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História O Acordo - Hinny - Capítulo 19


Escrita por: Gi_Martiel

Notas do Autor


Boa leitura!🦋

Capítulo 19 - Dezenove


Gina




Está cada vez mais óbvio que Harry tinha razão. Ele levanta mesmo a imagem de quem está ao seu redor. À medida que sigo a trilha de paralelepípedos em direção ao prédio de filosofia, pelo menos quinze pessoas me cumprimentam. 


Olá, como vai, bela roupa. Sou acolhida por tantos sorrisos, acenos e “ois” que é como se tivesse acabado de pisar em outro planeta. 


Um planeta chamado Gina, porque todo mundo parece me conhecer. Mas não tenho ideia de quem são, embora deva tê-los conhecido na festa de Beau.


Um desconforto se revira em meu estômago, com uma onda de constrangimento que me faz acelerar o passo. Perturbada por tanta atenção, praticamente corro para a aula e ocupo meu lugar ao lado de Hermione. Harry e Miguel ainda não chegaram, o que é uma espécie de alívio. Não sei se quero falar com algum deles agora.


— Ouvi dizer que você saiu com Harry neste fim de semana— é a primeira coisa queHermione  me diz.


Deus do céu. Não posso passar um segundo sequer sem ser lembrada do cara?


— Ahn, foi— respondo, vagamente.


— Só isso? Foi? Como assim, quero todos os detalhes sórdidos.


— Não tem.— Dou de ombros. — Só saímos às vezes.— Ao que parece, essa é a minha resposta oficial agora.


— E a sua outra paixão?— Hermione acena sugestivamente em direção ao corredor oposto.


Acompanho seu olhar e vejo que Miguel acaba de chegar. Instala-se em sua cadeira, puxa um MacBook para fora da capa e, como se sentisse meu olhar sobre ele, ergue a cabeça e sorri.

Sorrio de volta. Logo em seguida, Tolbert entra na sala, e desvio o olhar para me concentrar no tablado.


Harry está atrasado, o que não é normal. Sei que saiu com os amigos na noite passada e não tinha treino de manhã, mas não é possível que tenha dormido até às quatro. Pego meu telefone discretamente para escrever para ele, mas a mensagem dele chega primeiro.


*No meio de uma emergência. Vou chegar para a segunda parte da aula. Tome notas pra mim até lá?*


*Tudo bem??*


* Tudo. Arrumando a bagunça do Dino. Longa história. Mais tarde te conto. *


Faço um monte de anotações durante a aula, mais por Harry do que por mim, pois já tinha lido a matéria e decorado a última teoria. À medida que Tolbert se estende em seu tom monótono, minha mente viaja. Penso no jantar iminente com Miguel, e a sensação de desconforto volta, trazendo também certa náusea.


Por que estou tão nervosa com isso? É só um jantar. E vai ser só isso. Outras meninas podem topar ir para a cama logo no primeiro encontro, mas eu certamente não sou uma delas.


Mas Miguel é um jogador de futebol americano. As meninas com quem sai provavelmente tiram a roupa antes de o cardápio chegar. Será que ele espera isso de mim?

Será que ele...


Não, digo a mim mesma, com firmeza. Eu me recuso a acreditar que Miguel seja do tipo que obrigaria alguém a dormir com ele.


Aos quarenta e cinco minutos de aula, Tolbert faz uma pausa, e todos os fumantes disparam até a porta como se estivessem presos numa mina há duas semanas. Também saio do auditório, não para fumar, mas para procurar por Harry , que ainda não apareceu.


Miguel vem atrás de mim até o corredor. 


— Vou pegar um café. Quer?


— Não, obrigada.


Seus lábios se curvam quando nossos olhos se encontram. 


— Nosso jantar ainda tá de pé?


— Claro.


Ele acena, satisfeito. 


— Ótimo.


Não posso deixar de admirar sua bunda enquanto se afasta. A calça cargo não chega a ser apertada, mas envolve o quadril muito bem. Seu corpo é realmente incrível. Só queria saber mais da personalidade dele. Ainda acho difícil decifrá-lo, e isso me incomoda. É por isso que você vai jantar com o cara, para conhecê-lo.


