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História Nosso bebê - Capítulo 7


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Capítulo 7 - 06


2 semanas depois.

Carol on:

Haviam se passado duas longas semanas desde o acidente de day.

Os médicos a colocaram num coma induzido por receio dela perde as crianças ou de ter mais complicações.

Não reclamei afinal, eles estudaram mais de cinco anos para isso. Ou seja, sabem o que estão fazendo, quem seria eu pra julgar?

Nesse meio tempo tenho me sentido cada vez mais culpa, pois, querendo ou não a culpa era toda minha.

Não do acidente, pelo que os policiais nos contaram o carro dela perdeu o controle por conta da chuva forte e um motorista alcoolizado bateu na lateral de seu carro.

E se ela não estivesse de cinto teria sido fatal.

Nessas semanas muitas outras coisas também aconteceram, meus amigos, os quais julguei que nunca mais iriam quer ver minha face. Estavam mas perto do que nunca, me ajudando a segurar toda essa "barra".

Exato Elana.

Ela não olhava na minha cara desda briga, apenas conversava comigo para saber de day ou dais crianças.

Não a julgo, pelo que eu sei foi ela quem cuidou da mesma quando eu simplesmente virei as costas para tudo e me fechei num mundinho imaginário.

Lembro bem que no segundo dia de internação, quando tudo estava muito incerto e delicado ela jurou acabar com a minha raça caso algo acontecesse com a day ou com os outros pequenos.

E sinceramente, não tive a coragem de confronto lá.

Nem podia.

Ela estava certa.

E eu errada.

Sou apenas uma covarde.

Enfim, agora estou aqui sentada mais uma vez na recepção do hospital esperando o horário de visitas.

Sim, visitas.

Day ainda estava na UTI ou seja, nós não podemos entrar em seu quarto apenas a observar por uma janela de vidro.

Todos os dias sinto como se uma parte de mim quebrasse.

Ela estava lá, naquele frio e triste quarto, ligada a vários fios, lutando pela vida. Sua vida e dos nossos filhos.

Agora não apenas dela, afinal, nunca foram.

Me sinto imponente , destruída, cansada, massacrada.
Porém, em nenhum momento me permite chorar.

Acho que não sou digna desse feito.

Vocês devem estar se perguntando da família dela.

Bem, quando tudo aconteceu tia Selma e tio César estavam nos Estados Unidos para o aniversário de oito anos da pequena Olívia.

Então só souberam da tragédia após o aniversário da princesa, pois, mais uma vez, me faltou coragem.

Não me senti no direito de estragar a felicidade deles com uma tragédia, embora estivesse falando da filha deles e dos netos.

Mais uma vez fui covarde.

Eles devem chegar hoje pela tarde.

Tenho quase certeza que a dona Selma vai querer até a minha alma.

Não me surprenderia se ela me atingisse com um tapa bem dado.

Na verdade acho que iria agradecer, de alguma maneira aliviaria minha dor.

Menos que seja por míseros segundos.

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Agora estou aqui a observando pela vidraça.

Hoje ela finalmente teve alguma melhora significativa e isso aqueceu meu coração.

Se tudo ocorrer bem, hoje mesmo ela será transferida de quarto e quem sabe amanhã retirem os sedativos.

Deus, como estou rezando para tudo ocorrer bem.

Olhei para o relógio, são exatamente três e meia da tarde.

O horário de visitas tem durabilidade de exatas meia hora.

Ou seja, seus pais não chegariam a tempo de visitá-la.

Estou ansiosa para esse encontro.

Temo pelo coração cardíaco de tio César.
E pela pressão baixa de tia Selma.

Fernanda me ligou para avisar que daqui a uns dias também viria. Só precisava resolver umas coisas do trabalho e da escola das crianças.

Não sei se eles sabem da briga.

Provavelmente não.

Porém, logo eles iriam saber.

Prometi a mim mesma não esconder nada deles. Se eles quisessem me crucificar que fizessem. Estariam no seu direito.

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Tinha recém saído do local de vistas, eram três e trinta e três.

Voltei para a recepção, não sairia daqui nem tão cedo.

Qualquer novidade, não importasse a sua proporção estaria lá.

Ansiosa por respostas.

Ansiosa por melhoras.

É engraçado né? A poucas semanas atrás estava espumando de ódio. Agora estou entrando em desespero por medo.

Não sei o que me dói mais, se é o remorso que vem me torturando cada dia mais. Ou se é saber que o motivo de tudo isso é culpa minha.

Se eu não tivesse surtado.
Se não tivesse batido nela.
Se eu tivesse ido atrás dela no mesmo momento que o arrependimento nasceu...

Será que ela teria sofrido tudo isso?

Será que todos os nossos pequenos estariam conosco?

Será que tudo estaria bem, na medida do possível?

Essas perguntas e entre outras tiravam o pouco sono que me restava.

Dor.
Lágrimas.
Culpa.
Medo.
Cansaço.

Esses são os adjetivos que me definem nesse exato momento.

