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História Now United: New Harmony - Interativa - Capítulo 13


Escrita por: , HG_Galahad e Catra_dora


Capítulo 13 - Primeiro Passo


Fanfic / Fanfiction Now United: New Harmony - Interativa - Capítulo 13 - Primeiro Passo

 Primeiro Passo

Certas ideias são melhores na teoria do que na prática, Nicholas notou naquele momento. Quando os membros da formação original do Now United sugeriram um jantar de comemoração naquela noite, a euforia ainda estava inebriando suas mentes e todos eles, mesmo os mais introvertidos do novo grupo, haviam aceitado quase imediatamente.

Então, os vinte e oito deles, um grupo que definitivamente havia recebido mais do que apenas alguns olhares, haviam combinado de encontrarem-se em um restaurante próximo ao local em que haviam feito a maioria dos testes ao anoitecer. A ideia era que todos estivessem um pouco mais calmos, após terem um tempo para si mesmos e para informar às suas famílias as boas notícias.

Inicialmente, enquanto o grupo completo estava ali, as coisas haviam fluído de forma suave. Os membros antigos do grupo haviam dado conselhos e compartilhado histórias, além de darem nova vida à conversa cada vez que ela parecia enfraquecer em qualquer ponto da mesa. No entanto, assim que os quatorze decidiram se retirar, para o que todos eles sabiam ser a despedida particular deles, as coisas começaram a ir na direção errada.

Embora houvessem alguns membros notavelmente extrovertidos em seu grupo, não tardou muito para que até mesmo eles acabassem se calando ao perceber o extremo silêncio na mesa. A atmosfera na mesa, que até então havia sido descontraída e alegre, tornava-se mais desconfortável com o passar dos minutos, e ainda assim, nenhum deles parecia saber exatamente o que dizer.

Era quase como se eles estivessem notando pela primeira vez que eram quatorze pessoas, criados em países e culturas completamente diferentes, que se conheciam há apenas poucos meses e seriam forçados a interagir constantemente, além de terem que trabalhar juntos a partir dali. Alguns deles provavelmente estavam, e ele tinha que admitir que aquela realização era o suficiente para merecer ao menos alguns instantes de silêncio de qualquer um. Conforme os minutos em silêncio se estendiam, no entanto, ele percebia que a tensão, que havia sido quase inexistente no início da noite, apenas crescia.

Ele queria, desesperadamente, encontrar uma forma de amenizar a tensão, mas ainda não sabia exatamente como fazê-lo. Pelo que podia ver a maioria deles parecia estar preso em seus próprios pensamentos ou nos grupinhos com os quais haviam interagido constantemente nos últimos meses, o que ele imaginava não ser uma tática muito saudável visto que teriam que interagir com todos os demais pelo resto da duração do contrato.

— Você também notou que estamos cercados de antissociais? — Ele olhou para Juan, provavelmente o mais extrovertido entre todos eles, que parecia ainda mais incomodado do que ele pelo súbito silêncio na mesa. — Eu tenho medo de que eles sejam contagiosos. Pobre Jayden tinha um futuro tão promissor pela frente... — Ele confessou, olhando para onde Jasper estava sentado em total silêncio ao lado de Anthony.

— A situação realmente não é ideal... — Ele respondeu, incerto sobre como reagir sobre a última parte da fala alheia. — Você tem alguma ideia de como quebrar o gelo?

♫♪♬

Embora nem todos soubessem disso, principalmente visto há quão pouco tempo se conheciam, Selena era uma pessoa observadora. Como tal, não foi nem um pouco difícil perceber que o clima estava cada vez menos ameno na mesa ou que alguns deles estavam bem mais incomodados que os demais com esse fato.

Seus pensamentos poderiam ter se voltado a uma maneira de tentar melhorar a situação, no entanto sua atenção foi logo atraída para um outro ponto. Sentado diretamente à frente dela na mesa, Casper, o belga do grupo se ela estivesse lembrando corretamente, parecia fazer exatamente a mesma coisa que ela, ao analisar o ambiente e as pessoas ao seu redor.

Ele pareceu perceber quase imediatamente que era o alvo do olhar dela, e foi rápido em retribuí-lo. Selena ofereceu-lhe um breve aceno e um sorriso suave, tentando estabelecer que não estava exatamente encarando-o, apenas havia sido tomada por sua curiosidade. Ele era, afinal, uma das pessoas ali reunidas com as quais ela provavelmente nunca havia trocado mais do que algumas poucas palavras.

