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História O Acordo - Adaptação Jenlisa - Capítulo 9


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Capítulo 9 - A importância do aquecimento


Fanfic / Fanfiction O Acordo - Adaptação Jenlisa - Capítulo 9 - A importância do aquecimento

LISA

Adoro aquele momento logo antes de acordar, quando as finas teias de aranha em meu cérebro se tecem para formar um novelo coerente de consciência. É o cúmulo do “Onde estou?”. Aquele momento desorientado e nebuloso em que metade dos meus neurônios ainda estão perdidos em seja qual for o sonho que estou tendo.

Mas, esta manhã, tem alguma coisa diferente. Meu corpo está mais quente do que o normal, e me dou conta de um cheiro adocicado. Morango, talvez? Não, cereja. Definitivamente cereja. E algo pinicando embaixo do queixo, algo macio e duro ao mesmo tempo. Uma cabeça? É, tem uma cabeça aninhada na curva do meu pescoço. E um braço fino por cima da minha barriga. Uma perna quente enganchada na minha coxa, e um seio macio descansando no lado esquerdo do meu próprio seio.

Abro os olhos lentamente e encontro Jennie aconchegada em mim. Estou deitada de costas, os braços em volta dela, segurando-a com força junto ao meu corpo. Não admira que meus músculos estejam tão rígidos. Será que passamos a noite inteira assim?

Lembro de estarmos em lados opostos da cama quando peguei no sono, tão distantes que até esperava encontrá-la no chão ao acordar. Mas, agora, estamos emaranhadas nos braços uma da outra.

É gostoso.

Estou ficando mais desperta. Desperta o suficiente para assimilar este último pensamento. É gostoso? O que está acontecendo comigo? Dormir abraçadinha é exclusividade de namoradas.

E não tenho namoradas.

Mas também não a solto. Estou completamente acordada agora, respirando o cheiro dela e desfrutando do calor do seu corpo.

Olho para o despertador, que vai tocar em cinco minutos.

Sempre acordo antes do alarme, como se meu corpo soubesse que é hora de se levantar, mas ainda ligo o despertador por precaução.

São sete da manhã. Só tive quatro horas de sono, mas me sinto estranhamente descansada. Em paz. Não estou pronta para deixar esse sentimento ir embora ainda, então fico ali, deitada, com Jennie em meus braços, ouvindo sua respiração estável.

“Você está dura?”

A voz horrorizada de Jennie corta o silêncio sereno. Ela senta num sobressalto, e logo cai de volta no colchão. É isso aí, a srta. Piadista se desequilibra deitada, porque ainda está com a perna enganchada nas minhas coxas. E sim, definitivamente tem algo acontecendo lá nos países baixos.

“Relaxa”, digo numa voz sonolenta e grave. “É só uma meia-bomba matinal.”

“Meia-bomba matinal?”, repete ela. “Ai, meu Deus. Você é tão…”

“Sou sim, e é isso que acontece de manhã. Pura biologia, Kimie. Acordamos duros. Se isso faz você se sentir melhor, não estou com o menor tesão neste momento.”

“Tudo bem, vou aceitar sua justificativa biológica. Agora pode me explicar por que decidiu me abraçar no meio da noite?”

“Eu não decidi nada. Estava dormindo. Até onde sei, foi você que se arrastou para cima de mim.”

“Jamais. Nem em sonho. Meu inconsciente me conhece melhor do que isso.” Ela enfia o indicador no centro do meu peito e pula para fora da cama num movimento rápido.

Assim que se afasta, sinto uma sensação de perda. Já não estou quente e aconchegada, mas fria e sozinha. Enquanto sento e espreguiço os braços por cima da cabeça, seus olhos felinos se fixam no meu peito nu, e ela torce o nariz de desgosto.

“Não acredito que a minha cabeça estava nessa coisa a noite toda.”

“Meu peito não é uma coisa.” Faço uma cara feia para ela. “Outras mulheres parecem não ter o menor problema com ele.”

“Não sou ‘outras mulheres’.”

Não, ela não é. Porque “outras mulheres” não me divertem tanto quanto Jennie. De repente, me pergunto como passei a vida inteira sem os comentários sarcásticos e os resmungos irritados de Jennie Kim.

“Para de sorrir”, exige ela.

Estou sorrindo? Nem percebi.

