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História Nosso maldito Fluxo - Capítulo 111


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Notas do Autor


voltei meu povo

Capítulo 111 - O inicio de suas novas vidas. Parte 4.4 Lagrimas e Sorrisos


Fanfic / Fanfiction Nosso maldito Fluxo - Capítulo 111 - O inicio de suas novas vidas. Parte 4.4 Lagrimas e Sorrisos

~ Point Of View Bruna Adrian Ferrari On ~

 

 

Durante todos esses meses, eu não tive muito contato com outras pessoas, fora os médicos, psicólogos, terapeutas, e a minha família, eu não conhecia absolutamente ninguém naquela cidade.

E no fundo, eu ainda não queria conhecer ninguém.

Eu já havia aceitado, mesmo que doa feito o inferno, mesmo só de pensar faça os meus olhos se encherem de lagrimas e ficarem ardidos.

Eu já havia aceitado esse fato.

Eu fui estuprada e espancada pelo meu ex, e pelo meu melhor amigo. Ou ex melhor amigo.

Meu primeiro e único amigo.

No fundo eu sabia que algo dentro de mim havia se quebrado, e mais no fundo ainda, depois de toda a terapia e conversas, eu sabia, eu sei que eu sabia.

Eu não conseguiria confiar em mais ninguém, não conseguiria me abrir ou conhecer mais ninguém, eu me sentia frágil, sim eu me sinto, eu sou frágil. Admito isso, reconheço isso.

A três meses atrás eu havia tentado ser forte, havia tentado sair, fazer caminhadas, tentar voltar para a sociedade e fazer coisas que pessoas normais fazem.

Foi uma semana legal.

Mas com apenas um deslize, todo o meu esforço para ser forte e continuar a seguir em frente se foi. Com apenas um toque de um desconhecido. Eu surtei.

Passei dias sem conseguir sair de debaixo dos cobertores, sem sair do quarto, sem comer, sem conseguir dialogar com ninguém.

E foi depois dessa longa semana, depois de curtas conversas com a Lena e varias idas ao terapeuta com a mamãe e a titia irmã da mamãe, que eu descobri um pouco mais sobre mim, sobre meus problemas.

Sobre o que toda aquela merda me causou.

Tanto Lena quanto os outros médicos que estavam me acompanhando, afirmaram que alem de TDAH eu tinha desenvolvido a Síndrome do pânico.

Depois de saber disso foi bem mais fácil aceitar que eu estava verdadeiramente doente.

E então o tratamento se intensificou, e os remédios se multiplicaram, foram os meses mais difíceis, os efeitos colaterais estavam me deixando louca, mas mamãe fazia de tudo para que eu não surtasse. Fazíamos exercícios em casa, ela me instigava a estudar e ler livros, sempre se mantendo perto, com seus olhos atentos sobre mim.

Eu sabia que ela não queria me ver ter mais crises, que ela estava dando tudo de si para me ver melhorar, que ela me observava a todo momento, eu me sentia acolhida por isso.

Por sentar aos seus pés e assistir TV enquanto ela lia um livro ou assistia comigo, mexendo em meus cabelos, massageando os meus ombros, ou apenas apoiando a sua mão contra o topo da minha cabeça.

Eu me sentia segura com o seu toque. E estava completamente anestesiada por aquele sentimento de segurança e carinho, sentada aos seus pés, quando o meu corpo sentiu a presença dela.

Eu senti.

Meu coração sentiu.

Minha alma.

Antes mesmo de olhar para ela, eu sabia que ela estava ali.

Mas não tive reação, não consegui me mover, a sensação era tão boa e ao mesmo tempo tão desesperadora, meu coração parecia enlouquecer e o calor inundou o meu corpo, foi como se tivesse pegando fogo por dentro.

Eu me sentir tremer, tremer de uma forma tão gostosa e descontrolada, todo o meu corpo tremia, o peso do meu corpo parecia ter se duplicado, pois quando levantei do chão, senti uma carga ser posta sobre as minhas costas.

Mas ainda assim, eu não parei, não consegui parar, não queria parar, eu precisava tocar nela, tocar em suas marcas, nas cicatrizes, na sua pele, naquele cabelo incrivelmente curto e lindo.

Minha ansiedade me dominou, meus olhos se apertaram e eu literalmente corri ate os seus braços.

Eu precisava daquilo, dos seus braços, do seu cheiro, da sua presença, dela, só dela, dos seus abraços quentes e firmes, do seu carinho cuidadoso e amoroso, do seu olhar cheio de amor.

