História Novas Cicatrizes - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Suspense, Violência
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Conto 1


  O famoso Fora-da-lei entrou pela porta da cantina, todos ficaram extasiados. Todos, exceto pelo proprietário, que estava de costas dando instruções bem objetivas pro funcionário novo.
  - Nada de confusão no meu restaurante! Você sabe fazer conta?
  - Nao senhor. - Disse o rapaz envergonhado.
  - Sara! Precisamos de você no caixa! - Berrou o chefe.
  - Já vai! - Respondeu a voz feminina de dentro do estabelecimento.
  - Sinto muito, Arch, por ter que colocá-lo no caixa hoje. Eu sei que sua especialidade é cozinhar mas... - No tempo dessa fala, uma fila enorme se formou rapidamente no caixa. Todo mundo tava de pé, disputando pra pagar e sair dali o quanto antes. Os clientes, aflitos, esbarravam aos montes na volumosa pança do patrão, que perdeu a paciência por completo. 
  - Dá pra alguém me explicar o que tá acontecendo aqui? - Bufou o chefe, nervoso.
  Alguns clientes deram desculpas esfarrapadas, mas ao se virar, ele pode ver o procurado e reconhecê-lo instantaneamente.
  - P...Paco Ramirez! - Exclamou o Dono.
  Todos se arrepiaram novamente ao ouvir esse nome sendo pronunciado em voz alta.
  O procurado se sentou a esquerda da porta discretamente. O alvoroço que surgiu na cantina só aconteceu por causa da fama do homem, e felizmente, não por seu comportamento. Ele acendeu um cachimbo velho e aguardou.
  O Chefe se aproximou dele, mas não sem antes gritar pela Sara novamente, que respondeu "Já vai" mais uma vez.
  - Boa tarde senhor Paco! É um grande prazer recebê-lo em nosso estabelecimento. Deseja beber algo? Temos comida também. Pode pedir o que quiser! - Disse o chefe milagrosamente não gaguejando. 
  Antes de responder, Paco tirou uma arma da cintura e colocou-a sobre a mesa.
  "Agora ferrou. É cada um por sí!" Pensava o proprietário.
  - Não estou com pressa, vou esperar o movimento baixar pra ver o cardápio.
  - Claro! Fique a vontade! A casa é sua. Se quiser mais alguma coisa é só...
  - Silêncio! - interrompeu. - Quero um pouco de silêncio. Aqui está muito barulhento.
  O chefe engoliu seco. Ele pode ver sua vida passar diante dos seus olhos e agora lacrimejava incontrolávelmente. Por sorte, ele usou o lenço que estava em seu bolso pra ajudar a despistar as lágrimas.
  - E tem mais uma coisa. Quero uma informação. Nessa vila, onde posso consertar isso? - Paco apontou pro revólver em cima da mesa.
  O Dono da cantina estava catatônico. Ele nao respondeu, só ficou lá, com aquele sorriso amarelo e trêmulo.
  -Você está com medo de que? - Indagou o procurado sorrindo.
  O Chefe não respondeu. Ele virou rapidamente seu rosto pra trás e cruzou olhares com Arch, que estava abarrotado de trabalho no caixa.
  - Eu te fiz uma pergunta. - O tom do procurado agora estava sério novamente. - Você por acaso não sabe?
  O Dono então fez um sinal com os olhos. Ele olhou pra baixo, tremendo. 
  Arch captou a mensagem e, ao enfiar a mão num pequemo vão abaixo da caixa registradora, ele pôde sentir os frios canos de uma escopeta.
  "Nada de confusão no meu restaurante!" A ordem do seu chefe passou pela sua cabeça outra vez.
  Paco se levantou bruscamente. A cadeira caiu pra trás e a arma agora estava entre os olhos do proprietário, que nem foi capaz de reagir.
  Clic.
  O procurado puxou o gatilho.
  Mas nenhum disparo foi dado.
  Trac.
  O procurado puxou o cão e o tambor girou.
  Clic.
  Nada.
  Trac.
  Clic.
  O homem tremia de pavor, ainda sem balas no crânio.
  Trac. 
  Clic.
  Todos os clientes saíram imediatamente, troco algum valia esse risco.
  Trac.
  Clic.
  Os olhos do dono começaram a girar pra trás...
  Trac.
  Clic.
  Ele então perdeu a consciência e caiu de costas no chão.
  - Viu, tá quebrada. E olha que ela tava toda carregada. - Disse Paco jogando o tambor pro lado, deixando as seis balas cairem na palma da sua mão.
  O restaurante agora estava deserto, talvez até tão deserto quanto o deserto lá fora. 
  - Oi pessoal, o que foi? Desculpa a demora, eu...
  Sara não foi capaz de terminar essa frase. Ela levou as mãos até a boca pra não gritar, mas deixou uma bandeja metálica cair no chão, causando um barulhão.
  Paco pareceu se incomodar com o estrondo.
