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História Novas Espécies - Kim Taehyung - Capítulo 2


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Notas do Autor


Dessa vez, não terá dia e nem horário de postagem. Irei postar quando der.

A altura e o peso do Taehyung, será diferente aqui.

Capítulo 2 - Chapter One


Lily Collins provara do medo diversas vezes em seus 28 anos de vida, mas essa vez colocou as outras no chinelo. Ela sabia que seu trabalho poderia ser perigoso, já que tudo tinha algum risco ultimamente. Dirigir na estrada poderia ser perigoso; alguém atravessando a rua poderia ser atropelado por um carro; e até limpar janelas poderia ser arriscado. Afinal, alguém, em algum lugar, acidentalmente quebrara uma janela e se machucara feio, e então sangrara até a morte enquanto trabalhava.

Merda acontece. Isso tinha se tornado seu lema de vida. Ela apenas nunca acreditara que seu trabalho poderia ser tão traiçoeiro. Não mesmo. O que poderia acontecer de ruim servindo bebidas e comidas? Ela fez uma lista mentalmente: poderia escorregar e cair ou, ainda, se queimar se derramasse algum alimento quente. A pior das hipóteses que tinha imaginado era, talvez, ser baleada caso servisse comida em uma festa da máfia, mas as chances de a máfia estar em uma pequena cidade no sul da Coréia eram quase zero. Ainda assim... aqui ela enfrentara o tipo de terror que jamais imaginaria experimentar na vida real. Nem de longe Lily esperaria por esse tipo de situação, nem com toda imaginação do mundo.

Ela parou, congelada, não importando o quão alto gritasse por dentro para que seu corpo se movesse e corresse para salvar sua vida. Não. Não pode ser. Seu corpo se recusava a responder. Todos os seus elaborados planos de ser firme, de estar preparada para qualquer coisa, a abandonaram junto à sua coragem. Ela não era tão forte quanto uma super-heroína. Ela mais parecia uma estátua de jardim ou uma mímica travada de terror.

Sua boca estava aberta, mas o grito não saía. Ela não conseguia nem emitir um gemido. Nada. Seu coração batia tão rápido que ela se perguntou se ele poderia pular do peito, e ainda assim nenhum som saía pela boca. Ela não podia nem respirar, mas realmente precisava de ar. Talvez inalar algum ar produziria um grito, mas... não. Que droga!

Ela sempre escutara que toda vida de uma pessoa se passa como um filme em sua cabeça quando ela está prestes a morrer. Lily não estava vendo flashes de seu passado. Não. Seus olhos bem abertos continuavam fixos no grande homem-animal que rosnava para ela.

Ele era um homem, mas não exatamente, já que nenhum cara normal tinha dentes afiados ou poderia assustá-la de tal forma com aquele são horrível que ressoava do fundo da garganta, imitando um animal perverso. Ele parecia tanto lindo quanto feroz.

Se um cara usasse esteroides, teria alguma semelhança com homem que a aterrorizava. Ele tinha pelo menos um metro e oitenta e nove de altura. Os braços eram um pouco musculosos, e o peito largo a fazia se lembrar de uma montanha. A pele era alva, no entanto, era o cabelo que o deixava tão bonito. Fios negros, lisinho, e que chegava um pouco abaixo do olhos. Ele não era tão alto e nem tão musculoso, mas claramente ele era forte e feroz.

Uma parte muito assustadora dele era seu rosto, porque ele quase parecia humano, mas não exatamente. Os olhos eram um castanho escuro, e tinham o formato de olhos de gatos, porém, com cílios muito longos. O nariz era fino. As bochechas eram proeminentes e dominavam a face, mas elas completavam o queixo forte. Isso chamou a atenção dela para os lábios carnudos que, naquele momento, estavam entreabertos, revelando alguns dentes extremamente brancos e pontiagudos. Mais uma vez, não o tipo de dentes que uma pessoa normal teria.

- Venha para trás, Lily - Era seu chefe, Kim Jong-in, quem gritava com ela. - Não faça nenhum movimento brusco e venha na minha direção. Faça isso agora.

