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História Novocaine - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Quebrado


Aviso: esse capítulo não tem a menor intenção de fazer uma apologia ao uso de drogas, pelo contrário, o intuito é mostrar as consequências negativas. 

 

3 MESES DEPOIS - DEZEMBRO DE 2019

 

POV Michael

 

Acordo com o som da campainha e minha porta sendo derrubada. Demoro um pouco para processar que preciso sair da cama e atender. Me sento, olhando para o relógio - ainda são nove da manhã, pelo amor de Deus...

— Consegui — Hayley diz quando abro a porta; sua voz sai abafada pelo pirulito de morango preso em seus lábios. Ela me empurra e entra de uma vez no apartamento - parece ofegante e seu rosto está vermelho.

— Conseguiu o que, docinho? — digo, abotoando a calça que coloquei com pressa enquanto corria para atendê-la. Ela odeia que eu a chame assim e geralmente me dá um soco ou bufa, mas dessa vez não reage. Deve ser realmente importante.

Ela pega o pirulito, dando uma última lambida antes de mordê-lo e continuar:

— Jonathan Ward. Consegui encontrá-lo... O que foi muito difícil, o cara é uma maldita ilha. Não existe absolutamente nada online sobre ele. Não tem telefone fixo ou celular... só o localizei hackeando o sistema dos correios.

Suas palavras fazem meu corpo inteiro ficar paralisado, em choque. Eu a contratei para isso, mas não tinha mais esperanças nenhuma...

Ela se joga no sofá, com a respiração descompassada.

— É sério?

— Sim, Michael. Nós conseguimos. — Hayley abre um sorriso, me contagiando. Me abaixo e pego seu rosto entre as mãos, selando seus lábios por longos segundos antes de me afastar, tirando os cabelos quase loiros do seu olho.

— Puta que pariu — começo a andar de um lado para o outro em sua frente. — Onde ele está?

— Em Raymond... no Condado de Madera. A gente consegue chegar ainda hoje, fica a menos de três horas. Se você quiser...

Eu assinto, com as duas mãos no rosto, ainda sem acreditar. Não sei o que esperar... talvez ele se lembre de mim quando me ver. E me explique tudo. Jonathan me abandonou, eu espero que haja uma explicação razoável pra isso...

— Você vem junto? — pergunto. Ela assente, se levantando. — Então vamos.

— Preciso pegar umas coisas no meu carro, te espero lá embaixo.

Vou para o banheiro lavar o rosto e escovar os dentes - ainda meio anestesiado com a notícia. Acho que só vou acreditar quando vê-lo em minha frente. Me visto e pego algumas roupas de reserva, além de um pouco de dinheiro.

Desço para o estacionamento e Hayley já está me esperando na frente da Pam. Ela está segurando algumas coisas na mão - incluindo um taco de baseball de metal, apoiado no chão.

— Você carrega isso no carro? — digo, abrindo a porta do passageiro.

— Nunca se sabe quando eu vou precisar...

Ela se inclina e beija meu queixo antes de entrar, empurrando o banco para trás, ficando praticamente deitada. Quase quatro meses com Hayley e ainda não tenho ideia do que nós somos um do outro. Somos muito íntimos para nos rotularmos como "só amigos", mas não o suficiente para "namorados". De qualquer forma, quem se importa...?

Amarro os cabelos num coque improvisado com um elástico antes de dar a partida e dirigir pelas ruas. Hayley liga o som e fica em silêncio enquanto saímos de Monterey, com os olhos fixos na estrada. Tamborilo os dedos no volante sem parar, ansioso.

Ela acaba dormindo quase o caminho todo, com o boné no rosto, até que a acordo com um beliscão no braço quando estamos a trinta minutos de Raymond - que não é exatamente uma cidade, mas algo mais próximo de um distrito da Califórnia. A placa diz que o lugar tem menos de mil habitantes...

— Estamos quase lá.

— Oh... — ela coloca o boné virado para trás e torce o nariz, abrindo outro pirulito que estava em seu bolso. — Estou com fome.

Ela está sempre com um desses na boca - um dos motivos pelo qual a apelidei de docinho. Seu beijo é sempre doce e deixa um gosto de quero mais…

— Deve ter alguma coisa por aqui — digo, olhando ao redor. A cidade parece uma daquelas que a gente vê em filmes do velho Oeste…

Quando encontro uma cafeteria, que também é um restaurante, Hayley pega meus óculos escuros presos no retrovisor e coloca em seu rosto - ficam grandes demais, mas ela não parece se importar. Nós entramos no lugar e todas as pessoas se viram para nos encarar, como se fôssemos alguma atração.

Nos sentamos - ainda sob olhares curiosos - e ela pede uma espécie de brunch do dia, com panquecas, bacon, ovos e batata frita. Pego só um café preto. Estou muito ansioso e sei que meu estômago não vai colaborar.

