História Novas Asas - Segunda temporada - Capítulo 2


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Categorias Henrique & Juliano
Personagens Henrique, Juliano, Personagens Originais
Tags Henrique & Juliano
Visualizações 136
Palavras 2.561
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Mais um hoje, pra matar a saudade do casal :)

Capítulo 2 - Futuro


Meu apartamento fica um quarteirão antes da república em que vivi meus primeiros anos em São Paulo.

Sou de uma cidade pequena, chama Socorro, no interior do estado. Fui criada até meus dezoito anos em uma fazenda e privada de muita coisa por meu pai, que sempre fez acreditando que estava me protegendo. Por isso, quando cheguei na cidade grande — depois de ter sido aprovada na USP —, fui carinhosamente apelidada de “moça bruta" pelo meu colega de república, hoje meu namorado.

Demoramos alguns meses para nos envolver, depois disso. Começamos de uma amizade que evoluiu aos poucos. Henrique vinha de um momento muito delicado em sua vida pessoal e eu não queria interferir. Mas a medida que criamos esse vínculo, os sentimentos se misturaram.

Após estacionar o carro, Henrique segura em minha mão enquanto a outra se mantém firme nas sacolas. Ele realmente passou no mercado antes de vir para cá. Nossos armários estavam ficando vazios.

─ E quais são esses seus planos para a sexta? ─ Henrique pergunta por, marcando o sétimo andar depois de entrarmos no elevador.

─ Vou atrás do vestido de noiva com a Mohana.

─ Isso é todo um lance noiva e madrinhas, né?

─ Diria que um pouco complexo demais pra essa mente pequena de vocês, homens. ─ Henrique rola os olhos, me causando um gargalhada.

─ Você não pode faltar? Mesmo? ─ ele pede completamente pidão, forçando um bico nos lábios. ─ Porra, ela tem outras três madrinhas. Pode chamar qualquer uma delas!

─ Henrique, normalmente isso se faz com todas. ─ o bico de Henrique se engrandece e eu estou há pouco de atacar seus lábios assim mesmo, mas tantas sacolas nas mãos me desencorajam.

Ainda sim, estico meus pés para ficar em sua altura. Ele sequer me olha nos olhos. Dramático!

─ Mas sábado bem cedo vamos estar com vocês. Eu prometo.

─ Não confio muito nessa sua promessa não.

Apesar da postura e dos braços cruzados, sei que Henrique, em algum momento, deve rir. Pelo canto dos seus lábios, ele entrega.

─ E vocês também precisam se coçar. Não duvido que os dois vão aparecer de bermuda no casamento. ─ acuso quando seguimos pelo corredor.

Henrique vem alguns passos atrás, de modo que desacelero um pouco para que ele consiga me alcançar.

─ Tá, mas qual o problema? ─ espero muito que sua pergunta seja retórica, mas quando olho fixamente para ele, percebo que está um pouco longe disso. ─ Porra, se o noivo tiver, eu também tenho direito de estar.

─ Eu nunca pensei que teria um diálogo assim.

Abro a porta, deixando a chave para que Henrique mesmo feche.

─ Amor...

─ Sem essa de amor. ─ resmungo da cozinha, que fica há exatos dois passos da porta de entrada.

Minha cozinha é como um corredor. É bem estreita, mas comporta armários e bancadas nas duas paredes. Mas, com exceção da cozinha, o apartamento é de um bom tamanho. Não tem cômodos grandes, mas como somos em apenas dois, não temos problemas com isso.

─ Você sabe que eu estava brincado. ─ Henrique me agarra pela cintura enquanto tenho as mãos debruçadas sobre a pia.

─ Eu nunca duvido da sua capacidade.

─ Que é isso, moça bruta? Ultimamente eu tenho te dado dicas de moda!

Eu rio de Henrique, enquanto ele me põe de frente a ele. Ele também está leve com a expressão divertida.

─ Ei, não é só porque todo mundo está te elogiando que quer dizer que é verdade.

─ Você mesma me elogiou. ─ Henrique alega.

─ Bobo!

