História Novas Asas - Segunda temporada - Capítulo 10


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Categorias Henrique & Juliano
Personagens Henrique, Juliano, Personagens Originais
Tags Henrique & Juliano
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Palavras 2.724
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 10 - Incondicional


“GRÁVIDA????”

“Conta essa história direito, Manuela!”, dizem as mensagens que Mohana me enviou em resposta.

“Eu vou ser titia? Ah meu Deus!!!”, essa chega depois das últimas duas, demonstrando toda sua empolgação com a chegada da notícia.

“Não tenho certeza, por isso fecha sua boca perto de todo mundo. Não quero que ninguém além de você saiba disso por enquanto”.

“Eu não vou ter como pegar o resultado do exame que fiz”

“Vamos em uma farmácia comigo?”.

Essa é a minha ideia: comprar desses testes de farmácia mesmo, apenas para me dar a confirmação antes que eu fique louca. Já estou ligeiramente surtada com a ideia e vou enlouquecer se viajar sem a certeza.

“Eu compro!!!”

“Vou inventar uma desculpa para o Ju e já chego aí!”

Tenho vontade de rir com a demonstração de animação de Mohana. Ela está bem mais empolgada que eu com a notícia. Isso não é um mal sinal, mas eu queria me sentir exatamente como ela.

“Quando eu chegar aviso, aí você vai pro meu quarto”

“Beijo!”

É impossível não rir com todo o entusiasmo de Mohana, mas preciso disfarçar para não soar estranho para Henrique. — O que ela disse de tão engraçado?

— Coisa de garota.

— De novo? — sua voz não soa como a melhor, talvez esteja um pouco enciumado com a situação.

— Juro que é a última vez. A partir de amanhã sou toda sua!

Beijo Henrique, com um sorriso grande nos lábios enquanto faço. Talvez eu tenha recebido essa suspeita melhor do que imagino. Estou feliz com essa ideia, ainda mais depois do que passei no ano passado. Se for verdade, sei que ficarei muito insegura com tudo isso, mas ainda sim estarei feliz.

Desço em alguns minutos, porque o quarto de Mohana é no andar de baixo. Estou com um moletom que Henrique me emprestou, ou, na verdade, foi induzido a. Ele cobre até meus joelhos e por baixo uso uma calça legging.

Mohana caminha assoviando quando saí do elevador. O sorriso em seu rosto não esconde a sua felicidade por mim. Nas mãos ela tem uma sacola, com certeza com o teste que pedi.

— Amiga... — ela chama, não contendo sua felicidade e me abraçando.

— Bebeu, foi? — Só um pouquinho, mas a real é que eu tô feliz por você.

Mohana se afasta, um pouco cambaleante por conta da bebida. Disfarço as lágrimas que descem pela alegria. Não quero pensar no quanto ficarei devastada se esse teste marcar negativo.

— Eu nem tenho certeza...

— Então vamos descobrir se temos uma gravidinha aqui.

Mohana já desce a mão até minha barriga. Quero afastar, não criar nenhuma esperança, mas é impossível.

— Vem, vamos entrar.

Mohana me puxa pela mão e abre o quarto. Sem dizer nada, me entrega a sacola e eu também não faço comentários quando vou até o banheiro.

A pior parte é a demora. Os minutos parecem eternos. Acho que o tempo nunca demorou tanto para passar. Sentada na privada, afundo minha cabeça em minhas mãos e ouço Mohana bater a porta, mas não respondo. Não terei coragem de nada até que eu saiba o resultado.

— Manu... — ele chama, mas me recuso a sair do lugar. Então parece que descobre sobre a porta estar aberta e a empurra, observando os três testes que estão sobre a bancada. — Amiga, eu sinto minuto.... — ela declara. É o suficiente para me desmontar. Isso quer dizer que minhas suspeitas eram falsas? Mas eu já tinha certeza... — Mas você vai ter que me aturar mimando muito essa criança.

Estou agradecida pelas suas palavras, mas ainda não consigo dizer nada. Estou feliz, mas a reação surpresa se sobressaí. Eu realmente não esperava por essa notícia.

— Quer água? — Mohana oferece, para tentar me acalmar. Com isso, aceito em um balançar de cabeça e ela também se oferece para me ajudar e levantar.

Vamos até seu quarto e me sento sobre a cama, enquanto Mohana vai até o frigobar.

