História Nunca brinque com magia! - Capítulo 18


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Categorias O Senhor dos Anéis (The Lord of the Rings)
Personagens Frodo Bolseiro, Gandalf, Gimli, Legolas, Personagens Originais, Samwise Gamgee
Tags O Senhor Dos Aneis, Romance
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Palavras 4.248
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Magia, Violência
Avisos: Insinuação de sexo, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Resovi postar mais cedo pois preciso viajar!
Muito obrigada a quem vem comentando, amo vcs!
Qualquer erro me avisem oks?

Capítulo 18 - Haldir!


Fanfic / Fanfiction Nunca brinque com magia! - Capítulo 18 - Haldir!

As chamas se apagaram, e uma escuridão vazia dominou o ambiente. Ficamos presos ao solo, horrorizados, olhando para o buraco. No momento em que Aragorn e Boromir voltavam correndo, o resto da ponte se partiu e caiu. 

Alguns gobelins e orcs ainda tentavam nos acertar com suas flechas, mas o horror nos manteve ali.

Frodo ainda gritava e chorava, mas foi com um gritode Aragorn que nós despertamos.

-Venham! Vou conduzi-los agora! -chamou ele. -Devemos obedecer à última ordem dele. Sigam-me!

A dor e o calor em meu corpo diminuíram rapidamente  fazendo com que eu pudesse respirar melhor. Encostei a testa no pescoço do elfo, e libertei-o de meu aperto, ele nada disse nada, mas pareceu aliviado. 

Avançamos alucinadamente, subindo aos tropeços a escada atrás da porta.

Aragorn na frente, Boromir atrás de todos. No topo ficava uma passagem ampla e que produzia ecos. E foi por ela que fugimos. Eu escultei Sam chorando ao meu lado, e então percebi que eu própria estava chorando, enquanto Legolas corria comigo em suas cistas. Dum, dum, dum, os tambores batiam novamente atrás de nós, mas num ritmo mais lento.

Continuamos correndo. A luz aumentava diante de nós, e grandes fendas se abriam no teto. Isso fez com que corrêssemos mais rápido. Passamos para dentro de um salão, claro com a luz do dia, que entrava pelas altas janelas no lado Leste. Atravessamos o correndo. Passamos pelas portas enormes e quebradas, e de repente se abriram diante de nós os Grandes Portões, um arco de luz fulgurante. Havia uma guarda de orcs agachada nas sombras atrás dos grandes postos de vigia, que se erguiam dos dois lados, mas os portões estavam arrebentados e destroçados.

Aragorn derrubou ao chão o capitão deles, que estava em seu caminho, e o resto fugiu de medo de sua ira. E por fim nós passamos pelos orcs correndo, e não demos atenção a eles.

Corremos para fora dos Portões e descemos os grandes degraus, amplos e desgastados pelo tempo, o limiar de Moria. Assim, finalmente, depois de perdidas todas as esperanças, vimos o céu aberto e sentimos o vento batendo em nossos rostos.

-Hantë. -"Quebre", comandei fazendo com que os portões se quebrassem. 

Mas como não medi a magia, e mais do que os portões se quebraram, na verdade toda a frente desmoronou. Contudo nenhum deles falou nada e continuou correndo.

Não paramos até alcançar uma boa distância das muralhas. O Vale do Riacho Escuro se estendia ao redor. A sombra das Montanhas Sombrias se projetava sobre nós, mas ao Leste havia uma luz dourada. Assim eu soube que não passava uma hora do meio-dia.

O sol brilhava, as nuvens estavam altas e brancas.

Olhamos para trás. O que antes fora a boca do arco dos Portões bocejava sobre a sombra da montanha. E apesar de ele ter desmoronado, nós ainda podíamos ouvir as batidas dos tambores retumbantes, fracas e distantes sob a terra: dum dum dum. Uma fumaça fina e preta subia no céu. Não se via mais nada, o vale ao redor estava vazio. 

