História Nove Meses - Limantha - Parte 02 - Capítulo 27


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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, LGBT, Orange, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 27 - Trabalho de Parto - P1


O porteiro do prédio de Lica abriu a porta logo que viu MB se aproximar. Ele já conhecia o loiro há muito tempo, MB era visita constante na casa de Lica, já tinha sido hóspede e até morador quando seu pai fugiu do país e Samantha permitiu que ele ficasse por alguns meses em seu apartamento. O rapaz agradeceu o gesto do porteiro com um aceno e cruzou o portão de entrada correndo. Ele tinha pegado um trânsito gigantesco para chegar no bairro, já fazia mais de uma hora que Dudu havia lhe telefonado avisando que a bolsa de Lica tinha estourado.

 

O elevador estava há centímetros de fechar quando o loiro colocou seu braço na frente do sensor e fez a porta se abrir. Ofegante entrou na caixa de aço. Só tinha uma ocupante.

 

- Nono andar por... – MB encarou a garota a sua frente e se espantou ao vê-la ali. – O que você está fazendo aqui, Katarine?!

- O Dudu me chamou dizendo que a Lica falou para ele chamar um adulto porque a bolsa estourou... Eu vim pra levar a Lica no hospital. E você?

- Não... O Dudu me chamou porque a bolsa da Lica estourou. Quem vai levar a Lica para o hospital sou eu!

- Ah não, filhote! - K1 rebateu. – Se ela é tua amiga, é minha também, quem vai levar a Lica para o hospital sou eu!

- Só se for na tua imaginação...

 

O elevador ainda estava no sétimo andar, mas dava para se ouvir perfeitamente do nono andar as vozes do ex casal batendo boca. Assim que a porta se abriu, os dois tentaram sair ao mesmo tempo do elevador como se alguém tivesse disparado um gatilho e os dois participassem de uma corrida. Chegaram no apartamento muito agitados. A própria Lica veio abrir a porta. MB desandou a falar.

 

- NÃOPRECISASEAPAVORARNAOPRECISADESES...

 

MB estava tão desesperado que até se esqueceu a forma correta de respirar e a parturiente, no meio do trabalho de parto, que ajudou a voltar a respirar normalmente.

 

- Isso... Inspira longuinho pra dentro... E solta curtinho pra fora.... – MB obedeceu Lica. - Mais uma vez... – Repetiu o processo. - Isso e...

 

 MB e Lica foram interrompidos por K1 que desferiu um tapa no rosto do loiro.

 

- TÁ LOUCA?! DOEU!

- Tamo sem tempo pra frescurite de macho... A outra ali tendo dor de parto e você vem fazendo escândalo por causa de tapinha?! – Bronqueou. O loiro que fechou a cara. – A Lica. - A bolsa não estourou? O Dudu me ligou que...

- Estourou... – Lica explicou. Mas as contrações ainda estão vindo de seis em seis minutos. – Eu pedi para o Dudu ligar porque eu fiquei com medo de ter que ir para o hospital sozinha...

 

Dudu veio de um dos quartos carregando uma bolsa de bebê verde. Juca trazia uma outra amarela. O namorado de Clara tinha chegado apenas dois minutos antes de K1 e MB subirem. Também havia pegado bastante trânsito para chegar na Vila Madalena.

 

- E eu liguei para vocês dois...

- Por que você tinha que ligar justo pra mim e pra ela? – MB questionou o garotinho.

- Os únicos nomes que eu sei ler além do meu são K1, MB e Neymar! – Dudu se justificou. – Eu só tenho cinco anos.

- Chamasse o Neymar, não essa... - K1 quase fuzilou o loiro com o olhar. – Essa moça!

- Devia ter chamado mesmo o Neymar, não esse... - K1 devolveu com desdém. – Rapaz!

- Olha aqui, vocês... – Lica se cortou. Uma nova contração a pegou de surpresa. Essa veio antes dos seis minutos regulares. – AIIIII!

- Meu Deus, senta, Lica! - K1 fez a garota se acomodar no sofá. Juca foi pegar mais gelo para Lica. K1 colocou um travesseiro em suas costas. – VIU O QUE VOCE FEZ, MICHEL?!