— Olá! Eu acho que ainda não nos apresentamos, eu sou Selena. — Ela cumprimentou, percebendo rapidamente que ele provavelmente era um pouco, ou talvez muito, mais tímido do que os demais garotos selecionados com os quais ela havia interagido até então.

— Casper. — Embora as poucas palavras normalmente pudessem tê-la desanimado, ou feito com que ela buscasse uma outra pessoa, talvez alguém que parecesse menos recluso, para interagir com, o breve sorriso que o garoto lançou na direção dela foi uma surpresa agradável. — Está gostando da noite?

Ela estava honestamente surpresa com o fato de que ele havia decidido ter a iniciativa de dar continuidade à conversa. Pelo que havia observado não era algo que ele normalmente faria, então ela decidiu que simplesmente não poderia desperdiçar a oportunidade de fazer uma nova amizade.

— Muito. Principalmente depois de falar com minha família. — Ela respondeu, um sorriso em seus lábios ao lembrar das reações deles diante da notícia, que foram o suficiente para deixá-la ainda mais contente e certa de que havia tomado a decisão certa ao escolher participar da seleção. — E você?

— Eu não gosto tanto de sair, mas a noite está surpreendentemente agradável. — Ele respondeu, parecendo surpreso com o quão honestas suas palavras haviam sido.

— Como sua família reagiu ao saber? — Embora a pergunta houvesse sido completamente normal para ela, a postura dele tornou-se completamente tensa assim que ele escutou o questionário. Por um instante ela se perguntou se havia cometido algum erro horrível, ao não considerar a possibilidade de que ele não tivesse qualquer família próxima ou não tivesse uma relação tão boa com eles.

— Meu tio ficou realmente feliz. — Ele respondeu após alguns segundos de consideração, e ainda assim não soava como se tivesse total certeza a respeito da resposta. Pelo olhar dele, Selena estava certa de que ele buscava algum tipo de aprovação, então ela apenas assentiu com um novo sorriso. — Eu acho que ele estava mais confiante de que eu tinha alguma chance do que eu...

— Eu entendo, meu pai provavelmente tinha certeza que eu já estava dentro do grupo no instante em que eu fiz o primeiro teste.

O sorriso dele pareceu aumentar um pouco, algo pequeno e quase imperceptível, mas Selena era uma pessoa observadora e aquele pequeno gesto parecia o mais brilhante sinal de que ela tinha uma possível nova amizade bem a sua frente.

♫♪♬

Se alguém perguntasse para Thaís se ela se identificaria como uma pessoa curiosa, sua resposta seria definitivamente um não. Ela apenas gostava de entender o que estava acontecendo ao seu redor, e, por isso, é claro que não poderia evitar notar que o garoto sentado ao seu lado estava constantemente olhando para o outro lado da mesa, como se estivesse desejando estar lá em detrimento de onde estava.

— Para quem você tanto olha? — Ela questionou, seus olhos vagando para onde o outro estava olhando, mas não encontrando uma resposta concreta. O garoto ao seu lado, Anthony ela achava, pareceu assustado e envergonhado ao mesmo tempo, arregalando seus olhos e abaixando o rosto para esconder a vermelhidão que se instalara ali.

 — O que? — Ele perguntou, controlando sua voz e tentando normalizar sua expressão, provavelmente esperando que ela não tivesse percebido a reação dele. — Eu não estava...

— Certo, eu acredito em você. Para quem você não estava olhando?

Talvez a piada não tivesse sido tão boa, mas o olhar de pura indignação que ela recebeu do garoto definitivamente valeu à pena. A expressão dele só tornava-se ainda mais engraçada conforme ela tentava decifrar perto de quem, exatamente, ele queria estar naquele momento. O garoto parecia ser do tipo quieto, então definitivamente a companhia pela qual ele aspirava não era a de Juan, então provavelmente um dos garotos sentados perto dele, Nicholas e Casper, nessa ordem ou não.

— Ei, não precisa ficar desse jeito, eu entendo querer sentar perto de alguém com quem você já tenha pelo menos falado antes.

