História Nosso Clichê - Dramione - Capítulo 8


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Categorias Harry Potter
Personagens Astoria Greengrass, Blásio Zabini, Daphne Greengrass, Draco Malfoy, Gina Weasley, Harry Potter, Hermione Granger, Luna Lovegood, Minerva Mcgonagall, Narcissa Black Malfoy, Neville Longbottom, Pansy Parkinson, Personagens Originais, Ronald Weasley, Simas Finnigan, Ted Lupin, Theodore Nott
Tags Draco Malfoy, Dramione, Hermione Granger, Hogwarts
Visualizações 1.457
Palavras 3.838
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção Adolescente, Hentai, Magia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Aqui vai o de hoje! Meus queridos leitores!

Espero que gostem!

Divirtam-se!

Capítulo 8 - Pesadelos


POV Hermione

Depois de um demorado banho e de colocar bastante comida no comedouro de Juli, eu aproveitei o silêncio do quarto individual para organizar a escala de rondas da semana. A professora McGonagall havia sido clara sobre tentar integrar os monitores o máximo possível e eu tentei mesclar as casas para que todos interagissem. Minha gatinha estava deitada em minhas pernas, observando tudo o que eu fazia e isso me fez rir.

— Você quer ser monitora chefe, é? – Brinquei, afagando suas orelhas para em seguida voltar ao trabalho.

Eu estava quase terminando de passar a tabela à limpo quando um grito masculino soou. Um grito de pavor que fez July pular de susto e se esconder entre os travesseiros.

Eu me coloquei de pé em um pulo e saí correndo do quarto, com a varinha em riste. Imediatamente eu corri para o salão, que estava vazio. Então eu fui para o banheiro, que também não tinha ninguém. Só me restava um lugar. O quarto do Malfoy.

Foi quando outro grito soou. Eu não entendi muito bem o que foi dito, mas o grito com certeza havia vindo do quarto dele. Mil coisas passaram pela minha cabeça: ele podia ter caído e se machucado, ele estava sendo atacado por alguém, ele estava com dores…

Girei a maçaneta e tentei abrir a porta, mas ela estava trancada. Dei três batidinhas, esperando que ele a abrisse, mas não tive resposta.

— Draco! – Bati mais vezes na porta e ele não respondeu. – Draco, está tudo bem?

Nada.

— Draco! – Eu gritei, agora esmurrando a porta.

— SOCORRO! – Ele gritou e eu arfei.

— Droga, Draco! Responde! – Gritei e ele não respondeu, então eu peguei a minha varinha e apontei para a fechadura, com a mão trêmula. – Alohomora!

A fechadura se destrancou em um “click” e eu finalmente consegui abrir a porta e entrar no quarto, que era iluminado apenas pela luz do luar. Draco estava se mexendo brutalmente na cama, seu corpo torcido com espasmos medonhos, enquanto ele gemia e choramingava.

Com um floreio de varinha eu acendi as velas e pude ver o seu rosto vermelho e molhado de suor.

— NÃO! – Ele gritou desesperado, se encolhendo. – SOLTA A MINHA MÃE! SOCORRO! SOCORRO!

— Draco, acorda! – Eu pedi, dando um apertãozinho em seu braço.

— ME SOLTA! ME SOLTA! – Ele implorou, chorando. – DEIXEM ELA EM PAZ!

— Draco! Draco, acorda, por favor! – Eu o chamei, mais uma vez, começando a me desesperar.

— NÃO! MÃE, CUIDADO! SOCORRO! – Ele esperneava e eu, pensando na única solução para acordá-lo, peguei o cálice de água sobre o criado mudo e despejei seu conteúdo sobre o seu rosto. Draco se sentou, assustado, após um último grito.

Suas costas subiam e desciam pela respiração ofegante e ele apertava seus olhos.

— Merlin, que pesadelo horrível. – Ele sussurrou, passando as mãos pelo rosto.

— Você está bem? – Eu perguntei e ele pulou de susto, olhando pra mim. Seus olhos passando de medo para fúria e depois para horror em poucos segundos.

— O que você está fazendo aqui? – Ele me olhou, como se tivesse medo de mim e eu franzi o cenho.

