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História Not by the moon - Capítulo 7


Escrita por:


Notas do Autor


Olar, aqui está mais um capitulo.
Espero que gostem.
Boa leitura!

Capítulo 7 - Recados


 

Hinata já imaginava que não demoraria muito a ver Hoheto novamente, mas não tão depressa, que diabos?

— Você de novo? Eu cheguei em Konoha ontem. Por Kami! — A garota gritou ríspida.

— Tempo suficiente para comunicar seu pai. — Hoheto disse se aproximando. — Mas você estava muito ocupada com o jinchuūriki da nove caudas, não é?

Hinata arregalou os olhos. Eles não estavam a vigiando até em seu apartamento, estavam? O subconsciente da morena pensara. Provavelmente sim, provavelmente aqueles malditos velhos do conselho, estavam cientes de cada passo que ela dava, e isso não a deixava surpresa de maneira nenhuma, não seria a primeira vez que eles faziam algo assim. Quando se tratava de seu clã tudo era possível.

— O que você pretende, Hoheto? Vai me matar e me enterrar aqui mesmo? — A morena apontou para a cova recém-aberta.

 Hoheto sorriu enquanto girava a kunai em seus dedos.

— Você está com saudades de Neji, não está? — O Hyūga perguntou debochando. — Pois bem, em poucos minutos você vai se juntar a ele! — Ele atirou a kunai na direção da clavícula da garota, que sem dificuldades desviou.

— E como vocês vão explicar a minha morte? — A garota questionou, o encarando com o byakugan ativo.

Hoheto a atacou novamente tentando acerta-lá em um ponto vital de chakra. Mas a morena girou em seus calcanhares, ao mesmo tempo que conseguiu encaixar um cruzado de direita no queixo dele, fazendo o mais velho cambalear quase quebrando uma das lápides do cemitério.

— Você é fraca. — Ele sorriu limpando o sangue escorrendo do canto inferior de sua boca. — Podemos dizer que você se machucou em missão...ou que nunca superou os horrores da guerra e sucumbiu a tristeza, você é tão frágil que todos acreditariam, as possibilidades são infinitas. — Hoheto encolheu os ombros.

— Você sabe mesmo como usar as palavras. — Hinata disse em um tom calmo, tão calmo que fez seu agressor franzir as sobrancelhas. — E esse é exatamente o problema, passei a minha vida inteira ouvindo essa frase ‘você é fraca, Hinata’, — ela fez aspas com as mãos, dando passos curtos até o homem. — Uma vida inteira ouvindo as mesmas palavras. Ouvindo as mesmas mentiras. Ouvi essas malditas mentiras durante tanto tempo, que em algum momento elas se tornaram verdades absolutas, para mim. — Em um movimento repentino a Hyūga acertou um dos pontos de chakra na cabeça de Hoheto, ato que o deixou desnorteado. A garota o puxou pela gola do colete verde musgo e o atirou dentro da cova; cova em questão, que seria para ela. Ele caiu deitado de costas no chão terroso e a fitou com os olhos perolados arregalados. A garota saltou, aterrissando graciosamente na terra úmida. O Homem tentou se levantar mas o ponto de chakra que Hinata atingiu o deixava a mercê dela. Ela se agachou e subiu em cima dele colocando os joelhos ao redor do corpo dele, de modo que ele ficasse completamente imobilizado pela Hyūga, não satisfeita, ela completou o golpe forçando seu antebraço contra o pescoço dele. — Hoheto, a questão aqui é que, eu não sou fraca... Eu sei disso e aqueles velhos também sabem. — O homem engasgou em busca de ar, mas o aperto em seu pescoço aumentou. — Eu era prisioneira das mentiras do meu avô, submissa demais para ao menos contestar. Mas eu me libertei daquela prisão, as palavras venosas dele ou de qualquer um de vocês, não tem mais poder sobre mim. — Hoheto esboçou um sorriso. — Ah sim...eu imagino que você deva estar pensando no quanto foi fácil me nocautear no nosso último encontro, mas veja bem... — Ela afrouxou um pouco o aperto no pescoço do homem. — Eu estava com muitas coisas na cabeça naquele dia. Toda via, eu posso te garantir o quanto seria fácil te matar aqui e agora.

— E...por que você...não faz isso? Não consegue...sujar suas mãos, Hinata-sama? — Ele disse cada palavra com dificuldade. Tentando puxar o máximo de oxigênio que podia.

— Na verdade, preciso que você me faça um favor. — Ela sorriu. — Soube que você é o menino de recados do nosso clã, pois bem, diga ao meu avó que, como ele mesmo me ensinou ‘se quer que algo seja bem feito...faça você mesmo’. Se ele deseja tanto assim a minha morte. Não vai ser alguém fraco como você, que vai conseguir. — E dizendo isso ela acertou seu cotovelo na têmpora dele, e no mesmo instante, o homem desmaiou.

