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História Not By The Moon - Capítulo 15


Escrita por:


Notas do Autor


Olá bolinhos. Como estão?
Bem, espero que gostem desse capítulo. Ele foi cortado, porque se não seriam mais de dez mil palavras, para um melhor entendimento. Espero que curtam a leitura e me desculpem qualquer erro!

Capítulo 15 - Chapter Fourteen - You Call My Name I - Past III


Fanfic / Fanfiction Not By The Moon - Capítulo 15 - Chapter Fourteen - You Call My Name I - Past III

Partida para o Sul – You Calling My Name

EU QUE FIZ VOCÊ CHORAR, EU ME ODIAVA. APENAS DEIXANDO CICATRIZES, RESSENTI-ME DOS MEUS ERROS. AGORA SEM VOCÊ MEU NOME PERDEU O SIGNIFICADO, POR FAVOR, CHAME-ME DE NOVO. (YOU CALLING MY NAME- GOT7).

Como prometido, Jae-Beom e Jin-Young, nada disseram. A partida ocorreu como o planejado e o príncipe Nortenho recebeu um leve sorriso do príncipe Sulista como resposta, entretanto, essa foi a única interação entre eles. As duas semanas que passaram na estrada, até atravessarem a fronteira, deve ser descrita – literalmente - como um silêncio desconfortável. Kayee desferia olhares, nada discretos, mortais a Kunpimook, este que apenas dirigia a palavra a alguém quando era solicitado, Yein seguia o exemplo do tailandês e perdia-se em seu próprio mundo. Young-Jae e Jae-Beom conversavam e tentavam quebrar o clima incômodo, mas nada ocorria. Jin-Young e Yu-Gyeom mal abriram a boca a viagem toda, um estava perdido demais em seus sentimentos e pensamentos, enquanto o outro aguardava o seu destino pacientemente, esperando que no fim ao menos conseguisse o perdão daquele que magoara. O comandante Jeon, que ia à frente da carruagem, estranhou o silêncio, mas nada comentou sobre.

- Finalmente. – Yu-Gyeom diz, baixinho, atraindo os olhares dos outros seis, ao ter o vislumbre do castelo onde crescera ao longe.

- Sim, Yug. Acho que a noite já jantaremos na presença do grande rei. – Young-Jae comenta sorrindo por estar vendo as terras em que crescera depois de tanto tempo.

- Alto! Alguém se aproxima, fiquem alertas! – grita Kang Yeosang, comandante da guarda nortenha e guarda designado para proteger Jin-Young, fazendo todos pararem e ficarem em alerta.

- Está tudo bem, não precisa se preocupar. – JungKook diz firme, recebendo um olhar estreito de todos – exceto Yu-Gyeom e Young-Jae, que já tinham uma ideia do que poderia ser, mas ainda estavam sendo protegidos. O primeiro por Jin-Young e o segundo por Jae-Beom - que estavam intrigados com a situação.

Sem explicação nenhuma, e sozinho, Jeon galopa até o local em que comandante Kang avistou os “intrusos” ansioso para reencontrar a pessoa que estaria atrás de alguns morros. Entretanto, antes de descrever o que o comandante viu, voltemos algumas horas antes no castelo do rei Nam-Joon.

- Ravena, bom dia. – Green diz, aparecendo subitamente na frente da mais velha, assustando a médica que lhe desferiu uns bons tapas pelo susto.

- Um dia você irá matar-me com essas suas aparições repentinas. – Ravena diz, depois de dar mais alguns tapas na mais jovem, esta que apenas desviava rindo.

- Eu estive por aqui o tempo todo, você que não percebeu. – A loira responde e recebe um olhar estreito da mais velha. – Enfim, isso não importa agora, quero saber se está livre para cavalgar comigo. Quero contar sobre um sonho que tive, mas as paredes agora têm ouvido. – Continua ela, agora em um tom mais baixo, tendo cuidado com suas palavras.

- O que quer dizer? Ou melhor, onde esteve? – Ravena questiona confusa. Não via a mais nova desde do seu retorno do Norte, quando ela lhe contou o que houve e sumiu.

- Estava por aí. Precisava me acostumar com a nova energia pesada do local e com os olhares da duquesa chinesa que se diz noiva do comandante Wang. – Green responde e recorda-se do dia em que a bela mulher chegou e entregou uma carta ao rei que alegava que ela era noiva do comandante Wang e que havia sido enviada para o casamento pelo próprio imperador chinês para ser uma das testemunhas. Duquesa Ji, como era chamada, tinha uma energia ruim e encarava Green de uma forma ruim e preconceituosa.

- Ela sempre foi muito gentil comigo, mas devo concordar que ela não disfarça os olhares maldosos. – Ravena pontua e fica um pouco pensativa. – Enfim, estou livre sim. – A médica diz, voltando-se ao assunto principal, concordando com o passeio.