— Você estava gritando e eu…

— Você não tinha que ter feito nada. – Ele me interrompeu de forma grosseira e eu ergui as sobrancelhas. – Está esperando o que? Caia fora do meu quarto.

— Mas você…

— Saia do meu quarto! – Ele gritou. – Agora, Granger!

— Malfoy, eu só… – Murmurei, andando até a porta e ele me seguiu.

— Fora daqui! – Mais um grito soou, enquanto ele batia a porta do quarto na minha cara.

— Idiota! – Eu gritei para a porta e marchei de volta para o meu quarto, para desabafar com a minha gata, que estava com as patinhas dianteiras apoiadas sobre as grades do pé da cama, tentando observar o que acontecia lá fora. – Mas que ingrato! Você viu só como ele me tratou? Da próxima vez eu deixo ele se estrebuchar até morrer! Babaca!

Eu me deitei e me cobri com o edredom, ainda o xingando mentalmente. Juli se deitou encostada em minha barriga e eu acariciei seu dorso até pegar no sono.

O dia logo nasceu e eu tive que me levantar para ir para o primeiro tempo de aulas, mas me sentia feliz por estar de volta, muito feliz. Vesti o meu uniforme e me olhei no espelho, sorrindo com o que vi. Já estava com saudade de usar aquele uniforme e ser uma aluna normal de uma escola de magia. Juli me encarava curiosa e eu sorri.

— Volto de noite. Vou deixar bastante comida para você. E o seu novelo de lã preferido. – Afaguei sua cabeça e ela ronronou em resposta, o que me fez rir.

Separei todo o meu material das aulas do dia em uma bolsa e saí do quarto. Para a minha surpresa, Draco já estava acordado, sentado em uma das cadeiras, com os cotovelos apoiados na mesa e o rosto coberto pelas mãos.

Não me preocupei em dar bom dia, ainda mais depois da recepção que tive ao acordá-lo de um provável pesadelo. Após uma respirada funda, eu marchei em direção à saída do salão, mas ele me interrompeu, segurando o meu pulso.

— O que você quer? – Eu perguntei, perdendo a minha paciência e soltando o meu braço de seu aperto. Draco suspirou.

— Me desculpa pelo jeito que eu te tratei essa madrugada... – Ele pediu e eu ergui as sobrancelhas, incrédula. Se ele achava que ia me tratar mal e um pedido de desculpa idiota iria resolver tudo, ele estava muito enganado.

— Esquece. – Revirei os olhos e saí do salão, notando que ele me seguia.

— É sério. Me desculpa. – Ele insistiu. – Eu não quis ser grosseiro.

— Tá, Malfoy! Já sei. Mas não adianta pedir desculpas e fazer a mesma coisa horas depois. Vou logo avisando que não vou tolerar isso.

— Granger, me escuta…

— Malfoy, eu só quero tomar o meu café da manhã e ir para a aula em paz, tá? – Eu dei um apertãozinho em seu ombro e segui o meu caminho para o salão principal, onde os meus amigos me esperavam na mesa da minha casa.

— Bom dia, raio de sol. – Gina abriu um sorrisão e eu forcei um sorriso, me sentando ao lado de Ron, que abraçou meus ombros distraidamente.

— Bom dia. – Eu respondi, irritada, pegando uma torrada e a besuntando com cream cheese.

— A nuvem negra do mau humor se instaurou sobre a sua cabeça ou o que? – Gina perguntou e eu suspirei. – Noite difícil?

— Não… – Encolhi os ombros. – Só não me acostumei com o quarto novo, mas vai passar. Como foi a noite dos primeiranistas?

— Eles se comportaram. – Rony falou, despreocupado. – Os meninos são maneiros.

— As meninas também não me deram trabalho. – Gina garantiu, me aliviando.

— Que ótimo. – Eu sorri.

— A Mérope é uma gracinha. – Gina sorriu. – Ela estava dividindo seus doces com uma coleguinha de quarto.

Eu apenas sorri, mordendo mais um pedaço da minha torrada.

— Que desânimo é esse? – Harry franziu o cenho. – Você quer conversar?

— Não. Tá tudo bem. – Limpei a boca com um guardanapo. – Eu só quero ir para a aula. Transfiguração. Estou ansiosa. – Encolhi os ombros. – Vamos?