A garota se levantou, e saltou para fora daquele precipício de terra. Bateu suas mãos no vestido florido tentando tirar um pouco da terra que havia nele. Fitou melancolicamente os girassóis despedaçados sob o túmulo do primo.

— Prometo que trarei um novo arranjo, nii-san. Mas agora, eu realmente preciso de um banho. — A morena fez uma reverência de despedida. Fez os símbolos com suas mãos e em uma nuvem de fumaça deixou o cemitério para trás reaparecendo em seu apartamento.

 

[...]

 

Naruto se sentia enérgico demais para dormir. Seus pensamentos o faziam voltar para Hinata e o beijo a cada dez minutos. Queria entender exatamente o que aquilo significava para ele. O loiro tentou seguir o exemplo dela e tratar apenas como um beijo qualquer, mas não parecia certo dar tão pouca importância para aquele beijo em específico. De alguma maneira a qual ele não sabia explicar, algo dentro de si estava diferente. E sendo ele como era, decidiu que iria treinar, precisava se distrair, precisava parar de pensar nela. O Uzumaki se encaminhou para a área arbórea próxima ao cemitério de Konoha. Pouquíssimas pessoas iam até ali, mas Naruto gostava, apreciava o silêncio e a calmaria daquele espaço. Começou a se aquecer correndo ao redor do campo aberto, em seguida escalou as árvores concentrando chakra nas pontas dos pés, eram movimentos básicos mas sabia que para executar jutsos mais elaborados era vital ser excelente em técnicas básicas. Após sentir que havia transpirado o suficiente, o rapaz sentou em posição de lótus no meio da clareira rodeada pelas árvores de troncos grossos, fechou os olhos azuis, respirou fundo sentido o ar fresco adentrar seus pulmões repetiu o processo até que seu batimento cardíaco estivesse em um ritmo calmo e em poucos instantes era possível ver o alaranjado em suas pálpebras, e o amarelo ouro substituindo o azul natural de seus olhos. Naruto adorava cada parte do processo até estar no modo sennin, desde a calmaria da meditação, a sensação de poder que sentia vibrar em cada parte do seu corpo.
Entretanto, algo estava errado, sentiu um chakra familiar agitado, o chakra dela, não muito longe de onde ele estava. Mal percebeu quando se colocou de pé e logo em seguida a correr. Saltando velozmente pelas árvores, em poucos minutos o rapaz estava em cima de um galho olhando incrédulo a cena abaixo de si. Hinata jogava um homem dentro de uma cova aberta e pulando dentro dela logo depois. O Uzumaki ouviu cada palavra do que ela dizia com atenção, sorriu ao ouvir ela chamando o homem que a atacou de fraco. Sorriu mais ainda ao vê-la o nocauteando e o deixando estirado na terra úmida daquela cova. E em uma nuvem de fumaça a garota desapareceu. Hinata nem ao menos percebeu que Naruto assistiu a tudo aquilo.
O loiro saltou da árvore e a passos largos caminhou até a cova, olhou para dentro e pôde reconhecer as feições do homem ali desmaiado, Hyūga Hoheto. Pouco sabia a respeito dele, apenas que pertencia a casa principal e que era um jōnin. A placa lápide em metal chamou sua atenção e o que viu ali escrito fora suficiente para fazer a cólera dentro de si borbulhar. Sua vontade era ferir aquele miserável desacordado, soca-lo até ver o carmim do sangue dele colorindo o chão de terra, mas se controlou. O Uzumaki sentou na beirada do precipício com as perna para dentro e como uma criança, ficou balançando os pés, não sabe exatamente quanto demorou para que finalmente o Hyūga recobrasse sua consciência. Mas pacientemente, Naruto esperou.

— Que demora! Fiquei me perguntando se ela havia te colocado em um coma... — O loiro disse em tom zombeteiro, fazendo Hoheto olhar para ele com os olhos arregalados.

Lentamente o Hyūga conseguiu se levantar, e com alguma dificuldade saltou para fora da cova aberta. Encarou o Uzumaki sentado na beira e revirou os olhos perolados.

— O que você quer, Naruto?

O jinchuūriki se levantou e fitou o homem respirando com dificuldades.

— Soube que você gosta de recados, Hoheto. — O loiro começou. — Tenho um para você. — Quase que instantaneamente o garoto pegou Hoheto pelo pescoço e o levantou no alto. — Se eu sonhar que você chegou a ao menos quinhentos metros de Hinata, eu mato você. — Naruto o colocou no chão novamente.

