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História O Acordo - Adaptação Jenlisa - Capítulo 22


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Notas do Autor


olá!
perdão por não atualizar ontem, minhas aulas voltaram e tá corrido... vou tentar postar mais um hoje, mas não posso garantir nada.

ps: +18

Capítulo 22 - Você não é como ele


Fanfic / Fanfiction O Acordo - Adaptação Jenlisa - Capítulo 22 - Você não é como ele

JENNIE

A vida vai bem.

A vida vai maravilhosa, surpreendente e assustadoramente bem. Estas duas últimas semanas de namoro com Lisa têm sido um borrão de risos, carinhos e sexo apaixonado, misturado com eventos da vida real, como aulas, estudo, ensaios e jogos de vôlei.

Lisa e eu construímos uma conexão que me pegou de surpresa, mas, ainda que Jisoo continue me provocando por causa da súbita reviravolta da minha parte no que diz a ela, não me arrependo da decisão de oficializar as coisas com Lisa e ver onde elas vão dar. Até agora, tudo tem funcionado muito bem.

 

[...]

 

Meu telefone apita logo antes da meia-noite, mas não estou dormindo. Na verdade, nem vesti o pijama ainda. No segundo em que cheguei em casa depois do trabalho, peguei o violão e voltei ao trabalho. Agora que Cass complicou minha vida da forma mais egoísta e vingativa possível, coisas como “colocar o sono em dia”, “relaxar” e “não entrar em pânico” não existem mais. Pelo próximo mês, serei praticamente um zumbi, a menos que encontre, magicamente, um jeito de conciliar faculdade, trabalho, Lisa e ensaios sem ter um colapso nervoso.

Baixo o violão e dou uma olhada no celular. Lisa.

Ela: N consigo dormir. Acordada?

Eu: Tá c/ segundas intenções?

Ela: N. Quer q esteja?

Eu: N, tô ensaiando. Totalmente estressada.

Ela: Mais uma razão pra segundas intenções.

Eu: Pode ir sossegando o facho, menina. Pq vc não consegue dormir?

Ela: Td dói.

Sinto uma onda de pena tremular em minha barriga. Lisa tinha ligado mais cedo para dizer que elas perderam o jogo, e aparentemente ela levou umas pancadas feias esta noite. Da última vez que conversamos, ainda estava botando bolsas de gelo pelo corpo inteiro.

Estou com muita preguiça de digitar, então ligo, e Lisa atende no primeiro toque.

Sua voz rouca preenche meu ouvido. “Oi.”

“Oi.” Eu me recosto contra o travesseiro. “Desculpa não poder ir até aí beijar todos os seus dodóis, mas estou trabalhando na música.”

“Tudo bem. Só tem um dodói que quero que você beije, e você parece distraída demais para isso.” Ela faz uma pausa. “Tô falando do meu pinto, viu?”

Contenho uma risada. “É. Entendi. Não precisa explicar.”

“Já decidiu qual música vai cantar?”

“Acho que sim. A que cantei para você no mês passado, quando estávamos estudando. Lembra?”

“Lembro. Era triste.”

“Triste é bom. Gera mais impacto emocional.” Hesito. “Esqueci de perguntar hoje mais cedo… seu pai foi ao jogo?”

Uma pausa. “Nunca perde um.”

“Tocou no assunto do dia de Ação de Graças de novo?”

“Não, ainda bem. Nem sequer olha para mim quando a gente perde, então não imaginei que estaria a fim de papo.” A voz de Lisa está repleta de amargura, e a ouço limpando a garganta. “Coloca no viva-voz. Quero ouvir você cantar.”

Meu coração está apertado de emoção, mas tento esconder a reação, adotando um tom descontraído. “Quer que eu cante uma música de ninar, coisinha linda da mamãe?”

Ela ri. “Parece que meu peito foi atropelado por um caminhão. Preciso de uma distração.”

“Tudo bem.” Aperto o botão de viva-voz e pego o violão. “Sinta-se livre para desligar se ficar entediada.”

“Linda, eu poderia assistir a você vendo tinta secar e não ficaria entediada.”