Jennie estreita os olhos enquanto cata as roupas no chão. Minha camiseta bate em seus joelhos, enfatizando o quanto ela é pequena.

“Não se atreva a contar a ninguém sobre isso”, ameaça.

“Por que não? Só vai aumentar a sua credibilidade nas ruas.”

“Não quero ser mais uma das suas, e não quero que as pessoas pensem que sou, entendeu?”

“Bom, se você não quer mesmo que ninguém pense isso, melhor se vestir depressa.” Arqueio a sobrancelha. “A menos que você queira minhas colegas de time testemunhando a sua caminhada da vergonha. E elas vão, porque temos treino em trinta minutos.”

O pânico brilha em seus olhos. “Merda.”

Preciso admitir, esta é a primeira vez que uma garota se preocupa em ser pega no meu quarto. Em geral, elas saem daqui como se tivessem acabado de fisgar a Angelina Jolie.

Jennie respira fundo. “A gente estudou. Assistiu TV. Fui pra casa tarde. Foi isso que aconteceu. Entendido?”

Luto contra o riso. “Como quiser.”

“Nem venha com essa de A princesa prometida para cima de mim, ouviu?”

“Nossa, essa veio do fundo do baú!”

Ela me olha furiosa; em seguida, aponta um dedo na minha direção. “Quando sair do banheiro, quero ver você vestida e pronta para ir embora. Você vai me deixar em casa antes de as suas amigas acordarem.”

Uma risada contida me escapa, enquanto ela vai pisando duro na direção do banheiro e bate a porta.

 

[...]

 

JENNIE

As aulas da manhã não acabam nunca. Tenho uma de teoria seguida de um seminário sobre história da música — e ambas exigem minha atenção, o que é difícil, quando mal consigo manter os olhos abertos. Já bebi três cafés, mas, em vez de me dar energia, a cafeína só está drenando os resquícios da que eu tinha.

Aproximo-me do auditório de ética e paro, num sobressalto. Ninguém menos que Jackson está caminhando pelo corredor largo, as sobrancelhas escuras franzidas, enquanto digita no celular.

Mesmo tendo tomado banho e trocado de roupa no alojamento, me sinto uma completa idiota. Estou de calças de ginástica, um moletom verde e botas de borracha vermelhas. A previsão do tempo tinha dito que ia chover, o que não aconteceu, então agora me sinto ridícula por ter escolhido esse sapato.

Jackson, por outro lado, é pura perfeição. A calça jeans escura abraça suas pernas compridas e musculosas, e o suéter preto se estica sobre os ombros largos de um jeito que me faz tremer nas bases.

Meu coração bate mais rápido à medida que me aproximo.

Estou tentando decidir se deveria dizer “oi” ou só cumprimentar com um aceno, mas ele resolve o dilema, falando primeiro.

“Oi.” Seus lábios se curvam num meio-sorriso. “Belas galochas.”

Suspiro. “Ia chover.”

“Não foi sarcasmo. Gosto de galochas. Me fazem lembrar de casa.” Ele percebe meu olhar interrogativo e explica depressa: “Sou de Seattle”

“Ah. Foi de lá que você pediu transferência?”

“Foi. E, vai por mim, se não estiver chovendo em Seattle, é porque tem alguma coisa errada. Botas de chuva são um item de sobrevivência quando se vive em Seattle.” Ele enfia o smartphone no bolso, adotando um tom casual. “Então, o que aconteceu com você na quarta-feira?”

Franzo o cenho. “Como assim?”

“A festa. Procurei por você depois da sinuca, mas já tinha ido.”

Ai, meu Deus. Ele me procurou?

“É, saí cedo”, respondo, torcendo para parecer casual também. “Tinha aula às nove no dia seguinte.”

Jackson deita a cabeça de lado. “Ouvi dizer que foi embora com Lalisa Manoban.”

Isso me pega desprevenida. Não achei que alguém nos tivesse visto saindo juntas, mas é claro que estava enganada. Aparentemente, os boatos circulam mais rápido que a velocidade da luz, na Briar.

“Ela me deu uma carona para casa”, respondo, dando de ombros.

“Ah. Não sabia que eram amigas.”

Abro um sorriso travesso. “Tem muita coisa ao meu respeito que você não sabe.”

Deus do céu. Estou flertando com ele.

Ele também sorri, e a covinha mais sensual que já vi aparece em seu queixo. “Acho que você tem razão.” Faz uma pausa significativa. “Talvez devêssemos mudar isso.”