  Arch olhou pra ela e era difícil dizer quem estava mais nervoso. Sara, instintivamente, se recolheu chorando de desespero pra dentro da cozinha novamente e se ajoelhou pra chorar atrás de uma bancada.
  Arch se esforçou pra raciocinar, e mesmo nessa situação ele conseguiu se concentrar no que fazer. Ele só tinha uma coisa em mente: lucrar qualquer coisa que seja, com esse encontro inesperado. O dinheiro que ele sonha em ganhar serviu como uma âncora, que o trouxe de volta pra esse momento.
  - D...Do out...outro lado da rua. No prédio da esquina, n...no segundo andar.
  - Maravilha! Eh... ei garoto. Duas coisas: você se importa de me mostrar o cardápio? E acho que você vai ter que limpar isso aqui... 
  Arch hesitou. Se ele saísse do balcão, ele perderia a cobertura e, principalmente, não teria a arma pra atirar de volta. Se ele saísse do balcão, ele estaria totalmente vulnerável, a mercê do procurado. 
  Mas ele foi. De mãos vazias, ele tentou parecer relaxado e pegou um pequeno quadro negro com algumas refeições escritas a giz. Arch então se aproximou do Paco e esticou o braço o máximo que deu, pra ficar o mais longe possível.
  - Valeu. - Disse Paco informalmente.
  Ao se virar, Arch estremeceu. Era terrível, terrível, ficar de costas pra quem pode te matar a qualquer momento. Ele então se aproximou do seu chefe, e ao tentar erguê-lo, ele pisou em algo molhado. Era urina que havia escorrido das calças do infeliz patrão.
  Arch se virou e viu o procurado olhando pra ele com certa curiosidade. Era impossível ficar mais nervoso do que já estava, então Arch simplesmente tentou ignorar.
  Mas não deu.
  - Com licença. - Disse Arch enquanto tentava levantar o volumoso homem do chão. Sem sucesso.
  - Quer ajuda aí? - Perguntou Paco se divertindo.
  - Não! Tá tudo sob controle.... - A voz de Arch estava até distorcida de tanta força que ele estava fazendo.
  Ele então desistiu da ideia, e resolveu só arrastar o chefe pelo chão.
  - Ei... garoto. Você tá espalhando o mijo pelo chão todo... - Comentou o procurado com um pouco de nojo.
  Arch gelou e depois de um segundo parado, deixou uma resposta improvisada involuntariamente sair de sua boca.
  - É mais fácil limpar mijo do chão que do meu avental.
  O procurado ficou em silêncio. E a tensão no ar aumentava exponencialmente.
  Arch estava quase se borrando. "O que foi que eu disse? Merda. Tô morto..."
  - Faz sentido. Só não esquece de limpar Isso aí. Se não vou vomitar. Detesto cheiro de mijo. E a propósito, vou querer o prato do dia, e uma dose dupla da pinga mais malvada da casa, por gentileza. 
  - Vou notificar a cozinha agora mesmo. Só um minutinho... - Arch fazia tanta força que estava difícil falar.
  Ao adentrar a cozinha, ele viu Sara, ainda em choque, tremendo com a cara entre os joelhos. Ele continuou puxando o chefe e o deixou jogado ali mesmo, pra poder ir consolar a colega.
  - Ei, ei, sou eu, o Arch. Tá tudo bem. Pode ficar tranquila.
  Não estava nada bem e o próprio Arch estava em um estado de tranquilidade tao frágil que nem ele achava possível.
  - Tá tudo bem com o chefe, ele só tomou um susto e desmaiou. 
  A moça parecia estar um pouco mais calma. 
  Ela levantou a cabeça e olhou pro procurado discretamente por cima do balcão. O procurado olhou de volta e ela quase desmaiou.
  - Arch, esse cara é perigoso. A gente tem que dar o fora daqui. Agora mesmo!
  "Ah minha filha, enquanto eu to lá na zona de risco você tá aqui chorando e quer que eu fuja feito um palhaço depois de ter passado por esse perrengue? Ah tá bom."
  - Ei, ele é só um cliente. Não é motivo pra gente sair correndo. Eu vou cuidar dele enquanto você toma conta do chefe, pode ser? 
  - Arch, você não tá entendendo! Esse cara tem três mil coroas duplas de prémio pela cabeça dele. Vivo ou morto!
  Arch engoliu seco. "Três mil coroas duplas? Isso deve ser mais dinheiro do que toda a grana que já passou pela minha mão na minha vida inteira! E olha que eu nem sou tão pobre assim..." Pensou arch. 
  "Eu preciso pegar esse cara. Vai ser só fazer ele se aproximar do caixa... e pá! Vou descer chumbo no cara e meter a mão na recompensa!"
  - Você pode pelo menos cuidar do patrão? Eu tenho trabalho a fazer.
  Arch se levantou sem nem ouvir a resposta, pegou um rodo e um pano de chão e correu pra molhar o pano na bomba d'água da rua. 
