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História Nu e Cru - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


Eu pensei muito o que dizer aqui, mas eu realmente não sei o que falar. Eu nunca terminei uma fanfic antes sozinha e acho que estou orgulhosa de mim, mas acima de tudo, estou agradecida pelo carinho de todos que tiveram paciência e se mantiveram comigo até o fim. Espero que a jornada tenha sido boa e que tenham se apaixonado por esse Baekhyun quase tanto quanto eu me apaixonei.

Muito obrigada.

Boa leitura!

Capítulo 4 - A entrega é vermelha


NU E CRU

O sorriso de Chanyeol era facinho.

Baekhyun descobriu isso no dia em que os dois acabaram dormindo na sala de sua casa. Bastava um afago nos cabelos ou um beijo mais carinhoso, e lá estava ele, sorrindo tão bonito que o deixava com o coração na garganta. Depois disso, acabou se acostumando com a forma como o Park respondia aos seus toques. Era tão… submisso. Ele sempre procurava uma forma de ter as mãos do Byun sobre o próprio corpo, e o jeito como reagia à cada carícia era sincero e entregue.

Sendo honesto consigo mesmo, Baekhyun não imaginou que as coisas evoluiriam daquela forma com Chanyeol. Ainda esperava que ele fosse enjoar de si em algum momento — ou apenas encontrar alguém melhor ou mais interessante —, mas ao invés disso, Chanyeol fazia questão de mostrar que, a cada dia que passava, estava mais apaixonado. E contradizendo a todas as opiniões que criou sobre ele a partir de uma primeira visão distorcida, o maior era a pessoa mais carinhosa do mundo.

Ele ainda era lindo, gostoso e malditamente sexual, mas Baekhyun tinha certeza que nenhum daqueles caras que o viu levar para dentro de casa, sabiam que ele gostava de dormir recebendo cafuné ou que apontar o quão bonito e fofo ele era o deixava de bochechas coradas. E o Byun gostava tanto disso. Gostava de ter acesso a esse lado porque Chanyeol fazia questão de relembrar todas as vezes que não eram todas as pessoas conheciam.

Baekhyun era especial.

Estavam indo devagarinho, se conhecendo aos poucos, descobrindo o que gostavam e se permitindo encontrar a forma como as coisas funcionariam entre eles. E era bom dessa forma, Baekhyun não tinha motivos para desgostar, exceto… o fato de que Chanyeol fazia de tudo para deixá-lo maluco.

— Preciso ir trabalhar. — O Park fez um biquinho, embora permanecesse na mesma posição. As mãos dele estavam dentro da gola de sua camiseta, tocando-lhe os ombros e costas por baixo da roupa.

Baekhyun sabia que não estava na hora dele ir trabalhar. Já tinha se acostumado com a rotina, com o horário que ele saia e quando voltava. Às vezes ele ia direto para o seu apartamento, às vezes Baekhyun o esperava no apartamento dele. Estava ultrapassando suas expectativas. Chanyeol era sensacional e não havia um dia que não sentisse falta da boca dela quando não se viam.

Não sabia exatamente o que eram, embora sempre que se encontravam, as mãos nunca paravam quietas. Nem as bocas. Beijavam-se muito, as vezes Chanyeol arriscava sentar em seu colo — como ali. Mas nunca passava disso. Baekhyun estava satisfeito com o ritmo das coisas e o Park também parecia estar e tudo estava bem. Era divertida toda aquela coisa de provocação, do dirty talk que os dois viviam soltando pelos cantos, mas jamais dando o próximo passo.

A tensão entre eles crescia a cada dia, também. E Baekhyun tinha medo de tentar aliviá-la de alguma forma e parecer estar apressando as coisas, mesmo não estando realmente. Apenas era difícil manter as mãos, o corpo e a boca longe de Chanyeol.

— Ainda é cedo. — Sussurrou, procurando manter o autocontrole e não avançar contra a boca dele novamente.

Sentia-se culpado, às vezes, por se permitir pensar em bobagens em momentos como aquele, mas a verdade é que nunca tinha se sentido daquela forma com nenhuma outra pessoa, nem mesmo com o ex-namorado, a pessoa que tinha certeza ter amado — até aquele momento. Lembrava-se de se sentir bem ao lado de Sehun, mas nunca transcender. Chanyeol, ao contrário disso, o fazia ficar feliz o dia inteiro, ostentando um sorriso estúpido na cara o dia inteiro somente com uma mensagem de texto carinhosa.

— Antes de ir trabalhar, eu tenho uma coisa muito boa pra te contar. — Chanyeol falou com um sorrisinho no canto dos lábios. Ele estava com a boca próxima da sua, sentando em seu colo.

As mãos do Byun subiram pela cintura dele, seguindo o rumo pelos braços músculos e parando no pescoço, onde fez questão de afundar os dedos nos cabelos loiros e bagunçados.

— O quê? — Baekhyun perguntou.

Gostava de admirar Chanyeol de pertinho, porque ele era lindo e o rosto dele era a coisa mais bonita que já tinha visto. Tirou uma das mãos da nuca dele apenas para tocar-lhe a face, deslizando a ponta dos dedos pelas bochechas e depois as maçãs salientes do rosto. Imediatamente, demonstrando apreciar aqueles gestos, Chanyeol fechou os olhos. Baekhyun sorriu para ele, pois adorava o jeito carente que o maior tinha. Era tão sincera a forma como ele demonstrava gostar de cada carícia...

— Consegui uma entrevista na Matrix pra você. — Baekhyun arregalou os olhos, surpreso com a descoberta. Fazia algum tempo que estava atrás de um emprego e Chanyeol sabia disso melhor do que ninguém.

— Sério?

O maior retribuiu o sorriso, inclinando-se em seu colo para juntar os lábios em um selar calmo e apaixonado.

— Sim, amor. — Aquele apelidinho... o poder que ele tinha sobre o Byun era quase engraçado. — Quase certo que a vaga é sua. Eu dei um jeitinho de fazer meu chefe concordar com a ideia, agora você só precisa ir lá e ver se tá tudo bem com a carga horária, função, salário e essas coisas.

Baekhyun ficou sem palavras por alguns segundos, tendo a completa certeza de que estava olhando-o com a maior cara de idiota naquele momento. Mas é que estava tão, tão feliz. Desde que Chanyeol apareceu em sua vida, tinha encontrado motivos para sorrir. Ele era a pessoa mais caridosa, preocupada e humana que já tinha conhecido. E já não bastava isso, ele também precisava fazer com que sentisse como se o coração fosse saltar pela garganta na melhor das hipóteses — ou explodir dentro do peito.

— Meu deus... — Baekhyun segurou nas bochechas dele e o beijou. Um beijo rápido e feliz. — Eu te amo. Você é incrível.

Não pensou antes de dizer aquelas palavras, mesmo que não fossem nenhuma mentira. Apenas... tinha sido muito precipitado. Percebeu isso quando Chanyeol descolou a boca da sua e afastou o rosto, olhando-o com uma das sobrancelhas erguidas que denunciavam o quanto ele estava confuso com a confissão repentina. Não era para menos. Estavam juntos daquela forma há tão pouco tempo que Baekhyun parecia, no mínimo, um desesperado falando que o amava daquela forma. De repente, sentiu-se muito idiota. Gostava pra caralho de Chanyeol e mal conseguia controlar que os sentimentos dentro de si o controlassem antes que pudesse controlá-los.

— Você que é incrível. — Chanyeol falou, visivelmente tentando não fazer com que aquele momento se tornasse algo estranho. Baekhyun também tentou fingir, ignorando o fato de que ele não tinha retribuído a confissão. Não poderia ficar chateado com aquilo... Não iria. Tentaria, pelo menos. — Espero que você goste. Eu acho bem legal. E eu vou poder te ver mais.

— Não me vê o suficiente? — Sorriu ladino.

Talvez estivesse se sentindo um pouquinho jogado para escanteio naquele momento. Por mais que tentasse não deixar transparecer o que estava sentindo — a recusa, principalmente — não era como se estivesse tudo bem. Uma parte pequena dentro de si, que já estava mais do que acostumada a ser trocada estava se esforçando para aparecer e trazer um bilhão de inseguranças junto.

— Honestamente? — Chanyeol remexeu-se sobre seu corpo e aquilo fez com que o Byun engolisse um gemido. Era perigoso quando ele começava a fazer aquele tipo de coisa, porque sabia que, no final, estaria de pau duro no banheiro e Chanyeol se enfiaria dentro do uniforme e só voltaria no início da manhã. — Nunca tenho o suficiente de você. Te quero o tempo inteiro.

Ouvir aquilo fez com que os pensamentos tortuosos fossem embora momentaneamente.

Desceu as mãos pelas costas largas do maior, apertando a cintura dele por cima da camiseta que ele vestia. Chanyeol estava com um short estupidamente curto que não deixava muita coisa para a imaginação. Para a sorte do Byun, ele conseguia ser bastante criativo quando queria.

— Sou todo seu. — Falou baixinho, arriscando-se ao descer a mão mais um pouco, adentrando a barra do short, tocando-o por baixo da peça de roupa. Queria descer a mão mais um pouco, mas limitou-se a permanecer daquela forma. Por ora. — Sabe disso.

Chanyeol fechou os olhos quando puxou, somente um pouco, os cabelos dele com a outra mão. Tinha descoberto em algum daqueles milhares de beijos que tinham trocado que ele gostava de quando era um pouquinho mais rude. Para a própria surpresa, tinha descoberto um lado seu que não conhecia. Tratá-lo daquela forma o deixava com quase tanto tesão quanto Chanyeol sentia. Ele sempre gemia baixinho e grosso — Baekhyun gostava de ouvi-lo pela manhã, porque a voz dele também ficava rouca e sexy. Eles acordavam excitados e se beijavam por longos minutos até alguém ir para o banheiro e outro para a cozinha. Era gostoso pra caralho.

— Que bom… — Chanyeol fechou os olhos, tombando a cabeça para o lado. — Vou guardar bem essa informação.

Sabia o que aquilo significava, porque o maior só o fazia quando estava excitado. Primeiro beijou o ombro dele por cima do tecido da camiseta, puxando a manga para o lado para ter acesso a uma das clavículas ossudas. Prendeu os lábios ao redor da região sensível, deslizando a língua calmamente através da pele morna antes de chupá-la. Nunca deixava marcas no corpo dele. A pele de Chanyeol era imaculada e Baekhyun gostava assim.

O beijou com calma, deixando que escorresse da própria boca a devoção que sentia. As mãos do vizinho, estas que estavam em suas costas, tocando-o através da gola da camiseta, o arranharam. Não precisou mais que um erguer de olhar para notar que o maior estava com o lábio entre os dentes, os olhos espremidos debaixo das pestanas. Apertou a cintura dele, forte o suficiente para que sentisse a carne atravessar os espaços dos dedos, afundando as unhas na pele morna e ligeiramente úmida. Quando os lábios tocaram no pescoço dele, Chanyeol ficou rígido em seu colo, suspirando mais e mais a cada selar que sua boca carimbava no corpo dele.

— Tenho que tomar banho... — Chanyeol falou, ainda com a boca próxima da sua.

Baekhyun assentiu com a cabeça, mesmo que ele não pudesse ver. Talvez tivesse passado por um pouco dos limites quando envolveu o pescoço dele com seus dedos ou talvez tivesse apertado além do que imaginou. Esperava não o ter machucado, mas considerando a forma como o maior se afastou, as chances de tê-lo o feito eram grandes. Foi instantâneo de sentir frustrado, porque não tinha intenção alguma senão satisfazer e dar prazer a Chanyeol. Mas a grande verdade é que não se conheciam direito ainda, não sabiam totalmente dos gostos e das preferências que tinham e isso era uma droga. Muitas vezes sentia que estava caminhando em um campo minado, amedrontado, inseguro de fazer algo que ele não gostasse porque, sem dúvidas, Chanyeol era o mais experiente ali. Mesmo que Baekhyun fosse uns bons anos mais velho que ele.

— Tudo bem. — Baekhyun concordou com a cabeça, prendendo o lábio inferior entre os dentes quando o Park sorriu ladino, levantando-se de seu colo.

Ele estava com um short cinza claro, que fazia parte de um pijama que ele não estava usando por completo. A bunda dele ficava gostosa e arrebitada naquela peça de roupa, acabou se acostumando com a ideia depois de vê-lo perambulando pelo apartamento com aquilo, muito mais vezes do que o considerável saudável para sua sanidade mental. Mas o que chamou atenção realmente naquele momento foi o quanto ele estava duro por debaixo da roupa. Tão excitado que havia uma mancha úmida no tecido.

