirava e expirava calmamente, a música de fundo vinda do rádio diminuía significativamente seus batimentos cardíacos, levantou o rosto aproveitando para analisar a casa. Era grande e bem cuidada, apesar de antiga, com um belo jardim à frente cheio de flores, entre elas, cravos amarelos, boca de leão, lírios laranja, tuberosas, jacintos e narcisos, Myoui ergueu uma sobrancelha. A mãe de Mina havia trabalhado em uma floricultura quando era jovem, e, por gostar do assunto, ensinou o significado de todas elas para Akira, antes de abandoná-lo sozinho com Mina. O significado dessas flores não era exatamente “encantador", pelo contrário, entre seus significados, estava egoísmo, desdém, decepção e prazeres perigosos.

Desligou o rádio, e encarou os papéis sobre o Banco do passageiro, pensando se levaria os papéis do caso, achou melhor não levar, uma primeira abordagem teria melhores resultados sem que precisasse apelar para os arquivos, claro que, dependendo do resultado, Akira teria que voltar à vê-los em algum momento, e com alguns papéis e fotos em mãos.

Saiu do carro batendo a porta com um pouco de força, pois estava com um problema na trava, afinal, não era um carro muito novo. Apertou um dos botões do pequeno controle que pendia ao lado da chave do carro no chaveiro, para trancá-lo e acionar o alarme, por mais que soubesse que ninguém iria mexer, cuidado nunca era de mais.

Seus passos pesados junto com o pequeno salto de seu sapato social ecoavam na rua do bairro domiciliar, as casas eram semelhantes aos padrões americanos, o que, em uma cidade pequena como Gumiho, indicava alta classe, a garota deve ter tido a sorte de vir de um berço de ouro...

Seguiu até a porta pelo caminho feito de pedras em meio a grama verde quase bem cuidada, onde a garota morta gostava de brincar quando criança. Tocou a campainha e esperou a porta de madeira escura, e recém envernizada, se abrir, o que não demorou muito para acontecer. Um homem, faltando alguns poucos anos para ser chamado de senhor, de aparência cansada e vestido com um terno velho segurava a porta enquanto encarava Myoui.

- Boa tarde, sou o Detetive Myoui Akira. – O detetive analisou o homem rapidamente, percebeu uma pequena cicatriz perto da boca, meio escondida sobre a barba curta. Mas, o detalhe mas chamativo do senhor, Akira só pôde ver ao olhá-lo nos olhos. Seu olho esquerdo não passava de uma pequena bola de vidro, sem pupila ou íris, apenas levemente esbranquiçada. As olheiras também chamaram a atenção de Myoui. - Eu gostaria de conversar com Yoo Chang Jun, ele se encontra?

- Boa tarde. - Ele não parecia muito amistoso. - O reverendo Yoo e sua esposa estão de saída, sinto muito, mas terá que voltar em uma outra hora. – O homem começou a fechar a porta.

- Serei breve. – Akira impediu a porta de se fechar completamente com um de seus pés. - Eu prometo. - O detetive não era um homem que desistia fácil, isso era visto pelos inúmeros casos que já havia solucionado.

Após um suspiro, o senhor puxou novamente a porta e deu passagem para Akira.

A casa era toda decorada em tons suaves, bem aconchegante e luxuosa, diversos cantos eram decorados por um vaso sem flores ou por uma estátua dourada, provavelmente banhada a ouro.

"Quem diria que ser reverendo traz tantos lucros..." Akira pensou enquanto olhava ao redor.

- Eu também me surpreendo. – O senhor respondeu como se tivesse conseguido ouvir os pensamentos do detetive, Akira arregalou os olhos pelo “susto”. – Por aqui, Detetive. – O homem nem sequer olhou para trás para ver Akira assentindo com a cabeça.

Myoui o seguiu calado em direção à uma sala de estar. Onde se sentou em um grande sofá de couro branco, que ocupava grande parte da sala, como o senhor havia lhe dito, antes de ir chamar o reverendo. Myoui notou diversos quadros, a maioria de paisagens, pendurados nas paredes, compondo a decoração. Mas um em especial chamou sua atenção, era um grande quadro logo acima da lareira, uma pintura a óleo da família. Myoui reconheceu apenas a garota nele, mesmo que, no quadro, ela estivesse um pouco mais nova do que era antes de ser assassinada.

