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História Nosso Futuro - Capítulo 9


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Capítulo 9 - Em Busca De Respostas


Capítulo Nove

 

Pov’s Jiraiya.

 

A última vez em que meus dedos estiveram tão trêmulos quanto agora foi no dia em que eu toquei minha guitarra por duas horas seguidas, em um ensaio para a apresentação do Ensino Médio. Naquela época, meus dedos ficaram inchados e tive alguns cortes pela força em que esfregava minha pele nas cordas da guitarra, e agora, eles estão apenas trêmulos mas não por eu ter ensaiado algo, mas sim pelo o que eu presenciei hoje mais cedo.

Um caminhão de carga quase matou Tsunade, mas ela se salvou apenas esticando sua mão. Ela parou aquele automóvel com sua força, e tenho medo de eu estar ficando maluco. A última coisa que eu quero é parar em um sanatório como aconteceu com a minha mãe.

Me arrependi de ter brigado com Tsunade, eu deveria ter me controlado, mas saber que ela viu os meus desenhos e as músicas me deixou nervoso. São coisas muitos pessoais, e eu nunca tive coragem para contar a alguém sobre os sonhos que ando tendo desde a minha infância infeliz. Um amigo me recomendaria ir em um psicólogo; o psicológico me indicaria o terapeuta; e o terapeuta me levaria para um hospício no final da sessão.

A única pessoa que consegui pedir ajuda foi para Madara. Tsunade desapareceu, e eu não sei mais o que fazer. Preciso contar para ele o que aconteceu hoje mais cedo para ele poder me ajudar, mesmo sabendo que terei que contar a ele que voltei a ter os pesadelos já faz... 3 dias. Desde que Tsunade retornou à Tokyo venho tendo os pesadelos e não consigo dormir a noite. Tudo aponta que Tsunade tem algo haver com meus desenhos e músicas, mas não é só isso, tem algo a mais.

— Parece perturbado. — Ouço Madara se aproximar de mim.

Fiquei esperando por ele em seu escritório, já que as enfermeiras me disseram que ele não chegou a sair do hospital de fato.

— Na verdade, estou apavorado. — Desabafo.

— O que houve entre você e a Tsunade? — Ele cruza os braços me olhando com uma certa desconfiança.

Não vou julga-lo de desconfiar-se de mim, ele é muito apegado a sua sobrinha, e só quer protegê-la. Mas tenho um pouco de vantagem, já que Madara também cuidou de mim indiretamente.

— Nós brigamos hoje mais cedo, por causa dos meus quadros.

— Você andou pintando de novo? — Agora Madara parecia desapontando por eu não ter contado a ele. — Achei que tivesse superado esses traumas.

— E superei! Mas... — Sinto uma pequena crise de ansiedade me invadir. — Meus pesadelos retornaram do nada, e eu precisei desenhar para me conter.

— Quanto tempo?

— Faz três dias.

— Então foi por isso que a Tsunade estava tão assustada quando veio me ver.

Arregalo os olhos quando Madara admite que ele estava sim com ela esse tempo todo.

— Você mentiu pra mim?!

— Ela estava comigo na hora que você me ligou, mas como eu prometi pra Tsunade que não iria dedurar sua localização tive que mentir. Ela está segura.

— Onde ela está?! Preciso falar com ela!

— Nawaki levou ela pra casa, achei melhor levá-la até a família para passar o final de semana. Vai ser bom pra ela. Agora, precisa-mos falar de você...

— Eu preciso falar com ela! Só ela tem as respostas de que preciso!

— Do que você está falando, Jiraiya? Me diz o que está te perturbando tanto. — Pede Madara preocupado.

Madara sempre foi como um irmão mais velho pra mim, na verdade, é quase um pai. Sei que se eu mostrar a ele o que vi hoje de manhã ele vai manter segredo.

— Preciso te mostrar uma coisa. — Pego meu celular e abro na minha galeria de fotos. Procuro pela fotografia que tirei do caminhão que quase atropelou Tsunade e mostro para Madara. — O que acha disso?

— É uma puta batida. — Analisa Madara. — Mas o que um caminhão de carga amassado tem haver com a Tsunade?

