História Novas Asas - Segunda temporada - Capítulo 14


Escrita por:

Postado
Categorias Henrique & Juliano
Personagens Henrique, Juliano, Personagens Originais
Tags Henrique & Juliano
Visualizações 109
Palavras 2.741
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 14 - Perda


É difícil dormir nessa noite. As palavras de Henrique, contando sobre Pedro, se repetem com frequência na minha mente, quando deito minha cabeça no travesseiro. É uma sensação de impotência e desconfiança muito grande. Eu sei que foi por proteção, mas esconder isso de mim... Talvez, de tudo, foi o que mais me magoou. Como puderam fazer isso? Acreditaram que um dia essa história nunca chegaria até mim? Não sabiam que, quanto mais demorasse para saber, mais ficaria magoada?

E quanto a possibilidade dessa criança ser filho de Pedro? E se eu realmente estiver grávida dele?

Começo a chorar com o caminho que meus pensamentos tomam. Estou arrasada, devastada.

Carregando em cima da cama, o celular de Henrique toca. Ele resmunga alguma coisa, inconsciente, ainda dormindo. Bufo e me levanto para atender, mas congelo com o nome “Bruna” piscando na tela.

Que eu saiba, Henrique não conhece nenhuma Bruna. Ao menos, no que me lembro. Mas eu não preciso me preocupar com a ligação. Ela cai em uma questão de segundos e mensagens piscam na tela. Sei que é errado, mas eu desbloqueio o aparelho. Nunca tivemos restrição em usar o aparelho um do outro. “Ei”

“Quando a gente vai se encontrar?”

“Precisamos trabalhar.... Naquele lance...”

Fecho meus olhos e respiro fundo. Eu não devo tirar conclusões precipitadas, mas como não fazer se já é tarde para que ela ligue?

Rolo as mensagens, vendo as mais antigas e meu mundo... Meu mundo por isso inteiro desmorona. O que era para ser a viagem dos meus sonhos se torna o maior pesadelo da minha vida.

Não consigo ir muito além nas mensagens. Congelo quando chego a um certo ponto.

Sempre soube que Henrique talvez fosse demais para mim. Quem sabe, por essa razão, por justamente ser demais ele precisou encontrar outra a quem se doar.

Custo acreditar que isso seja verdade. São cinco anos de relacionamento que ele não pode ter jogado no lixo, aparentemente como fez.

As mensagens dizem sobre jóias. Sério que ele pretendia comprar presentes caros para sua amante? Deve ser tudo que ela espera.

Eu não quero me estressar. Não posso passar por mais nervoso, mas eu só quero saber em que momento passei a merecer tudo isso. Eu sempre me dediquei ao máximo nesse relacionamento. Se em algum momento falhei com Henrique, foi por falta de experiência, mas não por falta de tentativa ou amor.

Bloqueio o aparelho, com as lágrimas pressas aos meus olhos. Henrique realmente teve a capacidade de me trair. Não! O homem com que idealizei meu futuro jogou tudo fora por uma siliconada barata, por alguns momentos de prazer. Será que realmente valeu a pena?

Caio sentada no chão, em choque com essa notícia. As lágrimas me devastam como nunca antes. Meu único desejo nesse momento é acordar desse pesadelo, com Henrique me chamando e relevando que nada disso realmente aconteceu.

Mas ele se engana demais se pensa que eu vou reagir somente chorando, Henrique está completamente enganado.

Enquanto ele confortavelmente dorme, arrumo minha mala, esperando que ele não acorde. Não quero ter que me estressar mais um pouco.

Para o meu azar, isso realmente acontece. Ele coça os olhos, ajustando seu corpo na cama. Seus olhos vem até mim e de imediato estranham.

— O que você está fazendo, Manuela?

— Há quanto tempo você tem me feito de trouxa? — Henrique parece não entender do que estou falando. Será que eu realmente estou sendo precipitada?

— Do que está faltando?

— Bruna.

Henrique então se entrega: consigo ver em seus olhos que chamar por seu nome, era o que menos esperava.

HENRIQUE

Não sei o que aconteceu com Manuela durante a madrugada. Ela simplesmente surtou com a possibilidade de uma traição. Sem entender, tentei acalmá-la, mas acho que depois do estresse de um dia todo, essa foi a gota d‘água. Eu não sei mais até onde estou disposto a levar esse relacionamento.

