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História Noventa e cinco por cento de honestidade - Capítulo 1


Escrita por: e emoboiola


Notas do Autor


🌧️ theo says: foi tão suave escrever essa fific (ainda mais com personagens tão distintos). espero que vocês gostem tanto quanto eu 💙
sugestão de música: Marvin Gaye - Let's get it on

Capítulo 1 - Porcentagens incertas


NOVENTA E CINCO POR CENTO DE HONESTIDADE

Nos últimos dois anos, estive pensando sobre a Morte. Não em como ela agia nem se doía o bastante para me fazer chorar e implorar pela Vida. E, de qualquer forma, eu estava pensando na minha vez de amarrar os cadarços e bater as botas em um insincero "estou pronta". E depois disso passei  sonhar constantemente com os distintos significados da perda: fogo, escorpiões e tudo aquilo que remetia fantasiosamente ao fugaz ato da Morte.

Dizem por aí que o Destino prega peças inopinadas, apenas para saber  como dar o xeque-mate. Sinceramente, eu preferia que fosse apenas uma cena, um ato e um final; porque é doloroso demais perder algo ou alguém com o qual você criou um vínculo emocional forte o bastante para projetar a ideia de que acabaria em questão de segundos e com um beep ensurdecedor do medidor de batimentos cardíacos. 

E com isso tudo quero dizer que perder Moonbin foi a pior coisa que me aconteceu. Sem pressa e dolorosamente, a Morte tirou Moonbin dos braços da Vida, esta que se encontrava cansada de segurá-lo por mais alguns anos (de preferência mais uns trinta). E pior ainda foi vê-lo transpassar de um plano para o outro. 

O garoto sorridente e divertido que custava a levantar da cama nos sábados não está mais comigo, contando piadas tão ruins que me fazem questionar o buteco de esquina d'onde elas vieram. Moonbin era assim e tinha muito mais a mostrar sobre a pessoa que era — isso se ele um dia pudesse ser um pouco mais honesto consigo mesmo e com todos com quem se relacionava. 

De todas mentiras contadas por ele, as falsas juras de amor eram as que mais me incomodavam, porque eu sabia que não havia verdade nenhuma naquilo tudo. Bin não tinha intenção nenhuma de continuar um relacionamento começado aos tropeços em uma noite de farra por aí (e ainda me ligava à uma da madrugada para buscá-lo num motel três estrelas à beira da estrada). 

E se um dia me pedirem para resumi-lo a uma só palavra, eu não hesitaria em dizer "revés". Desde pequeno, Moonbin nunca foi o cara com quem as crianças queriam fazer amizades, tampouco era chamado para jogar futebol com os pirralhos da rua, nos finais de tarde. E não era porque não gostavam do jeito estranho de ele andar ou o jeito tosco de falar e essas nuances: ele sempre estava comigo. No fundo, ainda me culpo por ter tirado dele a chance de ser um menino comum. Mas também acho que foi falta de contingência (por eu ter chegado muito antes de todo mundo na vida dele). 

Então, para concluir a pessoa que ele era (ou que eu o fiz ser): Moonbin nunca foi um cara de sorte. Desde a nossa infância, quando ainda achávamos que a Chuva era um mero aparato para um dia feliz, eu sempre tirava  a melhor nos jogos de tabuleiro e pegava o melhor par na dança. Ele, pelo contrário, sempre esquecia o guarda-chuva, não levava blusa de frio e perdia no videogame. Às vezes gritava da casa ao lado um "Sakura! Não acredito que você ganhou de novo!" e eu ria, não sabendo que dali doze anos veria o fim disso tudo. O fim de Moonbin. 

Para ser sincera, também sou um pouco do que ele me fez ser: um tico mentirosa ou sensacionalista. Porque em todas essas palavras até agora, há apenas noventa e cinco por cento de honestidade, em homenagem aos noventa e cinco por cento de objetivos que meu melhor amigo Moonbin atingiu.



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