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História Notes and Melodies - Capítulo 3


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Oi!
Espero que gostem.

Capítulo 3 - Capítulo 2 - Stop


Fanfic / Fanfiction Notes and Melodies - Capítulo 3 - Capítulo 2 - Stop

 

 

As mãos apertavam a barra do vestido, demonstrando o nervosismo que dominava seu corpo. As pessoas da plateia permaneciam caladas, aflitas, com a garotinha que permanecia encarando o piano.

Pela primeira vez, ela não estava entre as pessoas da plateia. Era estranho tocar de novo depois do que aconteceu, era estranho estar no palco de novo, sendo observada dessa forma, e recebendo esses olhares de pena de inúmeras pessoas. De fato, tudo havia mudado, e ela sentia isso. 

Prendeu o ar em seus pulmões, soltando a barra de seu vestido, aproximando mais o banco do piano. Fez sinal positivo com a cabeça para os funcionários do bastidores que a fitavam escondidos atrás da cortina, sinalizando que estava pronta. Então, os primeiros acordes da base invadiram o teatro, sendo seguido pelas primeiras notas que exalavam do piano.

Rondo Alla Turca, invade os ouvidos das pessoas. As notas rápidas pareciam fluir enquanto os dedos da menina rolavam por cima das teclas. Cada nota era seca, não soava como uma melodia harmônica, não era como as outras em que você parecia estar flutuando. Nessa, era como se os pés fossem queimados por brasa. Era rápido. Curto. E objetivo. O suor já escorria de sua testa pela velocidade, seu cérebro estava ligado no máximo, ela tinha um foco. 

Ela não admitiria nenhum erro de si, não saberia o que faria caso errasse. As pessoas permaneciam assistindo a apresentação. Sem saber como reagir diante a garotinha que dias após perder a mãe, tocava o piano perfeitamente, como se nada tivesse acontecido – pelo menos aparentemente – já que por dentro, um furacão acontecia na garota. As notas do piano pareciam unir-se com os sentimentos e emoções agonizantes que a garota parecia fazer o máximo para conter em seu peito. 

No auge da melodia, o som para abruptamente de rechear o teatro. E todos encaram curiosos o centro do palco, de onde ela havia tirado suas mãos de cima do piano e colocado ao lado do corpo. Ela encarava perplexa o piano.

O silêncio reinava o teatro que estava barulhento a segundos atrás. 

 Levou seu dedo a cada tecla fazendo força para que o som saísse. Nada. Repetiu o ritual com cada tecla restante. As pessoas encaravam confusas a garota que permanecia apertando aleatoriamente as teclas do piano, e os jurados torciam o nariz por pensarem que ela havia esquecido. 

- Meu piano está com problema. – ela  aponta para o piano e sussura para o funcionário que estava parado entre as cortinas do fundo do palco.

- Não está. – ela consegue ler os lábios dele, que responde acompanhado de sinais com o braço em negação - seu piano está normal. 

Ela leva mais um de seus dedos a tecla, apertando constantemente. Encara receosa o homem que somente mexe a cabeça em sinal negativo, ficando cabisbaixo. O pânico se alastra pelo corpo da menina que começa a bater nas teclas com a mão espalmada, não escutando sequer nem um chiado vindo do piano. Ele não demonstrava reagir a nada. As lágrimas desciam desenfreadas pelo seu rosto.

O pânico dela começou a consumir todos que estavam no espaço, que começaram a murmurar entre si, esboçando teorias sobre o podia estar acontecendo. Ela permanecia batendo impaciente no piano, que nada exalava. O mesmo funcionário de antes vai em sua direção, retirando as mãos da menina de cima do piano, tentando a retirar do palco. – você tem que sair, Lilian. Vamos lá pra trás, deve ser só algum problema no piano mesmo, vem. – ele tenta convencê-la, e também a si mesmo.

- Eu não consigo ouvir ele, Jeon. – suas pequenas mãos vão em direção a sua orelha, ficando em cada lado de seu rosto. Ela balança a cabeça em uma tentativa falha de reverter aquilo. – é só eu que não estava ouvindo.

- Vamos ajeitar isso. – os soluços altos eram escutados no palco, onde os outros funcionários e algumas pessoas permaneciam encarando comovidos o desespero dela. Que retira as mãos do rosto, estendendo ainda relutante para o homem que a guiava para fora do centro do palco.

Era isso, era sua maldição

 

Lillian Point Of View

​Minhas botas faziam um som irritante no piso enquanto eu corria afoita em direção a sala de aula. As pessoas que já olhavam de cara feia, e comentavam sobre mim, me vendo nesse estado – descabelada, com a roupa toda amassada e com os braços cheios de livros – devem estar aproveitando o prato cheio. 

- Com licença, professora. Eu posso entrar? – coloco minha cabeça pro lado de dentro da sala. Dando um sorriso amarelo para a mais velha antipática que me fitava com um olhar duro. – por favor.

- Atrasada de novo, Lilian? – que pergunta besta - Não é a primeira vez. Se eu levar isso para os superiores você sabe que receberá punição. – ela arqueia a sobrancelha. Certo, ela sempre me pareceu rigorosa demais, mas não precisa ser tão dura assim.

