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História Nossas Páginas em Branco - Capítulo 32


Escrita por:


Notas do Autor


Milagres de quarentena.
Olá pessoal! Finalmente voltei. Vou aproveitar esses dias e tentar atualizar o máximo que der.
Espero que gostem e por favor, não me batam ok?

Boa leitura!

P.S: Capitulo dedicado a minha querida mana Ana Paula, que pode passar o tempo que for, nunca desiste, dessa fic.

Capítulo 32 - Aquilo que te pertence - Parte III


Havia certa relutância em Tenten sobre aceitar o convite de Neji para que se sentassem em algum lugar mais confortável do que o chão. Em parte, porque estava comprometida com sua tarefa de zelar por Aiko, mesmo que não tivesse muita ideia do que fazia e somado a isso, a questão de ficar sozinha com Neji em algum outro lugar que não fosse o chão. Mas, mesmo com suas intempéries, ela concordou em acompanhá-lo já que sentia sua adrenalina baixar e a agitação inicial dar lugar ao cansaço.

A sala de estar estava obviamente vazia e as cortinas semiabertas revelavam o vendaval que se formava lá fora. As árvores balançavam com extrema violência e o céu estava tomado de uma escuridão que não condizia com o horário. Tenten suspirou. Nunca fora fã de tempestades e não entendia como as pessoas gostavam de dormir com o barulho de chuva. Ela ficava nervosa com aqueles pingos caindo compassadamente e piorava quando os outros sons ficavam abafados, impedindo-a de ouvir o que se passava ao seu redor.

- A tempestade vai ser muito forte – observou Neji, sentando-se na poltrona – É bonito, não?

- Se você gostar de contemplar uma prévia do armagedon, sim, pode ser – ela riu e virou-se para ele esperando a reação à piada, mas encontrou no lugar uma expressão pensativa e os olhos de Neji fixos na janela – Você gosta de tempestades?

Ele piscou algumas vezes e voltou-se a ela.

- Eu gosto de como tudo muda tão rapidamente. Um dia claro e ensolarado de repente se torna escuro e ameaçador. E no dia seguinte, lá está o sol novamente.

Tenten arqueou uma sobrancelha e sentou-se no sofá oposto ao dele, observando atentamente o rapaz. Neji não costumava poetizar daquela maneira, pelo menos não o Neji que costumava conhecer. Ela até pensou em responde-lo mais atravessado, entretanto preferiu apenas contemplar um pouco mais da personalidade adulta dele.

Ela respirou fundo, deixando seu corpo afundar no sofá macio. Estava muito cansada e sentia uma leve dor nos ombros, evidenciando a grande ansiedade pela qual passara. Cuidar de Aiko não era de todo ruim, afinal aquilo era mais uma experiencia que lhe podia ser útil algum dia. Talvez, o que deixava Tenten tão apavorada era o fato de nunca ninguém ter dependido dela para nada e de repente uma criança de quatro anos de idade, com uma alergia forte está sob seus cuidados. Definitivamente era algo que podia dar-lhe palpitações.

- Você parece cansada! – observou Neji depois de algum tempo – Chiyo te deu uma tarefa e tanto.

- Me admira ela ter feito isso. Ela parece tão cuidadosa com Aiko que nunca se passou pela minha cabeça que ela me pediria isso.

- Ela devia estar realmente desesperada – Tenten fez uma careta e Neji arregalou os olhos – não me entenda mal Tenten.

- Imagina, você acabou de dizer que eu sou um desastre – ela deu um meio sorriso e revirou os olhos – mas não vou discutir, eu sou realmente.

- Na verdade você está mais calma do que eu estaria – ele passou as mãos pelos cabelos e ajeitou-os atrás da orelha – Chiyo nunca deixa ninguém ficar com a Aiko sem a sua presença por perto a não ser que algo muito sério tenha acontecido. Por isso que eu digo: ela deve estar desesperada, primeiro por ceder e pedir ajuda e segundo por deixar a menina doente.

- Ela parecia nervosa – Tenten deu de ombros – eu aceitei para ajudá-la, esqueci de fazer perguntas mais esclarecedoras.

- Chiyo provavelmente nem as responderia – o rapaz riu – ela não fala muito dos compromissos que ela tem, mesmo quando eu ou Hinata a infernizamos.

Neji abriu um sorriso bastante sincero, coisa que Tenten não via a algum tempo. Conseguir a boa opinião do Hyuuga sempre fora complicado, mas depois de conquistada, essa pessoa felizarda teria a seu favor um grande fã e admirador. Chiyo era essa pessoa.

