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História Nova Era -Interativa - Capítulo 7


Escrita por:


Notas do Autor


Oii gente !

Peço desculpas mais uma vez pela demora, fui viajar esse fim de semana e não conseguir fazer absolutamente nada, vou tentar ser o mais rápida possível, porque sei que todos vocês estão ansiosos com relação ao primeiro capítulo, quero agradecer também aos comentários e responderei todos assim que possível

Pra quer quiser ouvir uma música enquanto lê :
It's My Life - Bon Dovi

Boa leitura

Capítulo 7 - Capítulo Bônus : Ângelo


Fanfic / Fanfiction Nova Era -Interativa - Capítulo 7 - Capítulo Bônus : Ângelo

Ângelo Riquelme Santiago 


Enquanto mastigo a carne, tento decidir o que é pior, jantares de família ou acordar cedos aos domingos para ir a igreja, quando meu pai pega o celular e começa a digitar para sua amante, na cara da minha mãe, eu chego a conclusão da resposta.


- Meu pai pode pegar o celular e eu não. - Resmungo, remexendo minha comida de um lado para o outro, tentando me concentrar em não sair da mesa, tenho que ficar aqui durante trinta minutos pelo menos, com toda certeza eu consigo.


- O que é tão importante assim que não pode ser deixado pra depois? - Pergunta minha mãe, ele simplesmente desliga a tela do celular e murmura " Trabalho", voltando a comer, reviro os olhos, já acostumado a ouvir essa mentira um milhão de vezes, nem preciso olhar pra minha mãe pra saber sua expressão toda vez que meu pai faz isso, o engraçado é que por mais irritada que ela esteja com ele por estar tão focado no "trabalho", sempre escuto pequenos gemidos e suspiros no quarto depois, deve ser algum acordo entre eles, como esse jantar idiota, sexo uma vez por mês pra fingir que são um casal perfeito, eles não tem ideia do que é perfeição, então.


- Como foi seu dia? - Questiona minha mãe, como sempre, querendo puxar assunto.


- Mesma bosta. - Sussurro, ela me encara por alguns segundos e depois se vira para o meu pai.


- E o seu? - Ele olha para minha mãe por alguns segundos, dá  um sorriso amarelo e volta a atenção para o prato. 


- Sabe como é corrido. - Fala simplesmente, não estendendo o assunto. Nos vemos mais uma vez em silêncio, sem nada pra falar, como sempre, é por isso aguentamos comer juntos apenas um dia no mês.


A verdade é que minha família não é mais a mesma, muita coisa mudou desde que chegamos em Nova York, e a perda do dinheiro tirou todos nós da nossa zona de conforto, foi aí que o casamento dos meus pais começou a desandar, minha mãe aceitou a falta de dinheiro por conta de que ela já tinha sido pobre no passado e essas coisas, porém meu pai focou ainda mais no trabalho e deixou a família de lado, fazendo com que minha mãe percebesse que a vida encantada, a vida que meu pai prometeu, tinha acabado e tudo o que ela deixou pra trás foi em vão, mas ainda, sim, ela não desistiu dele e continuou tentando, meu pai percebeu o esforço dela e na época se sentiu muito mal, provavelmente porque a mulher que ele amava - ou ama, eu não sei e nem quero saber - estava se matando para ter uma vida perfeita, enquanto ele estava entre as pernas de uma mulher muito mais nova que ele, então eles fizeram o que eu chamo de: perdão do papai e da mamãe, meu pai deu joias para ela - das quais ele não tinha dinheiro para pagar - e fizeram sexo. Então, do nada, o casamento estava salvo, ai quando decai de novo eles repetiam. 


É claro que eles sempre acharam que eu era novo demais pra entender, então resolvi entrar no personagem, isso até que me ajudou a ter uma certeza na vida: não vou ser igual aos meus pais. Vou encontrar uma mulher incrível, esperta, linda e que seja tão perfeita quanto eu, vamos nos casar, ficar ricos e as pessoas vão ter tanta inveja da gente que vou seriamente buscar uma proteção divina. E não vou ter filhos, não que eu tenha sido responsável de destruir o casamento dos meus pais, na verdade, é justamente por mim que eles vão pensar duas vezes antes de separar, mas simplesmente não acho que ter filhos é uma boa ideia.


- Estou de saída. - Avisa meu pai, levantando, e minha mãe fica nervosa na mesma hora. 


