História Nympha - O Oráculo de Delfos - Capítulo 8


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Notas do Autor


Tenham uma boa leitura!

Capítulo 8 - 8. Um Chá Divino e Uma Torta de Arrogância


 

A brisa estava fresca, fazia seus cabelos balançarem e ela adorava aquilo. Deixou que Cléia seguisse com Kardia para o templo treze, a contra gosto do escorpião que alegou ser perigoso se aproximar do pisciano, mas as duas ninfas conseguiram convencê-lo.

Asterope caminhou pela casa de peixes a procura de Albafica, um sorriso desdenhoso se encontrava em seus lábios pintados de um rosa mais escuro. Não o encontrou em nenhuma parte do templo então seguiu para o único local onde tinha certeza de encontrá-lo, e não fora surpresa para ela ao vê-lo de costas e cuidando de uma pequena rosa vermelha ao fundo do seu jardim particular. Jardim este que fazia a ninfa prender o fôlego.

Cuidadosamente caminhou pela grama bem cortada, sentou-se em um banco de mármore de tonalidade creme, onde duas pilastras a acompanhavam tendo enfeites de rosas brancas ao redor.

E não demorou mais do que cinco segundos para ele perceber que havia alguém em seu jardim, virou-se bruscamente encontrando-se com a ninfa que lhe exibia um sorriso sapeca nos lábios. Com a mão delicada ela acenou.

- O que faz aqui? – indagou ele sério – Já disse que...

- Eu sei o que você disse – rolou os olhos – Mas não pretendo sair daqui – o mirou.

- Está arriscando sua vida por pouco. Ou é uma ninfa louca ou realmente não tem um pingo de amor por sua vida – constatou ele ainda parado no mesmo lugar – Minhas rosas podem lhe matar... EU posso lhe matar, não quero criar problemas Zeus por conta de uma ninfa irresponsável! – brigou.

Asterope fez cara feia para ele e colocou as mãos na cintura ao se levantar. Mas não moveu um músculo se quer.

- Não sou irresponsável! Sei muito bem o que faço, além do mais já disse que suas rosas não podem me matar – falou e Albafica a olhou confuso e... Surpreso? – Já tem uma semana que estamos aqui e desde então freqüento seu jardim, até mesmo Ari que é arisca gosta daqui então se era para morrer eu já devia estar morta a muito tempo! Então senhor Albafica, ficarei aqui e terá que me aturar.

Dito isso Asterope se sentou novamente e cruzou as pernas fazendo a fenda de sua saia se abrir revelando-as.

Albafica a olhava o tempo todo e quando a ninfa cruzou as pernas seus olhos se fixaram nela e o ato para ele pareceu... Sensual. A ponto de ele engolir em seco discretamente. Sem contar o calor que sentiu de repente.

- O que é isso do seu lado? – mudou de assunto e achou o embrulho uma ótima saída, sem contar que poderia desviar das pernas esguias da ninfa.

Asterope abriu um sorriso formidável ao vê-lo falar do embrulho, que ela aparentemente havia esquecido.

- Um presente para você – sorriu – Fizemos uma torta para os cavaleiros, ou melhor, Eríthia fez, mas nem você ou o cavaleiro de virgem recebeu um pedaço já que não saem de seus templos, então achei que seria mais apropriado comprar uma somente para vocês – contou mirando o embrulho – Tive que subornar uma das criadas para saber sua torta preferida – riu.

- Não devia se incomodar – virou o rosto.

- Não foi incomodo, apenas fiz porque quis! – sorriu em sua direção e Albafica arfou de repente, o deixando confuso – Onde fica os pratos?

- Ah?

- Farei companhia para você e comeremos torta – falou se levantando e pegando o embrulho.

Albafica suspirou.

- Aceito que fique aqui, mas terá que ficar longe de mim para a sua segurança – explicou ficando com uma expressão indecifrável.

E fora a vez de Asterope suspirar desolada.

- Tudo bem, desta vez aceito comer longe de você – falou caminhando pelo jardim e indo em direção a porta de entrada do templo de peixes – Mas darei um jeito de quebrar essa distancia imposta por você – avisou adentrando o templo e sumindo pelo corredor.

Albafica balançou a cabeça.

Quem era ela afinal? Que tipo de ninfa era Asterope? Ele não sabia responder, mas tinha que confessar que ela possuía uma simplicidade única e falava com ele como se o conhecesse desde muito tempo. E isso fazia o peito do pisciano se aquecer, mas ao mesmo tempo ficava irritado, pois ela simplesmente ignorava seus avisos e pedidos para ficar longe dele ou de suas rosas.

Asterope não era qualquer ninfa e Albafica estava tentado a conhecê-la e descobrir quem era aquela ninfa desmiolada. E com tais pensamentos ele adentrou seu templo.

 

~*~

 

Aerica andava calmamente, mas seu semblante demonstrava seriedade e pensativa. Depois da conversa com Píton, após Eudora sair correndo as coisas tomaram um rumo diferente e a recém-descoberta a respeito do oráculo deixou-a perturbada. De repente a idéia de ter ido ao santuário pareceu errada e tomada sem pensar direito.

Mas não podia evitar sentir-se bem por Eudora, aquela menina precisava conhecer o mundo em que vivia, precisava sentir o vento em seu rosto, em seus cabelos. Ela precisava sair de dentro de quatro paredes ou então iria enlouquecer, como fizera quando...