Ele apenas olhou para ela, ainda um tanto envergonhado ela podia imaginar. Talvez ela devesse ter pensando em um jeito menos constrangedor de iniciar uma conversa com o garoto claramente tímido sentado perto dela, mas a oportunidade havia sido conveniente demais para ignorar e, além disso, já não havia mais como mudar o que já estava feito.

— Se você quiser eu posso pedir para que o Juan troque de lugar com você. — Ela sugeriu, tentando se redimir para com ele. E, talvez, descobrir perto de quem ele queria sentar.

— Você não precisa fazer isso... — Ele murmurou, olhando para ela como se implorasse para que ela ficasse quieta. E, por mais cabeça dura que a brasileira fosse, ela conseguia entender que aquele era o momento de parar.

Ela não sabia se ele estava com raiva, entristecido, ou se simplesmente preferia não demonstrar reações na frente de quase desconhecidos, mas ela imaginava que a falta de expressão dele não era um bom sinal. Muito provavelmente significava que, mesmo sem nenhuma intenção, ela havia cruzado algum limite com ele, e ela sabia o que deveria fazer por causa daquilo.

— Eu sinto muito se pareci... indelicada. Realmente não foi a intenção. Eu só queria achar um assunto para conversar com você. — Ela falou, fazendo questão de deixar toda sua sinceridade e arrependimentos perceptíveis em seu tom de voz, uma expressão solene em seu rosto.

Ele analisou-a por alguns segundos, parecendo processar tanto suas palavras quanto sua expressão. Então, após ter feito sua conclusão, ele esboçou um sorriso para ela, não exatamente tão animado quanto ela normalmente gostava, mas honesto o suficiente para que Thay visse aquele breve gesto como progresso.

♫♪♬

Matteo olhou para os lados, encontrando a maioria dos amigos que havia feito dentro do grupo imersos em suas próprias conversas. Julgando melhor não interromper nenhum deles, ele buscou um modo de interagir com aqueles que estavam mais perto de si. De um dos seus lados encontrava-se Aimee, e ele sabia que preferia praticamente qualquer outra alternativa à ter que lidar com a cubana por mais tempo do que o necessário, então ele sutilmente inclinou-se para o outro lado.

Sentada, com um olhar de encantamento que parecia quase infantil, Ana parecia perdida em seus próprios pensamentos a respeito do ambiente ao seu redor. Uma parte dele não podia evitar lembrar de Pietra, embora ele soubesse que se ela estivesse ali sua reação só seria tão maravilhada caso se encantasse pela culinária servida no local.

— O que está achando da vida na América? — Ele questionou, ciente de que a maioria dos membros do novo grupo era, assim como ele, proveniente da Europa.

— Honestamente? Libertadora. — Ela respondeu, um sorriso brilhante em seus lábios que parecia transbordar felicidade. Matteo se perguntou por alguns instantes se estar ali era o sonho dela, e não pode evitar o sorriso dela, lembrando de que aquela jornada já estava trazendo e ainda traria diversos momentos felizes para ele e para seus companheiros.

— Você é a mais nova entre nós, não é? — Ele indagou, recebendo um assentir como resposta. — Como você está sabendo que vai se tornar uma cantora profissional tão cedo?

Ana apenas olhou para ele por alguns segundos, aparentemente considerando suas palavras. A garota estava, na verdade, aliviada ao saber que continuava mantendo ao menos um pouco de seu passado em segredo, e que todos ali achavam que ela era tão normal quanto qualquer um deles.

— Eu não sei exatamente como descrever tudo que estou sentindo. É tudo tão novo e maravilhoso... — Ela começou a falar, saboreando cada palavra e a sensação reconfortante que as acompanhava. Embora aquela não fosse realmente a primeira vez que fazia algo parecido, era a primeira vez que o fazia por vontade própria, sem o peso das expectativas de ninguém forçando-a a agir de certa forma. — Eu não poderia estar mais feliz!

O sorriso do italiano apenas cresceu ao escutar as palavras da mais nova. Ela definitivamente fazia com que a situação, que já era extraordinária por si só, parecesse ainda mais deslumbrante. Ele poderia apenas imaginar como toda aquela experiência deveria estar sendo processada pelos olhos e pela mente de alguém tão jovem quanto ela.

♫♪♬

Amai simplesmente não conseguia esconder sua felicidade naquele dia. Um sorriso parecia estar preso em seus lábios e, em sua ligação com as irmãs mais cedo, elas haviam dito que sua euforia era perceptível apenas por sua voz. No entanto, ela não estava realmente preocupada com isso, achava toda sua animação mais do que apenas justificada afinal.