- Eu perdi o horário... – procuro uma desculpa para dar a ela – eu prometo que não vai se repetir. – lhe lanço o meu melhor sorriso. Ela me ignora e volta a se concentrar no quadro, escrevendo alguma bobagem. Eu tinha que começar a fazer treinamentos sobre mentiras, porque não é possível que eu seja o único ser humano que não saiba fazer isso.

Coloco o resto do meu corpo para o lado de dentro da sala, recebendo alguns olhares curiosos dos outros alunos. Vou em passos largos em direção as carteiras, sentando na última cadeira da fileira da ponta.

- Não vou conseguir enxergar nada daqui. – bufo – que legal.

Escuto duas batidas na porta, seguida pelo som dela se abrindo bruscamente, o que chama a atenção de toda a classe, inclusive da professora. Um garoto passa pela porta, parando com o corpo entre o lado de fora e o de dentro da sala. Segurava a alça de sua mochila, e eu não pude deixar de analisá-lo.

Seus cabelos negros caiam sobre suas orelhas e cobriam um pouco de suas sobrancelhas. Ele vestia um conjunto de roupas todo preto composta por um moletom, uma calça jeans rasgada nos joelhos – e sapatos de cano médio – também pretos.

- Bom dia professora. Eu sou aluno novo. – sua voz exala pela sala, me causando pequenos arrepios pelo seu tom grave. – aqui está meu comprovante de transferência. – ele estende um papel para a professora, que o recebe ainda desconfiada. Ele permanecia sem expressão alguma enquanto a encarava aparentemente impaciente – avaliado pelos seus pés que batiam contra o chão -.

- Parece que está virando um hábito atrasos de alunos por aqui. – não contenho o sorriso ao sentir a indireta. Ele ergue uma sobrancelha, a fitando. – mas como você é novo na turma. Irei deixar passar. – ela pega a folha e joga no lixo ao lado. O ignorando por completo e virando-se para o quadro novamente.

Ele não parece se incomodar e parece procurar com os olhos algum lugar para se sentar. Eu não sabia explicar o que tinha nele, mas realmente me chamava atenção. Talvez pelo seu olhar que não parecia fazer sentido algum, já que não demonstrava nada – e eu era boa em descobrir as pessoas – ou somente sua aparência que realmente me chamava atenção.

- Tem alguém sentado aqui? – seu tom de voz me tira dos meus devaneios. Ele me encarava com suas sobrancelhas franzidas, parecendo me analisar.

- Não tem ning... – antes que eu consiga terminar de terminar de responder, ele se senta de forma desajeitada sobre a cadeira, que estava ao meu lado, ainda um pouco afastada. Eu somente dou de ombros com sua grosseira, não o encarando depois daquilo.

 Pego alguns cadernos que estavam ao lado em minha mochila, os colocando em cima da mesa para começar a escrever. A professora continuava enchendo o quadro de conteúdo e minha visão parecia estar pior do que nunca, já que eu tentava a todo custo forçá-la para enxergar melhor – sem sucesso –.

Começo a bater com minhas unhas na cadeira, impaciente. Eu gostaria de escrever o conteúdo, já que prestar atenção no que ela explicava não era uma alternativa. Eu não conseguia sequer focar no que ela explicava, minha atenção não estava exatamente na aula dela, e sim na pessoa que estava sentada quieta ao meu lado. Ou ele estava realmente prestando muita atenção na aula, ou estava tão aéreo que sequer se mexia.

Viro o meu rosto para o outro lado, encararndo a paisagem que estava presente pelo vidro da janela. O verde parecia se mesclar com os tons de azul do céu e as pequenas nuvens brancas. Alguns passarinhos faziam barulho no lado de fora. Instintivamente, começo a batucar com a ponta de meus dedos na mesa.

O garoto ao meu lado contrai levemente seus ombros, enfiando as mãos dentro do seu moletom, parecendo incomodado com algo. Reparo que a professora começa a falar sobre algo relacionado a algum trabalho. Estalo a língua na boca, é, eu também me incomodo.

Continuo batucando levemente a mesa, encostando minha cabeça na janela e fechando meus olhos. Os ruídos eram a única coisa que eu escutava exalando dos meus dedos, ao mesmo tempo que pareciam familiares – também eram desconhecidos – não chegavam nem perto de se parecer com as notas do piano, mas era o mais próximo que eu conseguiria ouvir do som de um.

uma mão fria agarra meu pulso, fazendo eu virar minha cabeça abruptamente para encarar a pessoa que me encarava com um olhar tenso.

- Será que você não percebe que está sendo irritante com esse barulho? Para de batucar essa mesa – ele solta meu pulso me fazendo encará-lo com o olhar assustado. Ele somente vira para frente fitando a professora novamente como se nada tivesse acontecido, ainda com o olhar vago de antes.

Que estranho, eu tenho certeza que daquela distância não tinha como ele se incomodar, ou sequer ouvir o som dos meus dedos.

 

 



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