Finalmente, a tristeza tomou conta de nós, que choraram por muito tempo, alguns em pé e quietos, alguns atirados ao chão. Dum, dum, as batidas dos tambores foram ficando mais fracas, até que não se ouviu mais nada.

Legolas me colocou cuidadosamente no chão, mas quando este se virou para me olhar agarrei-o pelo pescoço o abraçando forte. Meu coração doía, eu me sentia culpada, porquê, porque não tive forças o suficientes para lutar? Por que Gandalf teve de morrer daquela forma?

Eu chorei, chorei em seu ombro com todas as minhas forças, e ele nada disse. Apenas me abraçou e me deixou ficar ali.

-Acho que não podemos ficar aqui por muito tempo. -disse Aragorn. Olhou na direção das montanhas e ergueu sua espada. -Adeus, Gandalf. -gritou ele. -Eu não disse a você: se passar pelas portas de Moria, tome cuidado? Infelizmente, o que eu disse tinha fundamento. Que esperança temos agora, sem você? -voltou-se para nós. -Vamos ter de nos arranjar sem esperanças. -disse ele. -Pelo menos, podemos ainda nos vingar. Vamos criar coragem e parar de chorar! Venham! Temos à frente uma longa estrada, e muito a fazer.

-Eu posso andar, obrigada Legolas. -o elfo me olhou profundamente, mas nada disse.

Olhei ao redor. Ao Norte, o vale subia e entrava numa abertura escura entre dois grandes braços das montanhas, sobre os quais três picos brancos brilhavam que eu supus seresm: Celebdil, Fanuidhol e Caradhras, as Montanhas de Moria. Do alto da abertura descia uma torrente de água, como uma renda branca sobre uma escada interminável de pequenas cascatas, e uma nevoa de espuma pairava no ar, envolvendo os pés das montanhas.

-Aquela é a Escada do Riacho Escuro. -disse Aragorn, apontando para as cascatas. -Teríamos vindo pelo fundo do vale, pelo caminho que sobe ao lado da corrente, se a sorte tivesse sido mais generosa.

-Ou se Caradhras tivesse sido menos cruel. -disse Gimli. -Ali está ele, sorrindo ao sol! -o anão ergueu o punho para o pico mais distante, e virou as costas. 

Ao Leste, o braço das montanhas terminava abruptamente, e terras distantes podiam ser avistas mais além, amplas e vagas. Ao Sul, as Montanhas Sombrias recuavam sempre mais, até onde minha vista podia alcançar. A menos de uma milha, e um pouco abaixo, podíamos visualizar, da encosta Oeste do vale onde estávamos um lago. 

Era longo e oval, com o formato de uma grande ponta de lança incrustada na abertura ao Norte, mas a extremidade Sul mergulhava nas sombras, sob o céu ensolarado. Mesmo assim, as águas eram escuras: de um azul profundo, como o céu numa noite clara, visto de um quarto iluminado por uma lamparina. A superfície era plácida e sem ondulações. Em volta eu podia ver um gramado macio, que descia até a margem contínua e desnuda.

-Aquele é o Lago-espelho, o profundo Kheled-zâram! -disse Gimli com tristeza. - Lembro-me do que ele disse: “Que você se alegre com a vista! Mas não poderemos nos demorar lá”. Agora vou viajar muito antes de poder me alegrar outra vez. Sou eu quem deve ir embora depressa, e ele quem deve ficar.

Descíamos  agora a estrada que vinha dos Portões. Estava acidentada e danificada, sumindo numa trilha sinuosa em meio a urzes e tojos que cresciam por entre as pedras rachadas. Mas ainda se podíamos ver que havia à muito tempo um grande caminho pavimentado, descrevendo curvas, das terras baixas do Reino dos Anões.

-Aquela é a Pedra de Durin! -gritou Gimli. -Não posso passar por aqui sem me voltar um momento para olhar para a maravilha do vale!

-Então seja rápido. -disse Aragorn, voltando-se para olhar os Portões. -O sol se põe cedo. Aura nos deu algum tempo quebrando a entrada, e com isso talvez os orcs não consigam sair antes do cair da noite, mas devemos estar bem longe daqui antes de escurecer. A lua está entrando na fase minguante. Esta noite será escura.

