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História Nosso amor - Capítulo 35


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Notas do Autor


Eaiii, vidinhas!
Demorei um cadin, mas voltei. O capítulo ficou enorme, espero que não fique ruim, e se ficar, me perdoem... Não esqueçam de me contar o que acharam, hein?

Capítulo 35 - Trinta e cinco


Gabriel Barbosa
 

Eu não fazia ideia do quanto era difícil ficar sem a Alice, até eu realmente ficar.
 

Desde que eu cheguei no Rio, esses foram, disparados, os dias mais difíceis que passei. Não era somente a ausência física, também por não receber nem suas mensagens fofas de boa noite e, até mesmo, suas patadas matinais, quando ainda estava de mau humor por acordar cedo.
 

Tudo sem ela ficava ruim.
 

E o pior, é o fato de quase tudo na minha rotina lembrar ela. Mas, como o bom brasileiro que sou, e não desisto fácil, eu não deixaria o amor da minha vida escapar tão fácil assim.
 

— Você tá um pé no saco, irmão. Qual é! — Gerson implicou, quando afirmei que mesmo que ganhassemos do Bahia, na partida de hoje, não iria sair com eles para comemorar.
 

— A gente tem que comemorar, Gabigol. Ainda mais se for vitória hoje, pô. Daqui uns dias a gente concentra para final da liberta, cara! — Rodrigo falou, ganhando força de todos ao nosso redor, no ônibus.
 

— Não tô no clima, e nem tenho nada para comemorar. — Afirmei, fazendo alguns revirarem os olhos e outros me vaiarem.
 

Os únicos que realmente sabiam do que tinha acontecido entre mim e a Alice eram Bruno e Arrascaeta, os demais apenas presumiam que não estávamos mais juntos, mas não comentaram nada. Além de Everton e Diego que, com certeza, souberam por ela.
 

— Gabi, tínhamos combinado há quase um mês, cara — Arrascaeta falou.
 

E era verdade mesmo.
 

— Todo mundo vai, cara. Eu não acredito que cê vai fazer isso com o time — Bruno disse dramático, o que me fez revirar os olhos.
 

— Vocês não vão me deixar em paz, né? — Todos ali negaram — Bom, se ganharmos com diferença de três gols, eu vou. — Me rendi, fazendo eles comemorarem.
 

O ônibus entrou no estacionamento do Maracanã, e fomos até o vestiário em um outro assunto, o que me deixou aliviado.
 

O momento mais difícil desde tudo, foi quando subimos para aquecer e eu a encontrei com o olhar. Ela sorria enquanto conversava com sua equipe, e estava linda, como sempre.
 

Queria que esse retorno dela aos gramados tivesse sido diferente, em que eu pudesse ir até lá e dizer o quanto a admirava e estava orgulhoso de sua volta. Mas, as coisas não são como planejamos, muito menos como queremos.
 

— Dias difíceis, né? — Uma voz falou, me fazendo olhar para o lado.
 

Era Everton. O camisa 7 se aproximou e começou a se aquecer comigo.
 

— Você não faz ideia de como, irmão. — Falei, suspirando.
 

— Está difícil para ela também, pode acreditar. Aliás, ela me contou tudo, e eu acho que vocês precisam conversar. — Completou, me olhando.
 

— Tem dias que eu tô vivendo para conversar com ela, cara. O problema é que ela não quer me ver, nem pintado em ouro. — Expliquei, rindo sem humor.
 

— Faz um gol hoje, Gabigol. E o resto você deixa comigo. — O novo capitão do time falou, piscando para mim.
 

O aquecimento não demorou, assim como todo o protocolo de início e a partida. Nós começamos superiores, pressionando o jogo todo, mas fomos para o vestiário no intervalo ainda sem gols, por conta das boas defesas do goleiro do Bahia, o que fez o Mister corrigir algumas imperfeições com a gente, que deram resultado logo no início, com o Reinier abrindo placar e comemorando mostrando que faltavam apenas dois gols — moleque abusado! Depois de abrirmos o placar, o jogo foi todo nosso, mas os meus amigos se empenharam ao máximo para ampliar o placar, que somente veio aos 72', com Bruno Henrique, e eles também comemoraram mostrando que faltava apenas um.
 

Ainda que estivéssemos nos minutos finais, eles pareciam não desistir e se empenharam ainda mais, resultando, no minuto 93', uma bola do travessão, que eu sequer vi quem chutou, sobrar nos meus pés e eu apenas colocá-la para dentro, de forma inevitável.
Ri quando Reinier correu até mim, também rindo, e comemorando, não só o gol, como também o nosso combinado. O grupo todo me abraçou, e alguns deixaram uns tapas em minha cabeça.
 

