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História O Acordo - Adaptação Jenlisa - Capítulo 21


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Capítulo 21 - As palavras mais bonitas


Fanfic / Fanfiction O Acordo - Adaptação Jenlisa - Capítulo 21 - As palavras mais bonitas

JENNIE

Lisa me manda uma mensagem quando estou me arrumando para dormir. Jisoo e eu entramos em casa há literalmente cinco minutos, e fico surpresa de que ela tenha entrado em contato ainda hoje. Achei que fosse apagar assim que chegasse em casa, depois do jogo.

Ela: Preciso falar c/ vc.

Eu: Agr?

Ela: É.

Certo. Pode ser uma mensagem de texto, mas não é difícil inferir seu tom, que parece ser de máxima irritação.

Eu: Hmm, claro. Me liga?

Ela: Na verdade, tô na porta.

Viro a cabeça para a porta do quarto, meio que esperando encontrá-la ali. Então me sinto uma idiota, porque percebo que ela está falando da porta do alojamento, e não do meu quarto. Ainda assim, deve ser sério, porque Lisa não costuma aparecer sem avisar.

Um enjoo me toma o estômago durante o caminho pela área comum até abrir a porta. Como era de esperar, Lisa está em pé atrás dela, ainda vestindo o casaco do time e a calça de moletom, como se tivesse vindo direto para cá, em vez de passar em casa para trocar de roupa.

“Oi”, cumprimento, convidando-a a entrar com um gesto. “O que aconteceu?”

Ela olha atrás de mim para a sala vazia. “Cadê Jisoo?”

“Já foi dormir.”

“Podemos conversar no seu quarto?”

O enjoo piora. Não consigo decifrar sua expressão. Os olhos não dizem nada, e seu tom é completamente desprovido de emoção. Será que tem algo a ver com o pai? Não consegui ouvir a conversa, mas a linguagem corporal transmitia uma forte agressividade. Eu me pergunto se talvez eles…

“Você vai sair com Jackson este fim de semana?”

Lisa faz a pergunta no instante em que fecho a porta do quarto, e percebo, consternada, que isso não tem nada a ver com o pai dela.

Mas tem tudo a ver comigo.

Um misto de surpresa e uma sensação instantânea de culpa batalha dentro de mim à medida que ergo os olhos para fitar os seus. “Quem disse isso?”

“Chae. Mas ela ouviu de Wang.”

“Ah.”

Lisa não se move. Não tira o casaco. Nem sequer pisca. Só mantém o olhar fixo em mim. “É verdade?”

Engulo em seco. “Sim e não.”

Pela primeira vez desde que chegou aqui, sua expressão transparece alguma emoção — aborrecimento. “Como assim?”

“Quer dizer que ele me convidou para sair, mas ainda não decidi se vou ou não.”

“Você disse que ia?” Seu tom de voz tem uma pitada de ironia.

“Bom, disse, mas…”

Os olhos de Lisa se inflamam. “Você disse mesmo que ia? Quando ele chamou?”

“Na semana passada”, admito. “No dia seguinte à festa de Beau.”

Seu rosto relaxa. Só um pouco. “Então foi antes do aniversário de Sana? Antes de você e eu…?”

Faço que sim.

“Certo.” Ela respira. “Tudo bem. Não é tão ruim quanto eu imaginava.” Mas, em seguida, suas feições endurecem novamente e suas narinas se expandem. “Espera aí, o que você quer dizer com ‘Ainda não decidi se vou’?”

Dou de ombros, impotente.

“Você não vai, Jennie!”

Sua voz rude me faz estremecer. “Quem vai me impedir? Você? Porque, da última vez que verifiquei, você e eu não estávamos namorando. Estamos só nos divertindo.”

“É isso que você…” Ela para, a boca se fecha numa careta. “Quer saber? Acho que você está certa. Acho que estamos só nos divertindo.”

Mal posso acompanhar os pensamentos confusos que disparam em meu cérebro. “Você disse que não namora”, digo, baixinho.

“Eu disse que não tenho tempo para uma namorada”, revida ela. “Mas quer saber? As prioridades mudam.”

Hesito. “Então você tá dizendo que quer que eu seja sua namorada?”

“É, talvez seja isso que esteja dizendo.”

Meus dentes afundam em meu lábio inferior. “Por quê?”

“Por que o quê?”

“Por que você iria querer isso?” Mordo com ainda mais força. “Você é cem por cento focada no vôlei, lembra? E, além do mais, brigamos muito.”

“Nós não brigamos. Discutimos.”

“É a mesma coisa.”

Ela revira os olhos. “Não é não. Discutir é algo divertido e bem-humorado. Brigar é…”

“Ai, meu Deus, estamos brigando sobre como brigamos!”, interrompo, incapaz de conter o riso.