Deus do céu. Ele está flertando de volta.

Por mais que odeie admitir, estou começando a achar que a teoria de Lisa de dar uma de difícil realmente faz sentido. Jackson parece curiosamente fixado no fato de que saí da festa com Lisa.

“Então…” Seus olhos brilham, alegres. “O que você vai fazer depois da…”

“Kimie!”

Engulo um gemido exasperado diante da interrupção alegre de — quem mais? — Lisa. Ela caminha na nossa direção, e Jackson fecha o rosto ligeiramente, mas logo em seguida sorri e cumprimenta a intrusa indesejável com a cabeça.

Lisa está trazendo dois copos de isopor e passa um para mim com um sorriso no rosto. “Trouxe um café. Achei que estaria precisando.”

Não deixo de notar o olhar estranho que Jackson lança em nossa direção, ou o brilho de desagrado em seus olhos, mas aceito o café com gratidão e abro a tampa, soprando o líquido quente, antes de dar um pequeno gole. “Salvou minha vida”, suspiro.

Lisa acena para Jackson e o cumprimenta: “Wang”.

Os dois trocam uma espécie de tapa, que não chega a ser um aperto de mãos, mas também não é bem um soco com os punhos.

“Manoban”, devolve Jackson. “Ouvi dizer que vocês destruíram o St. Anthony. Bela vitória.”

“Obrigada.” Lisa ri. “Ouvi dizer que vocês foram destruídos pelo Brown. Que merda.”

“Lá se vai nossa temporada perfeita, né?”, lamenta-se Jackson.

Lisa dá de ombros. “Vocês vão se recuperar. Maxwell tem um braço do outro mundo.”

“Nem me fale.”

Como considero que conversas sobre esportes estão no mesmo grau de chatice das de política e jardinagem, dou um passo em direção à porta. “Vou entrar. Obrigada pelo café, Lisa.”

 

Meus batimentos cardíacos continuam acelerando enquanto caminho pelo auditório. É engraçado, mas minha vida de repente parece estar se movendo na velocidade da luz. Antes da festa, o máximo de contato que tive com Jackson foi um aceno a míseros três metros de distância — e isso em dois meses. Agora, em menos de uma semana, tivemos duas conversas, e, a menos que esteja imaginando coisas, ele estava prestes a me convidar para sair, antes de Lisa interromper.

Depois que me acomodo no meu assento me dou conta de uma sombra caindo sobre mim, Lisa ocupa a cadeira ao meu lado. “Kimie, tem uma caneta sobrando?”

Volto-me para Lisa. “Você veio para a aula despreparada? Que surpresa.” Abro a bolsa de novo e procuro uma caneta; em seguida, enfio-a em sua mão.

“Obrigada.” Ela me oferece aquele sorriso arrogante antes de abrir seu caderno numa página limpa. Em seguida, inclina-se para a frente e dirige-se a Nell. Minha dupla de ética, sentada do meu outro lado. “Prazer, Lisa.”

Ela fita, boquiaberta, a mão estendida dela e, enfim, a aperta. “Nell”, responde. “Prazer.”

Tolbert chega logo em seguida, e, enquanto Lisa volta sua atenção para o tablado, Nell me lança outro olhar de “o que foi isso”. Levo os lábios bem perto de seu ouvido e sussurro: “Somos meio que amigas agora”.

“Ouvi isso”, se intromete Lisa. “E não tem nada de ‘meio’ nessa história. Somos melhores amigas, Nelly. Não deixe a Kimie dizer o contrário.”

Nell ri baixinho.

Só consigo deixar escapar um suspiro.

 

[...]

 

Depois da aula, estou morrendo de vontade de terminar a conversa com Jackson, mas Lisa tem outros planos. Em vez de me deixar ficar, ou melhor, de disparar em linha reta até meu jogador de futebol preferido, segura meu braço com firmeza e me ajuda a levantar. Dou uma olhadinha na direção de Jackson, que está descendo o corredor depressa, como se quisesse nos alcançar.

“Ignore o cara.” A voz de Lisa é quase inaudível ao me conduzir pela porta.

“Mas quero falar com ele”, reclamo. “Tenho certeza de que ia me convidar para sair antes.”

Lisa simplesmente segue em frente, a mão parecendo um torno de ferro em volta do meu antebraço. Preciso correr para acompanhar seus passos largos e estou morrendo de raiva quando saímos no ar fresco de outubro.

