História Novas Asas - Segunda temporada - Capítulo 13


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Categorias Henrique & Juliano
Personagens Henrique, Juliano, Personagens Originais
Tags Henrique & Juliano
Visualizações 58
Palavras 2.005
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 13 - Pedido Desfeito


Não consegui encontrar Henrique, na vez em que saí. Procurei por ele em todos os bares mais próximos, mas chegou um momento em que me senti ridícula com isso. Eu não tenho que ficar correndo atrás de Henrique. Não nessa situação. Sei admitir quando estou errada e esse não é o caso.

Choro um pouco mais, talvez por conta dos hormônios que me abalam completamente, mas chega um momento em que eu tento fingir que não me preocupo. Ligo a tevê, peço meu jantar e tento relaxar. Tento evitar estresse, ciente de que isso pode ter efeitos em meu filho.

Por volta da uma da manhã, quando eu já cansada decido que é o momento de dormir, me cubro com o lençol, apago as luzes e é nesse mesmo instante que a porta se bate.

Levo meus olhos até lá e a luz é novamente acessa. Henrique está praticamente caindo, com a mão fixa ao interruptor. Ótimo. Para melhorar meu dia, serei babá de bêbado. Com certeza tudo o que faltava.

Henrique por pouco não caí sobre o móvel que há logo na entrada do quarto. Ele se desequilibra, derruba do móvel um dos enfeites de vidro que se quebra ao cair no chão e ainda tem coragem de lançar um sorriso dizendo “ops”.
— Eu estou com vontade de arrancar isso que você entre suas pernas. — revelo, tendo que me levantar da cama com sono para caminhar até ele.
— Não fala assim.
— Eu falo o que eu quiser.
Henrique está fazendo manha, com um bico imenso. Só isso me deixa repudiada.
Pego seu braço e passo por volta de meus ombros. Ele cambaleia mais, vira seu rosto em direção a mim e então o cheiro de cerveja me atinge, certeiro para uma náusea.
— Mas foi ele que fez nosso filho, amor.
— Não me chama de amor, Ricelly. Você tem noção do que fez comigo? Eu não tenho motivos para mentir. Se eu não lembro, é porque... — faço esse desabafo enquanto caminho com ele até o banheiro.
— Não fala assim comigo. Eu tentei te proteger. — Proteger do que? Além de bêbado, você bateu a cabeça em algum lugar, foi?
Além de tudo, sou obrigada a ouvir conversa de bêbado. Isso é quase uma piada comigo, se não fosse o fato de que bêbados são honestos. Ou seja, o que quer que esteja falando, é real. Henrique pode apenas aumentar.
─ Do Pedro.
Quase deixo Henrique cair no chão, de acordo, com essa. Ele reclama, precisando me apoiar na parede para que nós dois não nos choquemos contra o chão. Ele ri, no momento seguinte e me livro de Henrique o deixando sobre a privada.
Esse é o momento de colocar ele contra a parede. Posso estar me aproveitando do momento, da situação, mas eu preciso da verdade. Isso já passou dos limites. 

─ O que o Pedro fez pra mim? ─ pergunto, assistindo seus olhos perdidos se fixarem a um ponto no fundo.
─ Ele te estuprou.
A sensação que suas palavras trazem é devastadora. Como algo tão grande pode ficar guardado por Henrique ─ Mohana também, não posso me esquecer? O que eles pensam sobre o assunto?
Não é uma situação legal e se tem esse peso para mim, deve ser algo similar para eles. Isso deveria ser motivação suficiente. É a violação do meu próprio corpo, que me abala seriamente em todos os sentidos. Começo a imaginar mil coisas em cima disso, incluindo que talvez esse filho que espero pode ser de Pedro. Essa ideia infeliz também me causa náuseas.
Começo a chorar desesperadamente. Escuto palavras de Henrique bêbado que talvez sejam um incentivo, mas eu não entendo nada do que diz. Não faço questão de escutar. Estou com raiva de todos, porque se Henrique e Mohana sabem, é certeza que Juliano, Eduardo e Luiza também estão envolvidos.
Não sei se a intenção real foi me preservar. Pouco antes eu tinha essa ideia, mas eu não vejo motivos para terem feito isso. Sabe, eu estaria bem menos machucada em relação a toda a situação, porque a sensação é que eu não tenho amigos verdadeiros, nem mesmo pessoas que se importam comigo.
─ Manu... ─ Henrique chama, me causando a ilusão de que de que se está sóbrio. Mas isso não passa de uma ilusão, porque Henrique sequer consegue segurar meu braço em ameaçar cair.
Abro meus olhos, mas não consigo enxergar nada por conta das lágrimas que me devastam. Meu coração parece ter se partido com essa notícia. Afasto Henrique com todo seu hálito de frescor, mas ele não entende.
─ Eu só fiz isso pra te proteger, me entende...
─ Henrique, como eu posso continuar com alguém que mente desse jeito para mim?

