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História Nova- Uma história Divergente - Capítulo 92


Escrita por:


Notas do Autor


Oiiii
Como estão??? Espero que bem haha
Espero que gostem da leitura ❤

Capítulo 92 - Nuvem de soro.


POV: Eric.

Estou na sala do meu pai, olhando alguns dados sobre os recursos, a população, os centros urbanos, como sempre. A maioria dos dados são chatos e entediantes e fazem com que eu queria me matar por conta tédio, mas, com ele bem aqui em minha frente, me esforço para continuar prestando atenção aos números.

Ontem, ou antes de ontem, não lembro bem, Matthew veio até mim e me ofereceu uma seringa com um líquido dentro. No começo, achei estranho e receoso, já que, não tenho um bom histórico com líquidos injetáveis, mas, ele disse que aquilo tinha sido ordem de David como uma forma de suprir alguma carência vitamínica que eu possa estar ter. Claro, não recusei e rapidamente ele injetou o líquido em meu pescoço.

Por algum motivo, desde então, meu pai tem agido estranho comigo e até mesmo com as outras pessoas como os conselheiros dele e alguns seguranças, sempre cochichando coisas inaudíveis para eles, me impossibilitando de saber do que se trata. Talvez eu pergunte alguma hora, acho que ele não mentiria para mim.

De repente, um segurança abre a porta da sala sem nem ao menos bater, dando um susto em nós dois. Nós o encaramos e ele olha para meu pai, dando um minúsculo aceno com a cabeça.

Olho para meu pai, confuso e o vejo baixando os olhos em direção a mesa e cerrando os dentes. Não sei o motivo, mas ele parece estar com raiva. Ele estica o braço e alcança um telefone no lado direito de sua mesa, pegando-o e o levando até sua orelha direita.

- Aqui é o David. Iniciar protocolo 476.3. – ele faz uma pausa. – Sim, inicie agora.

Assim que ele termina de falar e coloca o telefone no lugar, uma voz surge das caixas do sistema de comunicação, que, julgo estarem espalhadas por todo o Departamento.

– Atenção, residentes do complexo. Iniciando procedimento de confinamento emergencial, em vigor até as cinco da manhã. Repito, iniciando procedimento do confinamento emergencial, em vigor até as cinco da manhã.

O segurança que chegou à porta vai até a parte traseira da cadeira de rodas onde meu pai está e começa a guiá-la pela sala, em direção a saída. Me levanto, ainda confuso e surpreso com tudo aquilo e caminho em direção à saída também, mas outro segurança, que eu não tinha visto até agora, surge na porta e coloca a mão em frente ao meu peito, impedindo que eu passe.

O mesmo homem, então, inclina-se perto do meu pai, que fala algo em seu ouvido. O homem concorda com a cabeça e volta a sua posição normal, ainda no meu caminho enquanto vejo meu pai indo embora.

- O que é isso? – falo para o homem em minha frente. Mais dois aparecem de trás de uma das portas duplas que está fechada, mas ficam um pouco mais atrás. – Saia do meu caminho. – digo, no tom mais autoritário que consigo. Não serve de nada.

Lentamente e de forma quase imperceptível, o homem leva sua mão direita à sua cintura, onde há um coldre com uma pistola dentro. Meus olhos pulam para a pistola e ao perceber isso, ele rapidamente a empunha e coloca bem na frente do meu rosto.

Por instinto, desvio com a cabeça para o lado, e assim que o faço, o homem aperta o gatilho, acertando apenas a parede atrás de mim.

Por um milésimo de segundo, fico espantado com aquilo e sem saber o que fazer. Mas, o treinamento da Audácia surge como uma chama em meu peito, colocando-me em ação.

O homem tenta mirar a arma em mim de novo, mas, dessa vez, a seguro com a mão esquerda e forço para que ela aponte para o lado. Com a mão livre, tento dar um soco em sua barriga, mas ele desvia para o lado e prende meu braço entre o seu e a seu tronco.