Os ombros de Lisa relaxam ao som do meu riso. Ela dá um passo na minha direção, avaliando o meu rosto. “Sei que você gosta de mim, Kimie. E gosto muito de você. Seria tão terrível assim se tornássemos isso uma coisa oficial?”

Engulo em seco de novo. Odeio ser colocada contra a parede, e estou muito confusa para entender qualquer coisa agora. Agir por impulso não é algo que faço com frequência. Nunca tomo decisões sem pensar muito, e, embora outras meninas pudessem estar dando cambalhotas diante da ideia de tornar as coisas “oficiais” com Lisa Manoban, sou mais pragmática do que isso. Não esperava gostar dela. Nem transar com ela. Menos ainda estar numa posição em que ela pode virar minha namorada.

“Não sei”, digo, afinal. “Quer dizer, não pensava mesmo na gente em termos de namoradas. Só queria…”, minhas bochechas se esquentam, “… explorar a atração e ver se… você sabe. Mas não considerei o que viria depois.” Minha confusão triplica, transformando minha cabeça em geleia. “Nem tenho ideia do que isso seja, ou onde poderia dar, ou…”

À medida que deixo a fala no ar, noto a expressão no rosto de Lisa, e a dor em seus olhos me fere profundamente como uma faca.

“Você nem tem ideia do que isso seja ou onde poderia dar? Meu Deus, Jennie. Se você…” Ela deixa escapar um suspiro, soltando os ombros. “Se você realmente não sabe, então estamos perdendo nosso tempo. Porque eu sei exatamente o que é isso. Eu…” Ela para de forma tão abrupta que é como se eu tivesse levado uma chicotada.

“Você o quê?”, sussurro.

“Eu…” Ela se interrompe de novo. Os olhos castanhos se escurecem ainda mais. “Quer saber? Esqueça. Acho que você tem razão. Estamos apenas explorando a atração.” Soa cada vez mais amarga. “Sou só o sua terapeuta sexual, não é? Não, não, melhor: sou só uma merda de uma fluffer.”

Fluffer?”, digo sem expressão.

“De filme pornô”, murmura. “Eles trazem a fluffer para chupar os caras entre uma tomada e outra para manter o pau duro.” Seu tom se colore de raiva. “Era esse o meu trabalho, não é? Deixar você excitadinha para o Wang? Pronta pra trepar com ele?”

A indignação pinica minha pele. “Em primeiro lugar, isso é nojento. Em segundo, isso não é justo, e você sabe.”

“Aparentemente, não sei de nada.”

“Ele me pediu para sair antes de eu dormir com você! E eu provavelmente nem ia mais!”

Lisa solta uma risada ríspida. “Provavelmente? É. Valeu.” Dá um passo na direção da porta. “Quer saber? Vai pra essa porcaria de encontro. Você conseguiu o que queria de mim. Acho que Jackson pode assumir a partir daqui.”

“Lisa…”

Mas ela já foi. E não só isso: fez de sua saída algo bem público, batendo minha porta com força, pisando duro pelo alojamento e batendo a porta da saída também.

Fico olhando para o espaço vazio que um segundo antes estava ocupado por ela.

Porque, como Lisa disse, eu sei exatamente o que é isso.

As palavras roucas que ela acabou de usar ecoam em minha cabeça, e um turbilhão de emoções aperta meu coração, porque tenho certeza de que também sei exatamente o que é isso. E tenho medo de que, por conta de um momento de indecisão de uma fração de segundo, tenha estragado tudo.

 

[...]

 

LISA

A temperatura parece ter caído uns vinte graus desde que entrei na Bristol House até o momento em que saí, feito um furacão. Uma rajada de vento cortante me atinge o rosto e gela as pontas das orelhas, enquanto marcho em direção ao estacionamento.

Está vendo? É por isso que evito o drama que é ter uma namorada. Deveria estar nas nuvens agora, porque trucidamos o time de Harvard. Em vez disso, estou chateada, frustrada e mais nervosa do que imaginava. Jennie está certa — estávamos só nos divertindo. Do mesmo jeito que estava só me divertindo com Kendall, ou com a garota antes dela, ou com a garota antes dela.

Nem pestanejei antes de terminar com qualquer uma delas, então por que estou tão chateada agora?

Mas ainda bem que saí de lá. Estava prestes a me passar por uma completa idiota. Dizendo coisas que não deveria, correndo o risco até de implorar. Meu Deus. Desse jeito vou acabar virando uma escravoceta.

Estou na metade do caminho até o carro quando ouço Jennie chamando meu nome.

