História Novo Sol - Capítulo 11


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Categorias Ariana Grande, Bangtan Boys (BTS), Elizabeth Gillies, Justin Bieber, Little Mix, Shawn Mendes
Personagens Ariana Grande, Jeon Jeongguk (Jungkook), Justin Bieber, Kim Taehyung (V), Perrie Edwards, Personagens Originais
Tags Colegial, Escolar, Jariana, Magia, Sobrenatural, Taekook, Vkook
Visualizações 32
Palavras 4.048
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 11 - Tag, You're It!


No capítulo anterior:

 

    Olhei para Ariana e vi que ela estava em pé, se afastando de mim. Não foi ela que me acertou. Tentei levantar, mas antes que ficasse totalmente ereto, senti um chute forte na minha canela, me fazendo ir ao chão novamente. Meu rosto se colou na grama morta e mãos fortes agarraram minha perna, me arrastando.

 

    Antes que pudesse ver os rostos de quem estava ali, de novo aquela luz cegante apareceu e não consegui enxergar mais nada. Empurraram meu rosto contra o chão e meus braços foram amarrados.

 

    O cheiro adocicado estava em todo local, e meu corpo fraquejou.

 

— Ari… — minha voz falhou numa última tentativa de pedir a ajuda de Ariana.

 

— Justin Bieber, perseguindo a Srta. Grande! — Pude escutar uma voz masculina gritar.

 

    Minhas pálpebras pesaram e meu corpo relaxou rapidamente antes que eu desmaiasse de vez.

 

사랑이 우리의 마음에있을 때 인생은 더 달콤합니다

 

Narrado por Ariana Grande

        No dia seguinte




 

    



 

    Meus pulsos já doíam de tanto tentar forçar aquelas correntes e me soltar. Ele estava ali do outro lado, e era claro que ele também estava com medo. Eu tremia, mal conseguia me manter em pé. Não tinha mais lágrimas para chorar.

 

    Meu coração doía só de presenciar aquilo. Às vezes ficávamos preocupados demais com nós mesmos e esquecíamos que várias histórias corriam junto com as nossas. Nem todas conseguem finais felizes.

 

    E ver, ali, na nossa frente, os dois dando seu último abraço me doía tanto que sentia quase a dor deles. Tantas lágrimas. Tantos sonhos acabados. O fim dos dois juntos. Aquele abraço demorado não seria suficiente para suprir a saudade que sentiriam do outro. Nunca seria, e eu sabia.

 

    Aqueles homens apareceram e começaram a levar cada um para um lado. Eles se olharam por um último segundo enquanto eram arrastados para longe. E então, acabou. Para sempre.

 

    As lágrimas desceram pelos meus olhos e acordei. Diferentemente dos outros sonhos, esse foi mais forte. Mesmo já acordada, sentia o peso daquilo em mim, meus olhos doíam como se realmente tivesse chorado o que chorei naquele sonho.

 

    Ver aquele casal ser separado era triste demais. Mas aquilo era só um pesadelo estranho, com certeza passaria. Me levantei da cama e caminhei até a janela. Me sentei ali e observei todas as pessoas caminhando lá embaixo e aos poucos, o peso do sonho e toda aquela realidade foram embora.

 

    Respirei fundo e tentei esquecer aquilo tudo.

 

    Minutos depois, saí do meu quarto e fui até o pátio, até a mesa onde eu e meus amigos sempre ficávamos. Cheguei lá e como sempre, todos estavam ali. Conversamos por longos minutos antes que as aulas começassem. Felizmente, não me encontrei com Justin hora alguma. Me sentia até mais calma sem aquele encosto.

 

    Depois da aula, tomei um banho e fui com Liz até o quarto de Perrie. Para a nossa surpresa, não tinha ninguém lá.

 

— Onde eles podem estar? — perguntei.

 

— Talvez estejam na biblioteca. Mas vou mandar uma mensagem para eles por precaução. — disse Elizabeth pegando seu CDE no bolso.