Eu não descrever como estou me sentindo nesse momento. Fiquei cem vezes mais sensível ao assunto depois do aborto que sofri. Isso explica parte do êxtase em que estou.

— Henrique sabe? — pergunta por, sentando-se na cama comigo.

Ela me passa a garrafa e preciso beber mais da metade para conseguir responder:

— Não. Comecei a suspeitar há alguns dias, fiz o teste de sangue, mas não consegui pegar o resultado ainda. E também tenho um namorado muito lerdo, assim, não sei se você sabe... Ela ri brevemente da minha declaração, enquanto sou folgada o bastante para esticar meus pés em cima da sua cama.

— Você não estava bem no camarim...

— Tava morta de sono, ainda estou bem cansada... Também estava um pouco enjoada. — revelo, apesar do enjôo ter sido bem momentâneo. Ele passou durante o caminho e deu espaço para a fome.

— Realmente, não existe homem mais lerdo do que o Henrique. Ele sabe que sua menstruação está atrasada?

Dou mais um gole, agora que as lágrimas cessaram completamente. Parece que minha mente voltou ao normal.

— Não. Eu disse pra ele que estava de TPM porque confundi os sintomas, mas não é culpa dele.

— Ele deveria estar atento aos seus sintomas. — comenta, mas eu nego rapidamente.

— Melhor assim. Agora eu posso fazer uma surpresa fofinha pra ele. Alguma sugestão?

— Vamos pensar...

Mohana realmente expressa seu rosto como pensativa, enquanto eu realmente me proponho a pensar. Preciso ter isso pronto antes de embarcar.

Mohana sugere procurar no Google. Eu normalmente não sou uma pessoa boa com surpresas e especificamente dessa vez não podem ter erros. Tudo tem que ser o mais perfeito possível para Henrique. Ele merece bem mais do que apenas isso.

— Você não tem medo dele jogar no Google e descobrir? — ela pergunta para mim.

— Mohana, por que o Henrique estaria procurando por isso no Google?

— Sei lá, seu namorado é estranho, não sabe disso?

Rio da sua declaração. Ainda sim não é o tipo de coisa que Henrique procuraria no Google, mas não é tão sem sentido quanto imaginei.

— O que acha desse?

Meus olhos se estendem até a tela do celular. Concordaria com qualquer um, mas quero algo fora do tradicional.

— Bonito. — concordo. Mohana está se esforçando, não posso magoá-la. — Mas acho que a gente poderia tentar... Algo mais diferente. — E se...

Nesse momento, batem a porta e Mohana rapidamente bloqueia a o celular. Claro que Juliano olha para nós, sabendo que tem algo errado. Sorte nossa que nos livramos dos testes alguns minutos antes. Não quero que ninguém além de Mohana e Henrique saibam, pelo menos até que eu sinta maior confiança. Ainda tenho medo que algo possa custar a vida do meu bebê, como da última vez.

— Cunha. — Juliano me cumprimenta. Se Mohana estava feliz por conta da bebida, Juliano com certeza passou da conta. Por pouco ele não para em pé. — Minha ‘muié’ tá bonita demais da conta, não tá?

— Sua ‘muié’ é linda, rapaz! — imito do seu sotaque, bem característico. Me levando, cedendo seu lugar na cama.

— Boa noite, casal.

— Fica mais, amiga. — pede, mas eu rapidamente nego.

— Vão descansar ou... Fazer algo que seja mais interessante. — com toda minha vergonha, pisco para Mohana que se constrange. — Boa noite.

Henrique já está dormindo quando volto até o quarto. Quando acordo, na manhã seguinte, há um bilhete em seu criado mudo, dizendo que ele já desceu, porque precisava conversar com Juliano, mas que volta logo. Isso é minha salvação, porque não consigo esconder meu enjôo e acabo vomitando. Mas me sinto melhor em seguida.

O dia se passa muito devagar. Logo após o café da manhã, voamos até São Paulo. Como temos tempo suficiente, Henrique decide que vamos a um shopping. Logo na entrada, caminho mais afastada com Mohana porque vamos conversando sobre assuntos aleatórios.

Na primeira loja que entramos, consigo comprar tudo o que preciso para a surpresa perfeita para Henrique.

O dia passa rápido, como tudo que é agradável. Lá pelas oito da noite estamos de volta ao aeroporto. Henrique já não me aguenta mais pedindo que me diga sobre o nosso destino.

— Você quer tornar impossível de se fazer uma surpresa para você. — Henrique comenta, servindo seu café com adoçante.