-Venha comigo, Frodo! -gritou o anão, saltando da estrada. -Não posso permitir que você deixe de ver Kheled-zâram. -Desceu correndo a ladeira verde. Frodo o seguiu lentamente, atraído pelas águas azuis e plácidas, apesar do sofrimento e do cansaço que sentia, e Sam foi atrás.

Eu aproveitei o momento para descansar, minha lateral direita doía muito, mas eu não diria nada, não tinha esse direito, pois todos ali estavam machucados físico e mentalmente. Mas eles não demoraram mais do que quinze minutos, e logo voltamos a caminhar.

A estrada agora tomava o rumo do Sul, e descia rapidamente, distanciando-se da região entre os braços das montanhas. Um pouco abaixo do lago encontramos um grande poço de água límpida como cristal, do qual um filete de água caía sobre uma saliência na pedra e descia cintilante e borbulhante, por um canal íngreme de pedra.

-Esta é a nascente do Veio de Prata. -disse Gimli. -Não beba dessa água! É fria como gelo.

-Logo ele se torna um rio veloz, reunindo água de muitas outras nascentes que descem das montanhas. -disse Aragorn. -Nossa estrada o acompanha por muitas milhas. Pois levarei vocês pela estrada que Gandalf escolheu, e primeiro espero chegar às florestas onde o Veio de Prata deságua no Grande Rio mais à frente. -todos olhamos na direção em que Aragorn apontava, e pudemos ver a corrente de água saltando e descendo até o fundo do vale, e depois correndo para as terras mais baixas, até desaparecer numa névoa dourada.

-Ali estão as Florestas de Lothlórien! -disse Legolas. -É a morada mais bela de todo o meu povo. Não há árvores como as daquela terra. Pois no outono as folhas não caem, mas se tornam douradas. Só na primavera, quando aparecem as novas folhas verdes, é que elas caem, e então os ramos ficam carregados de flores amarelas, e o chão da floresta é dourado, e dourado é o teto, os pilares são prateados, pois os troncos das árvores são lisos e cinzentos. Assim ainda dizem nossas canções na Floresta das Trevas. Meu coração se sentiria alegre se eu estivesse sob o abrigo daquela floresta, e se fosse primavera.

-Meu coração ficará alegre, mesmo no inverno. -disse Aragorn. -Mas a floresta fica a muitas milhas daqui. Vamos nos apressar!

Por algum tempo, eu, Frodo e Sam conseguimos manter o passo com nossos companheiros. Aragorn nos conduzia com pressa, e depois de um tempo acabamos ficando para trás. Não tinha comido nada desde a noite passada. Vi que Sam segurava à lateral de seu corpo e ali havia uma mancha de sangue seco. 

Apesar do sol que brilhava, o vento parecia frio depois da escuridão quente de Moria. Eu já tremia um pouco. Frodo também não estava bem, parecia sentir que cada passo era mais doloroso que o anterior, e respirava com dificuldade.

 Legolas se voltou para nós e vendo que eles estávamos bem atrás , falou com Aragorn. Os outros pararam, e Aragorn correu em nossa direção.

-Sinto muito, Aura, Frodo e Sam! - gritou ele, cheio de preocupação. -Tanta coisa aconteceu hoje, e temos tanta pressa, que eu esqueci que vocês estavam machucado. Deveriam ter dito alguma coisa. Não fizemos nada para aliviá-los, como deveríamos, embora todos os orcs de Moria estivessem atrás de nós. Venham agora! Mais à frente há um lugar onde podemos descansar um pouco. Ali farei o que puder para ajudá-lo. Venha, Boromir! Vamos carregá-los.

Aragorn agarrou  Frodo e Boromir pegou Sam, mas eu logo fui erguida nos braços por um elfo com cara de poucos amigos, então decidi ficar quieta e não retrucar.

Logo em seguida, nos deparamos com um outro curso de água que vinha do Oeste, e juntava suas águas borbulhantes às do veloz Veio de Prata. Juntos eles saltavam sobre uma cachoeira de pedra esverdeada e desciam espumando por um valezinho.

