História Novembro - Capítulo 55


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Acidente, Ciume, Ciumes, Dominação, Drama, Gay, Lemon, Memória, Pais, Romance, Yaoi
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Palavras 2.311
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Hentai, Lemon, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Suspense, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oioioi meus linduus!
Hoje trouxe a continuação dessa nova história dentro da mesma Novembro ;)
Espero muito que gostem!
Boa leitura!

Capítulo 55 - Sexta-feira


Fanfic / Fanfiction Novembro - Capítulo 55 - Sexta-feira

Naquela quinta-feira, fui para casa pensando no que aconteceu entre Heitor e eu. Digo, não aconteceu nada, tecnicamente, até porque ele continuou agindo normal comigo o resto do dia. Mas eu senti. Senti e foi intenso, de forma que há anos não me acontecia e eu sabia que era real, tinha certeza de que ele percebeu também.

Ou não?

Bem, talvez tenha sido só meu coração partido pedindo um pouco de carinho.

Mas ele é tão fofinho. Tão doce e inteligente, tão prestativo, sempre cuidando de mim, do meu trabalho, das minhas necessidades, sempre decifrando o que eu preciso sem que eu tenha de falar. Otimista, sempre vê o lado bom em tudo e evita reclamar de uma vida tão difícil que leva. Imagine, se eu já sofro com a intolerância da minha mãe sobre meus relacionamentos, mesmo ela me amando e cuidando de mim, ele nem sequer pode dizer que tem uma mãe ou um pai.

Teve a infelicidade de nascer num lar onde não o cabia, onde o torturavam física e psicologicamente só por notarem seus trejeitos mais afeminados, até o expulsarem de casa quando finalmente se assumiu, o que é algo tão delicado e difícil de se fazer. Mostrar ao mundo quem você realmente é, sabendo que a maioria das pessoas irão te julgar e discriminar como se tivessem tal direito, como se você fosse um criminoso, um assassino. Isso sim deve ser doloroso e ele ainda tem forças para sorrir para o mundo.

Foi gentil até em me deixar acompanhá-lo até a estação, onde usaria um trem, um metrô e um ônibus, em horário de pico em plena metrópole. Sorrindo como se estivesse indo em direção a uma limusine.

Heitor realmente era diferente de tudo que já vi. E essa diferença é que me fazia ter vontade de sair do meu casulo e viver.

Eu não queria estar apaixonado nem tinha certeza se estava, mas dormi pensando nele.

Em seu último dia de trabalho, eu já sabia muita coisa, mas ainda me sentia inseguro, e ele não estaria ali para me ajudar caso eu precisasse. Isso me desanimava.

Okay, não era só por isso que sua ausência me incomodava.

Apaixonado ou só atraído, eu ainda era o homem que sempre fui e não o deixaria se ausentar por trinta dias sem antes “tirar uma casquinha”, como dizem. Não dava para ficar só na vontade. Então, na última sexta-feira com meu treinador, enquanto tomava café da manhã, implorei para mamãe ir trabalhar com papai e me emprestar o carro. Sim, o Mercedes dela, pois Heitor já conhecia o carro do meu pai e não dava para arriscar uma BMW assim, chamaria muita atenção, ficaria muito na cara minhas intenções e eu poderia parecer exibido ou arrogante.

— Eu te levo, filho! — Ela ofereceu, estranhando meu desespero.

— Não, mãe! — Neguei rapidamente, ela franziu o cenho e cruzou os braços. — Eu… Quero levar uma pessoa pra sair depois do trabalho!

Dependendo de como fosse, talvez eu até conseguisse faturar algo no carro mesmo. Brincadeira...

Ou não.

— Uma pessoa?! — Estranhou mais ainda, e papai continuou comendo, disfarçando por talvez já ter entendido.

— Uma garota, mãe! — Era quase uma garota, mas tinha barba, usava cuecas e nasceu do sexo masculino. Tudo depende do ponto de vista, vamos lá.

Sua expressão mudou, ela abriu o sorriso mais alegre do mundo e me abraçou contente, agradecendo aos céus. Teria finalmente a nora com quem sonhou? Olhei aflito para papai, que balançava a cabeça com os olhos semicerrados, conhecia o filho malandro que tinha.

— Se for assim, então pode pegar meu carro, seu pai me leva! Só toma cuidado com ele, por favor! Não amasse, não risque, e cuidado com as rodas que eu acabei de trocar! — Assenti, lhe dando um beijo de despedida, outro em papai e saí correndo para a garagem.

Cheguei no escritório sete e meia, Heitor já estava lá, limpando o balcão com um pano e álcool. Cumprimentei-o normalmente, perguntei se estava ansioso por seu último dia de luta, ele riu e confirmou, mostrando já estar bem cansado, mas sem perder o bom-humor.

— Hoje tem chá, você quer? Não sei se você gosta... — Ofereceu, com aquele típico tom amável.

— Eu aceito um golinho! — Sorri abertamente para ele, me sentando na cadeira e o deixando ir buscar o chá.