A ninfa balançou a cabeça negando-se a relembrar de seu passado. Voltou a caminhar, mas então de repente se viu diante de uma porta extensa e em forma de arco. Estava diante da arena. Seus olhos piscaram tentando se lembrar do caminho que fizera, mas estava tão submersa em seus pensamentos que nem notou aonde ia.

Adentrou a arena viu que ela se encontrava parcialmente cheia, viu Hasgard com seus pupilos e ele parecia contar algo, já que estavam todos sentados e outros cavaleiros estavam por perto para ouvir também. O resto se dividia na arena ficando espalhados. Sentou-se na primeira arquibancada próxima ainda a entrada da arena, com os cotovelos apoiados nos joelhos, suas mãos sustentando a cabeça ela ficou a olhar para a arena vagamente.

Sem perceber que alguém a estava olhando.

- Fecha a boca senão entra mosca, Kardia! – riu Yato sendo acompanhado por Tenma.

Os dois cavaleiros de bronze perceberam a forma como o escorpião olhava para a ninfa, o mesmo havia chegado a pouco a arena após deixar as ninfas, Asterope e Fésile, cada uma na casa de peixes e virgem, respectivamente. Se encontrava um pouco aflito pelo que vira no templo treze, já que o oráculo aparentemente havia surtado e saíra correndo para algum lugar.

Mas acabou não fazendo nada devido a Cléia ter dito que iria atrás dela.

Kardia mastigava uma maça verde e que estava bem azeda, do jeito que ele gostava, seu olhar era analisador, mas afiado como se fosse um animal avaliando sua próxima presa. Talvez até fosse possível ver seu ferrão. Após comer a maçã e jogá-la em qualquer canto, ganhando uma reclamação de Yato, ele seguiu em direção a ninfa de olhar vago e distante.

No entanto, Aerica logo percebeu a aproximação dele e ao ganhar um sorriso malicioso ela fechou a cara e se levantou, pronta para sair, mas teve seu braço segurado pela mão forte e máscula do cavaleiro de escorpião.

- Calma aí, aonde vai? Acabou de chegar – disse ainda mantendo o sorriso de canto.

Mas que não parecia surtir efeito nenhum em Aerica. Causando irritação no mesmo.

- E o que importa se acabei de chegar? – ralhou o olhando com suas safiras frias – Pode me soltar cavaleiro?

- E se eu não fizer?

- Vai acabar pior que seu amiguinho canceriano – ameaçou e Kardia sorriu ainda mais, mostrando seus dentes brancos e alinhados.

- De todas você parece ser a mais arisca, em pensar que você se mostrou doce e atenciosa com todos no inicio – observou trazendo-a mais para perto – Mas não tem problema, até que eu gosto de mulheres ariscas, são mais excitantes – riu.

Ao ouvir tal palavra Aerica sentiu cada célula de seu corpo se irritar e uma onda de raiva veio como uma avalanche, sua feição de tornou dura e com a sua mão livre a ninfa acertou o rosto de Kardia. Logo três riscos apareceram em sua face e a cor escarlate apareceu, mas não escorreu.

- Ah! – grunhiu ele ao ganhar o arranhão.

- Não sou seu brinquedinho, cavaleiro! E nem estou aqui para satisfazer suas vontades na cama, se quer uma vagabunda então que vá a um putero! – ralhou entre dentes.

Em uma situação dessas qualquer pessoa ficaria abismada com a mudança de humor e a forma como a ninfa falava, mas Kardia apenas fixava os olhos azuis dela banhados de lágrimas, nas quais nenhuma ousou cair. Seus olhos azuis agora pareciam um mar em uma tempestade e ao invés de ficar com medo, o escorpião se sentiu ainda mais tentado a mergulhar dele. E de preferência em meio a aquela tempestade.

Aerica deu as costas a ela e seguiu seu caminho, mas logo a entrada ela trombou sem querer com Regulus, que derrubara seu cantil com água. Um pouco do liquido derramou, mas o leonino não se importou.

- Ah, perdão, Regulus – pediu ao se agachar e pegar o cantil caído.

- Não se preocupe, foi um acidente – sorriu ele – Está tudo bem? – indagou vendo uma lágrima solitária escorrer.

- Estou – assentiu e se levantou entregando o cantil agora com metade da água que possuía antes.

Regulus a olhou e depois sorriu na direção dela.

- Vou me encontrar com meu tio na vila, ele foi acompanhar Eríthia e Manigold que foram à feira. Vamos almoçar por lá, não quer vir? – convidou.

Kardia assistia tudo de longe e sua feição era a mais séria de todas, na verdade, era mortal. E sorte a de Regulus que não a viu, era capaz dele ter evaporado com somente um olhar do mesmo. E a raiva dele aumentou ainda mais quando viu Aerica assentiu e enlaçar seu braço no dele e saírem da arena.

O escorpião praguejou todos os nomes que lhe vieram à cabeça e depois retornou para perto de Yato e Tenma, para ajudá-los a treinar. Coitados daqueles garotos, correriam aquela arena até suas pernas falhares ou sua raiva diminuir, mas talvez seria depois de acontecer as duas coisas.

