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História O Acordo - Adaptação Jenlisa - Capítulo 20


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Capítulo 20 - Ficar abraçadinha foi o erro


Fanfic / Fanfiction O Acordo - Adaptação Jenlisa - Capítulo 20 - Ficar abraçadinha foi o erro

JENNIE

"Não acredito que isso tá acontecendo", anuncia Dexter — mais ou menos pela milionésima vez — no banco de trás do Jeep de Lisa.

Ao seu lado, Stella suspira e concorda — também pela milionésima vez: "Quem diria, né? Estamos no carro de Lisa Manoban. Parte de mim tá com vontade de dar uma de Carrie Underwood e gravar meu nome nos assentos de couro".

"Não se atreva!", ameaço do assento do motorista.

"Relaxa, não vou fazer nada. Mas parece que se não deixar minha marca neste carro, ninguém nunca vai acreditar que estive nele."

Caramba, nem eu posso acreditar que ela está aqui. Jisoo ter topado vir para Havard comigo não foi nenhuma surpresa, já que ainda está em busca de detalhes a respeito de Lisa, mas me espantei que Stella e Dex tenham insistido em vir junto.

Até o momento, os dois já me perguntaram pelo menos duas vezes durante a viagem se Lisa e eu estamos namorando. Usei minha resposta-padrão — só saímos às vezes. Mas está ficando cada vez mais difícil convencer a mim mesma disso.

Seguimos pelo restante do trajeto cantando aos berros. Dex e eu cantamos juntos, e nossa harmonia é absurdamente incrível — por que não chamei Dex para um dueto, droga? Jisoo e Stella seriam incapazes de cantar de forma afinada nem que suas vidas dependessem disso, mas se juntam a nós nos refrões, e estamos todos muito animados quando paro o carro no estacionamento da arena de hóquei.

Nunca vim a Harvard antes e gostaria de ter mais tempo para explorar o campus, mas já estamos atrasados, então levo meus amigos para dentro, porque não quero correr o risco de não encontrar lugar. Fico espantada com o tamanho da arena, bastante moderna, e com a quantidade de pessoas aqui esta noite. Por sorte, encontramos quatro lugares vazios perto do lado da Briar na quadra. Não perdemos tempo comprando comida, já que devoramos uma tonelada de batatinhas no caminho.

"Certo, como funciona esse jogo mesmo?", pergunta Dexter.

Sorrio. "Sério?"

"É, sério. Sou um garoto negro de Biloxi, Jen-Jen. Acha que sei alguma coisa de vôlei?"

"Muito justo."

Enquanto Jisoo e Stella conversam sobre uma de suas aulas de teatro, faço um rápido resumo a Dex sobre o que ele pode esperar. No entanto, quando as jogadoras surgem, percebo que minha explicação não lhes fez justiça. Este é o primeiro jogo de vôlei que vejo ao vivo, e não esperava o clamor da multidão, o volume ensurdecedor do sistema de som, a rapidez surpreendente das jogadoras.

Lisa joga com a camisa 6, mas não preciso nem olhar para o número para saber qual das jogadoras ela é.

Estou ocupada demais prestando atenção em Lisa para me concentrar em qualquer uma das outras jogadoras. Ela é... hipnotizante. E tão veloz que tenho dificuldade de acompanhá-la com o olhar.

Briar sai na vantagem, graças a um ponto de uma jogadora que o locutor chama de Jeon Somi, e levo um segundo para perceber que está falando de Birdie, a aluna do último ano de cabelos escuros que conheci no Malone's.

Quando o pimeiro set termina e as jogadoras desaparecem em seus respectivos túneis, Dex me cutuca nas costelas e diz: "Sabe de uma coisa? Isso não é tão chato. Talvez devesse começar a jogar vôlei".

"Você sabe pular e bater numa bola ao mesmo tempo?", pergunto.

"Não... Mas não deve ser tão difícil assim, né?"

"Garanto que não é tão fácil assim". Caio na gargalhada. "Melhor continuar com a música", aconselho. "Ou, se estiver mesmo determinado a entrar para o mundo dos esportes, jogue futebol. A Briar faria bom uso de você."

Pelo que tenho ouvido, nosso time de futebol americano está na pior colocação que a universidade já viu nos últimos anos, tendo ganhado apenas três dos oito jogos que disputou até agora. Mas Sean disse que eles ainda têm uma chance de chegar às finais, se, segundo ele, "colocarem a merda da cabeça no lugar e começarem a ganhar umas merdas de uns jogos".