— Foi a Tsunade que causou a batida. — Revelo para ele, e sua reação não poderia ser diferente. Madara me olhou confuso, depois observou a foto de novo e voltar a olhar para mim, com uma expressão indiferente.

— Jiraiya, o que diabos está acontecendo com você? Bateu a cabeça? — Ele me pergunta. Eu sabia que ele iria duvidar de mim.

— Madara, me escuta, tem alguma coisa de errada com a Tsunade. A perda de memória dela, aquele selo na testa, a força bruta... — Aponto para a foto do caminhão no meu celular. — Nada é por acaso. Não tenho certeza se de fato é a Tsunade, parece que estou convivendo com uma estranha...

— Você está estranho! Está deduzindo que a minha sobrinha adquiriu poderes sobre-humanos? Super força? Sério?

— Eu não estou maluco! — Soco a parede com toda a minha força. Madara fica em silêncio e eu engulo seco.

— Eu não disse que você está maluco, não fique com medo de ter herdado a “doença” da sua mãe. Tem cura, e você pode lidar com isso. Você se tornou um homem talentoso, e agora irá iniciar a carreira dos seus sonhos, então não deixe pequenas ilusões o atrapalharem.

Mordo meu lábio com tanta força que sinto o gosto do meu próprio sangue. Tenho vontade de gritar, tirar toda a minha indignação do meu peito, mas serei julgado se eu fazer tal loucura.

— Há chances de eu ver a Tsunade? — Mudo de assunto.

— Deixe o fim de semana passar, assim que tudo se acalmar eu vou mandar uma mensagem. — Diz Madara tocando no meu ombro. — Enquanto a você, eu sugiro que cuide da sua saúde e fique na sua carreira. Se precisar de mim, sabe onde me encontrar.

— Ok.

Por eu saber que Madara queria ir para casa descansar eu me despedi mais cedo e fui embora do hospital. Eu poderia pegar um táxi para ir pra casa, mas depois de tudo o que aconteceu hoje, sinto que preciso de respostas. Tsunade não é mais a mesma, e de alguma maneira ela está ligada aos sonhos esquisitos que me perturbam a infância toda e uma parte da minha vida adulta. Preciso contactar alguém que saiba tudo sobre história e coisas sobrenaturais, e eu sei exatamente quem entende bastante sobre o assunto.

Disco o número de Lenon no meu celular e ele não demora muito para a atender.

— Fala, Jiraiya.

— Lenon, você está onde agora?

— Em casa arrumando minha bateria, por que?

— Em vinte minutos estou passando aí.

Hey, hey, como assim você...?

Desliguei antes mesmo de Lenon me proibir de ir na casa dele, é de extrema urgência. Chamei um táxi e consegui chegar alguns minutos antes do previsto, e por sorte Lenon não teve tempo de trancar a porta.

— O que deu em você? — Pergunta Lenon me esperando na entrada.

— Vamos para o seu quarto. — O empurro para dentro.

— Que papo é esse de “vamos para o seu quarto”, você não era hétero, não?!

— Cala essa boca, seu mente poluída! — O xingo puxando-o para o seu quarto.

Lenon sempre foi fanático por mangás e HQ’s, sem falar o quanto ele ama histórias de épocas, incluindo sobre evolução humana. Vamos ter um longo dia pela frente.

— Da pra me dizer do porque veio até a minha casa sem a minha autorização? — Lenon me pergunta ajeitando sua camiseta que por acidente eu amassei.

— Preciso de algumas informações. Você entende sobre a história do surgimento da humanidade, religiões e afins, certo?

— Posso dizer que é um assunto muito interessante, mas não sabia que você curtia essas coisas.

— Presenciei algo que me fez ter curiosidade em história. Principalmente sobre mitologias.

— O que você gostaria de saber? — Lenon senta na sua cadeira gamer em frente do seu computador, e eu continuo em pé.

— Hoje em dia, é possível um ser humano ter... super poderes?

— Tá zoando, né? — Lenon queria rir da minha cara, mas como eu continuei sério ele não teve coragem para fazer tal coisa. — Somos humanos, Jiraiya. Não somos ninjas ou deuses.

— Por que ninjas teriam poderes? Ele não são especialistas somente em artes marciais?