Não mentiria ao dizer que sentia vontade de tocar Chanyeol com mais intimidade. Era comum que acordassem daquela forma — com tesão e duros dentro da roupa íntima. Ainda mais eles, que dormiam bem abraçadinhos debaixo da coberta. Mas os dois nunca faziam nada além de se beijar e acariciar o corpo um do outro com respeito. Era como se algo dentro deles dissesse que estariam estragando aquele momento de afeto e segurança se ultrapassassem os limites. Mas que limites? Por que precisava ter um limite se os dois queriam aquilo? Se a entrega era certa a cada beijo de língua e corpo colado?

— Você vem? — Chanyeol questionou, olhando-o por cima do ombro com uma sobrancelha erguida.

Ele estava parado no meio da sala, de costas para si. Havia algo malditamente sexy na forma como ele perguntou aquilo, as palavras dançando na boca com uma malícia que nunca tinha visto. Por mais que vivessem flertando descaradamente, trocando farpas e provocações, nunca tinha sido daquela forma. Nunca tinha sido tão sugestivo.

Permitiu-se dar uma boa olhada nele, do rosto até os pés. Era quase dolorosa a forma como sentia vontade de enterrar o rosto na bunda dele ou de acertar um tapa estalado. Chanyeol parecia saber o quanto aquilo o atraia, porque segurou no elástico do short e o puxou para cima. O tecido entrou em lugares inadequados e marcou o corpo dele totalmente, deixando a polpa da bunda aparecendo.

Baekhyun soltou um resmungo baixo, levantando-se mais rápido do que tinha calculado na própria cabeça. Não era sua intenção parecer desesperado, mas era assim que estava naquele momento. Era assim que Chanyeol o deixava. O abraçou pelas costas, envolvendo-o na cintura. Ele era alto, mas Baekhyun adorava a forma como conseguia encostar o nariz no ombro dele e sentir o perfume da pele e das roupas dele. Era gostoso e suave.

— Banheiro? — Perguntou, o rosto enfiado nas costas dele.

— Sim. — O maior respondeu, colocando as palmas das mãos sobre as suas.

Eles cambalearam pelo apartamento pequeno aos risos e aos beijos. A porta do banheiro soou como um estrondo alto quando o menor pôs Chanyeol contra a madeira, enfiando ambas as mãos dentro do short dele e agarrando aquela bunda que ele tinha feito questão de expor. Tinha vontade de fazer aquilo há tanto, tanto tempo, que foi impossível não soltar um suspiro de deleite ao espremer as nádegas com as mãos.

Chanyeol gemeu, enfiando a cabeça em seu pescoço. As mãos dele tatearam seu abdômen até adentrarem a camiseta, tocando-se a barriga e subindo até o peitoral. Baekhyun tentou não recuar, inseguro do próprio físico como nunca tinha sido. Talvez devesse conversar com Chanyeol sobre aquilo em algum momento, mas não ali. Não perderia mais tempo.

— Por que você recuou quando eu apertei seu pescoço? — Baekhyun perguntou, segurando em uma das coxas do Park para erguê-la e se enfiar entre as pernas dele.

Precisava saber se tinha ultrapassado algum limite para não fazer novamente.

Chanyeol soltou uma risada gostosa, forçando a perna ao redor de seu corpo, juntando-os ainda mais. Ele estava com um brilho diferente, uma aura que ainda não conhecia de perto. Só tinha visto quando desfrutava dos shows de exibicionismo do vizinho. Agora entendia porque tinha se rendido tão depressa, porque tinha sido tão fácil se entregar de bandeja e com direito a lacinho pra ele. Aquele homem era sex appeal por todos os cantos. Em todos os gestos. Em cada olhar.

Era hipnotizante.

— Você não gostou? — Voltou a perguntar quando não obteve nenhuma resposta.

Chanyeol subiu uma das mãos pelas costas do Byun e agarrou um punhado de cabelo dele, fazendo com que o mais velho inclinasse a cabeça para o lado. Ele gostava de beijar em seu pescoço, porque sabia ser um ponto fraco seu. Baekhyun sempre se rendia feito um filho da puta quando era tocado ali, principalmente se fosse do jeito certo.

A primeira coisa que o Park fez foi deslizar a língua da metade do pescoço até atrás da orelha, onde plantou um beijinho terno. O problema era que aquilo não era outra sessão de carinho deles, então Chanyeol riu, baixinho e rouco, próximo do seu ouvido. Aquilo arrepiou Baekhyun dos pés à cabeça, principalmente porque tinha certa noção do que viria depois disso; uma mordida no lóbulo da orelha e então lá estava ele, com a boca envolta em um pedaço de pele próximo de onde a jugular pulsava loucamente. Era gostoso pra caralho.

Pensava diferente de Baekhyun e fazia questão de deixá-lo cheio de marcas pelo corpo, onde quer que sua boca alcançasse. Sentia-se poderoso e sensual quando as via, porque se lembrava de como e porque tinha feito cada uma delas.

— Você é gostoso, mas aquilo foi a coisa mais sexy que você fez comigo. — O maior falou sem pudor algum, puxando mais um pouco o punhado de cabelos. Baekhyun gemeu dolorido, mas gostava da sensação. Era boa demais para pedir que ele parasse. — Se você continuasse apertando meu pescoço daquela forma, eu teria que dar pra você.

Porra...

O jeito como ele era depravado e não tinha papas na língua enchiam Baekhyun de tesão.

— Não quer dar pra mim? — Arriscou-se a perguntar, recebendo uma risada cheia de sarcasmo em troca.

— Quero. Muito. — Chanyeol olhou em seus olhos, selando os lábios rapidamente. — Mas não agora. Tenho outros planos para hoje.

Baekhyun ficou curioso sobre quais planos, mas decidiu que era melhor que deixasse ele o surpreender. Qualquer coisa que ele fizesse, tinha certeza de que adoraria. Era assim quando se tratava de Chanyeol.

As roupas foram sumindo dos corpos aos poucos, dando espaço para toques mais íntimos e lentos. A pele de Baekhyun estava fervendo, mas a de Chanyeol parecia gelada contra a parede, contrastando os dois em meio ao amasso. Quando se separaram, agora ambos vestindo apenas cuecas, os lábios encontravam-se vermelhos e o menor estava com diversas marquinhas pelos ombros. Sentiu-se ligeiramente constrangido, lembrando-se de quando Chanyeol sumiu na metade de uma punheta que tinha pagado pra ele na sacada. Aquilo tinha sido a coisa mais ousada que tinha feito na vida, provavelmente, e ele nunca ter comentado sobre aquilo mexia um pouco — bastante, às vezes — com sua autoestima. Mesmo que ele dissesse que era bonito e tantos outros elogios.

— Por que sumiu aquela vez na sacada? — Perguntou como quem não queria nada. Talvez a perguntasse estragasse todo o clima, mas tinha se lembrado do momento e não sossegaria outra vez até saber o motivo.

— Qual vez?

— Quando eu bati uma. — Baekhyun colocou um dos braços ao lado da cabeça de Chanyeol.

Houve um minuto de silêncio. Em todos aqueles meses, aquela tinha sido a primeira vez que tinha conseguido deixar o Park total e completamente sem saber o que dizer. Ele sempre tinha uma piadinha ou resposta ácida na ponta da língua, pronto para responder toda e qualquer pessoa que o dirigisse a palavra, mas ali, diante do inquérito do menor, Chanyeol ficou quieto.

— Fiquei muito duro aquele dia. E com vergonha. — Chanyeol segurou na barra de sua cueca, segurando no elástico. Ele estava provocando fazia horas. — Sexo nunca me deixou com vergonha até aquele dia. Acho que nunca tinha visto uma pessoa tão erótica na minha frente.

Baekhyun soltou uma risadinha pelo nariz.

— Eu nem sou tudo isso.

Como previa, Chanyeol não gostou nem um pouco daquele tipo de resposta. Ele odiava quando ficava se diminuindo e fazia questão de deixar isso bem claro — e de ir contra seus argumentos sobre invalidez.

— Você é muito gostoso. — O maior beijou seu ombro, mordendo a pele devagarinho de um jeito muito sensual. — Eu falo sério quando digo que você é a pessoa mais erótica que eu já conheci. Eu fiquei louco àquele dia, com medo do que você pudesse pensar de mim se eu fizesse o que estava com vontade. Por isso saí, fechei as cortinas e me tranquei no banheiro. Gozei duas vezes pensando em você.

Aquilo fez uma bela massagem no ego de Baekhyun, mesmo que, no fundo, ele fizesse questão de negar que era capaz de despertar aquele tipo de desejo em outra pessoa, ainda mais alguém como Chanyeol. Ele estava uns bons padrões acima de qualquer pessoa. Mesmo assim, não queria que nada estragasse aquele momento, muito menos suas inseguranças que resolviam dar as caras em momentos inoportunos. Tinha um belo homem em sua frente, seminu e cheio de tesão e não poderia deixar a oportunidade passar batida.

— O que você pensou em fazer?

— Gritar pra você me comer, talvez? — Ele perguntou, sério, mas os dois acabaram rindo poucos segundos depois. — Mas, sério agora… Eu não lembro de ter sentido tanta vontade de transar com alguém como senti aquele dia. Eu só pensava em arrumar alguma desculpa que te convencesse a deixar que eu me enfiasse no meio das suas pernas. Eu quis te chupar bem gostoso, sabia? Foi uma tortura te assistir e não poder te tocar.

— Você pode me chupar bem gostoso agora.

Olhou nos olhos dele, enxergando apenas sinceridade, carinho e tesão. Não precisaram de mais meias palavras para que acabassem nus, os dois, com os corpos colados enquanto se beijavam mais um pouquinho do lado de fora. Entrar dentro do box aos amassos foi complicado, mas nada que boas risadas não resolvessem.

A água rapidamente encharcou os corpos que se esfregavam contra a parede. Baekhyun encurralou o Park, uma das mãos contra a parede, ao lado da cabeça dele, e a outra desbravando lugares que não conhecia em Chanyeol. A pele dele era macia sob seu toque, perfeita para apertar. Acabou por matar a vontade que sentia que estapear a bunda dele, chocando a palma da mão aberta contra uma das nádegas. O som foi molhado e alto, mas não tão alto quanto o gemido contra seu ouvido.

As intimidades se esfregavam em sincronia enquanto as bocas faziam questão de permanecerem juntas. O coração batendo acelerado no peito era só mais uma prova de que aquilo era real. De que Chanyeol era real e de que as coisas estavam finalmente se encaixando no devido lugar.

Sentiu um aperto na garganta, quase como se o ar não chegasse nos pulmões quando o maior se afastou, abaixando-se diante de seu olhar.

De joelhos no piso úmido, Chanyeol esfregou a ponta das unhas atrás de suas coxas, segurando em sua bunda com ambas as palmas. Ele tinha mãos grandes, gostosas, e Baekhyun gostou da sensação de ser espremido por alguém que era o dobro do seu tamanho e tinha o dobro de força também. Era diferente de tudo o que já tinha experimentado e o deixava absorto em expectativa, principalmente porque era Chanyeol ali, o cara por quem tinha certeza estar apaixonado.

Ele subiu uma das mãos ao longo da barriga, apertando em lugares estratégicos, deixando a pele vermelha tanto com os dedos quanto com a boca. Um pouco abaixo do umbigo, o maior pressionou os lábios, mordiscando a pele levemente, apenas o suficiente para deixar Baekhyun com as pernas bambas. Sem dúvida, aquela era uma das cenas mais eróticas que já tinha visto ou vivenciado, pois Chanyeol era dolorosamente sensual em cada movimento. Desde os olhares, os sorrisos se canto que mal mostravam aos dentes, até a forma como ele fazia cada toque acontecer.

Sem demonstrar qualquer tipo de vergonha ou receio, Chanyeol percorreu as mãos pelo seu corpo devagarinho antes de, com uma das palmas, envolver o pau duro que ostentava entre as pernas. O solavanco repentino fez com que Baekhyun gemesse inconscientemente, contorcendo os dedos dos pés de surpresa e fazer. Não era tocado daquela forma há algum tempo e estava tão sensível que era quase doloroso. Ele movimentou o punho com força moderada, parecia convicto em tirá-lo do sério pela forma como os olhos piscavam por detrás da franja molhada, ou como mordia os lábios grossos.

— Gosta assim? — Chanyeol perguntou, deslizando a língua entre os lábios. Estava com as pernas juntas, joelho ao lado de joelho, em frente aos pés do Byun. A água escorria e molhava as costas largas, encharcando cada vez mais o cabelo dele.

