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História Novo Velho Nome - Capítulo 3


Escrita por: Andorinha_do_Sudeste

Notas do Autor


Como é um AU onde o Han não morre, alguns acontecimentos em O Despertar da Força estão mudados. Sendo que Kylo nunca encontrou Han na Starkiller, ele não tirou a máscara, e não tirando a máscara, enfrentou Rey e Finn com ela.
Assim, Finn não reconhece seu rosto.

Capítulo 3 - (Re)encontro


     Caos.
     Caos é o que vemos ao entrar na base. Uma pequena multidão anda para todos os lados levando computadores e equipamentos para diversas mesas. Escutamos um burburinho preocupado inistinguivel. Mas consigo perceber que muitos falam sobre enviar um sinal para a orla exterior.
     De repente, percebo que Rey ainda está segurando minha mão. Sinto o calor se sua pele através do couro da minha luva. Ela olha pra mim e abre a boca como que para dizer algo, mas hesita. Eu decido tomar a frente.
     --- Eles querem enviar um sinal pra orla exterior. Provavelmente para pedir socorro e asilo aos aliados de lá.
     --- Eles têm aliados na Orla?
     --- Têm, não são muitos como eram a República... mas há simpatizantes.
     --- Isso talvez fosse o melhor a se fazer, se não houvesse uma bomba relógio em nossas mãos. Precisamos tirar eles daqui, agora.
     --- Você está certa. Precisamos contatar os líderes.
     Limpo minha garganta. Os líderes. Minha mãe. Eu vou ter que vê-la. Não é questão de querer ou não, é simplesmente a necessidade da situação. Meu pai estará aqui ou na Falcon? A Falcon está aqui? Se a resposta for sim, nela há espaço para transportar a pequena quantidade remanescente da Resistência.
     Começamos a andar para o meio do frenesi. Ninguém se importa com nossa presença, estão ocupados demais tentando enviar o sinal. Rey vai me guiando pela mão como se eu fosse uma criança pequena, e como se eu pudesse fugir a qualquer...
     --- Rey!!!
     --- Finn!
     Um jovem negro vem em nossa direção, e o reconheço quase que instantaneamente. É o traidor. Aquele que eu quase parti a coluna ao meio na floresta. Ele e Rey se abraçam com força, não consigo dizer se ela está chorando ou não.
     --- Você nos achou! --- diz Finn.
     --- Longuíssima história, mais tarde te conto.
     --- Mas como? O rastreador estava na nave do Snoke até agora a pouco.
     --- Eu disse, longa história, mas quero que conheça alguém.
     Limpo a garganta, sou eu.
     --- Finn, esse é Ben, ele me ajudou a escapar da Nave do Snoke.
     Me ignorando completamente ele se vira surpreso e diz:
     --- Você estava na nave do Snoke também?!
     --- Espera, o que você estava fazendo lá?!
     Não tenho ideia se ela pretende contar tudo que aconteceu em um momento como ele. Mas meu corpo congela perante o que vejo a uns 30 metros de mim.
     Leia e Han Solo.
     Sinto uma grande náusea crescendo dentro de mim. Não posso fazer nada mas dar meia volta. Ando até achar um lugar calmo o suficiente e sento junto a parede.
     Patético. Sou patético.
     Sou fraco o suficiente para não conseguir ver duas pessoas. Minto para mim mesmo. Não são só duas pessoas, são meus pais. Aqueles a quem eu virei as costas e destrui tanta coisa a que eles amavam.
     Não sei quanto tempo passa, mas fico lutando entre flashbacks, mentiras que crio e planos para encará-los. Quando de repente a voz de Rey se aproxima de mim.
     --- Ei, você está bem?
     --- Não consigo. Não consigo ver eles. Sou fraco.
     --- Consegue sim! Olha até onde chegamos, você consegue Ben.
     Dou um tapa no meu próprio rosto. Busco o olhar dela. Ela tem um olhar que poderia curar qualquer doença ou encorajar o mais covarde dos covardes, o qual talvez seja eu.
      Me levanto e sigo para a direção que temo.
     Meus passos são lentos, mas constantes. Sinto que se for mais rápido minha sanidade não vai conseguir acompanhar.
     Abro caminho por trás da multidão.
     Minha mãe está conversando com uma mulher, tem um semblante preocupado e...
     O semblante cai.
     Ela me vê.
     Meu pai segue o olhar dela, e me encontra também.
     Não sei se paralisei-me, mas quando percebo minha mãe está vindo em minha direção e cai. Está chorando. Corro imediatamente para ela e me abaixo para prestar ajuda a ela.
     Ela me abraça. Forte.
     E eu a abraço de volta.
     Quase a metade da minha vida eu passei sem esse abraço. 14 anos. Como eu sentia falta. Falta dela, de seu toque, de seu abrigo, de seu amor. De repente, sinto algo quente em minhas bochechas, são lágrimas. Mas eu honestamente não me importo mais se são minhas ou dela.