Depois da minha exclamação, ele desce as mãos e me prende melhor pela cintura. Com isso, subo meus braços até seu pescoço. Sua barba me arrepia conforme sua boca desliza sobre a minha.

Me concentro no sabor e textura dos seus lábios e também no toque das suas mãos. É a matemática perfeita.

─ Minha blogueirinha! ─ resmungo contra seus lábios, sem conseguir evitar. Pisco para Henrique antes de me afastar e começar a andar pelo corredor, rumo a meu quarto.

Deixo minhas roupas molhadas ao lado da pia e corro para o box. Ouço Henrique reclamar alguma coisa sobre eu ter fugido dele, e acabo gargalhando mesmo sem certeza do que disse. Ele é o mesmo de cinco anos atrás.

Após meu banho, que leva todo o cansaço do meu dia, visto uma camiseta de Henrique que me serve como camisola. Ele já está no quarto, mudando os canais da tevê para tentar passar o tempo e sorri quando me vê vestida.

─ Desse jeito eu vou é ficar sem roupa.

─ Esses dias você pegou um vestido no meu armário para fazer show. ─ justifico, ajeitando meu cabelo.

─ Lembra mesmo, vai. ─ gargalho baixo enquanto Henrique mantém a postura. ─ Pedro, Emil, a galera toda nunca mais vai me deixar esquecer desse momento deplorável da minha vida.

─ Nem eu! ─ acrescento, sorrindo para sua imagem pelo espelho.

─ Safada! Nem se preocupa com a vergonha que fez o namorado passar.

Termino de ajeitar meus cabelos e puxo a blusa mais para baixo. Henrique mantém os olhos indiscretos nas minhas coxas, mas ele sabe que por essa semana não podemos tentar nada. Acho que nem essa ideia o distraí.

─ Me preocupar com o que? Você que quis entrar ali. ─ justifico, dando de ombros.

Me sento ao seu lado na cama, esticando minhas pernas para cima das suas. Ataco minhas batatas, enquanto Henrique se mantém quieto.

─ Você de TPM é um porre, né?

─ Obrigada pelo elogio, meu amado namorado. Isso faz com que eu me sinta muito melhor. ─ abro um sorriso falso, que diz tudo a respeito das suas palavras.

─ Desculpa. ─ ele deseja em poucos segundos, tocando meu cabelo. ─ Só queria descontrair um pouco.

─ Esse não é tipo coisa legal pra se ouvir quando está de TPM.

Henrique me acolhe em um abraço, possivelmente arrependido de ter me acusado, como fez. Mas eu não deixo de comer nem mesmo nesse momento. Isso arranca um sorriso safado de Henrique.

─ Depois eu que sou gordo, né?

─ Eu não sou gorda, só pra começar. ─ justifico, esticando para ele a batata que antes segurava.

─ Então é que?

─ Um espírito gordo em um corpo margo. Me respeita, rapaz!

Henrique ri comigo, mas continua na sua busca pelo melhor programa na tevê. Eu me sento sobre o colchão para conseguir comer, enquanto pego meu celular.

─ Nada disso! ─ Henrique se adianta, pegando o celular das minhas mãos antes que eu consiga desbloquear a tela. Encaro ele, tentando entender. ─ Você já vai me abandonar na sexta. Não vai me ignorar hoje também.

─ Ih, tá carente, é? ─ pergunto descontraída, tocando seus cabelos como fez comigo. Henrique relaxa mais sua expressão.

─ Um pouco. ─ admite, com um sorriso derrotado. Eu acabo rindo discretamente, mas ele parece se chatear com isso. ─ Porra, tô com saudade. Ultimamente você vive para os livros.

─ Henrique...

Meu coração fica pequeno com as suas palavras. Seus olhos são tão expressivos que me dizem tudo o que está sentindo.

─ Eu não estou de culpando por isso, bem longe disso. Não pense isso. ─ ele segura minha mão, para reforçar um impacto das suas palavras. ─ Você precisa se dedicar aos seus estudos agora. Eu só sinto sua falta.