-Ótimo! Então vamos preparar os cavalos que eu tenho certeza que você irá amar o passeio e o meu sonho. -  Green diz eufórica, puxando a médica pela mão, recebendo resmungos da mesma por deixá-la curiosa.

Após prepararem os cavalos, Philip e Bri, as duas iniciaram sua cavalgada e Ravena buscava, a todo momento, saber qual sonho a mais jovem tivera.

- Estamos quase chegando ao local. Você daqui a pouco saberá. – Green diz, pela milésima vez, aumentando o passo do seu trote.

- Green, estamos quase chegando na fronteira da cidade real. Após aqueles morros estaremos a poucos metros da saída de Seoul. – Ravena diz, acelerando seu passo para acompanhar a amiga, apontando para os morros.

- Chegamos! – A loira fala apontando para os morros fazendo Ravena parar e a olhar intrigada. – Aquele foi meu sonho. – A de olhos claros continua mandando Ravena olhar para onde apontava, sorrindo ao ver os olhos da médica se arregalarem.

“Então nunca pense que eu preciso de mais. Eu tenho a única pessoa pelo qual eu vivo, ninguém mais servirá. E eu estou te dizendo apenas coloque seu coração em minhas mãos, eu prometo que ele não quebrará{...} porque eu te amo de novo e de novo.” (Over and over again-Cover Taehyun).

Ao longe era possível ver, mesmo que em tamanho menor, uma carruagem com o emblema nortenho e sulista, alguns guardas nortenhos e, montado em um belíssimo corcel negro que galopava em uma velocidade considerável, o motivo íntimo de felicidade da nossa médica. Sem dizer nada Ravena põe-se a galopar em direção ao noivo. Ao se encontrarem desceram de suas montarias e abraçaram-se, JungKook até mesmo rodopiou a estrangeira no ar neste momento, e tocaram-se os lábios.  A feiticeira, como Green acabou por ficar conhecida entre os membros da corte sulista, sorriu com a cena e os deixou sozinho - afinal sabia que o casal preferia momentos assim e, raramente, demostravam afeto em público, isso apenas ocorria em casos raros e ainda eram sutis. – Galopando em direção a carruagem que ainda estava parada esperando qualquer ataque.

- Se continuarem aqui por muito tempo só chegarão ao castelo amanhã. – A loira diz após parar em frente a carruagem.

- Green! – Young-Jae exclama, saindo de trás de Jae-Beom, pedindo que todos guardassem as armas.

- É muito bom revê-lo, Jae. Na verdade, é bom rever todos vocês! -  A de olhos claros fala, de modo cordial, encarando os rostos dos sete lordes, demorando um pouco mais de tempo no rosto do comandante Wang. Entretanto, a jovem moça foi tirada de suas observações, de forma abrupta, por causa das desconfianças do comandante Kang.

- Onde está o comandante Jeon e o que fez com ele, sua meretriz? – O comandante nortenho diz, apontando a espada para a loira, recebendo um olhar analítico da de olhos claros e olhares arregalados dos que estavam dentro da carruagem.

- Comandante Kang, por obséquio, abaixe essa espada e siga caminho. Essa jovem é amiga da corte sulista. – Yu-Gyeom diz sério, usando sua autoridade, mas é ignorado.

- Como vou saber se não está nos conduzindo para uma armadilha? – O comandante Nortenho continua recebendo um olhar neutro de Green.

- Porque se ela quisesse ela já teria matado todos nós! – Kayee, que se sentia enfurecido com a cena e se segurava para não voar no nortenho, exclama lembrando-se do dia que se encontraram pela primeira vez. Todavia, sua fala foi ignorada pelo Kang.

- Jin-Youngie. – Yu-Gyeom sussurra para o mais velho, utilizando um apelido que era comum na época em que estavam bem, de uma forma suplicante.

- Já basta, Kang Yeosang! – Jin-Young exclama, exalando autoridade, chamando a atenção do comandante pela primeira vez. Ele já iria fazer tal coisa, mas a voz melodiosa do Kim dera-lhe um incentivo maior; como se seu nome voltasse a ter significado. – Guarde a sua espada, se não quiser ficar sem ela, e continue o caminho. Ah, também peça desculpas. – O Park completa fazendo o comandante, a muito contra gosto, seguir as ordens.

- Obrigada pelo auxílio, my lords. – Green diz, sorrindo amigavelmente, após a viagem ser iniciada novamente.

- Não há porquê agradecer. – Kunpimook diz e sorri para estrangeira. – Mas como sabia da nossa chegada? – O tailandês indaga e recebe a atenção de todos.