Hoheto se curvou tossindo em busca de ar.

— E se eu souber que você ousou atacá-la de novo... — O loiro puxou o Hyūga pelo braço direito e o barulho de ossos sendo quebrados preencheu o ambiente e logo em seguida o grito estridente em agonia do homem. — Você vai desejar a primeira opção. Porque o que eu vou fazer com você...acredite Hoheto, vai fazer você implorar pela morte. — E dizendo isso, Naruto deu um último soco no rosto do moreno, no lado em que Hinata não havia acertado.
O loiro se virou e tranquilamente seguiu para seu apartamento, foi uma longa noite, seu corpo precisava de um pouco de descanso

 

[...]

 

Hinata aproveitou seus dias de folga para se recuperar do cansaço da missão, da conversa com Naruto e do desagradável encontro com Hoheto. Ponderou sobre todas as decisões que precisava tomar e com uma certeza em mente partiu em direção ao clã Hyūga. Era domingo, o sol brilhava no céu em um tom de azul muito semelhante aos olhos de um certo rapaz. Ao se ver diante dos altos portões em ferro preto do clã, a morena respirou fundo e de cabeça erguida adentrou o distrito, Hinata andava lentamente, como se estivesse entrando em seu próprio clã pela primeira vez. Na maioria das vezes em que visitava sua família ela andava de cabeça baixa, tentando ao máximo não chamar atenção, fitava o chão para evitar possíveis olhares de desprezo. Não dessa vez, apesar de tudo de ruim que seus olhos já haviam presenciado em volta daqueles muros, ainda havia beleza naquele ambiente, nem todos ali a enxergavam como um estorvo ou uma fracassada. Para muitos ela era a primogênita gentil, de sorrisos fáceis e olhos bondosos. E tentando focar em tudo o que era positivo, Hinata atravessou aquele mar de olhares surpresos que a encaravam, ainda se sentia deverás insegura por ali estar, mas seu coração estava leve. Já passara da hora de para de se esconder, tornando-se líder ou não, ela sempre seria uma Hyūga, e Hyūgas não andavam de cabeça baixa.

— Hinata-sama? — Kō a chamou do jardim da mansão. A passos largos a garota encurtou a distância e o abraçou carinhosamente.

— Konnichiwa! — Ela saudou assim que finalizaram o abraço.

— Menina, você está tão magrinha. — O moreno disse em um tom preocupado. — Vamos entrar o almoço está quase pronto.

Ao adentrarem a mansão, Kō fez uma sútil reverência e seguiu para a área da sala de jantar. Hinata se encaminhou para a escada que dava no corredor dos quartos. Deu dois toques na porta em madeira.

— Onee-chan! — A voz animada de Hanabi a puxou para dentro do quarto.

— Soube que alguém se tornou jōnin, é verdade? — Hinata questionou com um sorriso.

A cerimônia dos mais novos jōnin de Konohagakure aconteceu enquanto a anbu estava em missão com o Uzumaki, sabia que Hanabi não ficou chateada mas mesmo assim a Hyūga mais velha adoraria ter prestigiado a irmã caçula. Hinata tentava ao máximo estar presente em todos os momentos importantes da vida de Hanabi, como sabia que sua mãe teria feito se pudesse.

A morena mais nova sorriu, e entrou em seus closet, em poucos segundos saiu de lá, vestindo o colete verde musgo característico.

— Hai! Eu fiquei linda nele, não fiquei?!

A mais velha assentiu.

— Omedetou, Hana-chan! — Hinata abraçou a irmã. Estava tão orgulhosa, Hanabi se tornaria uma ninja poderosa, não tinha dúvidas.

— Arigatou, Hina. Me conte como foi a missão? Como foi passar tanto tempo com Naruto? Quero todos os detalhes. — Hanabi perguntou puxando a irmã, sentando lado a lado na cama de casal da garota.

Hinata sorriu diante da curiosidade da irmã.

— Fomos bem-sucedidos. — A mais velha encolheu os ombros.

— Só isso, Hinata? — A garota a fitou com um semblante sério. — Vamos, me conte alguma coisa, qualquer coisa.

— Não aconteceu nada demais, Hana. — A morena de cabelos índigos mentiu. — Já estou me habituando com a presença dele, foi como nos treinos mas com a pressão que toda missão costuma ter.