O dia inteiro, após aquele singular momento em que havia sido anunciada como uma das selecionadas para participar do grupo, havia parecido um sonho. No entanto aquilo era melhor do que qualquer uma de suas fantasias, simplesmente porque era tudo real. Sua vida havia sim mudado radicalmente e ela não poderia estar mais contente com isso.

Saber que sua família havia ficado tão estática quanto ela ao descobrir isso apenas havia servido para aumentar sua felicidade. Saber que eles a apoiavam, mesmo que sua decisão pudesse ter sido considerada egoísta por eles, aliviava um peso de sua consciência e tornava aquela vitória ainda mais doce.

Aquilo, portanto, apenas a deixava mais determinada a aproveitar-se ao máximo da oportunidade. No momento, ela decidiu que poderia direcionar seu foco a tentar estabelecer relações amigáveis com aqueles que agora seriam seus companheiro de trabalho. Com esse pensamento, ela virou-se para o lado, pronta para cumprimentar o garoto sentado ao lado dela.

Aparentemente, ele teve exatamente a mesma ideia naquele mesmo momento.

— Olá!

— Hey!

Os dois se encararam por alguns segundos, ambos pegos de surpresa pela sincronia não planejada. Após alguns segundos, ambos se permitiram sorrir na direção um do outro.

— Eu sou Jasper. — Ele apresentou-se, deixando-a confusa por alguns segundos. Embora aquele realmente fosse o nome mencionado quando ele foi aceito no grupo, ela tinha certeza de que já havia escutado algum dos outros garotos chamá-lo de outra coisa. — Embora existam aqueles que discordem. — Ele completou, talvez percebendo a confusão dela e apontando discretamente para o garoto que parecia estar quase sempre junto com ele.

— Amai. — Ela ofereceu o próprio nome, seu tom gentil. — E eu não acho que ninguém discorde.

— Você ainda não conheceu o Juan. — Ele falou, como se estivesse simplesmente informando-lhe de um fato, algo completamente inevitável. E isso fez com que ela risse, mesmo sem qualquer intenção de fazê-lo, mas a expressão de seriedade do outro apenas tornava a situação ainda mais cômica.

— Ria enquanto pode. Logo você também estará duvidando da sua própria identidade. — Ele respondeu, e embora suas feições estivessem completamente sérias, sua voz denunciava o fato de que ele havia achado a situação tão engraçada quanto ela.

Ela olhou para os lados por alguns instantes, identificando Ana e Peach, as duas amigas mais próximas que havia feito com o passar dos meses da competição, e percebendo que ambas também estavam em diálogos com outras pessoas. Isso não significava que estavam afastando-se, ela lembrou, apenas que estavam expandindo seus horizontes.

E aquilo era algo que ela definitivamente não tinha mais medo de fazer. Não depois do quão bem as coisas estavam indo até aquele momento, não depois de perceber que a chance de realizar seus sonhos não significava sacrificar completamente sua família.

Então ela apenas voltou seu olhar ao garoto a sua frente, disposta sair daquele restaurante com pelo menos mais um amigo.

♫♪♬

Vasil olhou de relance para o grupo ao seu redor. Alguns dos membros estavam envolvidos em conversas com aqueles mais próximos de si, diálogos feitos em tons de vozes baixos que deixavam claro que eram restritos à apenas aquelas duas pessoas, outros apenas encaravam o ambiente ao seu redor, como se ainda estivessem processando tudo o que havia acontecido naquele dia e ele definitivamente não poderia julgá-los. Outros, como a garota sentada perto dele, passavam a noite olhando vez ou outra para os celulares, sorrisos dançando em seus lábios diante do que encontravam neles.

Ele poderia admitir para si mesmo que sua curiosidade a respeito dos novos companheiros existia, e tendia a crescer conforme ele percebia certos padrões em suas ações. Ao menos por algum tempo, ele decidiu mantê-la apenas para si, afinal exatamente por saber tão pouco a respeito deles não sabia o que poderia perguntar para quem e qual seria o limite de cada um deles.

Sua missão, no entanto, pareceu não ter tanto sucesso assim, visto que, da vez seguinte em que mirou na direção da garota com o celular, cujo nome era Bianca de acordo com Aimee, ela parecia estar esperando por aquilo, e encontrou seu olhar.