Os estalos da madeira queimando na lareira era o único som mais alto que a respiração calma do detetive. Antes que pudesse analisar o local ainda mais, foi interrompido por uma voz calma. Se levantou ao ouvi-la.

- Detetive, me desculpe pela pressa. - O homem fez uma leve mesura. - Porém tenho um culto para daqui uma hora, e ainda faltam algumas coisas para ele estar pronto. - O reverendo andou até uma mesa ao canto, e pegou uma das bíblias que alí descansavam. - As pessoas da cidade estão preocupadas por causa desse assassinato, pelo menos a palavra do Senhor deve aquecer seus corações. – Sr. Yoo falava com um ar nostálgico, com direito a um suspiro dramático no final da frase.

Essa reação com certeza não era a que Myoui esperava, o reverendo estava se movimentando rápido de mais e mudando o foco do motivo para Akira estar alí, mas as pessoas encaram o luto de maneiras diferentes, por isso Akira não o julgou... Não por completo, pelo menos.

- Reverendo, são só algumas perguntas, não deve demorar. - Myoui se aproximou de Yoo. - Tenho certeza que seus fiéis irão entender um pequeno atraso depois do que o senhor passou.

- Detetive, não há nada a ser dito. - Sr. Yoo olhou nos olhos do detetive, esse que franziu o cenho pela ação do outro. Pessoas que estão sofrendo por um luto tão recente, geralmente têem dificuldade em manter contato visual por muito mais que alguns segundos, e, com certeza não tinham aquela expressão facial e aquele brilho no olhar, ele parecia quase... aliviado. - Tudo o que precisa saber é que JeongYeon era uma boa garota, notas excelentes, fazia atividades extracurriculares, era a estrela do basquete de sua escola. Atenciosa com todos, fazia amizades facilmente, porém era muito inocente, deve ter ido naquela floresta para ajudar algum amigo, tenho certeza. – Sr. Yoo disse tudo sem pausa, parecia algum tipo de discurso decorado. - Ah, minha querida, tão altruísta.

Passos foram ouvidos, vindos de um dos corredores, o barulho do salto contra o carpete de madeira ficava mais alto conforme a aproximação.

- Querido, vamos? – Sra. Yoo pareceu surpresa pela presença do estranho, mas não demorou para deduzir quem era.

- Querida, este é o detetive... - Parou olhando para Akira, esperando que informasse o seu nome.

- Myoui Akira. - Akira disse tentando esconder sua paciência indo embora.

- Este é o detetive Myoui, ele ficará encarregado do caso de JeongYeon. - A mulher mesurou, Myoui se limitou a curvar sua cabeça rapidamente. - Detetive, conversamos outra hora, preciso ir. – Yoo olhou novamente nos olhos de Akira.

- Espere só um... – Akira parou de falar assim que seu celular tocou, após tirá-lo do bolso, viu o nome de sua filha na tela, como ela estava em horário de aula, deduziu que devia ser algo importante.

Deslizou o dedo para o ícone verde e levou o celular à orelha direita.

- Oi, querida! – Sussurrou e depois afastou um pouco o celular do ouvido, tampando a parte do microfone com a mão esquerda. – Sr. Yoo são perguntas rápidas, eu prometo. – Akira seguia os dois que estavam apressados.

- Detetive, suas perguntas não irão trazer minha menina de volta, você deveria gastar menos tempo nos atrasando e mais tempo procurando quem fez isso. Apesar de tudo, JeongYeon, minha filha, não merecia isso. – Sra. Yoo disse abrindo a porta e saindo da casa.

- Detetive, Jin-Goo... - Yoo indicou o homem que havia aberto a porta para Myoui. - Irá lhe trazer um café ou algo para beber antes de você ir embora, se quiser. - O reverendo entregou a bíblia que segurava para Akira. - Venha para o culto, deixarei um bom lugar livre para você, se resolver aparecer. - Yoo sorriu e se retirou, batendo a porta atrás de si.