 

 

~*~

 

- Creio que a feira não vai sair correndo, Manigold! – reclamou Eríthia que era puxada pelo canceriano.

A vila se encontrava conturbada e cheio de pessoas andando pra lá e pra cá, carroças contendo frutas, verduras e até animais passavam constantemente pelo centro de Ródorio. Manigold não havia sossegado até conseguir convencer a ninfa de fazer uma torta somente para ele, suas suplicas pioraram quando ouviu Asterope falar que compraria uma para Asmita e Albafica. Deixando-o irritado.

Eríthia mal teve tempo de terminar seu café da manhã, pois logo cedo o cavaleiro se encontrava no décimo terceiro templo lhe alugando.

Animado e entusiasmado, Manigold tinha o braço fino da ninfa enlaçado ao seu que a puxava enquanto andava. Mais atrás, mas ainda perto deles, estava Sísifo que andava ostentando uma carranca séria demais para alguém tão amigável quanto ele. Mas aquela seriedade toda se devia ao fato de como Manigold segurava Eríthia e pela aproximidade que se estavam.

Não gostara nada de saber que ele ficou rondando-a logo pela manhã e não pensou duas vezes antes de afirmar que os acompanharia até a vila. E usou como desculpa de que almoçaria em Rodorio com Regulus. Vez ou outra enquanto andavam, o sagitariano via os olhos âmbar caírem constantemente sobre si, conseguindo ás vezes aplacar sua irritação e suavizar seu semblante.

A grande feira que acontecia uma vez por semana, não estava montada, mas Manigold sabia onde poderia encontrar uvas tão frescas quando as da banca da feira.

O sino tocou ao entrar na loja de vinhos de uma senhora já de idade. Os cavaleiros eram clientes constantes, assim como o grande mestre. A idosa cuidava da loja, pois por causa da idade não podia mais cuidar de sua fazendo onde ficava a plantação de uva, sendo assim seu filho cuidava dos negócios.

- Olá, senhor Manigold – sorriu ao vê-lo.

- Por Zeus, dona Yolanda, me chame apenas de Manigold, senhor é o velho do Sage – ralhou – Não quero me sentir velho... Sem ofensa – ergueu as mãos.

- Não ofendeu – riu e olhou para a bela garota de cabelos platinados e olhos âmbar intensos – O que o traz aqui? A adega de Sage já se esgotou?

Manigold riu.

- Não, por enquanto não – falou – Vim porque sei que vendo as melhores uvas de Rodorio! – piscou para a senhora que riu encabulada – Minha amiga aqui prometeu fazer uma torta de uva para mim – abraçou Eríthia.

E Sísifo quase voou no pescoço dele, fazendo sua cara séria aumentar.

A idosa ergueu um dedo em um pedido de silencio para que esperassem, caminhou pela loja de tamanho adequado e seus passos foram acompanhados pela ninfa, que só então notou que havia mais do que garrafas de vinho naquele cômodo. Havia cachos de uvas que davam água na boca só de olhar, elas eram grandes e cheias. Em outra estante Eríthia viu queijos de todos os tamanhos e sabores.

Tudo ali era muito convidativo a ser provado e a ninfa sentiu-se eufórica com a possibilidade de provar diferentes sabores de comida e bebida, já que havia descoberto uma paixão irresistível pela comida. E era fã de vinhos também, mas Pasithea não a deixava beber, talvez seja porque da ultima vez ela bebera cinco garrafas da adega de Hérmia e então saiu pela floresta completamente nua.

Ela riu internamente ao lembrar-se de Cléia detalhando sua trágica cena.

- Estes chegaram ontem e acabaram de serem colhidos da minha fazenda – contou entregando um cacho de uva roxa e intensa, que faz Eríthia salivar – Creio que será a melhor escolha para a torta do senhor... Quer dizer, de Manigold – disse.

- Está ótimo irei levar – falou ela.

- Pode deixar que eu pago!

- Mas é lógico, você é quem me amolou para fazer sua torta, nada mais justo! – empinou o nariz.

- Que ninfa mais ousada – falou incrédulo, mas havia um tom de brincadeira na sua voz.

Encostado em uma bancada da loja, Sísifo apenas observava a cena de braços cruzados e de feição ainda dura. Eríthia percebera a feição endurecida dele desde que saíram do santuário, porém, como Manigold não a soltava não teve tempo de conversar com ele e ficar ao lado dele. Havia gostado do cavaleiro de sagitário e apreciava sua companhia, apesar de tê-lo visto apenas por alguns poucos momentos.

Achando que havia algo de errado, a ninfa teve uma idéia, mas não sabia quando a colocaria em pratica.

- Gostaria de levar seu melhor vinho, se possível! – falou.

- Oh menina, vai com calma aí! Eu não tenho tanta grana não! – alarmou o canceriano.

- Eu pago, Manigold! – falou ela negando com a cabeça.

Após pagar tudo e agradecer pela ajuda, o trio saíra da loja e caminhavam pela vila tranquilamente.

- Para que esse vinho? Espero que seja para acompanhar minha torta – resmungou a avaliando.

A ninfa riu debochada.

- Claro que não! Vinho e torta não combinam – falou segurando a garrafa contra o peito.

- Então para que é?

- Assuntos meus, cavaleiro! – disse e piscou discretamente para Sísifo, fazendo-o sorrir minimamente.