Ao correr de volta, para o centro do gramado, foi inevitável não olhar para ela. Alice acompanhava toda minha movimentação, lhe ofereci um largo sorriso e uma breve dedicação pelo gol, que ela pareceu entender ao deixar um sorriso bem sincero surgir em seu rosto, mesmo que por menos de cinco segundos.
 

Alguns minutos a mais e a partida se encerrou, com a nossa vitória de 3x0 selada. Diego Alves veio até mim, comemorando e nós saudamos a torcida, depois seguimos para o vestiário. Fiquei um tanto desapontado ao ver que Reinier dava uma entrevista para Alice, não vou mentir que desejava estar ali, conversando e rindo com a mesma, como os dois faziam.
Passei direto por eles, nem sendo percebido, e recebi um olhar piedoso de Everton, que me abraçou e comemorou a vitória.
 

— Qual é, Gabigol, vou passar lá na sua casa hoje pra te buscar pra resenha, hein! — Bruno anunciou, quando eu entrei no vestiário, fazendo todos comemorarem.
 

Assenti, rindo e concordando.
 

Alice Mendes
 

Deixei gramado do Maracanã enquanto conversava com a equipe, e admirei o local. Era incrível estar de volta, trabalhando com o que eu mais amo, e ainda mais aqui, no maior palco de futebol do mundo.
 

Os últimos dias não foram nada fácies, pelo contrário. Tudo me lembrava ele, e como lembrar dele era difícil e doloroso, porque as memórias me levavam para aquele fim de tarde, quando tudo acabou.
 

Afastei meus pensamentos rapidamente, me concentrando no assunto em que falavam, mas logo me lembrei que encontraria Marília e Bruna na área de acesso dos convidados do Flamengo, o que me fez despedir deles e seguir para o lado oposto.
 

Logo que tive acesso, vi as duas paradas em pé, enquanto conversavam.
 

— Achei que não viria! — Marília falou dramática, e eu revirei os olhos.
 

— Tava trabalhando, desesperada. — Debochei, o que fez Bruna rir.
 

Parei ao lado das duas, depois de abraçar cada uma e logo a agitação dos meninos se fez presente.
 

— Trouxe suas coisas, né? Você não perde essa festa por nada! — Everton disse, rindo.
 

— E vocês me deixam ter meu próprio poder de escolha? Não, querem me enfiar em todo rolê que vão! — Reclamei cruzando os braços, arrancando risadas de todos ali.
 

— Nem vem! — Rodrigo falou — É a nossa despedida das festas até a libertadores, e você combinou que iria.
 

— larga de ser chata, bora viver, pô! — Thuler agitou, passando o braço pelo meu ombro, em um abraço.
 

— Não tenho escolha mesmo — Dei de ombros, e eles me vaiaram.
 

Eles nos prenderam ali por mais alguns minutos, o que foi bom, porque dei várias risadas. Depois, com todo o elenco já reunido, inclusive ele, nos despedimos para que cada um fosse se arrumar para a festa de mais tarde.
 

Saí andando com Thuler, ainda abraçada e nossos olhares acabaram se encontrando. Ele estava sério, pareceu incomodado com algo, mas eu logo desviei, indo com o zagueiro em direção ao estacionamento.
 

...
 

A boate era na Barra, uma que todos nós estávamos acostumados a frequentar.
Acompanhada por Thuler e Reinier, entrei no local, vendo a mesma com uma boa quantidade de pessoas.
 

Para evitar tumulto, logo fomos para o camarote que o time reservou, encontrando Gerson.
 

— Pensei que tinham sido enrolados pela Alice e não viriam! — Gerson gritou, assim que nos viu.
 

O jogador estava visivelmente alterado, o que me fez pensar que realmente tínhamos atrasado ou ele estava queimando a largada.
 

— Culpa do Rei, que demorou um século! — Acusei o mais novo, que me olhou ofendido.
 

— É verdade, foi isso mesmo. — Thuler concordou, o atacante nos olhou, indignado, provocando risadas.
 

— Mete bronca na resenha, galera, isso aqui vai fever hoje! Não abusem das bebidas, principalmente você, Reinier! — O coringa falou, estreitando os olhos para o garoto, nos arrancando risadas.
 

— Ih, me larga que o pai ta online hoje! — Disse, gargalhando com a gente.
 