Myoui bufou e levou o celular ao ouvido, Jin-Goo saiu dalí para dar privacidade ao detetive...

- ... então não vai precisar vir no horário. – Mina havia falado sem parar, provavelmente um discurso longo.

- Desculpe, querida, não consegui ouvir bem. Não vou precisar ir no horário? - Akira estava frustrado com tudo que havia acontecido, geralmente as famílias tentam ajudar o máximo possível, o que claramente não foi o caso desta vez.

Akira recebeu um silêncio como resposta e uma respirada alta, Mina odiava quando seu pai atendia a ligação, mas fazia outra coisa ao mesmo tempo, o que, por sinal, fazia com extrema frequência.

- Hoje eu tenho sétima aula, então não precisa se preocupar em chegar cedo, preciso ir. – Tão rápido quanto repetiu, Mina desligou, sem nem ao menos dar a chance de seu pai respondê-la.

Akira fingiu jogar o celular longe assim que Mina desligou. As vezes Mina agia como Yuki, sua mãe, agia antes de abandoná-los, e isso irritava Akira, já que, o tempo logo antes de Yuki ir embora, havia sido a pior parte de seu casamento. Mas Akira não a culpava por fazê-lo lembrar daquela época, afinal, não podia culpa-la pelo egoísmo da mãe...

- A Srta. Yoo tinha um namorado. – A voz baixa de Jin-Goo lhe tirou dos pensamentos, seguiu a direção encontrando o homem parado na entrada do cômodo, segurando uma bandeja com uma xícara. Ela se aproximou.

- Como? - Akira franziu o cenho, não constava nas fichas sobre esse suposto namorado.

- Venha se sentar enquanto desfruta de seu café, talvez o que eu vou dizer possa ser útil. - Jin-Goo se virou e começou a andar de volta para a sala de estar, sendo seguido por Akira novamente.

- Eu não estava ciente de um suposto namorado. - Akira sentou-se e pegou a xícara que o homem oferecia para ele. - Me diga mais, por favor.

- O Sr. Yoo reclamava muito que JeongYeon ainda não tinha um namorado, ele dizia que ela ficaria velha e feia e que ninguém mais iria querer ela. - Jin-Goo se sentou ao lado de Akira. - Por isso precisava de um namorado logo.

- E então ela arrumou um? - Akira tomou um grande gole do líquido em sua xícara, parecia ser chá de alguma coisa, mas o detetive não reconheceu o sabor, embora tenha gostado.

- Ela só aceitou porque, se ela não escolhesse, seu pai escolheria. - Jin-Goo travou o maxilar ao terminar a frase, indicando certa raiva em cima do que dizia. - Minha mãe trabalhava para os pais de Chang Jun, quando minha mãe morreu, eu acabei ficando com o emprego dela...

- Você é o mordomo ou algo assim?

- Em partes sim, mas isso não vem ao caso. - Jin-Goo balançou a cabeça percebendo que estava se estendendo mais do que o necessário. - O que quero dizer é, eu cresci com Chang Jun, eu acompanhei o nascimento e o crescimento de JeongYeon. - O homem deu um pequeno sorriso nostálgico ao falar sobre a garota. - Eu sempre estive com ele, de modo que eu sei que, Chang Jun, não é essa alma caridosa e bondosa que aparenta e demonstra ser.

- O que dizer com isso? - Akira colocou sua xícara vazia na mesa de centro e inclinou seu corpo para frente, demonstrando interesse.

- Eu preciso ser rápido, porque as paredes têm ouvidos, então ouça com atenção. - Jin-Goo disse ao ouvir uma das empregadas no cômodo ao lado.

Akira se endireitou e concordou, a curiosidade lhe inundava.