- O quê? Hoje? Por quê? - Pergunta, apertando o guardanapo na sua mão, enquanto meu pai coloca o paletó - minha mãe gosta que coloquemos roupa sócias nessas reuniões em família -.


- Tenho um projeto para apresentar numa cidade longe daqui, não dá para chegar a tempo se for de manhã. - Diz, olhando sério para minha mãe, que murcha a cada palavra. 


- Projeto? Assim do nada? Por que não me avisou? E nós? - Questiona aflita, meu pai dá a volta e dá um beijo na testa dela. 


- Nós podemos esperar, isso é importante querida. Volto amanhã à noite. - Pronúncia, já pegando uma mala, que estava escondida atrás da porta. - Boa noite, amo vocês. - Assim sai, estou a um passo de sair da cadeira, apesar de não ter dado nem trinta minutos, só que quando estou prestes a levantar, escuto ela soluçando, e me sento na cadeira, de novo.


- O que foi mãe? - solto um suspiro cansado e olho pra ela, que pisca sem parar tentando afastar as lágrimas. 


- Você sabe de alguma coisa do seu pai? 


- Não - minto sem pensar duas vezes, ela não  diz mais nada, apenas observa o prato a sua frente, o olhar está vazio e não sei bem o que ela deve estar pensando nesse momento, mas não é preciso de muito para saber que está triste, apesar de ser sábado a noite e eu passar a noite com a minha mãe, é a última coisa que eu planejava, proponho:



- Quer assistir um filme? - Ela olha pra mim no mesmo instante, abrindo um sorriso enorme, acho que a última vez que passamos um tempo só nosso foi a uns seis anos atrás.


- Claro! - É, eu realmente mereço um prêmio de melhor filho.




Meu pai chega bem tarde no dia seguinte, minha mãe já foi dormir, finalmente ela abusou bastante desse negócio de mãe e filho, nos divertindo juntos, estava tão animada querendo fazer tanta coisa, que só faltava ela me levar no parque para brincar de pega pega, estou jogado na sala, procurando mais um filme para assistir, apesar de ficar reclamando que eram violentos de mais os filmes que eu escolhia, minha mãe assistiu todos sem nem piscar, me deixando agora sem opção, enquanto isso, meu pai faz um barulho absurdo na cozinha, até aparecer na sala com dois copos de vinho, ignoro sua existência durante alguns segundos, até ele falar abrindo o vinho:



- Vamos Ângelo, conheço você, beba comigo. - Resmunga e despeja um pouco nos dois copos.



- Gosto de coisas mais fortes. - Retruco com o olhar ainda na TV.



- Tudo bem. - Diz, tirando um cantil de tequila do seu bolso, colocando nos dois copos. - E agora? 



- Se está tentando me agradar, sugiro que não comece com as palavras, dinheiro vai funcionar melhor. - Falo sorrindo, finalmente me dignando a olhar para ele. 



- Tem que parar com isso Ângelo, sabe que agora não posso dar tudo que você quer. - Fala entre dentes, eu sorrio sarcástico. 



- Ligaram hoje avisando que o cartão de crédito tinha estourado o limite estabelecido, pensaram que tinha sido clonado e ligaram para terem certeza disso, perguntei qual foi a compra e ela me falou que foi um colar da Tiffany, o engraçado é que minha mãe não recebeu esse colar até agora. - Meu pai fica tenso no mesmo minuto, e olha no corredor, onde ficam os quartos, e depois se volta para mim, com os olhos arregalados, meu sorriso fica mais aberto em resposta. - Parece que tem dinheiro sim papai


- Filho, já conversamos sobre Diana, ela é ambiciosa, sabe bem usar as cartas que tem. - Sussurra e eu dou uma pequena risada. 



- Eu também pai, eu também. - Pego a taça de vinho e me levanto. - Meu silêncio tem um preço, sempre teve, e não é agora que vai mudar, se está tendo problemas não é problema meu, entende isso?! 



Ele só olha pra mim dos pés a cabeça e assente, ótimo, é bom saber que tem um cãozinho bem treinado nessa casa, me viro e ando lentamente até o pequeno corredor, entro no meu quarto e me jogo na cama, observo meu pôsteres com várias bandas antigas e chego a conclusão que a música é a única companhia que preciso agora, tomo o vinho de uma vez, pego um cigarro e acendo, coloco o fone de ouvido e relaxo na cama, me desligando do mundo e aproveitando eu mesmo. É, com certeza eu sou suficiente para mim, e não é preciso de mais ninguém. 


Notas Finais


Espero que tenham gostado


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