Certo. Faço um esforço para me lembrar disso enquanto volto minha atenção para a porta do prédio, no exato instante em que Harry passa por ela. Está com as bochechas coradas pelo frio e o casaco de hóquei fechado até o pescoço.

Os Timberlands pretos batem com força no chão polido à medida que se aproxima de mim. 


— Oi, o que eu perdi?— pergunta.


— Não muito. Tolbert está falando de Rousseau.


Harry dá uma olhada para o auditório. 


—Ela tá lá dentro?— Faço que sim com a cabeça.

— Ótimo. Vou ver se pode entregar minha prova agora, em vez de no fim da aula. Ainda estou lidando com a emergência, então não vou poder ficar.


— Você vai me dizer o que aconteceu ou posso começar a tentar adivinhar?


Ele sorri. 


— Dino perdeu a identidade falsa. E ele precisa disso, caso alguém peça no bar, hoje à noite, por isso tenho que dirigir até Boston para falar com um cara que arruma uma na hora.— Ele faz uma pausa. — Você tem identidade, né? O segurança do Malone’s me conhece e conhece os caras também, então não deve ter problema, mas talvez você precise.


— Sim, tenho identidade. E, a propósito, por que Blaise tem que comemorar o aniversário numa segunda-feira? Até que horas vocês planejam ficar na rua?


— Não muito tarde, acho. Pode deixar que levo você pra casa a hora que quiser. E é na segunda porque Maxwell roubou a cena organizando a festa dele no sábado. Ah, e também porque não temos treino no gelo às terças. Ficamos só na sala de musculação, e de ressaca é muito mais fácil levantar peso do que patinar.


Reviro os olhos. 


— Não seria muito mais fácil simplesmente não ficar de ressaca?


Ele solta uma risada. 


— Diga isso pro aniversariante. Mas não se preocupe, sou o motorista da noite. Vou ficar totalmente sóbrio. Ah, e queria conversar sobre mais uma coisa com você... só um segundo, deixa eu falar com Tolbert primeiro. Já volto.


Um momento depois de Harry entrar no auditório, Miguel reaparece segurando um copo de isopor. 


— Vai voltar lá para dentro?— pergunta, a caminho da porta.


—Já vou. Tô esperando uma pessoa.


Dois minutos depois,Harry volta para o corredor, e, pela sua expressão, sei que está prestes a me dar uma notícia boa.


— Você passou?— exclamo.


Ele levanta a prova sobre a cabeça como se estivesse reproduzindo uma cena do Rei Leão. 


— Nota nove, cacete!


Deixo escapar um gritinho. 


— Caramba! Jura?


— Aham.


Num piscar de olhos, Harry me puxa para os seus braços e me aperta até esvaziar meus pulmões. Envolvo seu pescoço com os braços e começo a rir, quando ele me levanta do chão e me roda tantas vezes que fico tonta.


Nossa ceninha espalhafatosa atrai vários olhares curiosos, mas não me importo. A alegria de Harry é contagiosa. Quando finalmente me põe no chão, tomo a prova de sua mão. Depois de todas as horas que dediquei aos estudos com ele, é como se essa nota fosse um pouco minha também, e meu peito transborda de orgulho ao folhear suas palavras dignas de um nove.


— Isso é incrível— digo a ele. — Significa que a sua média está de volta aonde deveria estar?


— Pode apostar.


— Ótimo.— Estreito os olhos. — Agora certifique-se de que vai continuar assim.


— E vai... se você prometer estudar comigo para todas as provas e me orientar em todos os trabalhos.


— Ei, nosso acordo acabou, cara. Não posso prometer nada. — Mas... Como sempre, cedo diante de.  — Vou ajudá- lo a manter a nota como um símbolo da minha amizade, mas só quando tiver tempo.


Com um sorriso, ele me puxa para outro abraço. 


— Você sabe que eu não teria conseguido sem você.— Sua voz soa rouca, e sinto seu hálito quente fazendo cócegas em minha têmpora. Ele se afasta, os magnéticos olhos verdes se concentrando em meu rosto, então abaixa a cabeça de leve, e, por um enervante segundo, acho que vai me beijar.


Saio de seus braços abruptamente. 


— Então, acho que hoje temos que comemorar— digo, animada.


— Você vem, não vem?— Sinto um quê de intensidade em sua voz agora.