Em torno deste se erguiam abetos baixos e curvos, e as encostas eram inclinadas e cobertas com escolopêndrios e moitas de mirtilos. No fundo se via um espaço plano, através do qual a água corria barulhenta sobre seixos brilhantes. Ali descansamos. Eram quase três horas da tarde, e nós só estávamos a algumas milhas dos Portões.

O sol já se encaminhava para o Oeste.

Enquanto Gimli e os dois hobbits mais novos acendiam uma fogueira com a madeira de abetos e de arbustos e pegavam água.  Aragorn cuidou de mim, Sam e de Frodo.

O ferimento de Sam não era fundo, mas tinha uma aparência feia, e o rosto de Aragorn ficou sério ao examiná-lo. Depois de um momento, levantou os olhos aliviado.

-Teve sorte, Sam! -disse ele. -Muitos tiveram ferimentos piores como recompensa pelo primeiro orc que mataram. O corte não está envenenado, como frequentemente acontece com os ferimentos provocados pelas espadas dos orcs. Lave-o quando Gimli tiver esquentado a água. -abriu sua bolsa e retirou algumas folhas amareladas. — Estão secas e perderam um pouco de seu poder de cura. -disse ele. -Mas ainda tenho aqui algumas folhas de athelas que Aura colheu no Topo do Vento. Amasse uma na água, e limpe o ferimento, e depois eu lhe faço uma atadura. Agora é sua vez, Frodo!

-Eu posso fechar o ferimento para você depois que limpa-ló Sam. -me propus.

-Não. -Aragorn e Legolas falaram ao mesmo tempo, mas o guia que continuou. -Você está cansada e ferida Aura, não deve usar sua magia por agora. -ele me repreendeu. E eu fiquei quieta.

-Eu estou bem! -disse Frodo, relutando em permitir que suas roupas fossem tocadas. -Eu só precisava de um pouco de comida e descanso.

-Não! -disse Aragorn. - Precisamos dar uma olhada para ver o que o martelo e a bigorna lhe causaram.  -delicadamente, Aragorn retirou o velho casaco e a túnica desgastada de Frodo, soltando uma exclamação de surpresa. Depois riu, da sua cota de mithril, pois essa o tinha protegido bem.

Havia uma contusão escura e enegrecida no flanco e ombro direitos de Frodo. Sob a malha metálica, havia uma camisa de couro macio, mas num ponto os anéis tinham-na perfurado e entrado na carne do hobbit. O flanco esquerdo também estava escoriado e contundido, no local em que ele tinha sido prensado contra a parede. 

Enquanto os outros preparavam a comida, Aragorn banhou o ferimento com a água na qual a folha de athelas fora posta de infusão. A fragrância pungente se espalhou no valezinho, e os que se agacharam sobre a água fervente se sentiram reanimados e fortificados. 

-Sua vez Aura. -respirei fundo e ele veio até mim me olhando sério.  -Preciso que tire a camisa, mas...

-Tudo bem, confio em você Aragorn. -sorri para ele, e todos os outros se afastaram. -Sei que seus olhos e coração pertencem a Arwen. -murmurei o fazendo dar um leve sorriso.

Tirar a camisa não foi um trabalho fácil e precisei da ajuda dele para isso. 

Eu tinha uma mancha roxa que e a da barriga até parte das costas onde a lança me acertou. E segundo Aragorn minhas costas também estavam machucadas.  Ele fez comigo o mesmo que fez com Frodo, me banhando as folhas de athelas e eu logo senti  que a dor ia cedendo, e até  minha respiração foi ficando mais fácil: apesar disso, a região atingida ficou sensível e inchada e eu imaginei que aquilo se seguiria por vários dias. Aragorn então enfaixou-me o flanco com algumas tiras de tecido macio, e me ajudou a me vestir novamente.

Legolas trouxe minha refeição, mas pediu para que eu ficasse entrecostada na árvore.