 

    Para a nossa surpresa, recebemos resposta até que bem rápido.

 

(18h56) Liz: Cadê vcs?

(18h59) Nash: A gente veio aqui pra fora

(18h59) Nash: Nos bancos perto da fonte

(18h59) Liz: Blz, já estamos indo

 

    Demorou um pouco para que chegássemos até lá, porque era bem longe do prédio dos dormitórios, mas os achamos.

 

— Achamos os fugitivos! — falei jogando uma bolinha de papel em Cameron.

 

— Ai, para, mundiça — resmungou e jogou a bolinha em mim de novo.

 

    Dei uma risada e observei a fonte enquanto caminhava até mais perto deles.

 

— O que fez as raposas saírem da toca? — perguntou Liz se sentando no banco.

 

— Na real, o JungKook teve que ir pro meio do mato para pegar umas coisas para fazer o trabalho de Artes, aí a gente meio que levou ele e aproveitamos pra ficar aqui ao ar livre. — disse Nash colocando os fones de ouvido.

 

    Arqueei as sobrancelhas e olhei para a floresta. Estávamos em um dos pontos mais isolados daquela escola enorme, e dali tínhamos uma visão privilegiada da floresta e das montanhas ao horizonte. Todo o caminho até a floresta era iluminado, mas a floresta em si era um breu.

 

— Eu nunca que entro no meio desse mato só por causa de trabalho. Prefiro levar um zero. — falei me sentando ao lado de Perrie.

 

— É o louco do professor de Artes, deu um trabalho falando que temos que usar elementos naturais para fazer uma pintura rupestre. Aí eles foram inteligentes e decidiram ir de noite. — disse Perrie num tom irônico — Vou pintar com tinta mesmo, não sou obrigada. Misturo um esmalte ali e ninguém vai ficar sabendo. Aliás, não vou gastar meus esmaltes com isso, eu hein.

 

    Dei uma risada mas estava tendo o mesmo pensamento que Perrie.

 

— Bem que eles poderiam me emprestar o que eles forem pegar lá, né? — disse tentando tirar proveito da situação — Aliás, eles quem? JungKook foi com quem?

 

— Ah, ele foi com o TaeHyung.

 

    Logo me lembrei que TaeHyung foi o garoto que eu conversei para provar para Justin que conseguiria fazer amigos sozinha. Não sabia que ele conhecia JungKook.

 

— Ah, Ariana, inclusive, o que aconteceu ontem? — Shawn perguntou e logo congelei.

 

— Ontem? Nada. — menti.

 

— Por que você seguiu o Justin depois que interviram na briga dele com o Jackson?

 

— Ah, porque… Sei lá, queria ver se ele ia se transformar, ou… Não sei, mas quis seguir ele. — respondi e respirei fundo.

 

— Por que você tá falando assim? Aconteceu alguma coisa lá? Ele se transformou mesmo? — Liz perguntou me olhando.

 

— Ninguém viu Justin se transformar antes, o mais perto disso foi ontem, mas ele só cresceu as garras, continuou na forma humana. — disse Cameron colocando as mãos nos meus ombros, fingindo estar fazendo uma massagem.

 

— Na real, quando eu cheguei lá, ele tava chorando. — respondi em baixo tom.

 

— O quê?! — todos gritaram em coral. Até Nash tirou os fones de ouvido de tão surpreso.

 

    Levantei a mão como se tivesse falado algo de errado.

 

— Que foi, gente? Vocês não choram? — perguntei um pouco assustada com a surpresa deles.

 

— Ariana, alfas nunca choram. — disse Cameron com uma voz dramática.

 

— Eu sei, Cameron. Mas jogaram aquele pó esquisito nele, e ele conseguiu chorar. — falei num tom óbvio.

 

— É, mas o Justin nunca chora. Com ou sem esse tal pó. — Shawn completou.

 

    Eu ainda não estava entendendo o motivo de tanta surpresa. Um alfa não chora porque a fisionomia como lobisomem não permite. E, pelo visto, Justin não chorava nunca, mas nada é impossível de acontecer.

