História Nova Chance - Capítulo 14


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Categorias Histórias Originais
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Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 14 - Escolha um lado


Pov. Isabela

No recreio, Lívia e eu vamos até um canto menos movimentado da escola nos encontrar com os nossos amigos. Os garotos estão sentados em um banco e Clara em outro em frente ao deles. Eles estão discutindo, parecendo um pouco alterados, o que faz nós duas rir discretamente.

—Capitu não traiu Bentinho! —minha irmã diz, bem alterada. Pelo visto, eles estão discutindo sobre Dom Casmurro, o livro que mais causa discussões entre os que leram.

—Claro que traiu! —Tiago rebate enquanto nós sentamos ao lado de Clara, recebendo cumprimentos com a cabeça dos outros —Oi, meninas. Ela meteu dois chifres na cabeça dele.

—Eu não acredito que vocês estão discutindo por causa disso —Lívia fala rindo

—Eu não acredito que eles ainda estão discutindo por causa disso —Gabriel diz, parecendo um pouco impaciente —Estão nessa briga desde o primeiro tempo de aula, eu estou enlouquecendo!

—Isa, fala pra ele que a Capitu não traiu o Bentinho. —Clara pede

—Capitu traiu Bentinho, sim —digo

—Isabela! —Clara exclama —Primeiro: você tem que ficar do meu lado! Segundo: A Capitu não traiu ninguém, o Bentinho que era perturbado!

—Gente, vamos mudar de assunto, por favor? —Gabriel pede e nós nos calamos —Obrigado.

—O que vocês fazer mais tarde? —Tiago muda de assunto —Queria que vocês fossem na minha casa pra gente fazer alguma coisa. Tava pensando em um jogo de verdade ou desafio, ou quem sabe a gente podia jogar sete minutos no céu.

—Eu topo! —Lívia diz, de imediato

—Acho que vou —Gabriel fala. Os três olham pra mim e pra Clara esperando nossa resposta

—A gente vai —minha irmã fala

—Clara, você combinou que ia me ajudar a estudar, esqueceu? Você disse que eu não posso deixar pra estudar só quando começarem as provas —digo pra ela

—Verdade —ela responde suspirando —Pra gente não vai dar,

—A gente podia jogar verdade ou desafio agora —Lívia sugere —Temos tempo

—Pode ser —Tiago diz —Alguém tem uma garrafinha?

—Eu tenho —Gabriel fala, colocando a garrafinha no chão enquanto todos nós nos sentamos no chão em volta da garrafinha. —Quem vai começar?

—Eu começo —Lívia diz. Ela gira a garrafa, que aponta para Clara. —Hum... vamos lá, Clarita, verdade ou desafio?

—Verdade —ela responde, meio incerta

—Quando foi a última vez que você pensou ou falou alguma coisa ruim de alguém aqui?

—Foi... —ela pensa um pouco —ontem à noite quando a Isabela estava secando o cabelo à meia-noite, quando eu tava querendo dormir.

—Quanta agressividade... —digo rindo —Agora é você quem gira a garrafa

—Tá bom —a garrafa dessa vez para no Tiago —Verdade ou desafio?

—Desafio —ele responde

—Me dá uma ideia de desafio —Clara sussurra pra mim —Eu não sei o que dizer

—Deixa comigo —respondo. Penso um pouquinho olhando pra cara dele e, enfim, decido: —Desafio você a beijar a pessoa à sua esquerda.

Lívia, que está à esquerda dele, fica corada de vergonha, enquanto Tiago dá um sorriso ladino e se vira para ela, fazendo ela ficar ainda mais vermelha. Ela se vira para ele, respirando fundo, e Tiago puxa seu queixo com o dedo indicador e dá um selinho nela. Lívia fica tão vermelha quanto é possível alguém ficar e desvia os olhos dele.

—Agora eu giro, né? —Tiago questiona, recebendo um aceno de concordância de todos nós. Ele gira a garrafa, que gira até parar no Gabriel —Verdade ou desafio?

—Verdade —Gabriel responde —Eu fiquei com medo desses desafios.

—Se você fosse o último homem do planeta e precisasse encontrar a última mulher do planeta para popular a Terra, —ele começa— qual das três moças presentes você ia querer que fosse a última mulher do planeta?

—Foi longe agora, ein? —comento.

—Deixa ele responder —Clara diz, ansiosa demais, me fazendo franzir o cenho

—Eu...eu... —ele gagueja. Nesse momento, o sinal toca. Gabriel dá um suspiro de alívio e diz: —Eu tenho que ir pra aula.

