História Novembro - Capítulo 54


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Acidente, Ciume, Ciumes, Dominação, Drama, Gay, Lemon, Memória, Pais, Romance, Yaoi
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Palavras 2.344
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Hentai, Lemon, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Suspense, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oioioioi, meus linduus!
Como cês tão? Ansiosos para verem mais desse novo Raphael trabalhador? kk
Então, vamos continuar!
Boa leitura <3

Capítulo 54 - Droga de amor


Fanfic / Fanfiction Novembro - Capítulo 54 - Droga de amor

De volta do café, a correria começou. Primeiro chegou o Dr. Eduardo, já lançando ordens ao Heitor, me cumprimentou com um aperto de mão e uma breve olhada de cima à baixo, igual fez com seu secretário e já foi cobrando sobre uma reunião que precisaria acontecer ainda naquela semana. Heitor pegou a agenda e veio girando a cadeira até mim, para que eu pudesse ver também. Foi folheando, até encontrar um horário livre.

— Sexta, às quinze horas o senhor está livre, doutor!

— Tá bom, ligue pra Mackenzie e agende a reunião pras quinze horas, então!

— Pode deixar, doutor! — Todo prestativo, ele sorriu já pegando o telefone.

— Obrigado, Heitor! — O homem de meia idade sorriu levemente e seguiu apressado para sua sala.

 Virei para Heitor, ainda em choque com a presença tão real do primeiro chefe da minha vida, e cochichei:

Ele ficou olhando pra minha roupa! — Heitor sorriu, assentindo.

Ele repara, e se não estiver bom, ele vai comentar com certeza! Fica esperto!

Enquanto eu pensava em qual roupa vestir no dia seguinte, já que não era habituado a usar trajes sociais, o rapaz discou um número, esperou, discou outro, pensou, desligou e discou outro até ser atendido, então pôs a ligação no viva-voz para que eu participasse da conversa.

Escritório Mackenzie, Luana, bom dia? — Atendeu a secretária.

— Bom dia, Luana, é o Heitor!

Pois não! — Ela reconheceu amigavelmente.

— O Dr Eduardo Teller gostaria de agendar a reunião para sexta-feira às quinze horas! Por gentileza, você poderia confirmar com a Dra Daniela e o Dr Bruno se ambos irão comparecer?

Ela não se encontra, Heitor! Quer ligar após o meio dia? — Ele demonstrou insatisfação.

— E o Dr Bruno, ele se encontra, eu poderia confirmar a presença dele por enquanto?

Acredito que não, porque ele sofreu uma cirurgia e está afastado! Mas eu posso ligar para ele, você aguarda meu retorno?

— Aguardo sim, obrigado!

Por nada, até já! — Desligou.

Ele olhou para mim com um leve sorriso, suspirando um pouco apreensivo, começamos a conversar baixinho. Acabei mencionando meu último relacionamento de cinco anos, e contei como acabou, poupando-o dos detalhes, claro.

— É, essa questão do ciúme vai desgastando o relacionamento, né? Não é bom… — Compreendeu, lamentando ao perceber que ainda era um assunto delicado para mim.

— Eu reconheço que errei muito, mas também sinto falta de ter tido apoio pra mudar, sabe? — Queixei-me e ele assentiu, torcendo a boca.

— Você era o ciumento da história, então? — Subentendeu, e eu assenti sem graça. — E você ainda fala com a sua ex?

— Desde que ele me expulsou, não falei mais!

— Ele?

— Aham… o Spencer! — Comecei a rir da cara que ele foi fazendo, não conseguindo disfarçar a surpresa.

— Ah, desculpa, eu não reparei que você também é gay… — Brincou, parecendo lamentar por seu “gaydar” ter falhado.

— Mas eu não sou! — Ele ficou me olhando, depois assentiu compreendendo. — Digo… Às vezes acho que sou, mas… Sei lá! Acho que eu sou bi.