 

— Ariana, você não tá entendendo. Nunca é nunca. Não é só isso. Justin não sente nada, por ninguém. Aquele lobo é vazio. — disse Liz com peso na voz.

 

    Parecia até que estávamos falando de Justins diferentes. Apesar de babaca, ele chorou sim, e vi com meus próprios olhos. Ele mesmo deu a entender que estava triste, e negou. Podia ser um idiota e um orgulhoso, mas não era esse monstro que eles falavam.

 

— Gente, vocês estão falando do mesmo Justin que eu? — perguntei um tanto quanto confusa.

 

— Isso tá muito esquisito. Desde que você chegou aqui, Ariana, as coisas parecem estar esquisitas. — disse Liz enquanto pensava em algo mais.

 

— Como assim esquisito? O que tem demais nisso? Gente, ele só chorou, não tem nada nisso. — respondi um pouco cansada.

 

— Ariana, o Justin que você acha que conhece não é assim. Isso já tá estranho desde o primeiro dia que você entrou aqui. Podemos começar só pelo fato de você não ter sentido um pingo de medo quando Justin te beijou no primeiro dia de aula. Ele é um alfa, assim como JungKook e Jackson, mas ele é muito diferente. Alguma coisa aconteceu com ele, talvez esteja sob algum feitiço muito forte ou algo ainda mais poderoso, ele bota medo em todo mundo. Ninguém discute com ele, as pessoas não tem coragem nem de passar perto dele às vezes. — Liz começou a contar e comecei a ficar tensa com aquilo.

 

— Quando JungKook chegou aqui, ele tremeu de medo quando esbarrou em Justin sem querer. A gente, só de olhar, ficou com medo também. Ninguém bate de frente com ele, Ariana, ninguém. Admiro a coragem que Jackson tem, mas ele também sabe que Justin não é um lobisomem comum. — disse Perrie com a voz um pouco falha. Ela parecia desconfortável em falar sobre aquilo.

 

— Quem olha para ele, só consegue enxergar uma coisa: intimidação. A gente nunca viu ele dar um sorriso de verdade, nunca. Mal consigo me lembrar da voz dele, nunca escutamos ele dar uma risada. — disse Shawn — Ele definitivamente não sente nada, Ariana. Ele é… sei lá, mas não gostaria de me meter no caminho dele.

 

— E então você entrou aqui, meteu um tapa na cara dele e o puxou pela gola da camisa. Isso, definitivamente não é normal, Ariana. — disse Cameron alisando meus cabelos.

 

    Comecei a lembrar de tudo, e realmente percebi o quão esquisito foi aquilo.

 

    “Aquilo foi confuso, mas eu não deixaria aquilo passar sem nenhuma reação. Pude sentir o medo no ar, mas não era do garoto que tinha me beijado. O medo vinham de todos da mesa, exceto de mim.

 

O que eles tanto temiam? — pensei.”

 

    Todas as pessoas que estavam em volta também observaram a cena um tanto quanto surpresas e eu pensei que seria por causa do que estava acontecendo, e não pelo fato de eu ter batido de frente com Justin.

 

    O que mais me doía a cabeça era que ele não revidou. Ele causava muito medo, isso era aceitável, mas ele foi humilhado, por que não fez nada?

 

    Me lembrei da cena de ontem. Ele se referia à tristeza como algo desconhecido. Ele não aceitava que aquilo era tristeza. Ele era realmente muito esquisito.

 

— Ontem, ele ficou me pedindo ajuda. Disse que doía de dentro, e mais umas coisas lá. Ele tava triste, mas não conseguia explicar o que tava acontecendo. Como se…

 

— Como se não soubesse o que é tristeza. — Perrie completou — Como isso é possível? Todo mundo fica triste, nem que seja quando se é criança. É impossível não ficar triste pelo menos uma vez na vida!

 

    De repente, a atenção de todos se voltou para a floresta.