-Aproveite para descansar, ainda temos muito caminho pela frente. -ele e a saindo quando segurei sua mão.

-Pode ficar aqui? -ele me olhou, mas naquele momento eu não conseguia decifrar o elfo. -Não quero ficar só, não depois de tudo. -ele nada disse, mas se sentou ao meu lado. Ficamos em silencio enquanto comíamos, mas eu me senti incomodada. -Sei que já agradeci, mas novamente obrigada por me carregar por todo o caminho. -ele me avaliou com aqueles olhos azuis, como se tentasse me desvendar.

-Teria carregado você por toda a estrada se me permitisse. -eu larguei o que comia e fitei também.

-Eu não quero ser um estorvo para ninguém Legolas, muito menos para você.

-Nunca pensei dessa forma. -ele se defendeu.

-Mas eu machuquei você, e tenho certeza que ficou marcado. -suspirei. -E por minha causa você não pode lutar, e...

-Nenhum de nós poderia lutar ali. -ele suspirou triste. -Por isso que Gandalf teve de nos proteger. -eu encostei minha cabeça em seu ombro me sentindo perdida. -Minhas flechas não serviriam de nada contra o Balrog. Eu ainda esperei demais para tirar você de lá, e por causa da minha dúvida, você sofreu mais.

-Eu tenho de aprender a lidar com a escuridão, pois esta só vai crescer mais e mais. -ele encostou sua cabeça na minha. -Ter passado por essa situação só vai me deixar mais forte. Eu pelo menos não desmaiei dessa vez. -tentei achar um ponto bom ali. 

Conversamos um pouco mais. Porém logo Aragorn nos chamou para prosseguir viagem e nos aprontamos para partir outra vez.

Eles apagaram a fogueira e todos os vestígios dela. Depois, saindo do vale, retomamos a estrada. Não tínhamos ido muito longe quando o sol afundou atrás dos picos no Oeste, e grandes sombras avançaram por sobre as encostas das montanhas.

Eu, Sam e Frodo, agora estávamos aliviados e bastante reconfortados, e assim conseguimos seguir num bom passo, e apenas com uma breve parada, Aragorn conduziu nos  por mais quase três horas.

Estava escuro. A noite profunda havia caído. Havia muitas estrelas claras, mas a lua minguante não apareceria até bem mais tarde. 

Vi quando Frodo puxou Ferroada, e ambos ficamos aliviados por que está não estava brilhando.

O vento noturno soprava frio, vindo do vale em nossa direção. Adiante, uma enorme sombra cinzenta assomava, e nós ouvimos um interminável farfalhar de folhas, como álamos na brisa.

-Lothlórien! -gritou Legolas. -Lothlórien! Chegamos ao limiar da Floresta Dourada. Pena que estamos no inverno! Sob a noite, as árvores se erguiam altas diante de nós, arcadas sobre a estrada e a água que corria veloz sob os galhos estendidos. À luz pálida das estrelas, os troncos eram cinzentos, e as folhas que se agitavam tinham um traço de ouro fulvo.

-Lothlórien! -disse Aragorn. -Alegro-me em escutar de novo o vento nas árvores. Estamos ainda a um pouco mais de cinco léguas dos Portões, mas não podemos ir além. Esperemos que aqui a virtude dos elfos nos proteja do perigo que nos persegue.

-Se é que os elfos realmente ainda moram aqui neste mundo em que as sombras aumentam. -disse Gimli.

-Realmente, eles moram nas profundezas da floresta. -confirmou Aragorn suspirando, como se alguma lembrança se agitasse dentro dele. -Devemos nos arranjar por esta noite. Vamos avançar um pouco mais, até que as árvores nos cubram totalmente, e depois vamos sair do caminho e procurar um lugar para descansarmos.

Deu um passo à frente, mas Boromir parou irresoluto e não o seguiu.

-Não há outro caminho? -perguntou ele.

-Que outro caminho mais belo você poderia desejar? -disse Aragorn.

