História Nunca Fomos Tão Brasileiros - Capítulo 3


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Categorias Barão Vermelho, Cazuza, Legião Urbana, Nando Reis, RPM, Titãs
Personagens Branco Mello, Nando Reis, Personagens Originais, Sérgio Britto, Tony Bellotto
Tags Anos 70, Anos 80, Brasil, Ditadura, Drama, Mpb, Musica, Rock, Romance
Visualizações 13
Palavras 1.219
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Era pra eu ter postado outro dia....mas acontece né......Enfim, está aqui mais um capítulo e sigo na luta. Milagres estão acontecendo e não parei de postar no primeiro capítulo. Vitória na guerra irmãos.

Capítulo 3 - A volta da filha pródiga, melodramático folhetim.


Fanfic / Fanfiction Nunca Fomos Tão Brasileiros - Capítulo 3 - A volta da filha pródiga, melodramático folhetim.

 

[1° de dezembro de 1979]

 

-Elis do Amaral Rocha - repeti meu nome pro professor - Grupo da obra Tieta do Agreste, Jorge Amado.

 Ele continuou escrevendo como se não estivesse prestando atenção, me entregou um crachá feito num papel vagabundo qualquer e fez um sinal para a próxima pessoa da fila se aproximar.

 

-Espera - ele me chamou assim que passei, me virei impaciente e o encarei - É apresentação...musical?

-Teatro.

 

 Enquanto o professor sorria igual um bobo me virei e fui indo para a sala. Mesmo morando do outro lado da cidade fui a primeira do meu grupo a chegar, os inúteis moravam ali do lado, mas era sábado e antes das 10 da manhã ninguém chegaria.

 Era o 1º Festival Cultural do Colégio Equipe. E essa era minha única chance de participar, já que esse foi meu último ano do segundo grau, então me empenhei o máximo que pude no último bimestre. Assim que li o livro Tieta do Agreste do Jorge Amado, em 1977 quando ele foi lançado, tive certeza que um dia eu tinha que fazer algo com aquela história. Durante um mês inteiro reli toda a obra e construí um roteiro para uma peça de teatro baseada naquilo tudo, depois me empenhei em procurar pela escola pessoas para participar. Eu seria a personagem principal.

 

-É aqui a sala do último ano? - Juca entrou aos berros na sala, me assustando enquanto eu colocava bobes no meu cabelo, logo depois ouvi a risada do Celo.

-É claro que é, filho da puta, não sabe ler? Tem uma placa na merda da porta - a esse ponto eu já tinha perdido todo e qualquer característica acanhada que um dia existiu na minha pessoa quando entrei pro colégio.

-Eu amo seu bom humor matinal - ele para do meu lado, dá um beijo no meu rosto e encaixa direito um dos bobe no meu cabelo - bom dia pra você também, flor do dia.

-Preciso que vocês me escondam enquanto troco de roupa, sou a primeira a se apresentar. Eu e meu grupo.

-Você sozinha, no caso. - Marcelo segura um lado do pano que ia me esconder num canto enquanto o Juca segura do outro, ambos viram de costas pra mim enquanto começo a me vestir - Você fez essa porra toda sozinha.

-E a apresentação de vocês?

-Vamos cantar, você viu nossos ensaios.

 

 Eles iam cantar Águas de Março do Tom Jobim e da Elis Regina. Mesmo com a falta de disciplina dos dois, que paravam o ensaio inteiro para fumar ou fazer piada, acabou ficando linda a interpretação da música. Comecei a passar maquiagem enquanto me olhava no espelhinho daqueles de borda alaranjada que levei da minha casa, do meu lado Juca e Celo discutiam algo sobre garotas bonitas de outras escolas que estavam por aí.

 

-Tem gente de outras escolas? - Pergunto sem tirar os olhos do espelho - Eles vão competir?

-Você não era a sabichona? - o Celo começa a rir e arranca um dos bobes do meu cabelo. Reviro os olhos e sinto o Juca colocando o bobe no lugar.

-Você não lembra? É aberto ao público o festival - ele coloca um cigarro na boca e me viro pra ele.

-Não fuma dentro da sala - estendo a mão e ele me entrega o cigarro.