O camarote era um dos maiores que o local tinha e era bem espaçoso, deixando todos confortáveis. Além de algumas mesas altas, uns sofás, também tinha um bar exclusivo, e por ser no alto, uma vista privilegiada para a pista, no andar de baixo.
 

Os meninos cumprimentaram um por um do time, e eu me limitei a um aceno, queria evitar qualquer contato muito próximo.
 

Percebi que, realmente, chegamos atrasados ao ver que alguns deles estavam quase tão alterados quanto o Gerson, o que era engraçado.
Thuler e Reinier ficaram comigo, me fazendo companhia, enquanto conversávamos sobre assuntos aleatórios.
 

A amizade com eles foi um grande inesperado, ainda mais por termos nos aproximado muito mais, depois que tudo aconteceu. E eles estavam se superando, até me visitar em casa, eles me visitavam, e o mais engraçado era o quanto eram respeitadores, nem mesmo piadinhas eles faziam.
 

— Tu nem tá curtindo, né? — Thuler falou, rindo nasalado.
 

Estávamos apenas eu e ele, um pouco afastados do resto do pessoal. E Reinier tinha ido dar uma volta.
 

— Sei lá, tá tudo tão estranho — ri fraco — estar tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Normalmente, estaríamos grudados, dançando, entende? — Disse, sob o olhar atento do zagueiro, que assentiu.
 

— Tô ligado, tenta esquecer, pelo menos um pouco e curtir com a gente, seus amigos — Falou, e eu ri.
 

— Não tô muito no clima, sério. Vai lá dançar, curtir um pouco e conhecer alguma dessas meninas — Disse, e Thuler me encarou.
 

— Tô suave aqui de companhia para tu — Deu de ombros.
 

— É sério, Matheus. Eu nem tô sendo uma boa companhia, vai curtir. — Falei seria, olhando pra ele.
 

— Quer me expulsar, fala logo. — Debochou, me fazendo rir — Tu devia aproveitar esse puta investimento que tá aqui do seu lado.
 

Gargalhei.
 

— Você tem sido um anjo mesmo, sério. Tu e o Rei, ganharam um espaço no meu coração.
 

Ele sorriu, e eu também.
 

— A gente só quer te ver bem, gatinha. — Apertou meu nariz, e eu fiz careta — bora curtir, vem!
 

Dei de ombros, e ele me puxou até o bar. Enquanto Thuler pedia nossas bebidas, corri os olhos pelo local, vendo que quase todos exageravam na bebida, inclusive Gabriel, que, agora, conversava com duas mulheres e Rodrigo.
 

Revirei os olhos, bufando baixinho e Thuler acompanhou meu olhar, gargalhando enquanto me entregava a longneck de Heineken.
 

...
 

Perdi totalmente a noção de quantas cervejas e, doses de vodka, Matheus e eu tínhamos bebido, sei que foram o suficiente para nos fazer dançar toda e qualquer música que tocasse, bem no meio do camarote.
O que não era ruim, porque desde que as coisas entre mim e o Gabriel tinham acabado, era a primeira vez que eu me divertia de verdade, sem pensar em tudo que tinha acontecido, ou ficava triste por isso.
 

— No estado decadente que eu tô... A tristeza decora essa casa... — Reinier cantou, me abraçando de um lado, enquanto Thuler abraçava do outro.
 

Diego filmava tudo, enquanto gargalhava de nós.
 

— Eu sei que ninguém morre de amor... — Continuei a música, rindo.
 

— Mas cachaça e saudade mata. Ah ô se mata! — Cantamos juntos, de forma alta, rindo para o celular.
 

Estávamos bêbados de fato. Eles mais do que eu, mas estávamos, e o mais impressionante é que nem chegávamos perto do resto do pessoal, Gabriel então, aparentava nem saber seu próprio nome mais.
 

Reinier me puxou para dançar, e abraçados, mesmo que sem jeito, nos divertimos e aproveitamos duas músicas. De cansados, sentamos em um dos sofás ali, e uma música começou a tocar, deixando meu coração apertado.

Me tira uma dúvida aqui
'Cê 'ta bem mesmo ou é só pose?

Tira uma dúvida aqui
O tempo que passou longe de mim
Fez bem ou não te fez tão bem assim?
O que eu sei é que 'tá bad por aqui

 

Foi impossível não fazer uma associação, ainda mais quando meu olhar encontrou o dele, que me encarava intensamente. Era como se Gustavo Mioto, o cantor da música, estivesse ali, cantando para nós dois, e, por um momento, também foi como se todos estivessem parados, nos assistindo.