Então, ele bate com a própria cabeça na minha, acertando em cheio meu nariz e minha boca. Solto a mão da pistola e ele solta meu braço e eu caio no chão, batendo em uma pequena mesa de vidro, quebrando-a e derrubando as coisas que estavam sobre ela.

No chão, levo minhas mãos ao meu rosto e sinto a dor atravessar meu corpo inteiro. Sei que estou sangrando pelo nariz possivelmente quebrado e por um lábio cortado, quando sinto algo pegajoso em minhas mãos e sinto o gosto de sangue.

Uma cabeçada já dói, ainda mais quando usam capacete, penso.

Abro os olhos e a primeira coisa que vejo é o cano da arma do homem apontada para o meio dos meus olhos. Um frio atravessa minha coluna e eu coloco as minhas duas mãos ao lado do meu corpo, não vendo muita escapatória e aceitando meu destino.

Mas, quando minhas mãos tocam o chão ao lado do meu tronco, minha mão direita encosta em algo duro e frio como metal, porque é metal. Uma pequena escultura de ferro no formato de um triângulo maior formado por três triângulos menores com um buraco de mesmo formato no meio.

Agarro o metal e o jogo em direção à cabeça do homem, ao mesmo tempo que coloco todo meu corpo para o lado na intenção de desviar algum possível tiro.

A escultura atinge seu capacete, bem no visor, mas não o fere, mas o deixa atordoado o bastante para que eu chute suas pernas, fazendo-o cair de costas no chão. Rapidamente me levanto e piso no pulso da mão que segura a arma e ele a solta após dar um grunhido abafado pelo capacete. Fico inclinado sobre seu tronco para impedir que ele levante.

Com a outra mão ele acerta dois socos fortes na lateral da minha barriga, deixando-me sem fôlego por uns instantes. Tomado pela raiva, agarro sua cabeça e a bato contra o chão inúmeras vezes, tantas que perco a conta, até que eu ache ter sido suficiente.

Mas ele está de capacete, então poderia estar fingindo, embora com certeza tenha sofrido algum dano.

De qualquer forma, pego a pistola jogada e o encosto no lado do capacete. Atiro duas vezes só por precaução.

Limpo o sangue do meu rosto, mas ele continua a vir. Como em um clarão, me dou conta: havia mais dois seguranças à porta.

Com a arma em mãos, viro meu corpo para a porta já apontando para qualquer coisa que eu venha encontrar. Mas, para minha surpresa e infelicidade, a porta está fechada.

Levanto e tento empurrar a porta mas ela nem se mexe, bato com força nela mas o resultado é o mesmo. Tento escutar algo do lado de fora mas não ouço nada. Até que faz sentido, essa é a porta da sala do líder do Departamento, ela tem que ser a melhor possível.

Estou preso. Pode haver um exército inteiro esperando para me matar do outro lado dessa porta e eu não saberia.

E, o pior de tudo, é que sinto essa sensação ruim e desconfortante em minha barriga e em todo o meu ser. Mas não sinto isso por mim, sinto pela pessoa que amo.

                            ***

POV: Tobias.

A sede dos sem-facção, que, para mim, sempre será a sede da Erudição, independentemente de qualquer coisa, está silenciosa sob a neve, com nada além de janelas acesas para sinalizar que há pessoas lá dentro. Paro diante das portas e produzo um som de insatisfação com a garganta.

– O que foi? – pergunta Peter.

– Odeio este lugar.

Ele afasta dos olhos o cabelo encharcado de neve.

– Então, o que devemos fazer? Quebrar uma janela? Procurar uma porta dos fundos?

– Vou simplesmente entrar. Sou o filho dela.

– Você também a traiu e deixou a cidade quando ela proibiu todo mundo de fazer isso – lembra ele. – E ela mandou pessoas atrás de você para detê-lo. Pessoas armadas.

– Pode ficar aqui se quiser – digo.

– Aonde o soro for, eu vou. Mas, se atirarem em você, vou agarrar o frasco e sair correndo.

– Não esperava outra coisa.

Ele é uma pessoa estranha.