- Você gosta muito dela, né?! – disse Tenten, sorrindo de volta.

- Ela é minha família – ele se ajeitou no sofá. Claramente aquelas palavras não eram ditas com muita regularidade – Chiyo está conosco desde que os Hyuuga se mudaram para Konoha. Não há um dia na minha vida em que a imagem dela não esteja direta ou indiretamente associada. Ela é madrinha da Hinata, sabia?

- Sério? – Tenten ficou surpresa. Sabia que a mulher era de fato um tesouro da família, mas não sabia que os laços se estendiam tão longe.

- Sim – ele riu da expressão dela – muitas pessoas fazem essa cara. Sabe, Chiyo trabalha na mansão ainda por que ela quer. Meu tio disse que se ela quisesse se aposentar, ele ficaria muito feliz em dar-lhe um pagamento mensal para ajudar com as despesas e tudo mais, durante todo o tempo que ela vivesse. Mas Chiyo, cabeça dura como é, recusou e pediu delicadamente que Hiashi calasse a boca e parasse de falar: - ele desenhou aspas com os dedos – asneira.

Tenten começou a rir da história. Quase conseguia imaginar a expressão de Hiashi Hyuuga sendo acusado de falar asneira. Um ponto para Chiyo!

- Aqui ela cuida de nós – continuou – e acredito que isso a ajude a não ficar pensando nas coisas ruins que aconteceram com ela.

- Neji – chamou Tenten. Havia algo que ela queria perguntar desde que conhecera Aiko, mas nunca achara o momento oportuno – Quando Chiyo... Quer dizer quando ela – a moça deu uma pausa tentando achar palavras que coubessem sem grosseira naquela pergunta.

- Quando ela morrer? – Neji endureceu sua expressão e Tenten assentiu, já arrependida de ter tocado no assunto – Eu as vezes me pergunto o mesmo, mas evito pensar nisso já que não tenho a mínima ideia.

- Entendo. Mas Aiko tem a mãe ainda, não tem? Ou talvez Chiyo tenha algum parente.

- O único parente de sangue é um irmão mais velho do que ela. Já a mãe de Aiko – Neji cruzou uma das pernas, visivelmente incomodado com o assunto – ela sumiu. Não sei se Chiyo tem contato com ela, mas duvido que ela deixaria a criação da menina nas mãos da mãe.

Tenten sentiu um leve calafrio transpassar-lhe as costas.

De certa maneira ela entendia Aiko e sabia que essa ausência familiar poderia causar-lhe sequelas quando crescesse. Mesmo não gostando muito de pensar no assunto família, a Mitsashi não podia, vez ou outra, controlar as lembranças das intermináveis perguntas que costumava fazer para sua mãe sobre o pai que nunca conhecera. Yuzuna apenas dizia que ele era um homem importante, mas nada sobre sua aparência ou o porque dele ter desaparecido. Por diversas vezes Tenten preferia que ele estivesse morto, assim a rejeição seria menos dolorosa, já que a morte não é algo que alguém consiga controlar.

Abandono por outro lado, é.

Ela sentiu seu coração apertar. Aiko era tão inocente e amável, com tão pouca idade e uma bagagem tão desagradável para carregar.

Tenten suspirou e afundou mais no sofá, desejando não ter tocado no assunto.

- Você está bem? – indagou Neji.

- Sim – assentiu ela – quer dizer, é injusto. Ninguém deveria se sentir rejeitado, especialmente pelas pessoas que deveriam te amar e cuidar de você mais do que qualquer coisa.

Neji concordou com um aceno de cabeça e um silêncio bastante reflexivo se instalou entre eles.

- Acho que devo checar Aiko – disse Tenten, por fim.

- Boa ideia. Vou tomar um banho e depois se quiser podemos pedir algo para comer. Acho que logo estaremos ilhados aqui.

- Acho bom. Cara, estou exausta.

- Eu posso ficar de olho em Aiko para você descansar um pouco depois.

- Eu ficaria te devendo uma – Tenten sorriu travessa e se pôs de pé.

- É sempre bom ter pessoas te devendo favores – ele deu uma leve piscada para a Mitsashi.

Ela riu.

- Acho que estou fazendo pacto com o mal.

 

 

---

 

 

- Minha cara, você devia dar um jeito nisso o mais rápido possível.