Nossa primeira parada no aeroporto é um café. Quando passei por aqui, o cheiro do pão de queijo me atraiu. Foi impossível não parar. Se Henrique não estranhou nada até agora, não vai ser por isso que vai estranhas.

— Eu só quero saber pra onde estamos indo... — peço, choramingando. — A gente já está aqui. Acha que vai conseguir me esconder por muito tempo?

— Vou tentar. — assegura, deslizando o prato do pão de queijo até mim. Forço um bico, mas isso apenas provoca uma risada em Henrique. — Não fica brava comigo, mozão.

Henrique toca em meu nariz, para tentar me animar, mas apenas fecho meu rosto em resposta.

— Me conta, vai...

— O que você e a Mohana estão aprontando? Falo se você me contar.

Eu já não sei se devo esperar mais para contar para Henrique da gravidez. Não pela sua proposta, mas porque está sendo difícil demais guardar. O que devo fazer?

No entanto, penso que não vai ser legal viver esse momento logo aqui. Estamos no meio de um aeroporto e, por mais que Henrique tenha esperado esse momento por demais, merecemos que esse momento seja particular.

Relaxo meus ombros e Henrique deduz:

— Você não vai me contar.

— Não é nada demais. — minto, abrindo um sorriso muito conveniente enquanto saboreio meu pedido. — Não precisa ficar nervoso.

— Eu não estou nervoso.

Henrique quer me enganar, mas não consegue. No entanto, ele se distraí quando um rapaz pede por uma foto e outras pessoas seguem esse rapaz. Eu me ofereço para tirar algumas das fotos, mas isso nos encurta um pouco em relação ao tempo. Quando chamam pelo vôo com destino a Cancún, cerro os olhos em direção a Henrique que imediatamente​ me lança um sorriso grande.

— Você não fez isso. — digo rapidamente, deslumbrada com a ideia.

— Esse é o lugar que você mais queria conhecer, ou não é?

Abraço Henrique, envolvendo seu pescoço, como forma de agradecimento por essa surpresa completamente inesperada. Eu transbordo felicidade, agora com essa notícia.

— Eu nem me lembrava que tinha te contado sobre isso...

— Já faz algum tempo, mas eu fiquei com isso na cabeça. — Henrique releva, segurando em meus ombros conforme caminhamos. — Sabe, durante os últimos anos isso ficou na minha cabeça. Te levar até Cancún era uma meta de vida pra mim e fazer dessa a viagem mais inesquecível da sua vida também.

— Acredite: só sua companhia já vale.

Henrique beija o topo da minha cabeça, talvez sem conseguir encontrar outro meio para acalmar toda minha euforia.

— Mesmo? Posso cancelar todas as outras surpresas.

— Ridículo. — acuso, fazendo-o rir brevemente.

 

 

Suas palavras não saem da minha cabeça. Tudo está tão perfeito que eu tenho medo de acordar sobressaltada, porque pareço estar dentro de um sonho.

— Seu apetite aumentou... — Henrique pondera, ainda durante o caminho.

— O que tem? — pergunto, tentando demonstrar que não é nada.

— Isso tem a ver com a TPM?

— Não, eu só tenho sentindo vontade de comer mais. — tento ser breve e direta na reposta, mas fico em dúvida se dei o melhor que pude.

— Fora que você sempre teve o apetite muito bom.

— Exatamente! — rapidamente concordo, disfarçando ainda mais toda a situação.

Sorte a minha que Henrique é lerdo o suficiente e não estranha meu apetite repentino em horários estranhos. Ou, se por ventura, descobriu, prefere não dizer é ainda acha normal.

Mando uma mensagem para meu pai pouco antes de embarcar. Como Henrique mesmo disse, essa é uma viagem para ficar longe dos telefones celulares e me fez prometer de que no próprio avião eu desligaria o aparelho. Passar cinco dias em um lugar como Cancún com Henrique vai exigir certo esforço para que consiga cumprir a promessa.

Me sento sobre a poltrona e estendo meus olhos para fora, pela janela. Henrique segura minha mão, enquanto se acomoda no seu lugar. Estou ansiosa demais por essa viagem e mal posso esperar pela nossa chegada.

— Pronta para a viagem da sua vida?

— Meu Deus, será mesmo tudo isso? — digo um tanto debochada, fazendo com que Henrique feche sua cara.