—Cara, o professor da próxima aula sempre demora —Tiago tenta dizer, mas Gabriel sai apressadamente pra dentro da escola.

—Acho melhor a gente ir também, Isabela —Lívia diz, puxando o meu braço e me lançando um olhar significativo, o que faz com que eu me apresse. Nos despedimos rapidamente dos dois que ficaram e seguimos para dentro do prédio até chegarmos na sala de aula.

—Por que você fez aquilo? —ela pergunta, parecendo chocada —Por que escolheu aquele desafio?

—De nada —respondo —Escuta, eu sei que você gosta do Tiago. Eu só quis te dar um empurrãozinho.

—Mas eu fiquei parecendo uma tonta —ela diz —E como você sabe que eu gosto dele?

—Você não ficou parecendo uma tonta —a tranquilizo —E eu simplesmente sei ler as pessoas

—De qualquer jeito —ela diz —eu não tenho chance com ele. Vou ficar na friendzone eternamente.

—Quanto drama... —digo —Por que você acha que não tem chance?

—Intuição —ela diz, me fazendo revirar os olhos

—Você tem que pegar mais leve com si mesma. —digo séria —Eu vou te ajudar com ele, não esquenta.

 

Pov. Nicole

Depois da aula, Felipe conta pra mim e pra Rebecca sobre um campinho de futebol que tem perto da escola, onde os garotos costumam jogar. Ele diz que eles nunca jogam segunda-feira, então a gente podia ir lá hoje depois do almoço. Rebecca e eu concordamos imediatamente. Antes de irmos pra casa, passo no escritório da minha mãe e pergunto se posso ir jogar futebol com eles mais tarde.

—Só se uma das suas irmãs for com você —ela diz. Concordo com a cabeça e vou pra casa com as minhas irmãs. Pergunto durante o almoço se alguma delas pode ir comigo pro futebol.

—Foi mal, a Clara vai me ajudar a estudar —Isabela diz

—Tudo bem —falo —Ana, e você?

—Eu vou contigo —ela responde —Não tenho nada pra fazer, de qualquer jeito.

Pouco depois de terminarmos de almoçar, eu vou junto dela pro campinho de futebol.  

—Então você conseguiu um aliado entre os meninos... —ela comenta —Como isso aconteceu? Parecia que todos eles estavam contra você.

—Sei lá —eu dou de ombros —Acho que ele não concordava com os outros. Ele até pediu pro líder do bando daqueles animais nos deixarem jogar.

—Sério? —ela fica animada —E aí?

—Aí rolou uma aposta e nós ganhamos —respondo —Agora eu e a Rebecca podemos jogar futebol na educação física

—Isso é ótimo! —diz enquanto me abraça pelos ombros —Que bom que você está fazendo o que gosta. Agora...você pediu desculpa pra garota em que você bateu?

—Olha meus amigos ali —disfarço —eu vou lá falar com eles. Fica aí sentada nesse banco.

—Ei, espera! —ela tenta dizer, mas eu corro para aonde a Rebecca e o Felipe estão e não a deixo terminar.

—Oi gente —cumprimento esbaforida

Porque você veio correndo? —Felipe questiona —E quem é aquela?

—Ah —digo, ainda sem fôlego —é a minha irmã

—Mas porque você estava correndo, Nic? -Rebecca questiona

—Deixa pra lá —digo —Vamos jogar?

 

Pov. Ana Júlia

Nicole sai correndo antes que eu possa terminar de falar. Eu rio e me sento em um banco olhando pra ela e a vejo cumprimentar seus amigos e começar a jogar. Eu adoro ver como ela fica feliz quando está correndo atrás da bola desse jeito. 

—Que fofinha você observando ela desse jeito —tomo um susto ao ouvir isso e me deparo com o Eduardo sentado do meu lado no banco

—Eu vou amarrar um sino no seu pescoço pra você não me assustar —digo nervosa

—Oi —ele fala, cínico

—Você algum dia vai parar de fazer isso? —pergunto

—Provavelmente não —ele responde com um sorriso inocente

—O que você estava fazendo que era entediante ao ponto de você precisar vir aqui me encher o saco? —questiono

—Quem disse que eu vim aqui só pra encher o seu saco? —ele rebate —Eu posso ter te encontrado aqui por engano, sabe? O mundo não gira ao seu redor. —ai! Sento como se jogassem um copo de água fria na minha cara, mas não deixo transparecer. Alguma coisa no tom dele me diz que ele não está sendo muito sincero. Lanço um olhar penetrante e arqueio uma sobrancelha, o obrigando a contar a verdade —Tá, tudo bem... Eu fui no seu quarto e você não estava lá, então eu perguntei de você pras suas irmãs e elas disseram que você estava aqui. Mas respondendo a sua pergunta, eu estava resolvendo uma coisa.