Baekhyun assentiu com a cabeça, pondo uma das mãos na parede do box. Se não segurasse em nada, talvez acabasse cedendo aos próprios joelhos, ainda mais depois que o maior esfregou a língua de cima abaixo em seu pau, bombeando com mais pressão. Os lábios se fecharam na cabecinha, onde havia uma gota perolada de pré-gozo. Mas tão rápido quanto sentiu a boca dele lhe tocar, eles sumiram.

Soltou um suspiro longo, balançando a cabeça negativamente antes de tornar-se a abrir os olhos. Chanyeol permanecia da mesma forma, encarando-o com aquela expressão de falsa ingenuidade. Era quase engraçado, para ser sincero, porque ele não era nada inocente. E naquele olhar, só conseguia enxergar devoção.

— Vai enrolar muito ou vai fazer direito, Park? — Baekhyun perguntou. Talvez estivesse só um pouquinho desesperado naquele momento.

— Apressado. — Chanyeol riu e aquilo fez o estômago do menor dar cambalhotas. — Isso tudo é vontade de sentir a minha boca? Quer tanto assim que eu mame em você?

Tudo bem que Baekhyun não era nem um tipo de santo e tinha a boca bem suja, mas ainda se surpreendia toda vez que dava de cara com aquele Chanyeol desbocado. No geral, ele vivia dizendo coisas bonitas e meigas, mas quando vestia aquela faceta imoral e indecente, Baekhyun ficava sem chão.

— Sim. — Apertou os dedos contra os azulejos da parede, de forma que as pontas dos dígitos começaram a esbranquiçar. — É exatamente isso o que eu quero, Chanyeol. Então faça.

Chanyeol riu mais uma vez, concordando com a cabeça.

— Vou fazer só porque eu tô bonzinho hoje. — A voz dele pingava sarcasmo do início ao fim. — Mas não fique pensando que você manda em algo aqui. As rédeas são minhas.

Baekhyun não tinha dúvidas disso.

Nada que Chanyeol pedisse que ele não fizesse chorando e com um pau duro no meio das pernas.

O maior segurou em uma de suas coxas e com a outra mão, levou o pênis duro até os lábios. A forma como ele esfregou nas bochechas e sobre os lábios fizeram o Byun ter certeza de que ele era o homem mais gostoso que existia no mundo inteiro. Ele respirava sex appeal. Todos os malditos gestos dele eram carregados de uma sensualidade imunda, uma luxúria que escorria.

Ele o colocou na boca, apenas um pouquinho, deixando que os lábios grossos e vermelhos se ajustassem à largura. Novamente, Baekhyun contorceu os dedos dos pés, tensionando o corpo completamente. A verdade é que queria afundar os dedos dos cabelos dele, segurar com força, sentir que estava no controle do próprio corpo pelo menos durante alguns segundos. Mas não era mais o dono das próprias ações. Tudo se tratava de Chanyeol.

Já se tratava dele há um bom tempo, na verdade.

Chanyeol chupou levemente e depois recuou, o ploc dos lábios dele ecoando dentro do cômodo minúsculo. Os olhos se encontraram de maneira muito íntima. Estavam fazendo algo visto como sujo ali dentro, mas Baekhyun só conseguia pensar no quanto gostava daquele cara e no quanto se sentia sortudo por tê-lo de tantas formas.

Mandando o autocontrole para o inferno, o Byun enterrou os dedos no cabelo loiro do Park e o puxou para o seu corpo. Subitamente, uma das mãos do maior foi parar em sua bunda, onde ele cravou as unhas. Aquela falta de delicadeza era sensacional. Chanyeol mergulhou o pau duro na boca, fazendo-o gemer rouco e puxar seus cabelos com mais força, forçando o rosto contra a pelve. Obrigou-se a relaxar a garganta, afundando-o até onde conseguia, até que a pontinha do nariz estivesse encostando no abdômen do Byun.

Baekhyun não era um homem que se gabava do tamanho do próprio pau, tampouco ligava pra isso. Mas já tinha ouvido que ele estava acima da média. Não sabia se isso era bom ou ruim, mas Chanyeol não estava reclamando nem um pouco. Quando olhou para ele, os olhos do mais novo estavam marejados, as lágrimas se misturando com as gotículas de água do chuveiro, então ele se afastou, respirando com dificuldades pela boca e nariz. O peito subiu e desceu forte, mas não pareceu ruim quando o maior afundou a garganta nele novamente. Com um engasgo, ele recuou, tirando o pau duro da boca, um filete de saliva escorrendo pelos cantos dos lábios.

— Já tinha provado isso? — O Park perguntou, passando a mão ao redor da cabeça do pau do Byun e apertando, em seguida, acariciando o comprimento.

Soube que ele estava falando daquilo. Da garganta profunda. De sentir o pau tocar bem no fundo da boca dele e de ser espremido e apertado como nunca antes.

— Não.

— Gostou?

Aquele olhar do Park era de puro convencimento. Ele sabia que era bom — muito bom, caramba. E gostava de ser elogiado pelo desempenho em tudo o que fazia. Baekhyun não era ninguém para negá-lo esse conhecimento.

— Sim. — Respondeu com prontidão, pouco se importando se parecia desesperado naquele momento, porque realmente estava. — Faz de novo.

Chanyeol negou com a cabeça, estalando a língua no céu da boca de forma barulhenta. Tinha sido proposital, com o intuito de parecer debochado.

— Quem sabe outra hora.

Ao contrário do que esperava, Chanyeol envolveu suas bolas em uma das mãos, massageando-as com dedos suaves, apertando levemente, usando a outra mão para tocar-lhe o períneo, pressionando dois dedos naquele lugar sensível. Envolveu os lábios ao redor da glande, chupando levemente, depois aprofundando o cumprimento dentro da boca ao que esfregava a língua. Chupou lentamente, depois mais rápido, mais rápido e então lentamente novamente.

Com os olhos fixos nos de Baekhyun, ele se afastou, lambeu o pau duro de cima a baixo e o tomou em sua boca outra vez, acariciando a base e os testículos tensos. Chanyeol aumentou o ritmo, a boca e a mão se movendo para cima e para baixo em seu pau, que brilhava com a saliva e pulsava com antecipação. Ele estava perto. Muito perto. Ele deveria puxar para fora.

— Eu vou gozar. — Avisou, alto o suficiente para que o maior pudesse ouvir, mesmo que estivesse completamente sem forças.

Esperava que ele entendesse que, se continuasse, não se justificaria pelos próprios atos, mas a única coisa que viu foi a cabeça de Chanyeol ondular quando ele assentiu em resposta. Os olhos estavam nebulosos, brilhando com paixão.

Aquele olhar ansioso foi o suficiente.

— Goza na minha boca. — Chanyeol pediu, imediatamente abrindo os lábios e colocando a língua para fora. Ele estava com as pernas abertas e Baekhyun podia ver que ele estava tão duro quanto a si naquele momento.

A respiração engatou no fundo da garganta, um pouco chocado pelo pedido — e também ansioso. Nunca tinha feito aquilo, embora fosse uma das suas vontades secretas. A verdade é que já tinha feito um monte de coisas antes, mas nunca aquilo. Com ninguém. Surpreendia-se a todo momento com aquele homem, porque Chanyeol parecia saber de tudo o que gostava, até mesmo das coisas que nunca tinha falado pra ele.

 Concordou com o pedido dele em silêncio, embora estivesse sorrindo de canto. Chanyeol fechou os olhos e inclino a cabeça para trás, daquele ângulo conseguia ver a garganta dele mexer sob a pele, engolindo a saliva desesperadamente enquanto esperava por outra coisa.

Baekhyun tomou as rédeas, envolvendo o pau entre os dedos e iniciando uma masturbação rápida e desajeitada, massageando as bolas doloridas ao mesmo tempo em que movimentava o punho. Ele gozou com um grunhido áspero que ricocheteou nas paredes. Uma onda de prazer atravessou seu corpo, sua mão ainda rápida quando jatos quentes respingaram na boca e rosto de Chanyeol.

Ele explodiu onda de prazer latente, uma mão enredada no cabelo molhado do Park e a outra envolta do pau duro, sensível e vermelho. A visão ficou turva durante alguns segundos, surpreendendo. Um orgasmo nunca tinha tirado sua capacidade de pensamento.

Uma faísca voltou a acender quando Chanyeol lambeu os lábios, trabalhando para engolir seu sêmen.

— Porra... — Foi a única coisa que conseguiu dizer naquele momento, apoiando-se na parede para conseguir se manter em pé.

Limpando a boca com as costas da mão, ele balançou seus pés e sorriu. Ostentava um pequeno sorriso de satisfação, como se estivesse poderosamente satisfeito consigo mesmo e com o desempenho que tinha exercido.

Não era pra menos.

Do jeito que Baekhyun tinha gozado, sequer podia negar o quanto tinha sido bom.

Os dois riram no final de tudo. Baekhyun lavou o cabelo de Chanyeol na pontinha dos pés e o provocou um pouco com o sabonete, quando fez questão de lavá-lo de cima a baixo. Nunca tinha visto graça naquele tipo de coisa e quando assistia em algum filme, achava patético. Mas com o Park tinha sido diferente. Ele sempre transformava as coisas em um outro nível de erotismo.

Baekhyun não admitiria, mas sentiu falta de quando ele saiu pela porta do apartamento. Não queria bancar o namorado carente mandando-o mensagens a todo momento, porque nem eram namorados para início de conversa. Mas não podia negar que sentiu vontade de irritá-lo naquele aplicativo de mensagens a madrugada inteira, apenas porque queria um pouquinho de atenção e estava excitado.

Não excitado de ostentar um pau duro no meio das pernas, mas de ficar arrepiado e com tesão de pensar no que tinham feito. De imaginar o que mais poderiam fazer. E no quanto era e seria bom.

Acabou dormindo com o celular aberto na conversa de Chanyeol, depois dele ter dito que não via a hora de voltar para casa e poder descansar dentro do seu abraço.

É, talvez amasse mesmo o vizinho.

 

[...]

 

Kyungsoo tinha ligado para si naquele final de tarde. Baekhyun estava em seu próprio apartamento, tinha acabado de tentar — e falhar miseravelmente — dar banho no cachorro e precisou secar a casa inteira depois dele escapar pela festa do box do banheiro.

Fazia alguns meses que não via o antigo colega de trabalho. Para ser mais sincero, não o encontrava desde que tinha se demitido. E por bastante tempo achou que Kyungsoo só estava sendo gentil quando o telefonava — principalmente porque sabia que não tinha arrumado outro emprego e as coisas estavam cada vez mais difíceis. Mas depois de conversar com Chanyeol sobre isso — a contragosto, pois não era alguém de muitas palavras — percebeu que talvez estivesse sendo muito duro com ele nos últimos tempos, principalmente consigo mesmo. Era um cara sozinho e tinha se acostumado com isso, mas não podia negar que sentia falta de ter um amigo de vez em quando. Quem sabe as coisas não fossem tão complicadas se pudesse falar sobre elas com alguém. Se pudesse falar com alguém sobre sua maior confusão atual: Chanyeol.

— Vamos marcar de sair, cara. — Kyungsoo falou do outro lado da linha.

Baekhyun não queria ser um estraga-prazeres, mas se aceitasse, precisaria gastar com gasolina e com consumos desnecessários e não tinha dinheiro para isso.

— Ainda não arrumei outro emprego, então fica ficaria ruim para mim. — Falou com um pouco de pesar. Sempre tinha sido alguém que ele tava falando sobre a condição financeira. — Mas se você quiser vir beber uma cerveja aqui em casa…

— Pode ser. Eu levo a bebida.

Silenciosamente, Baekhyun agradeceu pela bondade dele. Estava contando com ela.

— Final de semana, então?

Kyungsoo riu do outro lado da linha.

— Vejo você, Byun.

Depois disso, eles mantiveram o contato através de mensagens de texto. Quando comentou com Chanyeol que estava tentando dar uma chance para aquela amizade, o maior ficou extremamente feliz. Porém, mesmo assim, perguntou-se se deveria convidá-lo para reunião. Kyungsoo com certeza o questionaria sobre o vizinho misterioso, o que já não era um mistério tão grande assim. Acabou por decidir que aquele momento era somente seu e não poderia falar de suas inseguranças sobre Chanyeol com outra pessoa com ele em sua casa. E, honestamente, precisava daquilo. De uma terceira opinião sobre as coisas ou acabaria surtando com as próprias pensamentos.

Para desencargo de consciência, Chanyeol não se incomodou com a ideia de não participar daquilo, na verdade, ele até sugeriu que fossem somente os dois, porque depois de todo aquele tempo, com certeza tinham muitos assuntos pendentes para colocar em dia.

