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História O Acordo - Hinny - Capítulo 31


Escrita por: Gi_Martiel

Notas do Autor


O bagulho é doido

Capítulo 31 - Trinta e Um


Gina





Harry  me manda uma mensagem quando estou me arrumando para dormir. Allie e eu entramos em casa há literalmente cinco minutos, e fico surpresa de que ele tenha entrado em contato ainda hoje. Achei que fosse apagar assim que chegasse em casa, depois do jogo.



*Preciso falar com você.*


 * Agora ?*


*É.*



Certo. Pode ser uma mensagem de texto, mas não é difícil inferir seu tom, que parece ser de máxima irritação.



 *Hmm, claro. Me liga?*


*Na verdade, tô na porta.*



Viro a cabeça para a porta do quarto, meio que esperando encontrá-lo ali. Então me sinto uma idiota, porque percebo que ele está falando da porta do alojamento, e não do meu quarto. Ainda assim, deve ser sério, porque Harry não costuma aparecer sem avisar.


Um enjoo me toma o estômago durante o caminho pela área comum até abrir a porta. Como era de esperar, Harry está em pé atrás dela, ainda vestindo o casaco do time e a calça de moletom, como se tivesse vindo direto para cá, em vez de passar em casa para trocar de roupa.


— Oi— cumprimento, convidando-o a entrar com um gesto. — O que aconteceu?


Ele olha atrás de mim para a sala vazia. 


— Cadê Allie?


— Já foi dormir.


— Podemos conversar no seu quarto?


O enjoo piora. Não consigo decifrar sua expressão. Os olhos não dizem nada, e seu tom é completamente desprovido de emoção. Será que tem algo a ver com o pai? Não consegui ouvir a conversa, mas a linguagem corporal transmitia uma forte agressividade. Eu me pergunto se talvez eles...


— Você vai sair com Miguel este fim de semana?


Harry faz a pergunta no instante em que fecho a porta do quarto, e percebo, consternada, que isso não tem nada a ver com o pai dele.

Mas tem tudo a ver comigo.


Um misto de surpresa e uma sensação instantânea de culpa batalha dentro de mim à medida que ergo os olhos para fitar os seus. 


— Quem disse isso?


— Dino. Mas ele ouviu de Conner.


— Ah.


Harry não se move. Não tira o casaco. Nem sequer pisca. Só mantém o olhar fixo em mim. 


— É verdade?


Engulo em seco. 


— Sim e não.


Pela primeira vez desde que chegou aqui, sua expressão transparece alguma emoção, aborrecimento. 


— Como assim?


— Quer dizer que ele me convidou para sair, mas ainda não decidi se vou ou não.


— Você disse que ia?— Seu tom de voz tem uma pitada de ironia.


— Bom, disse, mas...


Os olhos de Harry se inflamam. 


— Você disse mesmo que ia? Quando ele chamou?


— Na semana passada— admito. — No dia seguinte à festa de Beau.


Seu rosto relaxa. Só um pouco. 


— Então foi antes do aniversário de Blaise? Antes de você e eu...?


Faço que sim


— Certo.— Ele respira. — Tudo bem. Não é tão ruim quanto eu imaginava.— Mas, em seguida, suas feições endurecem novamente e suas narinas se expandem. — Espera aí, o que você quer dizer com ‘Ainda não decidi se vou’?


Dou de ombros, impotente.


— Você não vai, Gina!


Sua voz rude me faz estremecer. 


— Quem vai me impedir? Você? Porque, da última vez que verifiquei, você e eu não estávamos namorando. Estamos só nos divertindo.


— É isso que você...— Ele para, a boca se fecha numa careta. — Quer saber? Acho que você está certa. Acho que estamos só nos divertindo.


Mal posso acompanhar os pensamentos confusos que disparam em meu cérebro. 


— Você disse que não namora— digo, baixinho.


— Eu disse que não tenho tempo para uma namorada— revida ele. — Mas quer saber? As prioridades mudam.


Hesito. 


— Então você tá dizendo que quer que eu seja sua namorada?