- JeongYeon não era próxima dos pais, ela era apenas uma garota comum com sonhos comuns, seus pais sempre queriam mais, por isso não aceitavam ela do jeito que ela era, isso gerava muitas brigas, brigas feias. - O mordomo olhou para o chão. - Certa vez, JeongYeon não pôde ir à um de seus jogos pois seu pai havia lhe batido, naquele dia a discussão começou porquê ela não foi em um de seus cultos.

Akira achou irônico o fato de um homem que se considerava um mensageiro do grandioso pai, era, na verdade, um péssimo pai para sua filha.

- Sobre o namorado, o que sabe sobre ele?

- Não posso lhe informar o nome, porque não sei. Mas eu sei que ele não é um cara direito, ele já foi preso uma ou outra vez. JeongYeon escolheu uma pessoa péssima só para contrariar seu pai. – Jin-Goo olhava para os lados preocupado. – Obrigado pela visita Detetive Myoui, espero que da próxima vez seja mais proveitosa. – O homem sorriu levemente e falou em um tom mais alto que o necessário. - Eu o acompanharei até a saída.

Akira sorriu cúmplice.

Os homens andaram em silêncio até a saída, e, quando Jin-Goo estava prestes a fechar a porta, após Akira sair, ouviu o detetive dizer algo.

- Só mais um coisa. - Akira disse olhando para o jardim. - Essas flores... - Akira apontou. - Quem as plantou?

- Foram plantadas, em sua maioria, pela senhorita JeongYeon. - Jin-Goo se perguntou a relevância daquilo, enquanto Akira se perguntava se a garota sabia os significados e se fora por isso que havia as plantado. - Boa sorte, detetive.

Akira estava de costas para a porta e Jin-Goo estava prestes a fechá-la, quando ouviu a voz de Akira novamente.

- "Ele dizia que ela ficaria velha e feia e que ninguém mais iria querer ela." - Akira se lembrou da frase dita pelo o mordomo, virou-se para porta, para encarar o homem. - "Ele dizia que ela ficaria velha e feia e que ninguém mais iria querer ela." - Akira repetiu mais uma vez. - Você disse que foi por isso que o reverendo intimou JeongYeon a arrumar um namorado. - Akira pensou com o cenho franzido. - Não me parece um bom motivo para se arrumar alguém, pelo contrário, eu diria que isso é uma grande besteira.

- É porque esse não é o verdadeiro motivo. - Jin-Goo negou com a cabeça. - Boa sorte, detetive. Passar bem. - O homem fechou a porta, sem dar a chance de Akira dizer algo.

- Sempre é mais complicado do que parece. - Akira suspirou olhando para o jardim uma última vez, e seguiu o caminho até seu carro. Logo já estava na estrada novamente.

Mina apoiava seu queixo em suas mãos enquanto seu olhar seguia os movimentos da professora, que explicava, de um modo cansativo e sem parar, sobre a ocupação japonesa da Coréia, por mais que a mulher mais velha se esforçasse para prender a atenção dos alunos, Mina estava com a mente bem distante dali... A leve brisa que entrava pela janela, balançava levemente seu cabelo vermelho cereja, levando consigo a fragrância de baunilha que eles exalavam. Sua mente buscava todas as informações lidas nos arquivos de seu pai, tanto do caso atual quanto dos antigos, assim como Akira, Mina buscava algum padrão, algum caso que tivesse semelhanças úteis para ajudar a resolver o problema atual. Talvez estivesse no sangue Myoui a curiosidade técnica e a habilidade de investigação.

O barulho do giz sendo pressionado contra o quadro verde, o arranhando, lhe arrepiou e a despertou de seu transe. Chacoalhou a cabeça para voltar à realidade, a professora continuava “vomitando” palavras atrás de palavras, Mina já havia estudado isso na capital, essa escola parecia estar levemente atrasada em relação ao colégio anterior de Mina.

- Sente-se! – Não foi um pedido, mesmo sendo seguido por um sorriso educado.

O garoto engoliu em seco, olhou assustado para os lados analisando a sala vazia, evitou o contato visual e sentou-se logo tremendo a perna nervosamente.