Lisa Manoban, minha galanteadora pessoal.

Coloco o violão no colo e canto a música desde o início. Minha porta está fechada, e, embora as paredes do quarto sejam finas, não me preocupo em acordar Jisoo. A primeira coisa que fiz depois que Fiona me deu a notícia de que Cass e Mary Jane me expulsaram do dueto, foi dar a Jisoo um par de protetores auriculares e avisá-la de que, até o festival, vou virar noites cantando.

Estranhamente, não estou mais com raiva. Estou aliviada. Cass tinha transformado o nosso dueto num número espalhafatoso e cheio de firulas, do tipo que desprezo. Então, por mais irritante que seja levar um fora, a melhor coisa é não ter que cantar com ele.

Repasso a música três vezes, até que minha voz fica rouca, e preciso parar e virar a garrafa d’água que tenho na mesinha de cabeceira.

“Ainda aqui, sabia?”

A voz de Lisa me assusta. Então rio, porque sinceramente tinha me esquecido de que ela estava na linha. “Não consegui colocar você para dormir, né? Não sei se deveria me sentir lisonjeada ou insultada.”

“Lisonjeada. Sua voz me dá calafrios. É impossível dormir.”

Sorrio, mesmo que ela não possa me ver. “Preciso dar um jeito neste último refrão. Fechar com uma nota alta ou baixa? Hmmm, talvez devesse mudar a parte do meio também. Quer saber? Tenho uma ideia. Vou desligar agora para resolver isso, e você precisa ir dormir. Boa noite, menina.”

“Kimie, espere”, ela chama, antes que eu possa desligar.

Tiro o telefone do viva-voz e o levo ao ouvido. “O que foi?”

Sou recebida pela pausa mais longa do mundo.

“Lisa? Você está aí?”

“Hmm, estou. Desculpa. Ainda aqui.” Uma respiração pesada corta a chamada. “Vem comigo para o dia de Ação de Graças?”

Fico paralisada. “Sério?”

Outra pausa, ainda maior que a primeira. Chego a achar que vai retirar o convite. E acho que não ficaria chateada se o fizesse. Sabendo o que sei sobre o pai de Lisa, não tenho certeza se posso me sentar em uma mesa de jantar com o sujeito sem pular no pescoço dele.

Que tipo de homem bate na própria filha? Na filha de doze anos de idade.

“Não posso voltar lá sozinha, Jennie. Vem comigo?”

Sua voz falha nas últimas palavras, o que me parte o coração.

Deixo escapar um suspiro e digo: “Claro que vou”.

 

[...]

 

A casa do pai de Lisa não é a mansão que eu esperava, mas uma casinha geminada de arenito vermelho, em Beacon Hill, o que imagino ser o equivalente a uma mansão quando se trata de Boston. O bairro, no entanto, é lindo. Já estive em Boston várias vezes, mas nunca nesta área chique, e não posso deixar de admirar a fileira de casas belíssimas do século XIX, as calçadas de tijolos e os antigos postes de lampião a gás ladeando as ruas estreitas.

Lisa mal fala uma palavra durante o trajeto de duas horas até a cidade. A tensão emana de seu corpo sob o vestido vermelho em ondas constantes e palpáveis, o que só me faz ficar mais nervosa. E sim, digo sob o vestido.

O tecido caro envolve seu corpo torneado como algo saído de um sonho, e nem a cara feia constante é capaz de reduzir sua sensualidade.

Aparentemente, seu pai exigiu que usasse um vestido. E quando Marco descobriu que a filha iria acompanhada, também pediu que me vestisse formalmente, daí o meu vestido azul de festa, que usei no festival de primavera. O tecido sedoso vai até o joelho, e combinei com sapatos prateados de salto dez que fizeram Lisa sorrir quando apareceu à minha porta, pois segundo ela agora talvez fosse capaz de me beijar em pé sem ficar com torcicolo.