  Assim que ele saiu da cozinha, a presença do procurado o fez parar de correr. Ele se dirigiu até a porta, mas não sem antes justificar a pressa.
  - Vou molhar esse pano pra limpar isso de uma vez. Sinto muito pela demora.
  - Ah, já era hora... estava quase vomitando aqui. 
  Arch foi bem rápido, molhou o pano e entrou com pressa no restaurante, tanta pressa que ele quase trombou com o Paco, que tava de pé ao lado da cadeira.
  - De...de...desculpa senhor! - Disse Arch desesperado, como o condenado que tenta adiar sua sentença como pode.
  - Eu dei uma espiada por ali e parece que a cozinha está vazia... Você acha que minha refeição vai demorar?
  Arch limpava o chão trêmulo, e essa era uma pergunta inesperada, que ele não fazia ideia de como responder.
  - Eh... Eu não sei. Eu vou dar um jeito no seu prato. Mas talvez demore um pouquinho já que eu to sozinho...
  - Certo, certo... Quer saber, vou dar uma saída mas volto sem demora. É naquela casa ali né? - Disse o procurado apontando pra além da janela da cantina. - A loja de armas.
  - É sim, bem ali. Não é bem uma loja de armas, mas procure por um velho chamado André, ele vai poder te ajudar.
  - Ótimo! Estou saindo. Pra garantir que quando eu voltar, meu prato já vai estar nessa mesa, o pagamento está lá. 
  "O que. Como assim? Raios! Se já tá pago, ele não terá por que se aproximar do balcão... vou ter que pensar em outro plano... Droga!"
  - Perfeito. Agradeço pela sua compreensão. Não demore lá, vou me apressar aqui também.
  - Lhe agradeço... - Disse o procurado saindo pela porta que agora ia e voltava sem parar, rangendo a cada movimento.
  Tudo que Arch mais queria agora era pensar com calma em um plano pra pegar esse procurado de surpresa e passar a mão nessa grana preta, mas Arch ainda era humano, e jovem. Ele nunca havia se sentido assim antes. Sua vida nunca havia sido tão ameaçada, apesar dele não ter sofrido, de fato, ameaça alguma.
  Arch nem tinha terminado de limpar o chão, quando suas pernas se dobraram feito palitos de fósforo usados ao serem quebrados no meio. Ele caiu no chão sobre o rastro de urina e pôs-se a chorar. Ele queria muitas coisas nesse momento. Talvez a principal delas fosse o abraço de seu falecido pai. Ou um desabafo com o velho homem que o ensinou a pintar quando garoto. Ele queria que a Sara não tivesse passado por essa situação, e queria que seu chefe estivesse acordado pra instruí-lo. Ele queria sentir o calor da mãe que nunca teve pelo menos uma vez antes de morrer, mas talvez, o que Arch realmente queria, era alguém que se importasse caso ele viesse a morrer ali.
  "Será que alguém choraria no meu funeral? Será que alguém iria no meu funeral?"
  Arch simplesmente não era capaz de pensar em ninguém que se importasse com ele esse tanto, que nem precisava ser tanto assim. 
  "O dinheiro. Se eu conseguir pegar esse cara, estarei feito! Se eu ficar rico, vai ser fácil fácil fazer amigos e até arrumar uma esposa bonita. Vou poder tirar um passaporte e sair desse deserto miserável pra morar na costa, de frente pro mar que tanto vi nas pinturas do velho." 
  "Essa oportunidade é simplesmente imperdível! Essa é a chance da minha vida. Se não for capaz de ficar rico agora, morrerei tentando! Já que ninguém se importa mesmo, por que eu me importaria?"
  Arch se levantou
  "Chega de pensar!" Pensou ele. 
  Antes de mais nada ele correu pra cozinha, torcendo pras cozinheiras terem terminado tudo antes de fugirem pra ele poder só montar o prato rapidamente.
  Estava tudo no jeito, exceto pela linguiça. Ele ia ter que fritá-la. Assim o fez enquanto bolava um plano.
  A primeira coisa que Arch pensou era que se ele não vai se aproximar da bancada, o melhor a fazer seria tirar a arma de lá e escondê-la em outro lugar. "Simplesmente não há nada perto da mesa onde o procurado está, que já esteja lá, ou que não seja meio óbvio. Serei morto no instante em que ele desconfiar de algo, então não posso dar mole."
  "Esse miserável sabe das coisas, não existe um único ponto cego pra ele aqui dentro enquanto o maldito estiver sentado naquele lugar, e ele bem tá de costas pra parede... É isso!" 
  " Vou pegá -lo pelas costas. Com certeza o tiro atravessa a madeira da parede. Ok, então vou precisar esconder a arma lá fora, mas isso é fácil. O difícil vai ser eu sair sem ele desconfiar.
Só por ir molhar o pano lá fora ele já pareceu bem incomodado." 