Ir para trás? Ele espera que eu me mova? Ela se deu conta de que começara respirar novamente quando os seus pulmões pararam de doer por falta de oxigênio. Ela tinha vontade de virar a cabeça e olhar para Jong-in com aquele olhar de "você só pode estar de brincadeira", mas não conseguia. E também não conseguia forçar seu olhar aterrorizado para outro lado que não para um homem-animal que, de maneira vagarosa, aproximava-se e a encarava com aqueles grandes olhos felinos extremamente bonitos. Ele parecia assustado e zangado, além disso, rosnava.

- Droga, Lily. Venha agora para trás bem devagar. Apenas olhe para o chão e venha até mim. Você consegue. 

Ela queria que isso fosse verdade, mas seu corpo ainda se recusava a obedecê-la enquanto gritava silenciosamente para que ele seguisse suas instruções. Nada se movia além de seu peito conforme seu coração batia fortemente e o ar passava pelos seus lábios entreabertos. Ela piscou, o que era um sinal de progresso, mas foi só isso.

- Taehyung - outro homem gritou - Acalme-se e saia de perto da fêmea. Ela não está te provocando. Ela só está se borrando de medo. - A nova voz tinha um tom grave, forte e soava nervosa.

O homem-animal rosnou de novo quando deu mais um passo em direção à Lily. Ela queria correr, contudo, suas pernas pareciam estar em realizadas no chão. Tentou desviar o olhar os dos olhos castanhos que a encaravam, mas simplesmente não conseguia quebrar aquela conexão. 

Todos haviam escutado sobre as Novas Espécies. Era preciso nunca ter lido um jornal ou nunca assistido à televisão para não saber que eles eram humanos usados, de maneira secreta, como experimentos para as Indústrias Huang, uma farmacêutica que manteve um centro de testes secreto por décadas para desenvolver pesquisas bizarras, supostamente feitas para encontrar a cura de doenças. A história veio à tona quando um grupo sobrevivente desses centros foi libertado.

Merda, ela pensou. Ele é das Novas Espécies, com certeza. Lily sabia que eles haviam se nomeado assim, aquelas mulheres e homens sobreviventes que foram fisicamente alterados com o DNA animal. 

O homem-animal que a observava tão de perto era, sem dúvidas, um deles, e os cientistas tinham feito muitas modificações. Lily nunca vira nada parecido e não queria ver algo assim de novo. Ele parecia um homem... mas não muito. Aquilo a fez se perguntar quantos traços animais ele tinha. 

- Alguém pegue uma arma tranquilizadora. - Era uma mulher e soava assustada. - Agora! Vá! 

- Taehyung? - perguntava o homem novamente com sua voz grave. - Me escute, cara. Ela não quis entrar em seu território. Ela se perdeu quando alguém fez merda com os mapas e chegou aqui sem querer. Você sabe que o Namjoon está dando uma festa e contratou um buffet. Ela é apenas uma fêmea aterrorizada que veio até aqui para servir comida. Não é uma provocação. Ela não consegue olhar para outra coisa que não seja você, nem sair daí, porque ela está congelada de medo. Acalme-se e saia de perto. Ela poderá se afastar assim que você fizer isso. 

Kim Namjoon é o líder escolhido da Organização Nova Espécie. Ele havia comprado um antigo resort que estava fechado e todas as terras ao redor para seu povo e as transformara no reduto da Nova Espécie, chamado de Reserva. Também era o porta-voz que fazia todas as entrevistas para a televisão. Ele contratara o buffet de Jong-in para cuidar de sua primeira festa na Reserva, e foi assim que Lily acabou no lugar errado.

Ela respirou, agradecida por sua mente ainda funcionar e saber todas aquelas informações, assim, pelo menos poderia acompanhar a conversa da qual sua vida dependeria. Caso contrário, esse poderia ser seu último trabalho para Jong-in. Caramba, poderia ser o meu último dia mesmo, fazendo qualquer coisa.

Você está me ouvindo, Taehyung? Você sabe como o Namjoon ficará bravo se souber que você maltratou alguém que ele contratou? Devíamos oferecer esse jantar para fazer as pessoas na cidade se sentirem confortáveis com a nossa presença. Todos vão se alarmar se você atacar um deles - o homem com voz grave suspirou - Deixe-me pegá-la. Tudo bem, cara? Posso entrar no seu quintal e tirá-la daqui?

- Não - rosnou o homem-animal. Ele virou sua cabeça e um rugido de doer os ouvidos fez a área do bosque vibrar.

