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História Nove Meses - Capítulo 28


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Capítulo 28 - Así Comencé a Quererte


Fanfic / Fanfiction Nove Meses - Capítulo 28 - Así Comencé a Quererte

Julieta suspirou ao se olhar no espelho. Seu rosto estava corado, vívido e tranquilo. Admirou, pela primeira vez em anos, seu semblante plácido e rejuvenescido, seus olhos que brilhavam e um sorriso que saiu quase sem que notasse. Penteando os cabelos, passou a língua pelos lábios, sentindo-se leve. Depois de fazer o penteado que sempre usava, colocou um de seus vestidos e se preparou para descer, sentindo o estômago rugir de fome. Havia acordado mais tarde naquela manhã, porque passara boa parte da noite passada desperta, revivendo o momento que havia tido com Aurélio. Pensara nele de forma tão compulsiva que, quando conseguiu dormir, sonhou com aqueles olhos, aqueles dedos, aqueles lábios, de forma repetitiva. Ao se lembrar dos sonhos que a fizeram despertar sentindo-se levemente contente e ansiosa, tapou a boca com uma das mãos, escondendo um sorriso envergonhado. Passou as mãos suadas pelo próprio vestido, respirando fundo numa tentativa de se recompor antes de descer.

Ao se virar em direção à grande porta de madeira, sentiu um leve desconforto e parou. Ao notar que um líquido abundante escorria por entre suas pernas, prendeu o ar e levou uma das mãos até lá.

- Oh, meu Deus. – Ela sussurrou.

- Dona Julieta, o café está esfriando. – Catarina disse, entrando abruptamente no quarto e falando em um tom de censura, mas bem-humorada. Ao encarar a patroa, pálida e imóvel, se preocupou e se aproximou. – Julieta? O que há?

- Oh, Catarina... – Julieta disse com a voz trêmula. – Acho que a bolsa estourou.

Catarina arregalou bem os olhos e abaixou-se para examinar Julieta, que, segurando a barra do vestido encharcado, tremia.

- Oh, querida... – Catarina exclamou, puxando-a até a cama, fazendo com que se sentasse. – Fique calma. Fique calma, sim?

Com a respiração entrecortada, Julieta assentiu, segurando o ventre com as duas mãos gélidas, que se movimentavam com nervosismo.

- O que eu devo fazer? Oh... Oh, meu Deus. – Julieta gemeu ao sentir uma pequena contração.

- Fique calma. Vou pedir para Tião buscar Rômulo. Deite-se. Venha.

Com a ajuda da empregada, Julieta se encostou na guarda da cama, sentindo que sua testa começava a ficar úmida pelo suor tenso que escorria.

- Oh, Catarina... Estou com medo. – Julieta confessou, enquanto Catarina tirava seu sapato e a meia fina negra que ela havia vestido minutos antes.

- Não fique. – Catarina disse, tentando esconder a própria apreensão, enquanto sorria. – Volto em um minuto. Respire. Respire, querida.

Catarina saiu do quarto a passos largos e acelerados e tentou controlar a respiração enquanto descia as escadas com um tremor que crescia a cada segundo. Ao alcançar o jardim, encontrou Tião, que tinha os olhos bem atentos ao redor.

- Tião! Tião! – Catarina gritou, aproximando-se.

- O que foi, Catarina?

- Preciso que vá até a cidade.

- Não posso. – Tião disse, sem entender a seriedade da amiga. – Um dos empregados achou ter visto alguém estranho rondando as terras e Aurélio saiu para averiguar. Preciso tomar seu posto enquanto ele está ausente.

- Oh, homem! – Catarina berrou, impaciente. – Dona Julieta vai ter o bebê. Precisamos de Rômulo. Já!

Tião arregalou os olhos e concordou, assentindo muito rapidamente, enquanto colocava o chapéu.

- Ora, Catarina, por que não disse de uma vez? – Ele perguntou, fazendo uma careta e correndo até Glorioso, que estava amarrado em uma das árvores do jardim e relinchou quando foi montado por Tião, que saiu a galopes em direção à estrada.

Catarina o viu se perder entre a poeira que se formou e levou uma das mãos até o peito, puxando o ar para se acalmar, antes de voltar para a mansão. Pediu para que uma das criadas fervesse água e levasse panos limpos até o quarto da patroa e correu pelos degraus, enquanto dava as ordens aos berros.

