História November rain - Capítulo 1


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Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Winwin, Yuta
Tags Dong, Nakamoto, Nct, Neo Culture Technology, Sicheng, Winwin, Yuta, Yuwin
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Palavras 3.416
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Shonen-Ai, Slash
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Vais embora como a chuva


Fanfic / Fanfiction November rain - Capítulo 1 - Vais embora como a chuva


A chuva era bonita antes de significar a tua ida. Quero que voltes. Por favor, dança comigo mais uma vez.
NAKAMOTO YUTA

Lembro-me como se fosse ontem o quanto nós dois gostávamos de ficar deitados no chão do meu apartamento minúsculo e desarrumado, depois de cozinharmos algumas receitas da internet que nunca terminavam bem e colocarmos um monte de filmes de terror na televisão, porque era o género preferido de ambos. Apesar de tu gostares mais de vampiros e eu preferir deuses e demónios. Nós sempre conseguíamos arranjar uma maneira de escolher um filme que agrada-se aos dois, mesmo que depois de vinte minutos já estivéssemos aos beijos no sofá, com a manta já espalhada no chão e a tua mãe a ligar-te sem parar. O teu toque era a minha música preferida dos The Rolling Stones, que cantavas para mim em vez de atenderes as chamadas.

Também me lembro de quando me acordavas nas manhãs de sábado, com janelas abertas que deixavam a claridade entrar no meu quarto, acordando-me. Batias palmas, corrias pelo quarto e gritavas os poemas que eu te tinha mandado por mensagem na noite anterior. Eu sabia o quanto gostavas de adormecer depois de pensar no significado das palavras. Deitavas-te ao meu lado quando já estava bem estampado no meu rosto o quanto eu estava chateado e a ficar sem paciência, porque gostavas de me testar até ao limite. Agarravas-te a mim e fazias carícias no meu rosto com o teu polegar, fechando os olhos e apoiando a cabeça no meu peito, implorando que eu retribuísse os teus toques.

E não me esqueço das típicas noites de domingo, em que, com a expressão carregada, lamentavas o facto de teres aulas no dia seguinte. De não aguentares mais a pressão dos estudos e quereres que aquela noite durasse para sempre. Aquelas noites em que entravas no meu apartamento a passos pesados e olhavas para mim com o olhar mais abatido de sempre.

-Vamos beber até de madrugada.

Mas meu amor, tudo o que bebíamos eram as nossas lágrimas. Aquelas que molhavam os nossos rostos quando, depois de umas garrafas de álcool e luzes a piscar nos nossos olhos, deixávamos escapar que nos amávamos de verdade. O suor escorria pelas nossas testas, e podia jurar que a tua voz falhava de cada vez que me explicavas que sempre me quiseste.

Quando olho nos teus olhos posso ver um amor hesitante.

Porque mesmo que me amasses de verdade e eu retribuísse tal sentimento, a única coisa que fomos capazes de fazer naquela hora foi abrir os braços e chorar no ombro um do outro. Ah, quantos domingos eu escutei as tuas lágrimas e quis enxugar todas elas. O teu rosto ficava brilhante e o teus lábios tremiam. Sempre te quis beijar depois das nossas confissões bêbadas, Sicheng. Mas nunca fui capaz, talvez por ser tão covarde. Sempre que admitia o meu amor por ti só era capaz de me aconchegar nos teus braços e esperar que a noite terminasse, esperando que na próxima noite de domingo bebêssemos até nos declararmos de novo.

Querido, quando te abraço não sabes que eu sinto o mesmo?

-Vamos apenas ficar assim mais trinta minutos e depois vamos embora.

Eram as únicas palavras que eu falava depois de já sentir o meu ombro encharcado pelo teu choro. Ficávamos abraçados trinta minutos e mais um pouco. Era tão rápido que eu pensava que o relógio estava brecado. Enfiavamo-nos num táxi eram quase cinco da manhã, e quando parávamos em frente à tua casa, a tua mãe olhava-me como quem me odeia. Depois agarrava-te pelo braço para que não andasses aos zig-zags e levava-te para dentro. Quando chegava ao meu apartamento, ria-me como um perdido, deixava perdidas pelos cantos as moedas que haviam sobrado, e as roupas que vestia no chão do quarto. Deitava-me na cama, enviava-te palavras escritas por poetas que nem eu próprio conhecia, e dormia a semana toda, ansioso que, com a manhã de sábado, o fim de semana chegasse de novo. 