Lily enfim se moveu, mas não na direção que queria: seria em direção à sua van de trabalho e mais perto da ajuda que tinha chegado para tentar salvar-lá, no outro lado do portão pelo qual ela havia entrado. Seus joelhos amoleceram. Ela caiu de joelhos na grama e permaneceu ali.

Ele tinha de ser algum tipo de leão ou tigre, pois Lily reconheceu o som que ele fez e era um rugido bem distinto. Ela estudou o colorido de seu corpo, seu nariz fino e finalmente aqueles dentes pontiagudos. Droga. Ele é definitivamente algum tipo de mistura com um gato grande. Ela chutou um leão. Lily olhou fixamente para ele e se perguntou se ele iria fazer xixi nas calças, de tanto terror. No fim das contas isso não seria uma surpresa. Não era como se seu dia ainda pudesse piorar.

- Fique calmo - ordeno o homem de voz grave. -  Não vou entrar. Fale comigo, Taehyung. Senão, alguém vai usar um tranquilizador em você, e você sabe muito bem o quanto isso te incomoda.

O homem-animal tinha o nome que também não era comum de se ouvir no dia a dia. Que tipo de animal se chama Taehyung?Ela sabia que significava 'todos os desejos se realizam, mesmo encontrasse algo complicado, consiguiria superar sem problemas'. Ela estava ferrada. 

Taehyung desviou foco desse olhar feroz de Lily  para alguém atrás dela, logo à esquerda. 

- Não atire em mim. - O tom ameaçador de sua voz era alto e claro.

Ouviu-se um suspiro profundo.

- Deixe a fêmea ir embora. Qual é o seu problema, hein? Ela falou alguma coisa antes de passar pelo portão? Ela não sabia que essa era a sua casa e não salão do bar. Deram o mapa errado a ela. Me parece que a única coisa que ela fez antes de você alcançá-la foi sair da van e andar em direção à sua porta da frente. Ela te irritou?

- Ela está aqui, Hoseok. É o suficiente - resmungou Taehyung.

- E foi um acidente. - Hoseok tentou ser lógico. - Algum dos nossos fez besteira, mas foi nosso erro. Não tínhamos entendido o que havia acontecido até que ela apareceu. Ela foi a primeira a chegar, depois do cara responsável pelo buffet. Esse aqui é Kim Jong-in. Ele já esteve aqui algumas vezes e percebeu que o mapa estava errado quando o viu. Nós contatamos a portaria imediatamente, mas me informaram que a van dela já tinha entrado. Agora aqui estamos todos. Vamos lá, Taehyung, você já a aterrorizou o suficiente. O que Namjoon disse sobre tentar se adaptar? Lembra daquela conversa? Deus sabe que eu me lembro. Não é educado matar os humanos do coração.

- Ele não vai machucá-la de verdade, vai? - Jong soou um pouco nervoso. O que significava muita coisa, porque seu chefe sempre ficava tranquilo sob pressão. - Quer dizer... Caramba! Isso foi uma piada?

Hoseok falou um palavrão baixinho.

- Tenho certeza de que eu estava brincando - Seu tom de voz não soou nada convincente para Lily - Então o que você diz, Taehyung. Ela pode se acalmar um pouco e sair se você der espaço. Você consideraria novamente a possibilidade de eu entrar e pegá-la? Não levaria nem um minuto. Eu corro até aí, pego a moça e pulo para fora.

Taehyung rosnou mais uma vez, retornando seu olhar a Lily. Ela engoliu em seco. Piscou. Respirou regulamente de novo e se deu conta de todas aquelas funções do seu corpo que estavamo sob seu controle, mas seus membros ainda não respondiam. O homem-animal parou a mais ou menos dois metros dela, no entanto, ela o agradeceu por ter parado de avançar para, simplesmente encará-la. Isso é um progresso, certo? Meu Deus, espero que sim.

Ela moveu sua boca e conseguiu abri-la. Tentou pedir desculpas por invadir a propriedade dele, contudo, nenhum som saiu. Droga. Ela sempre pensou que agiria diferente sob pressão, afinal, é uma garota esperta desde pequena, com uma resposta para tudo. Ela ganhara reputação por ser bocuda independentemente do qual amedrontada estivesse, sob qualquer circunstância. Obviamente, eu estava errada, admitiu. Mesmo nas piores situações possíveis, nunca imaginara um homem-animal rostando com dentes afiados ou olhos de gato.