- Eu sei Ebizo, estou ciente da situação – Chiyo retrucou, dando uma pitada no cachimbo no irmão – você não deveria fumar isso.

- E você muito menos – retrucou ele, rindo – Óh minha irmã, você tem um caso bastante complexo par lidar agora.

- Eu sempre soube que isso ia acontecer – ela deu de ombros – mas não esperava que acontecesse tão cedo.

- Você acha prudente ter deixado Aiko com aquela moça?

- Tenten? – Chiyo abanou as mãos como se espantasse mosquitos – ela vai dar conta. E além do mais, preciso me acostumar a ficar longe de Aiko e ela, longe de mim.

- Você precisa contar aos Hyuuga’s irmã. Hiashi certamente irá ajudá-la – Ebizo baforou seu cachimbo e a cadeira de balanço foi para frente e para trás, levemente.

- Quanto a mim não me preocupo. O plano de saúde cobrirá todo o tratamento. Mas quanto a Aiko, precisarei da ajuda deles.

- E porque você não tenta achar a mãe dela?

- Aquela mulher não quer saber de Aiko – disse Chiyo encolerizada – ela mal gostava do meu filho e quando a garota nasceu ela não se preocupou nem em pegá-la direito. Com certeza não vai se importar em cuidar dela agora.

- De qualquer maneira Chiyo, você precisa de um guardião para Aiko – ele se inclinou e tocou nas mãos da irmã – o momento que temíamos está chegando.

- Eu sei meu irmão – respondeu ela com voz embargada – Só espero que Deus tenha misericórdia e me dê mais alguns meses, não muito, apenas o suficiente para cuidar de Aiko e garantir que ela continue vivendo feliz e sendo amada.

 

 

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O banho de Neji foi rápido. Ele não se deu ao trabalho de lavar os cabelos, afinal aquilo demoraria mais tempo e ele pretendia gastar o resto daquela noite com Tenten e Aiko. Ele não se incomodou em vestir roupas ajeitadas, apenas prezou pelo conforto de seu moletom e uma camisa preta velha. As madeixas levemente molhadas pelos respingos inevitáveis permaneceram presas num coque mal feito.

Neji ainda vestia a camiseta quando batidas frenéticas na porta fizeram ele se assustar e se dirigir o mais rápido possível para abri-la.

- Tenten, ué. O que...

Ele foi interrompido pela fala apavorada de Tenten.

- É Aiko, Neji. Você precisa vir. Agora.

O rapaz sentiu seu coração disparar e Tenten segurou a mão dele, puxando-o pelo corredor até seu quarto, onde ela empurrou a porta com violência.

Aiko estava sentada na cama, respirando ofegante e seus lábios estavam ficando arroxeados. Ela ergueu os olhos negros em direção a eles como se pedisse ajuda e Tenten correu para segura-la.

- Eu não sei o que houve Neji – disse Tenten ofegante – Ela estava bem e de repente começou a arfar assim – ela estava acelerada, dominada pela adrenalina – temos que ir pro hospital.

- Ok – Neji pensou por alguns segundos – eu levo Aiko até o carro. Você pega o que ela precisa. Temos que ir o mais rápido possível.

Tenten assentiu e Neji tomou Aiko nos braços. A menina deitou no ombro dele, respirando com extrema dificuldade.

Ele desceu as escadas correndo e pegou a chave do carro, indo diretamente para a garagem. O vendaval estava cortante e gotas de chuva já ameaçavam, ricocheteando em seus rostos. O rapaz colocou a mão na frente do rosto frágil de Aiko para amenizar os pingos grossos que batiam contra eles.

Neji colocou Aiko no banco de trás e tirou o carro da garagem com certa violência. Nesse meio tempo, Tenten havia recolhido a bolsa que Chiyo deixara e correra para o carro, entrando no branco de trás e tomando Aiko nos braços.

- Aiko querida – chamou a Mitsashi – como se sente?

- Eu não consigo respirar, tia – disse ela entre puxadas fortes de ar.

Tenten olhou pelo retrovisor para Neji e ele devolveu o mesmo olhar de pânico.

- Calma meu amor, já vamos chegar no médico e você vai ficar bem.

- Eu. Quelo’. Minha. Avó – disse de maneira entrecortada.

- Ela vai estar lá querida, vai ficar tudo bem – Tenten aconchegou Aiko em seu colo e sentiu seus olhos encherem de lágrimas.