  "Eu ainda não terminei de limpar o chão! É isso! Não tem porque Isso não dar certo, até porque já deu certo uma vez. Eu também poderia me esconder lá fora, mas se for pego to morto e se ele vir a cantina vazia e desconfiar de algo é provável que eu falhe também. Eu não sou nada bom em me esconder." 
  A linguiça já tava pronta. Arch montou o prato com delicadeza e o levou até a mesa do procurado. O plano já estava claro pra ele e agora o próximo passo é arrumar algo pra camuflar a arma. A primeira coisa que veio até a cabeça dele era o de usar um grande saco de sal, ele colocaria o saco em cima da arma, e isso a tornaria imperceptivel. Arch então pegou um saco e correu pra fora, ele o colocou exatamente do outro lado de onde o Paco se sentaria. O saco era pesado e ele era desengonçado demais pra fazer as duas coisas, então primeiro o saco edepois a arma. O saco já foi, agora é a arma. Arch foi até o balcão e abriu o compartimento que continha a longa escopeta. Maior do que ele pensou que seria...
  Agora Arch precisa de outro saco pra cobrí-la por inteiro. Ele rapidamente o pegou e colocou lá fora. Dessa vez, antes de entrar, ele notou que alguns curiosos observavam o restante de longe e alguns até se aproximavam dele devagar. 
  "Ótimo, agora vou ter que esconder a arma de ainda mais olhos..."
  Arch foi até o balcão e finalmente pôs as mãos na arma. Ele ficou alguns segundos sentindo o seu único meio de enriquecer. Ele também sabiamente verificou que a arma estava carregada. 
  "Tudo certo! Hora de ir..."
  Arch suava frio, mas ele estava relativamente em paz consigo mesmo. Ele nunca havia se imaginado numa situação como essa, nem que ele se sairia tão bem. Arch se orgulhou de si mesmo por ter durado tanto e por ter reunido a coragem pra lutar até o final. 
  "Enriquecer ou morrer..."
  Com a escopeta em mãos ele se dirigiu pra fora do balcão, mas antes que saísse de lá...
  A luz que vinha da porta de entrada se tornou uma silhueta sombria que atravessou o salão, e então outra, outra e outra. Quatro homens, nenhum deles o Paco, entraram no restaurante armados, fazendo a porta bater forte e então ranger conforme ia e voltava até parar.
  Arch congelou. "Será que eles viram a escopeta?" Depender somente da sorte, em uma situação de sim ou não é algo tenebroso. Tenebroso a ponto de estilhaçar em pedacinhos a recém formada determinação de Arch.
  - Mãos ao alto! Você aí, rapaz, só vou perguntar uma vez. Cadê o Paco? - gritou um dos homens.
  Agora tinham 4 armas apontadas direto ora cabeça de Arch.
  Bem devagar ele colocou a escopeta na parte interna do balcão e levantou as mãos. 
  Arch se arrependeu de não ter fugido antes, esse restaurante está prestes a se tornar o palco de um tiroteio terrível! 
  Paralisado, o rapaz viu sua vida e todos os seus arrependimentos em um milésimo de segundo. O seu maior arrependimento, se ele viesse a morrer agora, seria ter morrido tão cedo... " Por que fui ser tão tolo..."
  Arch ouviu o som do cão das armas serem puxadas e gritou o mais rápido possível:
  - Ele saiu pra consertar uma arma. Foi ali no André. Ele vai voltar pra almoçar. 
  As respirações de Arch podiam ser ouvidas de longe, ele próprio já estava quase surdo com os sons do seu próprio corpo desejando sobreviver incondicionalmente.
  - Rapazes... acho que hoje ficaremos ricos! Estamos com sorte homens. Não joguem essa chance fora. - Disse o homem que parecia estar no comando. - Vamos nos reposicionar.
  Esse homem então fez vários sinais com as mãos e os capangas andaram. Um deles foi até o lado direito da porta, outros dois saíram, e o último deles se sentou na mesa do procurado e começou a comer a comida do prato.
  Arch continuava paralisado. O sangue dos seus braços já havia descido e um desconforto físico se somava a pressão que ele já sofria pra suportar. 
  - Ei, garçom. Já pode relaxar. Aproveita e me trás um tiragosto.
  - É pra já. - Respondeu arch gaguejando.
  Ele correu pra cozinha e colocou qualquer coisa que ele encontrou num pratinho e levou pro homem, que agradeceu. 
  Nesse tempo, ele ouviu um pequeno gemido abafado vindo da cozinha. Isso o deixou preocupado com a Sara. 
  Ao se aproximar da porta e abrí-la, Arch Viu um filete de sangue que escorria da cabeça de Sara, inconsciente, que estava caída sobre o chefe, também desacordado. Ele levantou um pouco mais os olhos e viu um dos capangas armados com a coronha da arma ensanguentada. Ele então apontou a arma pra Arch e com a outra mão, sinalizou pra ele ficar calado. 
