História Novas Asas - Segunda temporada - Capítulo 12


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Categorias Henrique & Juliano
Personagens Henrique, Juliano, Personagens Originais
Tags Henrique & Juliano
Visualizações 80
Palavras 3.497
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


A parte em itálico é um flashback :)

Capítulo 12 - Pesadelo


Henrique, apenas depois da minha insistência, se levanta da cama e vai até o banheiro. Aproveito para trocar de roupa, mais de uma vez. Não sei se é complexo pela gravidez ou apenas ansiedade, mas nada que coloco em meu corpo me parece bom. Passei pelo mesmo dilema nessa manhã.

Ele saí do banheiro enquanto ainda estou me trocando. É óbvio que ele para atrás de mim no espelho, a tempo de ver eu bater meus braços contra a lateral de meu corpo e bufar, inconformada.

— Você não vai me dizer que está feia. — Henrique pede, segurando em minha mão quando ameaço caminhar para trás.

— Olha isso... — seguro na barra do vestido. — Não 'tá' legal.

— Está maravilhoso, Manuela.

— Não pra mim.

Henrique desfaz seu sorriso e me acompanha com os olhos, quando decido ir até o guarda-roupa, tentar escolher outra peça.

— Isso tem a ver com a gravidez?

Engulo em seco, enquanto pego uma calça e uma blusa. Não sei responder. Claro que, se soubesse e a resposta fosse sim, também não diria.

— Não.

— Tem certeza?

Ele vem para afagar meus cabelos, mas me afasto a tempo. Henrique fica sem entender minha reação. Eu também não entendo, apesar de querer distância.

Enquanto jogo o casaco por cima do vestido que uso, pensando que ficaria melhor se fosse preto, meu celular dispara com o toque estridente.

— Atende pra mim, amor. — peço, indicando o aparelho em cima da cama. Quem sabe isso não o faça esquecer da questão da roupa.

Henrique caminha até lá, enquanto eu me viro para analisar de costas. Sou interrompida quando vem me perguntando:

— Por que o Pedro está te ligando?

Estranhando a pergunta, volto a pisar firme no chão.

— Por que ele é meu amigo...? — acuso, como se não fosse óbvio.

Volto para o espelho, alisando o vestido, mas não confiro minha roupa por muito tempo: meus olhos seguem até Henrique, que recusa a chamada.

— Por que fez isso?

— Porque você não tem que receber ligações desse idiota no seu celular!

Estranho, unindo as sobrancelhas. Como assim? Henrique nunca agiu assim, de modo que não posso dizer que é por ciúmes. Ele demonstra, mas não é algo frequente.

— Vem cá, o que está acontecendo com você?

— Comigo? — Henrique pergunta, parecendo descrente com o assunto.

Confirmo, balançando a cabeça. Conforme as palavras fluem, vou me chateado com a situação. É apenas impressão minha ou brigaremos há alguns minutos do jantar? Era para ser um jantar romântico, não é mesmo?

— É, com você. — respondo após alguns segundos, tentando absorver melhor sua expressão. — Porra, você sabe que o Pedro é meu amigo de anos, sabe do carinho que tenho por ele...

— Por favor, Manuela! — Henrique exige, batendo seus braços aparentemente frustrado.

— Por favor digo eu. Eu sei que você planejou uma viagem longe de tudo, mas...

— Não é essa a questão. — ele responde, um pouco mais calmo em seu tom de voz. Suspira, em seguida. Depois, me dá das costas. — Você vai mesmo virar as costas no meio de uma discussão? — frustrada, pergunto, mas ele aparentemente não se incomoda.

Me sento na cama, porque não espero que vá dizer mais nada. No entanto, ele volta apenas para dizer:

— Na boa... — Henrique comenta, quando eu já desisti de entendê-lo. — Se você quer manter nosso namoro, é melhor terminar essa amizade.

— Eu tenho uma dúvida... — revelo, abrindo um sorriso maldoso. — Desde quando alguém manda no nosso namoro? Pelo que eu sei, um relacionamento é formado com as vontades dos dois, não só de um.

Indignação é a palavra que mais me define nesse momento. Henrique simplesmente decidiu que seria apropriado me dar as costas, ignorar o que digo e ainda ri ironicamente. Juro que não entendo. Henrique não é assim.

— Não vai dizer nada? Veio comprar briga pra depois amarelar?

Estou frustada, mas evito demonstrar. Tudo bem que, mesmo demonstrando, Henrique não olharia. Ele não está atento.