Ao voltar, encontrou Julieta, vermelha como nunca, segurando o ventre, enquanto respirava com rapidez.

Ao vê-la, Julieta esticou uma das mãos, pedindo silenciosamente que a empregada a segurasse e apertou quando Catarina o fez.

- Acho que as contrações estão ficando menos espapaçadas. – Julieta disse, com a voz embargada.

- Tião foi buscar Rômulo. Fique calma, querida. Tudo vai correr bem.

Julieta assentiu, com a testa molhada de suor. Tentou sorrir, mas seus lábios trêmulos não permitiram. Sentia como se uma forte corrente elétrica passasse por seu corpo e as dores, que iam e vinham, não a incomodavam tanto quanto o medo que sentia.

- Está adiantado, Catarina. – Julieta disse, trêmula. – Não era para ele nascer ainda. Algo está errado, não está?

- Isso acontece, Julieta. – Catarina exclamou, apertando suas mãos e encarando-a com carinho, mesmo que também estivesse nervosa e assustada. – Muitas mulheres têm seus partos adiantados. Não se apavore.

Julieta assentiu, fechando os olhos e tentando controlar a respiração. Algumas lágrimas caíram e se misturaram com o suor denso, que Catarina tentou secar com as mãos, enquanto sussurrava para que Julieta puxasse o ar e o soltasse, repetidas vezes.

Com a água quente e as toalhas sobre a cama, Catarina examinou a situação, refletindo se poderiam esperar pelo médico. A empregada que trouxera tudo, continuava no quarto, com os braços cruzados e os olhos aflitos.

- Deveríamos chamar a parteira. – Ela sussurrou para Catarina.

- Tião foi chamar o médico, Madalena.

- Isso não é coisa para médico, é coisa para uma parteira.

Catarina revirou os olhos.

- Dona Julieta é uma mulher moderna. Doutor Rômulo acompanhou toda a gravidez, deve ser ele a realizar o parto. Ele está preparado.

Mesmo descrente, Madalena deu de ombros, aflita com os gemidos de Julieta. Catarina, temendo deixá-la ainda mais tensa, pediu para que Madalena esperasse o médico na sala e o mandasse subir assim que chegasse. Madalena acatou rapidamente, saindo do quarto e fechando a porta com cuidado, agradecendo em silêncio por não precisar ficar, sentindo-se incapaz de ver o sofrimento da patroa, que sempre fora tão gentil.

Julieta, que sentia fortes contrações, mas ainda consideravelmente espaçadas, tentou manter-se tão calma quanto possível, apertando as mãos carinhosas da empregada e amiga, que dizia palavras de carinho e conforto e tentava deixá-la relaxada contando sobre os outros partos que assistira. Ela tentou se concentrar no que ouvia, alternando caretas e gemidos de uma dor aguda que se tornava cada vez mais insistente.

Quando Rômulo chegou, Julieta soltou um grunhido de alívio e medo, que o médico acatou, aproximando-se da cama e ajoelhando-se ao lado da dona da casa.

- Parece que essa criança é tão apressada e teimosa quanto a mãe. – Ele disse, num tom amigável, que a confortou. Julieta sorriu e, espremendo os olhos, deixou que algumas lágrimas de medo escapassem. Rômulo sorriu e beijou suas mãos. – Fique calma. Vamos dar um jeito nisso.

Julieta assentiu, tentando sorrir. Viu o médico lavar as mãos com uma das jarras de água e dobrar as mangas da camisa branca. Ele subiu na cama e se ajoelhou aos pés de Julieta, que dobrou as pernas com seu auxílio.

- Oh, doutor... Está tudo bem, não é? – Catarina perguntou, de pé ao lado da cama, deixando com que os nervos se apoderassem dela.

- Julieta precisa que fiquemos calmos agora, não é, querida? – Rômulo perguntou.

- Eu estou calma. – Catarina disse com fervor.

Rômulo sorriu, como sempre fazia para amenizar o nervosismo de sua paciente, e ajudou-a a tirar a roupa de baixo com gentileza, afastando suas pernas com as mãos.

- Bem, querida... Não há mistério algum. Você só precisa deixar a natureza agir.

- Oh, Rômulo... A natureza está me matando. – Julieta berrou, torcendo o nariz com uma forte contração que a fez arfar.