Fico com pena de Beau, com quem realmente gostei de conversar na festa.

No instante em que penso em Beau, o rosto de Jackson me vem à cabeça como se trazido por uma lufada de vento.

Merda.

Temos um jantar no domingo à noite.

Como fui me esquecer disso? Porque você estava ocupada demais fazendo sexo com Lisa.

É, por isso.

Mordo o lábio, na dúvida sobre o que fazer. Não pensei em Jackson uma única vez durante toda a semana, mas isso não diminui o fato de que passei o semestre inteiro com ele na cabeça. Algo me atraiu nele para começo de conversa, e não posso simplesmente ignorar isso. Além do mais, nem sei o que está acontecendo entre mim e Lisa. Ela não levantou a questão namorada. E não sei se quero ser sua namorada.

Tenho um perfil ideal no que diz respeito a pessoas. Calmos, sérios, temperamentais. Criativos, se eu tiver sorte. Tocar um instrumento é sempre uma vantagem. Inteligentes. Sarcásticos, mas não de um jeito depreciativo. Sem medo de mostrar suas emoções.

Alguém que me faça sentir... paz.

Lisa tem algumas dessas qualidades, mas não todas. E não sei se paz é a forma exata de descrever o que sinto quando estou com ela. Quando estamos discutindo ou perturbando uma a outra, é como se meu corpo inteiro estivesse ligado na tomada. E quando estamos nuas... é como se fogos de artifício explodissem dentro de mim.

Será que isso é bom?

Merda, não sei. Meu histórico não é exatamente uma série de sucessos. O que sei sobre relacionamentos? E como posso ter certeza de que Jackson não é o cara com quem deveria estar se não sair com ele pelo menos uma vez?

 

[...]

 

LISA

Ao deixarmos o vestiário de visitantes depois do jogo, eu e as outras meninas ainda estamos a mil por termos esmagado o time da casa. Mesmo que tenha sido uma das jogadoras do segundo ano a marcar aquela belezura do último ponto que garantiu a nossa vitória, decidi que Jennie é o meu amuleto da sorte e que, a partir de agora, tem que participar de todos os nossos jogos, porque nas últimas três partidas que disputamos contra Harvard, fomos massacradas.

Marcamos de nos encontrar fora da arena depois do jogo, e, como combinado, ela está lá esperando por mim quando saio.

Além de Jennie, vejo Jisoo, uma garota de cabelos escuros que não conheço e um cara enorme que poderia muito bem estar no time de futebol. Maxwell ficaria louco se tivesse um monstro desses na linha de ataque.

No momento em que Jennie me vê, se afasta dos amigos e caminha até mim. "Oi." Parece surpreendentemente tímida e hesitante, como se não soubesse se deve me abraçar ou me beijar.

Resolvo seu dilema, fazendo as duas coisas, e, quando toco os lábios nos dela, ouço um "Eu sabia!" vitorioso de onde seus amigos estão. A exclamação vem da menina que não é Jisoo.

Afasto-me para sorrir para Jennie. "Escondendo o jogo sobre nós para os seus amigos, é?"

"Nós?" Ela ergue as sobrancelhas. "Não sabia que éramos nós."

Agora definitivamente não é o momento para discutir o status da nossa relação — se é que podemos chamar de relação —, portanto, dou de ombros simplesmente e digo: "Gostou do jogo?".

"Foi intenso." Ela sorri para mim. "Mas vi que você marcou poucos pontos. Tá ficando preguiçosa?"

Meu sorriso se alarga. "Minhas humildes desculpas, Kimie. Prometo fazer melhor da próxima vez."

"Acho bom."

"Vou marcar trinta para você, que tal?" Minhas colegas passam por nós e vão até o ônibus, que nos espera a uns seis metros dali, mas ainda não estou pronta para me separar de Jennie. "Fiquei feliz que você veio."

"Eu também." Ela parece estar falando a verdade.

"Tem planos para amanhã à noite?" Tenho outro jogo amanhã, mas é de tarde, e estou morrendo de vontade de ficar sozinha com Jennie de novo para... hmm, adivinha? "Pensei que a gente podia se ver depois de eu voltar do...", paro de falar quando uma sombra aparece em minha visão periférica. Meus ombros se enrijecem assim que vejo meu pai descendo os degraus da entrada da arena.