— Eu não comprei briga. Não venha com um absurdo desses para cima de mim.

— Você fez o que então? Precisava falar desse jeito sobre um amigo meu? — enfatizo o “amigo”, fato que me deixou muito magoada. — Desligar o telefone na cara dele?

— Você diz como se não lembrasse de tudo o que ele fez, Manuela! — Henrique explode. Praticamente salta da cama para enfatizar suas palavras, mas minha única reação é negar excessivamente, balançando a cabeça.

— Eu não sei o que aconteceu naquela noite. Ninguém nunca me contou.

— Isso não é hora de ser hipócrita, Manuela.

— Ache o que quiser. — dou de ombros, demonstrando o que digo em minhas palavras. — Eu não estou sendo hipócrita.

— Ah, não, imagina. — ironiza, ácido.

Cruzo meus braços. Henrique ainda está de costas, praticamente se escondendo. É ridículo sua postura, mas eu não me sinto no direito de fazer nenhum outro comentário. Não faz sentido continuar discutindo para mim enquanto eu não souber da verdade.

— Quem sabe, ao invés de criticar, poderia ser um pouco racional e me contar o que aconteceu naquela noite? — quebro o silêncio, depois de alguns minutos. Estou aflita. O que pode ter acontecido de tão grave?

Henrique ameaça virar sua cabeça, mas não conclui a volta. Em resposta, murmura baixo para si:

— Vou dar uma volta, esfriar a cabeça.

— Vai fugir. — resmungo para mim, sem conseguir dizer o quanto me sinto chateada.

Henrique caminha até mim, mesmo antes estando já na porta. Ele cerra os olhos, também os pulsos. Engulo seco, observando sua reação. Henrique jamais considerou levantar a mão para mim. Espero que esteja me enganando nesse momento.

─ Melhor do que você, que fica se fazendo de desentendida igual uma idiota.

─ Eu não sei o que aconteceu! ─ grito, dizendo cada uma das palavras pausadamente. Ele agora tem a mão posta logo acima do meu ombro, com a boca fechada, aparentemente, com muito esforço.

─ Deixa de defender seu amiguinho estúpido!

Cansada, deixo algumas lágrimas escaparem sem conseguir pensar em mais para me justificar. Não. Definitivamente, não devo explicações a Henrique se ele não quer mais me ouvir. Suas atitudes têm sido infantis.

Ele respira fundo, de modo que consigo sentir. Só isso já me arranca lágrimas. Então, ele me dá as costas completamente. Com raiva, não penso muito antes de atacá-lo:

─ Agora, acho engraçado você falar isso sendo que ainda antes da gente namorar, logo depois do nosso primeiro beijo, você foi se agarrar com a sua amiguinha, né?!

Eu sou assim. Acabo dizendo muito na hora da raiva, mas o arrependimento bate quase em seguida. Não me sinto assim nesse momento, se é pra falar a verdade. Apenas acho que Henrique já fez coisas piores para me cobrar algo agora.

Ele gira seus calcanhares, mas não diz nada. Parece pensar muito, enquanto meus únicos pensamentos dizem que sou ridícula. Como posso estar discutindo sem fazer ideia do que está acontecendo?

─ Foram circunstâncias completamente diferentes, então não use dos seus erros para me cobrar nada.

─ Uso! ─ continuo gritando, desequilibrada. ─ Você é ridículo, Henrique! Quer discutir comigo, mesmo sabendo que eu não faço ideia do que aconteceu. E ainda se acha na razão.

Henrique, no entanto, não diz nada sobre as minhas palavras; ele simplesmente bate a porta, me deixando sem reação, logo atrás da mesma. Fecho meus olhos por alguns instantes, evitando chorar mais. Raramente brigamos a ponto dele me deixar sozinha, como agora. Preferimos sempre conversar a brigar. O que levou ele a agir assim?

Me jogo na cama. Bufo para o teto, sem saber se eu devo ir atrás dele ou não. Decido que não. Henrique estando de cabeça quente é bem mais propício a brigar e isso pode ser pior para nós dois. Porém, todo a decisão de ligar para Mohana. Ela deve me contar, de uma vez por todas, o que aconteceu naquela noite. Isso não dá razão para Henrique; claro, se for algo grave demais, ele tem total direito de me deixar distante de Pedro, mas não de usar as palavras como fez.