Estava me segurando para não chorar, cada célula do meu ser parecia lutar contra mim, mas a sua voz veio, sua voz pareceu vibrar todo o meu corpo.

Sua pouca fala, com o tom de voz rouco e carregado.

Eu não suportei, eu não consegui segurar as lagrimas.

E elas não era ruins, não, pelo contrario. Era como um sonho sendo realizado. Ouvir ela falar isso enquanto me tem em seus braços.

Simplesmente o meu maior sonho.

 

 

.

.

.

Mesmo depois de horas, mesmo depois de ter lhe dado varios e varios e varios beijos, minha mente não conseguia para de me fazer viajar, parar de olhar para o seu rosto, eu me sentia novamente agir no automático.

Depois do tempo que passamos no quarto, Lena foi quem nos fez voltar para a sala. E observar a Lara abraçar e receber tapas e xingas da mamãe estava sendo o meu passa tempo favorito. Ver o seu sorriso, ouvir a sua voz e risada, ver os seus olhos se moverem para me olhar enquanto ela sorria e recebia outro tapa da mamãe.

Ela nunca deixaria esse lado brincalhão dela. Eu sei que não.

E depois de toda a diversão, conversas, brincadeiras, foi como se o tempo tivesse parado naquele momento. Três horas depois de Lara ter aparecido do nada, ela estava ali, na sala, com roupas folgadas e curtas, seu cabelo e ombros molhados e um olhar atento sobre mim.

Eu me senti nervosa, grunhi baixinho e ela sorriu atraindo ainda mais a minha atenção, seu sorriso poderia me matar.

Respirei fundo, tomando coragem de me aproximar, de repente toda a impulsividade de mais cedo havia se esvaído do meu corpo, eu me sentia nervosa perto dela, por estar com ela, ainda não havia entendido esse nervoso todo, mas sentia como se estivesse convulsionando internamente.

Ela me esperou pacientemente, com seus olhos cerrados, grudados em mim, aquela regata amarrotada curta mostrando uma cicatriz enorme na lateral do seu quadril, juntamente com aquele short de algodão curtíssimo que me mostrava as suas coxas grossas.

Deus.

Eu vou morrer.

- buuh.. – engoli em seco sorrindo de nervoso e ela suspirou lento, passando a mão nos cabelos, fazendo os fios se inclinarem para trás.

Ai papai..

- eu, eu to aqui – murmuro ainda tremula, me sentando ao seu lado.

Por algum motivo ela parecia ter envelhecido, seus traços estavam mais fortes, ela estava mais forte na real, seu corpo parecia ter crescido uns dez centímetros brincando.

- vem ca baixinha – sua voz me puxou de volta do fundo da minha mente, me fazendo olhar para ela novamente e me perder em suas cicatrizes. Sua mão estendida me fez lhe tocar timidamente, e logo ela estava me puxando para perto, deitando contra o sofá, me trazendo junto consigo.

Isso me fez lembrar do passado. De quando éramos crianças e deitávamos juntas no sofá. De quando dormíamos juntas na mesma cama.

- você lembra.. ? lembra de quando deitávamos assim na mansão ? – minha voz veio baixa, meu rosto estava contra seu pescoço, mas eu soube, pelo contrair de suas veias, que ela estava sorrindo.

Meus dedos se arrastaram pela lateral do seu corpo ate tocarem na curva do seu pescoço.

- obvio que sim. A gente dormia no sofá e mamãe nos levava juntas para a cama. – ela continuava sorrindo, com suas mãos alisando as minhas costas em uma caricia gostosa.

- eu sinto falta disso.. – meus olhos se fecharam lentos, por conta do seu carinho em meus cabelos. aspirei o seu cheiro lentamente, afundando o meu rosto contra o seu pescoço ainda mais.

- eu também Buuh.. eu também. – lentamente a sua voz foi se tornando distante, meu corpo foi ficando pesado. E quando percebi, eu já estava em um sonho onde a família toda estava reunida para uma festa. E todos pareciam aceitar e gostar da minha relação com a Lara.

 

E de repente, a escuridão apareceu, meus olhos se ofuscaram e o desespero tomou conta de mim. eu sabia onde isso daria.

Era sempre esse mesmo sonho. Uma sala escura, picos de luz rápidos,  o rosto do Rafael e do Brian cobertos de sangue enquanto gritavam comigo, riam de mim, me chutavam e me arrastavam pelos cabelos pelo vazio.

Meu corpo se movia afoito, desesperado, minhas mãos se agarravam a algo que eu não sabia o que era, minha voz presa na garganta se misturava com a minha respiração desesperada e ofegante.