Manigold bufou irritado.

- Irá retornar para o santuário? – indagou Sísifo, que até então se manteve calado.

- Ih que isso, ela vai fazer minha torta! – ralhou o outro e Sísifo olhou com uma careta para ele.

- Fique quieto, Manigold! – brigou Eríthia – Sim, irei retornar. Mas por que pergunta?

- Marquei de almoçar com Regulus aqui na vila, gostaria de nos acompanhar?

Eríthia o olhou, mas logo desviou o olhar ao ver aqueles olhos suaves e intensos ao mesmo tempo sobre ela.

- Seria...

- Aquele não é o Regulus com a... A ninfa que me bateu – apontou Manigold resmungando a ultima parte.

Bem adiante perto de uma banca de flores estava Regulus e Aerica, a mesma havia recebido de presente uma rosa amarelada do homem que cuidava daquela banca. O leonino logo os avistou e acenou, indo até eles em seguida.

- Resolveu passear também, ninfa? – indagou Manigold provocativo, mas Aerica nem ao menos olhou para ele.

Cumprimentou Sísifo cordialmente e o canceriano rolou os olhos e ajeitou a sacola com as uvas nos braços.

- Eu vou indo, to vendo que irei sobrar aqui – falou caminhando – Te vejo no templo de câncer depois do almoço! – fitou Eríthia e depois seguiu seu rumo.

- O que vai fazer na casa de câncer? – indagou Aerica.

- A torta de uva que não sabia que havia prometido a ele – riu sendo acompanhada.

- Ah então foi por esse motivo que ele entrou todo afobado no templo treze hoje – constatou ela e a platinada assentiu.

- Convidei Aerica para almoçar com a gente, espero que não se importe – falou Regulus coçando a cabeça.

- De maneira nenhuma – falou Sísifo – Então vamos? Creio que devam estar com fome – falou.

As duas assentiram e seguiram o sagitariano.

 

~*~

 

Seu templo estava silencioso, tudo o que ele mais adorava. Normalmente. Mas naquele dia, naquele instante aquela quietude parecia que o irritava. Seus pensamentos o irritavam como nunca antes. As imagens que se passavam como flashes, ora rápido ora lento, lhe confundiam. O olhar suave, porém temeroso pela proximidade não lhe saía da cabeça.

Degel suspirou.

Tudo nela parecia o irritar, seu jeito desastroso de ser, seus movimentos acanhados e desligados ao mesmo tempo, aquela feição distraída. Tudo nela parecia ter sido feito para irritá-lo. Mas parecia que era exatamente por causa disso que ela não saia de sua mente e aquilo o frustrava ainda mais. Afinal por que estaria pensando nela? Por que ficou estranho quando a teve tão perto e de repente ela saiu correndo?

Degel respirou fundo e retirou seus óculos de leitura, o livro de capa dura e de cor marrom repousava aberto em uma pagina qualquer e se encontrava deitado sobre si. Seu corpo estava repousando sobre seu sofá de couro negro, um prato com a comida intocada se encontrava na mesinha de centro da sala.

Sentou-se e fechou o livro, largando-o ao seu lado no sofá. Massageou as temporãs enquanto fechava os olhos por breves minutos.

- Devo estar ficando doente, só pode – comentou consigo mesmo.

- Não duvidaria, com essa cara melancólica – falou alguém.

Degel quase deu um pulo no sofá ao deparar-se com Kardia em sua sala o olhando com uma das sobrancelhas erguidas e o avaliando como um médico que avaliava seu paciente.

- O que diabos faz aqui? Não lhe ensinaram que deve se anunciar antes de entrar, Kardia?! – ralhou ele se levantando.

- E eu anunciei! Umas duas vezes, mas como não respondeu achei que tivesse acontecido algo – deu de ombros e se jogou no outro sofá pondo os pés sobre a mesinha.

- Estava distraído e... Onde conseguiu isso? Arrumou briga com um gato?! – indagou surpreso ao ver as marcas no rosto dele.

Três linhas vermelhas na bochecha dele.

- Ah, isso?! – pôs a mão no rumo dos arranhados – Um presentinho de uma das ninfas – sorriu de lado, mas logo fechou a cara ao se lembrar de Regulus e Aerica juntos.

- Uma das ninfas fez isso em você? – falou surpreso, mas em seguida ficou sério – Ah, não! O que fez Kardia?

- Eu? Nada! – defendeu-se – Aquela ninfa parece que tem problemas, apenas isso. Não falei nada de mais.

Degel semicerrou os olhos. Conhecia o grego melhor do que ninguém para saber que não fora nada.

- O que disse a ela? – cruzou os braços e o encarou sério.

- Nada, já disse! E por que não mudamos de assunto? Me conte, como está a ninfa fujona? – riu ao ver a cara levemente corada do amigo – Não viu ela depois que saiu correndo?

- Não. E parece que não a verei tão cedo, mesmo que a encontrasse, ela sempre sai caso eu esteja sobre o mesmo teto que ela – contou alisando os fios esverdeados – Ah, qual será o problema dela? – suspirou.

Kardia nada respondeu apenas sorriu de lado e Degel rolou os olhos.