— Não acabei de dizer que vou?— resmungo.


Vejo o alívio permear sua expressão. 


— Escuta... Queria te perguntar uma coisa.


Dou uma olhada no telefone e vejo que só temos três minutos para o início da aula. 


— Pode ser daqui a pouco? Eu já deveria estar lá dentro.


— É só um minuto.— Ele fixa meus olhos intensamente. — Você confia em mim?


Sou tomada por uma sensação de que tenho de agir com cautela, mas, quando respondo, é com uma certeza tão inabalável que até me assusto. 


— Claro que sim.


Nossa, confio mesmo. Mesmo que o conheça há pouco tempo, confio nesse cara.


— Que bom.— Ele baixa o tom de voz e limpa a garganta antes de continuar. — Quero que você beba alguma coisa hoje à noite.


Eu me enrijeço. 


— O quê? Por quê?


— Porque acho que vai ser bom para você.


— Então, espera aí, foi por isso que você me convidou para o aniversário de Blaise hoje à noite?— pergunto, cheia de sarcasmo. — Para me embebedar?


— Não.— Harry balança a cabeça, visivelmente cansado. — Para te ajudar a ver que não tem problema em baixar a guarda de vez em quando. Escuta, sou o motorista da vez, mas estou me oferecendo para ser mais do que só o seu motorista. Vou ser seu guarda-costas, seu barman e, mais importante, seu amigo. Me comprometo a ficar de olho em você esta noite, Weasley.


Sinto-me tocada pelo discurso de um jeito estranho. Mas é completamente injustificado.


— Não sou uma alcoólatra que precisa beber, Harry.


— Sei que não, sua boba. Só queria ter certeza de que você sabe que, se decidir tomar uma cerveja ou duas, não precisa se preocupar. Vou estar lá.— Ele hesita. — Sei que sua amiga teve uma experiência ruim ao beber em público, mas prometo que nunca vou deixar isso acontecer com você.


Estremeço ao som das palavras “sua amiga”, mas, felizmente, acho que ele não percebe. Uma parte de mim deseja que nunca tivesse usado a velha desculpa do “aconteceu com uma amiga”, mas não chego a me arrepender. Só as pessoas mais próximas sabem do que aconteceu comigo, e, sim, posso confiar em Harry, mas não me sinto confortável para contar sobre o estupro.


— Então, se quiser beber hoje, prometo que nada de ruim vai acontecer com você.— Ele parece tão sincero que o meu coração se infla de emoção. — De qualquer forma, é só isso que eu queria dizer. Só... pensa nisso, tá?


Minha garganta está tão apertada que mal consigo pronunciar uma palavra. 


— Certo.— Exalo uma respiração instável. — Vou pensar.



Harry




O Malone’s, que já não é um bar muito grande, está absolutamente tomado de jogadores de hóquei. O lugar é tão pequeno que é impossível encontrar lugar para sentar. Nesta noite, mal dá para respirar, que dirá ficar em pé confortavelmente.


O time inteiro veio para a festa de Blaise, e, por acaso, segunda-feira é dia de karaokê, portanto o ambiente apertado está barulhento à beça e empanturrado de corpos. O lado bom é que nenhum de nós precisou mostrar as identidades falsas na porta.


De repente, percebo que, em poucos meses, ela não vai mais ter utilidade. Quando completar vinte e um anos, em janeiro, vou ganhar mais do que só status de adulto perante a lei, finalmente, vou ter acesso à herança que meus avós me deixaram, o que significa que vou estar a um passo de me libertar do meu velho.


Gina chega uns vinte minutos depois de mim e dos caras. Não a busquei porque o ensaio atrasou, e ela insistiu que não tinha problema em pegar um táxi. Também insistiu em passar no alojamento primeiro para tomar um banho e trocar de roupa, e, ao pousar os olhos nela, apoio a decisão do fundo do coração. Está absolutamente linda de legging, botas de salto alto e camiseta canelada. Tudo preto, claro, mas à medida que se aproxima, fico procurando o item colorido, sua marca registrada e o vejo assim que vira a cabeça para cumprimentar Blaise. Um enorme prendedor de cabelos amarelo com pequenas estrelas azuis sobre os fios ruivos. Uma parte do cabelo ainda está solta e emoldura seu rosto corado.