- Fique para trás - ameaçou Taehyung. Ele inspirou de maneira vagarosamente, com olhar ainda travado em Lily, e deu mais um passo em direção a ela. 

- Taehyung! - Hoseok, o homem com voz grave, gritou. - Pare agora. Não chegue mais perto dela. Merda, não faça isso. 

Taehyung virou a cabeça para olhar alguém a quem mostrou seus dentes pontiagudos e rosnou ameaçadoramente. Ele soou muito perverso antes de se focar novamente em Lily. 

- Vá pegá-la - Jong ordenou. - Você é quase tão grande quanto ele. Salve-a.

Hoseok pensou em um palavrão.

- Não posso. Ele me mataria em um piscar de olhos? Porque é um dos filhos da puta mais desprezíveis que temos na Reserva. É por isso que ele está aqui e por isso que Namjoon comprou esse lugar. Existem alguns dos nossos que não são tão amigáveis com pessoas. Se eu entrar, só vou piorar situação as coisas, porque ele poderá matar duas pessoas em vez de uma.

- Atire nele - uma mulher sussurou, mas sua voz foi levada para longe.

- Não posso - um homem explicou. - Eles ainda não nos deram armas tranquilizantes.

- Use a arma que está no seu coldre - ordenou a mulher, falando mais alto. - Não permita que ele a mate. Meu Deus! Você pode imaginar o que causaria nas relações públicas?

- Ninguém vai atirar nele - reforçou Hoseok - Taehyung? - ele pausou. - Me fale porque você está tão nervoso com essa fêmea. Ela é uma coisinha pequena. É por isso? Você está lutando contra seus instintos porque você a está vendo como uma presa? Pense bem, Taehyung. Essa é uma mulher humana inocente que não teve intenção de insultá-lo ou de invadir seu espaço. Fale comigo, caramba. Só me fale o que está passando pela sua cabeça.

Taehyung virou a cabeça, tirando o seu intenso olhar de Lily outra vez. Ele fechou seus olhos e respirou fundo. Seus olhos se abriram subitamente. Ele olhou para alguém atrás do ombro esquerdo de Lily. 

- Não vou matá-la.

- Graças a Deus - falou Jong enquanto suspirava.

- Você só que assustá-la? - O alívio na voz de Ian era evidente. - Bem, você fez um ótimo trabalho. Ela pode ir agora?

O olhar exótico do Taehyung se voltou para a Lily enquanto ele respirava mais uma vez. Ele roncou de maneira baixa e olhou para longe dela para ver Hoseok.

- Não. Ela fica. Você vai.

- Você sabe que não podemos fazer isso - explicou Hoseok calmamente. - O que acontece, cara? Qual o problema?

O homem rosnou de novo. Ele deu mais um passo e depois outro, em direção a Lily. Ela parou de respirar. Aqueles olhos de gato estavam de volta mirando-a. Subitamente ficou de quatro, cheirou-a mais uma vez e fez um som que ela nunca escutara. Não era, de fato, um rosnado, era mais como um ronronar ríspido, porém, assustador. Ele parou nessa posição frente a ela.

- Ah, merda - Hoseok falou um palavrão. - Taehyung? Não faça isso, cara.

Taehyung levantou a cabeça para lançar um outro olhar ameaçador na direção de Hoseok, que estava perto o suficiente para que ela notasse algo muito bom no cheiro masculino e selvagem dele. Ela inspirou uma vez e continuou respirando, já que ele não estava olhando.

Baixou o seu olhar para ele e decidiu que ele era grande até mesmo de quatro diante dela. Ele vestia calça jeans e uma camiseta, mas não calçava sapatos. O cara tinha mãos e pés gigantes. Ele chegara perto o suficiente para que ela pudesse tocá-los se apenas movesse sua mão por alguns centímetros, mas ela não fez, ainda congelada de joelhos.

- O que ele está fazendo agora? - Jong parecia em pânico de novo.

- Não pergunte - reforçou Hoseok. - Taehyung, vamos lá, cara. O que você está fazendo? Você sabe que não dá, se você estiver pensando o que eu suspeito que está. Ela é uma pequena coisinha humana, e você não quer tentar isso. 

Taehyung piscou.

- Ela está no cio.