 

— Vocês escutaram isso? — perguntou Liz se levantando.

 

    Foi um barulho muito baixo, algo que se parecia com um grito, mas por ter vindo de muito longe, foi difícil de se ouvir e identificar. Todos se levantaram e olharam para a floresta, na esperança de achar algo.

 

— Pode ter sido o uivo de um lobo, aqui tem muitos. Não lobisomens, mas lobos animais mesmo. — disse Shawn tentando nos tranquilizar.

 

    Por algum motivo, eu me sentia tensa. Podia ser qualquer coisa que tenha feito um barulho alto, mas sentia como se fosse algo além disso. Escutamos outro barulho, um pouco mais alto.

 

— Isso foi definitivamente um uivo. — disse Shawn um pouco mais tranquilo.

 

— Não é um uivo comum. Lobos não uivariam tão perto assim da escola, isso os botaria em perigo. Tantos humanos e sobrenaturais aqui, esse lugar é uma ameaça para os animais. — disse Perrie tão rápido que por pouco não entendi.

 

    Todos olhavam para a floresta tentando enxergar algo enquanto discutíamos.

 

— Então, é o uivo de um lobisomem, com certeza. — disse Nash com uma feição preocupada.

 

— Meu Deus, TaeHyung e JungKook! Eles estão na floresta! — disse Liz num tom de urgência.

 

    Arregalei os olhos. Ficamos tão aéreos com a conversa sobre Justin que esquecemos totalmente sobre os dois. Já fazia muito tempo que estavam lá, e depois daqueles uivos, nada bom vinha à mente.

 

— Os dois são lobisomens, por que estariam uivando?! — perguntou Cameron um tanto nervoso.

 

— Não sei, não falo lobisomenês! — retrucou Liz e pude notar que todos estavam com medo.

 

— Talvez estejam pedindo ajuda! — falei dando alguns pulinhos de nervosismo.

 

    Apesar de sermos grandes em número, não podíamos ajudá-los. Não sabíamos se os uivos eram realmente deles, podia ser uma emboscada. Além do mais, eu era inútil, não tinha controle dos meus poderes, Perrie nem sabia o que era, Cameron só conseguia absorver emoções e Shawn era um luminoso — e estava de noite, logo estava naturalmente mais fraco. Os únicos que poderiam ajudar era Liz e Nash, mas Nash já falou que também não é tão bom como bruxo. Não podíamos deixar Liz ir sozinha, de forma alguma.

 

    Todos ficaram atentos ao horizonte e logo duas figuras apareceram na área iluminada. Provavelmente era Tae e Kook, mas era longe demais para que distinguíssemos. Eles corriam bem rápido, e assim que estavam mais perto, pudemos notar que realmente era eles.

 

    Nada seguia eles, mas provavelmente algo aconteceu na floresta. Corremos em direção a eles, mas antes que nós os alcançássemos, eles mandaram a gente voltar.

 

— Voltem! Vão para dentro! — gritou JungKook enquanto corria até a gente — Tem alguma coisa na floresta!

 

    Paramos de correr e viramos, correndo para dentro da escola. Eles nos alcançaram e fechamos as portas assim que eles entraram. Estavam arranhados e sujos de terra, além de estarem visivelmente cansados.

 

    TaeHyung caiu em uma das cadeiras que tinha ali naquela área, e era claro o quão cansado estava. Respirava bem alto e podíamos notar que estava sem ar. JungKook gemia de dor.

 

— Gente! A nuca dele! — gritou Perrie apontando.

 

    Todos olharam e na nuca de JungKook, tinha uma ferida enorme. Por algum motivo, era carne morta. Como se estivesse apodrecendo a dias nele. O sangue que escorria era preto e fedia, fazendo com que nós começássemos a ficar desesperados.

 

    Peguei o meu CDE no bolso e logo cliquei na chamada de emergência. Fui redirecionada para outra interface e rapidamente selecionei ajuda médica. Não demorou até que atendessem.

