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História Nuvens de algodão - Capítulo 1


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Capítulo 1 - 01. você não me é estranho? Por acaso, é um modelo?


— Sem mais desculpas, Hatake. — Mr. Sarutobi gesticulava com a maior pompa e autoridade. Estava convencido de que nada traria mais atenção ao jornal, do que focar metade das três páginas principais sobre temas relacionados ao amor. Nos últimos tempos o jornal tinha sofrido duras críticas por falta de sensibilidade e por um conteúdo um pouco exagerado nos melodramas do mundo dos famosos e casos conspiratórios sobre alienígenas sobrevoando Tóquio. Kakashi bufou, cansado de todo aquele papo. De verdade, o jornal não era o meio de informação mais aconselhado para tais tempos contemporâneos, contudo, o Sarutobi era um dos velhos guerreiros que endossava a ideia de que o “jornal nunca morreria.” Apesar de serem um jornal online e periódico, a maior aposta era o jornal impresso – sendo o carro chefe daquele conglomerado jornalístico.

Kakashi revirou os olhos, suspirando desolado. Queria mesmo era algo mais descontraído e jovem, com tom de inovação, porém, com um ar de veracidade que faria qualquer pessoa ficar ávido por ouvir mais. Podiam comentar sobre a polêmica entre os dois maiores empresários do Japão das prestigiadas famílias Senju e Uchiha em uma briga pela sociedade da empresa que fundaram juntos ou comentar a situação caótica do governo japonês, com o primeiro ministro Izuna Uchiha em uma agenda de negacionismo, desinformação e tirania disfarçada de democracia.  

Queria uma matéria que revirasse o público em curiosidade e determinação. Altivo, olhava a movimentação dos carros, lá de cima do grande e espelhado prédio, se distraindo daquela sensação de estar numa bolha. Queria mesmo estar em deliciosa procrastinação, maratonando Brooklyn 99 com seu cachorrinho Pakkun e se deliciando de um pote de sorvete de baunilha, porém, não havia muito que fazer!

“Bem-vindo a vida adulta”

— Não acho que tenho todo esse feitio para essas matérias. Se for para ser sincero, ninguém liga para amor nos dias de hoje. Eu pelo menos, não dou a mínima, de forma objetiva, isso é algo abstrato. — argumentou, convencido de sua tese e Sarutobi de um sorrisinho esganiçado, em um tom de deboche palpável. Aquele idoso era por si só a personificação da petulância de terceira idade — Há um estudo que diz que os jovens japoneses preferem mangás do que um relacionamento estável. Isso por si só já uma métrica importante! — Hatake articulou confiante de que as suas palavras eram uma chuva de tino para o idoso homem que mal enxergava com os óculos embaçados e uma teimosia crônica (e possivelmente contagiosa).

Mr. Sarutobi riu deliciosamente, como se tivesse ouvido uma bela piada, dando um soco na mesa de mármore, em um súbito.

— O amor nunca deixará de ter um espaço nas notícias. Você que é amargurado. Além do mais, loucos por amor irão consumir qualquer notícia desse gênero. Escute o que digo. — e acrescentou, limpando a garganta como se tivesse um bolinho de arroz emperrado no sua goela. Com Kakashi sentindo o impacto da palavra ‘amargurado’ descer azeda pela garganta seca, depois de algumas horas sem poder tomar Coca Cola — O que tem sido assunto ultimamente no mundo pop? Hm, deixe me ver: descobrir os casais escondidos... ou quem sabe, dramas de amor.

Kakashi revirou os olhos, irritado. Não era como pudesse escolher muito, precisava do emprego. Todavia, não podia negar que no mínimo, a ideia era problemática. Tivera largado o posto confortável como redator-chefe na Konoha Tribune para se aventurar em Tóquio em busca de novos ares. Só de pensar nisso, a vontade de rir de nervoso, virava sua elementar opção. 

— E que você espera que eu faça? — o platinado sorriu ladino, verdadeiramente desacreditado do que teria que fazer — Que eu comece a colecionar boas histórias de amor? Colocando depoimentos longos e clichês de amor à primeira vista? Andando atrás de jovens artistas, para descobrir o que fazem? Isso é loucura! — E segurou uma risada extremamente maquiavélica, mas mensurou que isso lhe traria um risco bem vermelho no documento com os escritos “demissão” e no momento, tudo o que mais precisava era de dinheiro e um teto para morar.