- EU?! VOCE QUE NEM DEVIA ESTAR AQUI, QUERIDA...

 

Os dois iam voltar a discutir, mas foram interrompidos por Dudu que deu uma bronca no ex-casal e fez os dois pedirem desculpas e apertarem as mãos como sua professora fazia quando se desentendia com alguma outra criança dentro da creche.

 

- E SE EU PEGAR VOCÊS DE RESPOSTINHA OUTRA VEZ, VÃO FICAR SEM SOBREMESA! – Dudu ameaçou assustando MB e K1. A Lica. – Passou, mãe?!

- Mais gelo... – Juca entregou o copo cheio de cubos para Lica se manter hidratada. – Eu não consegui ainda falar com a Samantha e nem com a Clara...

- Onde é que está a Samantha? – MB questionou.

 

Passada a dor da contração, a própria Lica respondeu o questionamento de MB e tratou de explicar toda a situação. Samantha tinha ido buscar a mãe no aeroporto, devia estar em algum lugar sem cobertura de área pois o celular não pegava de jeito nenhum. Assim que ficou sozinha com Dudu, a bolsa estourou, ela ligou para o seu médico avisando do ocorrido e o médico pediu para medir o intervalo entre as contrações. Quando estivesse expandindo de quatro em quatro minutos, devia seguir para o hospital.

 

As primeiras contrações eram fraquinhas, mas agora se tornavam mais intensas e o intervalo se tornava cada vez mais curto. Durante a explicação, Lica teve que se interromper três vezes por conta das contrações. Juca era o responsável por cronometrar o tempo. O intervalo estava mais curto do que há uma hora.

 

- Já estão de cinco em cinco minutos. Não é melhor a gente ir?! Ta um puta trânsito... Até chegar lá...

- Eu não posso ir para o hospital! A Samantha não está aqui!

- Lica... – Juca tentava argumentar. – Mas o trânsito...

- Eu não vou sem a... AAAAAAAAAH! – Lica respirava com dificuldade. – Chama... A... Sammy!

 

K1 tentava ligar para Samantha, caixas de mensagens mais uma vez.

 

- Mulher... - K1 murmurou. – Cadê você?!

 

 

- Vocês estão liberadas... – O delegado deu um aperto na mão de Samantha e outro na de Paula. – Qualquer novidade sobre o caso, nós ligaremos para sua residência ou para a residência de sua filha.

 

Mae e filha se despediram do policial e foram guiadas por um funcionário da delegacia até a recepção. Saíram da DP e seguiram a pé até o estacionamento onde Samantha havia guardado o carro. O processo de registrar um boletim de ocorrência pelo roubo demorou horas pois Paula havia sido empurrada por um dos bandidos e acabou ferido levemente o rosto. Teve que fazer exames e tirar fotos para incluir nos registros do BO. E a delegacia estava cheia. A veterinária estava exausta. Tinha enfrentado horas de voo e ao chegar no Brasil encontra aquela situação.

 

- Mãe, você quer comer alguma coisa?! Já passou bastante do horário do almoço.

- Com essa confusão toda eu até perdi a fome... Eu fiquei tão nervosa.

- Mas você não pode ficar se comer. – Samantha advertiu. – Paramos em algum lugar, comemos alguma coisa leve e em seguida vamos lá pra casa... Você passa essa noite lá.

 

As duas chegaram no estacionamento, o manobrista acenou e foi pegar o carro de Samantha.

 

- Ah não meu amor... A parte de comer alguma coisa leve eu até aceito, amas eu quero dormir na minha casa... Estou morrendo de saudade da minha cama.

- Da cama só, né?! Porque de mim e do Beto...

- Não, não, não... – Paula deu um beijo no rosto da filha. – Vocês são os meus bolinhos... – Apertou a bochecha de Samantha. Geralmente ela reclamava quando a mãe fazia isso, mas dessa vez deixou passar em branco. Estava com tanta saudade de Paula que até de seus apertões andava sentindo falta. – O meu bolinho lindo que vai casar... Você vai ser uma noiva tão linda.  Eu posso você atravessando pelos seus convidados com um vestido branco, lindo de renda francesa e a Lica te esperando do outro lado de tênis, camisa manchada de tinta, calça jeans e um casaco amarrado na cintura...