Quando a tal noite do encontro chegou, Baekhyun estava animado quase que na mesma medida que estava ansioso. Jamais pensou que ficaria daquela forma antes de encontrar Kyungsoo, o cara que tinha trabalhado consigo durante anos, o mesmo cara que quis ser seu amigo e recebeu apenas duras respostas em troca. Mas agora seria diferente. Baekhyun sabia que era um novo homem — talvez não tão novo assim, mas menos desenrolado e que conseguia enxergar melhor as coisas dessa vez.

Kyungsoo chegou quando a lua já estava plena bem no meio do céu, cheia e brilhante, o que o fez ter certeza de que ele tinha passado em casa antes de encontrá-lo. O perfume forte e os cabelos penteados com gel também ajudavam. Depois de trabalhar todo aquele tempo na oficina, o cheiro de graxa, óleo de motor e borracha já não incomodavam mais Baekhyun. Mas incomodavam outras pessoas — e muito.

— Cheguei muito tarde? — O Do perguntou, atravessando a porta com duas sacolas, uma em cada braço.

— Dentro do possível. — Baekhyun soltou uma risadinha pelo nariz, prontificando-se ao pegar ambas as sacolas e levar até a cozinha. Kyungsoo caminhou em seu encalço. — Pensei que teria que começar a festa sozinho.

Era estranho ter outra pessoa dentro de casa que não fosse Chanyeol. Para ser sincero, ainda estranhava quando o maior estava ali, mesmo que a presença dele tivesse se tornado muito frequente nas últimas semanas. Mas ele e Chanyeol eram solteiros, viviam sozinhos e em apartamentos do mesmo padrão, tão pequenos quanto uma caixa de sapato. Kyungsoo era casado, vivia com outra pessoa e morava em uma casa que tinha jardim.

Respirou fundo e pensou no que Chanyeol diria naquele momento.

Kyungsoo queria ser seu amigo, independente se morava em uma casa enorme ou em um apartamento de classe-baixa.

— E começar sem o anfitrião? — O menor estalou a língua nos dentes.

Era uma cena engraçada, porque parecia que o antigo colega de trabalho já fizesse parte de sua casa, mesmo que fosse a primeira vez dele ali. A energia de Kyungsoo era leve e cômoda, e ele não fazia muito esforço para parecer confortável. Baekhyun estava surtando à toa, pelo simples fato de ter feito aquilo a vida inteira. Por achar que não devia ou não merecia ser amigo de ninguém, muito menos de ter alguém por perto capaz de gostar de si pelo que realmente era.

Não se deixaria consumir ou se sabotar.

— O anfitrião não sou eu? — Ergueu uma das sobrancelhas para ele, abaixando-se em frente à geladeira para organizar as latas de cerveja.

— Sabemos que não.

Não conhecia aquele lado de Kyungsoo, estava acostumado demais com a carranca emputecida dele para imaginar que ele podia ser muito mais do que apenas aparências. Talvez tivesse perdido muito tempo se questionando se valia a pena deixá-lo penetrar em sua vida que acabou esquecendo de realmente conhecê-lo.

Baekhyun empurrou a porta com o quadril e caminhou até Kyungsoo com duas longneck. Tinha assaltado a geladeira de Chanyeol naquela manhã, apenas para ter o que oferecer quando sua visita chegasse.

— Eu não quero que o clima fique estranho, mas eu não sei o que fazer. — Optou por ser sincero, mordendo a pontinha do lábio enquanto se sentava em uma das banquetas do balcão. Kyungsoo estava do outro lado, também sentado, com o rosto apoiado em um dos punhos. — Não tenho muitos amigos. Nem trago muita gente pra cá.

— Eu também não sei, cara. Vamos só... sei lá, deixar fluir. — Kyungsoo falava devagar e aquilo era quase um tipo de calmante. — E aí, já tem alguma previsão de arrumar outro emprego?

— Tenho uma entrevista semana que vem. Estou confiante. — Baekhyun deu um meio sorriso, procurando esconder a própria animação entornando um gole da cerveja. Todas as vezes que tinha ficado entusiasmado daquela forma, acabou decepcionado no fim do dia. — E como anda a oficina?

— Você não ficou sabendo?

Baekhyun franziu a ponta do nariz.

— Sabendo o quê?

— O Sungmin teve um infarto. Quase morreu. — A naturalidade como Kyungsoo disse aquilo parecia coisa de outro mundo. Baekhyun apenas arregalou os olhos, fechando a boca antes que um bem-feito saísse dela. Por mais que Sungmin fosse prepotente e nojento, não desejava mal pra ninguém. Talvez, para seu pai. Mas ele já tinha morrido há muitos anos. — É o filho dele, Seungwoo, que cuida da oficina agora. As coisas estão bem diferentes.

Ficou sem saber o que dizer, para ser sincero. Mas considerando o histórico problemático do antigo chefe, não era algo tão surpreendente assim. Ele já era velho e tinha como meta de vida encher o saco de todo mundo, na verdade, surpreendente era saber que tinha demorado tanto para algo assim acontecer. Talvez fosse karma, ou apenas a vida dando o troco. De qualquer forma, não era algo do interesse de Baekhyun. Tinha desapegado daquela vida por um motivo, não precisava se recordar dela.

— Que merda. — Deu um longo gole em sua cerveja, olhando para o meio da sala, pensativo. O mundo era realmente uma caixinha de surpresas. — Pretende continuar lá?

— Por enquanto, sim. — Kyungsoo fez cara feia, mas o Byun entendia o sentimento. Mesmo que gostassem de carros, aquele lugar não era o melhor do mundo. E, às vezes, apenas gostar do que fazia não era o suficiente. — As coisas estão diferentes agora, sério. Mas estou procurando por algum emprego que pague melhor.

— Aquele lugar é uma merda, mas sinto falta do pessoal... mesmo que eu não falasse com quase ninguém.

— Você deixou um rombo na equipe. — Kyungsoo riu. — Sungmin ficou puto quando não encontrou ninguém bom o suficiente pra colocar no seu lugar.

— Devia ter dado valor antes que eu me demitisse. — Baekhyun deu de ombros. — E o seu casamento, como vai? É realmente tudo o que dizem?

Estava curioso sobre. Geralmente não era alguém que se importava com títulos e rótulos, mas quando estava apaixonado (e encontrava-se muitíssimo apaixonado por um tal cara de quase um e noventa de altura), ficava bastante pensativo sobre.

— Vai bem. É muito bom ter alguém pra compartilhar experiências. — Inconscientemente, Baekhyun se viu concordando com o que ele tinha acabado de falar. — Preciso contar uma coisa. Na verdade, isso meio que ainda é segredo, mas acho que não vai ter problema se eu falar pra você.

A parte ruim de ser alguém muito curioso é que Baekhyun sequer conseguia disfarçar.

— Fala logo.

— Eu não sei como falar isso, cara. Minha mulher me proibiu até segunda ordem. — Kyungsoo fez uma cara de pobre coitado que Baekhyun quase achou graça, mas ficou com receio de rir e ele estar falando de alguém que fosse muito sério.

— E você quer contar por que, então?

— Porque eu vou enlouquecer se não falar pra ninguém!

— Então fala, cara. Minha boca é um túmulo. — Baekhyun fez sinal de zíper, como se estivesse fechando os próprios lábios para que nenhuma informação saísse de lá.

Houve um longo minuto de silencio. Ele pareceu se arrastar enquanto Kyungsoo parecia entretido demais com as próprias unhas ou com o fio solto da costura da calça. Mil e uma ideias passaram por sua cabeça naquele momento e nenhuma delas fazia o menor sentido.

— Eu vou ser pai.

Fatality.

De todas as coisas que tinha imaginado, aquela não estava no pacote. Talvez nem estivesse no pacote de Kyungsoo, porquê das poucas vezes que tinham falado sobre o ex-colega dizia que só queria ter filhos depois dos trinta e cinco anos. Estava bem adiantado naquela conta agora.

— Sério? — Mal conseguiu conter a surpresa em seu semblante.

Kyungsoo soltou uma risada pelo nariz, entornando metade da garrafa de uma única vez.

— Sim.

— Meus parabéns, então. Eu acho. — Tinha consciência de que era a pior pessoa do mundo para exercer aquele papel de amigo, mas pelo menos estava tentando ser o menos intragável possível em uma situação tão delicada quanto. — Por que eu sinto que você não tá feliz.

— Eu tô, apenas... — O menor soltou um suspiro, fechando os olhos e levando uma das mãos até uma das têmporas. — Não planejamos nada. Eu tenho um trabalho de merda e vou me foder por causa disso.

— Olha, dinheiro não é tudo na vida. — Baekhyun sabia disso melhor do que ninguém, porque tinha nascido em uma família muito humilde e que passou por muitos perrengues, mas nada disso tinha impedido que se tornasse um homem bom. Se existisse amor, dinheiro era o de menos. — Digo isso por experiencia. Se você e a Jihyun se amam, vão dar um jeito.

— Valeu, cara. Eu sei que vamos dar um jeito... só me pegou de surpresa. Ainda não consegui digerir a informação, mas espero que tudo dê certo.

— Vai dar.

— Mas e você? Rolou alguma coisa com o vizinho bonito?

Estava esperando pelo momento em que ele entraria naquele assunto, porque conhecendo Kyungsoo do jeito que conhecia, ele não deixaria a oportunidade passar batida.

— A gente meio que tá junto? — A resposta acabou soando mais como uma pergunta.

Não sabia o que ele e Chanyeol eram, no final das contas. Viviam na casa um do outro, dormiam juntos, saiam juntos e criavam planos impossíveis e quando não estavam fazendo nada disso, o celular estava empoleirado no ombro em uma chamava de voz ou os dedos digitando enlouquecidamente uma mensagem. Mal conseguia se lembrar de como era sua vida antes daquele cara estupidamente alto aparecer e deixar um pouquinho dele em cada canto. Tinha o cheiro de Chanyeol em suas roupas de cama, assim como tinha calçados dele na prateleira ao lado da porta e camisetas enormes no cesto de roupa suja. Passava mais tempo com ele do que passou algum dia, muito tempo atrás, com o ex-namorado. E isso era um pouco estranho, porque os dois não eram nada além de ficantes.

É.

Ficantes. Era esse termo que resumia o que os dois eram.

— Meio que estão juntos? — A careta que Kyungsoo fez foi impagável.

Baekhyun decidiu que era melhor pegar outra cerveja, porque aquela história ia longe.

— É. — Baekhyun abaixou-se em frente à geladeira para pegar mais duas garrafas lá de dentro. — Estamos ficando.

— Faz quanto tempo isso?

— Dois meses. — Respondeu baixinho, percebendo que fazia pouco tempo que estavam juntos realmente. — Cara, posso te pedir um conselho?

— Essa é nova. — O tom de voz do amigo era engraçado e ele estava com o olhar de alguém que estava prestes a tirar sarro de algo, mas ao invés disso, apenas assentiu com a cabeça. — Não sou o melhor conselheiro do mundo, mas posso tentar.

Havia algo encucando Baekhyun há dias.

Nas poucas vezes em que esteve apaixonado, Baekhyun se atirou de cabeça. Já era alguém impulsivo de berço, mas quando se tratava de relacionamentos, ele se entregava de corpo e alma. Com seu ex-namorado, isso tinha sido um problema grande, principalmente porque tinham personalidades muito diferentes e Baekhyun acabou saindo como o namorado carente e irritante. Mas Chanyeol era diferente... ele tinha essa característica em comum consigo, de se entregar por inteiro, acontece que, mesmo assim, o Byun continuava achando que estava extrapolando, atravessando algumas linhas antes da hora. Isso explicaria muita coisa, a principal delas é o fato de Chanyeol não ter dito que o amava de volta. Estavam juntos, embora sem oficializar nada, há pouco mais de dois meses. Era pouquíssimo tempo, talvez tivesse o assustado com sua honestidade repentina, entretanto, tinha certeza de seus sentimentos.

— Eu falei que amava ele há alguns dias. — Sentia-se muito bobo falando sobre tal coisa, principalmente porque era um homem de trinta anos que se considerava alguém totalmente sem experiencia quando se tratava de relacionamentos. — Você acha que foi precipitado? Muito cedo pra falar algo assim? 

Kyungsoo coçou a garganta, dobrando os punhos em cima do balcão da cozinha. A feição risonha sumiu do rosto dele e ele assumiu uma postura séria, empurrando a garrafa de cerveja para o lado, tirando-a do campo de visão. Baekhyun deitou o rosto sobre o mármore, repentinamente sentindo-se muito mais sentimental do que imaginou que ficaria ao tocar naquele assunto. Era seu objetivo principal — além de tentar criar laços mais firmes com Kyungsoo — para aquela noite, mas não esperava que falar sobre fosse ser tão difícil e que demandaria tanta energia.

