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História Notes To Be Noticed - Capítulo 41


Escrita por:


Notas do Autor


Aí meu deus... Eu não atualizo desde Janeiro.

Boa leitura :3

Capítulo 41 - Antipatia Composta


Hekou Mirai 

Duas semanas depois

Caminho rapidamente com as pilhas de mapas e Organogramas em mãos para entregar aos fornecedores que me aguardam no hall. Preciso me apressar para conseguir apresentar-lhes o colégio e todas as instalações novas antes do meio dia para que eles possam almoçar e estudar as propostas ainda hoje, se possível.

Quando passo pela sala de aula onde Aizawa está lecionando, paro por alguns instantes apenas para ter um vislumbre do moreno compenetrado em sua fala, seja ela qual for. Me perco um segundo nos meus pensamentos sobre ele, mas logo me recomponho para prosseguir com minhas responsabilidades. Me aproximo do hall da U.A. e cumprimento os fornecedores, entregando um consolidado dos documentos para cada um deles antes de encaminhá-los pelo tour. Para a minha sorte, ainda são 9h, então ainda há tempo de sobra para que essa apresentação não seja uma maratona.

Caminhamos por todas as áreas relevantes e quando nos aproximamos do centro de cerimônias, meus saltos já incomodam meus pés de forma gritante.

- E esse é o espaço destinado a graduação dos alunos, podem ver que há telões espalhados por locais estratégicos e o som é devidamente instalado para que soe uniforme por todo o espaço - declaro apontando para os detalhes que explico enquanto os homens e mulheres fazem anotações em seus papéis e cadernos. Tudo parece estar indo bem e creio que não haverá problemas com essa negociação. Torço para estar certa, pois foi difícil trazê-los até aqui. - Agora lhes mostrarei o local onde ficarão os convidados durante a confraternização.

Guio o grupo para fora do centro de convenções quando uma forte dor paira sobre o meu crânio de forma contundente, sinto um enjôo forte e peço licença a eles rapidamente antes de correr para o banheiro mais próximo. Essa dor que perdura na minha cabeça é estranha e posso dizer que nunca a havia sentido antes. Quando chego finalmente em um dos boxes no banheiro feminino, tenho tempo apenas de ajoelhar em frente ao vaso sanitário antes de vomitar todo o conteúdo do meu estômago. A ânsia parece não ter fim e mesmo depois de despejar tudo o que podia, é como se minha garganta ainda contraída para expelir algo mais.

Talvez seja ansiedade por conta das situaçoes estressantes que venho passando ou pelo menos algo que devo ter comido no dia anterior, de fato não vejo outros motivos para esse mal estar repentino. Por um momento fico pálida e sinto um arrepio passar por minha coluna com uma possibilidade que traria estes sintomas a um corpo feminino, busco meu celular no bolso da calça e procuro o aplicativo de controle que possuo para acompanhar minha menstruação. Suspiro aliviada ao notar que a mesma ainda está programada para daqui alguns dias e isso me diz algo sobre esse enjoo repentino. Quem sabe seja apenas uma TPM mais forte que o normal, não é incomum que isso aconteça, ainda mais depois de tantas emoções no último mês.

Levanto-me do chão sentindo minhas pernas bambas e dou descarga antes de sair para lavar as mãos na pia, volto a me concentrar no que ainda tenho que dizer aos fornecedores quando um estrondo atrás de mim me faz pular de susto. Olho para o espelho e vejo uma silhueta conhecida no mesmo que me faz virar imediatamente.

- Que porra você está fazendo aqui, sua vadia? - questiono rispidamente sem ao menos me importar com o palavreado de baixo calão que eu deveria evitar no ambiente de trabalho. Encaro aquela mulher de cabelos loiros com raiva e sei que meu estresse acabou de começar.

- Olá querida, tem se divertido bastante com o meu marido? - Hannah rebate com um tom desdenhoso e eu me seguro muito para não dar na cara dessa mocreia. Ainda.

- Ele com certeza não quer ser seu marido. Me responda, como entrou aqui? - pergunto com a voz falsamente tranquila, ainda que eu queira simplesmente mandá-la para debaixo da terra, eu preciso saber quais foram as falhas de segurança dessa vez. Isso não pode mais se repetir.

- Para alguém que matou o próprio irmão você deveria ser menos confiante, não acha? - a loira sibila com um sorriso venenoso, abanando a mão no ar com chacota e eu arregalo os olhos diante a sua fala. Como diabos ela tem essa informação? Ela teve acesso aos documentos confidenciais?