— Oi— diz. — Tá sufocante aqui dentro. Ainda bem que não trouxe casaco.


— Oi.— Eu me inclino e beijo sua bochecha. Teria preferido que fossem os lábios deliciosos, mas, embora considere isso um encontro, tenho certeza de que Gina não pensa da mesma forma. — Como foi o ensaio?


— O de sempre.— Ela me oferece um olhar triste. — A mesma merda de sempre.


— O que Colin, o Babaca, fez dessa vez?


— Nada demais. Só continua agindo como o idiota que é.— Gina suspira. — Ganhei a discussão sobre onde colocar a ponte no arranjo, mas ele venceu na questão do segundo refrão. Sabe, a hora em que o coral entra.


Solto um gemido alto. 


— Ah, pelo amor de Deus, Weasley. Você cedeu nisso?


— Foi dois contra um— responde ela, sombriamente. — M.J. decidiu que sua canção precisava de um coral para alcançar o efeito máximo. Vamos começar a ensaiar com eles na quarta-feira.


Ela está obviamente muito chateada, então aperto seu braço e digo: 


— Quer uma bebida?— Vejo seu pescoço se mover à medida que engole em seco. Demora um pouco a responder. Só me olha nos olhos, como se estivesse tentando penetrar meu cérebro. Acabo prendendo o fôlego, porque sei que algo importante está para acontecer. Ou ela vai colocar sua confiança em minhas mãos, ou vai trancá-la a sete chaves, o que seria o equivalente a um soco de sacudir o esqueleto, porque, caramba, como quero que Gina confie em mim.


Quando finalmente responde, sua voz é tão baixa que não posso ouvi-la por causa da música.


— O quê?


Ela expira e levanta a voz. 


— Eu disse ‘com certeza’.


Com essas duas palavrinhas, meu coração infla feito um maldito balão de hélio. A confiança de Gina chega às mãos de Harry. Luto para manter a felicidade para mim mesmo, contentando- me com um aceno indiferente de cabeça enquanto a levo na direção do bar. 


— O que vai querer? Cerveja? Uísque?


— Não, quero algo gostoso.


— Juro por Deus, Weasley, se você pedir Schnapps de pêssego ou uma bebida de mulherzinha, não sou mais seu amigo.


— Mas sou uma mulherzinha— reclama. — Por que não posso tomar uma bebida de mulherzinha? Hmm, uma piña colada,

talvez?”


Solto um suspiro. 


— Tudo bem. Melhor do que Schnapps, pelo

menos.


No bar, peço a bebida de Gina e passo a examinar cada movimento do barman. Gina também está com olhos de águia em cima dele.

Com dois dos clientes mais vigilantes do planeta acompanhando a confecção da piña colada do início ao fim, não há a menor chance de haver alguma droga na taça que coloco na mão de Gina poucos minutos depois. Ela dá um pequeno gole, então sorri para mim. 


— Hmm. Delícia.


A alegria em meu coração quase transborda. 


— Vamos lá, deixe- me apresentar alguns dos caras.


Pego seu braço de novo e caminhamos em direção ao grupo barulhento na mesa de sinuca, onde a apresento a Birdie e a Simms. Dino e Simas nos veem e se aproximam, os dois cumprimentam Gina com um abraço. O de Dino é um pouco longo demais, mas quando vejo seu olhar, a expressão é inocente. Talvez seja apenas paranoia minha. Mas que inferno, já estou competindo com Conner pela atenção de Gina, e a última coisa que quero é o meu melhor amigo entrando na disputa.


Só que... estou mesmo competindo? Ainda não tenho certeza do que quero com ela. Digo, tudo bem, quero sexo. Quero muito, muito mesmo. Mas, se por algum milagre, ela decidir me oferecer isso, e aí? O que acontece depois? Finco uma bandeira no chão e aviso para o mundo que Gina é a minha namorada?

Namoradas são uma distração, e não posso ter distrações agora, sobretudo porque há duas semanas corria riscos de perder meu lugar na equipe.


Não concordo com meu pai em muitas coisas, mas quando se trata de foco e ambição, pensamos da mesma forma. Vou virar profissional depois de me formar. Até lá, preciso me concentrar em tirar boas notas e conduzir meu time para mais uma vitória no Frozen Four. Falhar não é uma opção.


