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História O Acidente - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Capítulo Dois


— Não sei — Disse Mariano ao celular. O argentino estava com um ar preocupado a seu redor e uma expressão nada agradável no rosto. Provavelmente não passara o dia nada bem. — Temos que ver. Acredito que não tenha sido um erro tão grande assim. Vou verificar e depois me comunico com vocês, está bem? — Perguntou à pessoa do outro lado da linha. — Tudo bem, sem problemas. Vou verificar o quanto antes, e já falo com vocês. — Respondeu por fim e desligou suspirando de cansaço. O dia não havia corrido tão bem o quanto ele esperava.

— Pai...? — Perguntou Bia percebendo a presença do mais velho na sala do apartamento. — Tudo bem? — Perguntou se dirigindo a ele com passos curtos, enquanto Mariano sentava-se no sofá.

— Tive alguns probleminhas no trabalho. Só isso. — Respondeu com uma voz pesada — Erraram o desenho de uma planta e a culpa caiu sobre mim, mas não que seja algo tão grande. — Ele respondeu olhando nos olhos da filha.

— Espero que não seja mesmo. — Ela respondeu sorrindo para ele. — Bom, a mamãe já está terminando o jantar, e eu vou colocar a mesa. — A morena se afastou e seguiu até a cozinha deixando o pai sozinho na sala.

...

Ana talvez nunca tivesse tido uma manhã tão agitada quanto aquela. Era um aluno chegando atrás do outro e do outro. Ela ainda não tinha tido tempo de comer, quando seu ultimo aluno da manhã chegou.

— Não queria dizer nada, mas acho que fizemos mal de adiantar essa aula. — Disse a ruiva brincando pelo seu cansaço.

— É, mas eu vou sair com o Victor de tarde e depois vou trabalhar no Jukebox. — Respondeu Manuel se explicando.

— Não, não. Eu estava brincando. — Ela riu encostada no piano. — É que parece que todos os alunos que eu tenho adiantaram as aulas para hoje. — Riu cansada. — Ainda não comi nada. Mas depois da aula eu passo na cozinha.

— Bom, acho que a única aluna que não pediu para adiantar a aula foi a Bia — Ana sorriu ao ouvir o espanhol falar da irmã. Com certeza se sentia muito bem ao lado dela, mas se culpava muito por não poder nem conseguir contar toda a verdade para Bia.

— É... — foi a única coisa que conseguiu dizer referente ao comentário de Manuel. — Começamos? — Perguntou ao aluno que já estava sentado ao piano.

...

— Muito bem, Manuel! — Elogiou Ana ao ver o aluno toca a ultima tecla de sua música. — Só precisa de um pouco mais de precisão ao tocar, mas não precisamos de mais ajustes. Acho que se melhorar estraga.

— Obrigado — sorriu agradecido à professora que se encontrava ao seu lado. — Eu trabalhei duro nessa música, fico feliz de finalmente ter terminado.

— Eu sei. E você tem muito potencial para fazer isso. — Elogiou lembrando de todas as musicas que ele já apresentou para ela. — Essa é qual, a sua terceira música? — Manuel riu — Mas estou falando serio, você é muito bom nisso. E pra praticar eu vou passar alguns acordes para você treinar a precisão — Anotou algo nos papéis que estavam em cima do piano e os entregou para o espanhol. — Nos vemos na quinta. — Observou o aluno sair da sala da residência e desaparecer pelo corredor.

Ao perceber que já se encontrava sozinha, sentou-se ao piano e começou a dedilhar alguns acordes. Acordes os quais não faziam parte de nenhuma musica que já houvesse tocado. Apenas sentia a musica em sua mente e em seu coração e transformava aquilo em notas, que faziam seu coração bater no ritmo em que tocava.

Dedilhava acordes que pareciam não combinar, mas sua alma achava já o contrário. Ela tocando, ali, sem quase nenhum problema mais. Sentia-se livre. Sentia-se calma, mesmo sabendo de tudo o que lhe cercava naquele momento.

Logo quando parou de tocar, percebeu uma figura conhecida encostada no batente da porta da sala.

— Continua! — Pediu Thiago se aproximando do piano e apoiando seus braços no instrumento, olhando fixamente para a professora à sua frente.

— Na verdade, eu não estava tocando nada — disse olhando nos olhos do amigo e se levantando do banco onde estava.

— Não? — Perguntou Thiago e a professora o negou com a cabeça. — Claro, porque só estava apertando as teclas. — Ele riu, juntamente com a ruiva, que cessou logo seu riso.

— É. — Respondeu logo após. — Agora, se me der licença, ou mesmo que não dê, eu preciso comer algo. Não tomei café hoje. Acordei tarde e tive muitas aulas para dar. — Falou andando até a cozinha da residência, onde tido estava em perfeita ordem e limpeza. Provavelmente Pietro não começaria a fazer o almoço tão cedo, pois deveria estar com os amigos no Fundom.

— Ei. — Thiago disse com um ar preocupado atrás dela. — Não é só isso que está acontecendo! — Procurou os olhos dela quando a mesma se virou para encará-lo. Os olhos castanhos dos dois se encontraram e Ana piscou varias vezes até finalmente se pronunciar.

— Não... não aconteceu nada. Eu só preciso comer, só isso. — Respondeu esquiva, indo até a geladeira e pegando a jarra de suco.