Somos recebidas à porta não pelo pai de Lisa, mas por uma loura bonita num longo vermelho. Também está com um casaquinho de renda preto de manga comprida, o que me parece estranho, já que a temperatura dentro de casa está a um milhão de graus. Juro, está muito quente aqui, então faço questão de tirar rapidamente meu sobretudo na antessala elegante.

“Lisa”, cumprimenta a mulher, calorosamente. “Que bom conhecer você. Finalmente.”

Aparenta estar na casa dos trinta, mas é difícil julgar, porque tem o que costumo chamar de “olhos velhos”. Aquele olhar profundo e experiente que revela que uma pessoa que tem a experiência de diversas gerações. Não sei por que acho isso. Nada em sua roupa elegante ou no sorriso perfeito sugere que tenha passado por alguma situação difícil, mas a sobrevivente em mim logo sente uma conexão com ela.

Lisa responde com um brusco, mas educado: “Bom conhecer você também…?”.

Ela deixa a frase no ar, e os pálidos olhos azuis da mulher tremulam de infelicidade, ao perceber que o pai de Lisa não tinha dito a filha o nome da namorada.

Seu sorriso vacila por um instante, antes de reaparecer.

“Cindy”, ela completa a frase. “E você deve ser a namorada de Lisa.”

“Jennie”, apresento-me, apertando sua mão.

“Muito prazer. Seu pai está na sala de visitas”, anuncia ela a Lisa. “Está muito ansioso para ver você.”

 

[...]

 

LISA

O aquecimento está a toda quando sento no banco do motorista. Jennie ligou o carro e está de cinto, como se estivesse tão desesperada quanto eu para sair daqui.

Passo a marcha e acelero, afastando-me do meio-fio, numa urgência de me afastar dessa casa. Se tiver a sorte de jogar pelo Boston algum dia, vou morar o mais longe possível de Beacon Hill.

“Então… foi tudo meio intenso”, comenta Jennie.

Não posso conter o riso de escárnio. “Meio?”

Ela suspira. “Tava tentando ser diplomática.”

“Nem precisa se dar ao trabalho. Foi um pesadelo do início ao fim.” Meus dedos apertam o volante com tanta força que ficam brancos. “Ele bate nela.”

Há um momento de silêncio, mas quando Jennie responde, é com tristeza, e não surpresa. “Foi o que pensei. A manga dela deslizou na cozinha, e achei ter visto marcas nos pulsos.”

A revelação provoca uma nova onda de raiva. Merda. Uma parte de mim queria que estivesse errada a respeito de Cindy.

O silêncio recai sobre nós à medida que pego o acesso à estrada. Pouso a mão no câmbio, e Jennie a cobre com a sua.

Acaricia meus dedos, o toque gentil aliviando um pouco da pressão em meu peito.

“Ela ficou com medo de mim”, murmuro.

Desta vez, Jennie demonstra surpresa. “Do que você tá falando?”

“Quando fiquei sozinha com ela na cozinha, dei um passo na sua direção, e ela estremeceu. Ela estremeceu, como se estivesse com medo que eu fosse machucá-la.” Minha garganta se fecha. “Tudo bem, eu entendo. Minha mãe era assim também. Eu também. Mas… caralho. Não acredito que ela achou que eu fosse capaz de bater nela.”

A voz de Jennie se embarga de tristeza. “Acho que não é só com você. Ele tá abusando dela, então Cindy deve ter medo de todo mundo que se aproxima. Foi assim comigo depois do estupro. Assustada, nervosa, suspeitando de todo mundo. Levei muito tempo para relaxar na frente de estranhos, e, mesmo agora, tem coisas que ainda não faço. Como beber em público. Quer dizer, a menos que você esteja lá para ser minha guarda-costas.”

Sei que o último comentário foi uma tentativa de me fazer sorrir, mas não é o que acontece. Ainda estou preocupada com a reação de Cindy.

Na verdade, perdi a vontade de conversar. Simplesmente… não consigo. Ainda bem que Jennie não me força. Adoro isso nela, nunca força a barra para preencher os silêncios.