-Uma simples estrada, mesmo que passasse através de uma cerca-viva de espadas. -disse Boromir. -Por estranhos caminhos esta Comitiva foi guiada, e até agora para encontrar má sorte. Contra minha vontade, passamos sob as sombras de Moria, para nossa infelicidade. E agora você diz que devemos entrar na Floresta Dourada. Mas desta terra perigosa já ouvimos falar em Gondor, e diz -se que poucos que entram conseguem sair dela, e desses poucos nenhum escapa ileso.

-Não diga ileso, diga inalterado, e então talvez dirá a verdade. -disse Aragorn. -Mas a tradição está se extinguindo em Gondor, Boromir, se na cidade daqueles que já foram sábios se fala mal de Lothlórien. Creia no que quiser, não há outro caminho para nós, a não ser que voltássemos ao Portão de Moria, ou escalássemos as montanhas onde não há caminhos, ou nadássemos sem proteção através do Grande Rio.

-Então vá na frente! -disse Boromir.-Mas é perigoso.

-Realmente perigoso. -disse Aragorn. -Um lugar belo e perigoso, mas apenas o mal precisa temê-lo, ou aqueles que trazem consigo alguma maldade. Sigam-me!

-Daro! — disse a voz num tom imperativo, e Legolas deu um passo a frente. 

-Fiquem quietos! -sussurrou o elfo para nós. -Não se mexam e não falem nada!

Ouvimos o som de risos suaves sobre nossas cabeças, e então uma outra voz audível falou na língua dos elfos. Eu não conseguia entender quase nada, Frodo não parecia muito melhor, pois a língua que o povo Silvestre ao Leste das montanhas usava era diferente da do povo do Oeste. Legolas olhou para cima e respondeu na mesma língua.

-Quem são eles, e o que estão dizendo? -perguntou Merry .

-São elfos. -disse Sam. -Não está escutando as vozes?

-Sim, são elfos. -disse Legolas. -E estão dizendo que vocês respiram com tanto ruído que poderiam acertá-los com uma flecha no escuro.

Sam colocou rapidamente a mão na boca.

-Mas também estão dizendo que vocês não precisam ter medo. Eles já sabem de nós há algum tempo. Escutaram minha voz antes, e souberam que sou um de seus parentes do Norte. Por isso não impediram nossa passagem. Estão permitindo que eu suba com Frodo, parece que tiveram alguma notícia dele e de nossa viagem. Pedem que os outros esperem um pouco e vigiem ao pé da árvore, até que eles tenham decidido o que se deve fazer.

 Das sombras, desceu uma escada,  era feita de corda, de um cinza prateado e brilhava na escuridão, embora parecesse frágil, mostrou-se forte o suficiente para suportar o peso de muitos homens. Legolas subiu rápido e com leveza, Frodo o seguiu devagar. Atrás dele foi Sam mesmo sem ser convidado, tentando respirar sem fazer ruído.

Muitos minutos se passaram, até que Legolas desceu novamente para nos buscar.

Aragorn começou a esconder nossa bagagem entre as grandes folhas, e pediu para pegarmos apenas cobertores.

-Consegue subir a escada? -o elfo me perguntou preocupado.

-Espero que sim. Mas agradeceria se fosse atrás para me ajudar caso eu precise. -ele aceitou de bom grado pegando meu cobertor de minha mão.

A subida foi menos dolorosa do que imaginei. E ao chegar no flet, encontrei Frodo sentado com três outros elfos. Suas roupas eram de um cinza-escuro, e não se podiam ver em meio aos galhos das árvores, a não ser que os elfos fizessem movimentos bruscos. Eles se levantaram, e um deles descobriu uma pequena lamparina que emitia um raio de luz fraco e prateado. Ergueu-a, olhando para mim. Então cobriu a luz novamente, e pronunciou palavras de boas-vindas em sua língua élfica. E respondi, hesitando.

-Elen síla lúmenn’ omentielvo. -"Uma estrela brilha sobre a hora de nosso encontro."