E como me poderia esquecer daquele sábado? Aquela maldita manhã de sábado em que não haviam janelas abertas, gritaria, nem o teu corpo deitado do meu lado pedindo por carinho. A única coisa que me acordou foram as tuas mão a abanar o meu tronco de forma leve, como quem não tinha a certeza se me queria realmente acordar. Esfreguei os olhos por não te conseguir ver, já que estava tão escuro naquela divisão, e então ouvi a tua voz:

-Porque nada dura para sempre.

Parece irónico pensar nisso, agora. A primeira vez que o fizeste, eu quis explodir em choro e mandar-te embora. Depois comecei a habituar-me, pois tu, em quase dois anos, acordaste-me com aquelas malditas palavras umas cinquenta, cinquenta e uma, cinquenta e duas vezes.

Porque nada dura para sempre.

Tu sabias que essas palavras eram a nossa maior verdade. Entre as canções que ouvíamos juntos na minha varanda, os passeios de carro com os vidros para baixo e as discussões mais ridículas que nós dois poderíamos inventar, ambos sabíamos que um de nós iria embora um dia. Era óbvio na minha cabeça, afinal, quem aguentaria ao meu lado durante tanto tempo?

-Tens a certeza disso? Está tudo bem?

Era o que eu sempre perguntava.

-Eu estou bem, Yuta. Estou a sorrir, não vês?

Porque nada dura para sempre.

-Não estou a brincar, Yuta. Não faças essa cara.

Eu fingia acreditar e deixava-te ir embora, até te acalmares e pores as ideias no lugar. Ah Sicheng, como tu eras um mentiroso quando dizias que estavas bem. Às vezes os teus amigos mandavam-me mensagens a perguntar o que eu te tinha feito para estares a chorar ou a beber a um dia da semana, e eu apenas ficava sem o que dizer. De qualquer forma, entendia as confusões que a tua mente criava, e por isso mesmo é que te deixava ir. E não podia ser hipócrita, pois por vezes era eu que mentia ao dizer que estava bem mas chorava nas tuas costas. Queria saber o que pensavas de todas as vezes em que estávamos sentados lado a lado em silêncio, depois das nossas discussões ou mentiras. Choravas algumas vezes e eu fingia não ver, porque eu também estava. Queria saber o que te passava pela cabeça quando decidias mudar a rotina das noites de domingo e, em vez de te entupires de bebida e me amares, gritavas em frustração que eu te magoava e voltavas para casa mais cedo.

Nós dois sabemos que corações podem mudar.

Gostava quando aparecias no meu apartamento em dias da semana sem avisar e trazias doces, mesmo que soubesses perfeitamente o quanto eu preferia salgados. Com toda a felicidade de te ver, eu nem me importava, e obrigava-me a mim mesmo a partilhar aquele gelado de baunilha contigo e sujeitar-me a que tu, nas tuas atitudes de criança, sujasses o meu nariz. Mesmo depois de eu ter batido com as mãos na mesa e dito que estava farto das tuas merdas. Tu sempre sorrias para mim.

Nós já passamos por isto à muito tempo, simplesmente tentamos matar a dor.

Mas não era tudo um mar de rosas. Uma das coisas que mais mexia com os meus nervos e que era motivo de discussão constante era a tua maneira de ignorar os problemas. Não gostavas de conversar, metias-te a fugir das consequências como se fossemos duas crianças. Fomos de nos bloquearmos um ao outro no kakaotalk até às brigas físicas - nós já tivemos demasiadas confusões. Quantas vezes precisei dormir no meu próprio sofá porque estavas trancado no meu quarto a chorar e a bater com os punhos nas paredes? Sempre foste inconstante e confuso. Mas, acima de tudo, achavas-te o dono da razão. Por vezes bastava eu elevar o meu tom de voz para ficares sensível, e fazias-me sentir mal. Outras vezes eu podia estar morto de raiva contigo que tu ficavas a rir-te de mim, falando que não era caso para tanto. Nunca te consegui aturar a cem por cento, porque também não te sabia desvendar. A nossa falta de comunicação fodia com a maioria das situações, pois nunca soube realmente aquilo que te magoava de verdade e aquilo que te era indiferente.