 

 Me viro pro espelho de novo e volto a me arrumar. Uma voz no microfone anuncia de longe a abertura do festival. Ainda faltava um integrante do meu grupo, sinto uma das meninas dando uns tapinhas nas minhas costas enquanto balanço minha perna inquieta.

 

-Calma - Amanda, a menina simpática das bochechas grandes e óculos grosso, me consolava. Se ela não fosse tão adorável eu xingaria ela.

 

 Faltando 5 minutos para entrarmos no palco o bendito Geraldo chegou. Ajeitei meu outro figurino num canto acessível e respirei fundo antes de ir pro palco.

 Acho que o segredo das pessoas desinibidas é fingir que estavam apresentando para ninguém. Pelo menos era o que eu fazia. Assim que a apresentação começou mergulhei tanto na minha personagem, a Tieta, que só me toquei que não era realmente ela quando foi a hora de trocar de figurino e na última cena. Assim que a música instrumental que anunciava o final da peça tocou e as pessoas começaram a aplaudir saí correndo e quis enfiar a cara num buraco.

 Enquanto saía do palco a galera do grupo começou a comemorar e pediu para eu não tirar o figurino. Sorri tentando ser simpática e tentei me convencer de que o vestido preto justo ao corpo não me incomodava tanto assim, tirei as sandálias de salto e fui caminhando até um canto mais vazio do ginásio para ver as outras apresentações.

 Quando vi o Juca e o Marcelo subindo no palco fui disfarçadamente tentando me aproximar até ficar bem pertinho deles. Mandei um tchauzinho antes deles começarem a cantar. Porra, foi lindo. Os dois tão bonitinhos tocando violão e cantando que nem parecia aqueles doidos que eu conhecia.

 Depois que eles terminaram de cantar os dois sumiram por um bom tempo enquanto eu continuei assistindo as apresentações. A última apresentação foi um grupo apresentando uma versão de Romaria do Renato Teixeira, tive que consolar a senhora que chorou ao meu lado, mas mesmo assim ainda achei o Juca e o Marcelo melhores.

 

-Tá na hora do prêmio? - tomo um susto quando levanto e sinto o Marcelo se aproximando com aquele cabelão todo na cara - Já vão anunciar o ganhador?

-Vão sim - me afasto um pouco e ajeito o cabelo dele. Aceno pra um amigo dele e logo depois o Juca aparece meio desengonçado. Vamos caminhando pra uma área reservada para os alunos e ficamos lá esperando o resultado.

 

-Antes de anunciar os vencedores queria esclarecer algo - O coordenador da escola começa a falar com aquela típica cara de enterro dele - certos competidores foram eliminados por ferirem com algumas normas do regimento interno da escola. Por unanimidade os jurados decidiram excetuar a adaptação teatral da obra Tieta do Agreste, de Jorge Amado, da competição.

 

 Respirei fundo e fiquei calada uns minutos tentando digerir a notícia. Ok, ele basicamente censuraram minha peça. Talvez fazer uma peça sobre uma moça que é expulsa do interior, fica rica na cidade grande à base de prostituição e cafetinagem e volta para o espanto da sua cidade natal tivesse sido uma ideia visionária demais. Ou só estúpida.

 

-Em segundo lugar, Joaquim Cláudio Corrêa de Mello Júnior e Marcelo Fromer - olho para eles sorrindo tentando disfarçar o choque, mas a cara deles tá pior que a minha.

-Vai lá gente - cutuco eles e aponto pra mãe do Juca acenando na plateia. Sinto os dois me puxando pelo braço, como sou fraca demais pra competir com eles vou sendo empurrada até o palco. Centenas de caras confusas, alegres ou sei lá o que me olhavam. Me encolhi toda e minha cara ardia de vergonha, dei um passo pra trás e tentei ficar atrás do Juca, mas ele me puxou pra frente e pegou o microfone da mão do coordenador. Merda.

 

"Existe alguém em nós

Em muito dentre nós esse alguém

Que brilha mais do que milhões de sóis

E que a escuridão conhece também"

 

A Luz de Tieta - Caetano Veloso


Notas Finais


https://www.youtube.com/watch?v=8aH4DAa-B_c
e aqui o link da música
quem sabe eu não faço algo com essas músicas todas que coloco na história algum dia
quem sabe
mas por enquanto é isso meu povo
falow


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