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História Nothing but a strange web - Capítulo 3


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Notas do Autor


E vamos ao segundo capítulo, sem qualquer constância pra postar, mas ainda seguindo. A letra da música no início é de The Only Hope For Me is You do (adivinhe) My Chemical Romance.

Capítulo 3 - So I plunged into myself


Fanfic / Fanfiction Nothing but a strange web - Capítulo 3 - So I plunged into myself

2. Mikey

 

If there's a place that I could be

Than I'd be another memory

 

    Encaro o teto em silêncio, suspirando pesadamente ainda que não estivesse sozinho no quarto. Me encontrava jogado na cama com a cabeça apoiada no colo de Kristin que afagava delicadamente meus cabelos, tentando me trazer algum conforto. Já fazia uma semana, na verdade, desde que Elena, minha avó, falecera. Foi um baque enorme para o meu emocional já que tudo aconteceu de forma tão repentina, voltar à New Jersey para o enterro, sem ter tido a oportunidade de me despedir enquanto ainda estava viva, revê-la daquela forma depois de tantos anos, cada detalhe dessa situação parecia um forte chute em meu estômago. Meus pais pareceram devastados da mesma maneira, ainda preocupados com Gerard, que passou o funeral inteiro em silêncio, se afastando quando tentavam algum tipo de aproximação. Meu irmão não deu qualquer sinal de querer conversar no momento nem nos últimos dias, já que não atendera à nenhuma das ligações, nem mesmo de minha mãe. Claro que fazia um tempo que estava afastado, desde que decidira ficar em New Jersey, recusando-se a se mudar, mas agora que vovó não estava mais lá, a ideia de deixá-lo sozinho deixava até mesmo a mim preocupado. 

    Desde que voltei à New York, dois dias atrás, Kristin vinha verificar como eu estava, não é como se eu estivesse me desfazendo em lágrimas todos os dias, mas entendo como ela se preocupava pela maneira de eu não ser muito bom em expressar emoções e manter tudo para mim, sem conseguir externar praticamente nada do que sentia de fato. Então apenas aceitava sua companhia, passando algumas manhãs silenciosas como aquela, ainda que depois de um tempo eu tentasse puxar algum tipo de conversa para amenizar o clima e tranquilizá-la um pouco quanto ao meu estado emocional.

    A única diferença é que hoje não estávamos sozinhos, Charlotte estava sentada na cadeira em frente a escrivaninha, me observando atentamente com seus olhos preocupados, sem ter coragem de interromper o silêncio para fazer as perguntas que eu sabia que tinha. No decorrer do ano anterior havia feito uma amizade considerável com a garota e esta parecia um tanto ofendida por eu não ter contado sobre nada do ocorrido, ainda que ela estivesse tão próxima de onde havia sido o funeral, tendo passado as férias em sua cidade natal. Ainda assim, ela só ficara sabendo da situação toda por Kristin, que aparecera hoje de manhã acompanhada da ruiva logo cedo. 

    Eu não me sentira confortável para falar sobre, havia comunicado apenas Kristin e apenas por ter que explicar o porquê de repentinamente passar dois dias em New Jersey sendo que há anos não ia para lá. De fato, não havia muito a ser dito. Era apenas uma ausência, um grande vazio, notar que não mais poderia passar as tardes de domingo conversando com Elena durante horas pelo telefone e que não receberia suas cartas que insistia em mandar, dizendo que eram para ser guardadas como recordação. Restam apenas as pequenas memórias boas tingidas em um tom melancólico pela falta. Ainda que me doesse o peito, não chegava a ser paralisante.

    - Sabe, eu não vou me quebrar em pedacinhos se vocês falarem alguma coisa. - tento amenizar o clima, ainda que pudesse sentir a preocupação com que me olhavam. É, talvez não adiantasse muito. Será que eu era tão ruim em esconder que estava bastante entristecido esses dias ou essas duas que não se deixavam enganar tão facilmente?

    - Eu acho que você deveria tentar conversar com a gente, Mikes, você passou esse tempo todo aí, só fingindo que nada aconteceu, não comentou sobre nada e desviou de todas as minhas perguntas. Eu fui obrigada a trazer Charlotte e seus olhinhos de filhote para ver se você soltava alguma coisa!  - Kristin finalmente falou, franzindo as sobrancelhas ao me olhar fixamente nos olhos, ao que desviei quase de forma instantânea, meus olhos acabando por recair em Mayer que me observava atentamente com preocupação e expectativa. Péssima escolha, era realmente desconcertante como a garota tinha um ar infantil e doce demais. 