 

Samantha fez uma careta.

 

- Eu não tinha pensando nisso... Eu tenho que ver logo a roupa da Lica antes que ela invente de se casar que nem um farrapo... – Pensou alto. – Bom... Vou ligar pra ela avisando que a gente vai almoçar. Lá na delegacia meu celular não pegava de jeito nenhum...

 

O manobrista apareceu com o carro, Samantha acertou a conta e as duas ocuparam seus lugares. Assim que saiu do estacionamento, Samantha parou em uma farmácia para comprar esparadrapo para Paula que já precisar o curativo todos os dias. Deixou o cartão de débito com a mãe e aproveitou que restava parada com o carro para discar para o celular da namorada. Ninguém atendeu. Ligou para casa. Uma mulher atendeu. Não era Lica.

 

- K1?!

- Graças a Deus, mulher onde você se enfiou? – Samantha ouviu ao fundo a voz de MB e Juca tentando acalmar Lica. Dudu também falava algo. – Estamos te procurando feito doida... A bolsa da Lica estourou.

- QUE?! FOI AGORA?! ELA TÁ BEM?! ELA TÁ...

- Respira coisa nervosa... As contrações já tão diminuindo o tempo...A gente vai levar ela para o hospital e você vai direto pra lá!

- Deixa eu falar com ela!

 

K1 passou o telefone a Lica.

 

- Oi... – Lica estava com a voz ofegante. – Onde... Você está?!

- Amor... Eu tô em uma farmácia aqui em Guarulhos ainda... Eu parei pra comprar uns negócios pra minha mãe... – Samantha viu Paula sair da farmácia e fez um sinal com as mãos para se apressar. – Eu ia almoçar por aqui, mas eu já vou direto pra maternidade...

- Eu tô com medo... Não completou... As semanas... – Lica tentava controlar a respiração. – Prematuras... Quero... Você aqui...

- Elas vão ficar bem, amor... Falta pouco pra nossas lindinhas nascerem... Aguenta que eu tô chegando. – Paula entrou no carro. – Eu amo você...

- Eu também te...

 

Lica nem conseguiu completar a frase pois foi interrompida por outra contração forte. Jogou o telefone no sofá e Juca pegou.

 

- Fala, Samantha... Sou eu...

- Oi Juca, a gente já está saindo da farmácia. O nome da maternidade é São Lucas, aí mesmo na Vila Madalena... -...- Tá avisa pra Lica que eu vou conseguir chegar para o parto... -...- Outro, tchau. – Desligou. A Paula. – A Lica entrou em trabalho de parto... – Paula levou a mão a boca. Ainda bem que antecipou sua volta, o parto estava previsto para dez dias posteriores. -  Já está indo pra maternidade, mãe! – Radiante.  – Minhas filhas vão nascer!

- Meu Deus do céu! Ela está em casa? Está...

- Indo pra maternidade... Ta um pouco adiantado, mas tá tudo bem... Vai dar tudo certo... – Tentava se tranquilizar. – Eu vou chegar há tempo, as nenéns estão em uma posição boa...

- Da pra ver o focinho delas? – Paula questionou de imediato. Recebeu um olhar de censura da mãe. – Desculpa, filha... Eu estou acostumada com éguas nessa situação... Eu tô nervosa...

- A gente não pode ficar nervosa... – Samantha repetiu para si mesmo. – Vai dar tudo certo...

 

 

- NÃO VAI DAR CERTO! ELA VAI SE DESENCONTRAR DA GENTE, ELA...

- Calma, Lica... Vai dar sim... Samantha não perderia esse parto nem se... Sei lá... Estourasse uma guerra... Ela ia arrumar um jeito de chegar no hospital. - K1 garantiu. – Vamos pra maternidade que é capaz da gente chegar lá e ela estar esperando na porta.