 

— Central de emergência médica, qual a urgência?

 

— Tem um aluno muito machucado aqui, tá com o sangue preto, precisamos de ajuda! Estamos na área perto da fonte! AGORA! — Comecei a me desesperar enquanto falava com ela.

 

    Não demorou para que a doutora SunMi e mais outros enfermeiros aparecessem no local.

 

— O que aconteceu?! — SunMi perguntou enquanto corria até JungKook.

 

— Ele foi para a floresta, alguma coisa perseguiu ele e ele voltou assim! — respondi desesperada.

 

    Assim que SunMi viu a ferida em sua nuca, foi visível o quão surpresa ela ficou, parecia ser algo de outro mundo.

 

— Precisamos levar ele para a minha sala! Agora! Não podemos ajudá-lo aqui! — Todos obedeceram SunMi e Shawn e Cameron carregaram JungKook até a sala dela.

 

    Assim que chegamos na frente da sala e entraram com JungKook, SunMi impediu que entrássemos também.

 

— Vocês ficam aqui. — disse parando em nossa frente — Ninguém pode saber do que aconteceu hoje, tá bem?! NINGUÉM!

 

— Mas como vamos ficar calados? Tem alguma coisa aí fora atacando lobisomens e não podemos avisar ninguém?! — Perrie perguntou um tanto brava.

 

— Se quiserem morrer, podem espalhar a notícia! Se querem ficar vivos, melhor ficarem calados! Eu já disse e vou dizer de novo: não se pode confiar em ninguém aqui. As paredes têm ouvidos.

 

    Ela se virou e a porta foi trancada assim que Shawn e Cameron saíram. Todos se olharam com medo. Ela não estava brincando com o que falou, e eu acho que ela estava do nosso lado. Mas alguma coisa conseguiu ferir gravemente um lobisomem alfa e tínhamos que ficar calados.

 

    No momento, tentava pensar o que poderia ter ferido JungKook daquela forma.

 

— O que pode ter machucado ele? O que correu atrás de vocês, TaeHyung? — Perrie perguntou com a mão nos cabelos.

 

— A gente tava procurando as coisas e escutamos alguma coisa se aproximando…


 

사랑이 우리의 마음에있을 때 인생은 더 달콤합니다

 

Narrado por Kim TaeHyung

        Minutos atrás




 

    



 

    Olhei para JungKook e ele parecia um tanto quanto perdido, mas não o julgaria porque eu também não fazia ideia de como faríamos aquilo.

 

— Onde a gente vai achar essas coisas? — perguntei olhando em volta.

 

— Sei lá, ainda mais que você decidiu que a gente viesse de noite. — resmungou JungKook.

 

— Os sentidos dos lobisomens ficam mais apurados à noite por causa da Lua e você sabe disso, então vai ser fácil da gente achar as coisas pelo cheiro. Escuro é só um porém, daqui a pouco a gente acostuma. — falei num tom otimista começando a andar em uma direção qualquer.

 

— Tá bom, então vamos logo. JiSoo me disse que achou algumas frutas aqui, então não deve ser difícil para gente achar mais. — disse JungKook e concordei com a cabeça.

 

    Andamos mais alguns metros e até o momento, não tinha sentido o cheiro de nada. Mas minha audição captou alguns ruídos a alguns metros de nós. Para avisar JungKook, sussurrei o mais baixo que pude, pois sua audição seria potente o suficiente para entender isso normalmente.

 

— Acho que tem algo atrás daquele arbusto. — Parei de andar no mesmo instante, e JungKook fez o mesmo.

 

    Ele olhou para mim rapidamente e voltamos a nossa atenção para o local. Não ouvi mais nada, mas JungKook parecia conseguir escutar algo, já que a audição dele era mais aguçada por ser uma alfa.

 

    Eu estava alguns passos atrás e fiquei parado enquanto ele se aproximava do arbusto. Logo um terceiro batimento cardíaco, que não era meu nem dele, chegou ao alcance da minha audição. Prestei atenção na frequência e arregalei os olhos.