- Ah, puta que pariu - xingou Hoseok.

Taehyung rosnou.

- Filho da puta! - Hoseok xingou mais alto. - Jong, falei para você ter certeza de que nenhuma das mulheres estivesse ovulando. Nós falamos sobre isso, droga. É por isso que ele está agindo que nem um doido.

- Como raios eu saberia? - Jong perguntou em tom de reclamação. - Você tem ideia de quantos processos por assédio sexual eu estaria enfrentando se perguntasse às mulheres que trabalham para mim se esse é o certo período do mês? Vamos combinar. E como assim alguém saberia disso, Hoseok? Como?

Hosoek xingou novamente.

- Nós saberíamos, Jong. Eu te falei que podemos sentir cheiros a um quilômetro de distância e te falei que alguns dos nossos homens reagiram mal a isso. Estou na direção contrária ao vento, mas ele não. Se ele diz que ela está ovulando - e acredite em mim, ela está -, isso é um problema. Eis a razão de ele está agindo assim. - O homem pausou. - Quem estava na guarda quando a deixaram entrar?

- Yifan - disse uma têrnue voz masculina. - Ele é um primata e seu sentido de olfato não é tão apurado. Ele, com certeza, deixou o cheiro dela passar.

- O que significa ela está ovulando? É por isso que ele quer matá-la? - Era a mulher falando. É como se fosse um tubarão ficando louco ao sentir cheiro de sangue?

Hoseok ficou em silêncio por alguns longos segundos.

- Ela não está sangrando. Como mulher, você deveria saber a diferença entre menstruação e ovulação. Ela está ovulando. Ele não quer matá-la, quer acasalar com ela.

- Ainda bem - riu a mulher. - Pensei que ele faria dela um brinquedo e a cortar em pedaços.

- Momo! - gritou Jong. - Como você pode rir nessa situação? Não é engraçado. Estamos todos aliviados por ele não está pensando em matá-la, mas você entendeu o que Ian quis dizer? Temos de tirá-la de lá.

- Ela é casada? - perguntou Hoseok.

- Não - Jong hesitou em responder. - Agora, espera um pouco. Não reaja aliviado como se algo fosse acontecer entre eles. Tire-a de lá.

Lily mirou o perfil da Nova Espécie. Ele não queria acabar com sua vida. Queria acasalar com ela, que ainda estava em choque. Ela deixou o seu olhar desviar para o gigante homem-animal da cabeça aos pés e estremeceu. Sempre foi péssima em matemática na escola, mas sabia a matemática dessa situação.

O homem parecia ter quase duas vezes seu mero tamanho, e não havia forma de uma relação física entre eles ser possível. E, além disso, o que raios estou pensando?. Ela queria gritar por ajuda novamente, mas nenhum som saiu de sua boca. Estou fodida! NÃO! Não diga isso. Encontre outra expressão. Eu estou na merda. Sim. Assim é melhor. Nem pense em nada de fodida ou de foder.

- Eu não posso - Hoseok explicou. - Ele vai protegê-la se algum de nós tentar se aproximar. Pense em um animal realmente protegendo seu brinquedo favorito. Bem, é isso que temos aqui.

Hoseok permaneceu em silêncio por um minuto. Ninguém falou nada. Ele enfim tinha decidido encarar as coisas de outra maneira quando começou a falar de novo.

- Taehyung? Posso encontrar alguém disposto a substituí-la. Você tem que deixá-la ir. Ela não é Espécie, ela é humana, e você a quebraria. Veja como ela é pequena. É franzida, uma fêmea miúda, e você não a quer. Entendo que ela tem um cheiro muito bom para você e percebi logo logo de cara que ela é atraente, mas, de novo, é humana. Nós tomamos algumas bebidas juntos algumas semanas atrás e discutimos como elas são frágeis e delicadas. Não fazemos sexo com elas, lembra? Somente vá para trás e chamarei nossas fêmeas. Uma delas adoraria a ideia de vir substituí-la se você estiver com fogo. Certo, cara? Colabore comigo.

- Minha - rosnou Taehyung.

- Porra - Hoseok resmungou. - Onde está a arma tranquilizadora? Nós vamos precisar dela, e rápido.

- Estou indo aí, Lily - Jong gritou.

- Não - gritou Hosek. - Ele vai te quebrar ao meio.