- Probabilidade. – Green responde e vê 14 olhos lhe analisarem.

- Você sonhou, Green? – Yu-Gyeom pergunta e deixa os demais, exceto Young-Jae, confusos.

- Um sonho?! Talvez, ou um sonho de um sonho. – A loira responde, sorrindo ao fim, deixando os jovens de olhos arregalados.

- Eu sabia! – Jae-Beom exclama e deixa dos demais confusos. – Você não é ajudante. É o feiticeiro! – Ele explica, em um tom que apenas os 8 escutassem, deixando todos de olhos bem apertos.

- Então você realmente vê o futuro? – Yein é quem indaga referindo-se a um, dos muitos rumores, que já tinha ouvido sobre o feiticeiro de olhos claros.

- Quem dera, Yein. São apenas probabilidades. – Green nega a pergunta de Yein, mas ainda deixa os jovens curiosos. – Nós vivemos em uma teia. O mundo todo é uma gigante teia. Prever o futuro só seria possível se conseguíssemos calcular as inúmeras ramificações que essa teia apresenta. Em outros termos, somos todos ligados por algo, mas ainda temos direito de escolha e essas escolhas tornam o futuro diferente. O que eu vejo é uma das várias ramificações, elas podem acontecer ou não. Entretanto, e infelizmente, algumas coisas são inevitáveis e sempre dão um jeito de acontecer. -  A garota explica e recebe olhares surpresos.

- Incrível. – Kunpimook diz e os demais concordam, mesmo que alguns ainda estivessem um pouco céticos.

- Ainda estão céticos. – Green diz, sorrindo, olhando diretamente para Jin-Young, Yein e Kayee.

- É um pouco difícil de acreditar, desculpe. – Yein responde sincero e recebe um sorriso doce da loira.

- Como veio parar aqui? – Jin-Young indaga e acaba recebendo uma cotovelada de Yu-Gyeom.

- Não deveria repreendê-lo, Yug. Você tem a mesma curiosidade. – Green diz, deixando o mais novo envergonhado.

- Todos temos essa curiosidade, mas só Ravena, JungKooK e o Rei Nam-Joon sabem. – Young-Jae diz e todos ficam intrigados.

- Um dia vocês saberão! – A estrangeira diz e recebe um muxoxo de Yu-Gyeom como resposta. – Boas histórias só devem ser contadas no momento certo e esse não é o momento da minha. A narrativa a qual devemos nos atrelar é o motivo de todos vocês estarem com olhos vazios. Alguns mais do que outros. – A garota continua passando seu olhar por todos os sete, até fixá-lo em Tuan, Kunpimook, Park e Kim.

- O que quer dizer? – Wang pergunta. Estava intrigado com tudo e não tirava seus olhos da garota.

- Isso cabe a vocês saberem, mas dizem que quando se tem o sentimento de vazio é porque sente-se saudade de sua alma gêmea e deseja encontrá-la. – Green responde.

- Almas Gêmeas não existem. – Yu-Gyeom e Yein dizem ao mesmo tempo.

- Acreditam mesmo nisso ou apenas dizem porque brigaram com alguém “importante”? – A loira indaga dando ênfase ao termo “importante”.

A indagação pegou Yein e Yu-Gyeom de surpresa e os fez arregalar os olhos, bom, não só eles.

- Como? – Yein indaga de volta, mordendo o lábio em seguida.

- Probabilidades, Yein. – Green responde e sorri para o taiwanês. – Se precisarem de conselhos, estarei à disposição. Espero que se sintam preenchidos no Sul, afinal, algumas coisas são inevitáveis. – A garota completa e sorri para eles uma última vez, antes de galopar em direção ao castelo.

- Vejo que conheceram a Green. – Ravena diz, após se posicionar ao lado de Jeon, ao notar o estado dos jovens. O casal passou um bom tempo conversando e matando um pouquinho da saudade, voltando a tempo juntar-se aos demais na descida do morro e ver o rápido galope de Green.

- Ela é bem gentil, não se assustem com as palavras dela. – JungKook diz, buscando amenizar o estado dos jovens, estes que apenas assentiram e seguiram em silêncio todo o resto da viagem.

Ao chegarem no castelo foram recebidos com calorosas boas vindas de todos os presentes, até mesmo dos servos, e algumas surpresas.

- Noiva? – Kayee indaga, após ser apresentado a duquesa Ji e ter ouvido toda sua história, na presença dos governantes sulistas, os estrangeiros e alguns membros da corte. A indagação de Kayee foi repleta de confusão, mas esta passou despercebida por aqueles que não o conheciam, o que dá mais da metade dos presentes. O comandante estava, realmente, confuso. Seu imperador já o havia apresentado a várias damas da alta sociedade chinesa, mas nada mais que isso. Um noivado, sem o seu consentimento, era uma atitude incomum e duvidosa, que fez o comandante ficar em alerta.