— É, talvez seja isso que esteja dizendo.


Meus dentes afundam em meu lábio inferior. 


— Por quê?


— Por que o quê?


— Por que você iria querer isso?— Mordo com ainda mais força. — Você é cem por cento focado no hóquei, lembra? E, além do mais, brigamos muito.


— Nós não brigamos. Discutimos.


— É a mesma coisa.


Ele revira os olhos. 


— Não é não. Discutir é algo divertido e

bem-humorado. Brigar é...


— Ai, meu Deus, estamos brigando sobre como brigamos! —interrompo, incapaz de conter o riso.


Os ombros de Harry relaxam ao som do meu riso. Ele dá um passo na minha direção, avaliando o meu rosto. 


— Sei que você gosta de mim, Weasley. E gosto muito de você. Seria tão terrível assim se tornássemos isso uma coisa oficial?


Engulo em seco de novo. Odeio ser colocada contra a parede, e estou muito confusa para entender qualquer coisa agora. Agir por impulso não é algo que faço com frequência. Nunca tomo decisões sem pensar muito, e, embora outras meninas pudessem estar dando cambalhotas diante da ideia de tornar as coisas “oficiais” com Harry Potter, sou mais pragmática do que isso. Não esperava gostar desse cara. Nem transar com ele. Menos ainda estar numa posição em que ele pode virar meu namorado.


— Não sei— digo, afinal. — Quer dizer, não pensava mesmo na gente em termos de namorados. Só queria...— minhas bochechas se esquentam, —  explorar a atração e ver se... você sabe. Mas não considerei o que viria depois. Minha confusão triplica, transformando minha cabeça em geleia. — Nem tenho ideia do que isso seja, ou onde poderia dar, ou...


À medida que deixo a fala no ar, noto a expressão no rosto de Harry, e a dor em seus olhos me fere profundamente como uma faca.


— Você nem tem ideia do que isso seja ou onde poderia dar? Meu Deus, Gina. Se você...— Ele deixa escapar um suspiro, soltando os ombros largos. — Se você realmente não sabe, então estamos perdendo nosso tempo. Porque eu sei exatamente o que é isso. Eu...— Ele para de forma tão abrupta que é como se eu tivesse levado uma chicotada.


— Você o quê?— sussurro.


— Eu...— Ele se interrompe de novo. Os olhos cinzentos se escurecem. — Quer saber? Esqueça. Acho que você tem razão. Estamos apenas explorando a atração.— Soa cada vez mais amargo. — Sou só o seu terapeuta sexual, não é? Não, não, melhor: sou só uma merda de um fluffer.


— Fluffer?— digo sem expressão.


— De filme pornô— murmura. — Eles trazem a fluffer para chupar os caras entre uma tomada e outra para manter o pau duro.— Seu tom se colore de raiva. — Era esse o meu trabalho, não é? Deixar você excitadinha para o Conner? Pronta pra trepar com ele?


A indignação pinica minha pele. 


— Em primeiro lugar, isso é nojento. Em segundo, isso não é justo, e você sabe.


— Aparentemente, não sei de nada.


— Ele me pediu para sair antes de eu dormir com você! E eu provavelmente nem ia mais!


Harry solta uma risada ríspida. 


— Provavelmente? É. Valeu.— Dá um passo na direção da porta. — Quer saber? Vai pra essa porcaria de encontro. Você conseguiu o que queria de mim. Acho que Miguel pode assumir a partir daqui.


— Harry...


Mas ele já foi. E não só isso: fez de sua saída algo bem público, batendo minha porta com força, pisando duro pelo alojamento e batendo a porta da saída também.


Fico olhando para o espaço vazio que um segundo antes estava ocupado por ele. Porque, como Harry disse, eu sei exatamente o que é isso.


As palavras roucas que ele acabou de usar ecoam em minha cabeça, e um turbilhão de emoções aperta meu coração, porque tenho certeza de que também sei exatamente o que é isso.


E tenho medo de que, por conta de um momento de indecisão de uma fração de segundo, tenha estragado tudo.


Notas Finais


🥵


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