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História Nossas quatro estações - Capítulo 3


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Notas do Autor


Mais um capítulo da história para vocês.

Capítulo 3 - Mas se eu digo venha, você traz a lenha



P.O.V Isabela

Acordei antes do despertador. Não consigo mais dormir direito, parece que a cada dia menos eu sou capaz de dormir. E não, eu não me sinto cansada nem nada. 


Passo no quarto da minha vó para ver como ela está. Dormindo. Dou um beijo em sua bochecha e a cubro direitinho.

Vou até a cozinha e pego um pouco de sucrilhos no armário. Amo sucrilhos, sério. É uma tentação açucarada.

Mato meu tempo escrevendo um pouco até dar a hora de acordar de fato.

Pego mau carro, um Astra preto 1.8 (porque o 2.0 bebe muito) flex. Com a asa, sabe? Acho muito bonito. Vou pra escola e paro na mesma vaga que paro todo dia. A escola me deixa parar lá, é bem incrível.

Sento na minha carteira do fundo e pego meu caderno pra continuar escrevendo até a professora de história chegar.

-E aí, Isa? - Primeiro, eu nao sei o que eu acho sobre ela me chamar assim. Minha mãe me chamava assim.

-Oi, Verde. - Verde é uma cor bonita, combina com ela. Pela cara dela, não sei se ela gostou muito.

-Por que você não fala um pouco sobre você? - Estranho. A Amanda é um pouco estranha, meio intrusa, mas acho que eu me simpatizo com ela.

-Por que você quer saber de mim? Não tem nada demais. - Realmente. Acho que só tem eu, minha vó, meu carro e sei lá, meus livros.

Depois que ela começou a perguntar, fez mais sentido. Ela só quer me conhecer. Tudo bem, somos parceiras de aula afinal, acho que não faz mal ter uma amiga de vez em quando, minha vó com certeza iria ficar feliz.

-Eu gosto da Amelie, poxa. -Eu também gosto dela. Só não esperava isso da Amanda.

-Pensei que você não gostasse desse tipo de filme, você tem cara de quem só assiste American Pie e filme pornô. - A energia dela é muito forte, eu gosto de ficar perto, mesmo que pareça as vezes extremamente carnal.

-Eu tenho cara de tarada?

-Tem cara de que gosta de sexo acima da média dos outros seres humanos. - Ela tem uma carinha de safada mesmo, mas combina com ela, é bonitinho.

-Ah... Sei lá, mano. Nunca parei pra comparar com mais ninguém.

-Mas você tem uma energia vibrante. - Olho em seus olhos, eles são meio amarelos, âmbar. Outra coisa dela que não é muito brasileiro, essa cor normalmente tem com mais frequência em países como a Índia, mas é raro. Seu irmão não tem os olhos dessa cor, os dele são pretos.

-Obrigada.

Assistimos a aula e realmente, a Amanda não é uma má dupla, ela é bem inteligente, não sei porque ela tira notas ruins em história.

No final da aula, tento alcança-la. A encontro conversando com Leticia, perto da grande árvore que tem na entrada da escola.

-Oi. - Chego mais perto. E as duas parecem rir de alguma coisa.

-Ele é muito sem noção, meu Deus. - Leticia diz e logo as duas notam a minha presença.

-Isa, me diz uma coisa, você não acha que aquele cara tá pagando micão? - Amanda aponta para um menino do colégio que usa freio de burro. Bom, o resto da roupa dele não ajuda muito. Ele tá basicamente com todas as peças de roupa em um laranja vívido, fora o uniforme.

-Eu estudei com ele ano passado. É, acho que o estilo tá um pouco extra. Mas não usaria o termo "micão", acho que exagerado é melhor. - Amanda dá uma bufada e Leticia ri mais, acho que dessa vez, de mim.

-Você é engraçada. Prazer, eu me chamo Leticia. - Ela estende a mão e a aperto. Não entendo muito bem o porquê de usarmos esse ritual tão neandertal em pleno século XXI, mas enfim.

-A dela você aperta, né? - Amanda fala.

-Eu por um acaso neguei um aperto de mão a você? - Não me lembro disso um dia ter acontecido, mas ok.

-Sim, no dia da festa. - Ela fica tristonha.

-Ah, perdão. Posso te dar um abraço pra recompensar?

-Pode. - Ela sorri e eu dou um abraço bem apertado.

A energia dela é muito boa, meu. Sério, me deixa confortável, isso é atípico, mas bom. Parece uma vibração de 538 hertz.

Paro de abraça-la e ficamos conversando um pouco. Na verdade, elas ficam conversando e eu escuto e opino de vez em quando. As duas se despedem e Leticia vai embora.