─ Gracinha! ─ exclamo, desfazendo seu sorriso carinhoso que se desmancha em uma risada. ─ Pensa que eu estou há pouco de me formar.

─ Isso é o que tem me causado alívio. ─ admite, murchando o sorriso.

Henrique e eu nunca conversamos sobre nosso futuro. Isso me assusta.

Henrique e eu nunca conversamos sobre nosso futuro. Isso me assusta. Acho que pela impressão de que sempre vivemos bem, nunca tivemos essa necessidade. Nunca conversamos sobre o que aconteceria depois. Não depois na faculdade, mas e o depois mais tarde? Ele vai continuar longe da família para viver comigo?

─ No que está pensando?

─ Sabe, acho que chegou o momento em que... A gente precisa conversar. ─ revelo, escondendo meu sorriso. Quero que tenha dimensão do quanto é séria essa conversa.

─ Você não vai me meter um pé na bunda logo agora não, né?

Acabo rindo, mesmo que Henrique leve a sério suas palavras.

─ Cinco anos te aturando e acha que eu vou pular fora agora? Já te aguentei tempo demais, não acha?

Henrique se diverte com um sorriso contente e relaxa os ombros.

─ Então sobre o que quer conversar? Não pode ser depois de comer?

Henrique aponta para as caixas que estão em meu criado mudo, mas eu nego antes mesmo de vê-las.

─ Já esfriou, então...

─ Por que você está tensa?

─ Amor, o que você espera pro nosso futuro?

Henrique me encara sério após a minha declaração. Ele com certeza já sabe do que estou falando. Enquanto espero a sua resposta, ele abaixa seus olhos e eu alcanço meu refrigerante que a essa altura, já está aguado pelo gelo que derreteu.

─ Sei lá, casamento, filhos...

─ Mas... Vamos continuar em São Paulo? ─ pergunto sobre a maior das minhas dúvidas, com seus olhos fixos aos meus.

─ Sim, você já construiu sua vida aqui, não tem porque nos mudarmos.

─ E tudo que você tem em Goiânia? ─ respiro fundo. Esse é um assinto que me deixa nervosa.

Eu sei que não vamos terminar por essa razão; tudo o que vivemos é a prova disso, mas ele também tem vontades e eu preciso respeitá-las.

─ Uma casa? Aliás, minha casa pra mim é aqui.

─ Eu construí minha vida em função de você, depois de tudo o que vivi. Você conhece a história, sabe muito bem do que estou falando.

─ Eu ainda acreditava que você eventualmente se acomodou a situação. ─ comento sobre o assunto.

─ Me acomodei, mas não sem antes pensar. Eu sempre soube que depois que você se formasse, quem sabe, poderíamos nos mudar para um bairro melhor e esperar mais alguns anos para começarmos a nossa família.

Toco seus lábios, emocionada com o seu pequeno depoimento. Eu não imaginava que ele pudesse estar planejando todo nosso futuro.

─ A gente tá meloso demais. ─ comento para ele, mas meu sorriso não diminuí.

Henrique segura em minha cintura e se apropria dos meus lábios em um beijo calmo.

─ Eu te amo. ─ ele anuncia, mantendo sua mão em minha cintura para me manter próxima. ─ Mas, realmente, a gente pode deixar isso de lado agora.

Rio com a forma como declara, porque é bem sincera sua reação. Me afasto, enfim segurando meu lanche e com muita vontade, desembrulhando-o da embalagem.

─ Por que a gente não pode ser como outros casais? ─ ele me pergunta, abraçando meu corpo pelo ombro.

─ Como assim? ─ pergunto antes da primeira mordida.

─ A maior parte dos casais são normais. ─ Henrique contesta, mordendo seu lanche como eu. ─ Mas a gente...

─ Eu gosto de como a gente é. ─ admito. Eu não vejo problema nisso. Somos um casal tão normal quanto outros, só não tão tradicional. Gostamos de nos provocar, isso é natural de antes do nosso namoro. ─ Não vejo nenhum problema.

─ Eu também não. Até porque o mais estranho nisso tudo é eu gostar de ser estranho com você.