Entro no saguão, onde alguém reconstruiu o retrato de Jeanine Matthews, mas desenhou um X sobre cada um dos seus olhos com tinta vermelha e escreveu “lixo das facções” embaixo.

Várias pessoas com braçadeiras dos sem-facção avançam contra nós com armas apontadas. Reconheço algumas delas das fogueiras no armazém dos sem-facção ou do tempo que passei ao lado de Evelyn como líder da Audácia. Outros são completos estranhos, o que me lembra que a população sem-facção é muito maior do que jamais suspeitamos.

Levanto as mãos.

– Vim ver Evelyn.

– Claro – diz um deles. – Porque nós deixamos qualquer pessoa que quiser falar com ela entrar assim.

– Tenho uma mensagem das pessoas do lado de fora – aviso. – Tenho certeza de que ela gostará de ouvir.

– Tobias? – diz uma mulher sem-facção. Eu a reconheço, não do armazém dos sem-facção, mas do setor da Abnegação. Ela era minha vizinha. Seu nome é Grace.

– Olá, Grace. Só quero falar com a minha mãe.

Ela morde o interior da bochecha e me estuda, depois passa a segurar a arma com menos firmeza.

– Bem, mesmo assim, não devemos deixar ninguém entrar.

– Pelo amor de Deus! – exclama Peter. – Que tal ir contar o que está acontecendo e ver o que ela tem a dizer sobre isso, então? Podemos esperar.

Grace recua para o meio da multidão que se reuniu ao nosso redor enquanto conversávamos, depois baixa a arma e sai apressada por um corredor próximo.

Ficamos parados ali por um tempo que parece muito longo, até que meus ombros doem de tanto suportar o peso dos meus braços levantados. Depois, Grace retorna e faz um sinal para que a sigamos. Desço os braços, os outros baixam suas armas, e entro no salão, passando pelo centro da multidão, como um fio passando pelo buraco de uma agulha. Ela nos guia até um elevador.

– O que está fazendo com uma arma, Grace? – pergunto. Nunca soube de alguém da Abnegação usando uma arma.

– Os costumes das facções não existem mais – diz ela. – Agora posso me defender. Posso ter um senso de autopreservação.

– Que bom – digo, e estou sendo sincero. A Abnegação era tão problemática quanto qualquer outra facção, mas seus males eram menos óbvios, disfarçados pela máscara do altruísmo. Exigir que uma pessoa desapareça, que suma em meio à paisagem aonde quer que for, não é melhor do que a encorajar a socar outra pessoa.

Subimos até o andar onde o escritório administrativo de Jeanine costumava ficar, mas não é para lá que Grace nos leva. Ela nos leva para uma grande sala de reuniões com mesas, sofás e cadeiras organizadas em quadrados arrumados. Enormes janelas na parede dos fundos deixam entrar a luz da lua. Evelyn está sentada a uma mesa à direita, olhando pela janela.

– Pode ir, Grace – diz Evelyn. – Você tem uma mensagem para mim, Tobias?

Ela não olha para mim. Seu cabelo espesso está preso em um nó, e ela veste uma camisa cinza com uma braçadeira dos sem-facção. Parece exausta.

– Você se importa em esperar no corredor? – digo para Peter, e, para a minha surpresa, ele não discute. Apenas sai da sala, fechando a porta.

Eu e minha mãe estamos sozinhos.

– As pessoas do lado de fora não têm nenhuma mensagem para nós – digo, aproximando-me dela. – Querem roubar as memórias de todos nesta cidade. Acreditam que não há como argumentar conosco, não há como apelar para nosso lado bom. Eles decidiram que seria mais fácil nos apagar do que conversar conosco.

– Talvez tenham razão – diz Evelyn. Enfim, ela me encara, apoiando a maçã do rosto em suas mãos. Há um círculo vazio tatuado em um dos seus dedos, como uma aliança. – Então, o que você veio fazer aqui?