Mohana não atende. Ligo três vezes, até que dê caixa postal. Isso apenas me causa mais estresse e me faz chorar. Por que as férias dos meus sonhos têm que ter esse desfecho? Por que não poderia ser tudo lindo, um mar de rosas como eu sempre idealizei?

Não consigo pensar em mais nada. Quero Henrique aqui, como quero também que esteja calmo. Sei que pode fazer besteira longe de mim. Não digo traição, mas é muito provável que ele vá descontar suas mágoas na bebida e todos sabemos que Henrique bêbado não é nada confiável. Espero muito que fique bem.

Decido não ficar na cama, apenas me lamentando. Posso tentar achá-lo. Com esse pensamento, calço meus chinelos e saio do quarto. Uma brisa quente me abraça no caminho, enquanto ando por entre o caminho que fizemos mais cedo, da recepção até o quarto. Sei que tem um bar por perto, certamente o lugar aonde Henrique foi buscar refúgio.

HENRIQUE

Me sento na banqueta, com a brisa batendo nas minhas costas. Peço uma cerveja ao garçom e já não me preocupo em falar espanhol ─ no caso, tentar. Apenas aponto para a bebida no cardápio e desço meus pés até a areia.

Ouço o mar, mas minha mente está tão sobrecarregada que não consigo me concentrar nas ondas quebrando. Não sei se fui certo em deixar Manuela sozinha nessa situação ou ainda erguer tanto minha voz para ela, estando grávida. Apenas agora, ainda com raiva, mas sem ela falando consecutivamente em minha mente, consigo me lembrar disso. Nunca me perdoarei se ela vier a perder esse filho por culpa minha.

O garçom me entrega a bebida. Eu pego meu celular, mandando uma mensagem para Juliano. Quero só que ele pergunte para Manuela se ela está bem. Não terei a paciência de encontrar ela agora. Não sei como pode ser hipócrita como foi, ou ainda está sendo. Dizer que não sabe o que aconteceu naquela noite é hipocrisia. Até porque, se estou há cinco anos com uma pessoa taxa abuso sexual algo normal, terei a certeza de que joguei os últimos anos da minha vida todos no lixo.

A primeira cerveja se vai em alguns minutos. Peço outra. Meu celular toca no bolso, com o número do seu pai, mas recuso a chamada. Nem mesmo me lembrei de que deveria ter cancelado tudo. Talvez seja tarde demais, assim como foi precipitado demais querer pedi-la em casamento.

Pode ser porque estou de cabeça quente, mas já não consigo imaginar um casamento entre nós. Também não sei o que vai ser daqui pra frente entre a gente. Se ela realmente estiver certa na sua concepção, vou desistir dessa furada que chamo de namoro antes que seja tarde demais. Queria apenas ter tido essa certeza antes.

Peço mais outra cerveja. Já estou começando a ficar com calor, quando dou meu primeiro gole. Juliano responde quase no mesmo tempo. Virando parte da garrafa, leio sua mensagem:

“O que aconteceu entre vocês? Ela ligou três vezes para a Mohana, mas ela não ouviu”.

Começo a criar lucidamente a ideia de algo aconteceu. Três vezes? Isso é muito, não é? Respirando fundo e deixando a cerveja de lado por um momento, penso que é melhor não perguntar nada ou ainda ir atrás dela. Nada aconteceu. Ela só precisa esfriar a cabeça, como eu.

“Brigamos. Discutimos. Foi algo sério... Por um motivo sério...”, revelo um pouco das minhas mágoas.

Olho para a cerveja em cima do balcão e decido resolver todos meus problemas nessa garrafa: viro todo o resto, de modo que o garçom que me serve arregala seus olhos. Pergunto se servem algo mais forte, mas ele nega, dizendo algo como “tem um bar próximo”.

“É, deu pra entender isso, mas cara, você não deveria ter saído. Ela agora não atende. Vai saber o que está acontecendo?”, leio enquanto minha mão pesa na carteira, pronto para pagar minha conta nesse quiosque.

Claro que sinto uma pontinha de dor no meu coração. O que pode ter acontecido com Manuela? Ela estava aparentemente bem quando eu saí do quarto. Mas a birra fala mais alto. Decido não ir atrás dela, até que eu receba um pedido de desculpas por tudo que me disse.

“Ela deve só estar pensando. Obrigada”, agradeço, encerrando a conversa antes que chegue um sermão.