Akira havia pedido ao diretor para que pudesse usar uma sala da escola para interrogar alguns alunos, o diretor liberou uma das salas de aula, mas Akira perguntou se não havia nada mais "sinistro", já que uma sala fechada e com pouca iluminação poderia mexer um pouco mais com o psicológico dos jovens, tornando-os mais vulneráveis. Agora Akira se encontrava em uma pequena sala sem ventilação no subsolo da escola, antes tida como sala de armazenamento de arquivos antigos, mas agora com uma mesa ao centro, com uma cadeira de cada lado, cercada por pilhas de caixas, onde o detetive pressionava um aluno da classe da garota assassinada.

- P-por que fui chamado aqui? – O garoto apertou a alça de sua mochila.

- Preciso apenas que você me responda algumas perguntas. - Akira sorriu irônico.

- Eu não sei de nada! – O garoto falou em um tom alto, na defensiva.

- Todos nós temos algo para compartilhar, não importa se pareça ou não significante para você. Os casos são como um quebra-cabeça, cada um com a sua peça escondida. - Myoui olhou sem expressão.

- Mas eu realmente não sei de nada, senhor. - O garoto de cabelo levemente azulado olhava confuso, não entendendo aonde o Detetive queria chegar.

- Garoto... - Akira respirou fundo, sabendo que se ele continuasse com aquela abordagem, não levaria à nada. - Eu sei que você não foi o culpado, isso eu pude ver assim que você entrou, mas eu realmente preciso que você tente pensar em algo que possa ter acontecido fora do normal nos últimos dias, mesmo que pareça algo irrelevante. - Akira analisou o garoto, que suava mais do que só por calor. - Aparentemente, pelo seu nervosismo, acredito que possa ter algo em mente para me dizer.

- Eu sinto muito, o Senhor entendeu errado, s-só estou ne-nervoso, é q-que e-eu tenho claustrofobia. Esta sala é... – O garoto tinha dificuldade em respirar, a sala parecia minúscula para pessoas normais, então para o garota estaria ainda pior.

- Entendo. - Akira suspirou. - Está liberado, garoto. Vá beber um pouco de água e tomar um ar fresco no pátio, se alguém lhe barrar diga que tem a permissão do diretor. E me desculpe por ter feito você passar por isso.

- O-Obrigado, senhor. - O garoto mesurou para Akira, andou até a porta e parou ao abri-la. - Senhor, tente falar com os alunos próximos ao time, na maior parte do tempo que ela estava na escola, ela praticava ou ficava com seus colegas esportistas.

- Obrigado. - Akira agradeceu com a cabeça e logo viu o garoto deixar a sala...

A professora ainda não havia terminado de explicar tudo, mas a maioria dos alunos já não estavam prestando atenção, enquanto uns rabiscavam seus cadernos, outros a encaravam fingindo que a ouviam, mas na verdade estavam praticamente dormindo com os olhos abertos.

Mina percebeu uma pequena movimentação a algumas carteiras do seu lado, algumas garotas pareciam olhar algo em um celular com capa rosa, uma passava para a outra, sorrateiramente para a professora não perceber. Os olhos da ruiva pousaram na última garota a segurar o celular, ela foi a que mais esboçou reação, seus olhos se arregalaram levemente e sua boca formou um perfeito “o”.

Mina era curiosa por natureza, não é preciso nem especificar que ficou mais aguçada ainda após essa reação da outra.

A garota se sentindo observada elevou o olhar, encontrando com o de Mina, seus traços enganariam facilmente qualquer um, tão joviais, se Mina não estivesse no mesmo ano que ela, talvez a confundisse com uma estudante do Fundamental II. Sua pele branca, parecia tão suave como porcelana, seus olhos tão inocentes e ao mesmo tempo profundos não permitiam que o contato visual fosse quebrado.

Como seu pai havia lhe ensinado, Mina notou na postura da garota, a linguagem corporal revelava muito mais que as próprias ações. O olhar baixo, cabeça levemente inclinada para o chão, ombros caídos, pernas cruzadas, a distância que se sentava de sua cadeira, tudo indicava que aquela garota queria uma barreira em volta de si, porque era frágil e Mina até arriscava chutar, medrosa. A garota havia roubado o interesse e curiosidade de Mina em relação ao conteúdo da mensagem para si, Mina com certeza iria prestar a atenção nessa garota a partir de agora...