-Você quer uma carona pra casa? - Pergunto para Amanda

-Hum... Pode ser. Pera, só deixa eu avisar pro Sergio. -Ela pega seu celular e digita alguma coisa. - É bom que eu já te devolvo o seu guarda-chuva, tá lá no meu quarto.

-Ah, sim. Claro. -Vamos até o carro e começo a dirigir em direção à sua casa. - Posso colocar música?

-Pode.

Peguei meu celular e liguei no Bluetooth e coloquei aleatoriamente na minha playlist.

Na hora começou a tocar "Lenha" de Zeca Baleiro. Eu amo esse cara, mesmo ele sendo um burguês safado.

-Eu não sei dizer, o que quer dizer, o que vou dizer... - Cantarolo baixinho. Essa música era uma das favoritas da minha mãe, saudade é complicado.

-Pensei que você gostava de música clássica.

-Eu gosto, mas eu gosto muito mais do que só música clássica. - Amanda dá um sorriso com isso. - Conhece essa música?

-Mas se eu digo venha, você traz a lenha, pro meu fogo acender. - Ela canta lindamente. Sério, ela tem a voz de um anjo rouco.

-Nossa, que voz linda.

Percebo que ela fica um pouco ruborizada.

-Obrigada, Isa. Você também tem uma voz linda. - Ela passa a mão de leve em meu rosto. Já disse que a energia dela é boa? Porque é. Não sei porque eu deixei a Amanda encostar em mim, mas foi bom, eu gostei.

Fomos escutando minha playlist até chegar a sua casa.

-Quer entrar?

-Não precisa. - Ela abre a porta, mas volta seu olhar a mim.

-Eu tenho que te devolver o guarda-chuva. Vamos lá só pra pegar. Não vou aceitar um não como resposta.

Tá bom, né. Não pude negar.

-Só um pouco, tenho que depois ver a minha vó. Não gosto de deixá-la muito tempo sozinha.

Ela não tá sozinha, eu contratei uma moça pra ficar com ela, na verdade duas, uma fica das seis da manhã até as seis da tarde e a outra fica das seis da tarde até as seis da manhã. Não gosto de ficar longe dela, mas talvez eu só esteja com receio de entrar.

-Tudo bem. Só um pouquinho.

Saímos do carro de fomos pra sua casa, que honestamente, é enorme. Como da primeira vez que eu estive aqui estava cheio de adolescentes bêbados e escuro, eu nem notei como era grande e bem decorada.

-Vocês tem bom gosto. - Falo ao entrar em seu quarto, que tinha uma cama de casal grande, parecia aquelas de princesa, com uns véus ao redor dela. Uma mesa de estudos de vidro e umas estantes de livro na parede a esquerda. Uma varanda à direita e também nesse canto, um local com alguns instrumentos musicais. Sua cama estava arrumada, mas havia um violão sob ela.

-Desculpa a bagunça. - Nunca entendi porque as pessoas falam isso sempre ao levar outra pra sua casa, será que isso as fazem se sentir bem?

-Não tá nem um pouquinho bagunçado.

-Ah... - Ela ficou um pouquinho sem graça. - Quer fazer alguma coisa?

Fui andando pelo seu quarto e me atentei a um caderno, que estava em sua cama.

-Posso ver?

-São só umas músicas que eu falho miseravelmente em compor. - Ela ri um pouco.

-Devem estar razoáveis. Você é uma mulher bem versada.

-Bom, não sei como me sinto te mostrando, mas vou cantar um trechinho que eu compus essa semana. - Ela se sentou na cama e pegou seu violão. Virou as paginas do caderno em busca de algo específico e encontrou. - Não me zoa.

-Acho que eu não sou muito capaz de zoar ninguém. - Disse tentando passar confiança para ela.

-Tá bom, é bem curto, tenho que desenvolver, mas aqui vai. - Ela limpou a garganta e começou a tocar seu violão. - Já me disseram que rimar não é minha praia, já me pediram pra parar com essa gandaia, me mandaram pro hospício, me mandaram pro abismo e eu fico olhando até que olhe de volta. - Ela dá um gritinho no final e eu rio, pior que eu gostei dessa letra.

-Isso foi uma referência à Nietzsche?

-Foi. -Seu sorriso abre e parece até que o sol se abre junto.

-Eu gostei muito.

-Obrigada.

Ela colocou o violão de lado e me chamou para sentar junto dela. Encontro meu guarda-chuva em cima de sua mesa de estudos. Vou até lá e pego.

-Acho melhor não. Depois a gente continua. Temo que se eu sentar, vou me distrair demais e perder a hora de voltar para casa. - E é verdade.

-Ah, tudo bem. - Ela dá um muxoxo desanimado.

-Mas acho que qualquer dia você poderia ir pra minha casa. - Amanda levanta sua cabeça e olha para mim. - Minha vó vai gostar de você.

-Vai ser uma honra.



Notas Finais


-HA


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