Eles se entreolharam, mas se levantaram e me seguiram até a sala da professora McGonagall. Gina se sentou ao lado de Harry e eu me sentei na carteira em frente a eles ao lado de Ronald, que apoiou o seu braço no encosto de minha cadeira.

Havia um gato andando de um lado para o outro sobre mesa da professora e eu suspirei, pegando um caderno e colocando a data no canto superior da folha, como eu sempre fazia.

— Mione, o que você acha de irmos até a torre de astronomia mais tarde? – Rony propôs e, por se tratar de mais uma investida eu decidi negar.

— Não posso, eu tenho ronda.

— Mas não é você quem faz a nossa escala? Troca com alguém.

— Não posso. – Eu fiz uma careta. – Eu sou monitora chefe tenho que dar o exemplo, lembra? E desmarcar uma ronda é um péssimo começo.

— Então me coloca para fazer a ronda com você. – Ele sugeriu com um tom de obviedade que me irritou.

— Não! A diretora me mandou mesclar as casas.

— E você vai com quem? Com o Malfoy?

— Rony, isso não vem ao caso agora. – Eu respondi, mantendo os olhos no papel.

— Você que sabe. Eu tentei, Hermione, mas não venha correr atrás de mim depois. – Ele ameaçou e eu segurei a risada incrédula enquanto os outros alunos entravam na sala. Só me faltava essa, pensei. Um grosso e um ego inflado.

Quando todos já estavam sentados em seus lugares, o gato que andava sobre a mesa se transformou na professora McGonagall e todos aplaudiram como sempre, fazendo-a dar um sorriso satisfeito. Eu já não me sentia tão animada assim para aplaudir, mas o fiz da mesma forma. Quando a bagunça cessou, a professora me encarou, com as sobrancelhas erguidas em questionamento.

— Senhorita Granger, posso saber por que o senhor Weasley está sentado ao seu lado?

Olhei de Rony para ela algumas vezes, hesitando antes de respondê-la.

— Desculpe, professora, mas eu não entendi a pergunta. – Franzi o cenho e ela torceu os lábios em uma expressão severa.

— É claro que eu te disse que os monitores chefes devem permanecer juntos durante as aulas, para servir de exemplo de convivência para os outros alunos.

— Na verdade, eu não sabia. Mas eu posso mudar de lugar, sem problemas. – Respondi, recolhendo o meu material de cima da mesa e me levantando.

— Não. – Ela me interrompeu. – Vocês devem se sentar na frente em todas as aulas. Senhor Malfoy, por favor, faça a gentileza se trocar de lugar com o senhor Weasley.

— Sim, professora.  – Ele disse e, após colocar sua mochila nas costas, se apressou para se sentar onde a professora havia indicado, ao meu lado. Ele deu um sorriso frouxo que eu correspondi, antes de olharmos para frente. Rony não gostou muito da mudança, mas não foi como se tivéssemos escolha. Ele teria de lidar com isso.

— Assim está melhor. – McGonagall sorriu. – Hoje vamos aprender a teoria da transfiguração humana. Quero um metro de pergaminho sobre esta matéria em minha mesa na semana que vem, porque eu preciso saber que todos vocês estão bem na matéria antes de partirmos para as aulas práticas, afinal, não queremos acidentes.

— Pode ser em duplas? – Blásio perguntou do fundo da sala.

— Claro. Você e a sua pena. – Ela respondeu e a turma inteira riu do sonserino, que soltou um muxoxo de chateação. – Bom, para começarmos quero que vocês, com a pessoa que está sentada ao seu lado, leiam o capítulo três de seus livros e debatam sobre as técnicas de transfiguração. Depois disso iremos conversar todos sobre as melhores e mais seguras técnicas. Podem começar.

— Bom, acho que teremos que trabalhar juntos. – Draco encolheu os ombros, escondendo um sorriso e eu revirei os olhos, abrindo o meu livro de transfiguração no capítulo solicitado.

Por incrível que pareça, nós concordávamos na maior parte dos tópicos sobre a segurança e o modo de fazer os feitiços, o que não nos deu muito espaço para debates e o que fez com que terminássemos de falar sobre a matéria antes das outras duplas, então Draco puxou um assunto fora de contexto.

— Vi que hoje é a sua ronda, mas eu não estou com você. Com quem você vai?