— Exatamente, meu caro! — o idoso sorriu, como lhe tivesse ocorrido a maior epifania, apertando as bochechas do mais jovem, claramente desconfortável e emburrado — É isso que eu quero. — disse arrastado, com o hálito de café adoçando aquele espaço restrito — Você é perfeito para isso. É um dos melhores jornalistas daqui, sei que vai se sair bem. Sua escrita é cativante e poética, tenho certeza de que vai conseguir me trazer um trunfo. Nisso, acredito que vai se dar muitíssimo bem.

— Eu não acredito nisso, só pode ser brincadeira. — Kakashi disse em retórica, bem ele sabia, que teria que revirar seu espírito ultrajantemente deslumbrado para encontrar uma boa história. Preferia mil vezes ser cobaia de Rin em seus tutoriais de make – coisa que ele já estava acostumado, já que para a melhor amiga sua pele era ótima para os testes de contorno.

Antes que pudesse protestar ou barganhar alguma matéria menos ridícula (como ele classificava), do que teria que fazer, Mr. Sarutobi já tratou de arrastá-lo para fora de sua sala com um sorrisinho entre os dentes amarelados, evitando uns dos seus possíveis ataques de piti.

— Quero a matéria na minha mesa, em exatamente quinze dias! Quinze dias, panaca! Nem menos e nem mais! — Ordenou, batendo a porta de mármore na sua cara. Kakashi grunhiu irritadiço, maneando a cabeça, arrumando os óculos redondos no rosto. As olheiras já saudavam a sua alma moribunda, em harmonia com o loiro-grisalho desgrenhado e quem olhava assim, não podia pensar que aquela mente brilhante tinha apenas vinte e quatro anos.   

Inspirou profundamente, com o celular vibrando no bolso da calça jeans. Não atenderia ninguém. Não falaria com ninguém. Ficaria em seu estado mórbido de raiva incubada. Possivelmente, descontando mais tarde no Twitter na sua conta secreta de rants de cinema.

— Não vou me irritar... Não vou me irritar.... Não vou me irritar.... Não vou me irritar. — começou a repetir para si como mantra, cruzando o escritório indo em direção a seu escritório. A redação da The Japan Times era delicadamente distribuída naquela grande prédio no Centro. No andares superiores ficavam a emissora de jornal; no andar que estava, bem no meio, ficavam a divisão de jornalismo impressos e nos andares de baixo, ficavam a parte tecnológica do conglomerado. Hatake deu passos vagarosos, vendo aquele caos tão quotidianos de pessoas andando de um lado para o outro, em suas conversas altas; telefones tocando incessantemente; impressoras em um loop desgastante de cópia e o som frenético de digitação. Virando o corredor, Kakashi deu de cara com aquele que parecia uma anunciação do estresse em seus pensamentos ansiosos.

— Você parece nervoso, se ficar com essa cara amarrada, vai adquirir rugas. Ah não! Você já tem rugas. — o homem de cabelos negros, com uma franjinha e óculos fundo de garrafa, parecia se divertir animadamente com a feição de desgosto do amigo, em uma risadinha debochada e incessante. Guy podia ser aparentemente competitivo e azucrinante – e no fundo, ele era – mas, era o melhor diagramador e ilustrador que havia conhecido.

— Guy! — Parou subitamente, massageando o ombro do mesmo, que levantou a sobrancelha esquerda em dúvida, aumentando o tom de voz propositalmente — Você tem proezas fascinantes, inclusive, eu não sabia que mexer no Twitter e subir tags a favor da Ariana Grande no horário de trabalho fazem os relatórios serem preenchidos, não é mesmo? 

As bochechas do amigo se tornaram rúbeas, como se fosse explodir, pronto para proferir um xingamento imensurável, mas antes que pudesse fazê-lo, Mr. Sarutobi deu um grito certeiro da sua sala, nem um pouco satisfeito. Era bizarro, como Sarutobi tinham aguçado outras habilidades, depois de descobrir a catarata nos olhos: seus ouvidos eram praticamente sônicos.

— Might Guy! Venha aqui agora!

Não há nada que não pudesse pagar a deliciosa sensação de ver o amigo naquele misto de ódio e medo, indo em passos calculados para sala do chefe. Uma vingança deliciosa se pudesse dizer assim. Guy deu uma breve olhada para trás, sibilando um “Você me paga!”.

Antes de ser consumido pelo o frio descomunal na barriga ao entrar na sala de seu chefe, que ficou em silêncio em breve segundos antes de começar a sua gritaria, aquecendo todo aquele local caótico.