 

MB já havia descido alguns minutos antes com as chaves do carro de K1 que estava estacionado na rua de trás. Juca, K1 e Dudu auxiliavam Lica. Não tiveram muito trabalho em arrumar a bagagem para a maternidade já que Samantha tinha deixado tudo organizado com alguns dias de antecedência. Não faltava nada, bolsa das bebês com roupinhas, fraldas e tudo que era preciso, documentos, ultrassonografias e toda a bagagem de Lica. Antes de fecharem a porta do apartamento, K1 revisou tudo para ver se não faltava nada. Juca chamou o elevador. Apesar de falar com Samantha, Lica ainda estava receosa. Não acreditava que ela chegaria há tempo. K1 não soltava sua mão.

 

- Vocês avisaram pra minha mãe e pras minhas amigas?

- Avisamos. – Juca explicou. – Sua mãe já está indo pra porta do hospital... Eu avisei no grupo do pessoal, todo mundo já está sabendo... Vamos descer que o MB deve estar lá embaixo.

 

O elevador chegou. Os quatro entraram. Juca apertou o térreo.

 

- Quando a gente voltar já vai ser com as minhas irmãs e... – Dudu se cortou, pois, o elevador deu um tranco e parou do nada. Assustado. – O que foi isso?

- Eu acho que emperrou... – Juca disse.

 

A luz piscou uma vez.

 

- Não... – Lica murmurou para si mesmo.

 

Piscou a segunda.

 

- Não, não, não!

 

Na terceira a luz piscou, mas não acendeu de volta.

 

- NÃOOOOOOOOOOOOOO!

 

[...]

 

Já fazia pelo menos uns dez minutos que MB estava esperando por Lica, Dudu K1 e Juca aparecerem. Nada do quarteto. Intrigado, o loiro saiu do carro e foi conversar com o porteiro. Encontrou o homem acompanhada de uma mulher. Ela devia ter uns trinta e poucos anos, era alta e bonita. Familiar. Ao olhar o garoto loiro, a mulher o reconheceu logo de cara.

 

- Você é amigo de Samantha Lambertini, não é?! Esteve com ela na delegacia outro dia...

MB se lembrou da mulher.

 

- Detetive Lancelotti?! – Estendeu a mão em um gesto gentil e a mulher apertou. – Como vai?

- Trabalhando bastante. Seu nome...

- Michel. – MB respondeu. – Veio ver a Samantha?

- Eu precisava conversar com ela, o porteiro comentou que ela saiu... Sabe onde posso encontrá-la?

- Ela foi pra maternidade agora... A namorada dela acabou de entrar em trabalho de parto... Maternidade São Lucas, aqui da Vila Madalena mesmo. – Explicou. Lancelotti gravou um áudio para guardar o nome da maternidade. – Mas é alguma coisa que eu possa ajudar? É sobre aquele marginal do Rafael?

 

Lancelotti fez um gesto afirmativo.

 

- Eu não sei se você pode ajudar, mas é sobre ele sim... Você sabe que ele participou de uma fuga em massa...

- Vocês encontraram ele outra vez,?! – MB se animou. – Eu posso participar da acareação, porque...

- Tá morto.

 

MB arqueou as sobrancelhas, estava surpreso.

 

- Como é que?

- Foi encontrado morto hoje de manhã em um terreno baldio. Um casal de namorados que o achou. - Nossa! -MB murmurou em choque. Quando Rafael bateu em Lica, ele desejou a morte do garoto assim como muitos dos amigos de Lica queriam o seu mal. Agora que a morte era um fato concreto, sentia-se amargurado, confuso. Tinha dúvidas para tirar com Lancelotti. – Vocês têm certeza que é ele? Não pode ser outra pessoa?

- Localizamos a família do rapaz e uma tia reconheceu o corpo. Era ele mesmo. Nós procuramos a Samantha porque queremos falar com ela sobre esse caso. – Lancelotti abriu um sorriso. – Você ajudou bastante nos fornecendo o nome da maternidade. Obrigada, Michel.

 

Lancelotti deu um tapinha no ombro do garoto e MB a ouviu falar no celular com alguém. “Ela vai estar na maternidade São Lucas aqui na Vila Madalena, estamos indo para lá”. Entrou em um carro, MB fez uma careta de autocensura. Havia feito besteira. Com o endereço em mãos, Lancelotti ficaria plantada na porta até encontrar Samantha. E sabe Deus o que aconteceria depois. Falando em Samantha, MB recebeu uma mensagem da mesma justamente quando ele pensava no que seria feito da vocalista dos Lagostins.