— Não existe hora certa nem lugar pra falar isso, Baekhyun. Basta você amar a pessoa. — O sorriso que o melhor ofereceu foi caloroso. Sequer pareciam as mesmas pessoas de sempre ali, abrindo o coração uma para a outra. Imediatamente, o Byun sentiu-se estúpido por ter afastado Kyungsoo tantas vezes ao longo daqueles anos. — Você o ama de verdade?

Não tinha dúvidas de que amava.

— Sim. — A resposta saiu com uma naturalidade impressionante de sua boca. Para alguém que sempre tivera dificuldades de se expressar, Baekhyun até que estava indo bem. — Eu nunca senti isso na minha vida. Achei que tinha amado Sehun porque ele me deixou na merda quando terminou comigo, mas eu só estava acomodado com a ideia de ter alguém. O que eu sinto por Chanyeol é de outro mundo. Parece que vou sufocar quando estou perto dele.

— Então não foi precipitado. Você tem conhecimento do que sente, fez o certo em deixá-lo saber disso também.

Baekhyun tentou absorver as palavras de Kyungsoo e deixar as preocupações de lado. Quando Chanyeol se sentisse preparado, diria as três palavrinhas. Sabia disso e não queria pressioná-lo por conta da insegurança de, talvez, não ser retribuído na mesma intensidade. Quando pensava nisso, sentia-se a pior pessoa do mundo por duvidar do que ele sentia, mesmo que o Park fosse muito cristalino e fizesse questão de dizer várias e várias vezes o quanto gostava de si e, melhor do que isso, ressaltar os motivos pelo qual tinha se apaixonado.

Eles conversaram por horas e horas, até a cerveja da geladeira terminar e a caixa da pizza que pediram esvaziar. Tinha sido uma noite boa, regada de risadas, conversas sérias e sentimentais e recordações do passado. Quando desceu para levar Kyungsoo até o portão e enfiá-lo, um pouco bêbado e tonto, dentro de um táxi, Baekhyun pôde ver no ex-colega um potencial forte de amizade. Não deixaria a oportunidade passar batida dessa vez, entretanto. Agarraria ela com força e faria dar certo.

Era quase três horas da manhã quando sentou no balanço do playground que ficava em frente a torre de Chanyeol, perguntando-se se deveria ou não ligar pra ele. Era possível que ele estivesse dormindo àquele horário e não queria acordá-lo, pois sabia que no outro dia ele precisava trabalhar. Ao invés disso, optou por enviar-lhe uma mensagem.

 

[02:47] Baekhyun: Posso dormir com você?

 

Seria mentira se dissesse que não ficou encarando o celular, esperando por uma resposta. A verdade é que os dois tinham prometido que aquele dia dedicariam a si mesmos. Chanyeol tinha dito que veria o melhor amigo, que sairiam para jantar e colocariam o papo em dia, e o mesmo seria para Baekhyun e Kyungsoo. Um momento pessoal para cada um. Mas quando o Do foi embora de sua casa e percebeu que voltaria sozinho e que quando deitasse em sua cama, não teria o calor reconfortante e um corpo grande para abraçar, tudo perdeu o sentido.

Já não conseguia viver sem Chanyeol.

 

[02:50] Chanyeol: Estava esperando por isso.

[02:50] Chanyeol: A porta está aberta.

 

Impedir que o sorriso crescesse no rosto foi impossível. Baekhyun guardou o celular no bolso da calça e entrou no prédio da frente, as mãos suando em punhos dentro do elevador. Mesmo depois de todo aquele tempo que se conheciam, que tinham começado a aprofundar a relação, ainda agia como se fosse a primeira vez que o via. O corpo simplesmente ignorava o conhecimento de que Chanyeol era alguém corriqueiro em sua vida e jamais se acostumava com as sensações que somente ele era capaz de fazê-lo sentir.

Como avisado, a porta estava aberta. Achou o gesto muito doce da parte dele — o fato de que estava esperando que fosse até si naquela noite. O apartamento estava escuro e silencioso, exceto pela luz da área de serviço que o maior deixava acesa durante a noite caso alguém levantasse pela madrugada. Tirou os sapatos e os deixou ao lado da porta, e tratou de fazer a mesma coisa com a calça jeans que usava, dobrando-a e colocando sobre o braço do sofá. Seus passos em direção ao quarto foram calculados e taciturnos, cuidando para não fazer nenhum movimento muito brusco e acordar o Park, caso ele já estivesse dormindo.

A porta do cômodo tinha um rangido parecido com miado de gato, costumava achar engraçado no início, mas ali, ele fez questão de abri-la devagar. Chanyeol estava deitado de costas para a porta, coberto até os ombros com um edredom fofo. O ar condicionado estava ligado e o Byun arrepiou-se por inteiro quando colocou os pés descalços sobre o piso frio, obrigando-o a apressar o passo e se enfiar debaixo das cobertas. Imediatamente, ele foi agraciado pelo calor reconfortante do maior. O corpo relaxou com uma rapidez anormal, mas nada que já não estivesse acostumado. Chanyeol tinha aquele efeito anestésico.

— Vira de lado... — Ouviu a voz rouca do Park ao seu lado e o farfalhar das cobertas enquanto ele se mexia.

Fez o que ele pediu sem questioná-lo, sendo envolvido pelos braços largos em um abraço não muito tempo depois. O corpo de Chanyeol era quente e confortável, e senti-lo juntinho daquela forma era malditamente gostoso e deixava o coração do Byun batendo calmo dentro do peito.

— Boa noite, Baek. — Ele disse baixinho, o rosto enfiado em seu pescoço e ambas as mãos lhe tocando a barriga por baixo da camiseta.

— Boa noite, amor.

 

[...]

 

Acordou com um estrondo vindo do outro cômodo, fazendo-o se revirar nas cobertas. Demorou para assimilar o que estava acontecendo, meio grogue de sono e também desconcertado pelo despertar induzido. Só percebeu que era Baekhyun quando ouviu a voz baixinha dele resmungando no corredor, onde podia ver pela fresta entreaberta da porta que estava com a luz acesa.

— Baek? — Chamou alto o suficiente para que ele conseguisse ouvir fora do cômodo. — O que aconteceu?

Nem meio minuto depois, o Byun estava dentro do quarto. O semblante dele era sério e preocupado e Chanyeol achou muito fofa a forma como ele colocou um bico emburrado nos lábios ao sentar na cama.

— Não queria te acordar agora. — Havia arrependimento na voz dele e Chanyeol se sentiu um tantinho culpado por fazê-lo se sentir daquela forma. Mesmo que não fosse sua intenção. — Estava tentando fazer café da manhã pra nós dois, mas acabei quebrando um copo.

Chanyeol quis dar um beijo nele, mas estava com preguiça de se mover na cama para fazê-lo, então esticou um dos braços e tocou na coxa dele. O olhar de menor caiu sobre sua mão antes de cobri-la com os próprios dedos.

— Vem cá. — Pediu, avisando daquele tom de voz dengoso que só usava quando queria muito alguma coisa. — Me dá um beijo.

Baekhyun não demorou a fazer o que tinha pedido; como não gostava de nada pela metade, o Park enterrou os dedos no cabelo dele e juntou as bocas com vontade, a fim de relaxá-lo. Estava tenso, era visível pela forma como o corpo pequeno estava rígido bem ao seu lado.

— Tá nervoso? — A mão que estava no cabelo dele caiu sobre um dos ombros enrijecidos e o maior apertou devagar, repetindo o gesto algumas vezes na intenção de fazer os nós dos músculos aliviarem.

Baekhyun tinha uma entrevista, e por mais que Chanyeol soubesse que aquela vaga seria dele de uma forma ou de outra, ainda queria vê-lo se esforçar por isso. O mais velho não era alguém que aceitava as coisas de mão beijada, muito menos parecia lidar bem com isso. No fundo, Chanyeol se sentia culpado por fazê-lo acreditar que existia a chance de ele não passar, sendo que aquela vaga já era praticamente dele, bastava aceitar.

Tudo o que estava fazendo era por um bom motivo, certo?

Queria que ele tivesse a liberdade de recusar caso não gostasse, mas sabia que se Baekhyun soubesse que Chanyeol tinha realmente dado uma mexida nos palitos para colocá-lo lá dentro, ele não falaria. Ele ia aguentar mesmo não gostando e não era isso que queria.

Baekhyun precisava de um emprego, estava frustrado depois de tanto enviar currículos e nunca ser chamado sequer para uma entrevista. As contas estavam acumuladas, o aviso de despejo colado na porta. Isso deixava Chanyeol preocupado na mesma intensidade em que ficava triste em vê-lo se sentir tão inferior.

 — Sim. — Respondeu, fechando os olhos quando Chanyeol dedilhou sua nuca com ponta dos dedos.

— Porque a gente não faz assim, então... — Colou os lábios em uma das bochechas dele, engolindo vontade de afundar os dentes naquela região fofa. A última vez que tinha feito o feito, recebeu um soco no ombro e Baekhyun ficou com uma marca no rosto. — Eu faço nosso café da manhã e você toma um banho bem relaxante, o que acha?

Baekhyun apareceu ponderar sobre sua proposta.

— Não quero incomodar você.

O Park fez um biquinho, segurando ambas as bochechas dele nas mãos antes de beijá-lo na ponta do nariz arrebitado e depois nos lábios. Não conseguia entender porque alguém incrível como ele sempre arrumava um jeito de achar que estava incomodando de alguma forma.

— Não tá incomodando. Eu quero fazer isso, Baekhyun. — Enfatizou bastante o fato de que queria fazer aquilo, para ver se conseguia fazê-lo entender de uma vez por todas que o que quer que tenha acontecido no passado, ele não era o culpado. Muito menos era um estorvo. — Gosto de cuidar de você e de te agradar. Me faz bem. Não quero que pense que me incomoda.

Meio a contragosto, o menor concordou. Ele se ajeitou contra seu corpo e deixou um beijinho sobre o seu peitoral, do lado esquerdo. Aquilo encheu Chanyeol de felicidade e também de melancolia. Aquele homem tinha se tornado uma das coisas mais importantes em sua vida, faria qualquer coisa para vê-lo feliz e satisfeito consigo mesmo.

Nunca esteve tão envolvido, muito menos se sentido daquela forma.  Era um sentimento tão grande que quase transbordava de dentro para fora.

— Acho que amo você, Baek.

A forma como aquelas palavras saíram de sua boca foi natural. Sabia que gostava para caralho do vizinho, mas nunca tinha procurado rotular aquele sentimento antes. Não precisou de muito para perceber que, sim, estava certo. Assistir o sorriso de Baekhyun crescer e crescer com sua confissão foi o suficiente para perceber que, é, amava Baekhyun.

— Nossa, eu amo você demais. — Chanyeol o envolveu em um abraço apertado, enfiando o nariz no cabelo cheiroso dele.

Baekhyun devolveu o carinho, empurrando os braços por baixo de seu corpo para abraçá-lo também.

— Obrigado. — A voz dele estava abafada pela posição. O Park quase não conseguiu entender o que ele estava dizendo daquele jeito.

— Obrigado pelo quê?

Esperava que ele não estivesse agradecendo por amá-lo, porque seria obrigado a fazê-lo perceber que era alguém que merecia muito amor, afeto e atenção. Fazê-lo perceber que era merecedor de ser adorado e gostado por outra pessoa. Que era merecedor de ter seu amor, assim como também tinha o direito de ser feliz.

— Por não desistir de mim. — Ele apoiou o queixo e seu peitoral, ficando tão pertinho que conseguia sentir a respiração quente dele em seu pescoço. — Por me dar uma chance.

— Baek. — Esfregou o polegar na maçã do rosto dele. Nunca se cansava de vê-lo daquele jeito, com o rosto limpo e os olhos inchados de dormir. Ele era lindo, não apenas de aparência, mas também como ser humano. Era tão frágil… sentia vontade de cuidar dele por todo tempo que lhe fosse permitido. — Não fala esse tipo de coisa, amor. Eu seria um idiota se não te desse todas as chances do mundo.

— Gosto quando me chama assim…

Eles se beijaram devagarinho.

Coração batendo contra o coração, os corpos juntinhos na cama, abarrotados dos pés à cabeça. Era uma cena doméstica incomum há bastante tempo na vida de Chanyeol, e por mais que já tivesse namorado, não se lembrava mais de como era ter aquele tipo de rotina e contato. Não sabia o que era receber carinho ou simplesmente dá-lo, porque estava muito apaixonado e precisava de demonstrar isso de alguma forma.

Dormir com desconhecidos tinha sido bom por um tempo. O fazia se sentir vivo no meio do caos, mas o que tinha com Baekhyun era diferente. Não sabe explicar com palavras o jeito que ficava quando o via esparramado em seu sofá, assistindo TV, esperando que chegasse em casa após o trabalho. Ou quando recebia um abraço apertado no meio da noite e um beijinho na nuca. Ou quando o Byun ria de suas idiotices e a risada dele ecoava por todos os cantos do apartamento.