Ela pergunta se tudo bem botar uma música e, quando faço que sim, liga o iPod no som do carro e coloca uma seleção que de fato me faz sorrir. É a de rock clássico que mandei para ela por email, quando nos conhecemos. Percebo que pula a primeira música, porque era a preferida da minha mãe. Tenho certeza de que explodiria de chorar se a ouvisse agora.

E isso demonstra o quanto Jennie Kim é… maravilhosa. É tão atenta a mim, meu humor, minhas dores. Nunca estive com alguém que me entendesse tão bem.

Uma hora se passa. Sei que foi uma hora porque é o tempo de duração da playlist, e quando ela termina, Jennie coloca outra, o que me faz sorrir também, porque tem um monte de Rat Pack, Motown e Bruno Mars.

Estou calma agora. Na real, um pouco mais calma. Toda vez que sinto como se estivesse relaxando, lembro do medo nos olhos de Cindy, e a pressão aperta meu peito de novo. À medida que as incertezas se misturam em minhas entranhas, forço-me a não me ater à pergunta que remói meu cérebro, mas, ao acelerar pela rampa de saída e seguir pela estrada de duas pistas rumo a Hasting, ela me volta à cabeça, e, desta vez, não consigo evitá-la.

“E se eu for capaz?”

Jennie abaixa o volume. “De quê?”

“E se eu for capaz de machucar alguém?”, pergunto, a voz rouca. “E se for igualzinha a ele?”

Ela responde convicta. “Você não é.”

Uma tristeza me sobe pela coluna. “Tenho o mesmo temperamento, sei que tenho. Queria estrangulá-lo hoje.” Aperto os lábios. “Precisei de toda a minha força de vontade para não jogá-lo contra a parede e espancá-lo até a morte. Mas não valia a pena. Ele não vale a pena.”

Ela pega a minha mão e entrelaça os dedos nos meus. “E é por isso que você não é como ele. Você tem essa força de vontade, e isso significa que não tem o mesmo temperamento. Porque ele é incapaz de se controlar. Deixa a raiva tomar conta e machuca as pessoas em volta, pessoas que são mais fracas do que ele.” Ela aperta minha mão com mais força. “O que você faria se eu a irritasse agora?”

Pisco, confusa. “Como assim?”

“Vamos fingir que não estamos neste carro. Estamos no meu quarto, ou na sua casa, e… sei lá… digo que dormi com outra pessoa. Não, digo que estou dormindo com o time inteiro de vôlei desde que nos conhecemos.”

O pensamento faz minhas entranhas se revirarem.

“O que você faria?”, pergunta.

Olho para ela com uma cara feia. “Terminaria tudo e iria embora.”

“Só isso? Não ficaria tentada a me bater?”

Recuo, horrorizada. “Claro que não. Pelo amor de Deus.”

“Exatamente.” A palma de sua mão move-se com carinho sobre meus dedos frios. “Porque você não é como ele. Não importa quão brava fique com alguém, não iria machucar essa pessoa.”

“Não é verdade. Já me envolvi em mais de uma briga na quadra”, admito. “E, uma vez, soquei um cara no Malone’s, mas foi porque ele disse alguma merda sobre a mãe de Chae, e eu não podia deixar minha amiga na mão.”

Ela suspira. “Não estou dizendo que você seja incapaz de violência. Todo mundo é capaz. Estou dizendo que você não faria mal a alguém que ama. Pelo menos não intencionalmente.”

Peço a Deus que esteja certa. Mas quando seu DNA vem de um homem que faz mal às pessoas que ama, vai saber.

Eu começo a tremer, e sei que Jennie percebe, porque aperta minha mão direita para firmá-la. “Para o carro”, diz.

Franzo a testa de novo. Estamos bem num trecho escuro da estrada, e, muito embora não haja outros carros à vista, não gosto da ideia de parar no meio do nada. “Por quê?”

“Porque quero beijar você e não posso fazer isso enquanto seus olhos estão na estrada.”

Um sorriso involuntário surge em meus lábios. Ninguém nunca me pediu para encostar o carro para poder me beijar.

