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História O acaso mais lindo da minha vida (SATZU) - Capítulo 7


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Notas do Autor


Oi pessoal, tudo bem?

Primeiramente, desculpa a demora em postar mais um capítulo! Esses dias foram bem corridos e extremamente cansativos. Mas, consegui finalizar esse capítulo.

Segundo, muito obrigada pelos 48 favoritos! Cês são demais. ❤️

Por fim, não me matem, mas o que seria de uma história sem treta pelo meio, não é meixmo?

Boa leitura! ☺️

Capítulo 7 - A Descrença


Fanfic / Fanfiction O acaso mais lindo da minha vida (SATZU) - Capítulo 7 - A Descrença

*Autora on*

Por mais que ambas quisessem verbalizar aquilo que estavam sentindo, algo dentro de cada uma sussurrava baixinho pedindo calma e tempo necessário para tudo. Se por um lado Sana estava totalmente desorganizada mentalmente com a aparição repentina de Jihyo novamente em sua vida após tanto tempo, Tzuyu não ficava atrás nesse quesito. Porém, com Tzuyu a situação era um pouco mais amena. Não que essa dor fosse menor do que a de Sana, pois ambas eram iguais, todavia, em intensidades diversas.

A Minatozaki precisava conversar com alguém sobre o que passou nos últimos minutos, e essa pessoa tinha nome e sobrenome: Chou Tzuyu. De início, Sana hesitou em digitar os números do celular da Taiwanesa, pois já estava muito tarde da noite, mas, a emoção falou mais alto que a razão. Tzuyu teve de tomar a iniciativa em tratar de falar algo para exterminar o silêncio que pairava na linha telefônica.

- Tudo bem, você primeiro Sana. - exclamou a castanha.

- Não, você primeiro Tzuyu. - tentou fazer com que a mais nova contasse primeiro.

- Hm.. Certo! Algum problema se eu te ligar por videochamada? - questionou à japonesa.

- Não, nenhum. Mas, acho que terei de ir para a varanda. Meus pais já estão dormindo! Mas antes, deixa eu ver se a barra da limpa. Te ligo já!

Tzuyu concordou, encerrando a ligação. No segundo seguinte, Sana abriu a porta do quarto lentamente espiando se seus pais já estavam, de fato, dormindo. Aproveitou e desceu até a cozinha para pegar um copo de água e alguns biscoitos para satisfazer sua fome. Retornou a passos lentos para o quarto, tendo o cuidado de fechar a porta vagarosamente e indo direto para a varanda. Lá se sentou, subindo suas pernas para perto de si, discando o número da mais nova em ligação por vídeo. Mais ansiosa ela não poderia estar. No segundo toque, a castanha atendeu a chamada. Ela parecia estar acordando ainda.

- Eu acho que te acordei, não é? - a japonesa perguntou, vendo os olhinhos pequeninos da mais nova ficarem mais puxados que o normal, dando a entender que estava dormindo ou cochilando.

- Na verdade, eu estava cochilando. - colocou o celular na mesa numa posição favorável, e tratou de fazer um coque alto no cabelo. Sana a observava atentamente.

- Me desculpa, Chewy. Não queria te acordar. - fez beicinho nos lábios.

- Não tem problema, minha linda. Acordar e me deparar com um anjo igual você, me faz querer não pegar no sono nunca mais. - riu e corou violentamente, vendo Sana cobrir o rosto, parecendo estar com vergonha do comentário feito pela castanha.

- Você hein, Chou Tzuyu! Sabe bem como conquistar alguém. - olhou convencida para a tela, mostrando uma cara pensativa, pondo um dedo no queixo.

- Então, você quer que eu comece falar, ou quer falar primeiro? - questionou para a japonesa.

- Pode ser. Inicia você.

- Então Sana, eu sinceramente não sei o que somos, porém não gosto de rotular minhas relações afetivas com ninguém. Gosto que aproveitar o momento, apenas. - pausou a fala, e continuou. - Lembra da conversa que tivemos na sua casa?

- Lembro. - sinalizou a cabeça positivamente.

- Pois bem. Como eu te disse naquela noite, por muito tempo, eu quis acreditar e pensar que o futuro não reservava nada para mim. As decepções e perda de confiança nas pessoas me fizeram desacreditar de tudo. O que aconteceu hoje, só me fez pensar em tudo que aconteceu nas últimas 48 horas e eu estaria sendo hipócrita comigo mesma se eu não te contasse isso.