— Com a Parkinson. – Respondi, simplesmente e ele arregalou os olhos.

— Com a Pansy? – A surpresa em sua voz me incomodou. – Você é louca? Vocês vão se matar!

— Acho que nós já somos bem grandinhas para usarmos as regras da boa convivência. Afinal, trabalharemos por um ano em uma equipe, precisamos tentar algum tipo de interação.

— Boa sorte. – Ele deu um sorriso maldoso, que me fez revirar os olhos.

O resto da aula fluiu normalmente até o momento em que o sinal tocou e nós fomos liberados para almoçar. Saí da sala sem trocar mais nenhuma palavra com ele e segui meu caminho para o salão principal. Como sempre, me sentei com os meus amigos na mesa da Grifinória e me servi um prato pequeno de comida, já que não estava com muita fome naquele dia.

— Hermione. – Gina sussurrou, enquanto os meninos falavam sobre vassouras com Neville. – O que houve? Você me parece chateada.

— Depois eu te conto. – Sussurrei de volta e ela olhou para os lados e depois fez a proposta.

— Vem comigo no banheiro?

— Sim. – Eu sorri, me levantando e pegando a minha mochila para ir com ela até o banheiro mais próximo, que ficava no fim do corredor. Ela me puxou para dentro de uma cabine sanitária, fechou a porta e me encarou.

— Ok. Pode falar. – Ela sussurrou. – O que foi que aconteceu?

— O Draco teve um pesadelo ontem. Estava gritando e se debatendo, todo suado, com o rosto vermelho. Foi horrível. Aí eu o acordei e ele foi um estúpido comigo. – Eu bufei, revirando os olhos. – E então hoje cedo ele me infernizou durante todo o caminho até o salão pedindo desculpas e ficou tentando puxar assunto durante a aula

— Ah, Mione, pega leve! Talvez ele só não quisesse que você o visse daquela forma...

— Mas eu estava só querendo ajudar! Quero dizer… O que você faria se visse alguém se debatendo e gritando desesperado enquanto dorme?

— Eu sei, eu entendo, mas o que você faria no lugar dele?

— Não sei. – Eu fiz uma careta. – Sei lá, mas não seria escrota com quem tenta me ajudar!

— Você falou “escrota”? – Ela cobriu a boca com as mãos para segurar a gargalhada.

— Falei! – Revirei os olhos. – E daí?

— Você falou escrota! – Ela zombou. – Eu não acredito!

— E falo de novo! Escrota, escrota, escrota!

Ela caiu na gargalhada e eu cedi ao riso também, me sentando no vaso e encostando a cabeça na parede, exausta.

— O que vai fazer depois das aulas? – Ela perguntou, lendo as pichações da porta.

— Ronda com a escrota da Pansy Parkinson. – Eu respondi, fechando os olhos, enquanto escutava Gina rir. – Por que eu fiz isso? A gente vai acabar se matando! Eu que escolho a ronda da semana e me boto em uma enrascada como essa. Sou muito burra.

— Eu não sei, mas se for o caso, acaba com aquela vaca por mim.

— Ai, meu Deus! Eu amo você! – Eu a puxei para um abraço. – Você é a melhor.

— Eu também, eu também. – Ela riu e me deu um beijo no rosto. – Mas é melhor a gente sair daqui, antes que pensem que a gente está fazendo coisas erradas nesse banheiro.

— Vamos voltar para o salão. – Eu sorri, abrindo a porta da cabine e saindo com ela logo atrás de mim.

— Tenta pegar leve com o Malfoy, ele está sendo ignorado por todo mundo e esses pesadelos não devem ser nada legais. Ele deve estar apavorado. Eu estaria, no lugar dele.

— Ok, juro que vou tentar. Mas ele tem que aprender a controlar o seu  temperamento. – Eu discuti e ela revirou os olhos, com humor.

— Tá bom… Vai nessa. – Ela riu e nós voltamos para o salão. Mérope estava sentada ao lado da minha cadeira, comendo uma tigela de purê e prestando atenção na conversa de Rony com Harry.

— Onde é que vocês foram? – Rony perguntou.

— Banheiro. – Respondi simplesmente  voltando a comer do meu prato.

— Fazer o que? – Harry franziu o cenho e Mérope bufou ao meu lado.