- Bom, faça alguma coisa - Jong ordenou. - Eu não vou ficar aqui parado vendo-a ser estrupada por aquele... aquela... pessoa.

Taehyung girou a cabeça. Seu rosto estava a trinta centímetros de Lily. Ela olhava no fundo de seus olhos. De perto, eram incrivelmente bonitos. Os cílios eram muito grossos e longos, de cor negra. Apoiando em suas mãos e joelhos, ele ficava na altura dos olhos de Lily. Sua boca estava fechada e seus dentes afiados, escondidos enquanto ele respirava mais uma vez. Um som suave veio de sua garganta: um grave ronronar. Ele piscou para ela enquanto se aproximava.

Mexa-se, droga. Ela dava ordens para que o seu corpo se movesse para trás, fizesse alguma coisa, mas ele não escutava. Taehyung esticou os braços para cima com suas grandes mãos, e ela viu suas unhas. Eram mais longas que o normal, quase pontudas, mas de tamanho normal, como as de humanos. Ele se moveu devagar enquanto os dedos quase felinos escovavam o longo cabelo de Lily para trás de suas bochechas. Seus dedos, cujas pontas eram calejadas, acariciava a face dela. Sua pele ficou arrepiada, e o sentimento era estranho, porém bom. As mãos dele tiraram todo o cabelo dela dos ombros antes de se moverem para baixo para segurarem seu quadril.

- Linda - ele falou suavemente. - Tão linda.

Ela engoliu saliva.

- Obrig... - a voz dela falhou. - Obrigada - conseguiu sussurar.

Ela não tinha certeza do que ele achara atrativo nela. Era seu cabelo comprido ou seu rosto? Ela já escutara que tinha lindos olhos. Seja lá o que ele tivesse achado atraente, ela só estava agradecida de finalmente haver encontrado sua voz. Não era muito, visto que parecia ser capaz de dizer só algumas palavras, mas esperava que tivesse funcionado. Ela poderia conseguir dar um grito de doer os ouvidos se houvesse a necessidade, e tinha um sentimento ruim de que essa necessidade estaria próxima se aquele cara quisesse fazer sexo com ela.

Ele fechou os olhos e respirou fundo.

- Você cheira tão bem. Morangos e mel. Adoro morangos e mel. - Ele fez o ronronar suave bem no fundo da garganta. Seus olhos se abriram. - Não tenha medo. Eu jamais te machucaria, Lily - Ele moveu o corpo para mais perto dela.

Como o coração martelando, Lily fechou os olhos quando o cabelo dele alisou o seu rosto e paralisou quando a bochecha dele roçou a sua. Ela podia sentir o calor da pele dele e a respiração quente que passava pelo seu pescoço, que ele havia deixado à mostra quando arrumara seu cabelo.

O que ele está fazendo agora? Alguns de seus medos haviam ido embora já que ele jurara não a machucar e, até então, cumprira a promessa. Me assustou demais, sim, mas ele não tinha feito nada doloroso. Ela deu um pulinho quando ele a lambeu no ponto de encontro entre seu pescoço e ombro.

- Ui. - Ela deixou escapar, mas logo se calou. Aquela sensação não era como algo que já tivesse sentido. A língua dele tinha uma leve textura arenosa, mas não áspera ou abrasiva. Ela teve calafrios pelo corpo todo e, de alguma forma, isso pareceu extremamente erótico. Em seguida, os dentes pontiagudos roçaram levemente sua pele, criando outra sensação estranhamente sedutora.

- Shiu! - ele cochichou, enquanto sua língua e seus dentes a deixavam. - Não vou machucá-la.

- O que ele está fazendo com ela? -Jong aumentou a voz como um alarme. - Faça-o parar.

- Onde está a arma tranquilizadora? - Momo perguntou.

- Todos vocês, calem a boca - ordenou Ian. - Ele não a está machucando e vamos deixá-lo nervoso. Só está encostando nela, então apenas fiquem quietos.

O barulho de um veículo se aproximando quebrou o silêncio, e um rosnar rasgou os lábios próximos ao pescoço de Lily. O som fez com que ela arregalasse os olhos e soluçasse, observando os dentes pontiagudos que ele havia deixado à mostra quando virou sua cabeça em direção à fonte do barulho. A mão segurando a cintura dela a apertou, sem machucar.