— Ana... — Thiago a fitou com seriedade. — Eu te conheço e sei quando você omite algo. Algo aconteceu, e quero que saiba que eu estou aqui para te ouvir. — Ele caminhou até a brasileira, colocou sua mão em seu ombro e fitou-lhe os olhos. — E também, você fica muito transparente tocando piano. Todas as suas emoções saem sem você perceber.

— Tem razão. — Ela suspirou colocando a jarra em cima do balcão.

Ana e Thiago partilhavam do maior segredo que alguém poderia ter na vida, e se tinha alguém que ela sabia em que poderia confiar.

— É que eu ainda estou em choque. Ver o Víctor assim tão perto, mesmo que não tenha sido a primeira vez, me deixou apreensiva. Não sei, acho que se eu for contar tudo, eu não vou conseguir contar pra ele — Se explicou para o melhor amigo, que ainda a encarava, olhava, fitava fixamente seus olhos — A culpa do acidente é minha, e ele não merece que eu volte. Não merece sofrer tanto. Eu não morri, Thiago, todos acham que sim. E se no final, se eu contar a verdade, ele ficar me culpando. Não aguentaria ver ele sofrendo por algo que eu fiz. Fiquei pensando nisso a noite toda. — Sentiu o as lágrimas quentes se formarem no canto dos olhos e escorrerem pela suas bochechas, deixando um rastro molhado por onde passavam.

A pianista já sentia o nó em sua garganta se formar por tentar segurar suas lágrimas. Não queria chorar. Não. Não naquele momento. Queria se mostrar mais forte do que realmente é. Mesmo que Thiago saiba de tudo o que ela já havia passado.

— Ei! — Thiago não pensou muito e a abraçou. Com um abraço reconfortante para ambos. — Não se preocupe. — Ele acariciava o cabelo dela, que repousava a cabeça em seu peito.

Ana começou a se desmanchar em lágrimas. Não importava o que fizesse; não importava o quão mal estivesse; não importava o que acontecesse em sua vida, sabia que poderia contar com o seu melhor amigo. Thiago sempre estava lá, e acreditava que estaria para sempre

Ao desfazer o abraço, ele a encarou nos olhos e segurou seu ombro com as mãos firmes. Ficaram se encarando por alguns segundos, segundos os quais mais pareciam eternidades.

— Ana, escuta... foi um acidente! Ninguém tem culpa. Ninguém nunca teve culpa e nunca vai ter. — Ele limpou algumas lágrimas que escorriam na bochecha da brasileira que deu um sorriso um pouco triste ao ouvir tais palavras vindas do amigo.

— Obrigada Thiago. Você sempre sabe o que dizer ou fazer para me acalmar. — Ela suspirou com a cabeça pesada. — Mas... eu acho que nunca vou conseguir encarar a realidade e contar toda a verdade para ele. Talvez consiga contar para os meus pais e para a Bia, mas não para o Victor. — Ela se serviu de suco e tomou um gole. — Acho que nunca vou voltar a ser a Helena que conhecem.

— Você não precisa contar nada para ninguém. Não ainda. Não precisa voltar a ser a Helena. Você agora é a Ana. Mas o que você precisa é se acalmar, está bem? — Ela confirmou com a cabeça. Mesmo que não assumisse, sentia muito medo de contar toda a verdade para seus pais, para Bia. Achava que voltar não tinha sido uma ideia tão boa. Tudo o que queria era se aproximar aos poucos de sua família e retornar à sua antiga vida. Mas isso era bem bem mais difícil do que parece ser.

— Obrigada Thiago. — Disse deixando o copo em cima do balcão. — Eu vou tomar um ar. Não pretendo demorar. Qualquer coisa que precisar, me ligue. — Ela disse saindo pela porta da cozinha, por onde já escapara diversas vezes quando estava em situações perigosas, como quando seus pais iam na República ver Bia e a professora estava lá.

...

— Bia? Já chegou? — Perguntou Alice estranhando a filha estar tão cedo em casa.

— Sim mas já vou sair. Não vou pro Fundom hoje. Tenho aula de piano daqui a pouco. — A mais nova respondeu à mãe — Você bem que podia ir comigo. Assim damos um passeio e você conhece a Ana, minha professora. Já que muitas vezes não deu para vocês se conhecerem.

— Eu vou adorar, filha! — Disse Alice para Bia, que sorriu de prontidão. Amava sair com a mãe. Era a pessoa com quem mais gostava de sair para descontrair. — Quero tanto conhecer essa tal Ana, que você fica falando toda hora. Não entendo porque você fala tanto dela, mas acredito que ela te faça bem. — Alice sorriu para a filha.

— Sim — Bia sorriu. Não sabia o porquê, mas se sentia muito bem ao lado de Ana e sentia que podia contar tudo para ela. Era uma ligação parecida com a que ela tinha com a irmã. — Eu gosto muito dela. Ela é uma ótima amiga e uma ótima professora. Toca tão bem quanto a Helena tocava. — Bia sorriu ao se lembrar da irmã.

Gostava dela e sabia que ainda estava viva, só tinha que procurar. Mas não queria comentar sobre sua busca aos seus pais.


Notas Finais


Estou um pouco ocupada ultimamente com as aulas on line, mas estou fazendo de tudo para postar os capitulos dessa fanfic que eu amo escrever.
Aliás, vocês são Stan Vilena ou Stan Thiana?


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