 

~*~

 

Os ruídos causados pelas inúmeras conversas naquela taverna deixava o clima um pouco familiar, normalmente as tavernas não são lugares muito bem falados, aquele era o único restaurante com ambiente familiar em toda Rodorio. E isso era notável por algumas famílias que se encontravam as mesas.

Sentados do lado de fora onde poderiam usufruir de uma brisa fresca e uma pequena sombra feita por uma árvore que nascera entre a taverna e uma casa, suas pequenas flores em tons de rosa intenso deixava aquele almoço ainda mais perfeito. As duas ninfas se sentiam em casa, gostavam muito daquele sentimento de lar e as deixavam contentes.

Agora saboreavam uma sobremesa grega chamada Baklava*. Aerica adorava doces assim como Eríthia, as duas formavam uma dupla e tanto nesse quesito.

- Então o que acharam? – indagou Sísifo.

- Acho que nós iríamos nos arrepender se não tivéssemos acatado sua sugestão, senhor Sísifo! – disse Aerica levando outro pedaço à boca – Isso está ótimo – seus olhos brilharam.

As ninfas ficaram incertas ao ouvir o nome do doce sugerido pelo grego, o almoço estava ‘divino’ e cada um pediu um prato diferente, mas as duas experimentaram do prato da outra. Na hora da sobremesa ao vê-las em duvida o sagitariano deu uma sugestão e internamente confessava que adorou ver a face iluminada das duas ao provarem a sobremesa.

Era um prato bem típico da Grécia e bem comum. E ficou contente por ver o sorriso no rosto da ninfa Hespérides.

- Concordo com Aerica, está maravilhoso! – falou ao terminar de comer.

- Achou que vou pedir mais alguns para levar, aposto que as meninas vão gostar e principalmente Eudora!

Aerica prontamente se levantou e rumou para dentro da taverna para fazer seu pedido, uma brecha que Regulus achou ótima.

- Aconteceu alguma coisa com uma de vocês? – indagou de repente o leonino, deixando os outros dois confusos.

- Como assim? – indagou Eríthia.

- Aerica parecia distante quando a encontrei na arena, sem contar que parecia um tanto irritada também e Kardia estava por perto – falou ele e a ninfa ficou pensativa.

Virou o rosto na direção da entrada da taverna e depois fitou o prato vazio a sua frente, deixou que um suspirou escapasse.

- Não se preocupe, não houve nada – tentou acalmá-lo – Aerica ás vezes é um pouco arisca, ela ainda está tentando se adaptar ao santuário – contou.

- Entendo – falou incerto.

Mas a feição de preocupação que a ninfa fez não passou despercebido por Sísifo, que estava atento a qualquer ação e reação da mesma, desde que saíram do santuário pela manhã.

Eríthia sabia sobre os fantasmas que Aerica carregava, sabia de suas batalhas que ela travava dia e noite, todos os dias. Ás vezes aquelas sombras não eram possíveis ser vencidas e a bela ninfa caía em tristeza, por mais que fosse uma ninfa amigável ela era somente assim com as outras.

Aerica não permitia ninguém se aproximar dela, gostava da companhia das outras, mas quando seu trágico passado vinha a tona ela se isolava e deixava-se ser consumida pela dor. E Eríthia sabe mais do que ninguém o que é ser tomado pela dor e mergulhar de cabeça na escuridão.

- Pronto, podemos ir! – a voz de Aerica a trouxe a realidade e para aplacar seu desligamento deu um sorriso singelo.

E em seguida retornaram para o santuário.

 

~*~

 

O céu formava inúmeras nuvens e as mesmas vagavam por aquela imensidão de forma lenta, despreocupadamente como se tudo o que importasse fosse a lentidão de seu “caminhar”. Algumas falhas permitiam os raios de sol passarem e assim atingirem a grama verde e bem aparada do jardim do templo de Atena.

Sozinha e aproveitando daquele clima agradável, Lipara se encontrava deitada no solo macio e rodeado de pequenas flores brancas. Elas balançavam de acordo com que a brisa soprava, seus olhos fechados indicavam um repouso merecido. Ao seu lado um livro repousava, mas ela nem chegara a abrir.

Depois do que aconteceu, todas deveriam estar feito loucas atrás de Eudora. Mas Lipara conseguiu sentir o cosmo do oráculo assim como de dois cavaleiros, o que a deixou mais calma e também as outras, sendo Píton a mais alarmada. No entanto, a ninfa fez a pitonisa deixar o oráculo em paz por pelos menos alguns minutos. Além do mais, Cléia havia ido atrás dela, estariam seguras.

Enquanto isso desfrutaria de um descanso, afinal estava cansada emocionalmente.

Algo lhe incomodou na bochecha quando achou que poderia dormir de verdade daquela grama, permaneceu de olhos fechados a fim de ignorar aquele incomodo. Mas ele continuou e Lipara não teve outra escolha a não ser abrir os olhos vagarosamente, e ao fazer isso deparou-se com uma rosa em tom róseo pairando no ar próximo ao seu rosto. A rosa se mexeu novamente e as pétalas tocaram sua bochecha novamente.

Um sorriso cresceu em seus lábios bem pintados, em seguida ela pegou a rosa em seus dedos finos e a levou rumo do peito. Em seguida seu corpo se moveu, mas não por vontade própria, uma risada baixa foi proferida por ela ao ter seu corpo erguido no ar como se fosse uma telecinese.