 

    Todo lobisomem, por ter parte de lobo, sabe diferenciar as batidas do coração de cada animal. Em alguns casos, se pode saber que pessoa está perto só pelo coração. E aquilo era claramente o coração de um cervo pulsando, mas tinha algo estranho.

 

    Por algum motivo, os ômegas têm algo que os alfas não têm: um senso sobrenatural super apurado. Sabemos quando coisas estão erradas. E meu senso sobrenatural estava praticamente gritando no meu ouvido para sair correndo.

 

    Aquilo podia ser uma armadilha, e JungKook estava a menos de um metro dela.

 

— JUNGKOOK! CORRE! — gritei me virando e iniciando uma corrida.

 

    As folhas se mexeram e algo saiu de lá, mas não vi o que era. Começamos a correr e olhei para trás para ver o que era, mas estávamos em uma parte da floresta que era tão densa que as árvores sempre tapavam minha visão, além da escuridão que, apesar de eu já ter tido me acostumado, ainda dificultava tudo.

 

    Escutei um barulho como que algo tivesse sido lançado. Por instinto, me virei e tomei outra direção, mas acabei tropeçando numa raiz de árvore. Me levantei o mais rápido que pude e voltei a correr, dando uma grande volta para conseguir achar JungKook novamente.

 

    Consegui o avistar, mas vi algo acertar a nuca dele. Ele gritou de dor e caiu no chão. Corri até ele e o levantei, e percebi uma grande mancha vermelha em seu pescoço. Ele começou a suar muito de uma hora para a outra, e comecei a ficar preocupado com ele.

 

    Corremos até atrás de uma rocha e nos escondemos ali por alguns segundos, mas seja lá o que estava nos perseguindo, tinha nos visto e estava chegando perto.

 

    Estávamos num lugar apertado, uma espécie de gruta e a única coisa que conseguia ver era o olho dele brilhando no escuro. Não podíamos falar nada, ou seríamos achados. E se ficássemos calados, não conseguiríamos ajuda.

 

    Estávamos encurralados. Eu estava de costas para a saída e sentia a presença do que nos perseguia bem atrás de mim. Eu tremia, não só pelo fato daquilo ter nos achado, mas também por não ter feito nada ainda: como se estivesse esperando com que eu me virasse para que me atacasse.

 

    Me virei lentamente, e de repente, me deparei com uma mulher de branco, uma doutora.

 

— SunMi? — minha voz saiu fraca — O que está fazendo aqui?

 

    Olhei em volta e percebi que eu estava sentado em uma cama de hospital. Era tarde da noite quando a doutora SunMi foi até o meu quarto.

 

— Eu tenho notícias. — falou e se sentou em um banco em frente a cama.

 

    Olhei para ela e respirei fundo um tanto tenso com a situação. Passei muito mal esses dias, e não queria que fosse algo grave. Desde que caí da escada aquele dia, fiquei ainda mais fraco. Talvez eu estivesse com déficit de atenção, ou sei lá, não entendia muito sobre essas coisas.

 

— Desde que ficamos sabendo do seu caso, ficamos um tanto preocupados. Você bateu sua cabeça e isso pode ser muito perigoso, pode ter efeitos irreversíveis.

 

    Concordei com ela, e pelo visto, não era algo bom.

 

— E a boa notícia é que não aconteceu nada nessa queda, você deu sorte. A partir de agora, vamos precisar que você tenha mais cuidado enquanto faz as coisas, ok? — disse num tom otimista e dei uma risada para tentar me acalmar — Mas notamos algo de diferente nos exames. Achamos uma mancha estranha em você, e… Nossa pior suspeita é verdade.

 

    Fiquei olhando para ela. Não podia imaginar o que era. Talvez um traumatismo craniano? Mas ela mesmo havia dito que nada aconteceu com a queda. Então… era algo que estava ali antes da queda.

 

— E o que… O que é? — minha voz falhava de nervosismo.