Embora esteja exausta, chateada, triste e sei lá mais o quê, a ideia de Jennie me beijando agora soa como o paraíso na terra. Sem uma palavra, paro no acostamento, coloco em ponto morto e ligo o pisca alerta.

Ela se aproxima e segura meu queixo. Seus dedos delicados acariciam minha pele, então ela se inclina e me beija. Só um toque fugaz de seus lábios, antes de se afastar de leve e sussurrar: “Você não é como ele. Nunca vai ser”. Seus lábios fazem cócegas em meu nariz e beijam a pontinha. “Você é uma pessoa boa.” Ela me dá um beijinho na bochecha. “Você é honesta, boa e compassiva.” Morde de leve meu lábio inferior. “Quer dizer, não me leve a mal, às vezes você é uma idiota completa, mas é um tipo de idiotice tolerável.”

Não posso conter um sorriso.

“Você não é como ele”, repete, com mais firmeza agora. “A única coisa que vocês dois têm em comum é que os dois são jogadores de vôlei talentosos. Parou aí. Você não é como ele.”

Nossa, como precisava ouvir isso. Suas palavras tocam aquele lugar aterrorizado em meu coração, e, à medida que a pressão em meu peito se dissipa, seguro sua cabeça por trás e a beijo com força. Minha língua penetra sua boca, e solto um gemido feliz, porque ela tem gosto de frutas vermelhas e cheiro de cereja, e adoro isso. Quero passar o resto da noite beijando essa mulher, o resto da vida, mas não esqueci de onde estamos no momento.

Relutante, interrompo o beijo — exatamente quando a mão dela baixa em direção à minha virilha.

“O que você tá fazendo?”, rouquejo, e em seguida gemo de novo, quando ela esfrega meu pau dolorido por baixo do vestido.

“Qual é a sensação?”

Agarro sua mão para impedir seus movimentos. “Não sei se você tá ciente disso, mas estamos dentro do carro, no acostamento.”

“Jura? Achei que estivéssemos num avião a caminho de Palm Springs.”

Engulo uma risada, que se transforma num chiado quando a mulher provocante ao meu lado me acaricia de novo. Jennie aperta a cabeça do meu pau, e meu saco se contrai, pequenas ondas de calor varando meu corpo. Ai, merda. Está longe de ser a hora de fazer isto, mas tenho que saber se está tão excitada quanto eu e não consigo conter minha mão quando ela desce até o seu joelho.

Acaricio a pele macia de sua coxa antes de deslizar a mão sob o vestido.

Encosto na calcinha e solto um gemido quando sinto o tecido úmido na palma da minha mão. Está molhada. Molhada de verdade.

De alguma forma, consigo puxar a mão de volta. “Não podemos fazer isso.”

“Por que não?” Um brilho travesso se acende em seus olhos, o que não me surpreende, porque estou descobrindo depressa que Jennie é superaventureira quando confia em alguém e se permite baixar a guarda.

E ainda me surpreende que ela confie em mim.

“Qualquer um pode passar por nós.” Faço uma pausa significativa. “Até uma viatura da polícia.”

“Então é melhor sermos rápidas.”

Num piscar de olhos, ela entra com a mão na calcinha. Na mesma hora, meus olhos reviram para o alto.

“Pro banco de trás”, explodo.

Seus olhos se arregalam e, em seguida, se enchem de prazer. “Sério?”

“Porra, se a gente vai fazer isso, melhor fazer direito”, respondo, com um suspiro. “‘Mostre a que veio ou nem precisa vir’, lembra?”

A rapidez com que se lança no banco de trás me faz gargalhar.

Rindo, abro o porta-luvas, pego uma tira de preservativos escondidos e me junto a ela.

Quando vê o que estou segurando, fica boquiaberta.

“Camisinha? Tudo bem, talvez eu esteja brava com isso, apesar de que, provavelmente, não deveria estar, porque é muito útil agora. Mas, sério? Você tem camisinha no carro?”

Dou de ombros. “Claro. E se eu estiver dirigindo um dia e esbarrar com a Kate Upton enguiçada na beira da estrada?”