-Bem-vinda, pedimos perdão pois não sabíamos que estavas com a Comitiva. Se soubéssemos, jamais teríamos sido tão rudes. -eles curvaram a cabeça e eu fiz uma reverência. -Raramente usamos uma língua que não seja a nossa. Moramos agora nas profundezas da floresta, e não nos relacionamos com outros povos voluntariamente. Mesmo nossos próprios parentes do Norte estão separados de nós. Mas ainda existem alguns de nós que saem daqui para coletar notícias, e para vigiar nossos inimigos, e eles falam a língua de outras terras. Haldir é meu nome. Meus irmãos, Rúmil e Orophin, falam pouca coisa em sua língua. -ele parou um pouco enquanto os outros subiam. -Mas escutamos rumores sobre a vinda da Comitiva, pois os mensageiros de Elrond passaram por Lórien, em seu caminho de volta pela Escada do Riacho Escuro. Contudo, não nos foi dito quantos e quem eram. 

Haldir deu as boas vindas a todos amigavelmente, e enfim estávamos todos seguros ali.

-Aqui está! -disse Merry ofegando. -Trouxemos seus cobertores, e também os nossos. Passolargo escondeu todo o resto da bagagem num grande monte de folhas. -ele disse entregando a Frodo e Sam seus cobertores.

-Não será necessária sua bagagem. -disse Haldir. -Faz frio nas copas das árvores no inverno, embora o vento esta noite esteja soprando do Sul. Mas temos para oferecer-lhes, comida e bebida que afastarão o frio da noite, e temos peles e capas a mais.

Todos aceitamos essa segunda ceia (que foi muito melhor) com grande alegria. Depois nos agasalhamos bem, não só com as capas revestidas de pele dos elfos, mas também com nossos próprios cobertores, e tentamos adormecer. Mas, cansados como estávamos, apenas Sam achou fácil dormir. Os hobbits assim como Gimli pareciam não gostar de lugares altos. E o flet não servia de modo algum como quarto, segundo o gosto deles. Não tinha paredes, nem sequer um parapeito, apenas de um lado havia um fino biombo trançado, que podia ser removido e fixado em diferentes pontos, de acordo com o vento.

Pippin continuou conversando por um tempo.

-Espero que, se realmente conseguir dormir nesse quarto que mais parece um sótão, eu não caia lá embaixo. -disse ele.

-Se eu conseguir dormir. -disse Sam. -Vou continuar dormindo, caindo ou não lá embaixo. E quanto menos falarem, mais fácil será eu cair no sono, se entendem o que quero dizer.

Não consegui pegar no sono, tanta coisa tinha acontecido nos últimos dias que me vi perdida. Tentei mais um vez lembrar do que deveria ocorrer ali, se Gandalf realmente morria naquele lugar, ou se isso ocorreu por consequência de eu estar nesse mundo, mas nada, minha mente era uma nevoa branca, e quanto mais eu pensava, menos eu sabia. Por fim suspirei resignada.

-Não consegue dormir? -Legolas abriu os olhos ao meu lado, e eu balancei a cabela negando.

-Desculpe se te acordei. -sussusrei.

-Eu não estava dormindo. -ele me respondeu com sua voz melodiosa embalada pelo sono, e aquilo me aqueceu um pouco. -Mas você precisa descansar. Está machucada e usou muita magia. -ele levantou seu cobertor. -Vem, eu te ajudo a dormir. -eu iria negar mas ele continuou. -Vai fazer mais frio com o aprofundar da noite, e juntos ficaremos mais confortáveis. -não havia nada de errado ali, todos dormíamos juntos desde que saímos de Valfenda, então porque eu me sentia envergonhada agora? 

O elfo me olhou curioso e eu sorri cúmplice. Ele estava certo, juntos ficaríamos mais confortáveis. Então me aproximei dele e este me cobriu, esticou o braço e eu deitei a cabeça ali me aconchegando em seu peito. 

Legolas tinha um leve cheiro amadeirado, e algo mais que eu não consegui identificar. Ele começou a fazer cafuné em minha cabeça e a sussurrar uma música de sua terra em meu ouvido. Me senti protegida, leve, e logo o sono me levou.



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