- Tudo bem, já entendi! Está aqui! – disse, seu braço foi esticado para uma direção – Quer que eu o siga? – sorriu de lado – Tudo bem – aceitou.

Deixou-se ser guiada pela pessoa misteriosa, mas já conhecida por Lipara. Ainda com seu braço esticado a ninfa adentrou os arbustos e caminhou em linha reta. Percorreu a trilha imaginaria sem pestanejar e quando esta terminou, notou ter chegado a uma área aberta e toda enfeitada com árvores floridas e um pequeno lago em meio a elas. O vento soprou e seus cabelos cintilaram.

- Sempre gostei da cor de seu cabelo! – uma veio preencheu o espaço silencioso – Desde a primeira vez que a vi!

Lipara procurava desesperadamente pelo dono daquela voz, aquela voz rouca e vibrante que fazia seu peito acelerar como sempre acontecia. Desde a primeira vez que a ouviu.

- Não é só a cor que me agrada, o cheiro também – disse rouco e agora bem perto dela.

A voz dele saiu tão belamente grossa e sensual que Lipara fechou os olhos enquanto sentia as mãos ágeis dele percorrer seus braços finos e então abraçá-la de costas. Seu cabelo fora afastado e então um beijo casto fora depositado no pescoço dela, fazendo-a arfar de forma lenta. Mas muito prazeroso para ele.

- Senti saudade – disse Lipara, sem se importar se estaria sendo boba por dizer aquilo a alguém que ela nem conhecia direito. Um riso baixo escapou de sua boca – Desculpe, estou sendo boba – emendou.

- Não, não está – respondeu ele ainda mantendo aquele contato – Apenas disse o que sente, não há nada de errado nisso... Minha ninfa – a ultima palavra foi dita ao pé do ouvido e Lipara achou que fosse desmaiar.

Era assim que se sentia perto dele, era algo incontrolável. Não tinha idéia de quem ele era, seu nome, nada. Mas ele apareceu de repente e da mesma forma roubou algo precioso dela e que agora batia forte cada vez que pensava ou o via.

Lipara o conheceu quando ainda vivia na gruta com sua mãe, a titânide Têmis, na mesma época em que Aerica sofrera a maior tragédia que alguém poderia sofrer e Asterope teve sua vida mudada por conta de um acidente. Ela estava vulnerável, suas duas irmãs estavam passando por dificuldades e ela não sabia o que fazer naquela situação, então para espairecer a ninfa caminhou pelos solos macios e bem forrados de grama, onde árvores grandes formavam um teto estonteante e um lago maravilhoso e que adorava nadar.

E foi lá que ela o viu ela primeira vez.

Aquele ser de olhar penetrante, cabelos longos e repicados e pele pálida. O corpo perfeito e dono de uma beleza digna de um deus, seus olhos estavam fixados nos seus enquanto ele a observada do outro lado do lago. Sentiu cada parte de seu corpo ficar tensa e ao mesmo tempo clamando por ele. Foi uma sensação louca. Mas havia gostado.

Pensou em ir embora no mesmo instante, mas a voz dele a fez ficar. Parecia que com somente um comando ela ficava entregue a ele, totalmente. E desde então vêem se encontrando as escondidas, a única que sabe desse amor ingênuo é Eudora. Nem mesmo suas irmãs sabem desse fato de sua vida.

- Está mais bela do que antes – comentou – Achei que tinha me abandonado, fui encontrá-la em nosso local de sempre, mas você não apareceu e aparentemente havia sumido – contou.

- Jamais lhe abandonaria! – falou se virando para ele – Aconteceram muitas coisas e... Foi repentina nossa mudança para o santuário – completou – Não tive tempo de avisá-lo! Mas como me encontrou?

Um sorriso convencido se formou nos lábios bem esculpidos dele.

- Já disse a você, minha bela ninfa, sou alguém especial! Sou um cavaleiro! – disse ele.

- Qual cavaleiro? Achei que o encontraria aqui no templo de Atena – completou.

- No momento, tem apenas que saber que sou um cavaleiro... Para o seu próprio bem – falou pondo as mãos nos ombros dela.

- Quando vai me dizer seu nome? – quis saber.

- Como é curiosa! – riu – Em breve... – disse, mas não havia o sorriso de sempre ali – Talvez me odiaria se soubesse meu nome verdadeiro. E é melhor para mim que eu não saiba o seu também!

- Como devo lhe chamar então?

- Me chame do que quiser... Não me importo – novamente sua voz se tornou rouca.

Com uma puxada calma, ele a trouxe para perto de si e seus braços a rodearam. Seus olhos a fixavam intensamente e aquela coloração opaca e cintilante a deixava extasiada, Lipara se tornava outra ninfa quando ele estava por perto e não se importava, sentia-se leve e feliz como nunca sentira antes.

Seus rostos se aproximaram lentamente, já sabiam o que viria a seguir e o peito da ninfa acelerava fortemente em ansiedade. Sua boca já se encontrava parcialmente aberta apenas esperando por aqueles lábios sedentos assim como os seus, quando suas bocas se chocaram a sensação foi explosiva. O corpo dela entrou em combustão e descargas elétricas percorriam seu corpo, os braços fortes dele a abraçavam aumentando o aperto e o contato dos corpos.