- Tudo bem, Tzu. Pode contar!

- Eu saí com a minha melhor amiga hoje à noite, e no momento em que nós estávamos indo para o carro, eu me deparei com a minha Ex, no capô do meu carro. Ela parecia estar me esperando. - Tzuyu falava com uma calma fora do normal, mas não era isso que estava se passando dentro de si.

- Hm.. - a japonesa anasalou como confirmação, dando a entender que a mais nova poderia prosseguir a conversa. Estava tentando não pirar com as palavras que Tzuyu estava dizendo. Era de ficar pasmo. Sana também reencontrou Jihyo e isso a fez ficar da forma que está: extremamente confusa.

- Sabe Sana, por mais que eu não sinta mais nada por ela, de verdade, eu não me senti confortável ao lado dela. Sei lá, é provável que venha atrás de mim novamente e isso me irrita bastante. Eu imagino que minha estadia por aqui não será mais tranquila e sem ocorrências. Eu conheço Elkie, sei do ela é capaz. - falou por fim a Taiwanesa, suspirando pesado após desembuchar a conversa toda. - E você, o que queria me contar? - viu que Sana estava aérea após contar tudo e resolveu trazê-la à Terra novamente.

- Ah, eu queria dizer que... Sinto sua falta. - por incrível que pareça, Sana não teve a coragem necessária para dizer o que havia acontecido com ela. De certa forma ela foi covarde? A resposta é: absolutamente. Os impactos que isso trará? Impossível mensurar, no momento.

- Eu também sinto sua falta, Sana-chan! - falou olhando bem pertinho da tela, mostrando um coração para a japonesa.

- Tzu, eu tô com um pouco de dor de cabeça. Nós poderíamos conversar amanhã? Me desculpa. Eu tô muito indisposta. - pousou uma das mãos sob sua testa, e a outra na cintura, falando pesadamente.

- Claro, sem problemas Sana. Fica bem, tá? Se cuida e toma um remédio para essa dor de cabeça. Um beijo. - falou preocupada com a mais velha.

- Um beijo, Tzu. Te gosto muito! - soltou um beijo na mão para a mais nova, desligando a câmera logo em seguida. Entrou novamente no quarto, fechando as portas da varanda, pois o frio já dava sinais de vida. Seguiu em direção ao espelho e se encarou nele.

- Minatozaki Sana, por que você é tão covarde? Por que você é tão fraca? - a decepção agora se fazia presente na ruiva.

Em razão do seu passado, Sana carregava consigo um medo instantâneo em se abrir com as outras pessoas. Por mais que Tzuyu fosse diferente de todas as outras pessoas que ela já tivera conhecido, parecia que seu sistema nervoso, já atrelado ao passado recente que ela teve, mandava sinais elétricos direcionados para seu cérebro, alertando-a para frear seus sentimentos e confiança nas pessoas. Ela sabia que tinha agido de forma covarde e fraca. Mas, o que ela poderia fazer nessa situação? Contar o que havia acontecido, certamente faria Tzuyu repensar nos sentimentos que possuía por ela. Jihyo, de certa forma, ainda abalava seu interior, e a Minatozaki sabia bem disso.

Ora poxa, um relacionamento duradouro é o sonho de qualquer pessoa em sã consciência. O que não é esperado, na verdade, são as consequências advindas da entrega motivada em razão da confiança que é depositada nesse alguém com quem estamos. O amor é entrega. Você só pode dar aquilo que tem. Você não pode exigir do outro aquilo que não pode dar à ele. Mas, nem sempre essa exceção era realidade. As vezes encontramos alguém que de início, pode até corresponder aos nossos anseios e expectativas. Mas, ao passar do tempo, das situações, circunstâncias e momentos, percebemos que, na verdade, a exceção se torna a regra, e quem deveria ser o nosso porto seguro, na verdade é tempestade à deriva, que simplesmente destrói todos os sentimentos bons que carregamos por anos.

