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História Not (exactly) a love story - Capítulo 1


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Notas do Autor


sempre shippei o Pete com o Tweek e raramente encontro trabalhos desse casal, então de quarentena me sinto na obrigatoriedade de pelo menos criar alguma coisa morna deles para postar.

Capítulo 1 - Um amor sem muito romance


Fanfic / Fanfiction Not (exactly) a love story - Capítulo 1 - Um amor sem muito romance

As folhas do caderno, ou melhor jornal, como o seu dono preferia chamar o objeto, eram amareladas não pelo enorme tempo de uso, mas sim por terem sido fabricadas assim. O pequeno caderno de capa preta dura era apenas um adorno, que o seu dono, Pete Thelman, havia comprado. O recém formado em seu mestrado sobre literatura havia comprado o objeto na esperança de ser capaz de se organizar com mais eficiência, sobretudo no momento atual de sua vida em que exercendo a profissão de professor na escola da cidade de South Park ao mesmo tempo que fazia trabalhos de monitoria para a faculdade de Denver, onde pretendia começar seu doutorado, bem como fazia pequenos trabalhos como bico de revisor de textos para livros de uma grande editora.

Em meio desse caos de vários trabalhos, o que mais estressava o moreno de pele já não tão pálida como na sua juventude graças a atividade de tomar banhos de sol no intervalo das aulas para fumar seus cigarros, era o fato de ter que revisar os malditos textos, todos vindos de escritores amadores, mas que com um bom time de marketing se tornavam vendedores de best sellers. O que no fim segundo o próprio Pete experenciava e sabia é que nenhum daqueles autores não passava de um escritor de roteiros de comédias românticas protagonizadas pela Jenifer Aniston. Tal trabalho costumava deixa-lo tão imerso a sua própria raiva tendo que ler plots e desenvolvimentos rasos de personagens, que pouco se importava com o barulho do ambiente em que se encontrava, não fosse o barulho de seu esposo.

- Cacete, mas que merda! – Tweek, não mais Tweak depois do casamento civil e de uma enorme vontade de mudar seu sobrenome para algo que não fosse parecido com seu primeiro nome, não era formado. Nunca foi para uma faculdade e mesmo próximo dos seus trinta anos não cogitava entrar em uma. Ao mesmo tempo que era administrador e contador da cafeteria que logo herdaria de seus pais, também tinha que efetuar o serviço de supervisor de seus funcionários e por vezes ajuda-los como barista quando havia um grande movimento de clientes.

- Você é tão bonito quando está xingando. – O fato de o loiro ter se queimado ao pegar uma caneca de metal com leite vaporizado parecia para Pete uma circunstancia perfeita para apreciar e elogiar o seu marido, fazendo com que, o agora barista, mudasse sua expressão de dor para deixar uma risada escapar.

- Minha mão está doendo, de um beijo nela para ela sarar. – Falou ao mesmo tempo que limpou a sua mão esquerda no avental preto com o logo da cafeteria e logo após a estendendo na frente do rosto de seu marido, que estava sentado em uma das banquetas que ficava posicionada no balcão, do lado lateral, onde poucas pessoas sentavam e ao mesmo tempo dava uma visão direta para o trabalho feito nas maquinas de café.

- Agora não tem mais como dizer que quando casar passa, isso seria um sinal para você ser mais cuidadoso? – Disse segurando e logo em seguida beijando a palma da mão que estava estendida a sua frente.

- Desculpa ter te incomodado durante trabalho, amor, mas é que agora é horário de pico. – Ainda com sua mão sendo segurada, Tweek se sentia culpado por ter interrompido o trabalho do marido por um desastre seu.

- Você sabe que não precisa se desculpar comigo por isso e que eu não ligo de estar em um lugar cheio, ligo de estar em um lugar com você. – Pete falava enquanto colocava a mão estendida na bochecha de seu rosto.

- Acho que você está ficando febril de tanto trabalhar e está começando a dizer essas baboseiras na vida real. – Incialmente com uma cara série e depois transportando a mão que até então estava na bochecha para a testa do professor, Tweek terminou sua frase rindo.

- Também te amo, viu? – Agora o professor também ria do que havia dito.

- Vou voltar pro trabalho agora, provavelmente daqui uns quarenta minutos o tumulto passa e vou deixar o pessoal do próximo turno tomar conta, então poderemos ir para casa. – Disse por fim o loiro tomando sua mão de volta e dando um leve selar de lábios em seu marido antes de voltar para o trabalho.

A rotina de casados era assim agora, de manhã e de tarde Pete passava na escola, enquanto não lecionava ficava na sala de professores exercendo a monitoria ou corrigindo os textos, e uma hora após sair de lá ia para o café esperar seu marido para que fossem embora, momento em que normalmente estendia a correção de textos para passar o tempo de espera. Eles não eram ricos e nem mesmo planejavam ser, mesmo com a grande carga horária de trabalhos avulsos que ambos tinham preferiam viver a vida dessa forma. Para Pete poderia parecer uma contradição viver a vida que repudiava e dizia ser cheia de conformismo em sua juventude, mas na verdade era o ápice de sua filosofia de não conformismo.

Ao invés de viverem um casamento moderno e frustrado por fingirem ser eternamente românticos como eram no início da relação, eles aceitavam a chegada da idade e junto dela que o mundo não era uma comédia romântica, então viviam a vida com ironias, piadas, provocações, com pequenos risos entre suas rotinas corridas, sabendo que não era possível viver eternamente aquele romance açucarado dos livros que Pete corrigia, pois aquele final feliz eterno era uma mentira, ainda assim o casal beirando a casa dos trinta anos vivia com muito amor, que apenas não era tão romântico. 



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