Sentiu a língua dele pedir passagem que foi cedida facilmente e assim o beijo tomou forma, algo avassalador e desesperador. O beijo foi interrompido por Lipara, que começou a sentir falta de ar.

Ao olhar para ele, viu um sorriso nos lábios dele.

 

~*~

 

- Ah, não sei se é uma boa idéia – comentou ela incerta da proposta do virginiano.

Asmita a convidara para meditar com ele logo pela manhã, já que a ninfa se mostrou curiosa a respeito dos costumes do cavaleiro.

- Como pode saber se nem ao menos tentou – justificou ele.

- Não sou do tipo que fica quieta em um lugar por muito tempo, posso acabar lhe incomodando – contestou.

Caminham pelo salão de entrada da casa de virgem, onde o altar em que Asmita sempre se encontrava. O silencio era algo marcante naquela casa e nem mesmo os barulhos do lado de fora invadiam aquele templo. Parecia que havia uma redoma de proteção feita pelo loiro. E nada a penetrava.

- Já disse, você não me incomoda, pelo contrario – disse cordial – Se não conseguir meditar, pode ficar me fazendo companhia.

Fésile ponderou a sugestão, mas ainda sim temia incomodar Asmita e sua preciosa meditação. Afinal, o santuário precisava dele para se prevenirem dos espectros. A ninfa lhe sorriu, mostrando que pensaria no assunto.

Logo vozes começaram a ecoar dentro do templo de virgem e a julgar pelos passos, Asmita pode ver que havia mais de uma pessoa. Sendo uma delas o precioso oráculo dos deuses, a áurea de Eudora emanava inconscientemente por todo o templo e somente podia perceber por ser um cavaleiro com um cosmo mais elevado que os outros.

Um sorriso amigável se apoderou de seus lábios.

- Eudora! – gritou Fésile ao vê-la, um alivio tomou conta de seu ser.

Rapidamente correu até ela e pulou em cima da mesma, que retribuiu o gesto com um abraço e um sorriso.

O oráculo se sentiu melhor ao chegarem perto das doze casas, Defteros a desceu, mas ainda permaneceu por perto caso ela sentisse tontura novamente. O sol começava a se por deixando o céu todo alaranjado, mas o calor intenso ainda dominava aquele santuário.

- Estou bem – disse Eudora.

- Você deu um susto na gente, mas por sorte Lipara avisou a todas nós que você estava bem e em boas companhias – contou a ninfa.

- Não podemos demorar, Fésile! Eudora precisa comer, a pobrezinha quase desmaiou de fome – disse Cléia cruzando os braços e meio séria.

A atenção de Eudora de repente saiu da ninfa a sua frente e caiu em cima de Asmita, que percebendo o olhar dela se aproximou e se agachou diante da mesma.

- Devo dizer que estou honrado em tê-la em meu templo, oráculo! – disse respeitosamente e Eudora sorriu – Se me permite dar uma sugestão... – disse ele e a garota assentiu – Permita-me saciar sua fome, senhorita. Em seu estado é melhor que coma algo agora, esse calor fará mal a você – emendou.

Fésile estralou os dedos ao se lembrar de algo.

- Ainda sobrou um pedado de torta, Eudora adora frutas vermelhas! – exclamou ela – Ah, mas... Elas são suas – disse sem jeito.

- Não tem importância, ficarei contente em ajudar. Darei minha torta ao oráculo – disse Asmita se levantando – Me acompanhe? – estendeu a mão a ela.

Eudora sorriu e aceitou a oferta, realmente estava faminta e se tivesse recebido um convite para comer desde a primeira casa teria aceito na hora. Mas todas as casas estavam vazias, os seus donos ainda estavam na arena treinando. Asmita a levou pela mão até a parte interna de sua casa, tendo Defteros logo atrás com uma feição séria demais.

Deu uma rápida olhada para El Cid e a ninfa e a ouviu questionar a irmã sobre o que fazia no templo do Buda, logo depois voltou sua atenção para frente.

“Por que essa cara tão séria?” questionou Asmita através do cosmo para Defteros, que os seguia. “Estou apenas conduzindo-a até a minha sala para que ela se alimente, não estou ultrapassando nenhum limite imposto. Não é certo o oráculo passar por uma necessidade” completou.

Defteros rolou os olhos.

E quem disse que eu me importo?!” ralhou em resposta.

“Então desamarre essa cara, meu amigo!” esboçou um sorriso pequeno.

Asmita deixou Eudora em sua sala na compania de Defteros, enquanto isso retornou a sua cozinha pegando um prato e pondo dois pedaços de torta e uma xícara do chá que havia preparado. Colocou tudo na mesinha de centro de sua sala bem decorada com cores vibrantes e inebriantes, na opinião de Eudora.

- Pode ser que o chá esteja um pouco amargo, trouxe açúcar caso queira adoçar, apesar de preferir o chá mais amargo – comentou Asmita, sentando-se ao lado dela.

- Não gosto de açúcar também – contou ela dando um grande gole no chá e sentindo sua garganta ser molhada pelo liquido, comeu o primeiro pedaço da torta de uma vez, tamanha era sua fome – Perdão... Não sou tão esfomeada assim – falou envergonhada.