É impressionante como a mente humana é treinada para lidar com as situações impostas pela vida, sejam elas boas ou ruins. O que a mente humana ainda não conseguiu, é aprender a conectar 100% o racional com o emocional, pelos menos não em todas as pessoas. Há pessoas que são mais razão, outras mais emoção, disso não podemos negar. Outros nem um nem outro, totalmente desprovidos de sentimentos racionais ou emocionais que ajem pelo próprio impulso de apenas acabar com a felicidade dos outros.

Park Jihyo se enquadrava nesse último grupo, sem dúvida alguma. O poder, a ganância e a satisfação de ver os outros nas suas mãos bastava para se sentir feliz. Feliz? Na verdade, se a felicidade se resumisse nisso, o mundo seria tão infeliz tal qual é atualmente, isso por que não raras vezes mantemos contato com pessoas assim. Sana e Jihyo se conheceram ainda no ensino médio, na Escola local de Nagoya. Jihyo é uma legítima coreana, porém, mudou-se para Nagoya junto com seus pais que eram empresários. Típica família rica que se muda constantemente para vários lugares e não pousam em nenhum lugar, finalmente. Tipo ciscando de poleiro em poleiro. Entretanto, a ida para Nagoya foi diferente, digamos.

Além dos pais da Park serem muito eficientes e competentes no respectivos trabalhos, ela era uma verdadeira gênia nos estudos. Tanto assim, que ganhou uma bolsa de estudos, ainda no ensino médio para cursar Engenharia Civil na Universidade de Tóquio. A distância entre Nagoya e a capital Japão não era tão significativa, levando em consideração a distância entre Seul e os mencionados países. A saída mais segura e sábia era permanecer em solo japonês.

Nesse período do ensino médio, a Minatozaki e a Park começaram uma amizade bela e verdadeira. Entretanto, a convivência fez aflorar outro tipo de sentimentos entre elas. Sana nunca tinha sequer beijado outra menina. Sabia que Jihyo já tivera outra namorada, inclusive, estudava na mesma escola que elas. Jihyo dava sinais de que realmente gostava de Sana, mas, ao passar dos tempos, a ideia de ter ganhado uma bolsa de estudos em uma das universidades mais cobiçadas da Japão, além de carregar consigo o título de gênia na Escola Regular de Nagoya, sem esquecer do fato de que era nascida em berço de ouro, fizeram um verdadeiro giro na cabeça da mais velha.

Exatamente nesse momento, ela se aproveitou dos sentimentos que Sana sentia por ela. Park sabia que Sana a amava, e isso a fazia se sentir ainda mais prepotente. Com isso, Jihyo começou trair Sana com outras meninas da faculdade, até mesmo conhecidas delas, inclusive indo até o final (vocês sabem). Sana e Jihyo sequer haviam passado de uma pegação mais quente na cama de cada uma. Sana sempre dizia que queria se resguardar para o amor da sua vida, palavra que Jihyo sempre considerou. De tanto a Park infernizar o juízo da Minatozaki, esta última resolver ceder aos instintos naturais e a pressão excessiva da coreana. 

A transa das duas foi um momento único para Sana, isso por que era sua primeira vez, e pensava que Jihyo também estaria aguardando esse momento das duas. Inocência da japonesa acabar isso! A Minatozaki foi as alturas com os toques, beijos e sensações que a coreana lhe dava. Qualquer um que chegasse ali naquele momento, sentiria a tensão sexual formada no quarto da japonesa. Não é à toa que vez ou outra Sana rememorava esse momento quando estava deitada na sua cama, querendo exterminá-lo de seus pensamentos.

Após pensar nisso tudo, se perdendo nos próprios pensamentos, a japonesa se jogou na cama, querendo esquecer que Park Jihyo um dia, ocupou um lugar mais que especial e genuíno dentro de si. Mas não é assim tão fácil, não é mesmo? Ela iria tentar, inegável. Sabia que seria tarefa deveras difícil. Por hora, se convenceu de que precisava se recompor antes de contar tudo para Tzuyu. A vergonha e o pudor a fizeram recuar no momento em que iria se abrir para a mais nova. Nisso tudo, a japonesa se perdeu no raciocínio da sua própria vida e acabou apagando, caindo num sono profundo.

....

