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História O Acordo - Bughead - Capítulo 33


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Notas do Autor


4/9♥️

Capítulo 33 - Chapter XXXIII


ELIZABETH

A vida vai bem.

A vida vai maravilhosa, surpreendente e assustadoramente bem.

Estas duas últimas semanas de namoro com Jughead têm sido um borrão de

risos, carinhos e sexo apaixonado, misturado com eventos da vida real, como

aulas, estudo, ensaios e jogos de hóquei. Jughead e eu construímos uma conexão

que me pegou de surpresa, mas, ainda que Cherly continue me provocando por

causa da súbita reviravolta da minha parte no que diz respeito ao cara, não me

arrependo da decisão de oficializar as coisas com ele e ver onde elas vão dar. Até

agora, tudo tem funcionado muito bem.

Mas, sabe, o problema da vida é o seguinte: quando ela vai bem assim,

inevitavelmente, algo dá errado.

“Sei que é um inconveniente”

, acrescenta Fiona, minha orientadora de artes

cênicas. “Mas infelizmente não há nada que eu possa fazer a não ser aconselhar

você a falar direto com Mary Jane e…”

“De jeito nenhum”

, interrompo, os dedos apertando com força os braços da

cadeira. Encaro a loura bonita do outro lado da mesa e me pergunto como pode

descrever esta bomba atômica como um inconveniente.

E ainda quer que eu fale com Mary Jane?

Nem. Pensar.

Por que diabos eu iria falar com aquela filha da mãe que se deixou passar por

uma lavagem cerebral e que acabou de destruir qualquer chance que eu tinha de

ganhar uma bolsa de estudos?

Ainda estou me recuperando do que Fiona me comunicou. Mary Jane e Cass me

abandonaram. Eles têm de fato permissão para me expulsar do dueto para que Cass

possa cantá-lo como um solo.

Que merda.

No entanto, lá no fundo, não estou surpresa. Jughead tinha me alertado de que

algo assim poderia acontecer. Eu mesma me preocupei com a possibilidade. Mas

nunca em um milhão de anos imaginei que Cass fosse fazer isso quatro semanas antes do festival.

Ou que minha orientadora estaria tão tranquila a respeito.

Cerro os dentes. “Não vou falar com Mary Jane. É óbvio que ela já se decidiu

sobre isso.”

Ou melhor, que Cass decidiu por ela, quando a convenceu a conversar com

nossos respectivos orientadores e choramingar que sua música não estava

funcionando como um dueto e que iria retirá-la do festival se não fosse

apresentada como um solo. Cass, é claro, foi rápido em apontar que seria um

absurdo desperdiçar uma música tão boa, e que ele se oferecia gentilmente para me

deixar cantá-la. Foi quando Mary Jane insistiu que ela deveria ser cantada por uma

voz masculina.

Vá se foder, M.J.

“Então, o que devo fazer agora?”

, pergunto, com a voz firme. “Não tenho tempo

para aprender uma música nova e trabalhar com outro compositor.”

“Não, não tem”

, concorda Fiona.

Em geral, aprecio sua abordagem direta, mas hoje tive vontade de lhe dar um

tapa.

“É por isso que, dadas as circunstâncias, o orientador de Cass e eu concordamos

em afrouxar as regras no seu caso. Você não precisa trabalhar com um aluno de

composição. Nós concordamos — e o chefe do departamento assinou embaixo —que você pode cantar uma de suas próprias músicas. Sei que você tem um monte

de originais em seu repertório, Eliza. E, na verdade, acho que é uma grande

oportunidade para você mostrar não só a sua voz, mas suas habilidades de

composição.” Ela faz uma pausa. “No entanto, você só vai disputar uma bolsa de

estudos por performance, já que não é aluna de composição.”

Minha mente continua a girar como um carrossel. Sim, tenho algumas músicas

originais que posso cantar, mas nenhuma delas está nem perto de estar pronta

para uma apresentação.

“Por que Cass não está sendo penalizado por isso?”

, indago.

“Olha, não posso dizer que aprovo o que Cass e Mary Jane fizeram, mas,

infelizmente, esta é uma das desvantagens de se trabalhar num dueto.” Fiona

suspira. “Todos os anos tem pelo menos uma parceria que acaba logo antes do

festival. Lembra de Joanna Maxwell? Que se formou no ano passado?”

A irmã de Beau.

Assinto.

“Bem, o par dela a largou três dias antes do festival dos alunos do último ano”

,

confidencia Fiona.

Pisco de surpresa. “Jura?”

“Pois é. Resumindo, isso aqui ficou um caos completo por três dias.”

Meu humor se eleva, ainda que apenas um pouco, quando lembro que Joanna

não só ganhou a bolsa, como também chamou a atenção de um agente que mais

tarde lhe conseguiu o tal teste em Nova York.

“Você não precisa de Cassidy Donovan, Elizabeth.” A voz de Fiona é firme,

transmitindo muita segurança. “Você é ótima fazendo solos. Esse é o seu ponto

forte.” Ela me lança um olhar severo. “Pelo que me lembro, foi exatamente isso

que aconselhei no início do semestre.”

Sinto a culpa esquentar meu rosto. É. Não posso negar. Ela havia me alertado de

suas preocupações sobre o projeto desde o início, mas deixei Cass me convencer

de que seríamos imbatíveis juntos.

