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História Nosso Sangue - Capítulo 6


Escrita por: e TomTom


Capítulo 6 - Sonho de uma noite de verão.


Scorpius 

 Sabia que a culpa era sua, mas estava irritado e contrariado mesmo assim. 

 Ir naquele “encontro” sob a supervisão dos pais já era humilhante o suficiente, ser forçado pela parte de “então você nunca mais vai ver ele” pior ainda, com o agravante de que tinha chorado por horas, mais o extra no carro, e não conseguia esconder o rosto vermelho. Mas ir com o rapaz de quem gostava, sendo que ele tinha o chamado de puta indiretamente logo no dia anterior, era pior ainda. 

 Era tudo o que pensava enquanto caminham em direção às algum restaurante. James ao seu lado enquanto os pais seguiam atrás. 

 Exercício de humilhação. 

 - Desculpa por ser desse jeito – James pedira. 

 Mas aquele era, dos males, o menor. Estava indignado com a última conversa que tiveram. “Mas isso é importante para mim”. Como podia ter sido taxado de puta e ainda ser virgem?! Era um novo recorde! 

 - Você vai ir ver o jogo no final de semana? 

 - Não. Eu estou de castigo – respondera de má vontade. 

 - Mas o meu pai vai ir, então talvez o seu pai também deixe. Claro, se você quiser. 

 Não sabia bem se ia sobreviver até o final daquela noite sem acabar matando um. Os candidatos eram James e seu pai. Dracaryon também. Com certeza de que ele tinha algo a ver com o fato de seu pai saber sobre. 

 - Vou pensar até lá. 

 - Acho que o time também gosta de você. Eles me perguntaram se você iria e se não queria entrar para o time de animação, já que sempre assiste nossos treinos. 

 - Eu assistia por um motivo – murmurara com raiva. 

 - Ah, é? Por quê? – James perguntara de um jeito idiota e Scorpius apenas o encarara. – Ah... Ah! Entendi. Química. 

 Revirara os olhos, mas no fundo estava achando graça da inocência de James, 

 - Eu sempre me animava mais quando via você assistindo. Eu achava... Eu queria te impressionar, na verdade – James admitira, em um misto de charme e sem-graça, mexendo no cabelo bagunçado. 

 Fora pego de surpresa por aquela confissão. Ia responder, mas de repente tornara-se mais consciente do seu pai um pouco mais atrás, cuidando seus passos. 

 -... todo o problema ele ter deixado Scorpius sozinho – claro que ele estava falando sobre si. E sobre aquele fatídico dia em específico. Realmente, não tinham outro assunto?! 

 Como se tivesse lido seu pensamento, eles mudaram de assunto para como aquela era uma noite agradável, não fria demais, e logo começaram a falar sobre Alvo, o irmão de James. Scorpius tinha conhecido ele antes do mesmo viajar, mas ele e James não pareciam tão unidos quanto Scorpius era com Dracar.  Ao menos não no colégio. Talvez por eles serem tão diferentes um do outro, James e Alvo, com interesses bem distintos, turmas diferentes. Enquanto que, da sua situação, gostava de pensar que era parecido com Dracar (porque, no fundo, admirava muito o irmão mais velho). 

 - Você quer ir embora? – James perguntara de surpresa. – Se você não quer sair comigo, eu entendo. 

 - Eu vim porque eu quis – respondera em tom firme e decidido, considerando que aquela era a hora de perguntar a verdade. – Mas e você? Veio porque quis ou por causa do meu pai? 

 - Você acha que eu vim ver seu pai? Ele até que é um cara bonitão e elegante, mas não faz meu tipo. 

 Acabara tendo que rir enquanto empurrava o ombro contra James. 

 - Porque você tem medo dele! 

 - Se fosse por medo, aí sim eu não arriscaria vir. Sei que você deve achar que eu sou um covarde, mas eu não gosto de brigar. Bem, eu nunca me meti em uma briga por algum motivo meu, as únicas foram para defender meu irmão, ou um amigo. Além do mais, o senhor Malfoy tem bons argumentos, então não sei nem se eu tentaria me defender. 

 - Ele não tem bons argumentos. Não sabe muita coisa sobre mim. 

 - Mas foi ele quem nos trouxe à um encontro, então acho que ele sabe melhor do que nós. 

 Concordara com um aceno, mesmo contrariado, e não respondera enquanto entravam no restaurante. Sorrira quando James lhe abrira a porta para Scorpius entrar primeiro. 

 O lugar era bonito, felizmente sem exageros. Não era nada chique demais (como os lugares que seu pai amava frequentar) e quase comemorara ao ver que ficaria em uma mesa no lado de fora, junto de James, enquanto seu pai e o senhor Potter ficariam do lado de dentro. Sem ouvir conversas e sem pressionar. 