— Eu não sei como você é tão gostosa... comendo desse jeito. Pra onde isso tudo vai?

— Você quer mesmo saber? — diz, tomando um gole de suco. Eu engasgo com meu café, rindo. — Não seria agradável falar enquanto como, mas...

— Já entendi, Hayley. Cala a boca e come.

Ela devora tudo em poucos minutos. A garçonete volta com a conta e eu aproveito para perguntar se ela conhece algum Jonathan Ward na cidade.

— Oh… claro. Todo mundo conhece todo mundo por essas bandas. — Ela se vira para a porta de vidro, apontando para frente. — O Jonathan mora numa cabana lá no meio da floresta, é só seguir a estrada de terra que você vai ver quando chegar, não tem como errar.

— Muito obrigado... — sorrio, me levantando.

— Ele nunca recebeu visitas antes... vocês são o quê? Parentes?

— Amigos antigos — Hayley responde, colocando o boné de volta.

A moça dá um sorriso doce enquanto recolhe nossos pratos e diz:

— Claro... tenham um bom dia. Você formam um casal muito bonito...

Ela se engasga do meu lado e dá uma risada meio histérica.

— Nós não...

— Não somos um casal... ainda — dou uma piscadinha para a mulher, sussurrando a última palavra.

Saímos do restaurante e caminhamos até o carro, lado a lado. Quando entramos, me viro para ela e fito seu rosto de um jeito desconfiado.

— O quê? — ela diz, arqueando as sobrancelhas, com os olhos esverdeados analíticos de sempre.

— Não precisava rir daquele jeito... — ela bufa, se encostando no banco. — Eu tenho sentimentos, moça. É tão ridícula assim a ideia de nós dois juntos?

— Só liga o maldito carro, Ward.

Consigo ver sua cara fechada lutando para segurar um sorriso.

Dirijo por mais alguns minutos até atravessarmos a estrada de terra que corta uma área cheia de árvores. Não há ninguém ali, parece deserto. Ao longe, avistamos uma pequena casinha numa clareira. Mas a estrada termina bem antes, então o carro não vai passar lá.

— Vamos ter que andar... — Hayley diz, colocando o corpo pra fora da janela para olhar melhor.

Eu encosto o carro na lateral e nós saímos - ela leva o taco de baseball junto, dizendo que poderíamos ser atacados por um urso ou alguma coisa assim. Essa garota tem sérios problemas. Caminhamos por entre as árvores até chegarmos na cabana de madeira, que parece abandonada.

As paredes estão arranhadas e o quintal, repleto de bagunças. Tem peças de carro desmontadas por todo o lugar, bicicletas velhas e várias cadeiras enferrujadas. Parece mais um ferro velho que uma casa...

Hayley fica no quintal, olhando ao redor da propriedade enquanto subo na pequena varanda e bato algumas vezes na porta, mas ninguém responde. Bato de novo. Dessa vez consigo escutar os passos pesados que se aproximam, rangendo o  chão de madeira lá dentro.

— O quê? — sua voz ríspida ecoa e ele abre a porta. Apesar de estar mais velho, com alguns cabelos brancos, consigo reconhecer os olhos de Jonathan. Suas roupas batidas e largas o deixam com uma aparência mal cuidada, mas ainda assim. É ele.

Seu olhar sério me esquadrinha de cima a baixo até ele abrir um sorriso e começar a dar uma risada fria. Me afasto um pouco, ainda o encarando. Talvez ele esteja louco… é uma possibilidade.

— Júnior?

— Hã... sim. Sou eu, Jonathan... — não sei como eu devia me sentir. Talvez devesse estar feliz. Ou com raiva. Mas não sinto nada além de indiferença.

Ele balança a cabeça negativamente, com um sorriso irônico no rosto e faz sinal para que eu entre. Olho para trás e vejo que Hayley continua andando pelo lugar, atenta. Caminho para dentro da sala - que não é muito diferente da frente da casa - e me sento no sofá velho e rasgado, depois de desviar das roupas e sapatos jogados no chão.

— O que você quer aqui, garoto?

É claro que me iludi pensando que teria uma recepção calorosa - talvez um abraço. Mas tudo bem. Direto ao ponto então.

— Eu sou seu filho... por que você fez aquilo? Você estava devendo pra alguém?

Ele dá uma risada curta, se sentando na mesa de centro de frente para mim.

— Eu não te abandonei por causa do meu vício em jogos, Júnior... — sua voz é carregada de um desdém que me assusta. — Eu te abandonei por causa da vagabunda da sua mãe.

Cerro os punhos com força e preciso contar até dez para não dar um soco na cara amarela dele.

— Não diz isso da minha mãe...