Esse não é o momento certo de decidir nada, principalmente porque não tenho sido racional. É impossível conseguir equilíbrio. Talvez a somatória de tudo seja realmente o término, ainda relacionado a nossa briga mais cedo, mas são hipóteses.
De qualquer jeito, enfio Henrique debaixo d’água na banheira e deixo a água do chuveiro cair bem sobre suas costas. Chega a ser estúpido o fato de que me importo, mesmo ele tendo me magoado. Infelizmente, não tenho controle sobre o meu coração, que pede que eu fique e cuide, uma vez que Henrique não tem essa capacidade.
Começo a tirar sua roupa de qualquer forma. Ele volta a resmungar sobre isso, mas eu rapidamente calo sua boca com um tapa forte em eu ombro. Henrique resmunga mais algumas vezes, mas enfim cala sua boca. Claro que ele sorri malicioso quando tiro sua cueca, mas isso não passa de um olhar. Faço com que ele se esfregue e vou até o quarto, buscar uma muda de roupa.
Eu não tenho pensamentos sóbrios nesse momento. Estou aterrorizada coma notícia que Henrique me deu, mas ainda estou em estado de choque. Fragilizada, volto a chorar sem conseguir acreditar que é sério o que me disse é verdade.
─ Manu... ─ Henrique chama por mim, aparecendo na porta do banheiro completamente encharcado.
— Henrique, olha o que você está fazendo no chão... ─ enxugando as lágrimas, murmuro indicando o piso molhado.
─ Desculpa, meu amor. Eu não quis te magoar...
─ Volta pro chuveiro. ─ ordeno, completamente abalada com suas palavras.
Repito, em mantra, logo na minha mente, que eu não devo ouvir o que ele tem a dizer. Henrique é muito bom com as palavras. Certeza que ele vai conseguir me convencer, se eu não tiver concentração suficiente.
─ Eu só quero o seu perdão. Eu não fiz por mal.
─ Não fez por mal mas fez. Isso já o bastante, Henrique. 

Henrique forma um bico gigante, mas saio gritando e ordenando que ele volte para o box, uma vez que encharcou todo o chão da casa baseado em sua sutileza. 
Enquanto ele tenta tomar banho sozinho, me esforço para que as lágrimas nãol voltem a me derreter. Tento ser forte, mas não consigo. As lágrimas me devastam, enquanto me debruço até o guarda roupa. Acabo apoiando a cabeça sobre a porta do guarda roupa e me lamento mais um pouco.
Acordo, voltando para a realidade, quando Henrique chama por meu nome, enrolado em uma toalha e aparentemente se esforçando muito para manter seu equilíbrio.
— Se enxuga. — peço, ordenando. Sem contestar, Henrique faz. Assisto tudo, atenta aos seus movimentos, mas com a cabeça longe.
— Meu amor, eu...
— Me deixa quieta. — peço, desviando o rosto. — Você está bêbado. Precisa dormir.
Enxugo minhas lágrimas, tentando desviar meu rosto. Que vergonha ser pega assim.
— Bêbados são honestos. — na tentativa de se justificar, murmura.
— De que adianta honestidade agora, Henrique? O que você fez foi grave demais.
Henrique, completamente nu, com uma toalha pequena envolvendo abaixo dos seus quadris, se senta ao meu lado. Pelos seus olhos, sei que está dizendo a verdade. Tudo é sincero. Mas por que ele precisa estar bêbado para que a verdade saía? Isso é ridículo pra mim.
— Eu vou... — respiro fundo. Essa palavra dói para mim. — Vou embora amanhã.
— Não vai. — ele rapidamente discorda.
Henrique segura minha mão, antes que eu possa responder ou pior: me esquivar. Ele põe uma mecha de cabelo atrás da orelha, aproxima seus lábios e, quando acho que dirá alguma bobagem, me surpreende com um pedido:
— Manuela, casa comigo?
Meu corpo por inteiro se arrepia. Começo a sentir calafrios apenas com a primeira palavra. 