- Bruna. Hey. BRUNA! – meus olhos se arregalaram, trêmulos, cheios de lagrimas, tudo embaçado e tomado pela escuridão da noite. – esta tudo bem Buuh. Eu to aqui. – sua voz me tirou do fundo do desespero, funguei baixinho me agarrando ainda mais ao seu corpo, apertando ainda mais a sua blusa minúscula, me encolhendo ainda mais contra os seus braços. – hey..

Senti a sua mão quente e um tanto áspera tocar o meu rosto, elevei os meus olhos lentamente ate encontrar o brilho dos seus olhos.

- esta tudo bem. Ninguém nunca mais vai tocar em você. Nunca. – meu ofegar afoito a fez olhar para os meus lábios, e isso me fez esquecer todo o medo e a afobação por apenas dois segundos.

Ate que a sensação de ter os seus lábios se encaixando aos meus me fez fechar os meus olhos, lentamente o meu corpo foi relaxando. Lentamente minha mente foi se acalmando, meus dedos trêmulos foram segurados por suas mãos, e logo nossos dedos estavam se encaixando, se cruzando, se abraçando.

O seu beijo parecia ser a única coisa que me fazia sair do fundo do inferno. Sair do inferno que eram aqueles sonhos. E da crise.

Seus lábios se moviam lentos e carinhosos sobre os meus, nossos nariz se tocavam, sua testa se encostou na minha enquanto ela empurrava o seu rosto carinhosamente, tocando pele com pele.

Meus olhos voltaram a se abrir quando ela se afastou e deslizou sua boca pela minha bochecha, dando beijos e mais beijos carinhosos.

- esta tudo bem. – ela repetiu baixinho, lentamente eu consegui relaxar, estiquei as minhas pernas contra as suas, envolvendo-as, me grudando ainda mais contra o seu corpo. Sentindo a sua respiração calma se chocar contra o meu rosto.

Foram varios minutos assim.

Nessa mesma posição, ate suas mãos abandonaram as minhas para rodearem as minhas costas, em um abraço gentil e seguro.

- ainda é madrugada Buh.. dorme.. – sua voz veio baixinha, vibrando pelo meu corpo, me fazendo apertar as suas roupas e deitar o meu rosto contra o seu pescoço.

- não.. não consigo. – eu senti pela contração de seus ombros e pescoço que ela se inclinou para me olhar, e eu busquei o seu rosto, encontrando uma expressão tranqüila.

- você tem os pesadelos todos os dias ? – aceno lentamente, olhando em seus olhos brilhosos. – eu sei como é isso.. mas. Comigo é diferente. – seu murmúrio baixo me chamou a atenção, algo em seu tom denunciava seu cansaço. – o que você sabe sobre.. a nossa herança de sangue ?

 

Eu me senti apreensiva com isso, eu sabia sobre tudo o que os Ferraris faziam, fizeram, viveram, e também, sobre o lema da família.

Lena e mamãe me contaram toda a historia, todas as historias, dos nossos primos distantes que herdaram nossas característica, e dos primos dos nossos primos.

Eu sabia que a cidade foi basicamente povoada pelas famílias que a criaram e lentamente todos foram se tornando parentes, lentamente a cidade foi crescendo, lentamente pessoas novas estavam se interessando pelo grande empreendimento que nossos antepassados estavam fazendo aqui em Denver.

Eu sabia. Sabia sobre toda a historia da criação de Denver e de como isso chegou a uma guerra infernal durante esses últimos meses. Mamãe havia me contado tudo, Carlos mantinha contato com ela todo esse tempo, afinal querendo ou não, toda a herança dele será nossa se por um acaso ele for preso ou morto.

- eu sei de bastante coisa.. sei que nossa família assim como todas as famílias que fundaram Denver, tinham um lema, e também uma compulsão comum pelo genes puro. Fazendo os seus herdeiros se casarem com parentes próximos, de primeiro a terceiro grau, quanto mais próximo fosse, mais forte seria o genes, e mais intenso seria a herança de sangue. E que a herança de sangue dos Ferrari é a capacidade de agüentar grandes cargas de energia e adrenalina sobre o sistema nervoso e corpo, isso acaba causando picos de estresse intenso, e surtos psicóticos. É algo contado a gerações sobre nossos herdeiros e lideres, seus surtos de adrenalina. – de repente agora fazia todo o sentido, Lara não tinha só TEI. Ela era uma possível herdeira do sangue da família.

Meus olhos se arregalaram lentamente, procurei o seu rosto encontrando o seu sorriso fraco e de lado. Ela sabe que eu sei.