Eu hesito com a mão no frasco em meu bolso. Olho para ela e consigo ver a maneira como o tempo a exauriu, como um pedaço de pano velho, puído e com as fibras expostas. E também consigo ver a mulher que conheci na minha infância, a boca que se abria em um sorriso, os olhos que brilhavam com alegria. Mas, quanto mais olho para ela, mais me convenço de que a mulher feliz nunca existiu. A mulher é apenas uma versão tênue da minha mãe real, vista através dos olhos de uma criança.

Sento-me à mesa, de frente para ela, e pouso o frasco de soro da memória entre nós.

– Vim fazer você beber isto – digo.

Ela olha para o frasco, e acho que vejo lágrimas nos seus olhos, mas poderia ser apenas a luz.

– Pensei que seria a única maneira de prevenir a destruição absoluta – digo. – Sei que Marcus, Johanna e o pessoal deles vão atacar e sei que você fará o que for preciso para detê-los, incluindo usar o soro da morte que possui. – Inclino a cabeça. – Estou errado?

– Não. As facções são más. Elas não podem ser restauradas. Eu preferiria ver todos nós destruídos.

A mão dela aperta a beirada da mesa, e suas juntas ficam brancas.

– O motivo pelo qual as facções eram más é que não ofereciam uma saída – digo. – Elas nos davam a ilusão da escolha, sem de fato nos oferecer uma. É a mesma coisa que você está fazendo ao aboli-las. Você está dizendo: Faça uma escolha. Mas que a sua escolha não seja pelas facções, ou vou acabar com você!

– Se você pensava assim, por que não me disse nada? – pergunta ela, com a voz mais alta e os olhos evitando os meus, me evitando. – Por que não me disse, em vez de me trair?

– Porque eu tinha medo de você! – As palavras escapam da minha boca, e eu me arrependo delas, mas, ao mesmo tempo, fico feliz de tê-las dito. Fico feliz pelo fato de que, antes de pedir que ela abra mão da sua identidade, eu possa pelo menos ser honesto. – Você... você me faz lembrar dele!

– Não ouse falar isso. – Ela cerra os punhos e quase cospe as palavras em mim. – Não ouse.

– Não me importa se você não quiser ouvir – digo, levantando-me. – Ele era um tirano em nossa casa, e agora você é uma tirana nesta cidade e nem consegue enxergar que é a mesma coisa!

– Então, foi por isso que você trouxe isto – diz ela, fechando a mão ao redor do frasco, levantando-o e o analisando. – Porque acha que é a única maneira de consertar as coisas.

– Eu... – Estou prestes a dizer que é a maneira mais fácil, a melhor, talvez a única pela qual eu possa confiar nela.

Se eu apagar sua memória, posso criar uma nova mãe para mim mesmo, mas...

Mas ela é mais do que a minha mãe. É uma pessoa por si só e não pertence a mim. Eu não posso decidir o que ela vai se tornar só porque não consigo lidar com quem é.

– Não – digo. – Não, eu vim lhe oferecer uma escolha.

De repente, sinto-me aterrorizado, as mãos dormentes e o coração batendo rápido...

– Pensei em visitar Marcus esta noite, mas não fui. – Engulo em seco. – Eu vim ver você porque... porque acredito que ainda existe alguma chance de reconciliação entre nós. Não agora, nem tão cedo, mas algum dia. E, com ele, não existe nenhuma esperança, nenhuma chance de reconciliação.

Ela me encara com os olhos ferozes, mas se enchendo de lágrimas.

– Não é justo lhe dar essa escolha – digo. – Mas é o que preciso fazer. Você pode liderar os sem-facção, pode lutar contra os Leais, mas terá que fazer isso sem mim, para sempre. Ou pode abandonar essa cruzada, e... e terá o seu filho de volta.

É uma oferta fraca, eu sei, e é por isso que estou com medo. Com medo de que Evelyn se recuse a escolher, que escolha o poder, e não a mim, que diga que sou uma criança ridícula, que é exatamente o que sou. Sou uma criança. Tenho meio metro de altura e estou perguntando se ela me ama.

Os olhos de Evelyn, escuros como terra molhada, estudam os meus durante um longo tempo.