  "Esse cara entrou pelos fundos... nem pra trancarem a porta antes de fugir, droga."
  Arch agora havia recuperado a vontade de lutar. Não que ele fosse maluco de reagir, mas agora estava claro pra ele, que fazer esse otário sofrer o daria mais satisfação do que qualquer prêmio em ouro.
  Depois de concordar com a cabeça, Arch saiu devagar e fechou a porta. Ele retornou ao balcão e esperou lá, tremendo, pacientemente.
  - Garoto! - Gritou o lider dos caçadores de recompensas, que comia os petiscos com muito gosto.
   Arch deu um pulinho de susto.
  - Pois não? Deseja mais alguma coisa?
  - Quero que você faça algo pra mim.
  - Claro senhor. O que? - Arch gaguejava enquanto olhava pra escopeta na sua frente.
  - É o seguinte, tem um parceiro meu ai dentro da cozinha, que tem uma arma apontada pra você. Quando o Paco e sua cabeça de CR$3000 aparecerem por aquela porta, eu vou te pedir uma pinga. Esse é o nosso código. Entendeu? Quando eu disser pra você pegar uma pinga, você abre a porta e entra na cozinha. 
  - Isso é tudo? - Arch respondeu trêmulo.
  - É. Acho que é sim. É pra deixar a porta aberta tá me entendendo? Se der tudo certo, a gente pode até te dar uma gorgeta. Se não der certo, meu amigo ali vai te dar um tiro, talvez mais. Estamos combinados?
  - Estamos.
  - Ótimo. Brindaremos ao fim desse dia.
  Todos então se calaram. Era agora ou nunca. Arch precisava pensar no que fazer e rápido!
  "Se eles me tirarem daqui, estarei indefeso, possivelmente morto. Se bem que talvez não, o cara na cozinha não matou a Sara, só apagou ela, mas ainda indefeso. Isso significa pobre."
  Arch então olhou pro balcão, e ao lado da escopeta, haviam alguns copos usados e parcialmente cheios de bebidas desperdiçadas. Isso poderia ser útil.
  "Acho que não dá mais pra sair daqui, e muito menos de esconder a escopeta em outro lugar. Sem chance de eu conseguir despistar o cara da cozinha. Também não tem como eu levar essa escopeta comigo sem virar peneira... Mas e se tiver?"
  Nos segundos que sucederam, Arch havia bolado um plano improvisado, e começado a colocá-lo em prática.
  A primeira coisa foi se apoiar com o cotovelo no balcão e levar a mão esquerda ate sua testa. Seus ombros também se tensionaram até tocarem seu pescoço. Com o outro braço, ele começou a molhar a mão nos copos e então secava-a na sua roupa, rosto, pescoço e peito. Esse processo foi feito devagar e discretamente, e os copos já haviam quase terminando quando chamaram sua atenção.
  - Mãos pra cima rapaz! - Disse o chefe - Isso aí tá suspeito. Se você tava rezando eu sinto muito, mas não quero correr riscos.
  - N..não é nada... senhor...
  Arch se esforçou pra fazer sua voz parecer a mais fraca e vulnerável possível.
  - Espero que não esteja mentindo. Boris!
  - Sim chefe!
  - Vá revistar o garoto. Devíamos ter feito Iss o antes...
  E prontamente o homem foi até o balcão. 
  " Merda! Se ele vir A escopeta estou mortinho da Silva! Não queria ter que fazer isso ainda..." - Pensou Arch instantes antes de se jogar no chão, saindo do balcão com a queda. 
  Antes de bater a cabeça no chão, ele parou a queda com as mãos e, ao ficar de joelhos, pôs as mãos pra cima. Arch suspirava exageradamente, fazendo bastante barulho. Seu rosto também expressava dor e mal estar.
  Exatamente como Arch desconfiou, ambos os caçadores já estavam com as armas em mãos apontando pra ele. 
  "Isso é muito arriscado! Acho que passei raspando..."
  - O que foi isso. - indagou o capanga.
  - Nada... me desculpe...
  - Acho bom. De pé. 
  Arch colocou a sola do pé no chão e tentou se levantar. Ele desequilibrou pro lado e pôs a mão no chão pra não cair denovo.
  - De pé! - Gritou o capanga disparando a sua arma.
  Após o estrondo, fumaça saia de um buraquinho no chão, entre as pernas do Arch.
  - Que Droga é essa aí? - Disse o capanga da cozinha enquanto girava a maçaneta.
  - Tudo certo aí chefe? - Questionou o capanga que olhava da rua pela janela.
  - Tá tudo sob controle. Voltem às suas posições. 
  O da cozinha largou a maçaneta e o de fora se escondeu outra vez.
  O garoto perdeu os sentidos por um instante. O estouro fez seus ouvidos zumbirem, e o medo da morte fez seus olhos se fecharem.