Sorrimos um para um outro antes que eu lance um beijo em sua direção e retomamos a conversa com assuntos aleatórios. Nada mal para um final de noite.

X HENRIQUE X

─ Véi, tenho que te pedir um favor. ─ digo para Juliano, antes mesmo de dizer “alô”.

─ Henrique, sabe que horas são?

Acabo de deixar Manuela na faculdade. São pouco mais de sete da manhã e não estou surpreso por ainda estar preso no trânsito.

─ É bem cedo. ─ resumo o que deve me acusar.

─ E...

─ Vai me ajudar ou não, véi?

─ Se me contar o que é, eu vejo se posso ajudar. ─ soa rude, mas atribuo isso ao fato de que acordei-o.

─ Você acha que teria problema se eu pedisse a Manuela em casamento durante o seu casamento?

Eu tenho essa ideia guardada em mim há algum tempo. Há mais de dois anos, se é para ser sincero. Eu só não tinha ideia de que essa conversa viria tão rápido. Isso foi um baque grande e me trouxe a ideia de que eu já devo ter passado da fase de apenas pensar.

─ Que problema eu teria?

Avanço com o carro, enquanto mantenho a concentração na ligação.

─ Sei lá, mano, o casamento é seu, também da Mohana... Vocês podem não gostar. ─ admito, na necessidade de dizer.

─ Que é isso, véi. Pode ficar à vontade. Só não vai fazer um pedido meio à boca, pelo amor de Deus.

Rio com a declaração de meu irmão. Realmente, se for pra fazer que seja bem feito. Ainda mais na frente de tantas pessoas, que eu sei que estarão atentas.

─ Já comecei a pensar em tudo, mas acho que eu vou precisar da ajuda da Mohana pra isso. ─ peço, mordendo o lábio quando digo sobre.

─ Cê é lerdo mesmo, hein fi?

─ Não entendo de mulher não. ─ respondo, um pouco mais animado com a situação.

Na verdade, não tenho ideia nenhuma do que eu posso fazer, mas sei que vou precisar de muita imaginação; Manuela merece o melhor dos pedidos. Ela é realmente a mulher da minha vida.

─ Acredito nessa não, doido. Cê já deu cada presente foda pra ela.

─ É pedido de casamento, né? ─ sinto vontade de coçar minha nuca, mas tenho que manter as mãos no volante e celular. Solto o ar dos meus pulmões, já nervoso. ─ Eu não posso chegar e fazer qualquer coisa.

─ Põe a cabeça pra funcionar aí, véi.

─ Vou tentar, mas você sabe que eu sou um pouco lerdo pra isso. ─ admito.

─ Você vai se sair bem, doido. Agora posso voltar a dormir?

Volto meus olhos para o relógio que tem junto ao velocímetro do carro. Não se passaram nem cinco minutos nessa ligação.

─ É...

─ Relaxa que a Mohana não vai te deixar desamparado. ‘Té’ mais tarde, doido.

─ Até.

Desligo o celular e jogo sobre o banco do carro. Com isso, ligo o rádio para tentar limpar a mente. Essa ideia tem me consumido demais. Eu tenho muito medo de acabar fazendo algo meia boca, ao mesmo tempo que tenho medo de fazer algo exagerado demais. Por que isso é tão complicado? Deveria ser algo relativamente simples.

Ainda pensando nisso, quando chego no nosso apartamento, tenho a ideia de fazer algo um pouco mais especial. Dois dias atrás completamos cinco anos juntos, desde o nosso primeiro encontro, que coincidiu com o dia em que a pedi em namoro. Foi um Subway, definitivamente o lugar menos apropriado que eu poderia encontrar para fazer isso. Todos os anos, depois disso, eu tento me superar para compensar por essa gafe logo no começo.

 Mas, se as minhas ideias estão esgotadas, também não consigo idealizar algo legal para a nossa noite. Eu só quero quebrar um pouco a rotina de pedir comida e jogar papo fora antes que ela mergulhe nos livros mais uma vez. Merecemos algo mais especial.



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