Depois, ela estende a mão sobre a mesa e me puxa com força para os seus braços, que formam uma gaiola ao redor de mim, com uma força surpreendente.

– Deixe que eles fiquem com a cidade e tudo o que há dentro dela – diz ela, com o rosto mergulhado no meu cabelo.

Não consigo me mover, não consigo falar. Ela me escolheu. Ela me escolheu.

                            ***

POV: Nova.

Os corredores passam como borrões diante da minha corrida até a sala de controle. Rostos assustados e preocupados passam do mesmo jeito à medida que eu vou na direção contrária a eles. Acho que essa situação não é algo com que estejam acostumados.

Minha mente foca apenas em chegar ao destino, tanto que isso faz com que meu corpo faça as curvas nos lugares certos sem nem ao menos eu perceber o que estou fazendo.

Quando finalmente chego à sala de controle, espero ver toda a equipe desorientada e sem perceber o que está acontecendo por conta do soro da paz que Cara ia colocar em suas bebidas, ou até mesmo ver a própria Cara sendo escoltada por seguranças já que ela deve ter sido pega para as luzes não terem apagado na hora certa.

Mas não. Tudo parece normal, normal até demais para o que está acontecendo. As pessoas que trabalham aqui estão juntando papéis sobre suas mesas enquanto se levantam de suas cadeiras e apagam as telas das câmeras de segurança.

Uma mulher mais velha, que está um pouco à minha frente em sua mesa, olha estranho para mim e fala:

- O que você está fazendo aqui? Todos temos que ir para os dormitórios e esperar essa situação toda acabar. – ela fala, enquanto empurra sua cadeira para trás ao se levantar.

- Eu... – meu coração bate rápido por conta do medo de ela talvez saber do nosso plano e sobre o que aconteceu a Cara. – Eu só estava procurando uma amiga minha. Ela gosta muito de ficar aqui então pensei que seria aqui que ela fosse estar. – digo, tentando parecer o mais tranquila possível e não como se eu estivesse prestes a apagar a memória de todos eles.

Novamente, como vem acontecido nos últimos dias, sinto uma sensação de enjoo se espalhar pela minha barriga e subir pela minha garganta, quase como se eu fosse vomitar aqui mesmo do nada.

Deveria ter tomado um remédio para isso antes, penso.

A mulher dá de ombros e volta a se concentrar em seu computador, apertando algumas teclas e fala:

- Tudo bem então. Mas em poucos minutos teremos que sair daqui. – ela diz, sem nem olhar para mim.

Quando estou prestes a concordar, olho para uma das telas que ainda está ligada e foco minha atenção nela. Ali, há duas pessoas na parte central da imagem, um menino com uma mochila e uma menina, ambos parados no meio de um corredor e com os braços levantados. Um calafrio percorre meu corpo. O menino e a menina são Caleb e Tris.

Não consigo prestar atenção em mais nada, tudo se resume àquilo. Na tela, vejo Tris olhando para Caleb por alguns segundos e depois falando algo que não consigo ouvir já que a tela está no mudo. Eles falam algumas coisas e, de repente, Tris estende sua arma e a aponta para Caleb, depois ela parece gritar algo para alguma pessoa que esteja no outro lado do corredor, onde a câmera não alcança. Após isso, Caleb ajoelha-se ao chão. Então, como se eu estivesse vendo em câmera lenta, Caleb tira a mochila de suas costas e a entrega para Tris. Ela a pega, coloca em suas costas, fala algo para ele, aponta sua arma em direção ao corredor e dispara, depois, sai correndo com a mochila em suas costas. A tela apaga logo em seguida.

Ela vai entrar no lugar dele. Ela vai morrer no lugar dele.

Fico encarando a tela preta por alguns segundos. Não posso deixar ela fazer isso. Não posso. Mas como posso impedir se ela já está indo em direção ao Laboratório de Armas?

Tenho que fazer algo. Tenho que ajudá-la. Tris é forte como ninguém, mas se o soro da morte fizer efeito nela, preciso estar lá para fazer algo. Para continuar com o plano. Para salvar minha amiga.