- Não se acanhe, está sem comer a bastante tempo – explicou o indiano.

Eudora começou o segundo pedaço calmamente e enquanto comia analisava a decoração, adorou as almofadas e elas pareciam macias. Enquanto isso Asmita parou para observar algo curioso que acontecia a sua volta, havia uma áurea diferente ali e não era o cosmo puro do oráculo. Percebeu então que aquela sensação vinha de Defteros. Dele e de sua forma de observá-la.

Podia perceber a forma desinteressada que ele mostrava, mesmo tendo seu corpo encostado a parede, seus braços cruzados em uma postura firme e seus olhos semicerrados, Asmita conseguia sentir a concentração que ele tinha no oráculo. E um sorriso brotou em seus lábios.

- O que tem achado do santuário, oráculo? – quis saber.

- Eudora – sorriu – Meu nome é Eudora! E estou gostando daqui, é bem diferente do bosque de Hérmia ou do templo em Delfos – contou.

- Perdão por meu descuido, não imaginava que o oráculo possuísse um nome – se desculpou o virginiano.

- E eu não tinha, mas quando fui morar com as outras ninfas elas escolheram um nome para mim. Um nome de ninfa – riu.

- E este nome teria algum significado?

Eudora pareceu pensar enquanto fitava seu prato vazio e sobrando algumas migalhas apenas.

- Significa ‘boas dádivas’ – respondeu Cléia aparecendo na sala e um pequeno sorriso cresceu nos lábios – Eu quem escolhi – afirmou.

- As outras ninfas ficaram bravas pelo nome da Cléia ter sido escolhido – riu Fésile – Mas fora a própria Eudora quem o escolheu, então não devíamos contestar – sorriu para a loira.

Defteros ainda permanecia em silencio, notou que El Cid não estava com as ninfas e provavelmente ainda os aguardava na entrada do templo de virgem. Por um segundo mirou o oráculo e encontrou seus grandes oceanos em cima de si, um sorriso terno cresceu nos lábios finos e pequenos da mesma. Algo que o incomodou, não estava acostumado com aquele tipo de coisas. Normalmente as pessoas se afastavam quando o via.

Impaciente ele quebrou a conversa animada da escolha do nome o oráculo.

- Já acabou de comer? – indagou e ela assentiu – Ótimo, agora vamos! Não quero reclamações por que nos atrasados – disse ele a puxando e a levando embora daquela sala.

Cléia e Fésile seguiram o geminiano às pressas enquanto que Asmita caminhou a passos vagarosos.

- Obrigada pelo pedaço de torta, cavaleiro – agradeceu Eudora antes de continuar a ser puxada por Defteros.

Ela acenou docemente e depois sumiu ao longo da casa. Logo Cléia e El Cid os seguiram.

- Posso voltar aqui amanhã? – indagou Fésile antes de ir.

- A aguardarei ansioso – respondeu e então a observou sumir.

Um sorriso brotou nos lábios de Buda, estava acontecendo coisas interessantes naquele santuário e ele gostaria de saber mais a respeito daqueles acontecimentos. Principalmente, queria saber mais a respeito daquela ninfa tão alegre como uma manhã de primavera.

Fésile.

O nome fez Asmita sorrir ainda mais. Apesar de internamente ainda achar estranho o que ela causava nele, sendo tão pouco tempo em que estavam ali no santuário.

 

***

 

Asterope se encontrava no topo daquela escadaria, havia passado a manhã inteira com o pisciano e só não ficara mais porque o mesmo insistiu que ela acabaria se dando mal caso ficasse tempo demais no templo de peixes. Contrariada acatou o pedido dele, mas com a promessa de que voltaria.

O restante da tarde passara lentamente, já que não achara nada para fazer. Percebeu que Eudora havia retornado ao santuário e achou melhor esperar por ela, sorriu ao ver a mesma e ainda mais acompanhada por um cavaleiro que mais parecia um deus grego.

- Bem-vinda de volta! – sorriu para a loira – Então, está mais calma? – indagou.

Eudora assentiu e retribuiu o sorriso.

- Ótimo, agora é melhor entrar antes de Píton faça um buraco na sala do grande mestre – riu ao imaginar a cena.

- O que fizeram com ela para que não fosse atrás de Eudora? – Cléia ergueu uma das sobrancelhas.

- Demos uma bronca nela após Eudora sair correndo, afinal, ela precisava de um tempo sozinha e colocar as emoções no lugar – contou – Sem contar que Píton tem que parar com essa super proteção, até eu estou me sentindo sufocada – resignou-se – Obrigada, cavaleiros, por cuidarem de Eudora – agradeceu sorrindo.

Em seguida Asterope levou Eudora para dentro do templo tendo as outras duas ninfas logo atrás.

Defteros ficou ali parado ainda a fitando e se enlouquecendo com a confusão de sentimentos que o habitava, nem percebeu que Eudora não estava mais ali e muito menos El Cid. Mas seu corpo parecia não o obedecer. Apenas fixado nas imagens que possuía daquele oráculo, que ultimamente lhe vinha rondando a mente.

 

 

 

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado!

Baklava é um doce grego feito de massa folhada e recheio de nozes triturada, pode ser servida com iogurte também. A baklava é feita em forma de torta. Se quiserem podem pesquisar no google imagens desse doce.


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