— Depende. — Lenon se levanta e vai até sua estante de livros procurar por um específico. — Existe uma história de como o nosso mundo foi criado, envolvendo a religião, e também há relatos que as primeiras guerras foi causadas devido a uma deusa chamada Kaguya. No início dos tempos, os “ninjas” foram humanos que se desenvolveram através dessa deusa por uma árvore divina plantada no solo da nossa terra, e os ninjas possuíam habilidades elementais como fogo, água, terra e relâmpago. E até mesmo eram extremamente fortes.

— Fortes capazes de parar um caminhão de carga com apenas uma mão?

Lenon me olhou torto quando fiz essa pergunta, que para ele era algo aleatório e estranho, mas que para mim significava tudo.

— Sim, se ninjas existissem hoje em dia eles poderiam fazer muito mais do que só parar um caminhão de carga com a mão. — Lenon finalmente encontro o livro que ele estava procurando e me entrega. — Abra na página 106.

Folheio o livro até a página que Lenon me instruiu, e ao encontrá-la fico sem reação.

— O conto do Galante Jiraiya, a saga dos Sannins Lendários... — Leio o título em voz alta.

— Era esse conto que a sua mãe contava pra você na infância, não é? — Como Lenon me conhecia desde pequenos ele chegou a conhecer a minha mãe antes dela ser internada. — Foi dessa história que ela se inspirou no seu nome, certo?

— Os personagens dessa história eram ninjas, não eram? — Tento me recordar. Faz anos que não leio esse conto, pois ele sempre me fazia ter pesadelos. Pesadelos esses que voltaram a me atormentar.

— Sim, todos eles. — Lenon aponta para as figurinhas nas páginas que continham os rostos em miniatura dos Sannins. — Cada um era mais do que só ninjas, eles tinham tanto chakra que podiam invocar animais gigantes, como o sapo, lesma e cobra. Foi desse conto que surgiu o ditado do pedra, papel e tesoura.

— O que é chakra?

— Chakra é uma energia espiritual que os humanos possuem, mas desde que a evolução humano se desenvolveu mais rápido hoje em dia as pessoas não tem mais as técnicas para usar o chakra. Pelo o que eu estudei faz dois mil anos desde que o último humano capaz de usar chakra existiu. Depois disso, o mundo tornou-se isso que vivemos hoje.

— Você acredita que ninjas, sapos gigantes e chakra realmente existiram?

— Bem, o mundo é enorme e possui seus mistérios. Essas lendas podem ter sido verdades, ou podem ser somente histórias passadas por gerações.

Continuei a visualizar as páginas do livro, e teve uma que conseguiu prender meu foco. A página era a 112, e nela contava a biografia e o surgimento de uma personagem do folclore do “Galente Jiraiya”.

— Tsunade. — Murmuro ao ver o desenho do rosto de Tsunade, porém não era exatamente a Tsunade que eu estava costumada.

A figura apresentada no livro era de uma mulher bem mais velha, com cabelos longos escuros e um kimono japonês da cor verde, e a única coisa que assemelhava ela com a minha Tsunade era o diamante roxo em sua testa.

— Ela é linda, né? — Elogia Lenon olhando para o desenho da princesa das lesmas no livro. — A história da princesa Tsunade sempre foi a minha favorita. Ela tinha poder de cura, acredita?

— Cura?

— O chakra dela podia curar as pessoas, sem falar o quanto ela era forte. Tem uma história que conta que ela conseguiu partir um campo de batalha ao meio usando somente a força do pé, sem falar que os socos que ela dava poderiam matar um humano facilmente.

O flashback de Tsunade amassando o capô do caminhão me invade com essas informações, e isso causa um arrepio no meu corpo. Acho que tudo está se encaixando, só tem uma coisa que não está batendo. Se a Tsunade realmente é a princesa das lesmas do folclore, como que ela está viva nesse mundo, sendo que ela existiu a três mil anos atrás? Ela é imortal?

— E quanto aos poderes dos outros Sannins?

— Orochimaru era o Sannins das serpentes, ele podia invocar essas criaturas gigantescas com o seu sangue, sem falar nas inúmeras habilidades que ele tinha. E o Jiraiya nem se fala, o cara era foda demais, ele tinha o poder dos sapos e conseguia fazer esferas de vento com as mãos.