- Sim, Dínghun (noivo em chinês tradicional). -  A duquesa responde, com uma elegância invejável, encarando o chão. – Trago comigo uma carta do grande imperador – que ele viva para sempre- que irá lhe explicar tudo, senhor. – Completa ela, de um modo formal e submisso, agindo do modo que lhe foi ensinado.

- Xièxiè. – O comandante diz em sua língua materna, significa obrigado em chinês tradicional, pegando o pergaminho que foi estendido a si e o abrindo. A mensagem que a mesma continha era mais ou menos assim:

            “Valoroso comandante Wang Kayee. Suas contribuições nessa viagem foram notórias, sendo a maior delas a real identidade do médico e sua suspeita sobre o feiticeiro, e graças a suas informações selamos um acordo com o grande rei Park do Norte. O nosso mais antigo aliado pretende tomar a coroa, através desse contrato de casamento, e nós lhe prometemos auxílio em troca da médica e do feiticeiro, além de assistência bélica para dominarmos de uma vez por todas Taiwan e Hong Kong. A duquesa é uma mulher formidável e lhe auxiliará no que for necessário. Espero a vitória em breve, comandante. Não falhe!

Assinado: Grande Imperador da China. “

Ao terminar de ler o pergaminho, Kayee sentiu o seu interior revirar. Pela primeira vez, desde quando iniciou sua carreira como guerreiro, sentiu nojo das ações de seu país. Seu coração, e mente, pesavam ao imaginar o que aconteceria com Ravena ao ser entregue ao seu soberano, tudo por culpa sua, além do que aconteceria com Yein, que não se renderia aquela dominação ao seu país livre, o que aconteceria com o Sul e o que aconteceria com a feiticeira de olhos claros que tinha toda sua atenção. Sua mente se revirava também ao tentar saber se Jin-Young e Jae-Beom sabiam de algo. Havia convivido pouco com ambos, mas eles foram bons consigo e tinham um bom caráter, era nisso que se segurava. Sem saber o que fazer, ou em que acreditar, Kayee sorriu para todos os presentes e disse:

- É uma honra tê-la como noiva, duquesa Ji.

Estas palavras fizeram o cômodo vibrar em felicitações, antes de cada um seguir seu rumo aos seus respectivos aposentos.  Todos menos um, ou melhor, uma. Esta que ficou em claro buscando compreender o que seus sonhos queriam significar, antes de ser tarde demais.

A manhã chegou e seguiu sem agitação. Mesmo que ainda magoados, principalmente Yu-Gyeom e Yein, os garotos saíram para conhecer o castelo e suas dependências. Os estrangeiros ficaram maravilhados com o diferente ar que o Sul tinha. Em seu passeio foram acompanhados por Ravena e JungKook, a médica se deu super bem com Yein e Jae-Beom, e pela duquesa Ji. Perto das três horas todos resolveram se retirar para seus aposentos, ou para resolver pendencias antes do jantar, e este último foi o caso de Jin-Young e Kunpimook. Após muita insistência, por parte de Jae-Beom e Young-Jae respectivamente, ambos os príncipes resolveram escrever cartas para tentarem conversar com os antigos amantes. A distância, por mais sensata que fosse no momento, machucava os corações dos dois. Sabe o sentimento de vazio que sentimos as vezes do nada ou a falta de significado para si próprio? Bom, era mais ou menos isso que eles sentiam. Como se a razão para viver tivesse sido tirada de si. – eu sei que parece um pouco exagerado, mas pessoas apaixonadas normalmente são assim. – Por causa disso ambos escreveram pequenas cartas para seus respectivos amantes, e as colocaram por debaixo da porta, esperando que tivessem respostas em breve.

“MEU ERRO FATAL, EU SEM VOCÊ SOU FALSO.CÉU SEM LUZ, TODO PRETO.TODOS OS DIAS NÃO TEM SENTIDO. OH, IMATURO, CARA MAL. OH, O PREÇO POR FAZER VOCÊ CHORAR{...}NÃO ME DEIXE, POR FAVOR VOLTE, EU ERA UM TOLO. (YOU CALL MY NAME – GOT7)”

“DESDE QUE VOCÊ SE FOI, MINHA RAZÃO DE VIVER TAMBÉM SE FOI. EU NÃO SABIA DISSO NAQUELA ÉPOCA {...} O SOM DE VOCÊ CHAMANDO PELO MEU NOME. EU QUERO OUVI-LA, SUA VOZ. EU NÃO SABIA O QUANTO SENTIRIA SUA FALTA, POR FAVOR, VOLTE. POR FAVOR ME DÊ MAIS UMA CHANCE. (YOU CALL MY NAME – GOT7)”

Isso são pequenos trechos das cartas que Yein e Yu-Gyeom, respectivamente, receberam de seus antigos amantes. Ambos os lordes, em primeira reação, amassaram os papeis, mas segundos depois desamassaram e os abraçaram. Ficaram pensando o que fazer e se deveriam dar outra chance ou se deveriam ao menos ouvi-los.  Ficaram em seus próprios pensamentos até o momento da ceia.