Muitas coisas fizeram Chanyeol se sentir vivo ao longo da vida, mas nenhuma delas fez seu coração bater como Baekhyun fazia.

— Quer namorar comigo? — Chanyeol perguntou, certo de que não haveria momento melhor para tal senão ali, com certeza a certeza de seus sentimentos. Com a certeza de que estava mais apaixonado do que nunca por aquele homem. — Quer ser meu namorado?

Baekhyun arregalou os olhos, a boca abrindo de um jeito bonitinho. Teria achado fofo se aquela reação não fosse um tanto preocupante.

— Muito cedo para algo assim? — Questionou rapidamente, mais desconcertados do que alguma vez imaginou que ficaria caso tomasse um fora do vizinho.

— Não... — Ele respondeu devagar, piscando os olhos várias vezes. — Não é isso.

— O que é, então?

Baekhyun mordeu o lábio.

— Você tá falando sério? De verdade?

— Por que eu não estaria falando sério?

— Não sei... — Baekhyun deitou a cabeça em seu peito em uma posição que não lhe permitia enxergar o rosto dele. — Não achei que fosse querer namorar comigo.

Como não? Chanyeol se perguntou em silêncio. Será que não estava demonstrando direito o quanto gostava dele ou suas tentativas eram insuficientes? O quanto ele era importante pra caralho e como estar com ele enchia seu peito de carinho e felicidade?

— Por que achou isso? Eu não demonstro direito? Falhei em algum momento com você?

Baekhyun buscou por sua mão, estava que estava nas costas do menor. Ele a tirou de lá, juntou os dedos e a levou até próximo do próprio rosto, onde a beijou no dorso.

— Você é maravilhoso, Chanyeol. Comigo, principalmente. Você fez tudo certo. — O Byun apertou seus dedos. A palma da mão dele estava suando. — Apenas não tenho certeza se sou a pessoa certa pra você. Não sei se estou à altura de alguém tão incrível como você.

Era tão doloroso saber que a pessoa por quem tinha se apaixonado não fazia ideia do próprio valor. Não conseguia entender, porque para si, Baekhyun era a pessoa mais interessante do mundo inteiro.

— Sei que não importa o que eu diga agora... você já tem suas opiniões formadas sobre si mesmo, mas confia em mim, por favor. — Chanyeol pediu, afundando os dedos no cabelo liso do Byun. — Eu tenho certeza que você é o homem certo pra mim. Eu nunca me senti assim em toda a minha vida e esse sentimento me deixa entorpecido. Eu vou entender se você não quiser namorar comigo ou achar a ideia precipitada. Mas se você aceitar, eu tenho certeza de que posso te fazer muito feliz nessa vida.

— Você já me faz muito feliz, Chanyeol.

— Então por que complicar as coisas, amor? Por que não deixar simplesmente acontecer?

— Tenho medo de te decepcionar.

— Você não vai.

Baekhyun mudou de posição, apoiando os cotovelos na cama. O rosto dele estava sereno, mas o conhecia bem o suficiente para saber que aquilo não significava nada. Baekhyun era como o mar aberto, intenso por dentro, retraído por fora.

— Eu te faço feliz? — O menor perguntou num fio de voz.

— Muito, amor.

Baekhyun ergueu o olhar e encontrou seu olhar. Chanyeol estava sorrindo, mas a verdade é que passava horas do dia dessa forma depois que o conheceu.

Erguendo o queixo do menor, o Park beijou-lhe os lábios. Passava a noite inteira de trabalho querendo sentir a língua na dele e quando estavam juntos, nunca parecia o suficiente. Chanyeol gostava de pensar que ambos tinham o encaixe perfeito. Era um pouquinho clichê, mas no fundo, sabia que Baekhyun também pensava daquela forma.

— Preciso pensar sobre o seu pedido. — Baekhyun disse baixinho, sentimental. Os dedos dele vagaram até uma de suas orelhas, onde depositou um carinho melindroso.

Não era aquela resposta que estava esperando quando tomou coragem de questioná-lo sobre o que estava pensando há semanas. Estar ao lado de Baekhyun, independente se a situação era favorável ou não, era algo que Chanyeol tinha certeza absoluta de desejar fazer. Jongdae costumava dizer que havia algo sobre sua personalidade que podia ser mal interpretada por muita gente. Aquela vontade de querer salvar as pessoas, de achar que podia mudar o mundo distribuindo bondade e amor. Muitas dessas vezes, acabou quebrando a porcaria da cara. Algumas pessoas não queriam ser salvas e não havia nada que pudesse fazer por elas.

Mas Baekhyun era diferente.

E Chanyeol só sabia disso porque tinha se apaixonado por ele muito antes de descobrir quem Byun Baekhyun realmente era. Antes de descobrir que, como qualquer pessoa, ele tinha muitos medos, muitas inseguranças e um passado que parecia persegui-lo onde quer que fosse. E estava tudo bem, porque Chanyeol também tinha cicatrizes e algumas delas sumiriam com o tempo, outras não.

— Tudo bem. — O assegurou, mesmo que seu semblante não fosse o mais animado de todos. Precisava respeitá-lo e sempre faria isso acima de tudo e independente de qualquer coisa. — O tempo que precisar.

Inegavelmente, o clima ficou um pouco estranho.

Baekhyun saiu do conforta da cama e dos braços de Chanyeol e foi para o banheiro, seguindo o conselho que tinha recebido. E como prometido, o Park foi para a cozinha, onde se comprometeu em fazer um bom café da manhã. Tinha feito compras naquela semana e aproveitado para encher a geladeira do Byun, porque se deixasse, ele provavelmente se alimentaria de lamén e snacks da loja de conveniência. Chanyeol precisava usar a desculpa de que queria ter o que comer se sentisse fome de madrugada para que o mais velho aceitasse sua boa vontade, embora ficasse ligeiramente ofendido com não ter o que oferecer pra ele. No fundo, entendia a revolta. Sabia que ele se sentia impotente, mas não poderia deixar ele viver em condições precárias se podia ajudá-lo.

Quando Baekhyun apareceu na cozinha com os cabelos úmidos, uma calça jeans escura e uma camisa social com os botões abertos, Chanyeol quase perdeu o folego. Ele era inacreditavelmente bonito e sensual, mesmo sendo alguém tão simples. Algumas pessoas precisavam de carros grandes, relógios de marca e ternos caros para se enquadrarem no que chamavam de sexy, mas Baekhyun não. Estava no jeito como ele falava, andava e segurava um cigarro nos dedos, mesmo que o maior odiasse aquele vicio.

— Cheiro bom. — Falou em seu habitual tom baixo e grave. Ele caminhou devagarinho e Chanyeol gostou de como ele parecia daquele jeito, com os pés descalços no assoalho e a pele avermelhada. — O que é?

Não querendo ser egocêntrico, mas Chanyeol era um ótimo cozinheiro. Não fazia nada muito mirabolante ou altas descobertas gastronômicas, mas tinha um bom tempero e costumavam elogiá-lo por conta disso. Jongdae, principalmente, e agora Baekhyun.

— Fiz omelete e torradas. — Abriu um sorrisinho, chamando o Byun para perto de si. O abraçou pela cintura quando ele se colocou entre suas pernas, de pé a sua frente, aproveitando também para encostar a bochecha contra a barriga dele. A pele estava gelada e era gostoso ficar daquela forma com ele. — Tem café na térmica também.

Baekhyun assentiu, pegando uma das torradas com a mão e retirando os pedaços para levar até a boca.

Talvez estivesse sendo muito idiota se deixando levar por ideias um tanto infundadas. Baekhyun gostava de si e estava tudo bem. Isso era o suficiente. Não precisavam de um rótulo — era isso o que tentava enfiar na própria cabeça, pelo menos. Mas assumir compromisso sempre foi algo importante para Chanyeol, algo que o fizesse andar na linha e durante muito tempo, foi alguém que pulou de galho em galho, ficando na mão de pessoas que não valiam o chão que pisavam, até conhecer Baekhyun. Ele não apenas valia a pena como fazia Chanyeol se sentir útil para alguma coisa, quebrando a ideia que tinha estabelecido há muito tempo, desde sua adolescência.

Agarrou ele com mais força, inspirando o cheiro do sabonete e do perfume que ele tinha passado. Era um aroma fresco, gostoso, que dava vontade de levá-lo para cama e passar o resto do dia aninhado com ele nas cobertas. Imediatamente, Baekhyun segurou em seus cabelos, massageando-os. Não queria parecer tão vulnerável, mas sabia que Baekhyun já tinha percebido o motivo de todo aquele dengo e aproximação. Não queria receber um não. Não de Baekhyun. Voltar para o fundo do poço não estava em seus planos e não sabia o que faria caso ele dissesse que eles tinham ido longe demais.

— Vou me atrasar para a entrevista. — Baekhyun falou, embora continuasse o dando carinho.

Foi difícil se desvencilhar dele, mas o fez junto da força que estava fazendo para manter aquele choro entalado na garganta.

— Boa sorte, amor.

Baekhyun abriu um sorriso pequeno, mas sem brilho. Ele bebeu uma xícara de café rápido, calçou os sapatos na sala e abotoou a camisa. E quando ele atravessou a porta da frente, por algum motivo, Chanyeol sentiu o coração despedaçar no peito.

 

[...]

 

Tinha optado pelo metrô ao invés de sua moto daquela vez. Queria que suas roupas estivessem bem passadas e os cabelos no lugar para a entrevista, mas se arrependeu amargamente da escolha mal feita quando demorou o dobro de tempo para chegar em casa. Só queria sair de dentro daquela camisa engomada e atirar os sapatos sociais longe. Tinha certeza de que tinha pagado o maior mico vestido daquele jeito, como se sua própria mãe o tivesse vestido. A última vez que havia vestido algo assim tinha sido, de fato, no enterro dela. Desde então, sentia-se sufocado sempre que precisava, mesmo que contra sua vontade, vestir-se de tal maneira.

Tinha ignorado todas as mensagens de Chanyeol desde que havia colocado os pés para fora do apartamento, sentindo a repentina necessidade de tomar um tempo para pensar em si próprio e no pedido que ele havia feito.

Porra...

 Chanyeol queria namorar consigo. Não conseguia acreditar ainda, pois não imaginava que iriam tão longe. Tinha consciência dos sentimentos que nutria por ele e do quão profundo eram, mas ser retribuído de tal forma não estava em seus planos. E era muito estranho saber disso, talvez pelo fato de ter sido pego completamente desprevenido com a informação. Queria, sim, ter algo mais sério com Chanyeol, não existia dúvidas sobre isso, muito menos dos sentimentos que nutria. O problema, de fato, era nunca ter levado a possibilidade a sério.

Nunca tinham tocado naquele assunto e Baekhyun suspeitou que, para o Park, fosse melhor manter as coisas daquela forma. Ele era um rapaz jovem e tinha um estilo de vida diferente, não o culparia por não querer assumir compromisso consigo. Então notar que sua percepção estava completamente errada era um baque e tanto. Chanyeol queria, sim, compromisso e isso era assustador quase que na mesma medida que era bom — pra caralho, vale ressaltar. Fora isso, tinha certeza de que se não tivesse sido pego tão desprevenido com aquela pergunta, teria aceitado na mesma hora, sem pestanejar.

Abriu a porta do apartamento sem muito cuidado. Não esperava que Chanyeol fosse estar ali depois do clima estranho que tinha ficado entre eles pela manhã, mas ficou feliz ao vê-lo, sentado em seu sofá, com a televisão ligada em um canal de reality show.

— Como foi? — Chanyeol levantou rapidamente, aqueles olhos grandes e bonitos que tanto gostava estavam cheios de brilho.

Permitiu-se olhá-lo por alguns segundos, percebendo que ele estava vestindo uma de suas camisetas de banda, uma antiga e surrada, provavelmente da época da escola. Ficava curta nele, mesmo que usasse dois, as vezes quatro números maiores para se sentir confortável. Sorriu ladino, abaixando-se para desamarrar os sapatos e calçar as pantufas de sempre.

— Bem.

Um erguer suspeito de uma das sobrancelhas foi tudo o que Chanyeol lhe deu.

— Só bem?

— É. — Baekhyun tentou se manter sério quando se aproximou dele, embora um sorriso quisesse disparar no canto do rosto. — Por quê?

— Você não passou? —  De repente, o semblante do Park esmaeceu.