Seria uma cena que ela definitivamente não iria esquecer. Quando Neji se afastou para tomar banho, ela entrou no quarto devagar, afim de não acordar Aiko. Mas, para sua surpresa, a menina estava acordada. Tenten brincou com ela e percebeu que ela estava pálida e respirando estranho, então sentou-a e ficou massageando suas costas. Porém em alguns minutos a respiração de Aiko foi ficando cada vez mais difícil e ela reclamou para Tenten que não conseguia puxar o ar.

Tenten notou os lábios da garota. Arroxeados.

Então ela correu para chamar Neji.

Tudo aconteceu muito rápido.

Neji olhava a todo instante pelo retrovisor, sentindo seu sangue pulsar violentamente para todas as partes de seu corpo. Ele sentia a adrenalina correr por suas veias e tudo o que ele conseguia pensar era em chegar o mais rápido possível no hospital.

Ninguém se importou com a velocidade alucinante com que ele dirigia o carro. As várias buzinadas e cortes poderiam ter um final mais trágico, mas por sorte eles chegaram no hospital ilesos.

- Vamos Tenten – chamou Neji, ajudando-a a sair do carro – a emergência é por aqui.

Ela sabia o caminho. Estivera ali há algumas noites.

E estava lá novamente.

 

Era um dia atípico no pronto socorro e Sakura não podia conter os bocejos. Normalmente, ela não cobria os turnos da noite, mas com o incidente de Ino ela queria estar o mais próxima possível de todas as novidades.

Ela estava atrás do balcão de atendimento preenchendo intermináveis prontuários, quando ouviu um alvoroço do lado de fora da emergência.

- Por favor, ajuda!

Ela espiou quem gritara e qual não foi sua surpresa quando viu Tenten e Neji atravessarem porta adentro segurando uma garotinha em seus braços. Sakura saiu aos tropeços de trás do balcão e não pode conter o susto quando viu Aiko, largada nos braços de Tenten.

- Pelos céus – exclamou ela – o que houve?

- Sakura, graças a Deus – disse Tenten ofegante – É Aiko. Chiyo a deixou comigo. Ela está sem ar. Nós viemos correndo.

- Ok Tenten, calma – pediu Sakura, tirando o estetoscópio do pescoço – Uma maca aqui por favor – gritou ela e prontamente os enfermeiros atenderam – Coloquem Aiko aqui.

Quando eles colocaram a menina na maca, Sakura arregalou os olhos.

- Há quanto tempo ela está assim?

- Uns, uns dez minutos mais ou menos. Piorou mais agora – Tenten chorava e sua voz saia entrecortada

- Porque não chamaram uma ambulância? – indagou ouvindo o coração da menina que respirava com ainda mais dificuldade.

- Eu, eu, eu não sei – falou Tenten – Óh meu Deus!

Tenten se desesperou e começou a chorar. Neji que até então estava atônito abraçou-a pelos ombros.

– Sakura, ela vai ficar bem?

- Preciso de um kit de intubação – gritou ela

- Sakura – chamou Neji, observando a correria que de repente se instalou pelo pronto socorro.

- Alguém bipe a pediatria – gritou novamente para outro enfermeiro.

- Sakura! – disse Neji, mais alto.

A médica olhou para ele, séria. Aquilo estava tudo, menos bem.

- Vamos fazer tudo o que podemos – falou com firmeza – mas agora vocês precisam sair daqui.

- Não Sakura – pediu Tenten aos prantos – deixa a gente ficar.

- É Doutora Haruno, senhora – respondeu ela, tomando as rédeas da situação. Não gostava de fazer isso, mas precisava se manter calma e operante para tratar da menina e definitivamente não conseguiria manter-se calma e lidar com Tenten naquele estado de nervos ao mesmo tempo – Vocês precisam sair. Enfermeiros!

- Não – disse Tenten, mas sua voz foi abafada quando os enfermeiros entraram na frente e foram empurrando-os até a sala de espera.

Neji segurou Tenten pelos ombros, obedecendo as ordens médicas. Não havia nada que eles pudessem fazer ali a não ser esperar. 


Notas Finais


Hey, o que acharam? Me contem por favor. Pra eu saber q tem alguém ai!
Beijos galera. Volto logo.
E leiam minha nova fic NejiTen total: https://www.spiritfanfiction.com/historia/pintura-em-porcelana-18776267

E pessoal, obrigada mesmo pelos comentários no cap passado. Vocês são incriveis. Obrigada mesmo.

Be safe! Beijos


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