Akira riscou o nome do garoto de cabelo azulado da lista de possíveis suspeitos, o assassino era frio, calculista e bem meticuloso, esse garoto era o oposto.

Como o garoto havia lhe indicado, Akira chamou alguns dos colegas de time da JeogYeon, e alguns alunos próximos ao time, mas também chamou colegas de sala, já que muitas vezes as pessoas que não estão envolvidas, são as que mais sabem das coisas.. O detetive não havia conseguido muitas informações, apenas que JungYeon era bem quieta na escola, notas altas, ótima atleta,

família bem estruturada, tudo parecia perfeito de mais para o gosto de Akira.

Respirou fundo sem paciência e mandou outro garoto, que esperava do lado de fora, entrar.

O garoto se jogou preguiçosamente na cadeira e deu um sorriso irônico, Myoui levantou uma sobrancelha pela audácia do garoto.

- Kim Won-Sik, mais conhecido como Ravi ao seu dispor, policial. – O garoto fez uma reverência, mas sem tirar o sorriso irônico de seus lábios.

- Detetive, não policial. – Akira o corrigiu e Ravi acenou positivamente. – Me fale sobre a sua rotina, Kim Won-Sik. – Akira levou seus olhos ao se bloco esperando o mais novo começar.

- Detetive, nós dois sabemos que você não está interessado em minha rotina. – Myoui voltou o olhar para o garoto, esperando a continuação. – E sabemos também que eu não sou um suspeito, desde que botei meus pés nessa sala você me examinou com todo o seu conhecimento adquirido em alguma faculdade renomada de Boston ou Michigan. Myoui deu um sorriso de lado, esse garoto era ousado. - Eu vou contar tudo sobre JeongYeon , porque é disso que você quer saber.

- E por que está querendo me dar as informações tão facilmente assim. – Akira era desconfiado, assim como todos em sua área.

- Olha, eu não era muito chegado na JungYeon, mas sei que o maluco que fez aquilo com ela vai fazer de novo com outra, e eu tenho mãe e amigas, Detetive. O que significa que eu temo pela segurança delas. – O sorriso irônico do mais novo sumiu, dando lugar para uma expressão preocupada.

- Por quê teme apenas por elas? - Myoui perguntou olhando nos olhos do garoto, Myoui decidiu testá-lo.

- O que quer dizer? - O garoto se contraiu em sua cadeira.

- Até onde me lembro, apenas uma garota foi assassinada... - Akira abaixou sua caneta e seu bloco de notas. - O que significa que não há um padrão, o que também significa que não podemos afirmar que o culpado só está atrás de pessoas do sexo feminino. - Akira inclinou seu corpo para frente. - Logo você deveria temer por você também, garoto.

- M-Mas creio que, se alguém faz algo assim, é mais divertido fazer com uma garota. - O garoto riu nervoso.

- Divertido? - Akira falou com firmeza.

- Desculpe, palavra errada. - Akira havia conseguido "quebrar" o garoto, o desestabilizando. - Eu quis dizer que deve ser mais fácil fazer isso com uma garota, já que um garoto conseguiria usar força bruta para tentar se safar. - O garoto respirou fundo, tentando se recompor.

- Entendo. – Akira assentiu algumas vezes com a cabeça. - Você iria me dar respostas sobre JeongYeon, bem, sou todo ouvidos, garoto. - Myoui encostou relaxadamente na cadeira enquanto analisava todos os movimentos de Ravi, desde os mais sutis até os mais grossos.

- O pai dela é pastor, da única igreja que temos aqui, e como todo bom pregador, ele vive de imagem. Como se a família fosse perfeita, mas é tudo o oposto. – Ravi soltou uma gargalhada com gosto, já havia voltado ao seu estado normal. – Dizem que a esposa tem um caso com o filho do mecânico da cidade. Ele é um broxa que só pensa em dinheiro, usa o desespero dos outros que buscam amparo na fé para roubar tudo o que eles têm. JungYeon era uma boa menina, estudava para caralho, era a estrela do time, gentil, com um futuro promissor. Mas apenas um pequeno “problema”, digamos assim. – Ravi fez aspas com os dedos.