Ouço barulho de passos vindo da minha direita e, quando sou tirada do meu torpor e olho em tal direção, vejo um grupo de no mínimo dez soldados armados apontando para mim e apontando em minha direção.

Eles sabem.

Começo a correr na direção que vim alguns minutos antes. Corro mais rápido do que jamais imaginei conseguir, esbarrando em algumas pessoas ao longo do caminho e derrubando alguns objetos também. Não posso parar, se eu parar, serei pega pelos seguranças e provavelmente morrerei por conta do nosso plano. Mas essa opção não é muito diferente da que estou tomando agora.

Em determinado momento, enquanto estou correndo pelos infinitos corredores do Departamento, algo faz o chão, as paredes e o teto tremerem por alguns segundos, e eu preciso me apoiar na parede para não cair.

Não demoro a perceber do que se trata: a bomba. Tris conseguiu acionar as bombas que arrombariam as portas do Laboratório de Armas. Ela chegou lá.

Não posso parar, não posso parar.

Embora minhas pernas doam e latejem e meus pulmões estão como se houvesse fogo dentro deles, continuo correndo.

Viro em um corredor, onde Nita e os invasores quebraram as portas e vejo dois guardas. Digo, vejo os corpos de dois guardas caídos no chão. Por precaução, vou até um deles e pego a pistola que está no coldre em sua cintura.

Em outro corredor, há três guardas parados bem no meio dele, onde há inúmeros pedaços de metal e vidro quebrado no chão. Não paro. De forma silenciosa, mas rápida, entro no corredor, aponto minha arma para a cabeça de um dos guardas e disparo na parte de trás de seu crânio. Depois atiro contra os outros dois, acertando um nas costas e outros no peito e no ombro.

Quando seus corpos caem, vejo as portas destruídas pela explosão da bomba, mas, também vejo o motivo que fez os guardas ficarem parados e não irem atrás de Tris.

A nuvem de soro da morte tem uma cor alaranjada, como uma tempestade de areia. Ela se espalha lentamente, quase como se estivesse contida àquele espaço.

Se eu entrar aqui, as chances de que eu saia viva são quase zero. Mas minha amiga está aqui. Se sacrificando pelo bem maior, como ela tem feito muitas vezes. Talvez seja hora de eu agir como uma abnegada de verdade mesmo.

Caminho até entrar na nuvem.

                           ***

POV: Tris.

O soro da morte é diferente dos outros soros.

Um fio invisível me puxa em direção ao sono, mas quero ficar acordada. É importante que eu queira ficar acordada.

Sinto que estou cavando em minha própria mente. É difícil lembrar por que vim aqui e por que estou tão preocupada em me livrar deste lindo peso que meu corpo virou. Mas, de repente, minhas mãos, que cavam, encontram a memória do rosto da minha mãe, e seu corpo esparramado na calçada, o sangue escorrendo do corpo do meu pai.

Mas estão mortos, diz uma voz em minha cabeça. Você poderia se juntar a eles.

Eles morreram por mim, respondo.

E agora preciso retribuir o sacrifício. Preciso impedir que outras pessoas percam tudo. Preciso salvar a cidade e as pessoas que minha mãe e meu pai amavam.

Se eu me juntar aos meus pais, quero que seja por um bom motivo , e não isto, este colapso sem sentido no limiar.

Sinto o soro grudando na minha pele como óleo, mas a escuridão que enevoava minha visão recua. Bato com a mão pesada no chão e empurro meu corpo para cima, levantando-me.

Curvada para a frente, lanço meu ombro contra a porta dupla e ela range contra o chão quando o selo se rompe. Respiro o ar puro e ajeito o corpo. Eu cheguei, cheguei.

Mas não estou sozinha.

– Não se mova. – diz David, levantando sua arma. – Olá, Tris.


Notas Finais


E ai????
O que acharam????
Próximo capítulo vai ser intensoo...
Muito obrigado por lerem ❤😁


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