O alarme de celular tocou incessantemente, fazendo com que a japonesa acordasse rapidamente. Seus cabelos estavam soltos e bagunçados. Daí, foi em direção ao banheiro, se despindo e tomando uma bela ducha. Saindo do banheiro, tratou de colocar uma roupa esportiva para correr um pouco pelo parque perto de casa. Fez um coque alto e desceu as escadas, indo até a cozinha, abrindo a geladeira e tomando um pouco de suco de maçã.

- Senta filha. Fiz algumas panquecas para você. - a mãe dela falou. Estava no fogão, virando as panquecas voadoras.

- Obrigada Mãe. Vou correr um pouco! Logo volto, tá? Beijo. - fechou a geladeira, indo até sua mãe lhe dando um beijo no rosto, logo saindo para correr.

*Minatozaki Sana*

Após a noite conturbada que tive, eu me perdi nos meus próprios pensamentos e acabei pegando no sono. Antes do dormir, me peguei pensando na mais nova. Eu sabia que tinha pisado na bola em não dizer que eu também havia visto minha Ex namorada. A castanha falou com uma franqueza extrema, e percebi que ela, de fato, não sentia mais nada pela tal Elkie. O mesmo não se aplicava a mim. Na verdade, eu nem sei o que senti quando vi Jihyo novamente. Foi um misto de sentimentos, sinceramente falando. Eu queria ser sincera com Tzuyu. Queria mesmo! Mas, por hora, decidi guardar isso só para mim. Preciso ver como falar para ela. Não vou negar que tenho medo da sua reação. É o ditado: ninguém conhece ninguém.

Joguei a preguiça de lado e fui em direção o parque. Muita coisa mudou nesse período que passei longe. A revitalização do parque ficou simplesmente perfeita. A nova arquitetura caiu como uma seda. Novas plantas foram colocadas em locais estratégicos, de modo a fazer quilômetros de sombra. Ah, a natureza me encanta tanto. Se eu não olho para a frente, acabaria esbarrando numa pessoa que estava parecendo amarrar o cadarço do tênis.

- Poxa, mas o que custa se agachar encostada numa árvore, né minha filha? - falei e fiz a mais nova rir.

- Haha, engraçada você né? Está correndo também? - Hyujin questionou, logo se levantando e ficando de frente comigo.

- Estou sim. Mas e você, já pode fazer esforço assim? O médico te liberou?

- Liberou sim. Porém, tudo na intensidade leve. Um tédio! Sou nem uma idosa. - a mais nova e seu senso de humor implacável.

- Então, vamos caminhar um pouco, tá? Sem corridas por hoje. - agarrei no seu braço esquerdo e nos direcionei de volta para pista. Ficamos andando em silêncio, apenas admirando o natureza a nossa volta, até que meu celular toca, quebrando o silêncio de antes. 

*Momo ligação* 📲

- Hi? - a mais velha falou.

- Hi, Momo-chan! Diga.

- Hoje eu estou de folga. Vamos sair a noite? Chamamos as meninas e nós divertimos. - a loira questionou e eu juro que não queria dizer não. Não estava no clima para nada. Mas, aceitei a proposta para tentar aliviar minha mente e pensamentos.

- Tudo bem, unnie. Você me busca?

- Busco sim. Fica tranquila! Bye, até mais.

- Tchau. Beijo!

* Chamada off*

Terminei a caminhada ao lado de Hyujin, lhe contando que iríamos sair mais tarde, nós todas. A mais nova ficou toda feliz, logo ligando para a namorada Heejin lhe contando. As duas eram umas fofas juntas. Fico feliz por estarem dando certo. Afinal, alguém tem de ser feliz, não é mesmo? Se não for eu, que seja alguma de minhas amigas. Torço muito pela felicidade de cada uma delas. Voltei para casa, e nem me dei o trabalho de antes subir para meu quarto para tomar um banho. Já fiquei direto na mesa para provar as panquecas deliciosas da minha mãe. E olha, minha mãe sempre me deixa boquiaberta e impressionada com sua habilidade na cozinha. Tenho de ter cuidado para não engordar demais e acabar voltando para Seul rolando.

Depois de saborear as deliciosas panquecas, subi até meu quarto, e tratei de tomar um belo banho revigorante! O clima hoje em Nagoya estava estranhamente quente. Não que a cidade fosse fria ou congelante na maioria do ano, o que era uma raridade. Mas, o clima ameno e com ventos suaves foi substituído hoje por um sol de rachar e ausência da brisa que sempre se fazia presente. Quando saí do banheiro, quase levo um tombo de susto em ver alguém bem sentada na minha cama me aguardando. Eu juro que essas pessoas que estão tentando me fazer infartar de medo vão se ver comigo.