- Bom, preciso partir, obrigada por me ouvir majestade. – Green diz, levantando-se do seu local na grande mesa de jantar, ao notar a chegada da duquesa Ji e do comandante Kang, as duas únicas pessoas que faltavam.

- Não vai nos acompanhar, senhorita Green? – A duquesa questiona, olhando a feiticeira de cima a baixo de maneira disfarçada, chamando a atenção de todos no recinto.

- Não, infelizmente não. Não faço parte desse núcleo. – Green responde, de maneira educada, antes de fazer uma reverência e dar as costas aos convidados.

- Não poderia fazer um esforço, senhorita? – Comandante Kang pergunta em um tom estranho. – Estava ansioso para conhecê-la e saber sua história. – Continua ele tirando um baixo riso da de olhos claros.

- Minha história não cabe ao senhor ou a nenhum presente neste recinto. – A garota fala, ainda de costas, pondo o capuz de sua capa em seus longos cabelos louros.

- Isso são modos de tratar um lorde? – O comandante diz, exaltado, fazendo todos da mesa entrarem em alerta ao verem os guardas nortenhos barrarem a passagem da garota mais jovem.

- Acha que isso vai me assustar e me fazer correr para mesa para pedir desculpas ao senhor? – Green pergunta de maneira retórica, com uma voz mais grave que a habitual, enquanto majestosamente roubava a espada de um dos soldados. – Se esse for seu pensamento, esqueça. Eu não vou estremecer quando você ou qualquer pessoa presente nessa sala quiser, não me subestime. – A garota volta a falar, com um tom sério jamais visto, enquanto passava a espada pelo chão como se rabiscasse algo.

            - O quê? – JungKooK murmura surpreso.

            - Nunca pensei que isso aconteceria novamente. – Ravena sussurra, lembrando-se da primeira vez que viu a loira daquele modo, tão surpresa quanto o noivo.

Todos os presentes, exceto o casal, ficaram sem palavras ou ações para o que viam. A garota estava realmente escrevendo algo com a espada, o som era fino e machucava os ouvidos dos presentes, enquanto sussurrava palavras em um idioma que os demais não conheciam como se estivesse falando com alguém. Quando o som sessou a garota de olhos verdes começou a se aproximar da maior janela do recinto, esta que se abriu sozinha trazendo junto um forte vento, que fez os presentes ficarem de olhos arregalados. A garota loira encarou o lado de fora da janela, a grande lua cheia, e sussurrou as seguintes palavras, enquanto mudava seu olhar de direção, passando a encarar sete específicas pessoas:

- “Não jure pela lua, a lua está sempre mudando. Todo mês a sua posição no céu muda, e eu não quero tal inconsistência em você. Jure, não pela lua. Don´t swear by the moon.” - a jovem garota, no momento em questão, parecia ser muito mais sábia do que aparentava. Parecia ser outra pessoa e aquilo arrepiou a todos, até mesmo aqueles que já tinham visto algo parecido, principalmente os sete a quem ela direcionou a mensagem.

Após falar, Green fincou a espada no chão e caminhou até o arco do rei Nam-Joon preparando uma flecha. Para surpresa de todos, a de cabelos loiros, mirou na duquesa e, no comandante, soltando a corda em seguida. A seta passou entre os dois e acertou na parede. Todos ficaram ainda mais estupefatos, após as conclusões do ato, enquanto Green apenas deixava o recinto como se não tivesse feito nada.

- Está meretriz tentou me matar, vossa majestade! – Kang foi o primeiro a abrir a boca, após recuperar-se do susto, acordando todos os presentes.

- Não tentou não. – Ravena diz e recebe um olhar irado do comandante nortenho.

- Desculpe lhe contrariar, senhorita Ravena, mas achou que tentou sim. – A duquesa palpita e Ravena suspira.

- Não tentou. Ela não erra. – JungKook diz e recebe confirmação de todos que conheciam a pontaria da garota. – Isso foi um...um...

- Sinal. – Yu-Gyeom completa baixinho o pensamento do comandante Jeon, este que assente com a cabeça.

- O que essa bruxa pensa que está insinuando? – O comandante volta a falar e recebe o silêncio de todos como resposta. Os reis estavam pensativos e os demais não se viam no direito de sugerir algo. O comandante nortenho, indignado com o “descaso” que estavam fazendo, iria voltar a falar, mas foi interrompido pela voz baixa e profunda do rei Nam-Joon.