  "MERDA! Esses caras não vão engolir uma bola fora! Não dá parar agora. Não posso! Não dá!" - Pensou Arch enquanto fazia força pra chorar.
  - Não dá! - Respondeu o rapaz em prantos. 
  O salão ficaria com um silencio mortal, se não fosse pelos soluços e gemidos do choro de Arch.
  - Que crueldade você fez com o menino. Já disse pra pensar antes de atirar, idiota! O garoto não tá bem e isso é notável. Ajude ele a se levantar e então reviste-o.
  Assim o capanga fez, apesar de Arch não colaborar nenhum pouco, tentando se fazer mais pesado e molenga doque ele de fato é 
  - Ele tá limpo... - Disse o capanga.
  O Chefe suspirou aliviado.
  - Mas ele tá todo molhado de suor, e tá com o pescoço e a testa quentes. Parece estar com febre.
  - Ele é um civil cara, você não deve atirar nas pessoas assim. Não é todo trabalhador honesto que consegue suportar tanta pressão. Se bem que isso deve explicar esse cheiro de mijo...
  - Desculpa... foi sem querer... - Interrompeu Arch.
  - Não esquenta. Acha que da pra andar até a cozinha e abrir a porta quando eu mandar?
  - Dá. 
  - Beleza. Volte pro balcão e finja que nada disso aconteceu.
  - Espera...
  - O que foi agora?
  -Estou com muito frio... posso pegar aquele poncho no cabide da parede? Por favor... 
  Os caçadores se entreolharam.
  - Ele tá limpo e parece mal. - pontuou o capanga.
  - Vá garoto. Fique a vontade. - Disse o chefe condescendente. - Parece que hoje você não tá tendo um bom dia né? Sinto muito.
  - Obrigado... Obrigado.
  Quando Arch se virou, ninguém mais podia ver seu rosto. Ele nunca havia dado um sorriso tão prazeroso. Com o poncho vestido, o rapaz parecia mais confortável. Ele voltou pro balcão e se esforçou pra não expressar a satisfação que sentia por dentro.
  Algum tempo se passou, e o cara do lado de fora deu um assobio suave, e instantes depois respondeu com uma mexida no chapéu a um "Bom dia cavalheiro." Dito por Paco, que retornava ao restaurante. 
  Paco vinha devagar, um pouco distraído, com a arma na mão. Era possível ver que o procurado enchia o tambor com balas. Cada uma fazia um "Clic" característico e o som do tambor voltando ao lugar foi abafado pelo rangido da porta.
  Todos os homens do recinto se entreolham. Dentre todos eles, o úncio que ja tinha a arma na mão era o Paco, e isso redistribuia as cartas do jogo.
  "Será que ele tem a vantagem por já estar armado, ou a desvantagem por ser um contra quatro? Considerando também que ele não sabe do cara escondido na cozinha."
  - Ei, garoto! - Gritou o procurado.
  Todos se arrepiaram com a presença que Paco impunha na sala.
  - O que foi? - Respondeu Arch.
  - Esse prato aqui é o meu né?
  Arch confirmou com a cabeça. 
  - Com licença, cavalheiro. - Disse o procurado se sentando na mesa.
  - A vontade. - Respondeu o caçador de recompensas. - O que te traz até esse cafundéu?
  - Se não deu pra perceber ainda, a fome. - Respondeu paco rindo enquanto colocava uma farta garfada na boca. Ele ainda estava com o revólver na mão.
  O caçador agora estava sério, e o seu capanga, mais sério ainda, levou sua mão até bem próximo do coldre. 
  - Bela arma, parceiro.
  - Engraçado você dizer isso antes de vê-la em ação. Vocês vieram aqui pra tentar me matar? - Disse o procurado com a boca cheia.
  O clima agora estava mais tenso do que nunca. O pavio da matança se acendeu naquele momento. O quão longo ele é, ainda não estava claro.
  - Relaxem homens, eu estou acostumado com isso. Não é nada pessoal, são só negócios. Normal. Ei, Garoto! Me vê aquela pinga fazendo favor, que eu lembro de ter te pedido mais cedo.
  Arch estava paralisado. Ele olhou pro chefe dos caçadores e viu que ele estava tão sem saber o que fazer quanto qualquer outro homem do lugar. 
  Arch então começou a andar, e sem saber o que fazer, pegou dois copinhos de cachaça vazios e se dirigiu a mesa. Ao sair de trás do balcão, Arch disse:
  - Primeiro os copos, senhores...
  - Obrigado. - Disse Paco.
  - Agradeço. - Disse o chefe. - Ei, Boris, junte-se a nós. E Garoto. Me vê uma pinga.
  "O código!"
  - E mais um copo por gentileza. - Completou o capanga. 
  Arch foi direto até a porta da cozinha, mas ele andava devagar. Muita coisa estava em jogo naquele momento pra ele ter pressa.
  - Então você gosta de armas? - Perguntou Paco gesticulando com seu revólver enquanto comia.