Kakashi anotou mentalmente que não deveria ter esse humor tão vingativo, mas era impossível, com o amigo sempre preparado para pregar uma peça com sua cara. E não podia negar, que se divertia com isso, se dirigindo para a copa – lugar onde poderia ter seus meros segundos de paz e contemplação.

— Você toma café o dia inteiro? Daqui a pouco a cafeína vai fazer parte do seu código de DNA. — Kakashi indagou o moreno, de sorriso fácil. Ele parecia bem entretido com o ócio, enquanto o outro se servia de um copo de cappuccino desnatado. O Uchiha arrumou os óculos no rosto, dando seu melhor sorriso descontraído e jocoso.

— Cafeína e eu somos uma só pessoa, achei que soubesse. — Soprou em uma risadinha — Parece que o chefe te deu algo maravilhoso para escrever. Toda vez que você faz essa cara, é certeza que bomba vem por aí. — Obito caçou, com o cappuccino nas mãos, vendo a expressão de sofrimento colorir as irises do amigo — Cara, eu adoro ver essa sua feição de satisfação. — o moreno desandou em rir, com as bochechas ficando vermelhas não aguentando a situação do melhor amigo.

— Há. — Kakashi forçou uma risadinha debochada, se apoiando na bancada da pia — Eu já me decidi. Vou me aposentar. Já deu para mim. Isso no mínimo é humilhante. Como nada deu certo, acho que vou cogitar a ideia de virar garoto de programa, já deu.

Obito gargalhou, se divertindo excepcionalmente daquela situação.

— Ah, vamos lá. Não é uma matéria horrível de fazer. — e olhou dos dois lados, sussurrando — E eu que vou ter que fazer uma matéria sobre a epidemia de idosos engasgando-se com o leite nos três asilos em Shibuya. Hiruzen acha que é um tipo de conspiração do Estados Unidos que querem matar os idosos japoneses para tomar controle das nossas plantações de arroz. Ainda vou ter que levar o estagiário. Ah! Itachi é muito afobado e desastrado e sempre, sem exceção, acaba por quebrar alguma coisa no estúdio.

Kakashi riu plenamente, como se os pulmões fossem lhe falhar. Era cômico e patético como Hiruzen tinha conseguido se manter no ramo jornalismo com tantas ideias megalomaníacas e ridículas.

— Tudo bem, eu admito, é engraçado — Obito disse convalescente, balançando os ombros — Mas, não é pior do que ter que ficar caçando histórias de amor por aí. Eu não ia gostar que ficassem vasculhando meu histórico amoroso. Que bizarro!

— Coisa de stalker, eu sei bem disso — Kakashi afirmou, engolindo a seco — Eu vou ter que virar uma blogueirinha, já aceitei isso. Nada que a Rin não possa me dar dicas.  

Obito deu um sorriso debochado, de lado, dando um gole certeiro no cappuccino. Hatake pegou um copo descartável e colocou água no mesmo, acreditando inutilmente que a água acalmaria seus pensamentos. Tolice sua.

— Eu juro...a cada dia me conformo que meu trabalho é ser um stalker com diploma. Malditos quatro anos de jornalismo! Às vezes eu tenho vontade de socar o Namikaze por ter incentivado a gente a fazer a faculdade e ainda ter pagado nossas despesas nos primeiros meses.

Obito tinha divagações bem precisas, para alguém que passava ¼ do tempo pesquisando sobre gatos fofos no Google, ele conseguia ser bem filosófico quando queria.

— Você é simplesmente um pensador, devia considerar a carreira de coach — disse em um risinho bem baixo, saindo pela porta da copa. Kakashi sentia como se sua reputação estivesse lá embaixo, e nem os amigos o poupavam de fazer piada da sua cara. Se continuasse assim, era provável que teria que ir para o departamento de revisão; pelo menos teria sossego e poderia de quebra ler alguns horóscopos para ver se realmente teria toda essa má sorte pelo resto da semana.

 

[...]

 

Iruka estava ansioso, sim, ele estava prestes a surtar. Na verdade, anjos não surtavam, pelo menos era o que constava no artigo angelical, entretanto, nem tudo é literal na prática.

Anjos eram ocupadíssimos, talvez os seres mais responsáveis e diligentes de toda conjunção divinal. Entretanto, com toda a correria instalada no céu, o número de anjos viciados em hidromel de cana e as visitas no setor psicológico, tinham aumentado exponencialmente e até a deusa divina estava angustiada com isso; criando ideações para o bem-estar da legião de anjos e seres celestiais; munindo o céu com: guloseimas, cadeiras de descanso, sistema de revezamento e salas de fliperama.