 O lado de fora era mais legal que o de dentro. As mesas e cadeiras eram de madeira escura, decorado com velas e detalhes em fios dourados. Não eram grandes demais, ou seja, poderia alcançar James quando quisesse. Na sua direita ficava o vidro espelhado que dava acesso ao restaurante. À esquerda um vidro comum decorado com cerca-viva dava acesso à rua. Até conseguia se animar mais. 

 Conversaram sobre comida e James parecia tão indeciso quando Dracaryon. Por isso, mesmo nunca tendo comido lá, acabara escolhendo a comida de ambos e James parecia agradecido por não ter que tomar aquela decisão. 

 Mas ainda tinha algo o incomodando e não conseguiria passar aquela noite tranquilamente se não se livrasse daquilo. 

 - Vou perguntar uma coisa e você vai me responder com sinceridade – impusera enquanto aguardavam a comida e James concordara imediatamente. Tinha que perguntar de uma vez só, e soar corajos: – Você acha que eu sou uma puta? 

 - Como?! – Os olhos de James dobraram de tamanho. – Não, não! Nunca. Alguém disse isso?! 

 - Você deu a entender. 

 - Por causa do que aconteceu?! Não. Eu juro que não pensei isso de você, nunca. Olha, Scorp, me desculpa mesmo pelo que eu fiz. 

 - Não isso! – o censurara, revoltado que ainda achassem ter sido culpa do James aquele dia. – Ontem. Quando disse que sexo era importante para você, diferente de mim. Mas eu não sou uma puta. 

 - Não foi isso que eu quis dizer... – James bagunçara o cabelo de novo. O rosto cheio de sardinhas ganhando uma tonalidade de vermelho leve que o deixava ainda mais charmoso. Mais um motivo para as garotas gostarem dele. – É que... Eu não queria qualquer um, queria você. Só você. Mas para você poderia ser qualquer um e isso me deixou chateado porque... Eu achei que não gostasse de mim. Que eu era qualquer um para você, enquanto que você era o único que eu queria. Eu não sei que ficou meio confuso, mas eu não sei explicar melhor. 

 - Eu entendi. 

 Nunca tinha pensado naquela possibilidade. James se sentira usado? Com certeza gostava mais daquela versão do que a de seu pai, que fazia de Scorpius uma criança inocente e incapaz de tomar decisões, quanto mais persuadir um cara e o usar. Deixava-lhe muito animado pensar que James poderia retribuir seu sentimento e que não queria mais ninguém. 

 - Não é verdade – dissera, por fim. – Eu só queria você, mas eu só não acho... – que sexo era o grande monstro que seu pai fazia parecer. – Eu não queria que você se sentisse culpado. Eu queria algo e alguém e fui atrás para ter. Não aguento mais o pai dizendo que eu não posso decidir nada, que sou só uma criança... Nada disso é verdade. Eu sei que eu sou novo, mas já sei das coisas o suficiente para decidir. 

 - Mas e se você se arrepender? 

 - Eu não acho que tinha do que me arrepender. Só de ser pego. Eu estava gostando. Você estava... - não conseguira fitá-lo. Acabara encarando os talheres na mesa, mordendo o lábio e sentindo o calor lhe subir o rosto ao pensar. - ...estava sendo gentil. Eu gostei... 

 Felizmente foram interrompidos pela chegada da comida. James estava tão sem-graça que nem olhara para o garçom enquanto murmurava agradecimentos. 

 Então trocara de assunto. Ainda queria muito perguntar se James era virgem, o que teria lhe sido uma ideia absurda apenas alguns dias atrás, com o tanto de moças que gostavam dele, mas também estava com um pouco de receio da sua pergunta soar ridícula ou ofensiva, e não queria estragar a noite. O encontro era mais importante do que qualquer pergunta do tipo. Além do mais, não se importava se ele era ou não. O importante era que o quisesse. 

 Uma característica que admirava em James desde antes de se apaixonar era o humor dele. E a gentileza. Sempre parecia se divertir ou com uma piada mais do que necessária para aliviar o momento. E ele era um cavalheiro. Do tipo que Scorpius tinha certeza que tiraria o casaco para lhe dar, caso precisasse. Ainda bem porque Scorpius sabia que era mais do tipo mandão e grosseiro. Muitas vezes não conseguia controlar sua língua. Ela estava falando antes de pensar. 

 O lado ruim era que as garotas se aproveitavam desse lado de James para pegar emprestado seus casacos, principalmente o do time, ou tomar liberdades como sentar no seu colo e lhe beijar a bochecha. Sabia que James gostava daquilo. Sempre sorrindo e aproveitando o momento, mas não era nada que não pudessem mudar. Se fossem namorar Scorpius certamente daria um jeito naquilo e deixaria todos saberem que James tinha dono - claro que o compensaria com mimos. 