  - Instrumento de trabalho. Não é nada pessoal. Só achei essa interessante, o cano não é muito comprido.
  - É pra sair fogo quando eu atiro. Quero que minhas vítimas vejam as chamas antes mesmo de descerem pro inferno. Ajuda bastante com a reputação. 
  O capanga agora tremia de medo. Arch já havia passado da metade do caminho.
  - Dá pra ver que tá meio chamuscada, a saída do cano.
  - Oh, é verdade. Com licença cavalheiros.- Disse o procurado deixando o garfo no prato e levando a mão, agora livre, pra debaixo da mesa.
  A reação dos dois foi instantânea, e os três fizeram a mesma coisa. Agora além da mão armada do Paco, nenhuma outra mão podia ser vista agora.
  Os caçadores olhavam fixamente pro Paco, que bocejava despreocupado. Arch estava a ponto de abrir a porta, quando o procurado colocou seu revólver na mesa e o soltou.
  Menos de um segundo depois, os dois sujeitos na mesa já estavam com as mãos nos revólveres, que estavam apontados pra cabeça do procurado.
  - Péssimo movimento, parceiro. Mãos na cabeça! Ou tiros, se preferir.
  - Claro, claro. Que tal a gente jogar um jogo? - Disse Paco sem medo algum na voz.
  Os homens ficaram em silêncio. O único som ouvido foi o do cão do capanga sendo puxado. Suor escorria de todos os que estavam ali presentes, e olhares nervosos rodeavam o salão. Arch parou e virou a cabeça pra olhar.
  - Ande, garoto. Cadê minha pinga? Hein? - Berrou o chefe nervoso.
  Nesse momento, o procurado segurava um pequeno frasco de água, e o despejou sobre sua roupa, molhando seu peito, deixando o recipiente cair logo em seguida. Ele também estava mexendo os pés de uma maneira estranha.
  - Fogo! - Gritou o chefe dos caçadores ordenando para que o cara do lado de fora descarregasseo tambor.
  O procurado já estava ciente, e com a sua espora afrouxada e posicionada perpendicular a sola de sua bota, ele chutou o joelho do capanga cravando o ferro fundo na articulação. Esse movimento o impulsionou pra trás, fazendo-o cair derrubando a cadeira e rolando habilmente no chão.
  Seis disparos consecutivos foram dados do lado de fora abrindo buracos na parede. Nenhum acertou o alvo.
  O capanga gritava incontrolavelmente. Ele sentia uma dor excruciante que o fez largar a arma.
  O Chefe reagiu se levantando e disparou duas vezes no coração do procurado, disparos tais que teriam acertado, se não fosse pelo rolamento, que fizeram uma bala parar no chão e a outra no ombro do alvo.
  O rolamento acabou com o procurado de joelhos, que quase perdeu o equilíbrio ao tomar o tiro, mas tinha outro revólver na mão, e disparou três vezes contra o chefe, que caiu pra trás, perdendo sua vida. 
  A cada tiro dado, o ferimento no ombro doía mais e mais, e a cada tiro disparado, Paco gritava mais intensamente. Ele então caiu no chão de costas com a respiração acelerada.
  O capanga que já estava consciente novamente pegou a arma da mesa e apontou pro procurado, que atirou primeiro.
  Sua outra mão estava longe do cão, e deitado, ele disparou uma vez, puxou o cão com o polegar, disparou outra, puxou novamente o cão com o dedo, e disparou mais uma.
  Sua arma havia descarregado e o cara que estava lá fora vinha furioso. Sua sombra já podia ser vista quando o procurado, sem balas na arma, fez algo que Arch jamais esqueceria.
  A água que estava derramada na sua camisa, repentinamente sumiu. Ela evaporou e se tornou duas pequenas bolinhas verdes e brilhantes. A camisa do homem agora estava seca e esses globos então se tornaram dois feixes de luz que entraram no tambor do revólver, uma pelo cano e a outra por trás.
  No instante que o caçador apareceu na porta, o procurado disparou umúnico tiro, certeiro, no peito do defunto, que caiu derrotado e morto, gritando em vão seu último suspiro.
  E no momento que a maçaneta da porta se moveu, Arch reagiu no automático. Ele jogou o ombro direito para trás fazendo o pocho levantar com o giro, e agora empunhando a escopeta, ele viu o miserável que apagou a Sara irado, com a arma carregada, pronto pra descarregar tudo que tinha em qualquer um que estivesse na sua frente. Pegando o capanga desprevenido Arch atirou sem nem sequer pensar.
  O plano era mirar na barriga ou no ventre, pra abater, mas sem matar, porém, Arch havia subestimado o estrago de um tiro a queima roupa, de escopeta.
  O estrondo do tiro foi quase tão intenso quanto a enorme ferida que se abriu no ventre da vítima, que caiu sem vida após o disparo cruel.