Me sinto tentada a olhar por cima do ombro para ver se Jackson está atrás de nós, mas sei que Lisa vai brigar comigo se o fizer, então resisto.

“O que foi isso?”, exijo saber, tirando a mão dela de cima de mim.

“Você deveria ser inatingível, lembra? Tá facilitando muito as coisas pra ele.”

A raiva borbulha dentro de mim. “A questão toda era fazer com que ele me notasse. Bem, ele está me notando. Por que não posso parar de fazer joguinhos?”

“Você despertou o interesse dele”, diz Lisa, enquanto caminhamos pela trilha de paralelepípedos em direção ao pátio. “Mas se você quiser manter esse interesse, precisa fazê-lo trabalhar por isso. Homens gostam de desafios.”

Quero argumentar, mas talvez ela tenha razão.

“Segure a onda até a festa de Maxwell”, aconselha.

“Sim, senhora”, resmungo. “Ah, por falar nisso, vou ter que desmarcar a nossa aula de hoje. Estou exausta da maratona de ontem e, se não dormir um pouco, vou ficar um zumbi pelo resto da semana.”

Lisa não parece feliz. “Mas a gente ia começar a parte pesada hoje.”

“Sabe o que a gente pode fazer? Vou enviar um e-mail com um exemplo de pergunta para você fazer uma redação, algo que a Tolbert inventaria. Você tem duas horas para escrever alguma coisa, e amanhã a gente repassa juntas. Assim, vou ter uma noção do que precisamos trabalhar.”

“Certo”, aceita ela. “Tenho treino de manhã e aula depois. Pode vir ao meio-dia?”

“Claro, mas tenho que sair às três, por causa do ensaio.”

“Legal. Vejo você amanhã, então.” Ela bagunça meu cabelo como se eu fosse uma criança de cinco anos de idade e vai embora, caminhando descontraída.

Meus lábios se curvam num sorriso irônico ao vê-la se afastar, o casaco do time de vôlei preto e prata se colando ao peito ao andar na direção do vento. Não sou a única a observá-la — várias mulheres também voltam a cabeça em sua direção, e quase posso ver suas calcinhas derretendo quando ela exibe aquele sorriso canalha para todo mundo ver.

Revirando os olhos, vou na direção oposta. Não quero chegar atrasada ao ensaio, principalmente porque Cass e eu ainda não chegamos a um acordo sobre a sua ideia ridícula de incluir um coral.

 

[...]

 

 

LISA

Tomo o cuidado de estar em casa — e sozinha —, quando Jennie aparece na quinta à noite. Estou mais alegre do que envergonhada por ela ter me flagrado com Tiff ontem, e, bom, pelo menos não foi na hora dos finalmentes. O rosto de Jennie teria ficado cem vezes mais vermelho se tivesse ouvido os gritos de Tiffany.

Para falar a verdade, uma parte de mim se pergunta se Tiff estava fingindo aqueles gemidos de atriz pornô. Na noite passada, foi a primeira vez que senti como se a menina estivesse atuando. Tinha algo de incrivelmente… insatisfatório na coisa toda. Não sei se estava fingindo ou só exagerando, mas, de qualquer forma, não estou muito ansiosa para repetir a cena.

Jennie bate à minha porta. Não uma, mas pelo menos dez vezes. E mais duas, mesmo depois de a mandar entrar. A porta se abre, e Jennie tropeça para dentro, cobrindo bem os olhos com as palmas das mãos. “Posso olhar?”, pergunta, em voz alta.

Com os olhos ainda fechados, estica os braços para a frente, como uma cega tateando o caminho em meio à escuridão.

“Você é uma piadista, hein?”, digo, com um suspiro.

Suas pálpebras se abrem, e ela me lança um olhar ríspido. “Só quero ser cuidadosa”, responde, em tom arrogante. “Deus me livre de invadir mais uma das suas festinhas.”

“Não se preocupe, ainda não tínhamos chegado na parte do sexo. Se quer saber, ainda estávamos nas preliminares. Segunda e terceira base, para ser mais exata.”

“Eca. Informação demais.”

“Você que perguntou.”

“Perguntei nada.” Ela senta de pernas cruzadas sobre a cama e puxa o fichário da bolsa. “Certo, chega de jogar conversa fora. Vamos reler sua redação corrigida e esboçar mais algumas, para praticar.”