- eu tinha me esquecido de como você consegue facilmente aprender as cosias, mesmo com o seu TDAH. – ela sempre disse isso, que eu tinha, ate mesmo antes dos professores falarem sobre no colegio, ela sempre me observou viajar no espaço e tempo, sempre esperando eu sair da minha cabeça para poder lhe responder ou ao menos lhe dar atenção.

Ela parecia gostar disso. gostar de me observar.

- você.. o que realmente aconteceu com você.. essas marcas, essas cicatrizes, eu realmente não me importo com elas, ate mesmo lhe dão um charme a mais, mas.. eu me preocupo. – resmungo baixinho, passando os meus dedos pelo seu rosto, havia uma cicatriz enorme no seu lábio, cortando o mesmo,  no seu nariz havia outra cicatriz na horizontal bem entre os olhos. Na sua sobrancelha havia umas três cicatrizes cortando as mesmas, mesmo que as sobrancelhas estivessem em perfeito estado, sua pele estava ali, marcada, profundamente.

E puta merda havia um pequeno buraco cilíndrico na lateral da ponta da sua orelha. Eu não conseguia deixar de encarar aquele pequeno machucado, parecia ser ate mesmo de propósito.

- eu.. eu entrei para a gangue do papai. E la o seu subordinado, o ex líder, não gostou da minha chegada, ele armou uma emboscada pra mim. nessa emboscada varias e varias pessoas tentaram me espancar. Algumas conseguiram. Estou com um leve problema de convulsão por causa disso alias.. eu tive uma concussão na cabeça, alem de alguns vasos que quase incharam. Os médicos disseram que eu poderia facilmente ter um AVC em qualquer momento. Mas ainda assim.. eu.. eu seguir continuando, seguir estando com o carlos, e logo em seguida, Clarck me fez segui-la. – meus olhos estavam arregalados, trêmulos, marejados. Ter noção de que ela poderia ter morrido a qualquer momento me faz embrulhar o estomago.

Lara se ajeitou contra a cama, inclinando o corpo, ficando quase sentada, me puxando para o meio de suas pernas.

Apoio o meu rosto contra o seu peito e seguro a sua mão, entrelaçando os nossos dedos.

- eu.. eu segui a Clarck. Sabe.. estava próxima a tudo, as desgraças e tristezas, ao desespero e as mortes. Ela.. – seus olhos se moveram lentamente na minha direção, ela parecia pensar no que dizer. Ou nas palavras corretas. – Bruna eu.. eu matei pessoas.. eu torturei pessoas.. eu.. eu me deixei sucumbir pela insanidade. E por dias, por inúmeros dias, eu não consegui lembrar o seu rosto ou a sua voz. Nem a da mamãe ou a da lua, eu.. eu só esqueci. De repente eu me vi cercada pelos mortos pelo sangue pela loucura pelo vazio. – seus olhos estavam fixos contra os meus, ela segurou na minha bochecha com a outra mãos, me mantendo perto de si.

Seu toque conseguia me mostrar boa parte do que ela passou.

Suas mãos tinham cicatrizes, sua pele estava mais grossa, e seus dedos mais enrugados.

Não era feio ou assustador, era ela. Dura, grossa e áspera por fora. Mas por dentro, ela era um amor. E eu acredito nisso.

- eu pensei que não conseguiria olhar para você. Estava com medo de você não me reconhecer, de não me aceitar, de.. de me achar uma assassina. – sua voz tremulou, seus lábios se tencionaram.

Segurei rapidamente em suas bochechas, me ajeitando em seu colo, sentando de frente para ela.

Mesmo depois de tudo isso, mesmo depois de passar por tudo isso.

Ela ainda consegue ter medo de algo tão..

 

- hey.. lembra de quando encontramos aquela senhora no acampamento de verão no oitavo ano ? – seus olhos se apertaram, ela me encarou confusa, com seu cenho franzido.

Meu sorriso cresceu e ela continuou a me encarar.

- sim.. eu lembro.. tinhamos nos perdido no primeiro dia, e ninguém percebeu, então ficamos uma semana no meio da floresta sozinhas. – sua voz baixa e confusa me fez sorrir ainda mais. Lembrar disso me faz ter vontade de voltar aquela floresta.

- e então aquela senhora que vivia no meio da floresta nos encontrou.. nos disse que éramos como o Yin e o Yang. Que você era o meu mal e eu seu bem, que éramos complementos uma da outra, e que nunca deveríamos nos afastar caso contrario nossa vida viveria em desequilíbrio. Você não acha que ela estava certa desde o inicio ? – seus olhos se elevaram lentamente, hoje em dia eu sabia que aquela mulher era uma bruxa, o jeito que ela vivia demonstrava isso, juntamente com a sua sensibilidade e empatia, ela parecia ser a própria natureza em uma forma humana.