—Hum. Espero que essa coisa seja o seu sei-lá-o-quê com aquela barbie mal feita —digo, seca

—Ciúmes? —ele questiona, com um sorriso de canto de boca

—Claro que não —respondo irritada —Eu só não goto dela por causa da Mônica. E eu sei que ela não gosta de te ver com a garota que ela odeia.

—Certo. Mas agora eu já falei com a “barbie mal feita” —ele fala, rindo —então, você e a sua amiga podem ficar tranquilas

—Que bom que você parou de ficar com ela pela sua irmã. —digo sinceramente —Irmã é coisa séria.

—Tô sabendo. Mas eu parei com ela não só pela minha irmã. —ele fala, me fazendo franzir o cenho em confusão —Quer dizer, em parte foi, mas tem um outro motivo.

—Você vai dizer qual é o outro motivo? —questiono, já prevendo a resposta

—Não —ele diz sorrindo

Antes que eu possa dizer qualquer coisa, uma movimentação do outro lado do campo chama a minha atenção. Vejo que a Nicole está caída no chão e corro até ela.

 

Pov. Nicole

Nós ficamos jogando bola por vários minutos, até que resolvemos parar pra beber água. Olho pra Ana Júlia e ela está conversando com um amigo dela, então resolvo não atrapalhar e sigo os meus amigos para um outro canto

—Vocês são muito boas, garotas —Felipe diz dando um gole numa garrafinha. —Melhores do que maioria dos garotos da sala.

Rebecca e eu sorrimos em agradecimento, mas um pigarro atrás de nós faz com que os nossos sorrisos sumam.

—É bom saber que você está confraternizando com o inimigo, Felipe —diz o garoto da nossa turma que parece comandar todos os outros. Ele nos olha com fogo nos olhos antes de continuar —Primeiro aquela idiotice de deixar elas jogarem, agora fica jogando escondido com elas aqui? Que foi, você virou amiguinho delas agora?

—Cara, calma aí —Felipe tenta dizer —Não é nada demais, também...

—Nada demais? —o garoto fala, irritado —Eu chego aqui e você todo amiguinho da menina macho e da gordinha? O que foi? Mudou de lado?

—Quem é você pra falar assim com ele? —Rebecca diz com firmeza, o que me faz arregalar os olhos, assim como Felipe

—Eu não sabia que baleia falava! —ele diz —O papo ainda não chegou no oceano.

—Você dobre a sua língua pra falar da minha amiga! —digo nervosa —Você não tem um milésimo do caráter dela!

—Você vai me bater, vai? —ele fala com voz de bebê, em deboche —Cuidado pra bonequinha não quebrar a unha no processo.

Muito irritada, dou um chute na canela dele, que pula pra trás gemendo de dor. Ele se recompõe e me empurra no chão. A minha sorte é que estamos onde tem areia e não me machuco muito. Olho pro lado e vejo que a Ana Júlia vem em minha direção preocupada.

—Você vai ter que escolher, Felipe —ele diz —Ou a gente, ou elas.

Ele sai correndo antes que minha irmã chegue. Um par de mãos me levantam e percebo que a Ana está me abraçando fortemente.

—Você está bem? —ela pergunta nervosa —O que aconteceu? Você se machucou?

—Eu estou bem —a tranquilizo —Só um idiota que me empurrou.

—Não que ela tenha caído sem lutar —Rebecca comenta

—É mesmo —Felipe completa —Aquele chute que você deu vai deixar um roxo na canela dele.

—Você chutou a canela dele? —Ana pergunta chocada —Eu não sei se eu brigo com você ou se fico orgulhosa.

—Eu acho que eu vou embora —Felipe diz —Eu não posso chegar em casa muito tarde. Você vem, Rebecca? Sua casa fica perto da minha.

—Estou indo —ela diz —Você foi ótima. Obrigada por me defender

Ela me abraça e vai embora, acompanhada pelo Felipe

—Acho melhor a gente ir —Ana diz. Eu concordo com a cabeça e saímos andando em silêncio, até que eu digo:

—O que é que você estava conversando com o seu amigo, ein? —sorrio maliciosamente —Estavam combinando de dar uns beijinhos?

—Você é ridícula —ela ri e dá uma leve cotovelada em mim —As minhas conversas não são da sua conta, bonitinha.



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