- Poxa Hirai, custa você avisar que vem para cá. - coloquei uma das mãos no peito, dando sinais que realmente tinha tomado um belo susto. É incrível a capacidade da japonesa mais velha entrar em um cômodo ou ambiente sem ser ouvida. Isso as vezes me irritava, sem dúvida.

- Oi água de salsicha, bom dia para você também, tá? Beijos de luz. - Momo sabia bem como me tirar do sério. - Eu sei que combinamos de sair todas juntas, mas decidi não avisar que viria antes para te ver, por que senti que você não iria me querer aqui contigo agora, após de presenciar a cena de ontem...

- Não continua. - a impedi de continuar falando. Já bastava a noite mal dormida que havia tido, assim como as lembranças sombrias que vieram carregadas a partir do momento em que vi Jihyo novamente.

- Desculpa. Eu só vim mais cedo por que quero ficar do seu lado, amiga. Conta comigo tá? Vou ficar por aqui hoje até sairmos, estou de folga. Então, hoje é o Momo-Sana-Day! 

- Tudo bem, Momo. - suspirei pesadamente, o que foi percebido pela mais velha.

- Aconteceu alguma coisa? Tô te sentindo tão estranha. Não adianta dizer que não houve nada, ok? Nós somos amigas, e esse tipo de coisa se percebe à quilômetros. - não podia negar: eu tenho uma amiga e tanto. Como eu era grata por ter a amizade de Momo.

- Aconteceu sim. Mas primeiro, deixa eu trocar de roupa. Volto já! - apesar de sermos amigas de longas datas, trocar de roupa na frente dela e dos outros sempre foi um problema. Fui até o closet e troquei de roupa. Coloquei um pijama dos Minions, calça comprida e blusa t-shirt de mangas 3/4. Voltei para o quarto, e logo me joguei no colo da loira que aguardava para contar o que havia acontecido.

- Me conta o que está te deixando tristonha assim, Sanaja!

- Epa, esse apelido já não cola mais, sua pabo-ya! - cruzei os braços e mostrei minha melhor cara de indignação.

- Tá, tá. Retiro o que eu disse! Mas vai lá, me conta o que aconteceu. - levantou os braços em rendição e logo me puxou novamente para seu colo acolhedor de sempre. Eu fiquei de costas para ela, que me abraçava por trás, encostada na cabeceira da cama.

- Eu acho que não estou sendo sincera com a Tzuyu. Aliás, eu não acho. Tenho quase certeza! - falei insegura.

- Por que você diz isso? - a loira me questionou, não sabendo assimilar minha fala aos acontecimentos recentes que passei com a Taiwanesa, que tinham sido extremamente bons e reconfortantes. 

- Ontem quando eu cheguei em casa, recebi uma notificação no celular. - fui logo destravando a tela do celular e abrindo o aplicativo de mensagem lhe mostrando a mensagem da mais nova.

- Uau, ela tá tão na sua! - tirou onda comigo. - Mas o que isso te faz pensar que não está sendo sincera com ela?

- Assim que vi a mensagem, liguei para ela. Mesmo sendo tarde, achei que ela deveria saber o que havia acontecido. - pausei a fala antes de continuar. - Momo, ela me falou que havia saído com uma amiga ontem a noite...

- Mentira, ela te traiu? Tô indignada. - me afastou do seu abraço.

- Não Momo, espera eu terminar de falar, por favor. - a mais velha e sua mania em colocar palavras na boca dos outros. - ela gesticulou fechar a boca com uma chave e tratou de me acolher novamente no seu abraço, que foi desfeito depois da fala dela em pensar que Tzuyu havia me traído. - Ela me contou que reencontrou a Ex namorada dela também.

- E o que aconteceu?

- Momo, ela me disse que, embora tenha visto a tal da Elkie novamente, nada dentro dela mudou. Mesmo depois de tudo que a Ex lhe fez, reencontrá-la não foi um problema, apesar de ter sido tomada por um desconforto.