    - Eu estou bem, é sério. Só me pegou um pouco de surpresa, não quis preocupar vocês com tudo isso. E se acham que eu pareço mal vocês deviam ver a cara de Gerard, ele sim parecia completamente perdido. - tento desviar o foco do assunto, comentando de forma aleatória o que me passara pela mente nesses últimos instantes. Na verdade, já estava falando mais do que havia feito no últimos dias, que apenas desviava drasticamente o assunto, de modo que Kristin pareceu um tanto quanto satisfeita com a pequena brecha. 

    - Você está preocupado com ele? - ela não era tonta, havia percebido que minha fala não havia sido apenas um desvio, que era algo que me atormentava um tanto, por mais que não seja o assunto que ela inicialmente esperava tratar. 

    - Não tem como não ficar, não é? Sei que não estamos tão próximos como já fomos um dia, mas a ideia de ele ficar sozinho naquele lugar é bem preocupante, mamãe está quase entrando em colapso por não conseguir falar com ele. - decido por fim lhe dar algo, sem resistências. Por mais que eu não falasse muito sobre meu irmão, era um assunto bem mais cômodo, sem dúvidas. Levanto-me, afastando a cabeça do colo da loira, me acomodando sentado ao seu lado. Charlotte então se levanta da cadeira e se aproxima da cama, me abraçando e depositando um beijo de leve em minha testa, enquanto dizia um “vocês dois vão ficar bem” que me deixou desconcertado.

    - Desse jeito eu vou ficar com ciúmes. - a loira exclamou em tom brincalhão, fazendo bico, em uma expressão de contrariedade. Charlotte como sempre não percebeu que minha namorada não falava sério e se afastou de mim rapidamente.

- Você também vai ficar bem. - disse a ruiva indo até Kristin e a abraçando da mesma maneira, também depositando um beijo em sua testa, o que me fez soltar um riso um tanto quanto alto quando Colby fica tão sem graça quanto eu havia ficado, surpresa pela aproximação repentina.

- Eu não estava falando… - antes que a garota pudesse se justificar, o som da campainha ecoou pela casa, de modo que franzi a sobrancelha. Levantei-me e segui até a porta da frente, mas antes que chegasse até lá, minha mãe já havia aberto a porta, de maneira que eu estava no fim da escada quando vi Frank e Bert na sala, o mais baixinho se encontrava apoiado no braço do sofá, com sua aparência de sempre, vestindo um moletom laranja chamativo e suas típicas jeans rasgadas, estava numa conversa amena com minha mãe, sorrindo simpaticamente, de forma que fazia Donna se derreter e cair em seus encantos facilmente. Bert, por outro lado, se mantinha mais afastado, esperando que a conversa encerrasse para que pudesse subir de uma vez, o que era indicado por sua expressão impaciente enquanto tirava e colocava a mão nos bolsos, alternando o peso entre as pernas.

- Será que vai ter algum tipo de festa aqui e eu não estou sabendo? - pergunto em tom descontraído, chamando a atenção dos presentes. Frank com toda a energia que ele tem naquele rabo vem quase que pulando em minha direção, me abraçando os ombros e bagunçando meus cabelos em um cumprimento. 

- Eu não ia deixar de visitar meu quatro olhos preferido depois de voltar para New York. Como você está? - a pergunta de Iero vinha carregada de inocência e bom humor, de forma que imaginava que Donna não havia tido tempo para atualizá-lo dos acontecimentos recentes, algo que confirmei ao olhar para minha mãe e esta apenas desviar os olhos, um tanto cabisbaixa. Bert, sem perceber nada do clima que havia se instaurado entre os Ways, se aproxima com um sorriso enorme no rosto, me cumprimentando com tapinhas nos ombros. 

- Querem subir? Charlotte e Kristin estão lá em cima. - chamo, evitando responder a pergunta sob os olhos observadores de minha mãe, que se voltaram novamente à minha pessoa no instante que voltei a me pronunciar. Dei meia volta então, subindo as escadas antes mesmo de esperar a resposta, já que sabia que seria seguido pelos dois até o quarto. Ao chegar ao cômodo os olhos curiosos das duas garotas se voltaram para nós, sendo que a ruiva havia voltado a se acomodar em frente a escrivaninha. Joguei-me na cama exatamente no instante que Frank e Bert chegaram até a porta.