Este é o ponto da noite que eu temo. A hora do grande aceno, seguido dos passos dele, que se afasta em silêncio.

Como se estivesse seguindo um roteiro, recebo o aceno.

Mas ele não se afasta.

Meu pai quase me mata de susto ao dizer: "Lisa. Quero falar com você".

Sua voz grave faz um frio correr pela minha espinha. Odeio o simples som da sua voz. Odeio a visão do seu rosto. Odeio absolutamente tudo nele.

Jennie franze a testa de preocupação ao ver meu rosto. "É o...?"

Em vez de responder, dou um passo relutante para longe dela."Volto num minuto", murmuro.

Meu pai já está a meio caminho do estacionamento. Nem mesmo se vira para ver se o estou seguindo. Afinal, na cabeça de Marco Manoban, ninguém perderia a chance de estar perto dele.

De alguma forma, minhas pernas exaustas me levam em sua direção. Percebo várias de minhas colegas de time paradas junto à porta do ônibus, nos observando com curiosidade. Algumas parecem visivelmente invejosas. Que piada. Se soubessem quem ele é...

Quando o alcanço, não me dou ao trabalho de cumprimentar. Só faço uma cara feia e pergunto, seca. "O que você quer?"

Como eu, ele vai direto ao ponto. "Espero sua presença em casa no dia de Ação de Graças."

Meu espanto se manifesta sob a forma de uma risada estridente. "Não, obrigada. Tô fora."

"Não. Você vai para casa." Um olhar sombrio endurece suas feições. "Ou vou arrastar você."

Realmente não sei o que deu nele agora. E por acaso ele se importa se apareço em casa ou não? Não piso lá desde que entrei na Briar. Passo o ano letivo em Hastings e, nos verões, trabalho sessenta horas por semana numa empresa de construção em Boston e guardo todos os centavos que ganho para pagar o aluguel e fazer supermercado, porque não quero gastar um tostão a mais do que o absolutamente necessário do dinheiro do meu pai.

"Desde quando você liga para onde eu passo meus feriados?", resmungo.

"Você é necessária em casa este ano." Está falando por entre dentes cerrados, como se estivesse detestando isso ainda mais do que eu. "Minha namorada vai fazer o jantar e quer que você venha."

A namorada dele? Nem sabia que tinha uma namorada. E quão triste é o fato de eu não saber merda nenhuma sobre a vida do meu pai?

A maneira como formulou a frase também não me escapa. Ela quer que eu vá. Não ele.

Fito-o nos olhos, o mesmo tom de castanhos dos meus. "Fala pra ela que tô doente. Ou, dane-se, fala que eu morri."

"Não me provoca, garota."

Ah, ele vai vir com essa de garota agora, é? Era assim que sempre me chamava logo antes de seus punhos esmurrarem minha barriga, ou acertarem minha cara, ou quebrarem meu nariz pela centésima vez.

"Não vou", digo, friamente. "Ponto final."

Ele se aproxima, os olhos ardendo sob a aba do boné do Bruins enterrado na cabeça, e voz reduzida a um sussurro. "Escuta aqui, sua ingrata de merda. Não peço muito de você. Na verdade, não peço nada de você. Deixo você fazer o que bem entende, pago sua faculdade, seus livros, seu material esportivo."

O lembrete faz meu estômago ferver de raiva. Tenho uma planilha no computador com tudo o que ele já pagou, assim, quando tiver acesso à minha herança, vou saber o valor que preciso escrever no cheque que estou pensando em mandar para ele antes de dizer "Até nunca mais".

Mas a matrícula do semestre que vem deve ser paga em dezembro, um mês antes de eu ter acesso a essa herança. E não tenho o suficiente na poupança para cobrir o montante total.

O que significa que vou continuar devendo a ele por um tempo ainda.

"Tudo o que espero em troca", concluiu, "é que você jogue como a campeã que é. A campeã que produzi." Um sorriso feio de escárnio retorce sua boca. "Bom, é hora de pagar a dívida, filha. Você vai aparecer em casa no dia de Ação de Graças. Entendido?"

Nossos olhos se fixam um no outro.

Poderia matar este homem, se soubesse que seria capaz de me safar. Mataria mesmo.