Por alguns segundos eles apenas encararam um ao outro, incertos a respeito de como deveriam reagir. Basil foi rápido em lançar um sorriso na direção dela, em uma tentativa de amenizar a situação, realmente esperando que ela não houvesse interpretado a situação de uma maneira errônea.

— Olá?! —    Estava óbvio que havia sido tanto um cumprimento quanto uma pergunta, mas ela mantinha o sorriso nos lábios, convencendo-o ao menos um pouco de que ela não havia entendido aquilo de forma errada.

— Desculpa! Realmente não foi a intenção encarar.

— Tudo bem, eu deveria estar prestando mais atenção nas pessoas que estão aqui agora. — Ela confessou, um sorriso nascendo em seus lábios quando ela direcionou-os ao celular por uma última vez antes de guardá-lo. — Mas, meus irmãos são difíceis de ignorar.

— Mais velhos ou mais novos? — Ele indagou, aproveitando a oportunidade de iniciar uma conversa. Em sua mente, a imagem mental de Dana e Dua surgiu e foi impossível não lembrar do quão exaltadas as duas haviam ficado quando ele deu a notícia de que havia conseguido entrar no grupo.

— Novos. Gêmeos. — Ela respondeu, suas feições suavizando-se, de um jeito semelhante ao que ele podia imaginar que as suas próprias faziam quando ele perdia-se em pensamentos a respeito dos membros de sua família.

— Sério? — Ele questionou novamente, incapaz de esconder a surpresa em sua voz. — Eu tenho irmãs mais velhas. Gêmeas.

Os dois olharam-se em surpresa por alguns segundos, antes de se permitirem rir da coincidência.  Aquilo ainda não era uma amizade, nada além de um fato em comum que sequer era tão raro assim, mas a oportunidade estava ali, apenas cabia aos dois decidirem aproveitá-la ou não.

— Nomes combinando? — Bianca perguntou, tentando controlar o sorriso em seu rosto.

— Dana e Dua. Os seus?

— Sade e Zane.

♫♪♬

Aimee deixou seus olhos vagarem pela mesa, seu tédio diante da situação nítido em sua expressão. Os únicos ali que ela chegava perto de considerarem amigos já estavam ou envolvidos em conversas com outras pessoas, algumas delas que ela definitivamente não aprovava, ela concluiu olhando para onde Bianca estava e outras com as quais não realmente se importava.

Ciente de quem estava ao seu lado, ela se perguntou qual seria o método mais eficiente de trazer a atenção de algum dos amigos para si. Ela poderia mandar mensagem para Bianca, mas ela havia guardado o celular e a portuguesa dificilmente o tiraria novamente no meio de uma conversa, mesmo que a conversa fosse com alguém como Basil. Thay parecia distraída demais conversando com algum dos garotos para os quais ela ainda não havia prestado muita atenção. Jasper e Juan, de forma semelhante, pareciam completamente entretidos em seus próprios diálogos, mesmo que nenhuma das pessoas com quem falavam fosse tão interessante quanto Aimee.

Ela estava realmente considerando qual deles ela interromperia, quando percebeu que a garota sentada ao seu lado estava olhando para ela e falando alguma coisa. Ainda sem mudar sua expressão, a cubana ponderou suas opções, ela poderia continuar observando aqueles ao seu redor e morrer de tédio, ela poderia interromper as conversas inúteis de seus amigos e arriscar ter que interagir com pessoas com as quais ela simplesmente não fazia questão de falar ou ela poderia dar uma chance à garota ao seu lado, não é como se ela tivesse qualquer coisa a perder com isso.

— Hey! Você está escutando? — Ela enfim lançou seu olhar no rumo da garota ao seu lado, fazendo questão de deixar sua indiferença nítida em sua expressão facial. A outra garota, no entanto, apenas oferecia um sorriso amigável. — Eu sou Peach, e você?

— Aimee. — Talvez, só talvez, sua atitude claramente fria fosse fazer com que a garota percebesse que a cubana não tinha qualquer intenção de ser amigável com ela.

— Você consegue imaginar morar aqui? — Peach indagou, parecendo ignorar completamente a clara hostilidade da mais jovem.