- Entendi, mas, eu ainda te pergunto, por que você pensa que está sendo desleal ou desonesta com ela? Ela te disse, mesmo de forma implícita que está realmente gostando de você, já que viu a ex e não sentiu nada.

- No momento que eu ia falar que também tinha revisto Jihyo, eu simplesmente travei Momo. Algo dentro de mim ficou paralisado, sem possibilidade de lhe contar o que eu estava sentindo naquele momento. Eu não sabia o que esperar de Tzuyu, depois dela ficar sabendo que eu fiquei mexida em rever minha Ex. Eu não queria acabar com um sentimento tão bonito que está começando a aflorar dentro de nós. Eu queria ter dito o que estava sentindo, mas eu fui covarde e desleal. Não estou me reconhecendo. - tentei ser o mais sincera possível.

- Sana, não se culpa tanto. Eu não conheço pessoalmente a Tzuyu, mas, pelo pouco que você me contou dela, me faz pensar que ela é uma pessoa centrada e esclarecida, ao ponto de entender seu lado, sabia? - a japonesa me olhou fixamente, antes de prosseguir. - Eu sei que foi muito ruim e desconcertante ver Jihyo novamente, depois de tudo que ela te fez passar, mas, você não pode colocar nos outros as expectativas ruins que você carrega consigo, entende? Por mais que Jihyo tenha te feito passar uns maus bocados, você não pode confundir o teu passado com o teu presente com Tzuyu. Ela sim, parece gostar muito de você, além de ser sincera o suficiente para te contar algo que as outras pessoas geralmente escondem. O que acontece é que você precisa se livrar desse fardo que carrega, e ninguém melhor que Chou Tzuyu, que parece gostar de você o suficiente para não te condenar, mas sim, te acolher e te mostrar que ela é diferente e que pode sim te fazer feliz e mostrar um novo caminho para vocês traçarem. Corre atrás de quem te gosta e quer teu bem, amiga. Não deixa a Chou escapar de ti. Ela te merece e você a merece.

- Obrigada por suas palavras, Momo. Obrigada por me acolher e me entender! - as lágrimas trataram de correr incessantemente no meu rosto. Abracei Momo tão forte que seria capaz de não soltá-la mais. Isso me fez perceber que preciso entender melhor o que se passa dentro de mim e que devo sim aprender a compartilhar meus sentimentos. Tzuyu e seu jeito introvertido e extrovertido de ser, mesmo de forma antônima me faz querer estar ao seu lado em todos os momentos. Como eu bem disse, o amor é entrega. Tzuyu tem me dado muito mais que mereço, e isso me fez entender e perceber que ela merece minha confiança e meu amor. O destino se encarregou de colocar todas as peças em seus devidos lugares. E como eu era grata aos céus por ter esbarrado na castanha mais nova. Eu precisava lhe dizer o quanto estava sentindo sua falta e o quão precisava estar ao seu lado nesse momento.

- Liga para ela, Sana. Diz o quanto você gosta dela. - Momo me aconselhou e foi o suficiente para encontrar a coragem necessária para contar o tinha acontecido comigo, e abrir meu coração e sentimentos. A japonesa loira me deu um momento, descendo até a cozinha para preparar um lanche para nós. Assim,  disquei o número da castanha e aguardei até o terceiro toque para o telefone ser atendido. De início, não reconheci a voz do outro lado, lhe perguntando seu nome e onde Tzuyu estava. Não acreditei quando a pessoa do outro lado falou em alto e bom som de quem se tratava. Foi um tiro certeiro no meu coração que já estava em demasia despedaçado.

- Aqui é Chong Elkie. Quem deseja falar com a minha namorada?

Isso foi o suficiente para eu por fim a chamada e me jogar nos braços da incerteza e solidão. Não acredito que isso está acontecendo novamente. Não acredito! Não acredito. Qual é a do destino? Já não foi o suficiente sofrer pela Jihyo, agora tenho de passar novamente pela mesma situação com Tzuyu? Toda minha crença na mais nova restou abalada. Não tinha mais certeza de nada e isso me fez desacreditar nos sentimentos da Chou por mim.


Notas Finais


Enfim, não me matem!

O que acharam da aparição repentina da Elkie no quarto da Tzuyu? Alguma coisa aconteceu, será? 😏🤫

Próximo capítulo termos SEULRENE entrando na Fic!

Até a próxima atualização. ❤️


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