— Você já ficou com meninas também? — Voltou a folhear as agendas.

— Com várias, perdi as contas, mas só fiquei, coisa rápida! Mas eu sinto bastante atração…

— Pelos dois, né? — Ele assentiu sorrindo.

— Não, só por mulher! — Ele soltou os ombros, confuso e eu ri. — Homem foi só o Spencer… E um colega da faculdade que eu ficava e hoje é meu inimigo, mulheres sempre me atraíram mais! Só que eu nunca consegui namorar com mulheres, só com o Spencer! Doideira, não?

— Hmm… Nem tanto, sabia? — Ele parou e me olhou melhor, brincando com a caneta em sua mão. — Você enxerga bem seus sentimentos, Rapha! Quando diz que “sente atração”, claramente é só atração. A gente não namora quem nos atrai, e sim quem a gente gosta de verdade, correto?

Parei para pensar e vi que ele tinha razão. Talvez esse fosse o motivo de eu nunca ter pensado em pedir nenhuma ficante em namoro, e ter feito tal proposta a Spencer nos primeiros meses. Heitor era espertinho, não?

— Então, você acha que eu sou gay ou bi? — Afinal, nem eu sabia direito, queria uma opinião de quem já era “do meio”.

— Você deve ser bi, mesmo! Eu, por exemplo, nunca senti atração por mulheres, embora já tenha experimentado… Sou gay! Você até poderia ter sentido uma ou duas vezes, mas pelo visto é uma coisa recorrente, já que ficava com várias meninas, como você disse! Hoje em dia você “está” gay, dentro da sua bissexualidade, mas daqui um tempo pode mudar e você “ficar” hétero, dentro da bissexualidade, claro! — Reforçou.

— Assim? Tipo um botãozinho que você aperta? — Zombei e ele riu.

— “Tipo um botãozinho” é ótimo! Pelo pouco que eu sei, eu acho que é mais como uma alergia, uma rinite… Ela vem e vai, de tempos em tempos algo desperta essa “condição”, fica ali por um período e depois vai embora! Tem gente que não acredita que existe isso, eu acredito, respeito… Já me relacionei com homens que eram bissexuais e todos confirmaram essa minha teoria, de um jeito ou de outro!

— Ah… Então acho que eu tenho essa rinite aí! — Assumi, rimos juntos.

— Sim, porque se você fosse gay, você teria até ficado com meninas, mas quando ficasse com um menino ia dizer “Agora me encontrei, é disso que eu gosto”, sabe? — Relembrou como provavelmente foi com ele, no passado.

— E eu nunca curti muito ser passivo, também! — Ele deu de ombros.

— Indiferente! Meu filho, tanto homem por aí que curte fio-terra e nunca sentiu atração por homens! Isso não te torna “mais macho”, é só um lugarzinho do corpo! — Eu ri de seu modo de falar. — Tem uns que você olha e pensa “ Nossa, um homão desse aí deve fazer estragos, hein! ”, vai ver… Às vezes gosta mais que eu ainda! Não há regras!

Rimos juntos, pelo visto ele era super desinibido, em qualquer assunto, e muito inteligente. Era um charme.

A secretária retornou após alguns minutos com a resposta positiva pois o advogado recém-operado não via problemas em comparecer à reunião (esse gosta de trabalhar). Passamos para os próximos convidados, confirmamos algumas presenças e quando já estava quase tudo certo, o doutor saiu de sua sala e andou somente até o corredor.

— Heitor? — Chamou com sua voz madura e imponente.

— Pois não, doutor? — Ele esticou o pescoço para vê-lo acima do balcão.

— Reunião cancelada! Eu esqueci que sexta é o recital de balé da minha filha, eu tenho que estar lá senão ela nunca vai me perdoar! — Brincou, e o secretário ficou olhando para ele com um sorrisinho como se o xingasse por dentro. Eu percebi.