- É o seu filho querendo vir ao mundo, querida. – Rômulo disse, com uma calma assombrosa. Segurando os joelhos de Julieta, ele a encarou: – Vamos. Faça força.

Ela obedeceu e gritou, sentindo que a dor tornava-se ainda mais latente. Rômulo tentou acalmá-la.

- Você é uma mulher forte. Vamos... Estamos aqui com você. Empurre.

Julieta fechou os olhos, enquanto Catarina limpava os suores de seu rosto com uma flanela branca e engolia em seco, angustiada.

Com um forte impulso, ela gemeu, apertando os lençóis até que suas unhas se afundassem neles.

- Isso... Muito bom! – Rômulo exclamou. – Mas ainda precisamos que empurre, está bem?

Julieta arfou, assentindo, com o rosto molhado de suor e lágrimas abundantes. Seus lábios tremiam tanto que ela mal conseguia mantê-los fechados.

- Eu não vou conseguir, Rômulo... – Ela gritou, sentindo que o pânico a tomava.

Rômulo respirou fundo, segurando seus joelhos.

- Julieta, você precisa ser forte.

- Não... Eu não vou conseguir. Não vou. – Ela gritou, sentindo que uma contração violenta a tomava. – Oh!

- Fique calma e empurre.

- Não. Não. – Ela fungou, arqueando o corpo. – Eu não consigo... Não vou conseguir... Estou com medo.

Puxando Catarina pela mão, Julieta arfou, com os olhos vermelhos e o rosto encharcado. Seus lábios tremiam num choro silencioso, mas evidente.

- Traga Aurélio. – Ela disse, com a voz rouca.

Catarina, que não entendeu, ficou em silêncio, encarando a patroa com ceticismo. O olhar de Julieta, cansado e apavorado, parecia implorar.

- Como? – Catarina perguntou, gaguejando.

- Aurélio... Mande-o vir. Por favor... Chame-o.

Catarina engoliu em seco, transtornada com aquele pedido. Rômulo, inquieto e contidamente aflito, soltou o ar de forma barulhenta.

- Faça o que Julieta pede, Catarina. Rápido!

Mesmo atordoada, Catarina assentiu, afastando-se em direção à porta.

Não precisou ir longe para encontrá-lo. Ao descer as escadas com rapidez, ouviu a porta principal se abrindo com um golpe rápido.

- Onde está Julieta? – Aurélio perguntou, com os olhos muito abertos e uma aflição que Catarina reconheceu prontamente. – Tião disse... Tião disse que Rômulo veio. – Aurélio sussurrou, pálido como ela nunca havia visto antes.

- Aqui em cima. – Ela disse, voltando a subir os degraus que havia descido. – Venha, Aurélio. Ela está chamando por você.

Ao abrir a porta, Aurélio arfou, aproximando-se tão rapidamente de Julieta que mal acreditou na capacidade das próprias pernas.

Ao vê-lo, Julieta soltou o ar, desesperada e aliviada, de forma tão contraditória, que sorriu quando ele tocou sua mão.

- Eu estou com medo. – Ela confessou, sussurrando. – Estou com medo. Acho que não vou... Não vou conseguir. 

Aurélio balançou a cabeça, beijando suas mãos com demora. Seu peito movia-se muito rapidamente e todo seu ser tremia de uma forma incontrolável. Alheios a Rômulo e Catarina, que assistiam à cena confusos e desconfiados, os dois perderam-se, por alguns segundos, em uma contemplação silenciosa, em que Julieta tentou recarregar a própria fé no olhar atento e comprometido de Aurélio, que beijava suas mãos e as apertava com carinho.

- Você vai conseguir. – Ele disse, encarando-a com os próprios olhos úmidos e tensos.

- Estou com medo. – Ela repetiu.

Num movimento rápido e inesperado, Aurélio subiu na cama, posicionando Julieta entre suas pernas e fazendo com que ela se encostasse em seu peito. Ela engoliu em seco e fechou os olhos, deixando a cabeça descansar no corpo atento e firme do homem que entrelaçou suas mãos nas dela e beijou sua bochecha.

- Vamos... Força. – Ele sussurrou.

Rômulo, que continuava segurando os joelhos de Julieta, forçou suas pernas para que se abrissem um pouco mais e dobrou a barra do vestido para que tivesse uma melhor visão. Antes de pedir que ela fizesse mais força, encarou Aurélio, dando-lhe um sinal, para que a encorajasse.