— Crochê. – Ela respondeu ácida e nós todos caímos na gargalhada, até mesmo Harry, que percebeu a falta de noção de sua pergunta.

— Eu adoro essa garota. – Gina riu, abrindo sua bolsa e dando um sapo de chocolate pra ela. – Aqui, como recompensa pra você não deixar esses dois folgarem com você!

— Valeu. – Ela abriu um sorrisão e eu sorri, passando a mão em seu cabelo encaracolado.

— Como foi sua primeira aula?

— Foi legal. – Ela sorriu, animada. – História da Magia, aprendemos sobre a idade média. É horrível o que faziam com as bruxas na época. Dá pra acreditar que queimavam elas em fogueiras?

— Eu concordo. – Sorri. – Era muito cruel! Bando de gente ignorante.

— Eu fico me perguntando o que aconteceria se os trouxas soubessem de nós. Será que se revoltariam e tentariam nos matar?

— É uma boa pergunta. – Encolhi os ombros. – Quem sabe? Eu tenho uns livros lá no meu salão com algumas teorias sobre isso, se você quiser, pode ir até...

— Meu Deus, Hermione, você achou alguém tão nerd como você! – Ronald fez uma careta e eu sorri orgulhosa, acabando de comer e abandonando o garfo na mesa. Ser nerd não era uma coisa ruim. A vida dele havia sido salva várias vezes pela nerd que perdia tempo estudando, então eu apenas mandei-o calar a boca mentalmente e segui com os meus planos, olhando as horas no relógio que estava no pulso da garotinha.

— Ah, meu Deus! Tenho aula de Runas em oito minutos. – Disse, já me levantando e recolhendo o meu material. –  Vejo vocês mais tarde.

***

Depois de um dia cansativo de aulas eu fui para o meu quarto descansar um pouco antes de ir para a ronda noturna.  Estava exausta e sem vontade de fazer mais nada, mas eu era uma monitora chefe arcaria com as responsabilidades deste cargo antes de deitar em minha cama e dormir o meu merecido sono.

Tomei uma ducha rápida, para acordar, vesti uma roupa confortável por baixo da capa da escola e prendi o cabelo em um coque bagunçado, apenas para não deixá-lo embaraçar. Quando deu dez horas da noite em ponto, eu saí do quarto, dando de cara com Pansy no meu salão comunal. Ela estava sentada ao lado de Draco e eles conversavam aos sussurros sobre algo que parecia ser um segredo muito, muito sério, então eu pigarreei para chamar a atenção deles.

— Olá… – Forcei um sorriso e Pansy se colocou de pé na mesma hora.

— Aí está você. – Ela deu um sorriso sem graça, olhando de mim para Draco algumas vezes. – Está pronta?

— Estou. – Assenti.

— Tem certeza que não querem que eu vá com vocês? – Draco franziu o cenho e Pansy riu.

— Você está duvidando das nossas capacidades de defesa? – Ela estreitou os olhos. – Só porque somos mulheres?

— Claro que não. – Ele revirou os olhos, como se o que ela tivesse acabado de falar fosse patético. – É só que...

— Ótimo! – Ela o interrompeu. – Então vamos, Granger!

— Até mais tarde. – Draco, derrotado, acenou para ela com a mão e eu saí andando pelos corredores ao lado de Pansy Parkinson.

Ficamos em silêncio durante três ou quatro andares e, quando estávamos nas masmorras ela falou comigo pela primeira vez, em um tom de voz baixo e constrangido, como se ela tivesse medo de mim.

— O Draco me contou o que você fez por ele no Beco Diagonal.

— É? – Ergui as sobrancelhas. Não esperava que ele fosse contar aquilo para alguém. Estava surpresa.

— Foi bem legal da sua parte. Não imagina o bem que o fez.

— Obrigada, mas não foi nada demais. Eu faria aquilo por qualquer pessoa.

— Eu imaginei… – Ela riu pelo nariz e continuou andando com uma careta em seu rosto.

— Algum problema? – Eu franzi o cenho e ela negou com a cabeça.

— Olha, Granger… Eu… – Ela suspirou, revirando os olhos. – Esquece.

— Não, fala. – Pedi, curiosa. – Por favor...