— Dou garantia de que esse vai ser o momento mais inesquecível da sua vida.

Levanto as mãos, demonstrando que ainda não levo fé, mas eu mesma já disse: Henrique já fez essa viagem ser especial. Muito mais do que ele imagina.

— Você também está com mais sono do que o normal... — pondera, depois de alguns minutos.

— Ok, dr. Já que tem todos os meus sintomas, qual o meu diagnóstico?

— Será que não tem um bebezinho aí? — Henrique diz no mais fofo do seus tons, dispondo a mão sobre minha barriga.

HENRIQUE

Tenho tido essa desconfiança já há alguns dias. Começou quando Manuela me pediu que buscasse uma toalha e eu encontrei seu pacote de absorventes fechado. Se ela estava de TPM, precisava que ele estivesse aberto, no mínimo. Deixei passar, acreditando que eu tinha deixado passar alguma coisa. Acreditei que, se ela tivesse essa desconfiança, não esconderia de mim.

Mas, o tempo normal de sua TPM passou e Manuela continuou manhosa. Exatamente como esteve na sua primeira gestação. A confirmação da desconfiança veio com o prato que pediu ontem, isso já por volta das cinco da manhã. Mas eu preferi não tirar conclusões precipitadas. Já sofri muito com a perda dos meus dois primeiros filhos, não precisava criar falsas esperanças.

— Bom, vou confessar que eu... Eu estava um pouco ansiosa pra te mostrar isso.

Manuela pega sua bolsa, que deixou logo aos seus pés, e de lá retira uma sacola.

Meus olhos se enchem com apenas o formato da logomarca da sacola, mas quando puxa de lá de dentro um body, esse é o momento em que me derreto em lágrimas. Eu não preciso que ela me traduza o que tem escrito para entender que é, minhas suspeitas são verdades.

Meus soluços devem despertar o avião, porque eu não consigo chorar mais baixo do que isso. A felicidade que me preenche é imensurável.

Manuela não chora exatamente como eu, mas também tem lágrimas acumuladas nos olhos. Com isso, toco seu rosto, com as mãos tão trêmulas que não consigo segurar direito. Me sinto enfim recompensado por tudo que já sofri.

— Você não está brincando comigo, ou está?

— Eu brincaria desse jeito? — Manuela acusa, mantendo o sorriso grande.

— Nós vamos ter um bebê?

Na falta de palavras, ela balança a cabeça para formar um “sim” e me entrega o body. Isso é verdade? Ainda não consigo acreditar.

Emocionado com o momento, ignoro que entre nós há uma espécie de barreira e trago Manuela para um abraço, completamente deslumbrado. Não consigo evitar as lágrimas que me consomem.

Choro contra seus cabelos, mas ela parece não se importar. Manuela até mesmo me consola, segurando em meus ombros, mas isso não me acalma. Estou tão nervoso e emocionado que tenho a sensação forte de que nada nesse mundo vai ser capaz de me acalmar.

O avião decola enquanto ainda tento absorver toda a situação. Manuela sorri e deixa que eu passe a mão sobre sua barriga a todo momento, deslumbrado com a ideia.

— Vamos ter um bebezinho. — repito talvez pela centésima vez.

Eu sempre fui deslumbrado com a ideia de ser pai, pelo menos, depois que perdi minha primeira filha, aos cinco anos, para a leucemia. Foi algo que me devastou e me tornou inseguro para um segundo filho, mas eu fiz meus planos. Realizar isso com Manuela, definitivamente, não tem preço.

— Será que é menino ou menina? — não me contenho em perguntar, enquanto Manuela solta uma risada gostosa. — Podia ser mais de um, né?

— É, claro. Não é você que vai carregar e parir! — ela resmunga em reposta, mas nem isso é o suficiente para mudar meu humor.

— Vai negar que seria uma benção?

— Não negar, mas... Sabe, é meio assustador a sensação de carregar um neném. — Manuela comenta, soltando um riso baixo. — E também tenho medo. Sabe, eu não quero perder esse bebê também...

— Shiu! — peço por silêncio, acariciando seus cabelos conforme também acaricio sua barriga. — Tudo vai ficar bem. Nós três ainda vamos ser muito felizes, né bebê?

Manuela ri, porque falo diretamente com nosso filho. Aproveitando o momento, ergo um pouco da sua blusa e dou um beijo estalado sobre a região. É tão incrível o amor incondicional que surgiu em questão de minutos. Ser pai é isso.



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