Algo surgiu na minha cabeça, semelhante a uma lembrança borrada, e a imagem que apareceu para mim era a seguinte: Eu era uma criança, e estava perdido em um vale cheio de árvores com o dobro de um tamanho normal, e havia vários sapos de todos o tipos ao meu redor, porém eles eram do tamanho de prédios, ou até maiores.

— Você foi o escolhido para treinar em nosso monte, criança humana. — Um sapo que fumava um grande cachimbo diz para mim.

— Eu?

— O destino tem muitos planos para você.

A lembrança, ou ilusão, somem da minha cabeça e retorno para o quarto de Lenon. Ele estava me olhando incrédulo, acho que fiquei viajando por longos minutos.

— Cara, você está bem? Está suando demais. — Comenta Lenon.

— Só estou com calor.

Tiro o meu casaco e fico só de blusa regata, porém antes de me sentar Lenon segura meu corpo e me olha assustado.

— Caralho, Jiraiya, você brigou com alguém?

— Claro que não.

— Que porra é isso no seu corpo? Você tá cheio de hematomas.

Me olho no espelho do guarda-roupa e fico de boca aberta ao ver vários hematomas em meu ombro e costas. Há também um grande arranhão no centro das minhas costas, e tenho quase certeza de quem foi que causou isso. Ontem a noite, no momento em que eu e Tsunade estávamos fazendo amor, senti o quanto ela estava me apertando com uma força anormal, mas eu achei que era tesão devido ao momento caloroso que estávamos tendo.

— Eu devo ter dormido de mal jeito. — Ignoro meu reflexo no espelho e volto a me concentrar no livro. — Eu posso levar seu livro pra casa? Prometo que devolvo essa semana.

— Você sabe como eu sou amante por literatura, se esse livro chegar amassado ou sujo vou bater na sua cabeça com as minhas baquetas. — Ameaça Lenon.

— Ele vai retornar em suas mãos sem nenhum arranhão.

Me despeço de Lenon e pego outro táxi para voltar pra minha casa. Mesmo estando próximo do meio dia eu não consegui comer direito, fui direto para o meu estúdio e comecei a ler aquele livro do início ao fim. Era um livro sobre mitologia japonesas, e de teorias do nosso mundo. Havia histórias sobre a Raposa de Nove Caudas; Amaterasu; Deuses de outros planetas; Ensinamentos de Chakra e até mesmo sobre os Ninjas.

O que me deixou admirado foi saber que Tokyo surgiu por cima de uma pequena vila chamada “Konoha”, e esse nome não me era estranho. Acho que eu sonhei com esse lugar, devo ter comentando em meu diário. Vasculho as folhas do meu caderno sobre os meus pesadelos de infância e encontro o nome Konoha mencionado por mim mesmo no diário.

— Eu sabia que eu não estava ficando louco. — Vasculho mais informações em meu diário.

Ganhei esse diário da Sky no meu aniversário de vinte e quatro anos, e desde então escrevi sobre tudo o que acontecia em meus sonhos, e procurei por cada palavra desconhecida. Achei uma referência da Raposa em sigla de Kyuubi no diário, e procurei pela mesma no livro de mitologia de Lenon. Foram cinco páginas contando a história de Kurama, e então outra coisa me veio à mente.

— Eu a desenhei!

Não a desenhei ao todo, mas uma parte dela aparece em um quadro meu, e o encontro jogado no chão. Foi o quadro que chutei hoje de manhã. Quando eu tinha dezesseis anos desenhei este bebê com uma criatura alaranjada de nove caudas em volta dele, e por eu ser jovem eu não sabia qual o significado, mas agora eu sei. O que me deixa assustado é o fato de eu sonhar com essas “mitologias” como se eu tivesse vivido elas, e eu mal ouvia sobre essas histórias na minha juventude, sempre achei o folclore japonês algo entediante, e agora cá estou: Fanático em descobrir sobre mitologia por estar desconfiado de que uma princesa de três mil anos atrás veio à Tokyo em um passe de mágica e que há uma conexão entre ela e eu.

— Ou eu pirei, ou o mundo não é mais o mesmo. — Suspiro chegando na página dos Sannins Lendários.