Meu peito se aperta. Viro para trás e vejo-a correndo pela trilha da Bristol House até o estacionamento. Ainda está de pijama — uma calça xadrez e uma camiseta preta com notas musicais amarelas na frente.

Fico tentada a continuar andando, mas a visão dos seus braços nus e as bochechas coradas pelo frio me irrita ainda mais do que a nossa briga. “Caramba, Jennie”, reclamo, quando me alcança. “Você vai pegar um resfriado.”

“Isso é mito”, retruca. “Tempo frio não causa resfriado.”

Mas está visivelmente tremendo, e, quando envolve os braços em torno de si mesma e começa a esfregar a pele nua para se aquecer, solto um resmungo de aborrecimento e tiro meu casaco depressa.

Rangendo os dentes, passo-o por cima dos ombros dela.

“Aqui.”

“Obrigada.” Parece tão irritada quanto eu. “Qual é o seu problema, Lisa? Você não pode simplesmente ir embora feito louca no meio de uma discussão séria!”

“Não tinha mais nada pra discutir.”

“Mentira.” Ela balança a cabeça com raiva. “Você não me deixou falar!”

“Deixei sim”, respondo, categoricamente. “E, vai por mim, você disse o bastante.”

“Nem lembro o que falei. Sabe por quê? Porque você me pegou totalmente desprevenida e nem sequer me deu um segundo para pensar.”

“E o que tem para pensar? Ou você tá a fim de mim, ou não tá.”

Jennie solta um barulho frustrado. “Você não tá sendo injusta de novo. Só porque de repente você decidiu que tá pronta para um relacionamento e que devemos ficar juntas, não significa que vou gritar ‘Êêê, uhu!’ feito uma garota de fraternidade. Você obviamente teve tempo para pensar sobre isso e assimilar a ideia, mas não me deu nem um segundo. Só invadiu meu quarto, fez um monte de acusações e foi embora.”

Sinto uma pontada de culpa. Jennie não deixa de ter razão.

Vim hoje aqui sabendo exatamente o que queria dela.

“Desculpa não ter avisado sobre o encontro com Jackson”, acrescenta, baixinho. “Mas não vou me desculpar por precisar de mais do que cinco segundos para avaliar a possibilidade de enxergar nós duas como um casal.”

Minha respiração sai numa nuvem branca de condensação que logo se deixa levar pelo vento. “Desculpa por ter saído correndo”, admito. “Mas não vou me desculpar por querer ficar com você.”

Seus lindos olhos felinos avaliam meu rosto. “Você ainda quer?”

Faço que sim. Então engulo em seco. “E você?”

“Depende.” Ela deita a cabeça. “Vamos ter exclusividade?”

“Claro, não tem nem discussão”, digo, sem hesitar. A ideia de Jennie com outra pessoa é como uma punhalada na barriga.

“Você concorda que devemos ir devagar?” Ela muda o peso da perna, sem jeito. “Porque com o festival chegando, e as férias, as provas, sua escala de jogos… vamos começar a ficar ocupadas, e não posso prometer ver você todos os segundos do dia.”

“A gente se vê quando der”, digo, simplesmente.

Estou surpresa com a calma em minha voz, com o quão contida permaneço, embora haja milhares de borboletas agitadas batendo asas na minha barriga e gritando sim, sim, sim a todo volume. Caramba. Estou prestes a complicar minha vida inserindo uma namorada nela, mas, de alguma forma, estou cem por cento tranquila com isso.

“Então tudo bem.” Jennie sorri para mim. “Vamos oficializar.”

Uma nuvem negra obscurece um pouco minha felicidade. “E Jackson?”

“O que tem ele?”

“Você disse que ia sair com ele”, respondo, entredentes.

“Na verdade, desmarquei o encontro antes de vir aqui fora.”

As borboletas dentro de mim levantam voo de novo. “Desmarcou?”

Ela assente com a cabeça.

“Então não tá mais toda caidinha por ele?”

Um lampejo de humor brilha em seus olhos. “Tô toda caidinha por você, Lisa. Só você.”

E, simples assim, minha ansiedade desaparece e se transforma numa explosão de alegria pura que me traz um sorriso aos lábios.

“Eu sabia que estava.”

Revirando os olhos, ela se aproxima e esfrega o rosto frio contra meu queixo. “Agora será que a gente pode voltar lá para dentro? Minha bunda tá congelando e preciso da minha fluffer para me esquentar.”

Estreito os olhos. “O que você falou?”

Ela pisca, fazendo cara de inocente. “Ah, desculpa. Eu falei fluffer?” Um sorriso ilumina todo o seu rosto. “Quis dizer namorada.”

As palavras mais bonitas que já ouvi na vida.

 


Notas Finais


e os corações dps desse capítulo? todos aquecidos? pq o meu está!


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