— Certo, eu desmarco com o pessoal, doutor!

— Obrigado, Heitor! — Sorriu e voltou para sua sala.

Esse “Obrigado, Heitor” soava como “Você é o cara! Eu sabia que poderia contar com você! ”, de forma agradecida, porém um tanto cínica, já que ele se aproveitava. Comecei a rir da cara dele, passando a borracha sobre os nomes na agenda e substituindo por “Recital Laura”. Até que ele olhou para mim, quase rindo também e relembrou:

— Pare de rir, porque daqui uns dias será você no meu lugar, hein? — Parei de rir na hora, então foi sua vez.

E o resto do dia foi apenas cancelando com quem já havia confirmado presença. À tarde, depois de almoçarmos num restaurante bem em frente ao prédio, atendemos alguns clientes da Dra Carine, que chegou por volta das treze horas, Heitor me deixou atender alguns telefonemas e quando me dei conta já era hora de fechar e ir embora.

Descemos conversando como se já fôssemos amigos há anos, coisa que não me acontecia desde o acidente. Quando chegamos na calçada, meu pai já me esperava encostado ao carro, apresentei-os um ao outro e pedi que papai levasse Heitor até sua casa. Afinal, estava frio, ele teria de pegar três conduções, chegaria muito tarde em casa e não nos custaria nada ajudá-lo.

Educado, ele disse que não precisava, mas papai logo o convenceu, então seguimos suas coordenadas até lá. Como ele mesmo disse, chegamos pertinho do fim do mundo, bem lá no fundo da terceira cidade após a minha. O apartamento ficava em plena subida, o que me pareceu perigoso em dias de chuva, aliás, o lugar em si parecia muito perigoso para um rapazinho delicado como ele ficar dando sopa à noite.

Imagino o motivo de ter escolhido tal bairro para morar, logicamente era mais barato correr riscos e perder muito tempo de trajeto, do que morar no centro, por exemplo.

— Podem me deixar aqui, que eu subo rapidinho! — Disse ele, quando chegamos no começo da ladeira, ao perceber o instinto paternal de meu pai falando alto.

— Não, dá pra subir tranquilo! —Papai insistiu, continuando o caminho.

Olhei de soslaio e pela janela vi um grupo de homens conversando em roda no canto da calçada, pela subida ser muito íngreme o carro deu uma falhada breve, mas levou tempo o suficiente para que um deles virasse e reparasse na BMW do meu pai.

Olhei disfarçando para Heitor, que sorriu meigamente para mim, mas eu já havia percebido que não fui o único a pensar sobre aquilo. Ele devia estar morrendo de medo de sermos assaltados bem na porta de sua casa, seria muito azar. Culpa do meu pai, que mesmo chorando misérias, continuava dirigindo um carro de luxo por aí.

Chegamos ao prédio onde Heitor indicou ser sua casa, agradeceu, perguntou se queríamos entrar por educação, pois sabia que não aceitaríamos. Despedimos, mas papai quis ficar olhando-o até ter certeza de que havia entrado e estaria seguro agora, para descermos a rua. Um pouco mais ligeiro que meu velho, eu dei a ideia de cortarmos caminho e descermos pela rua paralela, para não passarmos perto daquele grupo suspeito novamente.

Chegamos em casa por volta das dezenove e trinta, o que normalmente seria como meio-dia, se eu não estivesse tão cansado. Só tive tempo de tomar um banho e lavar aquele gel dos cabelos, ir para o quarto, mal deitei na cama e já apaguei.

Os dias foram passando, eu continuei indo trabalhar como nunca imaginei, pois, minha vontade no começo era de não aceitar esse emprego. Desde o primeiro dia em diante, Heitor se tornou meu alicerce pois eu não sabia nada, ele é que me ensinava e sempre que eu cometia um erro ele dava um jeito de consertar e ainda me defender. Antes, eu não tinha noção nenhuma dessa moda formal, ele é que foi me dando dicas do que comprar e do que vestir, já que tinha mais propriedade no assunto.