- Como você sabe disso, sua puta?! - Exclamou perdendo a compostura e acabo por me aproximar ainda mais dela, meus punhos estão cerrados e minha cabeça volta a pesar com uma pressão inusitada. Talvez seja a raiva que está me afetando mais no momento, mas não consigo deixar de sentir uma energia pesada correndo pelo meu sangue enquanto evito me aproximar o suficiente para estapear essa cadela.

- Eu sei de muitas coisas, meu bem. Uma delas é que em breve eu terei meu Aizawa de volta… - Hannah provoca mais uma vez jogando os cabelos sebosos pra trás enquanto me encara com um olhar desafiador - Nem adianta ficar bancando a mamãe do meu filho, ouviu bem?

Não consigo mais me segurar ao escutar ela se referindo ao Shinsou como filho dela, como ela é capaz de dizer isso depois de tudo que o fez passar? Levo meu punho fechado ao seu rosto e soco seu nariz com toda a minha força, ela fica desnorteada e eu não hesito em socar mais uma vez com minha outra mão.

- Ah sua cadela desgraçada! - Me deixo levar pelo ódio e seguro os cabelos dela com as mãos, levando sua cabeça à parede diversas vezes fazendo um som oco ecoar por todo o banheiro. Espero de verdade que ninguém apareça agora, pois não sou capaz de me controlar mais. Percebo que a loira continua sorrindo cinicamente ainda que seu cabelo já esteja manchado pelo sangue em sua cabeça, ela me encara com seus olhos vazios e logo vejo seu corpo se desfazer em um monte de areia.

Respiro fundo tentando acalmar as batidas do meu coração enquanto tento ao menos entender o que acabou de acontecer. O que essa vadia queria aqui e como ela entrou? Por que diabos ela sabe do meu irmão?

Volto para a pia e apoio minhas mãos sobre ela encarando a cerâmica em um estado de torpor, minhas juntas latejam pela brutalidade dos meus socos no rosto de Hannah e vejo meu cabelo desgrenhado pela agressividade momentânea, meus pulmões queimam implorando por ar como se eu sequer tivesse a capacidade de respirar, minha cabeça continua doendo como o inferno e eu amaldiçoo a vida por me fazer estar de TPM numa situação dessas. Levo minha mão a testa fechando os olhos por alguns segundos e procuro a paz interior para não surtar completamente. Essa mulher ainda está longe de ser descartada como um problema, agora já devemos lidar com ela como uma vilã e isso só aumenta ainda mais nossos problemas já existentes, será que essa merda ainda vai crescer mais?

Tudo o que eu não queria agora era ser lembrada do meu passado, depois de uma semana sem eventos atípicos, novamente me vejo passando por uma torrente de acontecimentos desconexos que no final nunca fazem sentido quando vistos em conjunto.

Lavo minhas mãos novamente e tento ao menos ajeitar meu cabelo para ficar apresentável, agora não é hora de pensar em tudo isso, devo arcar com minhas responsabilidades antes e depois de tudo, poderei surtar na tranquilidade da minha casa. Graças aos deuses hoje é sexta feira… Ligo para a central de segurança e peço para que verifiquem a existência de uma mulher loira nas câmeras, não duvido que ela tenha dado um jeito de entrar ainda que nosso plano de contenção seja um dos melhores do Japão. Suspiro e dou uma última olhada no espelho antes de tomar coragem para continuar.

Saio do banheiro e volto rapidamente para o local onde os investidores aguardam pacientemente, peço desculpas pela demora e volto a fazer o tour como havia sido combinado. Tudo está bem por ora, mas ainda há coisas demais que precisam ser resolvidas. Odeio quando algo está fora do meu alcance…

-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_

Assino mais alguns contratos e analiso os mapas do evento enviados pelos investidores de mais cedo, agora já passam das 17h e tudo o que eu mais quero é ir embora. Tento me concentrar no trabalho apenas para não pensar no que aconteceu hoje, mas a cada informação que recebo me sinto ainda mais frustrada. A central de segurança me informou que não houve uma mulher loira em nenhuma das rotas de entrada ou saída do colégio, ou melhor, ela não foi vista sequer nos corredores próximos ao banheiro. Isso não faz sentido algum e me corrói ter que aceitar que aquilo pode ter sido ou uma alucinação, ou uma estratégia sorrateira de infiltração que pode nos causar problemas futuramente.

Envio um relatório para Nezu por e-mail sobre o acontecimento e espero que ele não demore para analisá-lo, creio que tal situação seja de urgência máxima e quanto mais cedo focarmos nisso, menor será a redução de danos que precisaremos para conter problemas.

Ouço batidas na porta enquanto me concentro em uma solicitação de insumos no e-mail e apenas permito a entrada de quem quer que seja. Quando olho por cima da tela para saber de quem se trata, sorrio levemente olhando para Aizawa que agora me encara com uma das sobrancelhas arqueadas.