Desligo o aparelho, literalmente. Ponho sobre meu bolso, fecho meus olhos e inspiro. Por fim, decido não pagar o quiosque por hora. Peço mais uma bebida, outra cerveja. Vou terminar o que já comecei. Meu primeiro gole mata parte da garrafa, o suficiente para me fazer tomar coragem e pegar o celular de volta. Seria melhor eu só ligar para ela? Se ela atender, é sinal que está bem...

Não. Me controlo e devolvo o celular para o bolso. Não farei bem em ligar. Me sinto tão indeciso ultimamente, em tudo que Manuela está. Tenho tentando ser perfeito, ou melhor, o mais próximo que consigo chegar da perfeição para ela, mas tenho a sensação de que isso não é suficiente.

Ando de um lado a outro, apreensivo no quarto. Manuela já tem seus vinte e três anos. Eu não deveria me sentir tão preocupado que ela saísse sozinha, portanto. Nem mesmo eu, porque essa seria a função do seu pai. O problema é que eu sempre tive um pé atrás com Pedro, o garoto que a convidou para sair e acabou cedendo nosso primeiro encontro. Só eu e ela. O momento aonde a pedi em namoro.

É, talvez eu esteja um pouco errado, mas minha intuição poucas vezes falha. Essa é quase a primeira vez que saem juntos, claro que em um grupo de amigos, incluindo minha própria cunhada e meu problema é exclusivamente com Pedro. Sei que Manuela é fiel. Não preciso de mais para confirmar essa certeza.

Tenho medo dele tentar algo para cima dela e ela acabar não tendo escolha. Sei o quanto caras podem ser insistentes. Eu já fui assim.

─ ‘Véi’, relaxa. Do jeito que ‘cê’ tá obcecado, isso pode complicar seu namoro. Manuela é toda certinha, não vai fazer besteira. ─ são as palavras de incentivo de Juliano.

Estamos no camarim. Atenderemos os patrocinadores e fãs agora, pouco antes do show e isso apenas aumenta minha ansiedade.

─ Meu, eu tô com um mal pressentimento. Porra, ‘cê’ sabe que aquele cara não me desce...

─ Também não gosto da Mohana saindo com aqueles caras. Eduardo é amiguinho nosso e tal, mas ele também já deu em cima delas. A gente tem apenas que confiar. Elas tem juízo.

─ Você quis dizer deu em cima da Manuela. ─ corrijo Juliano na minha forma mais amarga. ─ ‘Véi’, não é questão de confiança; eu não consigo me sentir bem cada vez que ele chega perto dela. Eu vejo como ele olha a minha menina. Sei que caras assim podem fazer de tudo.

─ Como, caras como ele? Você tá chamando ele de maníaco na cara dura?

─ Pra mim ele é. ─ admito, precisando respirar fundo para encarar Emil, quando vem anunciar que vamos começar a receber os patrocinadores.

Fico inquieto, mesmo com gente no camarim. Mando várias mensagens para Manuela, que apenas provoca em mim mais ansiedade, sem responder nenhuma. Ouço muito de Emil que “a mina tá na balada e por isso não vai ver o celular”, mas isso não tira minha ansiedade. É claro que ela está dançando, bebendo, curtindo no geral e deve estar se esquecendo inclusive que eu existo, mas essa é minha tentativa de protegê-la mesmo de longe.

Não consigo fazer um bom show nessa noite. Ter que ficar longe do meu celular por quase duas horas é um castigo. Inclusive, durante o show, peço desculpas ao público por estar distante. Conto que estou com problemas que estão me deixando aflito, mas fica por aí. Raramente conto da minha vida e esse não vai ser um desses casos.

Termino o show com uma sensação de alivio extraordinário. Manuela responde em uma mensagem de áudio que tudo está bem e que logo estará indo embora, só está esperando por Mohana.

Preciso ouvir de Emil e Juliano milhares de “avisei” ou coisas com o mesmo significado. Eles não entendem como estou mais leve com a notícia. Hoje estamos Recife, para o terceiro de cinco shows na semana. Ainda falta muito para que eu veja Manuela, o que engrandece a saudade.

Agradeço Mohana por ser racional. Quero muito discordar, mas Juliano me segura e ajuda a noiva a me trazer de volta para a realidade. Francamente, pode ser nada. Eu prefiro que seja nada. Estou torcendo para ser nada.

Manuela, apesar dos anos que já mora em São Paulo, não conhece bem a cidade. Quem garante que ela só não tenha se perdido na volta para casa, como propôs Mohana? Ou que ela simplesmente está do lado de fora da boate?