Entretanto, naquele momento solene, os interfones não paravam de tocar. Com vários telefonemas para central de anjos mensageiros. A semana tinha sido corrida, até porque, os humanoides pareciam se enfiar em vários problemas sucessivamente e os assuntos sobre como os humanoides eram teimosos e complexos, rondavam todas as divisões angelicais. Na mesma semana, tiveram mil casos de coração partido; oito mil denúncias de decisões erradas; setenta mil pedidos de conselho e noventa mil casos de desatenção – sim, esse eram os mais recorrentes, já que a cada milésimo de segundo, um humanoide andava desatento na rua, correndo o risco de atropelamento. Na maioria, a desatenção era por conta de celular e redes sociais; assim uma nova divisão especializada em tecnologia humanoide, estava sendo criada para suprir a demanda.

A ordem de envio dos pedidos estava congestionada e os novos mensageiros não tinham completado nem 60% do treinamento. Alguns desistindo do cargo e pedindo para serem removidos para a ala de anjos de apoio.

Iruka respirou fundo, atendendo o telefone vermelho que piscava incessantemente na sua mesa. Como anjo mensageiro e professor dos novos anjos, ele tinha muita papelada para analisar e assinar. Atender telefonemas, não era uma obrigação sua. Só queria um algodão doce para que aquela sensação estranha se dissipasse, passando a mão sobre o longo cabelo castanho, amarando o mesmo em um coque desleixado.

— Central de anjos mensageiros, no que podemos ajudar? — disse com aquela voz doce e gentil e ouviu uma tosse seca e esganiçada do outro lado da linha — Hm? Posso ajudar?

— Ah, Iruka! Sou eu, Mizuki. — Iruka se assombrou na cadeira, sentindo um frio adverso na espinha. Na verdade, Mizuki era o cupido mestre. Sendo um anjo temperamental, irritadiço e mandão — Preciso que venha aqui, rápido!

— Sou só um mensageiro, se quiser falar com...

— Preciso de você! Apenas venha. — e desligou a ligação, com Iruka se sentindo um pouco confuso acerca daquilo. Iruka grunhiu, fazendo bico. Já tinha muitas atribuições e sempre que ouvia o nome de Mizuki, sabia que era problema na certa. Se levantou da sua mesa, se dirigindo a ala dos Cupidos.

O local era etéreo; como todo céu, entretanto, aquele cômodo tinha um cheiro adocicado de chocolate com morango e a decoração eram com nuvens roséas, e bem no centro tinha uma mesa com uma poltrona cinza atrás do objeto cinéreo, lá estava Mizuki em sua poltrona felpuda, sentado de forma desleixada com uma aparência anêmica: os cabelos grisalhos estavam desgrenhados assim como a vermelhidão no nariz que se espelhava em um rubor intenso nas bochechas.

— Hm, estou aqui. — Iruka se pronunciou, em uma mesura respeitosa; já que o cupido era de uma classe maior que a sua. Mizuki içou se olhar para o moreno, com um sorrisinho arrastado; fazendo sinal para que o mesmo se aproximasse. Assim o Umino fez, dando uma olhada de cima a baixo para o colega que parecia além do “estar péssimo”. Mizuki deu uma respirada profunda, espirrando em seguida.

— Te chamei, pois, preciso que me ajude. Só confio em ti para tal missão — disse afoito com uma voz fanha. Iruka levantou a sobrancelha em dúvida e o cupido deu um sorrisinho, espirrando logo em seguida — Peguei uma gripe humanoide fortíssima e estou aos cuidados dos anjos curandeiros, entretanto, só vou melhor consideravelmente em quinze dias, em resumo, terei que ficar de quarentena — explicou e Iruka maneou a cabeça, compreendendo da seriedade da situação. Pegar uma doença humanoide era algo preocupante, além de ser facilmente contagiosa. Anjos que pegavam doenças humanoides tinha que ser isolados para o bem da conjunção divinal — Preciso que me ajude a desfazer um erro de uma flechada minha. Eu acabei predestinando um casal que se odeia, e isso pode acabar dando ruim.

Iruka arregalou os olhos, gesticulando com as mãos.