Não que eu gostasse de aproveitar da boa vontade dos outros, principalmente a dele que era imensa, mas devo confessar que a sensação de ser servido por aquelas mãozinhas de anjo me agradava num nível extremo, principalmente por ter sido ele quem fez o chá (apesar de eu detestar a bebida, coisa mais sem graça, gosto de água). Sem contar a visão que eu tinha se esticasse um pouquinho o pescoço e olhasse por cima do balcão. Enquanto se abaixava na mesa de canto, onde ficavam as garrafas térmicas, o bumbum ficava empinado bem na minha direção. E não era nada mal, pelo contrário, um belo bumbum redondo disfarçado nas calças sociais.

— Quer açúcar?

— Aham. — Apenas resmunguei, apoiando o queixo na mão para contemplar mais um pouquinho.

Minhas mãos coçaram de vontade de apalpar, eu adorava um glúteo bem desenhado. Calma, Raphael, se controla. Sinceramente, não sei de quem puxei tamanha safadeza, já que papai parece ter sido um homem tão tranquilo, mamãe também.

Ele se virou e eu disfarcei, veio e me entregou o copo descartável, avisando que estava quente para eu não me queimar. Não é um amor?

— Obrigado, Heitorzinho! — Zombei do modo como o Dr. Eduardo o chamava às vezes.

Ele sorriu, se sentando na outra cadeira. Enquanto eu tomava o chá, ele foi me dando as últimas coordenadas, arrumando a bagunça na mesa e eu apenas observava seus olhos adocicados rolando sem rumo enquanto ele tentava se lembrar de algo mais a me dizer. Voltou-se para mim e abriu aquele sorriso sapeca.

— Se tiver mais alguma coisa pra te dizer, eu vou lembrando ao longo do dia!

Fiquei um tempo em silêncio. Há duas semanas, eu nem o conhecia, tinha uma péssima visão de seu trabalho e não queria de jeito algum fazer parte disso. E agora cá estou eu, feito um bobo apaixonado por uma pessoa tão segura de si, que jamais me deixaria enganá-la, como outras me permitiram. Isso me deixava intrigado, mas atraído, admirado e querendo mais do que oito horas de trabalho ao seu lado.

— Ouviu? — Sua voz me despertou daquele transe, olhei melhor e percebi que havia perdido algumas frases.

— Ouvi... Ouvi sim, só... — Bocejei, me acomodando na cadeira. — Dormi pouco essa noite, é tão difícil acordar cedo!

— Você não acorda cedo, seu folgado! — Zombou, batendo com a régua de plástico na minha perna e eu ri. Puxei rapidamente a régua de sua mão, testando seus reflexos, que o fizeram lutar comigo. — Para, garoto!

Repreendeu-me, ainda rindo e eu continuei o provocando, embaralhando as folhas que ele havia posto em ordem, enquanto ele tentava espetar minha mão com uma caneta. As risadas foram se acabando e sobraram os olhares.

— Não quero que você vá embora... — Deixei escapar, ele parou de rir e ficou me olhando meio sério.

“Droga, o que eu acabei de falar?!”, pensei, me arrependendo logo em seguida. Eu praticamente me declarei para ele no meio de uma conversa cotidiana. Se ele for um bom entendedor, já me decifrou naquele momento.

— Eu não vou embora, só vou descansar! — Respondeu como se estivesse explicando para uma criança. — Estou merecendo, vai!

— É, está! —Admiti, tentando disfarçar algo que talvez ele já houvesse percebido. — Espero sobreviver às terríveis quatro semanas com o doutor!

Continuei brincando, e ele rindo. Argh, novamente aquela vontade safada de agarrá-lo pela nuca e tascar um beijo naquela boca linda.

Céus, qual é o meu problema?! Eu só estava ali para cobrir suas férias, não podia me deixar levar pela carência que Spencer deixou.

Dra Carine, a outra advogada, chegou e nós paramos de conversar um pouco. Perto do meio-dia, foi a vez do chefe chegar já pedindo seus favores, apressado pois teria uma reunião às treze horas e não poderia se atrasar. Entrou em sua sala, passou breves minutos por lá e voltou para a recepção, ajeitando a camisa.

— Heitor, me ajuda a amarrar essa gravata! Rápido! — Ordenou, como se fosse obrigação do secretário. — Minha esposa não estava em casa hoje de manhã e eu até agora não aprendi a fazer o nó!

Passou a gravata ao redor do pescoço e entrou no pequeno espaço atrás do balcão, se aproximando de Heitor, que já o esperava em pé. O mais novo pegou as duas pontas da gravata e mediu com todo o cuidado, ajeitando o colarinho da camisa cara do chefe, o dobrando por cima da gravata, depois laçando as duas pontas e dando um nó impecável, enquanto o folgado mantinha o pescoço esticado para facilitar. E eu fiquei apenas olhando a cena, esquecido pelos dois.

Comecei a achar estranho.

E daí que a esposa dele não estava em casa, o trabalho do secretário não é apenas recepcionar os clientes do advogado? Ou mudou e eu é que não percebi? Pois ele que espere que eu vá paparicá-lo assim, espere sentado para não se cansar, não sou ninfetinho de burguês.

— Meu cabelo está bom assim, pareço um executivo de respeito? — Ele perguntou baixo, como se não quisesse chamar minha atenção.