     Mansamente, se soma um abraço. Meu pai. Eu o escuto chorar. Mas em seguida me surpreendo com um soluço meu.
     Minha família. Eu pertenço aqui, sempre pertenci. Fui enganado a achar que aqui seria minha fraqueza, quando na verdade a única coisa que sinto aqui é força.
     Não sei quanto tempo permanecemos ali, até minha mãe quebrar o silêncio.
     --- Ben...
     --- Mãe.
     --- Você voltou pra casa.
     --- Matei Kylo Ren, mãe. Eu voltei.
     Meu pai me puxa exclusivamente para ele.
     --- Eu sinto muito, filho! --- diz ele, chorando baixo.
     --- Pai --- respiro para continuar --- se formos falar sobre o que lamentamos não vamos terminar nunca.
     --- Você tem razão.
     Do nada, um estrondo se faz na base.
     A Primeira Ordem chegou em Crait. Não temos tempo.
     --- Gente, maravilhoso esse momento de vocês, não entendi nada, mas fico feliz que vocês três estejam felizes. Mas não temos tempo! --- diz energicamente um homem que reconheço, reconheço de uma sessão de tortura.
      --- Você está certo. Estão o quão perto daqui?!
     --- Uns 10 quilômetros.
     --- Temos que sair daqui agora! Não há tempo para esperar ajuda.
     --- Não há saídas naturais nessa caverna. A única saída é a porta da frente. --- diz uma voz que eu preferia não ouvir. Nunca mais. Luke.
     Nos encaramos, e de repente sinto todo o lado sombrio se envolver em mim. Ódio, rancor, sofrimento. É tudo o que ele me remete.
     Antes que eu abrisse a boca, ouço outro estrondo.
     Seja lá o que eu quero dizer a Luke, não é digno do tempo. Dou um olhar mortal a ele e me volto a minha mãe.
     --- Quantas pessoas têm aqui?
     --- Trinta e Seis --- ela diz com um semblante triste.
     Além de estar na frente da base, totalmente desprotegida dos tiros, a nave do Snoke comportaria no máximo vinte pessoas. Me viro para meu pai e pergunto:
     --- E a Falcon?
     --- o Chewie estacionou numa montanha a sudoeste daqui. Não tem como chegar lá.
     --- A quanto tempo mandaram os sinais pra Orla Exterior?
     --- Há uns quinze minutos --- responde minha mãe.
      --- Não virão a tempo --- concluo
      --- Gostei desse cara! --- diz o piloto que torturei, tentando diminuir a tensão. Se ele ao menos soubesse quem sou...
      --- Pessoal! --- grita Rey vindo do fundo da base
     --- Finn me contou sobre não haver saídas. Mas acontece que há uma. Em potencial.
     --- Defina em potencial Rey --- pede minha mãe.
     --- Creio que era uma abertura da caverna. Mas está fechada com pedras. Os únicos vãos são pequenos demais para se passar pessoas.
     --- E como você planeja passar por esses vãos?
     Ela olha para mim. Sim, eu já entendi a ideia dela. Ela quer levitar as rochas. Se conseguirmos abrir caminho, poderemos ter acesso e fugir na Falcon.
     --- Vamos então --- digo.
     Corremos para o local que ela guia. Provavelmente só minha mãe entendeu o que vamos fazer. Após duas curvas vejo o que ela descreveu. Aquilo deveria ser uma entrada da mina, mas está tampada com pedras gigantes, impossíveis de mover manualmente. Isso é trabalho para a Força.
     --- Você sabe como funciona isso? --- pergunto para Rey.
     --- Eu acho que sim --- ela responde.
     --- Ok. Se concentra no que vê e no que não vê. Sinta o peso das pedras. Sinta o ar fresco que há do lado de fora. Concentre seus instintos e intuição, pois eles não te abandonaram até agora.
     Sem que eu sequer me esforçasse, as pedras já começam a se mover. Ajudo ela fazendo a minha parte. E em questão de meros segundos a há luz e uma abertura para todos passarem.
     --- O que?! --- se espanta o piloto.
     --- Vão logo! --- Rey e eu ordenamos em uníssono.
     Todas as 30 pessoas correm com seus equipamentos para fora da mina. Meu pai fala com Chewie pelo comunicador perguntando se ele pode estacionar mais perto de one estamos.
     Em questão de cinco minutos a Falcon está em nossa frente. A lendária nave. Havia me esquecido o quão grande ela era.
     Ajudo minha mãe a subir com a bengala, enquanto Rey e meu pai ajudam a carregar os equipamentos pra dentro da nave. Não havia percebido o quanto minha mãe havia envelhecido, apesar do espírito inabalável, ela parece frágil.
     Eu perdi muito tempo, não vou perder mais nenhum.

Notas Finais


Me digam o que estão achando :)


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