Entrego o texto corrigido, então me reclino contra os travesseiros, enquanto Jennie lê. Ao terminar, olha para mim, e posso dizer que está impressionada.

“Muito bom”, admite. “Na verdade, está muito bom mesmo”, acrescenta, relendo a conclusão.

 

Depois de mais alguns elogios e discussões sobre partes isoladas da minha redação, Jennie fica tensa e pensativa. Ela arqueia uma sobrancelha. “Quantos comentários pervertidos você planeja fazer? Quer dizer, na festa...”

Imaginei que com o fim de semana se aproximando, ela devia estar começando a ficar preocupada.

Sorrio. “Depende do quanto beber.”

Ela deixa escapar um suspiro exasperado, e uma mecha de cabelo escuro se solta de seu rabo de cavalo e cai sobre a testa. Sem pensar, estico o braço e ajeito a mecha atrás da orelha.

A tensão instantânea em seus ombros me faz franzir os lábios. “Você também não pode fazer isso. Ficar toda tensa quando toco em você.”

Vejo o pânico em seus olhos. “Por que você iria tocar em mim?”

“Porque vamos estar num encontro. Você não me conhece? Sou cheia de mãos.”

“Bem, você pode guardar as suas mãos para si mesma no sábado”, afirma, com afetação.

“Bom plano. Aí o seu gato vai achar que somos só amigas. Ou inimigas, dependendo do quão nervosa você ficar.” Ela morde o lábio, e sua agitação transparente apenas me faz provocá-la ainda mais. “Ah, e talvez eu beije você também.”

Agora ela me queima com os olhos. “De jeito nenhum.”

“Você quer que Wang pense que está a fim de mim ou não? Porque se quiser, vai precisar pelo menos tentar agir como tal.”

“Isso vai ser difícil”, diz, com um sorriso.

“Besteira. Você me adora.”

Ela bufa.

“Adoro essas bufadas que você dá”, confesso, com franqueza. “E não deixa de ser sexy.”

“Dá para parar?”, resmunga. “Ele não tá aqui agora. Pode guardar o flerte para sábado.”

“Estou tentando me acostumar com isso.” Faço uma pausa, como se estivesse pensando em alguma coisa, mas a questão é que estou me divertindo horrores em deixar Jennie desconfortável. “Na verdade, quanto mais penso no assunto, mais fico me perguntando se não deveríamos fazer um aquecimento.”

“Aquecimento? Como assim?”

Deito a cabeça de lado. “O que você acha que faço antes de um jogo, Kimie? Acha que é só chegar na quadra e calçar os tênis? Claro que não. Pratico seis dias por semana para estar pronta. Divido meu tempo entre a quadra e a sala de musculação, assisto a gravações de jogos, tenho reuniões de estratégia. Pensa em toda a preparação de antecedência que isso envolve.”

“Isto não é um jogo”, afirma, irritada. “É um encontro falso.”

“Mas precisa parecer real para o seu gato.”

“Alguma hora você vai parar de chamá-lo assim?”

Não, não tenho planos de parar. Gosto de como ela fica nervosa. Na verdade, gosto de irritá-la, ponto. Toda vez que Jennie fica com raiva, seus olhos castanhos se acendem e suas bochechas se tingem do tom mais bonito de rosa.

“Pois então”, digo com um aceno de cabeça. “Se vou tocar e beijar você no sábado, acho que é imperativo ensaiarmos.” Lambo os lábios de novo. “Minuciosamente.”

“Eu não sei dizer se você está brincando comigo agora.” Jennie solta um suspiro irritado. “De qualquer forma, não vou deixar você me tocar nem me beijar, por isso vai afastando essas suas ideias sujas da cabeça. Se está precisando gastar um pouco de energia, liga para a Tiffany.”

“Ah, tá, até parece!”

Há uma pitada de sarcasmo no tom de Jennie. “Por que não? Você parecia bem na dela ontem.”

“Foi coisa de uma noite só. E não adianta mudar de assunto.” Sorrio. “Por que não quer me beijar?” Estreito os olhos. “Ah, merda. Só tem uma explicação.” Faço uma pausa. “Você beija mal.”

Seu queixo cai de indignação. “Não, senhora.”

“Ah, é?” Reduzo a voz para um tom grave e sedutor. “Então prova.”



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