- Empurre, querida. – Rômulo disse. – Mais uma vez.

Aurélio sussurrou palavras de apoio em seu ouvido e apertou suas mãos, ainda entrelaçadas nas dele. Julieta, fazendo força para que o filho viesse, gemeu de dor, mas sentiu-se acolhida, protegida e embriagada pelo carinho que sentia no peito de Aurélio. As pernas dele, abertas ao redor de seu corpo, serviam de apoio para as mãos, que ela apertava contra as suas, suadas e quentes, de um esforço sobrenatural, do qual nunca achou ser capaz.

 

Música: Nueve Meses - Camila (https://www.youtube.com/watch?v=mroYBnYW6Vw)

 

Al mes de haber perdido lo que tanto guarde

Sentí en mi cuerpo el adelanto

De lo que cambiaría mi vida para siempre

Así comencé a quererte

 

- Está vindo, Julieta. – Rômulo exclamou.

Julieta sorriu em meio as lágrimas, virando o rosto para encarar Aurélio, que também sorria, emocionado.

- Vamos... Empurre. Mais uma vez. – Rômulo disse.

Julieta assentiu e, apertando as mãos de Aurélio, fechou os olhos, dando mais um forte impulso.

Sentiu, naquele momento, que, mais do que nunca e, talvez pela primeira vez, era dona de seu próprio corpo. De seu próprio ser, saía uma vida, que, ela não havia escolhido que existisse, mas que agora escolhia amar. Uma sensação tão intensa e arrebatara a fez arfar entre um choro emocionado, que fazia com que as lágrimas dessem sentido a tudo. Agora entendia, como nunca antes, seu propósito, o motivo de sua existência. Aquele filho, que lutava tanto quanto ela, desde o primeiro dia, a quem amou intensa e completamente desde que soube que viria, a fez conhecer um paraíso que não imaginou existir. Mesmo nesse momento, em que ainda sequer havia visto seu rosto, entendia que ele vinha para mudar tudo.

 

En tres meses ya me estaba transformando

En alguien que ni yo reconocía

Las piernas, la espalda, el corazón, todo me dolía

Así empecé a sentirme sola

Y yo que no veía la hora

Te estás aproximando, seis meses

Vomitando no van a hacer

Que esta mujer se rinda hasta cumplir

 

- Outra vez. – Rômulo disse. – Vamos. Mais uma vez. Empurre.

Ela empurrou, apertando os dentes em um gemido alto, estridente, renovador. Seu corpo trabalhou com a força que nunca soube que tinha para que um novo impulso se fizesse possível. Sentiu uma dor tão exacerbante que jogou a cabeça para trás.

- Estamos quase lá. – Aurélio sussurrou em seu ouvido, depositando um beijo doce naquela região. Julieta sorriu, assentindo, deixando com que sua cabeça descansasse por alguns segundos no peito de Aurélio, que continuava a encorajá-la.

- Empurre, Julieta. – Rômulo pediu, mais uma vez.

 

Nueve meses

Por ti repetiría tantas veces

Sentir este dolor

Morir por este amor

No puedo imaginarme

Que creces dentro de mí

Que no me perteneces

Quizás lo entenderás

Cuando regreses

Y se repita el ciclo

No es fácil, pero volvería

A esperar nueve meses

 

Julieta empurrou, soltando outro grito agitado. Rômulo sorriu.

- Já estou vendo a cabeça! – Ele gritou, com alegria.

Julieta arfou, sorrindo, chorando, sentindo-se, ao mesmo tempo, tão absolutamente vulnerável e no controle das próprias ações. Refletiu, de forma tão abrupta, sobre aquele período, que precisou fechar os olhos, em um gemido silencioso, demorado e intenso, que fez seu corpo tremer. Lembrou-se do medo, do terror, da incerteza de saber que carregava dentro de si uma outra vida. Lembrou-se da agitação e do pânico de não se sentir preparada, de se sentir tão inapta para um papel tão importante. Lembrou-se, também, de uma certeza cega e improvável de que, afinal, daria conta e faria por aquela criança ainda sem nome e sem rosto, até o impossível. Em meio a lágrimas abundantes, Julieta sorriu, rindo alto e chorando, e se preparando para outro forte impulso.