Jennie bufa. “Entendi. Esse é o seu tipo então? Louras peitudas com curvas de sobra?”

Cubro seu corpo com o meu e apoio os cotovelos ao seu lado. “Não… Prefiro morenas peitudas.” Enterro o rosto em seu pescoço e acaricio sua pele. “Uma em especial. Que, aliás, também tem curvas de sobra.” Minhas mãos escorregam até sua cintura. Deslizo-as por ela e aperto suas curvas. “E uma bunda boa de pegar.” Enfio uma das mãos entre suas pernas. “E a boceta mais apertada do planeta.”

Ela estremece. “Você tem uma boca tão suja.”

“É, mas você ainda me ama.”

Sua respiração falha. “Verdade.” Seus olhos escuros brilham para mim. “Eu te amo.”

Meu coração quase explode enquanto essas três palavras maravilhosas pairam entre nós. Outras meninas já me disseram isso antes, mas desta vez é diferente. Porque é Jennie quem está falando, e ela não é qualquer menina. E porque sei que, ao dizer que me ama, está falando de mim — Lisa —, e não da estrela do time, nem da sra. Popular, nem da filha de Marco Manoban. Ela me ama.

É difícil falar com o nó enorme que tenho na garganta.

“Também te amo.” É a primeira vez que digo a uma mulher que a amo, e a sensação não poderia ser melhor.

Jennie sorri. Em seguida, puxa minha cabeça para me beijar, e, de repente, não estamos mais falando. Levanto seu vestido e baixo a minha calcinha. Nem tiro a calcinha dela, só empurro de lado, visto uma camisinha com uma das mãos e guio meu pau para dentro dela.

Ela geme no instante em que a penetro. E não estava brincando quando falei que é apertada. Ela me comprime feito um torno, e vejo estrelas, tão perto de perder o controle que tenho que me esforçar para não chegar ao clímax.

Já transei com garotas dentro do carro antes.

Nunca tinha feito amor com uma.

“Você é tão linda”, murmuro, incapaz de tirar os olhos dela. Começo a me mover, morrendo de vontade de ir devagar e fazer isso durar, mas estou dolorosamente ciente de onde estamos.

Um bom samaritano — ou pior, um policial — pode ver o Jeep e achar que precisamos de ajuda na estrada, e, caso decida se aproximar, vai ter uma boa visão da minha bunda, os quadris metendo e os braços de Jennie segurando minhas costas.

Além disso, a posição restringe meus movimentos. Tudo o que posso fazer é dar estocadas rápidas e superficiais, mas Jennie não parece se importar. Produz os ruídos mais sensuais à medida que me mexo dentro dela, suspiros sussurrados e gemidos trêmulos, e, quando acerto um lugar específico, geme tão alto que tenho que apertar minha bunda para não gozar. Posso sentir o orgasmo se aproximando, mas quero que ela goze também. Quero ouvi-la gritar e me apertar com espasmos em volta do meu pau.

Coloco a mão entre nós, com o polegar em seu clitóris, esfregando de leve. “Mostra pra mim, gata”, sussurro em seu ouvido. “Goza pra mim. Quero ver você gozando no meu pau.”

Ela aperta os olhos com força, os quadris se erguendo para atender minhas estocadas apressadas, então grita de prazer, e gozo com tanta força que minha visão falha e minha mente se parte em milhões de pedaços.

Quando o prazer avassalador finalmente se dissipa, percebo a música que está tocando.

Abro os olhos. “Você baixou One Direction de novo?”

Ela torce os lábios. “Não…”

“Aham. Então, por que está tocando ‘Story of My Life’?”, pergunto.

Ela faz uma pausa, em seguida, solta um grande suspiro.

“Porque gosto de One Direction. Pronto. Falei.”

“Sorte a sua que te amo”, aviso. “Senão nunca aceitaria isso.”

Jennie sorri. “Sorte a sua que eu te amo. Porque você é uma idiota completa, e não tem um monte de meninas por aí que aguentariam.”

Ela provavelmente tem razão quanto à parte da idiota.

E, sem dúvida, está certa quanto à sorte.

 



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