— Tá, olha… Eu nem devia te falar isso e, se o Draco souber, ele me mata. Então não fala nada pra ele.

— Ahn… tá… Eu posso fazer isso. – Torci os lábios e ela engoliu a seco antes de começar.

— O Draco me contou que você o viu com os terrores noturnos.

— Terrores noturnos? – Franzi o cenho, intrigada. – É assim que chama?

— Ele não está tão bem quanto parece. Ele não está nada bem, droga! – Ela suspirou e se sentou em um banco do corredor. Eu apenas cruzei os braços tentando entender onde ela queria chegar. – Eu me preocupo porque ele está desabando aos poucos. Ele é o meu melhor amigo e eu não suporto vê-lo assim. A tia Cissa está sendo vigiada pelo ministério, o Lucius preso, ele sozinho…. Ele sente tanta culpa por tudo o que houve e ele passa por coisas horríveis todas as noites naqueles pesadelos. É horrível até de se ver, você estava lá, você viu…

— Vi. – Assenti.

— É só que durante todo esse tempo depois da guerra eu cuidei dele. – Ela murmurou, agora desesperada. – Ele é um doce quando confia em quem está por perto, eu juro. Ele é um príncipe, mas ao mesmo tempo é um menininho que precisa de amor e atenção.

— Ele não me parece um menininho. – Considerei a forma que ele me tratou na noite anterior e encolhi os ombros.

— Mas ele é. – Ela limpou uma lágrima que escorreu por seu rosto. – E eu não posso mais cuidar dele o tempo todo, ele está morando longe do meu salão. Tiraram ele de mim e ele está sozinho.

— Parkinson, por favor, vá direto ao ponto. Por que você está me falando todas essas coisas?

— Por favor, cuida do Draco! – Ela pediu, desesperada. Os olhos cheios de água. – Ele precisa ficar bem, Granger. Ele me contou que foi rude, mas ele não fez por mal, ele se assusta quando acorda de repente e se sentiu envergonhado por você vê-lo frágil daquele jeito.

— E o que eu devo fazer quando esses terrores acontecerem? – Perguntei, por via das dúvidas e uma sombra de esperança passou por seu rosto.

— Contato físico ajuda. Afeto. As vezes só um toque em sua mão já é o bastante. Ele se acalma e volta a dormir tranquilo pelo resto da noite. Sem gritos e sem jogar água na cara.

— Só pode ser brincadeira. – Minha risada foi recheada de sarcasmo e Pansy bufou. – Eu vou ter que fazer carinho nele? Por que você não pede logo pra eu cantar uma canção de ninar?

— Nunca tentei, mas talvez dê certo. – Ela respondeu, ríspida. E depois respirou fundo para recuperar o tom humilde que usava antes. – Escuta, Granger, ele precisa de ajuda. E você mora naquela porcaria de salão com ele, é a única que pode fazer isso, então por favor, só se coloca no meu lugar. Se fosse o Potter ou o babaca do Weasley e só eu pudesse ajudá-los, você não iria fazer de tudo para que eu o fizesse?

Aquilo sim era um bom argumento. Se o Harry, o Rony ou a Gina passassem por essas coisas, eu iria apé até o inferno para tentar ajudar. Após um suspiro eu assenti com a cabeça.

— Tá, você está certa… eu vou tentar ajudar como eu puder.

— Obrigada! – Ela me abraçou, parecendo aliviada, as lágrimas escorrendo livremente por seu rosto. – Muito obrigada! Eu não sei como te agradecer!

— Tudo bem. Tá bom. Já chega. – Eu me afastei e desamassei a minha capa. – Precisamos terminar a ronda, o Draco está sozinho.

— Tem razão, você tem toda razão. – Ela pigarreou, alisando sua capa e voltando a andar para disfarçar seu constrangimento. – Me desculpe. Eu só estou aliviada por ele finalmente poder ficar bem. Você não sabe o bem que está fazendo pra ele.

— Tudo bem, Parkinson, só… Vamos continuar? – Perguntei, fugindo do assunto e andando à sua frente para o próximo corredor.

— Vamos. – Ela murmurou após um suspiro e me seguiu. Seria um ano diferente, definitivamente.

 


Notas Finais


Não se esqueçam de comentar, hein?

Vou ficar esperando!

Até o próximo! Beeeeeijos!


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