Estava com o lábio inferior trêmulo e o encarava com aqueles olhos tristes. A tristeza na voz dele deixou o coração do Byun um pouco apertado. Não queria assistir àquilo. Mais meia dúzia de passos e estava em frente a ele, olhando-o de baixo. Queria fazê-lo sorrir. Aquele rosto lindo não devia parecer tão atormentado.

— Passei, amor.

Foi como se um filme em câmera lenta estivesse passando diante de seus olhos enquanto assistia o sorriso de Chanyeol crescer e crescer até os olhos grande quase sumirem por completo atrás das bochechas rechonchudas. Nem um segundo depois, os braços dele o envolveram pela cintura e seu corpo foi erguido do chão. Eles giraram pela sala de forma desajeitada, aos risos, até que Baekhyun estivesse gargalhando como rosto enfiado no pescoço de Chanyeol e eles caírem no sofá, um por cima do outro.

— Que bom que você conseguiu. Eu tô muito feliz. — Chanyeol falou entre um sorriso e outro. A felicidade dele era genuína, Baekhyun conseguiu sentir a sinceridade nas palavras dele somente pela forma como ele não conseguia ficar com a boca fechada. — Você merece.

— Obrigado, Chanyeol. — Baekhyun falou com a voz abafada pelo abraço repentino. — Eu tenho uma coisa pra te dizer.

Precisava colocar aquilo pra fora logo. Precisava dar sua resposta.

O corpo do maior ficou tenso contra o seu. Também teria ficado daquela forma considerando a seriedade em seu tom de voz, por isso tratou de enfiar uma das mãos no cabelo loiro dele, afagando-o com calma. Com muita sutileza, plantou um selar nos lábios dele, mais longo do que o costumeiro. Estava com o corpo tremendo, de adrenalina e de medo.

— Eu aceito. — Falou baixinho, a teste encostada na do maior e os lábios roçando nos dele. Estavam ambos com os olhos fechados naquele momento íntimo. — Aceito ser seu namorado, Chanyeol. Não quero passar mais nem um dia sem você.

Houve um longo minuto de silêncio. Quando abriu os olhos, encontrou os do Park arregalados, carregados de surpresa. Perguntou-se se ele estava cogitando a possibilidade de não aceitar aquele pedido ou se tinha soado muito indeciso quando saiu do apartamento naquela manhã. Sentiu-se idiota por deixá-lo ao relento, com dúvidas, quando a única certeza que tinha é que estava total e completamente apaixonado por Park Chanyeol e não havia mais ninguém no mundo que quisesse ter ao lado se não fosse ele e somente ele.

Então Chanyeol riu, apertando-o ainda mais naquele abraço desajeitado.

— Se você soubesse o quanto eu tô feliz agora...

— Eu sei. — Baekhyun retribuiu a risada. — Eu também tô.

Agarrando o rosto do maior com as duas mãos, Baekhyun tomou a boca dele com um beijo profundo e molhado. Ele procurou manter um ritmo bem lento, intimo, resistindo com movimentos suaves com a língua quando ela tentou acelerar com gemidos e demonstrações explícitas de entusiasmo. Baekhyun continuou em sua cadência impassível, movendo com suavidade os lábios colados aos dele. Mas isso não durou tanto tempo quanto gostaria, porque Chanyeol fez questão de enfiar uma das mãos entre os seus cabelos e assumir o controle do beijo, aumentando a intensidade ao juntá-los ainda mais quando separou as pernas.

 Fazia algum tempo em que esteve daquele jeito, mas Baekhyun não era nenhum bobo e sabia como os dois terminariam daquela vez. Não estava reclamando, entretanto. Estaria sendo um completo hipócrita se dissesse que não estava louco pra ver Chanyeol em sua cama, no meio dos lençóis, ou de sentir o gosto da pele dele ou os lábios em seu corpo novamente.

Quando se separaram, ofegantes e com as respirações pesadas, Baekhyun levou a mão à boca dele, passando o polegar pelo lábio inferior. Quando ele fez menção de reclamar, ele o enfiou entre os lábios dele, sentindo o calor envolver o dedo. Chanyeol soltou um grunhido baixo, mas não fez menção alguma de impedi-lo ou de se afastar, ao invés disso, ele fechou a boca ao redor do polegar, chupando-o de olhos fechados. Foi impossível não lembrar da boca dele ao redor de seu pau, no banheiro ou em qualquer lugar da casa. Chanyeol gostava de tê-lo na boca nos mais variados momentos e Baekhyun nunca negava porque, porra, ele era bom pra caralho naquilo.

Com um puxão para baixo com o dedo, Chanyeol abriu a boca e Baekhyun empurrou o dedo mais fundo, tocando-lhe a língua. Nunca tinha feito isso antes, mas vê-lo entregue daquele jeito fez com que seu pau começasse a endurecer dentro da calça.

Afastou-se da boca dele somente quando roçou o quadril contra o de Chanyeol e ele gemeu, puxando seu cabelo com um pouco mais de força do que estava acostumado. Esfregaram-se daquela forma por longos minutos, as bocas coladas em beijos desajeitados e lábios sendo mordidos.

— Porra... — O olhar do maior estava, de repente, impenetrável, irreconhecível. As mãos dele deslizaram para o peitoral coberto pela camisa social preta do Byun, então ele a moveu até segurar em sua nuca. Enquanto o olhava daquela forma tão intensa, o lábio inferior do Park tremeu rapidamente, então o rapaz soltou uma risada gostosa de se ouvir. — Eu quero tanto você que não consigo raciocinar direito.

Baekhyun o beijou, sugando um de seus lábios para dentro da própria boca, enquanto apertava com fortidão a camiseta que ele vestia.

— Eu também te quero. — Arrastou o nariz através da pele cheirosa do mais novo, soltando a respiração perto da orelha dele. — Você não faz ideia do quanto eu tô me controlando pra não tirar sua roupa agora.

— Perca o controle comigo, amor. — Chanyeol percorreu a palma das mãos pelas costelas do ruivo, olhando-o tão intensamente nos olhos que Baekhyun mal conseguia reconhecer o Chanyeol de sempre.

Ele era erótico naturalmente, mas não conhecia aquela faceta. Sentiu-se nu diante dele, da impetuosidade daquele olhar.

Baekhyun não era e nunca seria idiota de negar um pedido daqueles, por isso os dois caminharam aos tropeços até o quarto, as gargalhadas se misturando em meio ao barulho úmido dos beijos. Estavam duros dentro da roupa intima, explorando os corpos em meio ao cômodo, descobrindo coisas que ainda não conheciam um do outro. A iniciativa foi de Chanyeol de tirar as roupas, começando por tocar as costas e abdômen do menor por baixo da camisa, após tirá-la de dentro da barra da calça. As mãos dele eram gostosas e apertavam na medida certa para deixar Baekhyun louco de tesão.

Estava decidido que recompensaria Chanyeol por tudo que ele já tinha feito, por cada boquete de bom dia que ele fazia de bom grado. Ele sempre recusava quando se oferecia para retribuir o favor, dizendo que fazia porque gostava de ter seu pau dentro da boca e que só aquilo era gostoso o suficiente para fazê-lo gozar. Não estava mentindo, porque muitas das vezes Chanyeol realmente gozava sem que precisasse fazer absolutamente nada além de gemer o quanto ele tinha uma boquinha muito, muito gostosa e o quanto ele ficava extranatural quando estava coberto com sua porra.

Devidamente nus, dos pés a cabeça, Baekhyun colou a boca na pele morna do maior. O beijou na clavícula, descendo os beijos até o peito. Ele era malhado, tinha músculos torneados, e foi satisfatório encher os dedos com um dos peitorais dele, enquanto abrigava um dos mamilos nos lábios. A forma como Chanyeol se entregava de corpo e alma a qualquer toque, por mais singelo que fosse, era maravilhosa. Em nenhum momento até ali, Baekhyun se sentiu menos experiente que ele, porque Chanyeol fazia questão de demonstrar, fosse gemendo ou sorrindo, o quanto tudo o que fazia era bom.

Os olhos escuros se encontraram, compartilhando a mesma infinidade de sentimentos.

— Fica de quatro na cama. — Baekhyun mandou, olhando por baixo.

Em momento algum sentiu-se intimidado pelo tamanho de Chanyeol.

Assim como foi mandado, o Park obedeceu. Caminhou até a cama, mantendo o olhar em si por cima do ombro. Baekhyun se permitiu morder o lábio para visão dele completamente nu em seu quarto, prestes a deitar em sua cama. Pela forma como era encarado de volta, sabia que Chanyeol estava pensando a mesma coisa sobre si. Ele era muito sincero e sempre fazia questão de falar o quanto gostava de seu corpo — independente de renegar os elogios dele.

O menor roçou de leve as coxas de Chanyeol com a ponta dos dedos, uma carícia quase imperceptível, mas que reverberou dentro dele em ondas de calor e desejo. Apenas o fato de Chanyeol não estar tentando assumir o controle naquele momento já era o suficiente para alimentá-lo de excitação. Não podia negar que não gostava quando o Park mostrava as garrinhas, quando ele provava que sabia muito bem o que estava fazendo, mas preferia ter o controle de tudo.

— Inclina o corpo pra frente. — Baekhyun disse, esfregando uma das mãos pelos músculos tensos das costas de Chanyeol.

Os cabelos dele estavam bagunçados e ele fez o que foi pedido, mas sabendo o quanto estaria exposto na posição que ele pediu, Chanyeol se inclinou lentamente, afastando um pouco mais as pernas para equilibrar o peso do corpo até que o peitoral estivesse encostado na cama, assim como o rosto. A bunda dele ficou para cima, os joelhos separados e as pernas flexionadas na cama. Aquele com certeza era a visão mais sensual que já tinha tido em toda a sua vida e mostrava o quanto Chanyeol o queria a ponto de se submeter a fazer tudo e qualquer coisa que mandasse naquele momento.

Baekhyun agarrou as coxas dele com uma das mãos, observando a carne macia saltar por entre os dedos, bem perto da polpa da bunda. Fez a mesma coisa com as nádegas, estapeando sem muita força uma de cada vez, o suficiente para deixar a pele vermelha e ardida.

Chanyeol engoliu em seco, mordeu o lábio e soltou um gemido baixinho quando sentiu um dos dedos do Byun tocar-lhe intimamente, explorando seu corpo com sutileza. O corpo se retraiu por inteiro, de ansiedade e de surpresa, quando o hálito quente dele atiçou sua pele. Agarrou os lençóis da cama com força, tanta força que as juntas das mãos ficaram esbranquiçadas.

— Lindo. — Baekhyun sussurrou um instante antes de enfiar o rosto na bunda arrebitada.

Não resistiu à vontade de esfregar a boca molhada por cada uma das nádegas, devagar dessa vez, sentindo o quanto a pele dele estava quente onde tinha batido. Chanyeol estava tremendo, o corpo quase cedendo, mas Baekhyun o apertou firme pelo quadril para que mantivesse a posição. A pele do Park era macia e ele se contraiu contra sua língua quando a deslizou entre as bandas da bunda dele, ouvindo-o gemer baixinho com o rosto afundado no colchão. Fez questão de deixá-lo bem úmido, intercalando entre esfregar a língua e forçar o polegar para dentro da entradinha avermelhada. Aos poucos, o quarto se preenchia com os sons úmidos de sucções e gemidos. Aquilo era estupidamente erótico e Baekhyun sentia o pau babar contra uma das coxas enquanto se mantinha ajoelhado no chão, com a cara muito bem enfiada no rabo de Chanyeol.

Quando se deu por vencido, tendo em mente que já tinha provocado o suficiente o namorado, Baekhyun se levantou. Sob o olhar curioso e rendido de Chanyeol, ele se masturbou. Envolveu os dedos ao redor do pau com vontade, soltando um grunhido baixo ao perceber o quão malditamente sensível estava. Precisava admitir que, naquele momento, desejou a boquinha quente e apertada do Park, mas cumprindo sua promessa, aquela noite seria sobre ele. Sua atenção seria dele e de mais ninguém.

Abaixou-se para deixar um beijinho nas costas úmidas dele, depois outro nos cabelos.

— Tudo bem? — Perguntou, afagando os cabelos loiro.

— Sim. — O maior fechou os olhos com o afago que recebeu.

— Ótimo, porque eu vou te comer bem gostoso agora.

Baekhyun foi até o guarda roupa e voltou de lá com um preservativo em mãos. Tinha conversado sobre sexo sem camisinha e confessado, ambos, que nunca tinham feito sem e que preferiam daquela forma, pelo menos no início, enquanto não se conheciam totalmente. O vestiu com enquanto encarava Chanyeol, o rabo empinado dele e o cuzinho piscando. Precisou morder o lábio e conter a vontade de acertar um novo tapa na bunda dele e deixá-lo ainda mais vermelho, mesmo sabendo que ele gostava daquilo.