— Nada disso! Como eu posso fazer isso? Eu só sou um mensageiro e nós estamos com desfalque enorme. Tenho m-muitas c-coisas p-para f-fazer e ir para terra m-me d-deixa i-inquieto — Iruka gaguejou, nervoso o suficiente com a proposta do cupido. O Umino tomava remédios para os nervos e só a ideia de ter que ir para terra lhe deixavam ansioso, até porque, a terra era caótica, poluída e bagunçada e só isso deixavam Iruka empertigado em uma sensação de surto — Por que não pede ajuda para seus cupidos ou anjos de guarda?

Mizuki revirou os olhos, bufando. Teria que apelar para os bons sentimentos do Umino.

— Não posso correr o risco que a Deusa descubra que eu errei de forma tão grotesca. — e se jogou no chão, ajoelhando em murmúrios chorosos e o nariz escorrendo — Você é a única pessoa que pode me ajudar, Iruka. Não confio em mais ninguém para isso. — desandou a chorar copiosamente, fungando — Por um erro meu, os humanoides podem começar uma guerra pela a incompatibilidade dos seus relacionamentos e eu não posso deixar que percam a fé no amor, ainda mais em tempos tenebrosos como esses... Aquele maldito Tinder! — esbravejou entre as lágrimas, em um sofrimento muito próprio.

Iruka engoliu a seco, vendo o cupido mestre chorar daquela forma, sentindo-se acuado. Não era sua obrigação e além do mais, se a Deusa descobrisse, estaria ferrado. Entretanto, não podia deixar que perdessem a fé no amor. Era o dever primordial dos anjos, zelar pelos humanos em quaisquer circunstâncias. Suspirou, mordendo os lábios, calculando os prós e contras daquela decisão. Iruka nunca quebrava regras e já era o sexto ano consecutivo que ganhava como anjo mensageiro do ano. Não podia manchar sua reputação incorruptível daquela forma, contudo, sua empatia e bondade falavam mais alto, com o cerne dos anjos mensageiros ecoando em seus pensamentos:

“Nunca desampare, quem pede ajuda. Seja quem for.”

Iruka gemeu manhoso, se dando por vencido.  

— Ah, se levante... você ajoelhado desse jeito, me deixa envergonhado. Sou de uma classe menor, não deveria fazer isso. — disse corando, ajudando-o a se levantar, vendo Mizuki fungar como uma criança. Percebendo o quão desesperado o cupido estava — Tudo bem, eu te ajudo...

Mizuki se levantou, dando um abraço apertado em Iruka que parecia vermelho como um pimentão.

— Nossa, você não sabe como me ajudou — disse Mizuki em um sorrisinho pleno, fungando languidamente. O grisalho mexeu no bolso da calça e tirou de lá um caderninho vermelho, com um coração dourado no meio — Você precisa fazê-los assinar esse caderno... custe o que custar.

— Assinar? — Iruka pareceu confuso, coçando a nuca — Os cupidos não... usam flechas?

Mizuki deu uma risada profunda, abrindo o caderno que exalava um perfume floral, com suas folhas iluminando todo o local.

— Ah... isso é mito. A questão das flechas é um conto humanoide para tentar entender como funciona o ofício dos cupidos.... Humanoides são bobinhos.

Iruka olhou para as folhas do caderno, que se movimentavam sozinhas indo em direção a última página escritas vendo dois nomes escritos em uma caligrafia impecável:

Hashirama Senju x Madara Uchiha

— Então... como funciona? — Iruka perguntou curioso e Mizuki entregou o caderno na sua mão, com um sorrisinho.

— Esse caderno faz tudo... são por ele que as histórias de amor são escritas. — disse Mizuki, colocando o caderno no bolso da jaqueta jeans do Umino — Você precisa ir, agora! Antes que o portal se feche! Tome cuidado, pois, há buracos nos portais... já que os anjos de apoio estão fazendo a limpeza na galáxia.

Iruka arregalou os olhos, com o coração descompassado de nervoso. Não sabia aonde procurar, como proceder naquela missão, com várias incógnitas em sua cabeça. Só sabendo que tinha que fazer o casal assinar o caderninho do cupido.

— M-mas, os outros vão sentir minha falta e-

— Não se preocupe com isso! Eu cubro você, agora, preciso que você faça isso o mais rápido possível! — Mizuki disse afobado e antes que ele pudesse, sequer hesitar o questionar, o cupido movimentou as mãos fazendo um perfeito círculo de energia de poeira negra. O fluxo de energia que radiava uma luz amarela incandescente parecia puxar o Umino para si — Não esqueça! Faça-os assinar! — Mizuki sibilou, antes de jogá-lo no círculo de energia. Até Iruka cair em um nada, completamente escuro e gélido.