Tudo isso fazia parte da escolha do presente de natal que darei — ou daria — a ela. Nunca dei motivos para desconfiança, isso sendo que eu sempre convivi com mulheres mais encorpadas que Manuela. Isso não deveria ser um problema.

Decido que é melhor voltarmos para o Brasil. Essa viagem foi uma péssima ideia. Embarcamos lá pela tarde no dia seguinte e Manuela não diz uma palavra que não seja extremamente necessária durante o vôo.

Desembarcamos durante a manhã. De novo, Manuela não dirigiu nenhuma palavra a mim durante o caminho no táxi e menos ainda quando chegamos em casa. Ela correu para o banheiro e eu preferi pegar minhas coisas e me alojar no quarto de hóspedes.

Ligo para Juliano. Parece ridículo, mas eu recorro a meu irmão a cada problema que tenho. Ele nunca foi o melhor conselheiro, mas é meu melhor amigo. Perco a vontade de falar, quando ele pergunta o que eu quero. Não sei se faria o certo, expondo meu namoro desse jeito. Mesmo assim, deixando de lado a incerta, faço:

— Véi, acho que meu namoro... Sei lá, desandou.

— Uai, porque isso doido? Pensei que estavam bem, tava até esperando você enviar uma foto de vocês curtindo a praia...

— Nem pedido de casamento teve. Ela soube do estupro, depois por causa de algumas mensagens supôs que estava a traindo e mal fala comigo desde então. — digo tudo de uma vez, respirando fundo após declarar tudo o que precisava.

— Ela soube? Que loucura é essa? — Juliano pergunta por, mas antes que eu consiga respondê-lo, ele diz: — Ela pode estar chateada por isso. Certeza que está. Não seja precipitado.

— Mas eu não estava falando sobre o assunto. É sobre essa desconfiança dela. Sabe, eu nunca dei motivos, sempre fui o namorado mais incrível que eu consegui. Sempre fiz tudo que estava ao meu alcance só pra ganhar um sorriso dela. Não é justo ela tirar conclusão precipitadas e me acusar desse jeito.

— Bom, realmente não é justo... — Juliano pondera, enquanto estico meu corpo sobre a cama, na tentativa de relaxar. — Mas também não é legal ser precipitado como ela. Manuela está errada, mas você também vai estar se terminar. Aposto que não sentaram para conversar.

Rio no telefone, por ironia. Meus olhos pesam e todo o desconforto dos dias anteriores vem a cabeça.

— Como conversar se ela só vira o rosto pra mim? Parece uma criança fazendo birra. — justifico, completamente frustrado em relação ao assunto.

— Chama ela. Se ela continuar assim, é justificativa pra por fim no namoro, mas se ela resolver conversar, vai de vocês.

Respiro fundo por minutos. É tão difícil toda a situação. Só queria entender aonde fui me meter. Será que tudo aconteceu por conta da viagem?

— O que você acha? — Sobre...?

— O que cê acha, doido? — já meio bravo por toda a lerdeza de Juliano, respondo. — Acha que esse é o nosso fim? Que joguei cinco anos no lixo?

— Olha, jogar no lixo não, tá? Começa por aí. Vocês foram muito felizes por cinco anos e como muitos namoros, estão passando por um momento ruim. Vocês terminarem ou não cabe exclusivamente a vocês. Foi um período de muita aprendizagem para vocês e lembranças boas, porque tá no olhar de vocês o quanto são apaixonados um pelo outro.

Volto a respirar fundo, algo que se tornou comum nessa ligação. O medo me corroe. E se esse for o momento de dar um chega no nosso namoro? O que vai ser de mim?

— Henrique, eu não posso tomar essa decisão por você. Conversa aí... E me diz no que deu, certo?

Sei, quando a ligação acaba, que é o momento de ter essa conversa. Não dá pra empurrar mais um pouco esse momento.

Com as palavras de Juliano cercando meus pensamentos, bato na porta do banheiro. São demorados segundos que Manuela leva até abrir. Meus olhos descem de imediato a seu rosto molhado e vislumbram algo vermelho no chão, logo abaixo dos seus pés. Desço mais um pouco os olhos até identificar que nada mais é do que sangue.

— Eu acho que eu estou perdendo nosso bebê. — Manuela declara, o que meu coração implora para ser um engano.

— Você não ia me chamar?! — acabo gritando, enquanto gesticulo.

— Eu acabei de ver. Por favor, não grita comigo. — com toda sua sensibilidade, ela acusa.