 

- MB, não tô conseguindo falar com ninguém... – Samantha disse no áudio. – Vocês já estão na maternidade?

 

Maternidade. Era isso. Antes de se preocupar com Lancelotti, tinha que se preocupar com Lica. Precisavam ir com urgência para a maternidade e nada dos quatro aparecer. Gravou uma mensagem qualquer para Samantha e entrou no prédio. Encontrou tudo às escuras. Moradores reclamavam.

 

- O que aconteceu?

- Queda de energia. - Um senhor que acabava de descer oito andares explicou. – É uma falta de vergonha dessa companhia de luz...

- Tem gente presa no elevador?!

- Dizem que estão entre o quinto e sexto na...

 

Nem esperou o senhor terminar de falar. MB seguiu pelas escadarias e subiu os seis andares com uma energia que nem ele sabia que tinha. Energia nascida da aflição. Entrou no sexto andar e se aproximou dos elevadores.

 

- LICA, KATARINE! VOCES TAO AI?!

 

Após alguns segundos obteve uma resposta.

 

- MB! AVISA PARA O PORTEIRO QUE TEM GRÁVIDA PRESA AQUI! SE NÃO APRESSAREM ELA VAI TER O BEBÊ AQUI MESMO!

- JÁ VOLTO!

 

MB voltou as escadarias e desceu em tempo recorde. Encontrou o porteiro tentando acalmar os ânimos de um grupo de moradores. Ao relatar o que estava acontecendo, os moradores se revoltaram com o representante começaram a discutir deixando MB perdidinho, até que uma cabeça genial sugeriu ao loiro.

 

- Chama os bombeiros. Eles arrombam a porta e socorrem a sua amiga rapidinho!

MB quase deu um beijo na boca na senhorinha de quase oitenta anos que lhe deu a sugestão. Rapidamente discou 193 e explicou a situação. Uma atendente o tranquilizou avisando que em vinte minutos o resgate chegaria. Voltou correndo para o sexto andar para falar com Juca, Dudu e as garotas.

 

- K1, EU CHAMEI OS... – Ouviu um barulho estranho seguido de um gemido masculino. – O que está acontecendo aí?!

- A TIA K1 DEU UM TAPA NA CARA DO TIO JUCA. – Dudu explicou.

 

De fato, era o que tinha acontecido. As coisas não estavam nada fáceis para Lica. Além de ter que suportar a dor e o desespero por sua situação, era obrigada a tentar acalmar Juca que estava tendo uma crise de nervos dentro do elevador. Pratica, K1 acertou um tapa no rosto do garoto fazendo ele retornar à realidade.

 

- Eu já disse que tamo sem tempo pra frescurite de macho. Acalma a criança que ela que tem que se apavorar! – Com medo de levar outro tapa, Juca voltou a se controlar. K1 comentou com Lica. – Mas tá saindo uma safra de macho frouxo que eu vou te contar, viu?! Juca, MB parece que nenhum se sustenta em cima das pernas. MB CADE O SOCORRO QUE VOCE PROMETEU CRIATURA?!

- TÁ CHEGANDO EM QUINZE MINUTOS!

 

 

As notícias andavam em um ritmo mais rápido que o trânsito de São Paulo. Ellen, Tina e Keyla estavam no meio de seus respectivos afazeres quando receberam o áudio de K1 avisando que Lica estava indo para maternidade. Keyla pediu para que Dina a cobrisse na loja, Tina desmarcou uma reunião com duas cantoras de rap e Ellen deixou seus alunos do curso de programação aos cuidados de outro professor. O pensamento do trio era o mesmo, precisavam estar com Lica naquele momento na maternidade. Keyla estava presa dentro de um ônibus nas redondezas do shopping que trabalhava, não podia sair de carro pois aquele dia seu carro participava do rodízio de carros. Tina também utilizava o transporte público pois odiava dirigir e Ellen estava parada, de moto, na região da Vila Mariana. O engarrafamento se alastrava pela cidade inteira. Entediada, Keyla resolveu gravar um áudio no grupo da fives.