 

[...]

 

A parte de tarde era mais tranquila para pesquisas. Depois de terminar os três artigos do mestrado, revisar seis roteiros para gravação e iniciar a primeira parte do treinamento de linguística para os estagiários (dito cujos, dormiram em exatos trinta e cinco minutos de apresentação), Kakashi decidiu ir para o parque para trabalhar. Sentado bem debaixo das macieiras, se sentia devotadamente mais tranquilo, inspirado e em contato com a parte mais real e sensível de si.  Escrever sempre foi uma paixão, mas, estar perto da natureza e sem aquele ruído da agitação urbana o fazia mais focado na escrita. E de quebra, podia tirar um cochilo gostoso com a brisa batendo no rosto, sem nenhum tipo de perturbação. 

Kakashi anotou alguns pontos no caderninho de capa de couro amarela – seu companheiro de longas viagens. Sempre que começava uma pesquisa nova, ou tinha uma ideia, uma inspiração, algo qualquer, sempre anotava ali. Com todos os livros com temática de amor, que tinha encontrado na biblioteca do escritório, ficou lá folheando-os e anotando pontos importantes que lhe dessem pautas de roteiro concretas para desenvolver uma matéria. A movimentação parecia remota em relação ao foco nas palavras, nas histórias de amor que tinham padrões muito repetitivos. Aquilo estava lhe cansando, de verdade. Fechou o livro, emburrado, jogando-o pelas suas coxas. Inspirou profundamente, vendo com as folhas balançavam de um lado para o outro.

— Até a demissão seria menos melancólica, do que isso. — disse, amargamente, observando o nada — Ah... o amor. — suspirou amargurado. Kakashi nunca entendeu o amor, na verdade, nunca havia se apaixonado. Sim, até para ele era chocante tal contestação.  Sentiu vergonha de si, por apenas cogitar baixar o Tinder... seria tão ruim assim?

Kakashi balançou a cabeça, tentando afastar os pensamentos irritantes... só precisava de um cochilo e só isso. Fechou os olhos, imaginando uma vida sem preocupações e sem aborrecimentos, e era claro, que só os sonhos podiam proporcionar aquilo.

— Merda! —  Em um simples bocejo, o Hatake grunhiu, sentindo algo duro na sua cabeça. Aquilo certamente não era uma maça. Kakashi passou a mão pelo cabelo, bem no local que doía, vendo um caderninho vermelho, com um coração dourado no meio, pegando o mesmo na mão com dúvida. Observando dos detalhes do mesmo, tentando entender como um caderno tinha caído em sua cabeça sendo que estava encostado em um simples árvore.

Em um átimo, antes que pudesse se levantar, sentiu o corpo ser jogado ao chão pela força do baque de um homem em cima de si. Kakashi percebeu que não era um homem qualquer... era um homem muito bonito, por sinal. Com uma beleza... angelical e hipnotizante. Os cabelos longos e castanhos estavam esvoaçantes, com a jaqueta jeans combinando com a jardineira branca e a blusa amarela por baixo.

Iruka que mantinha os olhos fechados, foi vagarosamente abrindo as pálpebras, vendo aquele olhar o observá-lo com certa curiosidade, se sentindo estúpido o suficiente por ter caído naquele buraco galáctico. Se sobressaltando por estar em cima de um humanoide, de coloração capilar estranha, com seu caderninho em mãos. Seria ele um idoso jovem?

— Me desculpa — Iruka disse tímido ainda desengonçado, pegando o caderninho da mão do loiro-grisalho, se levantando — Creio que isso é meu, se me permite... — disse em um fio, em um sorrisinho incomodo. Iruka nunca foi muito em se comunicar com os humanoides e Kakashi sentiu a mente voar e voltar-lhe a consciência, se levantando rapidamente em uma dúvida elementar dos seus neurônios que tentavam assimilar tudo aquilo.

— Eu não sei da onde você apareceu, mas... — Kakashi coçou a nuca, ainda encabulado com a graciosidade e beleza daquele homem, com as bochechas coradas e aparição duvidosa — Você não me é estranho? Por acaso, é um modelo? — perguntou inocentemente, percebendo que talvez, aquilo tinha sido a frase e o flerte mais patético de toda sua vida.

 

 

 


Notas Finais


eu não escrevi notas iniciais, mas, vamos de notas finais....

agradecimento para @Listyo pela capa maravilhosa!

eu amo kakairu e hashimada e é isso: 🖤

espero que tenham gostado!


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