Hanabi a olhou desconfiada, sabia que Hinata estava omitindo algo mas decidiu não insistir no assunto. Estava feliz por tê-la consigo e isso bastava. As garotas desceram para a sala de jantar e encontraram Hiashi, já sentado a mesa,esperando por elas. Ambas fizeram uma longa reverência e se sentaram, o almoço foi servido e logo as vozes animadas das irmãs preencheram o ambiente. Se fosse a alguns anos atrás, cenas como essa jamais aconteceriam, as refeições costumavam ser em total silêncio mas devido a tudo que aconteceu, o patriarca se permitiu ser menos rígido com as filhas e compartilhar uma refeição cercado pelas conversas de Hinata e Hanabi, se tornaram momentos preciosos para o líder Hyūga.

Assim que terminaram de almoçar, Hinata reuniu sua coragem e chamou pelo pai.

— Otou-san? — A morena mais velha proferiu. — Podemos conversar. Ele assentiu positivamente.

Ambos se levantaram e seguiram para o escritório de Hiashi. O homem sentou-se atrás da mesa e deu permissão para que Hinata fizesse o mesmo. A garota permaneceu em silêncio por alguns instantes até que criou coragem para falar.

— O senhor está ciente... — A garota começou mas foi interrompida.

— Sobre as ameaças e ataques para com você? — O patriarca questionou com as mãos entrelaçadas sob a mesa. — Estou, Hinata.

— E por que... — Novamente ela tentou falar, mas ele a interrompeu.

— Por que eu não impedi? — O mais velho perguntou fitando os olhos confusos da filha. — Eu sabia que você era capaz de lidar.

Ela sorriu amargo.

— Essa é a sua desculpa, otou-san?

— Se eu tivesse intervindo, Hinata...só provaria para eles que você é fraca. Não vou reforçar algo que não é verdade. E só por você estar aqui, diante de mim. Prova que eu estava certo. — O líder disse se levantando e indo até sua janela.

Hinata ponderou as palavras do pai por um instante, fazia sentido o que ele estava dizendo. Gostou de saber que ele confiava nas habilidades dela para lidar com um ataque do próprio clã, mas ainda assim se sentia um tanto quanto...desamparada, talvez? Não sabia explicar.

— Entendo... Otousan? — A garota o chamou indo até ele.

— Sim?

— Já tomei minha decisão em relação à liderança do clã. — Hinata disse em um tom sério.

— Que seria? — O mais velho perguntou tentando esconder sua ansiedade diante da resposta dela.

— Eu, Hyūga Hinata, serei a próxima líder do clã Hyūga. — A morena disse olhando nos olhos de seu pai.

Hiashi tentou fingir indiferença, mas seus olhos não negavam o orgulho que sentiu ao ouvir tais palavras.

— Comunique ao Hokage que a sua jornada na anbu precisa ser diminuída pela metade devido ao treinamento que logo será iniciado.

— Hai. — Ela assentiu.

— E, Hinata? — O patriarca a chamou. A garota levantou a cabeça para fitá-lo. — Estou orgulhoso da mulher que você se tornou. Sei que sua okaasan também está.

— Arigatou, otousan. — Ela fez uma longa reverência.

— Ah e eu apreciei a ‘surra’ que você deu em Hoheto. — O mais velho elogiou. — Quebrar o braço e a mão dele...creio que ele aprendeu a lição.

— Nani? Mas eu não... — A morena tentou começar mas as batidas insistentes na porta a interroperam.

— Hiashi-sama! Hiashi-sama! — A voz de um Kō desesperado soou do outro lado.

A garota abriu a porta aflita diante do olhar preocupado dele.

— O que houve? — Hiashi perguntou.

— Hanabi-sama... — Kō disse em um fio de voz.

— O que aconteceu com Hanabi?! — Hinata questionou exasperada. — Kō?!

— Eu…eu deixei bandeja de chá nos aposentos dela, — o Hyūga começou. — Mas percebi que havia esquecido os docinhos que ela tanto gosta. Quando voltei em seu quarto ela...ela estava caída no chão. Ela estava bem quando a deixei. Os servos do clã a levaram para o Hospital de Konoha.

Hinata mal terminou de ouvir e correu em direção ao quarto da irmã. Com o byakugan ativo a garota olhou ao redor e pode ver a xícara de chá quebrada próxima a cama. Procurou por algum sinal de batalha, mas não havia nada. Reparou que embaixo do colete da garota em cima da cama, era possível ver a ponta de um pequeno pergaminho. Com receio do que estava escrito, a morena o abriu como se estivesse em câmera lenta, e ao ler o conteúdo escrito em uma caligrafia elegante e muito bem conhecida, Hinata sentiu seu sangue ferver como nunca antes.

 

“Sua irmã ou a liderança do clã? Escolha com sabedoria, neta querida.

H. H.”

 

 

 

 


Notas Finais


Esse é o capítulo de hoje.
Desculpem possíveis errinhos.
Dúvidas, criticas, sugestões?
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