- Já pode parar de trabalhar, nós estamos indo embora - ele declara olhando para o relógio em seu pulso e eu apenas balanço a cabeça enquanto continuo digitando no computador.

- Espera um segundo, eu estou terminando este e-mail - peço delicadamente enquanto vejo-o se sentar na cadeira a minha frente. Ele analisa o escritório como se estivesse entediado e eu sorrio para sua face despreocupada, ele parece cansado, mas creio que minha face deve estar ainda pior dessa vez.

- Você parece abatida, como foi seu dia? - Ele questiona com uma tom indiferente, mas sei que seu olhar está sobre o meu rosto me fitando fixamente a espera de qualquer sinal que eu possa lhe dar para mostrar algo diferente do que irei responder. Claro que isso se faz desnecessário, já que nunca tive a vontade ou necessidade de mentir para ele.

- Cansativo, é difícil lidar com tanto trabalho quando preciso dar uma surra em alguém no banheiro feminino - Digo com um tom divertido e irritado ao mesmo tempo, termino de redigir o e-mail e o envio, já desligando o computador em seguida. Aizawa está me olhando com uma expressão estupefata e decido que é melhor eu continuar a explicar. Suspiro e olho para ele com uma expressão amarga em minha face, não consigo esconder a minha frustração com toda essa situação. - Hannah esteve no colégio hoje, mais uma vez.

Explico para ele cada detalhe da nossa breve interação mais cedo e dou ênfase na forma como ela apareceu e sumiu sem sequer deixar rastros.

- Eu não estou ficando louca! Bom, pelo menos eu creio que ainda não perdi minha sanidade - Reitero por fim, sentindo-me na obrigação de explicar isso para ele. Eu sei que minha história parece muito sem pé nem cabeça, mas minhas mãos não estariam doloridas e avermelhadas se eu não tivesse socado alguém que realmente esteve na minha frente. Aizawa me olha por longos segundos e por um breve momento, vejo sua expressão pensativa parecer perdida nas próprias divagações. Ele ainda não teceu comentários e começo a estranhar sua inércia quanto ao assunto - Oi? Você está bem?

- Eu que deveria perguntar pra você se está tudo bem. Já avisou Nezu sobre isso? - Ele pergunta voltando a si de repente, quase como se tivesse se assustado. Ele nunca fora de agir assim, creio que talvez eu tenha motivos para me preocupar.

- Já mandei um relatório - respondo suspirando enquanto apoio os cotovelos sobre a mesa para afundar meu rosto nas mãos, a dor de cabeça havia passado um pouco, mas alguns resquícios dela faziam minha testa latejar em alguns momentos. Ergo meu olhar cansado para Aizawa e procuro saber um pouco mais sobre sua distração estranha - Você está sabendo de algo? Está estranho…

Ele me analisa por alguns segundos antes de responder com convicção, levantando-se da cadeira.

- Não, só acho muito estranho que isso tenha acontecido - Sua resposta é convincente e sua face neutra não me dá muito espaço para deduzir se estou equivocada ou não. Presumo que eu esteja um tanto paranóica com todo esse furdunço, preciso realmente descansar um pouco. - Você está bem? - Ele questiona ficando de pé ao lado da minha cadeira. Eu giro o assento para ficar sentada de frente para ele e sorrio ao segurar sua mão estendida, levantando-me em seguida.

- Meus pés estão me matando, eu estou morrendo de cansaço, minhas mãos estão doendo pelos socos que eu dei na cara da vagabunda e eu gostaria muito de um chocolate agora - respondo elencando todas as minhas reclamações usando os dedos para enumera-las. Ele sorri levemente para mim abraçando minha cintura e eu aceito o carinho, rodeando meus braços em seu pescoço.

- Certo, tire os sapatos - ele ordena depois de se afastar e eu o faço, vendo ele se abaixar para pegar os saltos em suas mãos. Ele segura o par de scarpins com uma mão enquanto estende a outra para mim. Shouta me fita com carinho e eu me sinto acolhida por sua face calma, ainda que agora eu tenha que olhar pra cima para vê-la - Eu vou te levar pra casa, chega de porradaria e trabalho por hoje. 


Notas Finais


Desculpem, de verdade. Vou procurar retomar essa fic porque agora temos um planejamento em peso para ela. Estou escrevendo pelo celular e isso é horrível, mas vale a pena porque não sei quando terei um notebook novamente e não quero mais postergar essa história.

Aos poucos vamos indo. Obrigada a todos que aguardaram até agora ❤️❤️❤️

Até mais :3


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