- Jeon e Ravena, conhecem ela melhor que qualquer um aqui. – O soberano inicia cauteloso, chamando a atenção do casal. – Qual sua opinião sobre o ocorrido e o que devemos fazer? – Completa ele.

- Eu passei um tempo longe, majestade. Todavia, concordo que ela esteja tentando transmitir um aviso, como bem colocou nosso príncipe, mas não compreendo seus motivos. Estou tão perplexo quanto qualquer um. – O comandante responde de maneira sincera. Green normalmente era específica em seus conselhos, mesmo quando os fazia em formas de charadas, e nunca tinha demostrado tal tipo de “coisa” antes.

- Eu não sei, majestade. Acho que seria ideal conversar com a mesma. – Ravena diz, velando a sua preocupação pelo recente acontecimento, recebendo concordância da rainha.

- Não acho isso. – Song Min-Gi, um membro da corte muito próximo e leal ao rei, diz. – Concordo que a garota estrangeira já nos auxiliou muito com seus conselhos, mas não sei se devemos levar isso a sério. Todos os seus conselhos anteriores foram dados contra pessoas que já desconfiávamos, mas a duquesa Ji e comandante Kang nada nos fizeram e trataram muito bem os nossos. – Continua ele e alguns membros da corte concordam.

- Exatamente. Ela deve estar louca, essa meretriz. – Comandante Kang retorna a falar, como se estivesse com a razão, mas para ao ouvir o forte som de uma palma sobre a mesa.

- Cale-se! Não a ofenda de tal forma. Ela nem aqui está para se defender. Apenas fique quieto e não dê palpites, comandante. – Jin-Young diz, frio e sério, chamando a atenção de todos. Estava farto do modo que seu comandante se referia a garota que pouco conhecia, além de se sentir abalado com as palavras direcionadas a si.

- Mas senhor... - O homem insiste, mas logo desiste ao ter os olhos felinos – e frios - de Jae-Beom em si, este que já se punha de pé ao lado de seu príncipe.

- Apenas obedeça! – Jae-Beom exclama baixo e o comandante senta-se, apertando a bainha da espada em desagrado.

- Se não se importar, majestade, peço licença. Não me sinto bem para continuar a refeição. – Jin-Young retorna a falar e recebe olhares curiosos de todos.

- Nenhum de nós, majestade. – Yein é quem se pronuncia, levantando-se, sendo seguindo por Kunpimook e os demais.

- Sentem-se mal? – A rainha pergunta, preocupada, encarando – principalmente- o seu filhote.

- Sim. – Os seis respondem em conjunto.

- Aonde está o comandante Wang? – Ravena é quem pergunta, notando a ausência do comandante entre os seis, fazendo todos repararem no sumiço do chinês.

- Também não estava se sentindo bem e resolveu se retirar. – Young-Jae responde, mesmo que não tivesse ideia de onde o comandante estaria, recebendo concordância dos cinco indivíduos próximos.

- Se nos dão licença, vamos nos retirar. – Kunpimook diz à medida que realizava uma reverência para os que ficavam e sendo seguido pelos demais.

- Appa (pai em coreano), acho que deveria considerar. – Yu-Gyeom diz antes de deixar o lugar junto com os demais.

Com a saída dos jovens o silêncio reinou na sala de jantar. Cada indivíduo se via preso em seus próprios pensamentos, mas nada nos vale ficar narrando ou divagando sobre o que cada um pensava. Foquemos agora, caro leitor, em Green e seu encontro com o comandante Wang, o primeiro de muitos.

VIRE A AMPULHETA, A AREIA ESTÁ CAINDO, OH, É MUITO RÁPIDO PARA VOCÊ. NÃO DESPERDICE SEU AMOR, APENAS DEIXE DURAR, PORQUE UMA VEZ QUE SE FOI, NUNCA MAIS VOLTARÁ. (100 WAYS- JACKSON WANG)

Ao deixar a sala, Green soltou toda a respiração que prendia e suspirou cansada. Detestava quando servia de canal de mensagem entre nosso mundo e o mundo dos mortos. Afinal, o que a nossa garota de olhos verdes é na verdade é uma médium, mas aí já é outra história, que não cabe ser narrada agora. Entretanto, a jovem não podia se dar ao luxo de entender tal dom, tinha que compreender a mensagem que foi enviada e qual a relação dela com seus sonhos e os garotos. A paços largos, seguindo a sua intuição ou o conselho de sua mentora espiritual, a garota foi até os aposentos de lorde Yein e lá procurou por um objeto que se tornou recorrente em seus sonhos. Sem muito esforço encontrou, em cima da penteadeira, uma caixa quadrada feita de algum metal valioso. Rapidamente, sem nem ao menos se ater aos detalhes do objeto, o abriu e lá viu os sete pingentes de prata que juntos formavam um belíssimo heptágono. Observou-os e esperou que clareassem sua mente, mas nada adiantou. Soltando um suspiro cansado, a garota fechou a caixa e saiu apressada do local, tomando cuidado para deixar tudo exatamente igual, para ir em direção ao seu local de reflexão. Entretanto, ao fechar a porta, percebeu que não estava sozinha no imenso corredor.