A bunda cheia de marcas das mordidas e dos tapas contraiu quando Baekhyun bateu com o pau contra a cuzinho um tanto alargado e vermelho. Simulou duas estocadas curtas e sem muita força, apenas o suficiente para que Chanyeol gemesse dengoso. Pressionou a cabecinha com um pouco mais de força, assistindo como a entradinha ia se alargando lentamente, se ajustando ao tamanho da glande aos poucos, apenas para provocá-lo ainda mais.

— Baekhyun, por favor... — Chanyeol apoiou os cotovelos sobre o colchão, balançando a bunda no ar. Baekhyun assistiu ao exato momento em que o pré-gozo escorreu no pau dele e pingou na cama. — Eu não aguento mais. Preciso de você ou vou acabar gozando sozinho.

— Sensível. — O Byun soltou uma risadinha, masturbando o próprio pau mais uma vez. É claro que não deixaria Chanyeol gozar sozinho. — Já vai ter o que você quer.

De quatro sobre os lençóis, Chanyeol gemeu, empurrando o quadril de encontro a pélvis do namorado, sentindo o pênis ereto tocando o próprio períneo e esbarrando sobre os testículos. Com um suspiro, ele entregou o corpo aos toques intensos, aos beijos e as mãos fortes, que apalpavam as coxas e beliscavam seus mamilos.  Chanyeol esticou a mão para trás, passando os dedos ao redor da ereção de Baekhyun, esfregando o polegar pela cabeça larga e acariciou até que ele estivesse gemendo e suspirando.

Para a sorte do menor, ele sabia que Chanyeol gostava daquilo. Quanto mais alto gemesse e demonstrasse estar gostando, mais excitado ele ficava.

Baekhyun puxou o cabelo claro com os dedos, virando o rosto do Park em sua direção. Sem pensar duas vezes, tomou os lábios dele num beijo lento e profundo. Limitando as palavras que deveriam ser ditas em um esfregar de línguas, provando do medo, da dúvida e à mercê do bel-prazer. Eles se beijaram e não foi nem de longe um beijo doce. Não foi um beijo que incendiava vagarosamente. Foi intenso e determinado, lábios se encontrando e se deixando levar. Provando com o beijo quem estava mais desesperado pelo outro.

E Baekhyun sabia que Chanyeol era capaz de provar isso nele, assim como ele era capaz de sentir, ver e respirar.

Antes que pudesse perceber, Baekhyun estava empurrando para dentro de Chanyeol, enquanto murmurava obscenidades e palavras incoerentes. Com uma pequena arfada, os olhos negros se encarando por cima do ombro, Chanyeol impulsionou o quadril para trás, engolindo todo o pau duro, ambos gemendo em uníssono.

Quando o penetrou até o fim, Baekhyun o abraçou por trás, envolvendo-o com os braços cruzados sobre a barriga dele. O suor cobria os corpos dos dois, unindo-os um ao outro. As pernas de Chanyeol estavam abertas sob as dele e seus dentes estavam cravados no ombro dele.

A sensação de ser consumido e apertado daquela forma não podia ser explicada com palavras. A única coisa que Baekhyun sabia naquele momento era o quanto tinha sentido falta daquilo, de estar dentro de outra pessoa. E saber que era Chanyeol ali deixava tudo ainda melhor.

Estabeleceu um ritmo lento, entrando e saindo devagar, estocando uma, duas, três vezes, sentindo o corpo maior ondular contra o seu. Naquela posição, conseguia ver Chanyeol mordendo o edredom, apertando-o com o máximo de força que conseguia. Os gemidos dele era grossos, mas manhosos. Não estava acostumado a ouvi-los, mas acabou descobrindo que gostava daquilo pra caralho. Gostava da dualidade de Chanyeol, mas o jeito submisso dele sempre teria um lugar especial em seu coração.

Com uma estocada dura, ele saiu por completo para ajeitar o preservativo, mas Chanyeol resmungou, balançando a bunda contra si.

— Coloca dentro de novo — Pediu, manhoso demais para sua própria sanidade mental.

Baekhyun riu, e ao invés de fazer o que ele pediu, limitou-se em beijar a nuca dele, deslizando a língua ao longo da pele salgada até prender o lóbulo da orelha nos lábios.

— Cavalga em mim.

Aproveitou a redução dos movimentos e a incredulidade no olhar dele para trocar de posição, deitando-se ao lado dele na cama. Por sorte, ela era grande o suficiente para os dois.

Chanyeol ergueu o corpo com dificuldade, engatinhando na cama até estar sobre si. Imediatamente, Baekhyun abrigou as mãos na cintura dele, gostando de como ele ficava sobre seu corpo. Com a boca aberta, o mais novo jogou o cabelo para trás, segurando o pau de Baekhyun pesa base antes de encaixá-lo em sua bunda. Sentou devagar, fechando os olhos quando teve um dos mamilos rodeados pela boca do menor.

Baekhyun mordeu o lábio quando sentiu ir fundo dentro dele, permitindo abrir mão do controle naquele momento. Já tinha perdido as contas de todas as coisas malditamente sensuais que Chanyeol tinha feito naquela noite, mas nenhuma delas se comparava a forma como ele subia e descia vagarosamente, rebolando aquela bunda bonita, apertando só a cabecinha quando estava com o pau quase todo para fora. Ele era realmente muito bom naquilo, jamais duvidou disso

Pela forma como ele se contorcia e o pau babava em sua barriga, Baekhyun sabia que ele não estava muito longe. Como poderia depois de toda a provocação que tinha feito? Os gemidos e suspiros dele aumentaram gradativamente, assim como os movimentos, sentando tão duro e rude que o barulho das peles suadas se chocando ricocheteavam pelo quarto.

E Baekhyun entendeu, porque nem os beijos, os toques, os sons, nada parecia o suficiente. Ambos se tornaram uma mistura de gemidos e sensações. Com as mãos firmes, ele ergueu as coxas grossas do maior, ajeitando as próprias pernas e pés contra a cama. Chanyeol apertou seus ombros, inclinando o peitoral para frente, os mamilos esbarrando superficialmente em seu peitoral.

Deixando as brincadeiras de lado e as provocações, Baekhyun abraçou o corpo dele e empurrou o quadril para cima e a cada nova arremetida, sentia ir mais e mais fundo. Perdeu a noção do espaço e tempo quando Chanyeol enfiou o rosto em seu pescoço e os gemidos dele fizeram com que ficasse totalmente fora de si. E porra, a cada novo impulso fazia com que fosse ao céu e ao inferno ao mesmo tempo, só para voltar à realidade e afundar mais uma vez no prazer de ter o corpo do Park junto ao seu.

Revirando os olhos, Chanyeol gozou, forte, sem nem ao menos se tocar, sujando seu abdômen de porra. E Baekhyun aproveitou a deixa para impulsionar o próprio corpo, de maneira selvagem. Ele empurrou o tronco tremulo do Park para cima apenas para capturar um dos mamilos rijos com a boca, circulando-os com a língua e mordiscando para aumentar a durabilidade do prazer dele. 

A forma como Chanyeol se contraiu todo o apertando dentro de si, deixou Baekhyun a um passo da insanidade. Estapeou a bunda dele uma outra vez, apertando a outra nádega com tanta força que provavelmente ficaria a marca no dia seguinte. Byun mordeu o ombro orvalhado do namorado, enchendo o preservativo, a ponto de escorrer para fora do látex. Manhoso, Chanyeol o agarrou por completo, movimentando lentamente o quadril, rebolando devagarinho para deixá-lo ainda mais satisfeito, sentindo o exato momento em que Baekhyun desmoronou debaixo de si.

E essa foi a primeira vez que transaram naquela noite.

Era uma boa forma de comemorar um pedido de namoro.

 

[...]

             

A música que tocava era um rock dos anos noventa.

Baekhyun não reconheceu imediatamente, pois o local estava tão lotado que era difícil até mesmo de entender os próprios pensamentos. Apesar de tudo, era legal trabalhar na Matrix. Se fosse pra ser sincero, diria que era um pouco difícil de se acostumar. Trocar o dia pela noite nunca era fácil, sem contar que era muito mais cansativo do que qualquer outra coisa. Mas ele se esquecia disso quando via alguma turma de universidade entrar dentro do estabelecimento, jovens no auge da adolescência com roupas purpurinadas e copos de bebida neon cintilando na pista de dança. Era nostálgico pensar que quando tinha a idade daqueles jovens, estava ocupado demais tentando manter o pai longe da própria mãe, mas entendia que situações como aquela tinham servido de degrau para que se tornasse o homem que era.

E estava satisfeito consigo mesmo.

Honestamente, jamais imaginou que um dia fosse se olhar no espelho e aceitar o que via. Não apenas a aparência, mas também os medos e as inseguranças. Tudo aquilo era parte de si e se existia um Baekhyun, era por causa dos acertos, erros e, principalmente, do passado. Jamais poderia se livrar dele, mas evitaria a todo custo que ele se tornasse seu presente. E sobre sua tristeza... Baekhyun entendeu que precisava vivê-la todos os dias ao invés de fingir que não existia caso algum dia quisesse superá-la. E estava tudo bem chorar ou sentir falta de alguém. Nada disso fazia dele um homem fraco, na verdade, assumir para si mesmo que estava quebrado e que precisava de ajuda e apoio de outra pessoa se quisesse se reerguer era a maior demonstração de força que podia existir.

Estava parado no lugar de sempre, próximo à saída de emergência. Tinha conversado com outro funcionário do local e eles tinham trocado de posição logo em sua primeira semana trabalhando na boate. Ali, conseguia ter uma visão privilegiada do bar, onde Chanyeol passava a maior parte da noite balançando coqueteleiras. Dessa vez, ele estava vestido à rigor. Era uma festa temática e ele usava uma tiara vermelha, com orelhinhas de diabo que piscavam. Também usava uma capa da mesma cor, de cetim, por cima do uniforme.

Chanyeol tinha exigido que fossem combinando, mas como a função de Baekhyun exigia seriedade, ele apenas se limitou em colocar o arquinho que anjo que o namorado tinha comprado. Uma auréola brilhante logo acima de sua cabeça, coisa que ele fez questão de tirar e pendurar no passante do cinto quando o maior se ocupou em servir drinks para a comunidade universitária que lotava a casa de festas naquela noite.

A felicidade não durou por muito tempo, entretanto.

 

[02:11] Chanyeol: Onde está sua tiara?

[02:13] Baekhyun: O único anjo aqui é você, por isso tirei.

[02:15] Chanyeol: Coloca de volta.

[02:16] Chanyeol: Estou te vendo daqui.

[02:17] Chanyeol: Quer ficar sem sexo quando chegar em casa?

 

Baekhyun riu das mensagens, guardando o celular de volta no bolso do blazer. Apoiou-se no corrimão da escadaria, onde podia ver o companheiro dentro da ilha do mar, abaixo de si. Chanyeol estava com as sobrancelhas franzidas, encarando-o de um jeitinho que, particularmente, o Byun adorava. Ele não fazia mal nem para uma mosca, mas era engraçado vê-lo tentando ostentar aquela carranca de homem mau.

Mais uma vez, colocou o arquinho na cabeça, fazendo questão que ele o visse. Sentia-se patético usando aquilo, mas Chanyeol gostava e estava tudo bem. Ainda podia dar um soco em algum engraçadinho que estivesse se aproveitando de alguma garota na festa usando aquilo. Lá de baixo, Chanyeol lhe entregou um sorriso. Um puta sorriso lindo que fazia os olhos dele sumirem por detrás das bochechas, brilhante e que enchia tanto o seu coração de amor que a sensação era de que ele poderia explodir a qualquer minuto.

Lembrou-se de quando ele o presenteou com aquele mesmo sorriso deslumbrante, no mesmo dia em que tomou coragem de lhe entregar o número de telefone. Eram dois desconhecidos, mas Baekhyun já tinha certeza que ele era o homem mais lindo que já tinha visto em toda sua vida.

Gostava de pensar que se apaixonar por Chanyeol não tinha sido consequência, mas sim o destino decidindo dar uma trégua para os dois. Eram pessoas completamente diferentes, com histórias distintas e gostos divergentes, mas foi na dor que encontraram semelhança. E na necessidade de se reconstruir depois de tantas derrotas.

E enquanto Chanyeol estivesse ao seu lado, disposto a apoiá-lo, Baekhyun não se importaria de ser o porto seguro dele.


Notas Finais


Pra quem não sabe, nu e cru vai ganhar uma versão fisica, ou seja, é, vai virar livro! Já virou, na verdade... Então se alguém tiver interesse, todas as informações estão no meu twitter: @exotomic

Muito obrigada a todos e nos vemos na próxima história <3


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