Será que já se acostumou
A dormir com os dois travesseiros
Não disputar espaço no chuveiro
E acordar sem o meu beijo chato de despertador?
Será que já se acostumou?
(Então, me fala a verdade)

Como é que 'tá seu coração, sozin' sem mim?
E se tiver igual ao meu, que dó, tadin'
Pro nosso bem, escuta a dica
Pega a sua vida e traz de volta pra minha

 

Gabriel começou a caminhar na minha direção e o ar pareceu ficar mais pesado, o que fez meu coração acelerar. Desviei meu olhar para os dois jogadores ao meu lado, que tinham total atenção comigo.
 

Levantei em segundos, caminhando em direção ao primeiro lavabo que achasse, e logo escutei gritos atrás de mim.
 

Me encarei no espelho, me concentrando para não deixar todas as lágrimas escaparem, ou fazer o que não devia, embora quisesse, que era me jogar nos braços de Gabriel.
 

— Alice, fala com a gente! — A voz de Reinier falou, me fazendo respirar fundo.
 

E logo outras vozes falaram, e pude reconhecer a dele, sem entender o que falavam.
 

— Segura a onda aí, irmão! — Thuler falou meio alterado, e eu arregalei os olhos levemente.
 

— Gabriel, cê tá muito bêbado, irmão! Não tem como resolver nada agora. — Uma voz, que parecia do Vinícius, falou, mas não consegui identificar.
 

— Eu vou entrar e falar com ela, me deixa, cara. — Ele disse, embolando todas as palavras.
 

— Alice, tá tudo bem? Eu vou entrar aí, hein! — Thuler gritou, e eu respirei fundo, mas não consegui sair do local.
 

O zagueiro fez o que avisou e entrou no local, e a essa altura eu tinha os olhos marejados. Thuler me puxou para um abraço apertado, deixei um soluço escapar e, sem que tivéssemos tempo para dizer algo, a porta abriu novamente.
 

Gabriel entrou, se desvencilhando de Reinier, Gerson e Vinícius, que vinham logo atrás.
 

— Amor, cê precisa me escutar — Ele falou, com a língua enrolada — Que isso, Thuler, solta ela, cara! — Falou mais alto, olhando o companheiro de equipe.
 

— Fica na moral aí, pô. — O zagueiro falou, e o atacante semicerrou os olhos.
 

— Alice, cê ta com esse cara? Não posso acreditar nisso, pensei que fosse aquele cantor babaca, que vivia te cercando... — Disse, de forma engraçada, ainda mais por estar bêbado.
 

— Cê tá viajando, Gabriel, pelo amor de deus! — Reinier respondeu.
 

— Para com isso, por favor. — Olhei para o camisa 9, tentando manter a calma.
 

— Vocês não estão juntos? — Perguntou, desconfiado.
 

— Pelo amor, óbvio que não! — Falei nervosa, do absurdo que ele estava falando.
 

— É o Dilsinho, né? Cê tá namorando o cantor babaca, Alice? Não faz isso, vai machucar meu coração, eu nem fiz aquilo, foi armação! — Gabriel insistiu, e quanto mais ele falava, mais ficava engraçado.
 

Reinier e Vinícius já não seguravam a risada, enquanto Gerson segurava ele e Thuler ficava quase a minha frente.
 

— Gabriel, não tem Dilsinho, não tem ninguém. Pelo amor, não surta! — Expliquei, quase sem paciência.
 

— Então você não tá namorando ninguém? — Perguntou, mais uma vez, e eu neguei — Namora comigo? — Perguntou algum tempo depois, e eu bufei, enquanto todos gargalhavam.
 

— Não, não namoro. E para com essa porra, eu não tenho que te dar satisfação do que faço, ou com quem estou! Não temos mais nada, e foi você quem fez essa escolha! — Falei, um tanto rude, mas no último fio de voz que tinha.
 

Era muito difícil passar por isso sem me abalar, algum tempo atrás planejavamos nos casar, e até ter uma família, e hoje, brigando no banheiro de uma balada.
As lágrimas foram inevitáveis, isso me machucava demais, e vê-lo assim me quebrava mais ainda.
 

— Me tira daqui, por favor. — Sussurrei para Thuler, que assentiu rapidamente.
 

— Chega de passar vergonha por hoje, Gabigol.
 

Enquanto saíamos, abraçados, ouvi Gerson falar com Gabriel. Thuler deixou um beijo no topo da minha cabeça, e eu o abracei, como agradecimento


Notas Finais


tadinho do gabigol e só um recadinho p Thuler, nem guindaste ok


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