 

— Você está com um tumor no cérebro. E é um tumor maligno… Você foi diagnosticado com câncer, TaeHyung, eu sinto muito.

 

    Tudo o que ela falou começou a ecoar na minha cabeça, e eu podia escutar a cada segundo a fala dela se repetindo, uma seguida da outra. Eu estava com câncer. Cobri meus olhos com minhas mãos trêmulas, e logo várias lágrimas começaram a escorrer.

 

— Eu não quero te enganar, mas… O diagnóstico foi feito muito tarde, então… — a voz dela era carregada de pena.

 

— Não precisa continuar. — a interrompi — Eu já sei.

 

    Eu chorava tanto que meus olhos ardiam. Meu corpo fraquejava e quando vi, estava deitado no chão, com terra na minha cara. Escutei um barulho muito alto. Olhei para o céu estrelado, e de repente, eu estava na floresta novamente.

 

    Tinha um vazio imenso dentro de mim. Lembrar daquilo não era fácil, as emoções se repetiam como se eu estivesse revivendo o momento. Voltei de vez à realidade assim que escutei um uivo alto rasgando o meu ouvido.

 

    Olhei para o lado e vi JungKook no chão, tendo um ataque. Ele se contorcia e batia no chão enquanto gritava por socorro. Meu olho se arregalou e corri até ele. Não sabia o que diabos era aquilo, mas fez a gente ficar paranóico.

 

— JungKook! JungKook! Pare de gritar! Aquilo vai achar a gente! — disse enquanto o balançava com força

 

    De repente, ele parou e pude ver seus olhos arregalados olhando para o céu. Ele olhou para mim repentinamente e me abraçou com a respiração ofegante, como se tivesse corrido uma maratona.

 

— Tae! Você me achou! — falou com a voz fraca no meu ouvido.

 

    Logo desfiz o abraço e segurei os ombros dele com força.

 

— Escuta! — Dei um tapa fraco em sua cara — Seja lá o que tenha acontecido com você, não foi verdade!

 

    Ele ficou em silêncio por breve segundos me encarando, e pareceu ter entendido.

 

— TaeHyung? O que aconteceu? — perguntou se levantando do chão.

 

— Não sei, aquela coisa que tava correndo atrás da gente fez isso. E ela ainda está com a gente. — falei com a voz mais baixa para não fazer muito barulho.

 

— TaeHyung, minha nuca. — disse ao ver sua mão suja de sangue.

 

    O virei de costas e logo vi uma ferida feia em sua nuca. Estava roxo, quase preto e não parava de escorrer sangue. Percebi que ele voltou a sentir dor daquele machucado esquisito.

 

— A gente precisa de pedir ajuda. — falei o virando de volta.

 

— Como? — ele perguntou.

 

    Nos olhamos e entendemos a ideia de cada um. Nos preparamos e uivamos o mais alto que conseguimos, começando a correr logo em seguida.

 

    Eu não sabia o que tinha nos perseguido, mas parecia ainda estar vindo atrás de nós lentamente. E aquilo não nos atacou, não fez nada. Quando ficamos frente a frente com aquilo, simplesmente tivemos alucinações.

 

    Por algum motivo, quando chegamos perto da luz, ele parou de nos seguir, como se tivesse medo da luz. Acabei vendo apenas um vulto correndo de volta para a floresta. Seja lá o que fosse, estava ali e podia atacar qualquer um.

 

    Depois que chegamos do lado de dentro, por algum motivo, enquanto todos cuidavam de JungKook, senti a sensação que o que quer que nos perseguiu, estava ali com nós. E eu era um ômega, meu senso sobrenatural não mentia: seja lá o que nos atacou, estava entre nós.

 


Notas Finais


E aí, gente? Gostaram?
Por que a Ariana é a única que não sente medo do Justin? E por que ele é diferente dos outros lobisomens?
O que vocês acham que atacou o JungKook e o TaeHyung na floresta?


O próximo capítulo vai sair na Quinta, vejo vocês lá!


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