- Como assim? – Myoui se ajeitou na cadeira, não poderia negar que estava curioso.

- Ela gostava de garotas, bom eu não vejo isso como um problema, mas para os pais dela santos religiosos, isso era um absurdo, o pior dos pecados. Não culpo ela, eu também adoro uma boceta. – Myoui pigarreou pelo linguajar chulo. Ravi se mantinha inabalável. – Nisso ela ficava com as garotas no vestiário, boatos começaram a surgir da sexualidade dela, e para abafar tudo isso ela começou a namorar com o drogado da escola. Acho que também foi uma maneira de se impor contra os pais, namorar logo com o lixo mais baixo da hierarquia dessa escola. – Ravi olhava pensativo.

As palavras de Jin-Goo, o Mordomo, vieram em sua mente: "É porque esse não é o verdadeiro motivo." Se perguntou se era à isso que homem se referia, se era por causa desses boatos que o reverendo havia intimado a filha a arranjar um namorado... Uma filha lésbica não está na lista das melhores imagens para um reverendo...

- Me fale sobre o namorado dela. - Akira relaxou na cadeira novamente.

Ravi abriu mais ainda o sorriso e estalou os dedos.

- O cara é um retardado, não mexe com ninguém, apenas fica se drogando atrás da escola. Um inútil, JeongYeon percebeu que era fácil manipular ele e pronto, o namoro deles surgiu. - Akira percebeu um certo toque de raiva em sua fala, misturado com ressentimento... - O cara ama ela, de verdade, ele era muito bom para ela, fazia tudo o que ela mandava em um piscar. – Ravi esfregou o polegar com o dedo médio fazendo um estalo ecoar pela sala. - Os pais dela preferiam ela namorar com um drogado sem futuro, do que saberem que ela caia de boca nas menininhas daqui. – O garoto riu irônico, Myoui estava levemente incomodado pelo linguajar horroroso do garoto, mas pelo menos estava conseguindo informações.

- Qual o nome do garoto? - Akira se preparou para escrever o nome em seu bloco.

- Yook SungJae. – Ravi sorriu de lado. – Já estou liberado policial?

- Detetive. – Akira corrigiu-o enquanto escrevia o nome que o garoto havia dito.

- Detetive. – Uma ponta de ironia escorreu dos lábios do garoto ao pronunciar a palavra.

- Claro, obrigado, garoto. - Akira levantou a cabeça para encarar Ravi. - Obrigado pelas informações, e fique longe de problemas.

- Pode deixar, detetive. - Ravi fez uma mesura ao se levantar, ainda com o sorriso irônico.

- Um último favor. - Akira disse assim que Ravi abriu a porta. - Mande a garota que está esperando no corredor entrar, por favor. - Ravi assentiu, saiu sem fechar a porta. - Boa tarde, sente-se, por favor. - Akira indicou a cadeira à sua frente, assim que a pequena garota entrou na sala.

Mina esperava sentada em um dos bancos de estofado velho, e com leve cheiro de urina, no corredor do subsolo da escola, batia o pé impacientemente enquanto percorria o local todo com o olhar, havia mais dois ou três alunos sentados em um banco mais próximo à porta. Inflava as bochechas como uma criança, enquanto uma melodia calma percorria sua mente tendo como fonte seus ouvidos. Havia recebido um SMS de seu pai, para o seu desespero ele estava interrogando alguns alunos em sua escola, e pediu para que Mina esperasse no corredor onde a "sala de interrogatório", para que pudessem ir embora juntos quando ele terminasse.