"Entendido?", repete.

Dou um curto aceno de cabeça e vou embora sem olhar para trás.

Jennie espera por mim perto do ônibus, a preocupação nublando seus olhos. "Tá tudo bem?", pergunta, em voz baixa.

Solto o ar numa expiração irregular. "Sim. Tudo o.k."

"Tem certeza?"

"Tá tudo bem, gata. Prometo."

"Manoban, anda logo!", grita o treinador atrás de mim. "Está atrasando todo mundo."

De alguma forma, consigo forçar um sorriso. "Preciso ir. Será que a gente pode sair amanhã depois do jogo?"

"Me liga quando terminar. Vou ver onde estou."

"Parece bom." Deixo um beijo em sua bochecha e sigo para o ônibus, onde o treinador está batendo o pé, impaciente.

Ele observa Jennie caminhando de volta até os amigos, em seguida me lança um sorriso irônico. "Bonita. Namorada?"

"Não tenho ideia", confesso.

"Em geral, é assim com as mulheres. Elas é que dão as cartas, e nós ficamos perdidos." Ele me dá um tapa no braço. "Vamos lá, garota. Hora de ir."

Sento em meu lugar de sempre ao lado de Chae, perto da frente do ônibus, e ela me lança um olhar engraçado enquanto abro o meu casaco e descanso a cabeça no encosto.

"O quê?", murmuro.

"Nada", diz, casualmente.

Conheço ela há tempo o suficiente para saber que um "nada" de Chae significa exatamente o contrário, mas ela coloca os fones do iPod e passa a me ignorar a maior parte da viagem. Só quando estamos a dez minutos da faculdade é que puxa os fones abruptamente e se vira para mim.

"Foda-se", anuncia. "Vou dizer de uma vez."

A desconfiança começa a rodear em minhas entranhas feito um abutre. Espero sinceramente que não esteja prestes a confessar que sente algo por Jennie, porque a coisa vai ficar muito feia se fizer isso. Olho ao redor, mas a maioria das minhas colegas está dormindo ou ouvindo música. Os alunos mais velhos estão no fundo do ônibus, rindo de algo que Birdie acabou de dizer.

Ninguém está prestando atenção em nós.

Abaixo o tom de voz. "O que foi?"

Ela deixa escapar um suspiro cansado. "Fiquei na dúvida se deveria dizer alguma coisa, mas, porra, L., não gosto de ver ninguém sendo passado para trás, principalmente minha melhor amiga. Mas achei melhor esperar até depois do jogo." Ela dá de ombros. "Não queria que você se distraísse na quadra."

"Do que você tá falando?"

"Sana e eu acabamos na casa de Maxwell na noite passada, uma festa de Halloween", confessa Chae. "Wang tava lá e..."

Estreito meus olhos. "E o quê?"

Chae parece tão desconfortável que todos os meus músculos enrijecem com a tensão. Ela não é do tipo que faz rodeios, então o negócio deve ser sério.

"Disse que vai sair com Kimie neste fim de semana."

Meu coração para. "Mentira."

"Foi o que pensei, mas..." Outro dar de ombros. "Ele insistiu que era verdade. Achei melhor avisar você, sabe, só para o caso de ele não estar inventando."

Engulo em seco, minha mente está a um milhão de quilômetros por segundo. Mentira continua sendo o que prefiro imaginar, mas parte de mim não tem tanta certeza. Wang é o único motivo para Jennie estar em minha vida. Porque estava interessada nele.

Mas isso foi antes. Antes de eu e ela nos beijarmos...

Mas depois disso ela ainda foi à festa para ver Wang.

Certo. Engulo em seco de novo. Bom, foi depois do beijo, mas antes de todo o resto. O sexo. Os segredos que compartilhamos uma com a outra. Toda aquela intimidade.

Falei para você que ficar abraçadinha era um erro.

Meu eu interior cínico causa estragos em meu cérebro, trazendo uma onda de cansaço para o meu peito. Não, Wang deve estar mentindo. Jennie jamais concordaria em sair com ele sem me avisar. Né?

"De qualquer forma, achei que você precisava saber", comenta Chae.

É difícil pra caramba falar com a garganta apertada do jeito que está, mas dou conta de murmurar uma única palavra. "Valeu.

 


Notas Finais


alegria de pobre dura pouco... ai ai


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