Menos quando viajávamos para longe sozinhos. Quando íamos para um sítio bonito onde pudéssemos andar de mãos dadas e beijar-nos na rua sem procurar por conhecidos à nossa volta. Nessas alturas eu sabia melhor do que ninguém aquilo que mexia contigo de verdade. Sabia que sentias ciúmes de pequenas coisas e apertavas a minha mão para que eu não fugisse de ti, mesmo que tu soubesses que eu não ia a lado nenhum. Sabia que pensavas que eu iria te deixar primeiro, porque sou "velho demais para não casar", mas na verdade eu é que pensava todas as noites que tu irias embora primeiro, por seres "novo demais para namorar a sério". Depois de várias tentativas de lutar contra a falta de comunicação da parte de ambos, percebemos que eram apenas as típicas inseguranças de um pseudo-casal, e que a nossa diferença de idades nem sequer justifica tal insegurança ridícula. 

Mas vês a grande merda? Dois anos a preocupar-nos com esses pormenores, nem percebemos que apenas éramos capazes de nos declarar quando estávamos bêbados.

Mas amores sempre vêm e amores sempre vão.

Ficava irritado de cada vez que o motivo da discussão eram os ciúmes. Agora que tudo acabou, pergunto-me como pudemos nos chatear por algo tão idiota. Ainda por cima nós dois, que apenas nos podíamos ver durante os fins de semana. Parar de te ver durante tanto tempo por algo tão sem sentido era a coisa que mais me afetava o sono durante a semana. Eram três da manhã e eu estava a matar-me para não te mandar uma mensagem pedindo satisfações pelo teu silêncio, dizer que tinha saudades, e que estava morto para te beijar. As tuas crises deixavam-me seriamente tenso e descontrolado, tu conseguias ir longe demais.

Ninguém tem a certeza de quem vai desistir hoje e ir embora.

Quantas tardes de sábado tu arrumaste as poucas roupas que tinhas no meu apartamento e gritaste que nunca mais irias pôr ali os pés? Queria saber, mas perdi a conta. Tudo bem que tivemos muitos fins de semana agitados, mas tu sempre voltavas para os meus braços e murmuravas o quanto tinhas saudades minhas e das nossas brincadeiras de criança, que costumávamos ter quando ambos tínhamos insónia. Já fomos do jogo da mímica às casas de cartas. Sempre ganhavas em todos.

-Relaxa, Sicheng. Sabes bem que um dia é bom e o outro é negro. Foca-te nos bons.  

Se nós pudéssemos ter um tempo para acertar tudo.

Eu preferia os dias quietos, em que apenas ficávamos deitados na minha cama e, quando algum se queixava de fome, arranjávamos maneiras idiotas de escolher qual de nós iria buscar comida à cozinha. Colocava The Clash a tocar e ficávamos a fazer amor todo o dia, perdidos nos lençóis da minha cama, com a pouca luz do dia a iluminar o teu rosto tão bonito, e a tua mania de fazer todo o barulho que querias entre aquelas quatro paredes.

Eu poderia descansar a minha cabeça simplesmente sabendo que foste meu.

Mas eu sei que tu vives desses dramas que tu próprio crias e adoras fugir de mim uma vez ou outra, só para virar toda a atenção para ti. Teimavas para que eu colocasse Good Charlotte em alto som, mesmo que soubesses que eu não era apreciador dessa banda, e ficavas chateado por razão nenhuma quando eu brincava e dizia que não queria ir fazer panquecas para ti. És jovem, Sicheng. Aceitei as tuas merdas porque já as fiz com outro alguém, e, para falar a verdade, continuei a fazê-las contigo. Sei que ainda não entendes, porque sempre que te dizia que estavas a agir como uma criança mimada, tu olhavas-me chateado e atiravas-me à cara que eu só estava contigo porque eu queria.

Bem... estava contigo porque gostava de ti. Só não sabia dizê-lo em voz alta, desculpa. E por mais que me custasse, entendo que também não eras capaz de o dizer, pois soava muito errado. Pelo menos quando eu treinava em frente do espelho, parecia errado. Uma vez disseste-me que sabias que era errado estarmos juntos, mesmo que para ti parecia certo, e que estavas disposto a tentar. Disseste-o naquelas tais noites de domingo, em que nadávamos em álcool e lágrimas. Também disseste que me querias amar para sempre, mas no fim da noite gritaste que me odiavas e molhaste a minha camisola com o teu choro.