Manuela está aos prantos. Ela com certeza não faz ideia do que fazer. Com isso, toda a responsabilidade sobe em meus ombros.

— Vamos pro hospital agora. — mais pacífico, declaro, vendo ela concordar enquanto tenta segurar suas lágrimas. Manuela está sensível como nunca vi. — E você não precisa ficar assim. Você vai ver, isso tudo é um susto que ele está dando na gente pra gente parar com essa birra toda. — dou um sorriso sincero. Essa é forma de dizer “ei, vai ficar tudo bem” que eu encontrei. — Vamos logo. — ela pede, sem concordar ou discordar de mim.

Eu concordo, acenando com a cabeça. Manuela não deixa de chorar por um minuto e isso me abala demais. Eu também sinto vontade de chorar. Pensar na possibilidade de perder outro filho é meu maior inferno.

Corro para pegar sua bolsa, com todos seus documentos enquanto ela chama o elevador. Entramos juntos e deixo que ela repouse a cabeça em meu ombro, nesse meio tempo. Acabo acariciando seus cabelos, porque sei que precisa disso. É difícil demais ser forte.

— O que vamos fazer se perdemos ele também? — ela murmura, depois de muito silêncio.

— Nada vai acontecer...

— Eu não posso...

— Manu! — repreendo, segurando em sua barriga para reforçar e dar ênfase às minhas palavras. — Nada vai acontecer. Nada! Eu prometo pra você!

O elevador chega até o térreo e eu me proponho a pegá-la no colo. Manuela cede e encharca minha camiseta com suas lágrimas volumosas.

Não demoro mais do que o normal para chegar no hospital. Poderia ser mais rápido, mas com o trânsito complicado de São Paulo isso se enrola. Na emergência, Manuela não demora para ser levada e eu fico sozinho, impedido de acompanhá-la.

Isso me deixa aterrorizado. Não acompanhar Manuela é um pesadelo, tanto para ela, quanto para mim. Ela precisa do meu apoio e vice-versa, mas as normas do hospital estão equivocadas.

Nervoso, ligo para avisar seu pai que estamos no hospital. Ele insiste muito e quer saber porque estamos aqui, mas eu acabo por não dizer muito. Independentemente do que aconteça, Manuela ficaria muito feliz em ter seu pai nesse momento com ela e isso o tranquilizaria sobre ela. Acabo convencendo que ele precisa vir até São Paulo e ele cede, dizendo que chega em três horas. Mas é a ligação se encerrar para meu coração voltar a boca.

Me sento nessas cadeiras de plástico azuis que estão distribuídas em fileiras na entrada da emergência. Afundo a cabeça entre minhas pernas e deixo as lágrimas me encobrirem. A pior parte é a angústia por notícias. Não sei se a demora é um bom ou ruim sinal.

Decido, então, andar de um lado a outro, ainda na recepção. Todas as outras pessoas que estão aqui parecem tão aflitas quanto eu e, portanto, mal notam todo meu desespero. Começo a imaginar o motivo que trouxe cada um deles aqui, tentando desvendar pela expressão do rosto. Isso não é nem de perto uma brincadeira saudável, mas é.

— Familiares de Manuela...? — não chego a deixar o médico chamar por seu último nome e já estou a sua frente. — O senhor é...?

— Namorado. Foi eu que trouxe ela pra cá.

Sua expressão se altera de uma forma enigmática. Em segundos, ele parece estar de luto, não muito diferente de mim e meu coração se aperta inteiro com isso.

Médicos não deveriam demonstrar esse tipo de expressão. Eles passam por isso todos os dias, não é? Deveriam estar melhor habituados a esconder os sentimentos.

— Ela... Perdeu o bebê? — pergunto direto, na angústia pela falta de resposta.

O doutor apenas dispõe a mão sobre meu ombro e balança a cabeça em afirmativa.

— Sinto muito, rapaz.

Não sei o porquê, mas minha primeira reação não é chorar: é fechar um soco contra a parede. No choque, meus dedos se comprimem e eu acabo exclamando pela dor, enquanto balanço minha mão. Minha reação foi a mais estúpida que eu poderia ter.

Por que de novo? Por que? O que tenho de errado? Não é possível outra coisa dessas. Quantas vezes eu ainda vou perder meus filhos ao longo dos anos? Quantas vezes vou passar pela mesma dor agoniante? Será que já não aprendi com as outras duas?