Mas ver Gina ficando com outro cara?

Também não é uma opção.

Apresento-lhes a cruz e a espada.


— Ai, meu Deus, isso é tão bom— diz Gina, ao dar mais um gole profundo. — Quero outro.


Rio. 


— Que tal você terminar esse primeiro, depois a gente decide sobre um refil?


— Tá—  bufa ela. Então vira a bebida num dos goles mais rápidos que já testemunhei, lambe os beiços e sorri para mim. — E aí. Que tal um refil?— Não posso lutar contra o sorriso que se estende por todo o meu rosto. Rapaz, tenho a impressão de que Gina vai ser uma bêbada muito... interessante. E estou absolutamente certo.


Três piñas coladas depois, Gina está no palco cantando no karaokê. Isso mesmo. Bêbada do tipo que sobe no karaokê.


O que salva é que ela é uma cantora fenomenal. Não posso imaginar quão deprimente seria se estivesse bêbada e tivesse uma voz de taquara rachada.


O bar inteiro está louco por ela. Gina está cantando “Bad Romance” e quase todo mundo está acompanhando, até alguns dos meus colegas de time mais embriagados. Pego-me sorrindo feito um idiota enquanto olho para o palco. Não há nada de indecente no que está fazendo. Nenhuma sugestão de que vai tirar a roupa nem movimentos sugestivos. Gina joga a cabeça para trás animada, as bochechas coradas e os olhos brilhando ao cantar, e é tão bonita que me dói o peito.


Foda-se, quero outro beijo. Quero sentir seus lábios nos meus. Quero ouvir aquele barulho gutural que ela fez na primeira vez que chupei sua língua.


Perfeito. Agora estou duro feito tronco, no meio de um bar com todos os meus amigos.


— Ela é incrível!— grita Dino, aproximando-se. Está com um sorriso enorme também, assistindo a Gina, mas noto um brilho estranho em seus olhos. Parece um brilho de... interesse.


— Ela é aluna de música— é a única resposta idiota que sou capaz de dar, porque estou muito distraído com a expressão dele.


Ao final da música, Gina é ovacionada. Um segundo depois, Blaise sobe no palco e sussurra algo em seu ouvido. Parece estar tentando convencê-la a cantar com ele, mas fica tocando seu braço nu enquanto derrama sua lábia, e não há dúvidas sobre o desconforto nos olhos de Gina.


— Minha deixa para salvá-la— digo, antes de abrir caminho entre a multidão. Quando chego ao pé do palco, coloco as mãos ao redor da boca e chamo por Gina. — Weasley, traga essa bunda gostosa aqui!


Sua expressão se ilumina ao me ver. Sem hesitar por um momento, mergulha do palco para os meus braços à sua espera e gargalha quando a giro no ar. 


— Ai, meu Deus, isso é tão divertido!— exclama. — A gente precisa vir sempre aqui!


Com o riso fazendo cócegas em minha garganta, avalio seu rosto, tentando estabelecer em qual grau da minha escala incrivelmente precisa de bêbados ela se enquadra, considerando que um é sóbrio e dez é acordei sem roupas em Portland sem a menor lembrança de como cheguei aqui. Como seus olhos estão vivos e ela não está enrolando as palavras nem tropeçando, decido que deve estar perto do cinco, alegre mas consciente.


E talvez isso faça de mim um arrogante, mas amo ser o cara que a deixou assim. Em quem ela confiou o bastante para cuidar dela de forma que pudesse se soltar e se divertir.


Com outro sorriso reluzente, Gina pega a minha mão e começa a me arrastar para longe da pequena pista de dança.


— Para onde estamos indo?— pergunto com uma risada.


— Preciso fazer xixi! E você prometeu ser meu guarda-costas, o que significa que vai ter de esperar fora do banheiro e ficar de guarda.— Seus olhos castanhos hipnotizantes me fitam, brilhando com uma pontada de dúvida. — Você não vai deixar nada de ruim acontecer comigo, vai, Harry?


Um nó do tamanho de Massachusetts se aloja em minha garganta. Engulo em seco e tento falar por cima dele. 


— Nunca.



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