Estou em meio ao caos.

Pior que cego em tiroteio.

Sem falar que quando contei para a minha mãe e para o resto da minha família eles me chamaram de tudo menos de Santa.

"Como você teve a capacidade de fazer algo do tipo para essa menina?!"

Renan falava com muita raiva.

"Sinceramente Caroline estou decepcionado com você".

Meu pai repetia.

"Não te criei para isso, que vergonha".

Minha mãe me disse.
Eles me ligaram quase todos os dias para saber dela e dos netos e sobrinhos.

Já o Rafa, ele veio correndo quando soube de tudo.

Me xingou? Sem dúvidas. Me deu um belo de um sermão porém permaneceu ao meu lado me dando apoio e suporte.

Acho que se ele tivesse virados as costas não teria conseguido lidar com toda essa barra.

Alguns dias atrás minha mãe ligou pedindo desculpas e mandou eu me alimentar e dormir para estar sorrindo quando ela acordasse.

Mais acho que eu sou a última pessoa que ela vai querer ver.

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Agora são oito e meia, tia Selma acabou de me mandar mensagem avisando que tinha chegado.

E eu estava mais nervosa que tudo.

Além de estar visivelmente esgotada.

Mais uma tapa emocional, mais palavras de culpa, mais um fardo.

Se mereço tudo isso? Com toda a certeza do mundo sim.

Mais uma vez não consegui comer, apenas fui para casa tomar banho e trocar de roupa.

Numa UTI tudo se era incerto.

Ela poderia estar bem e outra hora definhando.

Só ficarei tranquila quando os médicos me afirmarem que para lá ela não volta mais...

Passou mais um tempo exatamente quinze minutos, nesse meio tempo tia Selma avisou que tio César estava indo para o nosso apartamento.

Ele iria deixar as coisas e ir dormir para logo cedo trocar de turno comigo e sua esposa.

Mais não farei isso, minha culpa minha responsabilidade.

Não posso deixá-la aqui, mesmo que seja com a sua mãe.

Não posso descansar.

Mais um tempo se passou, agora não posso ter a certeza de quanto.

Estou tão ansiosa que nem consigo focar.

Tô pior que a blogueirinha no difícil de focar.

Só saio do meu próprio mundinho quando sinto mãos delicadas tocando meus ombros  me chamando com seu toque.

Olho para cima.

E lá estava ela.

Minha sogra tia Selma.

— Carol? - a mesma sorrir fracamente para mim.

Retribuo o resto me levando.

— Tia Selma... - não sei o que falar para a mesma, não sei como devo me portar, nem se devo olhala.

— Ela vai sair dessa meu anjo, Dayane é uma mulher forte - pelo incrível que pareça suas palavras me trouxeram um pouco de conforto.

Bem pouco.

Olho para a mesma tentando segurar minhas lágrimas.

— Me perdoe... A culpa é minha... Me perdoe... - minha voz embarga e começo a repetir as mesmas palavras milhares de vezes.

E sem perceber acabo me ajoelhando no chão frio do hospital, implorando pelo seu perdão.

— Carol... Por favo meu anjo... Não se culpe, não é sua culpa...- ela repetia tentando sem sucesso me fazer levantar.

Acho que tomada pelo cançaso a mesma para de tentar.

Não arrisco olha-lá, acho que não teria forças para ver mais olhares de ódio.

Ela se afastou.

E logo me surpreendeu, se ajoelhou junto a mim e começou a falar baixinho no meu ouvido.

— calma criança... Eu sei de tudo... Desda briga... A culpa não é toda sua... Por favor não se culpe... Calma Carol-  não sei o que pensar.

Era para ela estar me xingando certo?

Ela para ela ter falado todas as coisas mais impuras para mim.

Ela deveria me odiar não?

Deveria jogar toda a culpa em mim?

Esse é o certo né?

Sinceramente não entendo mais nada, não consigo distinguir o certo do errado a única coisa que consigo no momento fazer é:

Me permitir chorar.
Chorar tudo que estava entalado na minha garganta.

Tudo que estava ferindo minha alma.

Tudo que estava me destruindo.
Os medos.
As inseguranças.

Tudo.

Em meio ao choro apenas recebo de tia Selma carinho e reconforto.

Ela acareciava minha costas num sobe e desse delicado, igual day fazia.

Chorei mais ao lembrar dela e dos últimos acontecimentos.

Que eu estraguei.

Ela sussurrava em meu ouvido.

"Vai ficar tudo".

"Calma".

"A culpa não é sua".

E pedia para mim chorar.

E dito isso, eu chorei.

Chorei como se minha vida dependesse disso.

Chorei como de o mundo inteiro fosse acabar.

E ao contrário de tudo que imaginei, estava me sentindo mais leve, como se um fardo saísse de mim.

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Continua...



Notas Finais


Beijos até os próximos capítulos.

A história está chegando ao fim, teremos apenas mais 4 capítulos.

Vejo vocês nos comentários um beijo da tia


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