— O senhor...? — nego, ainda balançando minha mão.

Tenho toda a dor, logo no meu coração, mas não choro largado como na primeira vez em que estive nessa situação. Não sei até que ponto isso é bom. Aliás, espero que seja.

— Por que isso aconteceu? — tomo coragem em perguntar.

— Ainda não sei. Pode ser por algo do próprio organismo ou por fatores externos, como estresse.

Engulo seco. Eu matei meu filho.

— Ela já sabe?

— Ainda não. Se achar que for mais confortável, o senhor mesmo pode dar a notícia. Esse é o papel em que ninguém quer estar.

Realmente, não é um lugar em que ninguém gostaria de estar. Com isso, balanço a cabeça. Sei que ele faria isso, caso eu viesse a pedir, mas Manuela vai se sentir mais confortável comigo, isso se ela não concordar que eu matei nosso filho, porque isso aconteceu.

— Venho te chamar quando puder entrar. — alerta.

Eu volto a me sentar, devastado. Não sei como vou conseguir contar isso para Manuela. Como ela vai se sentir em receber essa notícia?

Pela porta de entrada, vejo seu pai entrar, me procurando com os olhos. Aceno levemente, mas não confortável com a situação. Ainda preciso contar para ele, além de tudo. Como será que seu pai vai receber isso?

Porém, quando se senta ao meu lado, demora para me perguntar algo. Acho que entende que não estou bem.

— O que aconteceu? Está tudo bem com ela?

— Ele perdeu... — não consigo contar. Isso me engasga. Ele cede alguns tapas em minhas costas, como incentivo. — Outro bebê.

— Não! — Pois é. — concordo, derrotado.

Seus olhos se enchem, como em solidariedade. Ele também parece se chocar com essa notícia. Não é algo fácil de se digerir.

— Mas... Ela nem me contou que...

— Não deu tempo. Eu mesmo sabia há três, quatro dias. — revelo, com o choro atolado, querendo de todas as formas aparecer e declarar seu “oi”.

— E... Por que isso aconteceu?

Encaro seus olhos, com medo de contar. Como dizer que eu matei meu próprio filho? Não foi minha intenção, é claro, mas de certa forma toda a responsabilidade é minha.

— Pode ter sido por nervoso. — admito. O máximo que ele vai fazer, de qualquer forma, é me socar. — A gente brigou por esses dias.

— Por que? Vocês sempre estão bem. — pergunta sereno.

Não esperava que ele ficasse tão tranquilo, sabendo do que aconteceu. Talvez eu o subestime demais. Antônio sempre foi uma pessoa tranquila, apesar de todo o deboche comigo.

— Eu errei com ela, ela errou comigo... — admito. Dividimos a culpa, acredito, agora pensando melhor. — Ela foi precipitada e eu escondi algo grande dela.

— Escondeu o que, Henrique?

— Não vem ao caso agora, mas...

Ele cerra os olhos na minha direção, mas parece pensar melhor e não insiste. Ele relaxa seu corpo na cadeira, enquanto a angústia me consome. Sinto vontade de chorar, mas não posso. Não vou poder entrar para vê-la com meus olhos inchados, como já devem estar. Ela deve se sentir ainda mais devastada.

— Se magoou minha garota, sabe que acerto um soco bem no meio da sua cara. — ameaça, me deixando assustado com a forma agressiva que declara. — Você nunca me deu motivo, nesse tempo todo que namoram. Não faça ser agora.

Com os dentes e punhos cerrados, concordo, relaxando minha expressão no momento seguinte. No entanto, ele se mantém, meio imponente.

Esperamos pela autorização, para que eu entre no quarto. Ela demora mais alguns minutos, mas uma enfermeira vem me avisar quando posso.

Manuela está retraída na cama, completamente encolhida. Os olhos denunciam que chorou, isso porque eles vão do castanho escuro ao mel quando isso acontece. Eles também demonstram medo, insegurança. Ela já deve esperar pelas palavras seguintes, mas não vou simplesmente jogar isso para ela logo agora.

— Essa camisola de hospital realça sua pele pálida. — descontraio, engolindo o choro. Ela sequer muda a expressão quando acuso tocando seu nariz. — Não fica assim, por favor.

Manuela derrama algumas lágrimas, ainda sem dizer nada. Isso começa a me agonizar. Qual a dificuldade de pedir que a deixe quieta? Pelo menos isso...



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...