— Você nem sabe da história, garoto. E já está defendendo aquela vadia... — ele se inclina, colocando o rosto próximo do meu. Consigo sentir o álcool em sua respiração e meu estômago revira. — Acontece que ela me traiu com um filho da puta por vários anos... só descobri quando encontrei uma carta que ela ia mandar pra ele. E sabe o que dizia na carta? Que ela estava grávida do tal Roy.

— Você não...

— É, garoto. Eu não sou seu pai. Nunca fui. O maldito Roy Donaldson é seu pai... bom, era. Ele morreu de infarto há alguns anos... — seu sorriso cínico ao dizer isso me causa repulsa. — Te dei meu maldito nome e você nem era meu filho. Sempre foi fruto da traição nojenta daquela desgraçada...

— Eu era só uma criança! Não tinha culpa de nada daquilo... — me levanto, encarando-o de cima. — E você era tudo o que eu tinha.

A raiva emana do meu corpo e eu caminho para o final da sala, dando um soco na parede que faz meus dedos latejarem. Sinto algumas lágrimas se formando, mas me recuso a deixá-las cair. Não na frente dele.

— Eu fui maltratado, espancado e humilhado em vários orfanatos durante dez malditos anos — digo, puxando Jonathan pela gola da camiseta e o erguendo na parede. Ele continua exibindo seu sorriso repugnante. — Quando saí, passei um mês morando numa porra de um abrigo, no meio de mendigos e viciados, até receber meu primeiro salário e conseguir pagar um lugar... tudo porque você foi um filho da puta.

— Não é minha culpa, Júnior, e sim da cadela da sua mãe.

— Você tinha uma escolha. Podia ter ficado comigo. Eu era um garoto inocente e assustado...  foi a porra da sua escolha — grito tão alto que sinto minha garganta arder.

Dou um soco em seu queixo e sinto a mandíbula dele se deslocando em meus dedos. Ele cospe um pouco de sangue no chão e me empurra, fazendo com que eu caia no sofá. Para em minha frente e dá um tapa no meu rosto antes de falar, com o dedo indicador apertado em meu peito:

— Eu não sou nada seu, seu merdinha. E você não é a porra do meu filho. Não te devo nada, nunca devi. Agora sai da minha casa antes que eu quebre esse seu rostinho arrogante. Volta pra sua vida de merda e não me procura nunca mais... eu não sou seu maldito pai.

Trinco os dentes e me levanto de uma vez, empurrando-o para o lado. Ele cai no chão de costas em um baque e dá um gemido de dor. Saio pela porta, batendo com força. Respiro fundo, tentando conter toda a merda que está acontecendo dentro de mim agora. Olho para minha mão, que está tremendo e fecho, apertando até sentir as unhas cravadas na minha palma.

— Mike... eu... — Hayley para em minha frente, com uma expressão preocupada. Ela provavelmente ouviu tudo, já que estávamos gritando pra caralho.

— Tudo bem... tô legal. — digo, me virando e caminhando de volta para o carro.

Voltamos para Monterey em um silêncio sepulcral. Hayley me lança alguns olhares preocupados de vez em quando e vejo que ela quer muito falar alguma coisa, mas - para o meu alívio - continua sem dizer nada.

 

— Mike, eu posso ficar... — diz em uma voz baixa, colocando a mão em meu ombro. Continuo entrando no apartamento, sem olhar para ela.

— Não... só preciso ficar sozinho. Valeu, Hayley.

— Qualquer coisa me liga, ok?

Não respondo. Caminho até a sacada em passos lentos e a escuto fechando a porta depois de um tempo. Apoio os cotovelos no parapeito, olhando para a cidade que começa a escurecer e passo os dedos pelos cabelos, fechando os olhos. Eu queria que ele estivesse vivo. Por puro egoísmo meu, suponho. Por não querer ficar sozinho. Precisava que ele estivesse lá... e, de certa forma, ele estava. Agora, no entanto, acho que seria melhor que Jonathan estivesse morto.

Sei que tenho alguns amigos e os considero minha família... mas não é a mesma coisa...

Memórias da minha infância começam a invadir minha mente sem que eu consiga controlar. Jonathan me abandonando. As pessoas dos orfanatos me tratando feito um pedaço de merda, as humilhações, as agressões... sinto uma dor no peito, mas é algo interno e não físico. É aquela dor que sentimos quando perdemos algo que amamos, como se seu interior estivesse sendo rasgado no meio e não há nada que se possa fazer.

— Foda-se… — minha voz preenche o apartamento silencioso.

Ergo o rosto, respirando fundo e atravesso a sala até a porta. Desço pelas escadas, me certificando de estar com a carteira no bolso. Caminho algumas quadras até chegar na fábrica abandonada. O lugar está todo escuro, mas consigo ver algumas figuras espalhadas. O cheiro de fumaça invade minhas narinas enquanto passo pelo portão quebrado. Ergo o capuz do moletom por baixo da jaqueta de couro e olho para o chão enquanto atravesso o pátio.