- Não furtei nada, Comandante Wang. – Green disse, chamando o nome do desconhecido que estava entre as sombras, vendo o comandante aparecer em sua frente.

- Não faz o seu feitio, senhorita. – Wang responde e encara a garota encapuzada, esta que apenas sorriu para ele e voltou a caminhar. Sem muito o que fazer o comandante colocou-se a caminhar ao lado da loira, voltando a falar – Mas gostaria que me explicasse o que aconteceu a poucos minutos. O que quis dizer com aquelas palavras? – Completou, começando a notar o que caminhavam para fora do castelo.

- Não sei se você entenderia ou acreditaria, comandante. – A garota iniciou à medida que fazia várias curvas entre a escuridão. – Também não sei qual o significado, mas acredito que mexeu com vossa senhoria para se dar ao trabalho de me seguir até aqui. – Completa a loira finalizando seus passos em frente a um lago que era rodeado por várias longas árvores.

- De certa forma sim, mas o maior motivo de ter lhe seguido é que buscava um momento a sós com a senhorita. – O comandante explica observando, atentamente, o local em que estava.

- Por que? – Indagou a loira, à medida que fazia um pedido mudo ao comandante que virasse, enquanto retirava sua capa. – Interesse da sua nação, como teve ao descobrir a verdade sobre o médico, ou interesse próprio? -  Continua ela, à medida que retirava as suas demais vestes, entrando, por fim, na água.

O comandante sorri com a fala da garota, recordando-se do seu diálogo com o comandante Jeon, começando a despir-se também. Entretanto, para abruptamente ao notar a menção da loira a sua nação e a carta que escrevera.

- Como sabe disso? – Kayee indaga virando-se para a loira, esta que fica fortemente vermelha ao ter os olhos do comandante semi desnudo em sua frente, enxergando apenas o seu rosto vermelho já que o corpo estava submerso nas águas escuras do lago.

- Do mesmo modo que suspeito que a duquesa não é sua noiva. – Green responde, buscando não gaguejar, virando-se de costas ao notar que o comandante voltava a despir-se.

- Você é uma jovem perceptiva, Green. – Kayee diz com uma voz suave, começando a entrar na água, ficando próximo da mesma. – Não tem medo de estar aqui sozinha comigo? – O comandante indaga, também ficando de costas para moça; a proximidade entre eles era grande a ponto dos braços se encontrarem, curioso sobre tudo.

- Não. – Respondeu a garota, ainda com o rosto vermelho, deixando o comandante surpreso. – Acredito que se quisesse fazer algo já teria feito. Além disso, isso não é do seu caráter, Kayee. Você é um bom homem. – Ela continua e sua resposta faz com que o comandante vire impressionado, tendo agora um vislumbre das costas da garota mais baixa, e comece a tocar-lhe as pontas do cabelo loiro de modo delicado.

- Como pode ter tanta certeza? – Wang questiona, ainda tendo os fios loiros entre os dedos, parando abruptamente o seu carinho ao ter a loira virada para si.

Os rostos estavam próximos e os olhares conectados. Pela primeira vez Green não enxergava mais que os outros, ela apenas via os escuros olhos do comandante. Este, que depois de muito tempo, sentiu-se cativado por alguém. Ambos eram atraídos um para o outro, como duas forças opostas, e nada podiam, ou queriam fazer, para impedir tal coisa. Parecia certo, mesmo que não fosse.

- Probabilidades, Kayee. – Green responde à pergunta do homem a sua frente, depois de passarem tempo suficiente encarando-se, enquanto levava sua destra a bochecha dele; molhando-o. – Qual o seu interesse então, comandante? – Completa ela, retornando o assunto inicial, começando a retirar sua mão da bochecha do mesmo, entretanto não concluiu o ato ao ter seu pulso segurado – fracamente - pelo chinês.

- Seus olhos me cativam, então acho que posso responder que se trata de interesse próprio. Além de que, o momento no jantar, foi surpreendente. – Kayee responde conforme entrelaçava seus dedos aos da garota a sua frente e os conduzia para dentro da água novamente.