Então se quiseres amar-me, querido, não hesites.

Sempre me disseste que o teu mês preferido era o décimo primeiro, mas nunca explicaste porquê. Apenas dizias que gostavas da chuva fria de novembro, mas acho que nem tu sabias a razão, e apenas inventaste uma à pressa para não parecer mal. De qualquer das maneiras, nunca duvidei que gostavas de chuva. Cada fim de semana que chovia tu imploravas para que eu dançasse contigo debaixo das gotas de água, mesmo que nenhum de nós soubesse realmente dançar. Colocavas as tuas mãos nos meus ombros e pedias para que eu te segurasse pela cintura. Quando estávamos assim, agarrados e com os rostos molhados, aproveitava para chorar um pouquinho, pois as gotas de chuva levariam as lágrimas antes que tu as pudesses ver. Aproximava-me sempre do teu pescoço para sentir o teu cheirinho fresco e te dar alguns beijos no local. Mesmo que toda a situação acabasse em gargalhadas, e não numa dança bonita, era quando eu me sentia mais apaixonado por ti. Eu beijava-te e fazia amor contigo nos dias de sol, e era enquanto dançava contigo à chuva que eu percebia o porquê. Porque te amava.

Ou simplesmente vou acabar por ir embora na fria chuva de Novembro.

Outubro... Faz quase dois meses desde que tudo isto aconteceu. Lembro-me como se fosse ontem quando não vieste ter comigo duas semanas seguidas e, quando eu te ligava, não atendias nenhum dos meus telefonemas. Passei as duas semanas desesperado, pensando em ir a tua casa ou perguntar aos teus amigos. Provavelmente a tua mãe iria expulsar-me num fechar de olhos, e os teus amigos nunca me diriam onde estás. Eles odeiam-me. Tentei mensagens, ligações, redes sociais. Nada. No pior dos casos, pensei que tinhas morrido. Depois coloquei na cabeça a ideia de teres mesmo desistido de nós sem dar qualquer aviso. Ficar um mês inteiro sem ti fez-me chorar e arrepender-me da minha covardia.

Precisas de um tempo só para ti? Precisas de um tempo sozinho?

No primeiro dia de novembro recebi uma chamada tua.

-Yuta... Todos precisamos de um tempo para nós mesmos.

Às vezes também preciso de um tempo totalmente sozinho.

Fiquei fechado no meu quarto a ouvir Good Charlotte, apenas porque era uma das tuas bandas preferidas. Já disse que não gosto deles, mas lembram-me de ti. Eu sabia que tu não conseguias estar longe de mim, assim como eu não conseguia estar longe de ti, e isso fez-me chorar mais um tanto. Um mês e duas semanas. Lutei comigo mesmo para não te ligar. Percebi que a nossa covardia estava a criar duvidas entre nós e que estar quase dois anos com a mesma pessoa sem um pedido oficial e com medo de dizer um "amo-te" sincero, era ridículo. Quis correr pelas ruas até te encontrar, abraçar-te, beijar-te, e finalmente declarar-me a ti. Pedir desculpas por ser quem sou e que queria começar algo contigo seriamente.

Mas depois de um mês e duas semanas sozinho, tu tomaste a tua decisão.

-Queria tanto encontrar uma maneira, Yuta...

Oh, sim, eu sei que ainda me podes amar.

Voltas-te naquele sábado de manhã e acordaste-me da mesma maneira. Janelas abertas e uma barulheira infernal. Foi a única manhã de sábado que não perdi a cabeça e te mandei ir embora, porque tinha tantas saudades ao ponto de poder morrer ali mesmo. Deitaste-te ao meu lado e olhaste-me nos olhos com uma expressão séria. Pela primeira vez, ao olhar os teus olhos em silencio, percebi que nós não éramos uma piada. Eu amava-te e tu amavas-me, e aquela troca de olhares dizia exatamente isso. Os teus dedos dedilhavam a minha perna nua, subindo pelo meu peito e parando no meu rosto. Seguraste o meu queixo com a mão e beijaste-me, um beijo lento e profundo, um beijo onde te dei a sentir todos os sentimentos que tentava negar até ali. O teu corpo estava quente, e quando toquei no teu rosto senti uma lágrima escorrer pela tua bochecha. Segurei-te nos meus braços, dando-te um último beijo. Ver-te assim magoado, e sentir toda esta necessidade de proteção, fez-me perceber que não te podia perder. 