 

- Alguma notícia da Lica?

- Não consigo falar com ninguém. E essa merda não anda! Eu tô parada há quase vinte minutos no mesmo lugar! – Tina respondeu alguns minutos depois.

- Eu tô na mesma que vocês. – Ellen respondeu logo depois de Tina. – Sem notícias e parada.

- Nem de moto você consegue andar? – Keyla se surpreendeu.

- Ando super pouco. – Ellen disse. – Em meia hora passei dois sinais. Que chato isso!

- Sabe por que deu tudo errado? – Tina comentou. – Falta a Benê aqui!

 

 

Bachianas Brasileiras, famosa série de composições do pianista Heitor Villa Lobos havia sido escolhida como repertório das próximas apresentações de Benê. Naquele início do mês de janeiro, a garota já havia se apresentando em Berlim, Paris, Londres e Praga. Agora era a vez da belíssima cidade de Viena conhecer o seu talento.

 

Viena tinha um gosto especial para Benê, pois Beethoven, sua grande referência profissional, havia vivido seus últimos dias naquela cidade. Desde que começou a se interessar por piano, desde que teve sua primeira aula com Guto após ganhar uma aposta do rapaz, seu grande objetivo na vida era algum dia tocar na cidade que assistiu o último suspiro de seu ídolo. Desde que chegou a Áustria, ensaiava sem parar. Nada podia dar errado. Ensaiava dia e noite. Cobrava tanto de si que seus dedos começaram a ter câimbras e decidiu parar para jantar. Já era começo de noite na Áustria. Resolveu ir no restaurante do hotel. Fez o pedido ao garçom e abriu seu celular para verificar as redes sociais. Ao ouvir os áudios do grupo das amigas, desistiu de jantar, procurou por Pierre Lafaiete, seu chefe. O velho senhor já havia se recolhido em seus aposentos.

 

- Benedita... O que faz por aqui? – Pierre se esforçava em falar português com seu sotaque carregado. Ele era um grande admirador do idioma e ter uma brasileira em sua equipe era uma chance de ouro para praticar a pronúncia.

- Boa noite, senhor Pierre... Lembra que eu comentei com o senhor que eu ficaria para as apresentações de Natal e Ano Novo se o senhor me liberasse para acompanhar o parto de uma amiga no momento que fosse necessário. – Pierre fez um gesto afirmativo. Foi um grande sacrifício convencer Bebê de passar o Natal e Ano Novo longe da família para se apresentar em Lisboa e Madri. – Esse momento é agora.

- Agora... Mas Viena sempre foi o seu sonho, minha querida...

- As vezes temos que abrir mão de alguma coisa.

- A sua amiga faria o mesmo por você? Se não faria, eu não a libero.

- Eu não tenho ideia se ela faria o mesmo, mas eu vou fazer por ela. Eu vim comunicar que amanhã eu não vou poder me apresentar pois vou estar no Brasil.

- Eu disse que você não está liberada, Benedita.

- Nós fizemos um trato e a minha parte já foi cumprida. Boa sorte na apresentação amanhã, senhor Pierre!

 

Antes que o homem pudesse falar mais alguma coisa, Benê deu as costas e saiu correndo. Precisava providenciar seu passaporte e documentos para comprar uma passagem para São Paulo. Se tudo desse certo, em poucas horas estaria embarcando com destino a Guarulhos.

 

 

- Finalmente, MB... Onde vocês estão?! – Samantha questionou enquanto equilibrava o celular entre o ombro e a orelha. Estava na fila do metrô compra de tickets. Já passava das quatro horas da tarde. O trânsito estava um caos. O único jeito de se locomover na cidade era através dos metrôs. – Deixei o carro em um estacionamento, a minha mãe em uma amiga e estou no metrô. – Acho que em uma meia hora estou aí...

- Vamos pra maternidade agora... – MB explicou. – A Lica e a Katarine acabaram de sair... A luz acabou e elas ficaram presa com o Juca e o Dudu no elevador. Ficaram mais de uma hora lá dentro... A K1 foi acompanhando ela na ambulância, mas a Marta e o Luís já estão lá.