- Gostaria que eles cativassem mais pessoas e não as condenassem. – Green diz baixo, mas alto o suficiente para o comandante próximo a si escutar, apertando a mão do chinês. – O que aconteceu é complicado de explicar, acho que apenas Ravena seria capaz de entender ou acreditar. – Ela continua e sorri nostálgica ao lembrar da médica.

Entretanto, seu sorriso some e um baixo gritinho escapa dos seus lábios ao sentir a mão livre do comandante em sua cintura trazendo-a para mais perto. Green o encara e recebe como resposta sua destra sendo solta, deixando a outra mão do comandante livre, esta que segue o mesmo caminho da anterior. Surpresa, a garota volta a encarar o chinês, este que apenas sorri para ela de um modo doce, para em seguida pedir que a garota passasse os braços pelo seu pescoço. Mesmo que acanhada, a garota realiza o que lhe foi pedido e os dois ficam assim, neste desajeitado e íntimo contato, por algum tempo; tendo apenas a natureza como testemunha.

- Porque fez isso? – Green indaga baixinho, acabando por soprar no pescoço do comandante, ainda abraçada no mesmo. A água, que ficava um pouco acima de seus seios, que estavam colados no forte e treinado peitoral do comandante, estava ficando cada vez mais fria, mas isso não parecia incomodá-los.

- Apenas senti necessidade de fazer. Uma voz em minha consciência me impulsionou a isso. – Kayee responde a verdade, por mais absurdo que pareça, apertando mais o pequeno corpo no seu. – Gosta muita dela, não é? – Indaga o comandante, referindo-se a Ravena, fazendo a feiticeira sorrir no vão do seu pescoço.

- Devo minha vida a ela. – Green responde e, mesmo que não pudesse ver o rosto do comandante, percebe dúvida e curiosidade em seu ser. – Um dos primeiros sonhos que tive foi o do rosto dela. Passei muito tempo fugindo, de coisas que não valem ser mencionadas agora, a procura de seu rosto. Depois de muitos acontecimentos ela me encontrou em uma de suas cavalgadas. Eu estava entre a vida e a morte, mas ela me salvou e acreditou em tudo que lhe contei. Com o tempo, me ensinou o idioma daqui – junto com JungKooK que acabou descobrindo minha existência – e depois, ambos, me apresentaram e me situaram na corte. Eles não estavam juntos na época, mas depois de alguns empurrões e armações, viraram o casal mais lindo que conheço. – Conclui ela, presa em uma bolha nostálgica, recebendo um sorriso como resposta.

- Concordo com você, mesmo que tenha convivido pouco com eles.  – Wang diz e recebe uma baixinha concordância da garota. – Gostaria que todos tivessem essa sorte de encontrar pessoas que valessem a pena. – Kayee continua lembrando-se de Yein.

-  Yein encontrou. Na verdade, eles seis. – Green diz, pegando Kayee de surpresa, sendo delicadamente afastada pelo chinês que encarou seus olhos confusos.

- Como? – Kayee estava perdido.

- Não no momento, mas irão. Determinadas coisas são invitáveis. – Green fala e sorri para o comandante.

- Me desculpe, mas eu não consigo entender. – Wang diz sincero e Green sorri em compreensão.

- Em breve entenderá e me auxiliará com eles, comandante. Mas, por agora, porque não volta ao palácio? Mesmo que tenha gostado de ficar com você, irão começar a procurá-lo. – A loira diz tudo de uma vez e recebe uma breve confirmação do chinês. Este, que antes de sair da água e posteriormente do local, deixa um selar na testa da feiticeira em forma de despedida. – Tome cuidado, Kayee. – Green sussurra, sentindo seu rosto queimar ao lembrar de tudo, após a saída do comandante.

- Cuidado para não se apaixonar, jovem Green. – Esther, mentora espiritual da de olhos claros, diz minutos após a saída do comandante.

- Não vai acontecer, não pode acontecer. – Green responde e decidi sair da água para começar a pensar. – Mas ele é diferente. Tudo nele é diferente, além de ter algo que me atrai para ele. – A garota volta a falar, enquanto vestia-se, encarando a mentora. Se alguém a visse agora, juraria que era uma louca por estar falando com o “nada”.

- É a mesma coisa que atrai o príncipe do sul ao príncipe do norte, ou que atrai o taiwanês ao tailandês, ou Choi ao Im. Todos vocês já se encontraram, não posso dizer muito, mas vocês são ligados e se estão todos juntos novamente é porque há coisas a serem consertadas. Então aproveitem a chance que lhes é dada. – Esther diz e some, deixando a garota confusa.

- Adoraria que você me desse respostas mais concretas antes de sumir. – Green sussurra, sabendo que a mentora ouviria, antes de se sentar e iniciar sua meditação em prol de entender as coisas que lhe aconteciam, esperando que fosse o suficiente.



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