Quando estava prestes a dizer-te, a alto e bom som, como me sinto, olhaste-me seriamente. Fungaste e entrelaçaste os nossos dedos, desviando o olhar para o teto. Mordi o lábio inferior, nervoso. Senti-te inquieto, e percebi que o assunto não eram os nossos sonhos românticos e impossíveis.

-Yuta. Vim aqui para dizer que vou embora. De vez.

Foi como uma facada. Devo ter deixado de respirar, porque senti-me a explodir. Pensei que estavas a tentar enganar-me, a brincar comigo de uma forma parva. Foi quando mais algumas lágrimas caíram dos teus bonitos olhos que eu percebi que era a sério. 

Nada dura para sempre, nem mesmo a fria chuva de novembro.

Sabia que me amavas. Tudo bem, também te amo. Apenas somos estúpidos e não sabemos dizê-lo. Era insuficiente, não era? As visitas apenas aos fins de semana não batiam certo com os minutos que precisávamos um do outro. As demonstrações de afeto desta vez não falaram mais algo que a falta de palavras. E entre todos os nossos problemas, criou-se um grande nó. Mas tudo bem, também te amo.

-Leva-me à porta, amor.

Era um sábado chuvoso, e quis-te perguntar se querias dançar comigo antes de me deixares, mas não perguntei. Só ficámos parados à porta do prédio, de mãos dadas e com a chuva a molhar-nos. Não tive coragem de olhar para ti. O meu coração estava a doer de uma forma inexplicável, e senti-me culpado por toda a situação. 

-Sicheng, vou ter saudades de pesquisar poemas alheios na internet, de ser acordado com o teu barulho e de sentir o teu corpo nu. Dos mares de álcool e choradeira de bebé que fazíamos nos domingos à noite. De comer doces em vez de salgados e das nossas danças à chuva. Nunca mais iremos dançar na chuva, amor.

Continuaste a chorar, e eu chorei contigo. Quis beijar-te, mas disseste que assim iria doer mais.

-Depois não consigo ir, Yuta...

Não precisavas ir, Sicheng. Mas tudo bem, também te amo. Acredito que, de alguma forma, fizeste a escolha certa, mesmo que eu estivesse confiante de que a separação não iria ser tão cedo. Pensei mesmo que iríamos completar os dois anos e que iríamos passar um pouco do natal juntos, como no último ano. Fugiste de casa a meio do jantar porque discutiste com os teus pais e passaste a semana em minha casa, onde fizemos uma mega troca de presentes e nos beijámos mais do que o normal. Vou ter saudades.

-Não achas que precisas de alguém?

-Mas Yuta, vais sempre ser tu.

Quis cair de joelhos no chão e implorar. Acho que estava capaz de cometer uma loucura só para continuar a receber doces em vez de salgados, ouvir Good Charlotte em vez de The Clash, e ver vampiros em vez de deuses e demónios.

-Yuta, eu amo-te, sabes?

-Estás sóbrio?

-Estou. Desculpa.

-Tudo bem. Eu também te amo, Sicheng.

E foi depois da nossa primeira declaração sóbria que tudo terminou. Eu fiquei ali parado, completamente especado no meio da estrada, com as pingas de chuva a cair-me no rosto e a encharcar as minhas roupas velhas. E tu caminhavas para longe, a passos apressados e confiantes, como se deixar-me fosse a melhor decisão da tua vida. Não achas que precisas de alguém? Todos precisam de alguém.

Mas tudo bem, também te amo. A dor não quer ir embora, assim como o sentimento de culpa. Sempre que chove lembro-me de ti, sempre que faz sol lembro-me de ti, sempre que tenho insónia lembro-me de ti, e sempre que como gelado de baunilha lembro-me de ti. Quando acordo e quando vou dormir. Estás sempre comigo. Ainda choro, mas não te preocupes. Eu preciso de alguém, e serás sempre tu.
NOVEMBER RAIN


Notas Finais




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