— Sempre está, doutor! O senhor é sempre muito elegante...— Respondeu o outro, abrindo um sorriso doce e recebendo outro em troca.

— Bem, agora eu tenho que ir, se não vou me atrasar! Se a senhora Marta ligar, peça para ela aguardar meu retorno? Preciso explicar algumas coisas a ela! — Orientou-nos sobre uma cliente, rodeando o balcão em direção à porta. — Heitor, boas férias, você merece um bom descanso! Obrigado pelos serviços, merece uma estrelinha na testa de melhor secretário!

Brincou em risos e o mais novo corou, rindo tímido enquanto o chefe apertava sua mão fina entre as dele, grandes e peludas de homem másculo e maduro. Olhou sorrindo para mim e me deu um aperto de mão, fingindo estar tão alegre comigo quanto com Heitor. Mas um homem conhece outro, eu já havia sacado qual eram suas intenções.

— Boa sorte, Raphael! Você chegou bem no período em que as ligações não param! — Riu com certo cinismo.

— Ai doutor, assim o senhor assusta ele! — Observou Heitor, olhando para mim e eu disfarcei a cara de tédio, com um risinho bobo.

— Se o telefone fosse a pior parte, estava tranquilo... — Fingi brincar também, e os dois riram muito.

— Tchau, meninos! Até mais!

Ele saiu e eu preferi não comentar nada, ou poderia soar maldoso demais e acabar arruinando minhas chances com Heitor.

Atendemos algumas ligações, agendamos algumas visitas, até Dra Carine passar se despedindo. Já era quase dezoito horas, momento de fecharmos o escritório e irmos embora. Então, Heitor leu meus pensamentos e anotou num papel, com sua caligrafia fina e desenvolta, seu telefone para que eu ligasse sempre que quisesse ajuda. Assim, algo formal, de trabalho, mas já era um bom começo.

Foi quando decidi pôr meu plano em prática, se existia momento perfeito para tal, esse momento era agora.

Enquanto Heitor terminava de organizar os relatórios semanais no computador, fui até o banheiro e me tranquei lá. Olhei-me no espelho, checando minha aparência, que não era lá aquelas coisas, mas procurei estar mais bonito possível. Tirei a carteira do bolso, abrindo e encontrando tudo o que eu precisaria para aquela noite: um cartão de crédito/débito, chicletes de menta e dois preservativos, porque... né?

Saí do banheiro e o encontrei pegando sua mochila, o casaco e o guarda-chuva, concentrado em pensar se não estaria esquecendo nada. Olhou para mim e sorriu, ajeitando os cabelos de forma encantadora.

— Vamos? — Chamou-me, peguei meus pertences e fui o seguindo, apagando as luzes enquanto ele abria a porta.

Fui cavalheiro em trancar a porta e apertar o botão do elevador, ambos em silêncio. Logo no corredor já senti que lá fora ventava muito, notei-o meio aéreo, pensativo, sério até parecia outra pessoa, era incomum. Então comecei a puxar conversa.

— Finalmente, Heitor! Aleluia! — Imitei os fiéis da igreja dos meus pais, lhe arrancando risos. Claro que ele não saberia sobre os negócios de papai, pois eu tinha vergonha de dizer. — Vai fazer o que nas férias?

— Sinceramente, ainda nem sei... Estou com duas DP’s na faculdade, então... Preciso estudar bastante! — Demonstrou estar ocupado, mas eu não desisti.

— E hoje, você está indo pra lá? — Ele suspirou aliviado.

— Não, eu não tenho aulas de sexta-feira! Vou pra casa mesmo, ainda tenho que fazer janta, porque estou sozinho lá em casa… — Lamentou, desanimado.

Opa, sozinho? Entendi que teria o apartamento só para si essa noite, outro bom sinal.

Chegamos ao térreo, ele comentando o quanto sentia frio mesmo de casaco, um flanelado em xadrez, com bolsos na altura do peito e na cintura, comprido até o início das coxas. Ele observou minhas roupas, notando que eu usava apenas o blazer sobre a camisa.

— Você não está com frio, Rapha?! — Pegou minha mão fria, com a sua quentinha e macia.

— Eu não costumo sentir muito! — Ignorei a sensação gelada, nunca liguei muito para isso.

— Nossa, eu sou muito sensível ao frio! — Não pude evitar a piada sacana.

— Tá arrepiado, então? — Ele riu, tentando não me dar moral.

— Bobo!

Continuava segurando a minha mão enquanto andávamos, naquele toque de amigos, mas quando eu tentei entrelaçar nossos dedos, ele soltou. Então, fui logo ao assunto.

— Não quero jantar em casa hoje, você me mostra algum restaurante legal por aqui?

Fiz o convite sem entrar muito no pessoal, pois ele parecia ser um cara mais tranquilo, mais “na dele” mesmo. Diferente do que eu estava acostumado, o “sim” não era uma certeza.

Mas aquela sexta-feira era um dia de sorte para o safadão aqui, e ele aceitou meu convite de prontidão. Então, o guiei até o estacionamento e lhe apresentei “meu carro”.



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