Mina não gostou nem um pouco de saber que seu pai estava interrogando as pessoas da escola, mal havia chego nessa cidade e já seria alvo de fofocas, a filha do Detetive que cuida do caso da menina morta. Uma atenção desnecessária para a garota ruiva que gostava de passar despercebida. Enquanto batia levemente a parte detrás de sua cabeça na parede, para passar o tempo, observou a porta a 50m de si se abrir, mais uma vítima do interrogatório de seu querido pai acabava de sair viva do matadouro, aparentemente sem danos maiores, mas, diferente das outras vezes em que apenas desviou o olhar, Mina arregalou os olhos e suas bochechas perderam o ar, viu seu pai chamar um outro aluno, mas sinceramente, Mina ao menos prestou a atenção.

Inconscientemente se levantou, deixando sua mochila na cadeira, seus pés calçados com seu Converse All star clássico, sujo pelo tempo, se moviam automaticamente na direção de seu mais novo objeto de estudo. Como uma mosca indo na direção da luz, sem ao menos pensar, por puro instinto.

A pequena garota de olhos inocentes e profundos, que acabara de sair do interrogatório, fazia seu caminho sempre olhando para o chão, como se ele fosse extremamente interessante, os ombros estavam mais caídos do que na sala de aula, sua mente parecia bagunçada.

Mina não era exatamente do tipo extrovertida e comunicativa, ela preferia apenas observar, mas algo naquela garota lhe fazia querer ser sociável. E com esse pensamento cutucou levemente o ombro da mais baixa, que virou assustada em posição defensiva, como se Mina fosse lhe dar um tapa a qualquer momento.

- Eu sinto muito, não foi minha intenção te assustar. – Mina havia se abatido pela reação da menina, logo se recompôs para não demonstrar fraqueza.

A garota apenas acenou positivamente, desviando o olhar para o chão, novamente. Mina se sentiu tão estúpida, não havia ao menos planejado o que falar, a garota esperava obviamente Mina lhe explicar o motivo de ter lhe incomodado.

- Eu vi que você saiu do interrogatório. – Mina começou cautelosa.

A garota acenou positivamente, mais uma vez. Mina apertou o antebraço deslocada, não queria deixar a mais baixa incomodada, mas o clima ali não era um dos melhores.

- Meu pai pode ser bem assustador às vezes. – Mina riu para quebrar o clima, as palavras simplesmente escorregaram de sua boca.

A garota olhou em seus olhos pela primeira vez, mas logo os desviou, dando um sorriso fechado tímido. Mina quis se cumprimentar pela reação positiva da outra.

- Acho que sim. – A garota falou mansamente, sua voz era um pouco grossa para as suas características físicas, porém soava bem inocente.

- Eu me sinto culpada por isso. – Em questão de segundos, Mina já havia arquitetado todas as suas falas e as da garota, sabia exatamente aonde iria chegar.

- Não se sinta. – A garota balançou as mãos rapidamente, enquanto arregalava os olhos e a boca. – Ele só está cumprindo o dever. - Mina riu da reação da garota, que logo lhe acompanhou, porém mais recatada.

- Como uma forma de me desculpar, o que acha de tomarmos um café juntas?

A mais baixa apertou as alças de sua mochila com força enquanto olhava para os lados, parecia perdida.

- Não se preocupe, é por minha conta. E café pode parecer muito formal, o que acha de trocarmos por algo mais do simples... - Mina levou o indicador até a boca, como se pensasse em algo. - Talvez um sorvete? – Mina acrescentou seu sorriso meigo, que fazia qualquer um perder o fôlego.

O brilho nos olhos da outra foi explícito, seus olhares se cruzaram por mais de meros segundos, finalmente. Mina se deu conta de que, queria saber tudo o que havia por trás desses olhos que mais pareciam um abismo de tão profundos.

O sorriso aberto infantil, com direito aos dentes tortinhos e as covinhas fofas nas bochechas, foi a confirmação que Mina tanto ansiava...


Notas Finais


Notas X:

Eu amar vocês ~saranhê

Notas JM:

Espero que tenham gostado!

Eai? Já pensou em algum suspeito? Tem alguma teoria?

Compartilhe tudo com a gente! :)

Logo responderemos os comentários anteriores, desculpe pela demora XD

Nos vemos por aí!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...