Quanto ao meu violão, papai manteve sua palavra, não comprou outro, então eu comecei a tocar blues na gaita. Algumas vezes por dia, Spencer ainda me vinha à mente, mas ele me bloqueou de todas as formas, então não pude mais falar com o mesmo. Até pensei em comprar outro chip de celular e ligar, mas percebi que seria em vão, Spencer havia me usado como um objeto, me humilhado e depois me expulsado daquela casa como se eu fosse um cão sem dono. Ele não me queria mais. Semanas depois do término, ele já devia ter me substituído por outro, não compensava me rebaixar a tal ponto.

Eu precisava agora aprender a lidar com a dor (que era sufocante) e seguir em frente, foi bom enquanto durou, mas nós destruímos aquele relacionamento. 

E, aos poucos, aquela ferida no meu coração foi se fechando, cicatrizando e dando espaço a outro sentimento, que chegou de fininho, mas sorrateiramente e me fez enxergar a vida de outra forma. No penúltimo dia com meu treinador, cheguei um pouco atrasado, logo no dia em que Dr Eduardo chegaria mais cedo e agora, eu não queria mais ser dispensado.

Quando avistei o carro do chefe estacionando, subi correndo pelas escadas feito um doido para chegar antes dele no escritório. Abri a porta de vidro e entrei esbaforido, dando um susto em Heitor, que já olhava no relógio da parede, aflito pelo meu atraso.

— Raphael, finalmente! Onde você estava?! — Cochichou, me seguindo com o olhar enquanto eu rodeava o balcão e entrava na recepção.

— Meu pai não pôde me trazer hoje e eu esqueci o telefone daqui pra te ligar e avisar! — Justifiquei, me sentando na cadeira ao lado da sua.

Rapidamente, ele veio e começou a dobrar as mangas da minha camisa sobre as do blazer, a fim de disfarçar meu desleixo. Passou para a outra manga, a única que consegui abotoar sozinho no balanço do ônibus lotado, e levou mais tempo para soltar o botão.

Tentei ajudá-lo com minha mão livre e recebi um tapa, o que me fez rir contrariado e o encarar. Pela primeira vez, algo me fez reparar melhor em seus traços, nos fios penteados de suas sobrancelhas, nos lábios corados e saudáveis, relaxados em distração. Senti como borboletas brincando dentro do meu estômago, meu coração começou a bater de forma diferente, foi me dando uma vontade tremenda de beijá-lo.

Inocente, tentando salvar minha pele de uma bronca imensa, ele passou as mãos suavemente pelos meus cabelos, penteando os fios para o lado, disfarçando o fato de eu estar descabelado, já que não tive tempo sequer de pentear.

Até que seus olhos encontraram os meus, ali pararam e mergulharam na imensidão da minha saudade, que agora eu lhe entregava como se pedisse sua ajuda para me fazer feliz de novo. Suas mãos ajeitavam meu colarinho, seu perfume me convidou a entrar naquela área restrita, jamais experimentada antes. Eu descobri a vontade de conhecê-lo naquele momento.

— Bom dia, rapazes! — O timbre grave do advogado rasgou o clima como uma trovoada.

— Bom dia, doutor! Aceita um cafezinho? — Heitor disfarçou, com suas covinhas meigas num sorriso cativante.

Naquele momento, eu quis ter aquele sorriso só para mim.

— Heitorzinho, você sempre gentil... Pensa em tudo! Esse seu suéter te deixou bem mais formal, olha que bacana! — Ficou paparicando, como de costume.

Apenas cumprimentei o chefe e afastei a cadeira para a ponta da mesa, fingindo mexer com alguns papeis, mas na verdade querendo sumir dali o quanto antes.

Não acredito que me deixei cair novamente na droga do amor.



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