- Já que o magrelo aqui não liga para os amigos, nós vamos até ele, não é mesmo? Oi, Lott, Kristin. - disse Frank com toda sua energia habitual, como se já acordasse ligado no 220v. Sem se importar com formalidades, Iero se joga ao meu lado na cama, quase me acertando com seu jeito sempre tão cuidadoso de ser, o que me fez cutucá-la nas costelas em reprovação, de modo que o garoto deu um pulo, se afastando uns bons centímetros. - Ei, podia me receber com um “óh, obrigado pela visita, eu achei que fosse morrer de saudades se não te visse hoje mesmo”. - reclamou, com uma tentativa de imitar meu tom de voz de maneira debochada, o que me fez revirar os olhos em resposta. 

- Desse jeito vamos pensar que somos odiados, com todo esse descaso. - dramatizou Bert, se aproximando do canto onde Frank estava, seus olhos azuis se fixando em mim enquanto fingia estar extremamente magoado.

- Estava realmente começando a estranhar como o mundo parece sem a barulhera toda que vocês fazem em qualquer lugar que vão. - comento com um projeto de sorriso no canto dos lábios. O garoto menor ao meu lado se apoiou sobre os cotovelos, analisando a expressão das pessoas em nossa volta (incluindo a minha, ainda que eu dificilmente expressasse realmente alguma emoção no momento) e, sendo muito mais atento do que McCracken, pareceu estranhar o clima entre as pessoas no local.

- Aconteceu algo? - perguntou Frank de forma descontraída, mas ficando realmente preocupado quando notou os olhares se desviando. Kristin e Charlotte não iriam se pronunciar antes que eu dissesse algo, mesmo que a ruiva fosse um tanto imprevisível e aleatória, as vezes, mas eu já estava evitando o assunto há dias e me senti pressionado com aqueles olhos âmbares esverdeados sobre mim. - Mikes, pode falar comigo. - o tom de seriedade de Iero fez com que Bert se atentasse para a súbita mudança de clima, mas ainda se mantivesse quieto, apenas observando tudo.

- Elena morreu, uns dias atrás. - solto a frase como se comentasse qualquer amenidade, ao que o garoto ao meu lado arregala os olhos em surpresa.

- Eu sinto muito, Mikey, você está bem? - seus olhos grandes e preocupados me olhavam fixamente, sem qualquer sinal de ressentimento por não ter contado nada antes, o que era ótimo, porque eu não estava muito disposto a continuar a conversa se ele continuasse com o drama. Mas apesar de todo seu jeito, Frank era mais compreensivo e tinha mais tato do pensavam, além de que convivendo comigo há um ano, ele sabia que eu não iria falar muito sobre, então procurava atentamente qualquer sinal de que precisava se preocupar.

- Estou bem sério. Eu não queria falar sobre, passei o primeiro dia um pouco atordoado, mas acho que estou encarando bem a morte dela agora, foi a primeira vez que tive que lidar com a morte de alguém mais próximo assim.

- Uau, como é que você fez isso? Eu estou há dias tentando fazer essa criatura falar! - reclama Kristin um tanto chocada e emburrada, ainda que aliviada por ver que eu estava me abrindo um pouco mais. Acabei soltando um riso baixo por sua indignação, achando ainda mais engraçado quando Frank arqueou uma de suas sobrancelhas estranhamente delineadas, com uma expressão convencida no rosto, antes de voltar seu olhar novamente para mim.

- Eu imagino, perder meu avô foi um baque enorme para mim, éramos bem próximos, precisei de uns dias para encarar tudo.

Eu creio que nunca o havia visto falar com tanta seriedade e até mesmo Bert pareceu um pouco chocado com as palavras sensíveis do amigo. Eu realmente me senti um tanto mais disposto a sair da bolha que havia me colocado nos últimos dias após falar um pouco com eles, até mesmo um tanto arrependido de ter tentado me afastar com meus pensamentos que só iam me puxar para baixo. Soltei um sorriso de canto que tentei disfarçar coçando o canto da boca.

- No velório da minha tia Mary Beth tinha uma mesa incrível de salgados e doces, não foi tão ruim assim, você precisava ver como as velhas capricharam nos docinhos chiques, eu nunca me empanturrei tanto. - e Bert, claramente, tinha que mudar totalmente o clima, ganhando um olhar absolutamente indignado de Kristin. 

- As vezes fico chocado com sua sensibilidade. - comentei ironicamente, fazendo com que McCracken soltasse uma risada escandalosa que lhe era característica. 

 



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