Alguns caras me olham torto, com as mãos enfiadas no bolso dos moletons gigantes e eu apenas continuo andando, de cabeça baixa, até encontrar um antigo amigo, por assim dizer.

— Ei, Mike! Quanto tempo, cara... — ele abre seu sorriso amarelo, exibindo um dente de prata no meio da barba longa e espessa que cobre quase o pescoço inteiro.

— E aí, Blitz... — estendo a mão, cumprimentando-o com um soco leve.

— Speedball não é? Se me lembro bem...

Isso é o que eu costumava comprar há alguns anos. Se eu usar isso agora, depois de todo esse tempo limpo, vai dar uma merda gigante. É basicamente uma mistura de coca e heroína que te deixa chapado pra caralho, mas também é fodidamente perigosa.

— Hoje não, cara. Quer me matar, porra? — digo; ele ri, olhando para os lados, desconfiado. Eles sempre ficam atentos à alguma batida policial surpresa. — Me vê uma erva.

— A velha Mary Jane?

Não. Acho que maconha não é forte o suficiente para me ajudar nesse momento.

— Aí você me ofende... — ele ladeia um sorriso, retirando um tablete de haxixe do bolso. — Agora estamos falando a mesma língua.

Pego o pacote, entregando uma nota de cem, que ele guarda numa velocidade surpreendente, honrando sua fama. Blitz é conhecido pela agilidade com as mãos. Ele ganhava a vida batendo carteira por aí - o que eu acho que ainda faz.

— Te vejo por aí, Mike...

Aceno com a cabeça, me afastando. Enfio o tablete no bolso interno da jaqueta e saio do lugar o mais rápido possível. Algumas gotas finas de chuva começam a cair e um vento cortante faz meu corpo tremer de frio durante o caminho de volta.

Entro no apartamento e abaixo o capuz, indo direto para o guarda-roupas. Pego uma caixa no fundo, bem escondida, onde guardei meu antigo vaporizador - que está aposentado há alguns anos. Me sento no sofá, com as pernas abertas e coloco um pouco do haxe.

Dou o primeiro trago e me afogo, tossindo algumas vezes - tinha esquecido de como essa coisa produz fumaça. Inalo pela segunda vez, sentindo meus pulmões se expandirem. Aumento um pouco a temperatura e sinto o efeito rápido da erva no terceiro bafo. Me encosto no sofá, fitando o teto branco com os olhos vidrados e o corpo completamente relaxado. Toda a dor que eu estava sentindo parece desaparecer, pelo menos por enquanto...

 

Flashback

— Você foi o melhor que eu vi nos últimos dias... se quiser, a vaga é sua — Castiel diz, me devolvendo minhas baquetas.

— Porra... sério?

Ele assente, dando um sorriso mínimo.

Sempre gostei de tocar bateria, é um jeito de liberar minha tensão... vi seu anúncio no bar em que trabalho servindo drinks à noite e, sinceramente, não esperava ser escolhido. Vim na sorte. Parece que finalmente a vida sorriu para mim ao invés de me foder...

— Com uma condição — ele diz, franzindo o cenho.

— Qualquer uma cara, faço o que você quiser.

Porra, espero que ele não me peça um boquete ou algo assim.

— Você vai parar com qualquer merda que estiver usando.

Engulo em seco, arregalando os olhos.

— Eu não... — digo, gaguejando um pouco.

— Nem se dê ao trabalho. Vi as marcas no seu braço enquanto você tocava. É o quê? Heroína?

— E coca... às vezes um baseado.

Castiel respira fundo, me encarando com os olhos frios.

— Se quiser entrar pra banda vai parar com tudo.

— Tudo bem...

— E se um dia você voltar a usar, tá fora.. não tô brincando. Não quero nada dessa porra por perto.

— Claro. Vou parar — me sento na banqueta da bateria, olhando para os pés, um pouco envergonhado. — Eu comecei com um tiro de cocaína à noite... trabalho o dia todo lavando pratos, mas o salário é uma merda e mal paga meu aluguel. Tive que arrumar um trampo numa boate de madrugada e era o único jeito de me manter de pé.

— Não estou te julgando... e a gente não vai fazer um rio de dinheiro, então você pode ficar na minha casa por um tempo. Tenho um quarto sobrando.

— Valeu, cara.

Ele dá alguns passos em minha direção e para na minha frente, estendendo o braço.

— Um deslize, Michael, e você tá fora — me levanto e aperto sua mão, concordando.

 


 

" Golden child,

Lion boy;

Tell me what it's like to conquer.

Fearless child,

Broken boy;

Tell me what it's like to burn."

—  oh darling, even rome fell 



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