 Cada segundo a mais que passava com ele tinha mais certeza de seus sentimentos. E de que queria a intimidade, na verdade, queria ainda mais do que antes. Queria os beijos, carinhos, palavras e muito mais. Queria passar horas e dias com ele. Dormir com ele, acordar com ele... E nunca tinha gostado tanto assim de um rapaz. Suas paixões de antes pareciam muito sem graça e forçadas a partir de então. 

 O pai de James também era legal. Na hora de ir embora ele viera avisar e respondera algo para o filho sobre “acredito que sim, mas você precisa... Sabe...” James parecera compreender. 

 - O que você disse? – quisera saber assim que Harry saíra. 

 - Nada demais. Você vai descobrir logo. Eu só queria ter certeza que... Bem, se seu pai tentasse me matar meu pai estaria do meu lado. 

 James tomara a iniciativa de se levantar primeiro. 

 - Vamos para a beira um pouco? 

 Havia sido Scorpius a sugerir primeiro que antes de irem fossem ali para a beira. Inclusive, escolhera o lugar. Afastado das pessoas o suficiente e camuflado pelas plantas para que ninguém desse muita atenção para o que dois garotos, ruivo e albino, estavam fazendo ali. 

 - Se eu pudesse eu gostaria de não ir embora e passar mais um tempo com você. 

 Também gostava daquilo em James: ele não escondia os sentimentos. Falava sobre, mesmo sem realmente saber se Scorpius sentiria o mesmo. 

 - Espero que seu pai seja legal – confidenciara. 

 - Por quê? 

 - Porque conheço o meu e ele vai me seguir para todo o lado onde você estiver. Então, se o seu pai for legal, ele vai aceitar bem um próximo encontro. 

 James sorrira com tanta vontade que parecia não conseguir parar. 

 - Então você quer um outro encontro? 

 Se desapoiara da borda de madeira acima do vidro, virando o corpo e batendo as costas nela para deixar o caminho livre, caso James quisesse se aproximar. 

 - Talvez... – fizera charme, embora fosse óbvia a sua resposta. 

 - Hm... - James murmurara, mordendo a isca e se aproximando mais. - E talvez eu possa te beijar? 

 - Talvez. 

 - Talvez aqui? 

 Não era bom com paciência, então acabara agarrando James pelo casaco e pondo-se na ponta dos pés para alcançar seus lábios. Um beijo mais tímido do que os outros trocados e mais intenso, também. Tinha gosto do suco de uva que beberam, com um pouco do brownie que comeram de sobremesa. James ainda nem encostava, fazendo com que precisasse pegar as mãos dele e colocar na sua cintura. 

Cada segundo parecia melhor. E seria ainda mais se tivessem em privado, mas estar em um restaurante de cheiro bom e luzes amareladas os rodeando também era bom. Até a leve brisa fria era boa porque James era quente. 

 Beijara-o pelo máximo de tempo que podia até James tomar a iniciativa de se afastar. 

 - Eu odeio parar, mas já fazem cinco minutos e não é bom provocar nossos pais logo agora. Podem barrar nosso segundo encontro. 

 Precisara concordar, mesmo odiando a ideia de se separarem. Não era para ser daquele jeito. Nos filmes eles acabariam indo passar a noite juntos, e acordar juntos. Mas, pelo menos, ainda tinha a caminhada. 

  Ainda estava no restaurante quando sentira a mão de James próxima da sua. Assim que ela encostara com um pouco mais de vontade Scorpius entrelaçara seus dedos juntos, segurando no braço dele com a outra mão. 

Os pais estavam do lado de fora, aguardando, e mantiveram a mesma distância de antes. 

 - É uma noite bonita – comentara. – Está cheio de estrelas. 

 - Sabia que elas são pequenas explosões? 

 - Sabia. Como o sol – respondera. 

 - Como o sol. Mas eu prefiro a lua. Ela é muito mais charmosa e nos ilumina na escuridão. 

 - Por causa do sol. 

 - Se não fosse o sol, então poderia ser outra estrela. Mas se não fosse a lua, outro asteroide faria o mesmo trabalho? Não. Teria que ter a mesma massa, mesma distância, mesmo movimento... 

 Não sabia se fisicamente aquilo era viável, mas concordara porque James parecia estar falando de coração. 

 - Eu também gosto da lua – comentara. 

 - Porque ela é linda e única exatamente como você. 

 Não sabia se morria de vergonha ou se ficava feliz. Escolhera a segunda opção porque pelo sorriso de James tinha certeza de que ele estava sendo sincero, não só querendo lhe conquistar. 

 - Então sorte sua que eu esteja exatamente neste lugar, com essa massa, fazendo este movimento. 

 - Muita sorte minha. 

 Ele lhe beijara o cabelo preso. 

 Aquela era uma das melhores noites da sua vida. 

 


Notas Finais


TomTom: quem estiver acompanhando por favor, favorita aí! Fiz uma aposta com a Tassi e vou ganhar se até o fim de janeiro tiver 100 favoritos.


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