A história da Princesa das Lesmas de fato era algo fantástico e triste, mas por causa das experiências que tive estou um pouco apavorado. Não entendo porque só eu estou vivenciando isso. Talvez Tsunade tenha as mesmas respostas, afinal ela havia me dito algo semelhante quando brigamos mais cedo, mas eu não a deixei terminar.

Meu celular vibra e vejo uma mensagem de Madara na tela.

Madara — 14:43HS

Ela se lembrou dos pais. Estamos tomando café no quintal, contei para a família sobre o estado de Tsunade e eles compreenderam com a melhor reação possível. Eles estavam preocupados com ela.”

Desbloqueio minha tela e respondo sua mensagem.

Jiraiya — 14:47HS

Ótimo, isso me deixa aliviado.”

Antes que eu desligasse meu celular Madara me responde na hora.

Madara — 14:47HS

Não quer passar aqui mais tarde? Tsunade está mais calma agora.”

”Jiraiya — 14:48HS

Estou ocupado, vou dedicar meu final de semana para ajeitar meu estúdio. Está uma bagunça”

”Madara — 14:48HS

Fico preocupado quando você entra nesse estúdio. Não acha melhor voltar a tomar seus remédios?”

Aperto minha mão com firmeza no celular, e tenho certeza de que se eu tivesse a mesma força de Tsunade o aparelho teria quebrado em meus dedos. Respiro fundo e demoro um pouco para respondê-lo, Madara sabe o quanto odeio tomar aqueles remédios. Se ele descobrir que nas últimas vezes joguei as pílulas na privada ele vai me mandar pra sala de exames e temo com os resultados.

Jiraiya — 14:51HS

Eu estou bem.”

Parece que Madara não ficou satisfeito com a minha resposta, não demorou pra ele começar a me ligar, mas o ignoro. Deixo meu celular no silencioso e o guardo dentro da gaveta para voltar a concentração na minha leitura.

***

Pov’s Tsunade.

 

Desde o momento em que pisei na mansão da minha família nunca mais tive interesse em sair. Além de Nawaki ter reencarnado, meus pais também estão tendo suas segundas vidas em Tokyo junto do meu avô Hashirama. Mamãe quase me estrangulou ao me ver, ela herdou seu temperamento explosivo outra vez, algo que puxei dela, mas no fim ela caiu no choro e me abraçou por vários minutos. Papai sempre manteve sua postura serena, um homem calmo e gentil. Eles não mudaram em nada. Meu avô também herdou o mesmo rosto, mas estava com um nome diferente, agora ele se chama Elias.

Meu avô é casado com Madara, e eu quase desmaiei quando descobri que ele não era exatamente meu tio, e também por ele ser o marido do seu ex rival do passado. Madara me explicou que meu avô é bissexual, e que na sua juventude ele se casou com uma mulher, a minha avó, mas logo depois que mamãe nasceu eles se divorciaram por falta de amor. E então Elias conheceu Madara e se apaixonaram.

Ainda não me acostumei de ver meu avô de mãos dadas com Madara, chega a ser uma cena bizarra por causa a história que eles tiveram no passado. Mas pensando por outro lado, eles até que acabaram combinando, por mais estranho que pareça.

— Vai querer mais chá, querida? — Mamãe me oferece mais uma xícara.

— Não, eu já estou satisfeita.

— Você se lembra de como é Paris? Pode descrever a cidade? — Pergunta papai.

— Eu... Não lembro exatamente. — Gaguejo apertando meus joelhos.

— Eu disse que ela ainda está se recuperando. — Fala Madara terminando seu café. — Tenham paciência, o importante é que ela se lembra de vocês.

— E aquele canalha? Você ainda tem alguma lembrança do desgraçado? — Pergunta meu avô irritado.

— Elias! Não seja grosseiro com a Tsuna. — Pede Madara com mais tranquilidade.

— Você está falando do Dan? — Pergunto incomodada.

— E de quem mais eu estaria falando? Nunca aprovei o namoro de vocês, muito menos o casamento.

— Eu sei que casei com ele, mas não sei como foi nosso casamento. — Digo um pouco nervosa.

— É melhor ele não estar envolvido na ferida da sua cabeça e na perda de memória, ou eu mato ele.

— Vai ter que entrar na fila, Papai. — Diz mamãe bebericando seu chá.