Claro que não consigo ficar em paz com isso. Encho Mohana de mensagens a cada minuto, mas ela não me responde. Juliano tenta de tudo para me acalmar, inclusive água com açúcar que ameaço jogar na cabeça dele se ele continuar. Ele para de insistir.

— Ficar nervoso é normal, mas você já está obcecado. — ele observa, mas suas palavras não tem efeito sobre mim.

— Sabe, eu avisei...

— Henrique, não vai falar que a culpa foi do cara sem saber de nada. Isso pega mal.

— É a minha menina, 'véi'...

Estou ficando louco sem notícias. Acho que, se forem preciso mais algumas horas, eu certamente já vou ter desgastado completamente a sola do meu sapato.

— Sua menina está bem. Logo você vai receber uma ligação da Mohana te dizendo isso. — Juliano confirma, tanto que conquista meu olhar, mas eu não consigo acreditar. Ele não tem credibilidade nenhuma nas suas palavras.

— Eu quero notícias dela, Juliano... — peço, me rendendo ao choro da forma mais inútil que consigo.

— Mas, cara, chora não vai fazer ela ficar bem. Andar também não. Você precisa descansar, porque se alguma coisa acontecer com ela, precisa estar descansado pra poder ir até lá.

— Tá vendo? — acuso, enfim me sentando na cama. Aponto diretamente para Juliano, que balança a cabeça. — Nem você acredita nas suas palavras. Por favor, vamos pra São Paulo.

Não consigo vencer Juliano pelo cansaço. Ele insiste e eu vou me deitar por algumas horas. Não descanso nada, apesar disso. Minha mente trabalha em cada segundo.

Mohana liga lá pelas sete. Eles encontraram Manuela: inconsciente, nua e com Pedro deitado ao seu lado no quarto do infeliz. Isso é estupro. Não preciso de mais nada para entender.

Ninguém volta a me cobrar calma no vôo para São Paulo. Ninguém sequer dirige a palavra a mim, se não muito necessário.

Não sei descrever a raiva que surge em mim; o desejo de socar a cara de Pedro até que ele se torne irreconhecível. Tenho urgentemente que controlar meus pensamentos. Ele merece, merece ser castrado ou algo que seja pior, se existir, mas isso não vai me fazer bem.

Manuela foi levada para seu apartamento, de forma que, vou para lá.

Encontrar minha menina ainda desacordada me preocupa. Pergunto para Luiza o porquê disso e ela me diz que foi uma decisão conjunta. Eles acharam que seria melhor ela acordar em um ambiente que familiar, com todos junto a ela.

Eu discordo disso. Não confio que Manuela está bem e quero logo ir até uma delegacia, por mais que eu saiba que nada vai se resolver com isso. No máximo, Pedro pagará uma fiança e estará livre. Pelo menos vou tirar um peso dos meus ombros.

Me ajeito na cama. Começo a acariciar o rosto de Manuela lentamente, apreensivo com a situação. Mohana disse que, com a ajuda de Luiza, deram um banho rápido em Manuela e a vestiram com um pijama confortável, como realmente está.

Seus olhos começam a se abrir lentamente: o alívio que me conforta. Manuela mal os abre e já me envolve em um abraço, sorrindo lindo como sempre. — Tá tudo bem? — pergunto preocupado, enterrando meu nariz em seu pescoço para inalar do seu perfume. Só isso me acalma.

— Uhum. — responde. Isso me causa uma dúvida: será que não se lembra de nada?

Em uma decisão unânime, decidimos que seria melhor não contar para Manuela o que aconteceu. Eu me arrependo um pouco por isso, mas não acho que essa decisão acabou poupando-a de saber sobre. Tenho a impressão de que Manuela sabe de tudo que aconteceu naquele dia. Não entra para mim que talvez ele tenha a dopado tão forte assim.

Isso possivelmente não justifica eu estar nesse momento em um bar, enchendo a cara — ou melhor, acredito que não —, mas foi a melhor solução que encontrei.

Uma, duas, três... As garrafas parecem se multiplicar em minha frente. O que era animação se torna frustração e acabo dando trabalho ao barman, literalmente chorando ao contar de Manuela. Isso é ridículo e quando esse diálogo termina, sei que cheguei ao fundo do poço.

Deixo algumas notas em cima do balcão, desço cambaleando até o chão e preciso de equilíbrio para não cair.



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