 

Tenía tanto miedo de fallar

Perder lo que un día fui me hacía temblar

Saberme egoísta

Y que todos mis defectos

En ti se podían reflejar

Llegué a los ocho

Y yo ya me sentía

Modelo de Botero

En lencería

 

Em um grito entrecortado, que Aurélio tentou acalmar, beijando seu rosto molhado, Julieta empurrou. Derramando lágrimas emocionadas, felizes, ansiosas, desesperadas, impulsionou o corpo novamente. Dessa vez, sentiu que seu ser era tomado por uma força sobrenatural e arrebatadora, uma energia completa e irracional, que fazia com que todas as suas células trabalhassem de forma frenética.

 

La peor de las personas

Sobredosis de hormonas

Me urgía que llegara el día

Así empecé a sentirme sola

Y yo que no veía la hora

Te estás aproximando,

Seis meses vomitando

No van a hacer

Que esta mujer se rinda hasta cumplir

 

Ouviu, instantes depois, um choro ininterrupto, que tentava limpar os pequenos pulmões que respiravam pela primeira vez. Rômulo riu, levantando um bebê pequeno, vermelho, ainda sujo, que chorava com a boca bem aberta e, de olhos fechados, parecia procurar pela mãe.

 

Nueve meses por ti

Repetiría tantas veces

Sentir este dolor

Morir por este amor

No puedo imaginarme

Que creces dentro de mí

Que no me perteneces

Quizás lo entenderás

Cuando regreses

Y se repita el ciclo

 

Julieta, banhada em lágrimas que faziam seu ser tremer, sorriu, experimentando uma sensação que a fez sentir-se completa. Sentiu que Aurélio beijava seu rosto, sorrindo e sussurrando que ela havia conseguido. Ouviu Rômulo dizer que era um menino forte, como a mãe, enquanto cortava o cordão com a ajuda de Catarina, que escondia tímidas lágrimas por trás dos olhos envelhecidos e emocionados. Mas ainda estava tão absorta na imagem da criança que acabava de tornar-se a extensão de seu próprio corpo, fora dele, que permaneceu em uma contemplação silenciosa, grata e estranhamente serena. Esperou até que Rômulo terminasse e o levasse até ela.

 

Pero algo sí te puedo asegurar

No es fácil pero volvería a entregar

Mi cuerpo al milagro

De esperar

 

Com um sorriso enternecido e sensibilizado, Julieta amparou a criança que chorava entre os braços e beijou-a, fazendo com que as lágrimas que escorriam dos próprios olhos se mesclassem com a pele do bebê, que arfou ao sentir o calor materno. Julieta riu, encarando Rômulo, Catarina e depois Aurélio, que mal podia esconder a emoção que tentava conter, apertando os lábios com muita força.

Catarina, que falava em meio a sorrisos emocionados, estendeu à Julieta uma pequena manta, para que enrolasse a criança, que deveria sentir frio. Julieta mal ouviu, presa em uma observação mágica, sem poder desviar os olhos do bebê que chorava, mas parecia ter se aconchegado ao seu colo com maestria. Aurélio, ao notar a distração compreensível, pegou a manta e, tocando seus braços com gentileza, ajudou a enrolar o bebê. Julieta sorriu, permitindo que ele o fizesse, facilitando o trabalho ao levantá-lo, para que Aurélio o enrolasse com suas mãos ágeis, delicadas e amorosas. Como agradecimento, ela o encarou, com um sorriso plácido, enquanto apertava o filho contra o peito.

- Ele se chamará Camilo. – Julieta disse, por fim.

 

Nueve meses 

 

Aurélio, finalmente, sucumbiu à emoção que o invadia e apertou os olhos, deixando que lágrimas comovidas escorressem por sua bochecha e se perdessem entre sua barba. Julieta sorriu e levou uma das mãos até o rosto do homem, em quem ainda se apoiava, e se deixou tocá-lo demoradamente, enquanto fechava os olhos e sentia Camilo acalmando-se no próprio braço.

Naquele momento, Julieta sentiu-se nascer junto com o filho.


Notas Finais


tradução da música: https://www.musixmatch.com/pt-br/letras/Camila/Nueve-Meses/traducao/portugues

muito, muito obrigada por lerem!
aguardo seus comentários!

beijo


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