  Arch estava em estado de choque. Ele havia acabado de matar um homem, pela primeira vez em sua vida. Isso congelou suas pernas. Incapaz de se virar pra ver o destino que lhe aguardava, ele caiu no chão.
  - Valeu aí rapaz... Esse teria me pegado. - Disse Paco respirando aliviado. - Isso aqui no chão é mijo? Puts...
  Agora o procurado estava de pé, com a mão na ferida que sangrava bastante. Ele foi até a mesa e pegou sua outra arma, e deu mais dois tiros no chefe, que até caiu da cadeira.
  Em seguida ele disparou outras duas vezes no capanga, e então mais duas no outro capanga. 
  Arch, que nunca havia visto tripas ou matança de perto, vomitou no chão. Ele não estava pronto pra matar alguém. Sua mente estava completamente vazia, mas seu coração o mais lotado possível de todo tipo de sentimentos ruins. 
  Arch então sentiu uma mão no seu ombro e se virou assustado. Era o Paco, que o oferecia alguns papéis sorrindo. 
  - Finge que isso é uma gorgeta. Hoje você salvou o dia, garoto. Esses crápulas tavam atrás de mim a semanas.
  Arch voltou a si, e ao olhar os papéis, viu o rosto dos caçadores de recompensas. Ao todo, suas cabeças valiam CR$165, mas isso parecia não importar. O rapaz então se levantou com dificuldade e, ao ver o procurado, ir lentamente pra porta, gritou:
  - Alto lá!
  Paco se virou e viu que Arch estava de pé, com a escopeta apontada. 
  - Eu preciso da sua recompensa. 
  - E eu da minha vida, oras. Se quer ela tanto assim, é só puxar esse gatilho. - Disse Paco se aproximando.
  Era só puxar o gatilho, e Arch se tornaria o homem que sempre quis ser. 
  Um assassino... 
  Não! Ingelizmente, essa era a única coisa que se passava em sua cabeça.
  Se não havia outro meio de ficar rico, que seja!
  É só puxar o gatilho!
  E ele se tornaria um criminoso.
  Mas ele hesitou novamente.
  É só puxar o gatilho que...  
  Arch sentiu uma dor terrível na barriga, que já estava sensibilizada pelo mal estar. Um poderoso soco do Paco o fez cair.
  - Vá se danar garoto. Você acha que eu sou o que, hein? De inseto inútil aqui só tem você, por que o resto eu já mandei pra cova. Tá com pressa pra morrer por acaso? - Berrava Paco enquanto desferia uma série de chutes no jovem caído.
  - E não se esqueça disso nunca mais! - Disse o procurado se afastando lentamente.
  - Eu vi... - Disse Arch usando o pouco fôlego que ele conseguiu reunir. - O que foi aquilo?
  - Aquilo o que?
  - A água... a água da sua camisa virou uma luz verde. É você atirou ela...
  O procurado deu uma gargalhada duradoura.
  - É mágica, pequeno miserável, e um mágico nunca revela seus truques...
  Arch então ficou novamente de pé.
  Ele estava nervoso e humilhado. 
  "Que se dane! Que vá tudo pro inferno!" - Ele pensava.
  Esse desapego culminou na ira. Essa fúria desencadeou mais um movimento do dedo de Arch no gatilho, disparando o conteúdo do outro cano na direção do procurado.
  - Morra seu desgraçado! Pague com sua vida por ter me chutado feito um vira-lata.
  O disparo se espalhou conforme se afastava e perdeu seu poder destrutivo. O chumbo cobriu uma área cônica penetrando as costas do procurado. Superficialmente.
  Paco urrou de dor, e se contorceu, mas se conteve logo em seguida. Ele sacou sua arma, apontando-a pra Arch, que sentiu arrependimento como nunca antes.
  "Se ao menos eu o tivesse matado..." - pensou Arch antes de fechar os olhos e entregar seu destino à própria sorte.
  - Boçal, contenha-se na sua insignificância. Você já está morto, se eu assim desejar.
  E então houveram disparos enquanto houve munição no revólver do procurado. Ele atirou duas vezes em Arch, e as outras quatro na escopeta, jogando-a para longe.
  Arch ainda respirava, mas doía muito. Muito.
  O sangue escorria e tornava a sua camisa vermelha na altura dos ombros, que escorriam pros braços, peito e costas. Suas mãos foram até seu pescoço, que era a origem do sangramento.
  Dois cortes pequenos e profundos, porém não fatais, nas laterais do seu pescoço, sangravam como as lágrimas que escorriam de seus olhos, aos montes.
  O procurado então saiu da cantina e seguiu seu caminho, enquanto Arch, dobrava o poncho para enrolá-lo em seu pescoço pra ver se ajudava a estancar. Ele então se dirigiu a cozinha e a última coisa que viu antes de desmaiar, foram as tripas que ele mesmo havia arrancado de alguém, espalhadas pelo chão da cozinha.



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