- E vocês vão sair de casa agora?

- Vamos... Eu o Juca e o Dudu... Vamos a pé, rapidinho a gente chega lá. – Fez uma pausa. – Sammy... Eu tenho que te contar uma coisa. A polícia está atrás de você... Mataram o Rafael.

- QUE?

- Mataram o Rafael. Encontraram o corpo hoje de manhã... Uma treta gigante... E aquela policial que conversou com a gente no dia da acareação, a Lancelotti tá na tua cola... Ela foi pra maternidade atrás de você... Deve estar plantada lá te esperando.

 

Samantha não acreditava naquilo. Estava abalada sim pela morte de Rafael, mas sentia mais raiva do que tudo. Até depois de morto ele conseguia atrapalhar.

 

- MB, como ela sabe que eu vou pra maternidade. – Rapidamente o rapaz explicou a situação a Samantha que a cada momento ficava mais inconformada. – Eu não fiz nada! Eu prometi pra Lica que ia chegar há tempo de ver o parto, eu não posso perder o nascimento das minhas filhas por causa daquele infeliz! Como eu vou entrar na maternidade?

- Você não vai perder nada... A gente vai dar um jeito...

- Que jeito...

- Eu não sei... Mas a gente vai dar. Me liga assim que você chegar perto da maternidade.

 

Os dois trocaram mais algumas palavras e se despediram. No momento que MB desligou, Juca e Dudu apareceram. Dudu e namorado de Clara decidiram subir pois estavam muito apertados. MB ficou a espera dos dois na entrada do prédio. Fez um sinal para apressarem o passo. Tinham muito que correr.

 

 

 

 

- Cadê a... Samantha? – Lica questionou ofegante. Marta acompanhava a filha. Quando a ambulância do resgate chegou no hospital, ela e Luís já estavam ali assim como Clara e Guto. A loira tinha sido avisada por Juca e conseguiu chegar de metrô. Ela avisou Guto que foi a pé mesmo já que morava há poucas quadras do hospital. K1 cedeu o seu lugar de acompanhante a Marta e se juntou a Luís, Clara e Guto. – Ela... Ela... Não... Vem? Não... Vai dar...

 

Lica foi interrompida por uma nova contração. Apertava a mão de Marta até quase quebrar. A mulher mais velha pouco estava ligando. Na verdade, estava angustiada pela filha. Sabia o quanto Lica sonhou com aquele momento durante todos os nove meses, sem Samantha ao seu lado não seria a mesma coisa.

 

- Ela vai chegar sim... Está há quinze minutos daqui.  - Fez um carinho no rosto da filha. – Ela não perderia isso por nada...

 

A enfermeira chegou no quarto onde Lica estava hospedada e comunicou.

 

- O médico vem te examinar daqui há pouco. Dependendo ele já te leva para a sala de parto.

 

Se retirou. Lica confidenciou a Marta.

 

- Eu tô com medo, mãe... Eu tô com medo...

- Vai dar tudo certo... Eu vou pegar água pra você...

 

Ao se afastar, Marta desfez o sorriso que cismava em exibir para a filha. Olhou pelo corredor e nem sinal da nora. Depois de tantos percalços naquela gestação, era tão importante Samantha estar ali. Onde ela havia se metido?

No lado de fora do hospital o clima também era de tensão. MB, Juca e Dudu haviam chegado. O loiro pediu a Guto e Luis para que levassem Dudu a cantina para distrair o garoto. Tinha um assunto de adulto para tratar com os demais. Contou a todos sobre a morte de Rafael e sobre a visita da investigadora a Samantha.

 

- Espera... Então quando a Samantha chegar, a polícia vai levar ela embora? – Clara questionou. – Não acredito que até depois de morto o embuste incomoda!

- Que Deus o tenha ou o diabo carregue esse infeliz... - K1 comentou. – Mas esse Rafael, sinceramente... Se a polícia levar a Samantha ela vai perder o nascimento das filhas...

- Só se ela entrar na sala de parto antes. – Juca comentou. – Eles não vão invadir um parto para prender alguém...