Ela arfou de súbito quando o outro braço a envolveu. Em um carrossel de emoções, ele parou, arrastou com facilidade Lily para perto de si e segurou contra seu corpo, mantendo o seu braço em volta dela.

Lily fitou o homem muito mais alto que a segurava com o braço forte. Suas pernas amoleceram, entrando em colapso, mas ele a estava segurando forte o suficiente para mantê-la travada contra seu grande e sólido corpo. O cara era assustadoramente poderoso.

Taehyung olhou para algo por cima da cabeça dela. Ele tinha uma expressão de nervosismo e subitamente outro rugido saiu da sua boca, auto o suficiente para machucar os ouvidos dela. Lily viu seus brancos e pontiagudos dentes aparecerem novamente quando ele rosnou e a levantou contra seu peito, tirando-a completamente no chão. Ele a segurou ali, o corpo dela pendente sob o chão, e saiu do quintal.

Minha. Esse pensamento não saía da cabeça de Taehyung. Repetia-se de novo e de novo. Minha. Minha. Minha. Ele se moveu mais rápido para levá-la a algum lugar privativo, longe dos outros, dentro de sua casa. Eles não a levariam embora. Ele lutaria até a morte para mantê-la e mataria qualquer um que tentasse tirá-la de seus braços. O cheiro dela inundou suas narinas, fez seu corpo doer de necessidade e nada mais importava.

Ela é humana. Ela não é o que eu tinha em mente ou o que eu pensei que queria. As coisas mudam. Não importa. Ela é minha. Ele olhou para Hoseok, para os dois Espécies machos que estavam com ele e para os dois humanos para garantir que não invadiriam o seu território.

O homem humano tinha um rosto avermelhado e agarrou a cerca, parecendo estar pronto para pulá-la, e a mulher humana estava boquiaberta, como se quisesse gritar. Ele sabia que os havia assustado, mas não dava a mínima para isso. Eles não eram uma ameaça, mas talvez tivesse que lutar contra os Espécies caso o atacassem. Ele faria isso para não deixar aquela mulher ir embora.

Minha!

Seus braços apertaram aquela gloriosa mulher que ele segurava, com cuidado para não a quebrar, e agradecidos por ela não lutar. Lily quase parecia dócil sob seu cuidado, como se soubesse tanto quanto ele que ela lhe pertencia. Ele tinha esperança de que ela o quisesse tanto quanto ele a queria.

Você não está agindo de maneira sã, ele admitiu em silêncio, mas isso não importava. Ela tinha um cheiro maravilhoso, seus traços delicados eram algo que ele queria observar para sempre, e segurá-la em seus braços fazia crescer o desejo de possuí-la. A ideia de esparramá-la em sua cama e rasgar suas roupas para explorar cada milímetro de seu corpo, fazia seu pau doer.

Ela será alguém com quem conversar, alguém para eu abraçar e vou convencê-la de que nós seremos felizes juntos. Eu posso fazer isso. Ela vai querer ficar. Ela tem que querer. Minha. Minha. Minha. O lugar dela é comigo.

Ele não tinha nenhuma ideia de como fazer isso acontecer, mas era um homem forte, determinado e qualquer coisa era possível agora que estava livre. Depois de ter passado uma eternidade trancado em uma cela fria e úmida, machucado a maior parte do tempo, e sempre tão sozinho, a ideia de ter uma companheira, alguém para conhecer, para dividir a vida, havia se tornado o seu maior sonho.

Ele a segurou mais suavemente, prometendo protegê-la com sua vida e não permitindo que ninguém a levasse embora. Não tinha que fazer sentido. Ela estava em seus braços, ele a reivindicou e não estava disposto a soltá-la. De algum jeito, de alguma forma, ele a convenceria de que era o macho feito para ela.

Certa vez ele sonhara viver fora das paredes de concreto e aquilo enfim tinha acontecido. Tudo era possível. Ele inalou o maravilhoso cheiro feminino dela, seus braços a seguraram mais forte contra seu corpo e uma palavra se repetia em sua cabeça.

Minha!


Notas Finais


Então, foi isso, próximo capítulo as coisas vão esquentar.

A fanfic também estará no Wattpad, em breve. Meu usuário é o mesmo.

Lembrando, altura e peso do Tae, irá ser diferente.
Me perdoem os erros.


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