“Você vai ter tudo o que for necessário para se preparar”

, acrescenta. “Nós

vamos reorganizar o cronograma, para que tenha acesso a uma janela de ensaio

sempre que precisar. E, se quiser um acompanhamento, tem todos os alunos da

orquestra à disposição. Você vai precisar de mais alguma coisa?” Um pequeno

sorriso surge em seus lábios. “Confia em mim, o orientador de Cass não está nem

um pouco feliz com isso. Então, se houver algo que você queira, me diga agora, e

acho que consigo providenciar pra você.”

Estou prestes a sacudir a cabeça, mas então algo me ocorre. “Na verdade, tem

sim. Quero Jae. Digo, Kim Jae Woo.”

Fiona franze a testa. “Quem?”

“O violoncelista.” Ergo o queixo com firmeza. “Quero o violoncelista."

JUGHEAD

“Não acredito que ele fez isso!” Allie soa lívida de seu lado da mesa, os olhos castnhos em chamas enquanto olha para Eliza.

Minha namorada está com aquela expressão “estou fazendo muita força para não

demonstrar o quanto estou furiosa agora”

, mas posso sentir as emoções voláteis

que irradiam de seu corpo. Ela alisa a ponta do avental. “Sério mesmo? Porque eu

acreditei rapidinho”

, responde Eliza. “Aposto que esse era o plano dele o tempo

todo. Me deixar maluca por dois meses e depois me sacanear logo antes do show.”

“Filho da mãe”

, Kevin murmura de seu assento ao lado de Cherly. “Alguém

precisa dar uma boa surra nesse menino.” Kev se volta para mim e Archie. “Será

que algum de vocês jogadores de hóquei não pode resolver esse problema? Só um sustinho?”

“Com prazer”

, diz Archie, alegremente. “Qual é o endereço?”

Cutuco meu amigo de lado. “Não vamos bater em ninguém, seu idiota. A menos

que você queira enfrentar a ira do treinador… e uma suspensão.” Eu me viro para

Eliza com um olhar pesaroso. “Não se preocupa, estou espancando o cara

agorinha mesmo na minha cabeça, linda. Isso conta, né?”

Ela ri. “Claro. Isso eu deixo.” E enfia o bloco de pedidos no bolso do avental. “Já

volto.”

À medida que Eliza segue para a bancada, fico admirando sua bunda por

tanto tempo que recebo três risos altos de escárnio de meus companheiros de

mesa. E nem me fale em como é estranho estar numa mesa com meu melhor

amigo e os melhores amigos de Eliza.

Tinha certeza de que seus amigos artistas seriam condescendentes e frios a meu

respeito, sobretudo depois que ela me contou o que pensam da turminha de

atletas da Briar. Mas acho que meu charme natural os conquistou. Cherly e Kev já

me tratam como se fôssemos amigos de anos. Stella, que descobriu sua paixão por

hóquei durante o jogo contra Harvard, agora me manda mensagens dia sim, dia

não para perguntar alguma coisa sobre o esporte. E embora aquele tal de Jeremy

ainda seja um tanto irônico toda vez que me vê, sua namorada, Megan, é muito

legal, então estou disposto a dar mais algumas chances para ele provar que não é

um babaca.

“Ela tá puta da vida”

, comenta Archie enquanto observa Eliza conversando

com o cozinheiro atrás do balcão de pedidos.

“Não é pra menos”

, responde Kev. “Sério, que tipo de sacanalha egoísta larga a

dupla logo antes de um show?”

Archie solta um risinho. “Sacanalha? Certeza que vou passar a usar isso.”

“Ela vai ficar bem”

, comenta Cherly. confiante. “Eliza tem músicas

impressionantes. Não precisa de Cass.”

“Ninguém precisa de Cass”

, concorda D. “É o equivalente humano da sífilis.”

Enquanto todos riem, perco-os de foco e volto toda a minha atenção para Eliza. Não esqueço da primeira vez que vim ao Della’s, com o único propósito

de persuadi-la a me dar aulas. Faz só um pouco mais de um mês, mas sinto como

se a conhecesse desde sempre.

Não sei o que estava pensando quando determinei aquela regra de não namorar.

Sabe de uma coisa? Ter uma namorada é bom demais. Sério. Posso transar sempre

que quiser, sem ter que me esforçar para isso. Tenho alguém para desabafar depois

de um dia de merda ou uma derrota devastadora no gelo. Posso fazer as piadas mais medíocres do mundo, e o mais provável é que Eliza ria.

Ah, e adoro estar com ela, simples assim.

volta à nossa mesa trazendo as bebidas. Ou melhor, trazendo as bebidas

que Cherly e Kev pediram. Logan e eu pedimos refrigerante, mas recebemos água.

“Cadê meu Dr. Pepper, Wellsy?”

, reclama Archie.

Ela o fita com um olhar severo. “Você sabe quanto açúcar tem num

refrigerante?”

“Uma quantidade perfeitamente aceitável que não me impede de beber um?”

,

arrisca Archie.

“Errado. A resposta é demais da conta. Vocês vão jogar contra o Michigan em

uma hora… não podem se entupir de açúcar antes de uma partida. Vão ter uma

descarga de energia de cinco minutos e depois apagar na metade do primeiro

período.”

Archie suspira. “J., por que a sua namorada virou nossa nutricionista agora?”

Pego meu copo d’água e dou um gole, derrotado. “Quer discutir com ela?”

Archie vira-se para Eliza, cuja expressão diz, de forma patente: refrigerante, só

por cima do meu cadáver. Então se volta para mim e responde, triste: “Não”.



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