- eu.. eu sei que aconteceu bastante coisa depois de nos separarmos, tanto em casa quanto depois de você vir para Miami. Eu.. eu sei disso. – Lara murmurou confusamente, encarando um ponto fixo antes de voltar a me olhar. – você.. você esta dizendo que não me culpa pelo o que eu fiz ? – sua constatação me fez sorrir.

- veja bem Lara.. quando estamos separadas, deixamos o nosso pior lado vir a tona, eu sei como é. Quanto mais tempo passava sem você, eu me sentia enlouquecer, mesmo estando com a mamãe, não ter você era como não ter uma parte de mim. mesmo que eu tenha melhorado bastante, eu ainda me sentia vazia sem você. mesmo que eu tenha aceitado e “superado” certas coisas, eu ainda me sentia incompleta. Não me importa se você esta diferente, se te falta um pedaço de pele, ou se você surta quando alguém se aproxima, ou se você deixou o lema de nossa família lhe subir a cabeça. eu vou continuar querendo e amando você. Lara nos vivemos debaixo de uma maldita faixa de sangue e morte, nosso pai mexe com drogas e trafico, porque infernos eu iria rejeitar você ? toda a nossa família tem um lado ruim e um lado bom. – seus olhos estavam vidrados em mim, suas mãos se apertavam a minha cintura enquanto um sorriso crescia em seus lábios.

- eu descobri que somos primas da America.. de quatro grau. Mas somos. – arregalei os meus olhos lentamente e ela sorriu ainda mais, sorrir fraquinho sentindo minhas bochechas quentes.

- bom isso explica o porque dela ser tão esquentada as vezes. Agora eu entendo o porque dela ter quebrado a cadeira no professor. Esta no nosso sangue – Lara riu baixinho e me abraçou ainda mais forte, encostando o seu rosto contra o meu, fechando os seus olhos.

- obrigada Buuh... por.. tudo. – sua voz me fez suspirar baixinho e me agarrar ainda mais ao seu corpo. – daqui para frente vamos, vamos melhorar, vamos nos apoiar, vamos seguir em frente. Independente de qualquer um. E se a família falar algo da gente, vamos poder nos defender.  Afinal eles que pregam o próprio casamento entre parentes. – meu sorriso era tão grande que eu sentia as minhas bochechas doerem.

Ri baixinho e respirei fundo, enrolando os seus cabelos em meus dedos enquanto encarava a sua pele, encostei o meu nariz e boca contra a lateral do seu rosto, beijando levemente.

- seremos nos duas contra o mundo Lara.. apenas nos duas.. contra todo o mundo.

- sim.

 

 

 

~ Pov Narrador On ~

 

 

E então a madrugada de sábado se foi, no domingo todas estavam se arrumando cedo para ir ao parque, era algo que elas faziam sempre, Lena via isso como uma terapia para acostumar bruna com o meio social novamente, e Ingrid gostava de levar todas para um piquenique no parque nos fins de semana.

Bruna estava tranqüila com toda a movimentação, ela e  Lara se mantinham de mãos dadas e juntas a todo momento, sorrindo e rindo enquanto a mais alta se divertida em cutucar-lhe a costela e barriga, Lua e Ingrid assistiam a interação delas com sorrisos apaixonados e tranqüilos enquanto as mais velhas compravam lanches nos carrinhos de comida.

E o dia se passou tranquilamente, todas conversavam, com animo, poderia deixar claro que ate mesmo o dia sorriam para elas, o sol brilhava com intensidade sobre suas cabeças, enquanto todas se encontravam debaixo de uma grande arvore, sobre uma toalha grande, com varios lanches e cestas espalhadas pela toalha.

Luna havia percebido o quanto que tudo havia mudado, com apenas a chegada de Lara, todas estavam mais calmas, e bruna parecia ter se renovado, parecia ter voltado a viver e brilhar, seu sorriso estava mais forte e feliz e seus olhos cheios de vida se transbordavam toda vez que se encontravam com os olhos de Lara.

A mulher se sentia feliz, ela se sentia realizada, seu coração batia forte e seus olhos se marejavam. Sua família finalmente estava bem, unida, feliz.

Luna se sentia completa novamente.

Agora as coisas estavam finalmente tomando um rumo certo, uma direção, ela sentia que poderia finalmente viver em paz.

Todas poderiam viver em paz.


Notas Finais


amor e carinho e um pouco de informação para vocês.
lhes amo.
qualquer duvida é só perguntar.


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