- Aí que eu quero chegar... Vocês tão vendo a morena alta gostosona ali parada na porta? – Todos olharam de maneira discreta. – Aquela é a Lancelotti, a investigadora que eu falei...

- Na outra entrada também tem policiais. – Clara comentou. – Um até ficou de olho na K1.

- Quem é esse prego? – MB comentou enciumado.

- Foco, MB! – Juca alertou. – O que a gente tem que fazer com a investigadora?

- A gente precisa tirar ela do caminho. Eu tenho um plano. – A Clara e K1. – E eu vou precisar dos dons artísticos de vocês...

 

Aos poucos, MB foi explicando sua ideia aos amigos. O plano era tão absurdo que podia até dar certo. Era a hora do desespero. Tudo era válido. O celular de MB tocou. Era Samantha. Atendeu e explicou a amiga o que tinha que fazer, entrar quando Lancelotti saísse da porta.

 

- E como você vai fazer isso? – Samantha questionou. Estava escondida atrás de uma árvore no jardim da maternidade. – Tô vendo ela daqui e ela parece que tá até com raiz ali... Não vai sair nunca...

- Ela vai sair... Só espera o Guto chegar que ela vai sair e você entra... A chave de tudo é o Guto.

 

Guto, alheio a tudo o que estava acontecendo, caminhava distraído até a entrada da maternidade. Luís tinha ido atrás de Marta para saber mais notícias e deixou Dudu com seu padrinho. O pianista cruzou a entrada e MB, K1 e Clara vieram ao seu encontro. Eles pareciam agitados.

 

- Oi gente,  e a Sa...

- É ESSE AQUI! ESSE MESMO! É ELE! – MB cortou Guto aos gritos chamando a atenção de boa parte das pessoas na recepção. Virou-se para K1. – VOCÊ NÃO QUERIA SABER DE TUDO?! AGORA VOCÊ SABE! FOI POR CAUSA DESSE HOMEM QUE EU TE LARGUEI! – A Clara. – E ELE TE LARGOU FOI POR MINHA CAUSA! NÓS NOS AMAMOS!

 

Clara e K1 faziam perfeitamente o papel de esposas traídas. Pareciam surpresas com a revelação do rapaz. Guto foi tão pego de surpresa que ficou sem palavras. MB aproveitou o impacto do amigo e tascou um beijão em sua boca chamando de vez a atenção de todos. Clara e K1 seguiram o teatrinho, K1 começou a insultar Guto separando-o de MB. Do outro lado, Clara pegava Dudu no colo enquanto praguejava MB.

 

- VOCÊ VAI PAGAR CARO, POR ESTAR DESTRUINDO A MINHA FAMILIA, A INFANCIA DO MEU FILHO! – A Guto. – SERÁ QUE VOCE NÃO PENSOU NEM NO GUTINHO QUANDO TROCOU A GENTE POR ESSE PERVETIDO?!

 

O barraco foi tão verídico que os seguranças não deram conta e Lancellotti e outros dois policiais foram tentar acalmar os ânimos do quarteto. Juca se meteu entre os espectadores do barraco, soprou para alguém que uma das mulheres era Katarine Santos, uma modelo famosa. A isca deu certo. As pessoas ficaram mais curiosas e passaram a se juntar em torno dos quatro para tirar fotos e filmar o barraco protagonizado pela famosa e seu namorado gay, provocando trânsito no local. Os seguranças não davam conta de dispersar as pessoas. Lancellotti e os outros dois policiais que a acompanhava se viram obrigados a se meter na confusão e trabalhar. Samantha aproveitou a deixa e entrou sorrateiramente pela porta da frente. Parou na recepção para perguntar sobre a namorada.

 

- É bom você se apressar. Heloísa Gutierrez já está para ser encaminhada para a sala de parto. O quarto dela é 202

- Obrigada.

 

Após agradecer a informação, Samantha galgou as escadarias e seguiu para o quarto 202. Estava vazio. Lica já tinha ido para a sala de parto. Tinha que descobrir onde era a tal sala de parto. Sentiu cinco dedos firmes em seu ombro.

 

- Finalmente você apareceu.

 

 


Notas Finais


Até o próximo capítulo =)


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