Custo acreditar que tenha sido real esse pedido. É isso o que espero há muito tempo. Muito tempo, na verdade, talvez seja um exagero, mas desde que comecei meu namoro com Henrique, casamento era um sonho. Eu já idealizei muitas vezes meu vestido de noiva, a cerimônia dos meus sonhos... Mas tudo parecia distante demais.
Eu ainda não sei se devo acreditar nas palavras de Henrique, afinal, ele está bêbado. Se eu bem o conheço, é possível que ele se arrependa por orgulho quando acordar. Por isso mesmo, acho que essa é a oportunidade perfeita de aceitar. Ele não pode revogar ou retirar seu pedido, acredito.
Me debruço, envolvendo seu pescoço com meus braços. Acabamos caindo sobre o colchão, o que rende risadas e um sorriso apaixonado da minha parte.
— Você está falando sério? — pergunto, querendo reforçar. Henrique abre um sorriso estonteante e puxa do criado mudo uma caixinha azul.
Definitivamente, eu não estava preparada para receber esse pedido. Não foi da forma mais criativa ou sóbria, mas foi maravilhosa do mesmo jeito.
Me sento na cama. Consigo acompanhar cada movimento que Henrique faz, me encarando com o canto dos seus olhos conforme abre lentamente a caixinha. A jóia é completamente maravilhosa, não muito diferente do que eu já esperava, mas isso não é realmente relevante.
Penso em voltar a me jogar em seus braços, mas acabo esperando e Henrique me surpreende se ajoelhando ao chão. Ele ainda sofre com a falta de equilíbrio, mas isso se torna uma piada para ele mesmo, que ri desengonçado e debochado.
— Eu sei que não foi prudente esconder algo tão grande de você. Também não fui nada gentil em agir como fiz com você mais cedo, mas eu estava de cabeça quente. O importante está aqui. — primeiro indica o anel que está oferecendo, antes de acariciar minha barriga do modo mais fofo possível.

Henrique precisa recuperar seu fôlego para continuar e eu exigo enxugar minhas lágrimas. Ele é um filha de puta por me fazer passar por isso.
— Tudo o que fiz foi um o intuito de te proteger. A maior infelicidade da minha vida é te ver magoada, porque o seu sorriso... O seu sorriso é capaz de acender uma cidade inteira.
Henrique contorna meu queixo com seu polegar, enquanto meu coração se preenche de uma forma que não consigo entender. Como ele pode estar bêbado e falar coisas tão bonitas assim?
Quando as lágrimas voltam, piores do que antes, Henrique se põe de prontidão para limpá-las.
— Exagerado! — resmungo, tentando me convencer que está fazendo apenas porque está bêbado.
— Apaixonado! Perdidamente apaixonado, isso há mais de cinco anos. É incrível perceber como o tempo passou e nada mudou entre nós. Em você, especialmente. Você tem a mesma essência, a mesma luz, o mesmo brilho. Espero que isso, ele puxe de você. — Henrique ri e eu acompanho, sem reação, mas completamente apaixonada. — Bom, isso é tudo o que eu queria lembrar. Eu não vou fazer esse pedido aqui, nem agora só porque esse momento tem que ser o mais especial possível.
Murcho o sorriso instantaneamente. Henrique está falando sério? Fico sem reação, enquanto ele parece estar fazendo uma séria brincadeira de mal gosto voltando a guardar o anel.
Engulo seco. Não, não, não. Verdade não é. Não pode ser. — Henrique, o que você está fazendo?
— Eu não vou te pedir em casamento ajoelhado no chão, de toalha. Tinha uma puta surpresa preparada...
— Mas não é questão de lugar. — murmuro.
— Pra mim é. Você é tão maravilhosa e tão importante pra mim... Merece mais.
Henrique toca meu rosto, possivelmente querendo arrancar um sorriso, mas estou... Não diria completamente chateada, mas essa é a palavra que melhor se enquadra.



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