Parece que todos aqui odeiam Dan mais do que Jiraiya. Nawaki quase se engasga com seu café por ter segurado uma risada da discussão entre nossa família a respeito do casamento da minha reencarnação, mas isso tudo me deixou desconfortável.

— Eu vou no banheiro.

— Não demore, meu amor. Queremos passar cada minuto ao seu lado. — Papai beija minha mão antes de me afastar.

É emocionante tê-lo de volta em minha vida assim como o resto da minha família. A nossa casa é uma mansão enorme, e agora eu entendi a diferença entre o apartamento de Jiraiya para a casa dos meus pais. Eu devo ser alguém de grande riqueza, e Jiraiya é alguém mais humilde. Isso explica mais ainda do motivo do meu outro eu ter sido gananciosa ao ponto de rebaixar Jiraiya apenas pelo financiamento dele.

Assim que cruzo o corredor que leva a escada de mármore o telefone fixo da casa toca, o que desperta minha curiosidade, pois seria a primeira vez que eu poderia falar com alguém a quilômetros de distância de mim. Como eu fiquei ansiosa em saber como era a sensação decidi que iria atender.

Pego o telefone e o levo em meu ouvido, e por não saber o que dizer fiquei em silêncio nos primeiros segundos, e assim que abri minha boca uma voz feminina fez eu perder todas as falas que organizei na minha cabeça.

— Mamãe? Papai? Alguém está me ouvindo?

Perco o fôlego ao ouvir a minha reencarnação falando comigo do outro lado da linha, e não consigo mexer um músculo do meu corpo. É uma voz igual a minha, até a respiração chega a ser a mesma.

— Alo? Nawaki, é você na linha? Por favor, alguém fala comigo.

Apesar das coisas horríveis que meu outro eu fez, não fiquei zangada, pelo contrário, eu fiquei preocupada. Pelo jeito que a voz está se pronunciando ela parece estar aflita e desesperada.

— Olha, eu sei que alguém está me ouvindo, e por não estarem me atendendo devem estar chateados por tudo o que aconteceu entre nós. Mas por favor, retornem essa ligação assim que puderem... Eu... Estou com saudades e... — A voz da outra Tsunade começou a choramingar. Ela está chorando silenciosamente. — Preciso ouvir as vozes de vocês pelo menos uma vez, então liguem para mim. E, se puderem, peçam para o Jiraiya retornar minhas chamadas. Acho que ele me bloqueou nas redes sociais, porque nunca mais consegui enviar qualquer mensagem pra ele. Se puderem fazer esse favor pra mim vou ficar agradecida...

— Tsunade? — A voz de Madara murmura atrás de mim, alto o bastante para a outra Tsunade ouvir.

— Tio? É você que está aí?

Desligo o telefone antes de causar uma enorme confusão e fico ofegante, mas tento não transparecer.

— Quem era no telefone? — Pergunta Madara.

— Ninguém. Acho que era uma brincadeira sem graça.

— Esses trotes dos adolescentes... — Madara desliga o aparelho para não deixá-lo tocar mais, o que me deixa mais aliviada. — Pronto, agora eles não nos perturbam mais. Venha, seu avô foi buscar os cookies para nós.

— Posso fazer uma pergunta? Porque você me disse que era meu tio sendo que casou com meu avô? Isso faz de você meu avô também, não?

— Eu odeio quando você ou seu irmão me chamam de “vovô”, não estou preparado para aceitar que estou ficando velho. Por isso pedi para que ambos me chamem apenas de “tio”, mas Nawaki adora ir contra as regras.

Acabo rindo com a informação de Madara, e ele também pareceu se divertir. Nós dois seguimos juntos até o quintal, mas mesmo que os cookies do meu avô estivessem saborosos nada tirou o telefonema que tive com a minha reencarnação da minha cabeça. Minhas mãos estão um pouco trêmulas, pois eu estaria em uma grande encrenca se qualquer outra pessoa da minha família tivesse atendido aquele telefone, mas por sorte fui eu. Outra coisa que me deixou preocupada é saber que minha reencarnação está tentando ter contato com Jiraiya, não entendo porque ela está o procurando. Ela o humilhou, se mudou com Dan para outra cidade e prometeu nunca mais ver o rosto de Jiraiya. Depois de todas as coisas que a minha reencarnação fez, porque ela está querendo voltar atrás?

 



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