— Eu já moro aqui por pelo menos um ano. — Aimee respondeu, claramente entediada. Talvez, ela tivesse considerado as coisas errado, ela tinha algo a perder com a decisão de conversar com alguém que parecia tão entediante.

— Você também não é uma pessoa tão sociável assim, não é? — A tailandesa perguntou, um sorriso nascendo em seu rosto, como se ela estivesse achando a interação divertida. O que não fazia sentido algum para Aimee. — Você não precisa ficar tímida ou na defensiva, eu só quero conversar.

O olhar de pura indignação de Aimee deveria ter sido o suficiente para alertar Peach de que ela não havia apreciado nem um pouco a insinuação, no entanto, a outra apenas continuou oferecendo-lhe a mesma expressão gentil, como se estivesse lidando com uma criança.

— Eu não...

— Por que você não me conta um pouco sobre você?

— O que?! Você escutou uma palavra do que eu estava dizendo?

Peach apenas riu, certa de que elas duas ainda se dariam bem, mesmo que a cubana claramente acreditasse o contrário.

♫♪♬

Juan e Nicholas olharam um para o outro, sorrisos cúmplices em seus rostos conforme eles notavam que, enquanto os outros já não estavam mais em completo silêncio, eles falavam unicamente com uma outra pessoa, sem qualquer abertura para os demais membros do grupo. Aquilo faziam com que eles perdessem a esperança de que os demais abandonariam suas tendências antissociais sem a necessidade de sua interferência, e só deixava a eles dois uma opção.

A oportunidade que eles buscavam estava bem a sua frente, todos pareciam distraídos demais com seus próprios diálogos, então eles tinham total liberdade para fazerem o que queriam sem qualquer suspeita.

— Nós provavelmente não deveríamos fazer isso. — Nicholas murmurou, olhando fixamente para uma das garrafas de refrigerante depositadas no centro da mesa.

— Me diga um bom motivo para não fazermos isso? — Juan falou, parecendo completamente convicto de que o outro não encontraria razão alguma para listar. Alguns segundos depois, no entanto, ele pareceu lembrar-se da situação em que estavam. — Alguns sacrifícios são necessários para forçar esses antissociais a interagirem!

— Você sabe que isso vai garantir que todos vão ficar com raiva de nós, não é?

— Com certeza não. Eles vão nos agradecer, caso contrário...

— O que?

— Eu vou arranjar maneiras cada vez melhores e mais amigáveis de fazê-los reconhecerem minhas boas ações.

— Ou seja, fazer com que eles passem ainda mais vergonha em público.

— Como você ousa insinuar algo assim de mim? Eu nunca faria algo do tipo. — Juan olhou para ele, como se realmente estivesse se sentindo muito ofendido pela fala do outro. Nicholas apenas levantou as duas mãos, como um sinal de rendição. — Agora, foco.

E foi assim que o francês voltou a tarefa que ainda não sabia porque havia aceitado. A realmente questionável missão de acertar uma bala Mentos dentro de alguma das garrafas de refrigerante espalhadas em cima da mesa.

Ele sabia o quão terrível as consequências poderiam ser para suas chances de fazer amizade com seus novos companheiros de equipe, mas ao menos isso deveria tirar uma reação deles.

— O que eu estou fazendo com minha vida? — Nicholas perguntou, mais para si mesmo do que para qualquer um na mesa.

— No momento? Não se focando o suficiente em nossa tarefa heróica de tornar esse jantar tolerável.

Ele se controlou para não olhar para o mais velho como se ele fosse doido. Ele provavelmente já havia feito aquilo mais vezes do que podia contar nos últimos minutos do que em toda sua vida. Uma parte terrivelmente pessimista de sua mente lembrou-lhe que ele provavelmente ainda faria muito daquilo no restante dos anos em que o contrato os obrigaria a passarem lado a lado.

Isso é, se o pequeno experimento deles não acabasse se provando o primeiro passo para o fim precoce do grupo ao invés de primeiro passo rumo à mais interações dentro dele. Por algum motivo, ele temia que o primeiro caso fosse mais provável.

E esse medo só aumentou quando ele percebeu que as balas estavam cada vez mais perto de acertarem seu alvo. Ele começou a preparar mentalmente o discurso que faria aos pais para explicar o porquê do grupo ter sido encerrado antes mesmo de sua primeira apresentação, antes de mirar e lançar mais um mentos rumo a uma garrafa.



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